quarta-feira, 1 de julho de 2026

Memorial de Antônio Garcia

 

HOJE DIA 27 DE JUNHO DE 2026

HOMENAGEM POSTUMA E SAUDADE ETERNA

MEU PAI. ' ANTÔNIO GARCIA "

QUE HOJE FARIA. 123 ANOS .

O CÉU ESTA EM FESTA

MEU PAI ANTÔNIO GARCIA NASCEU EM BARRADO PIRAI ( RJ ) NO ANO DE 1903

E FOI LEVADO AOS CÉU PELO MEU JESUS CRISTO NO DIA. 01. DE JUNHO DE 1998.

DEIXANDO SEUS. 4 FILHOS VIVOS E UM FALECIDO.

O FALECIDO ; ALCEZION GARCIA REIS

2. ) PAULO GARCIA REIS. HOJE FALECIDO

3 ) IRINEIA GARCIA DOS SANTOS

4. ) DULCINEIA GARCIA DA SILVA FALECIDA

5. ) EU. DURVALINA GARCIA REIS

DEIXOU. " 18 NETOS. "

NARRIMA , JAIME , NIRVANA, NAIRA , NADIA ,

ELIZABETH VIEIRA REIS ,MARGARETH VIEIRA REIS RAMOS , PAULO CÉSAR LULA DA SILVA REIS , CLEIA GARCIA, CLEIDE GARCIA ANTÔNIO PAULO, CARLOS ROBERTO , CLEBER , CLERIO, ELSON REIS, RENATO REIS. CRISTIANO. SHIRLEY LIMA.

18 BISNETOS

PEDRO LUCAS. , LAVINHIA , MANUELA , PIETRA. ,HADASSAH. , CARLA , RUAN , LEANDRO., FORTUNATO FILHO., CAIO, GABRIEL ,LIVIA , JOÃO , SOFIA PAULO. LUCIA E MAURICIO .

03 TATARANETOS "

MARIA VALENTINA , VIDA MARIA E BÁRBARA VITORIA.

ESSES FORAM OS FILHOS NETOS , BISNETOS E TATARANETOS DO PAI E AVO ANTÔNIO GARCIA

QUE DEIXOU MUITA SAUDADES ENTRE OS PARENTES E AMIGOS .

HOJE ESSA HOMENAGEM VAI PARA ESSE HOMEM GUERREISO QUE TRABALHOU NA MARINHA DE GUERRA DO BRASIL E SENTIA-SE ORGULHOSO POR ISSO

PAI QUERIDO A SAUDADE DA SUA PARTIDA CONTINUA EM NOSSOS CORAÇÕES.

MAIS NOS TEMOS A GRANDE ESPERANÇA DE NOS ENCONTRARMOS NOVAMENTE NA VINDA DE CRISTO .

E DIZEMOS DE CORAÇÃO O VERSÍCULO BÍBLICO.

," DEUS DEU DEUS TOMOU BENDITO O SEJA O NOME DO SENHOR ."

UM FELIZ ANIVERSÁRIO AI NO CÉU RODEADO DOS ANJOS DO SENHOR.

MARANATA .

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

O garoto do Casino Bangu


O ano era 1976 quando surgiu, nas quadras do Casino Bangu, um garoto conduzido por um parente que atuava na equipe principal de futebol de salão do clube. Naquela época, eu era o responsável pela equipe mirim do Casino Bangu e, logo nos primeiros treinos, percebi que aquele menino possuía algo especial. Apesar de ter um ano a menos do que a idade prevista para a categoria, sua habilidade, inteligência e personalidade dentro de quadra chamavam a atenção de todos.

Diante daquele talento precoce, decidi integrá-lo ao elenco mirim. A aposta mostrou-se acertada. A equipe realizou uma excelente campanha e conquistou o Campeonato Estadual, oferecendo os primeiros indícios de que aquele jovem teria um futuro promissor no esporte.

No ano seguinte, em 1977, ele assumiu definitivamente a condição de titular. Com atuações seguras e decisivas, ajudou o Casino Bangu a alcançar mais uma grande campanha, encerrando a competição com o vice-campeonato estadual. A cada temporada, sua evolução tornava-se mais evidente, e ele foi galgando espaço nas demais categorias do futebol de salão casinista, consolidando-se como uma das grandes promessas formadas pelo clube.

Quando chegou o momento de fazer a transição para o futebol de campo, aceitou um novo desafio. Foi aprovado para a equipe juvenil do Bangu Atlético Clube, onde rapidamente confirmou todo o potencial que já havia demonstrado nas quadras. Nesse período de formação, teve como treinadores este autor do relato, além de Ananias, Paulo Lumumba e Moisés. A direção das categorias de base era conduzida por Ângelo Marques, figura importante no desenvolvimento dos jovens talentos do clube.

