HISTÓRIA DA AMAZÔNIA!
A LUTA ARMADA EM FLORIANO PEIXOTO, ATUAL BOCA DO ACRE EM 1911!
CONVULSÃO SANGRENTA NO INTERIOR DO AMAZONAS: NO PURUS, ASSASSINATO DE PREFEITO E INVASÃO DE VILA DESENCADEIA GRAVE CONFLITO ARMADO.
(TEXTO LONGO)
Em pleno ciclo da borracha o interior do Estado do Amazonas foi palco de vários conflitos armados, a maioria de cunho político, sendo que um dos mais famosos e sangrentos aconteceu no município de Floriano Peixoto (conhecido hoje por Boca do Acre), na região do rio Purus.
A então Vila de Floriano Peixoto havia sido invadida, em 22 de Julho de 1911, por 50 homens armados e comandados pelo coronel Francisco Monteiro, comerciante e abastado proprietário de terras daquela zona.
O motivo era o dito coronel Monteiro querer tirar do poder o superintendente(prefeito) eleito Alexis Barbosa Morin do cargo que tinha assumido.
Após render o destacamento policial, os homens de Monteiro assassinaram friamente o prefeito Morin, mesmo ele já estando rendido, como também assassinaram o tenente da polícia militar que era comandante da pequena tropa ali estacionada.
Controlada a situação,Francisco Monteiro se declarou a autoridade máxima de Floriano Peixoto. A população da Vila, apavorada, fugiu em peso do lugar. Os comandados de Monteiro passaram a armar trincheiras em pontos estratégicos da Vila e a guarnecer o povoado dia e noite.
Devido a isso,autoridades que conseguiram fugir embarcaram para Manaus com a finalidade de comunicar ao governador Antônio Bittencourt do ocorrido, para assim ele tomar as devidas providências.
SERINGALISTA ORGANIZA EXÉRCITO PARTICULAR, INVADE A VILA E DERROTA OS REBELDES
Porém enquanto na capital o governo ainda não tinha conhecimento do fato, um seringalista apoiador das autoridades legalistas, resolveu tomar por iniciativa própria a decisão de expulsar da Vila de Floriano Peixoto, o famigerado coronel Monteiro e seus capangas armados.
O nome desse homem era o capitão Macário Miquelino da Cunha, proprietário do seringal São Francisco.
O capitão Macário reuniu e recrutou, entre os seus trabalhadores e outros proprietários e trabalhadores da região, um exército composto de 150 combatentes, onde teriam como missão invadir a Vila,bexpulsar os invasores e restaurar a legalidade.
Na manhã do dia 30 de Julho, Macário com seus homens devidamente municiados chegaram em canoas e desembarcaram, logo cercando a Vila.
Assim que perceberam a presença dos legalistas, os homens de Monteiro se entricheiraram e começaram a atirar. Travou-se então forte tiroteio de parte a parte num combate que começou às 7 e meia da manhã. Apesar do número superior dos comandados de Macário, já era meio dia e nada estava resolvido, pois os rebeldes de Monteiro combatiam ferozmente, mantendo suas posições.
Às 3 da tarde os disparos diminuiram um pouco, porém os rebeldes mantinham suas posições e resistindo(não dispostos a entregar a Vila facilmente) e os legalistas avançando.Ao cair da tarde os rebeldes perceberam que seria impossível sua vitória.
Por volta das 8 horas da noite cessou por completo o tiroteio, com as forças de Monteiro abandonando a luta e sendo derrotados, fugindo eles pelo mato. O próprio coronel Monteiro, vendo-se cercado, reagiu furiosamente ao ataque em uma trincheira mas,percebendo que a derrota era iminente, aproveitou a escuridão da noite e abandonou sua trincheira com demais homens e levando outros feridos, refugiando-se eles no povoado de Boca do Acre.
Ainda naquela noite a força armada de Macário invadiu a posição dos revoltosos, não encontrando mais nenhum deles pois já haviam debandado.Sendo assim os legalistas incendiaram suas trincheiras.
O resultado final do combate foi de 7 mortos e 6 feridos no exército de Macário, enquanto houve 11 mortos entre os homens de Monteiro além de vários feridos.
Após a tomada da Vila,a população do lugar dava vivas e aclamava o Macario como seu libertador.
O coronel Francisco Monteiro se instalou em Boca do Acre junto com seus seguidores, onde ali ficou se preparando para,numa nova oportunidade,tentar retomar novamente Floriano Peixoto.
NOTÍCIAS CHEGAM EM MANAUS.
GOVERNO EMVIA UMA FORÇA MILITAR PARA O PURUS
Enquanto isso em Manaus, assim que o governador Antônio Bittencourt tomou conhecimento do fato e da morte do prefeito do município, mandou um contingente de 105 soldados da Polícia Militar, comandados pelo capitão João Fragoso, que partiram do porto da cidade no dia 9 de Agosto de 1911, a bordo do navio de guerra "Cidade de Manáos", com a missão de restabelecer ali a ordem e prender os assassinos do prefeito Alexis Barbosa Morin. Todos os jornais de Manaus noticiaram a convulsão armada que tinha acontecido naquele município longínquo da capital, e muitos populares,autoridades(entre elas o governador do estado) e representantes da imprensa, foram acompanhar o embarque dos soldados que iriam combater os revoltosos.
Mas o que os policiais e a imprensa não sabiam é que o dito seringalista Macário Miquelino já havia feito a parte mais difícil. Porém os militares vindos da capital teriam agora a missão de combater, expulsar e prender os revoltosos que estavam em Boca do Acre e ainda ameaçavam alterar a ordem no Purus pela força das armas.
Mas essa continuação,do encontro dos soldados com os rebeldes, fica para outra vez.
CONCLUSÃO
Na imagem de cima, de primeira página de um jornal de Manaus, s
tem-se a notícia da tomada de Floriano Peixoto pelos homens de Macário, expulsando os invasores.
E na foto abaixo,à esquerda, está a sede da prefeitura(intendência) de Floriano Peixoto, que foi cercada e tomada pelos rebeldes quando atacaram o lugar. E na direita,está uma cena representando os homens de Macário atacando a Vila para expulsar os rebeldes comandados pelo coronel Monteiro.
CRÉDITOS.
*Resgates fotográfico, do texto informativo, título, atualizações/editoria do texto informativo e postagem secundária do Jornalista Antônio Fonseca
*Foto, pesquisas, texto informativo original e postagem anterior do Pesquisador e autor original Professor Gaspar Vieira Neto .
*FONTES consultadas pelo autor original Jornal do Commercio e Folha do Acre.