Na equipe juvenil do Bangu, alcançou uma de suas primeiras conquistas no futebol de campo ao sagrar-se campeão do terceiro turno do Campeonato Carioca de 1982, demonstrando que o talento revelado no futebol de salão também fazia a diferença nos gramados.

Seu talento, aliado à dedicação, disciplina e espírito competitivo, abriu-lhe as portas para uma trajetória ainda mais brilhante. Anos depois, chegou à equipe profissional do tradicional alvirrubro da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Vestindo a camisa do Bangu, destacou-se pela qualidade técnica, pela entrega em campo e pelo comprometimento com o clube, tornando-se uma das principais referências da equipe. O ponto alto dessa caminhada ocorreu em 1985, quando participou da histórica campanha que levou o Bangu ao vice-campeonato brasileiro. Naquele mesmo ano, o reconhecimento nacional veio com a conquista da Bola de Prata, premiação destinada aos melhores jogadores do Campeonato Brasileiro, além de sua inclusão na seleção da competição.

A coleção de conquistas com a camisa alvirrubra ainda ganharia mais um capítulo importante em 1987, quando integrou a equipe campeã da Taça Rio, reafirmando seu nome entre os grandes atletas que defenderam o Bangu Atlético Clube.

Aquele menino que chegou discretamente ao Casino Bangu, conduzido pela mão de um parente, transformou-se em um exemplo de perseverança, talento e superação. Sua trajetória vitoriosa, construída tanto nas quadras do futebol de salão quanto nos gramados do futebol de campo, demonstra a importância das categorias de base na formação de grandes atletas e de homens que honram, com orgulho e dedicação, as cores dos clubes que representam.

• Primeira foto equipe Mirim do Casino Bangu
• Segunda foto equipe de profissionais do Bangu

Algumas do futebol

 Melhor ponta esquerda  do Flamengo. Até hoje no seu auge quem foi melhor, para mim foi o Sávio ⚽️


NO MARACANÃ. Portuguesa de Desportos do treinador Aymoré Moreira, no estádio do Maracanã, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, a Taça de Prata, em 6 de setembro de 1969. Guaraci, Paes, Zé Maria, Marinho, Orlando, Américo, Ratinho depois Geraldino, Basílio, Leivinha, Lorico e Waldomiro. Empate sem gols com o Flamengo, do treinador Elba de Pádua Lima, o Tim, que esteve com Sidnei, Murilo, Manicera, Tinho depois Guilherme, Paulo Henrique, Liminha, Doval, Bianchini depois Ademir, Dionísio, Rodrigues Neto e Arílson. Pesquisas e texto de Claudio Aldecir de Oliveira. Reminiscências do futebol. ⚽️


Guilherme da Silveira Filho (Silverinha) dono da fabrica de Tecidos Bangu, junto a jogadores, no antigo campo da "Rua Ferrer". Detalhe para o escudo nas camisas, envolto num círculo. Na fachada da sede do Bangu, podemos ver raquetes de Tênis e tacos de Cricket, esportes ingleses que eram praticados pelos antigos funcionários da Fábrica de Tecidos Bangu.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Dedicado ao seu chato de galochas preferido

 "Seja Breve" - Noel Rosa

Seja breve, seja breve!

Não percebi por que você se atreve

A prolongar sua conversa mole!

(Que não adianta!)


Seja breve!

(Conversa de teso!)

Não amole!

Senão acabo perdendo o controle

E vou cobrar o tempo que você me deve!


Eu me ajoelho e fico de mãos postas

Só para ver você virar as costas!

E quando vejo que você vai longe

Eu comemoro sua ausência com champanhe!

Deus lhe acompanhe, vá com Deus

E vê se não volta!


A sua vida nem você escreve

E além disso você tem mão leve!

Eu só desejo é ver você nas grades

Para dizer baixinho sem fazer alarde

Que Deus lhe guarde!

(Seja breve)

Vê se tropeça, no caminho!


Vou conservar a porta bem fechada

Com o cartaz: É proibida a entrada

É você passa a ser pessoa estranha

Meu bolso fica alivio dos ataques seus!

(Graças a Deus!)

Ver na net:

https://youtu.be/xsPht3PiICw?is=pT93nlfFAZ7Z9Zzq

terça-feira, 23 de junho de 2026

Bar Vilariño

 O Bar  Vilariño, localizado no Rio de Janeiro, foi, na década de cinquenta e sessenta, ponto de encontro e testemunha de histórias inesquecíveis envolvendo grandes nomes da cultura brasileira.

Lá, Tom Jobim e Vinicius de Morais, em 1956, conversaram muito sobre o projeto de montagem da peça Orfeu da Conceição, que viria a se transformar em um marco para a música brasileira.

No local, um impaciente Newton Mendonça, o talentoso e injustamente esquecido parceiro de Tom Jobim, foi dar um ultimato ao companheiro de “Desafinado”: terminar um projeto há muito pendente. Tratava-se da  da música “Samba de uma nota só” que os dois vinham compondo há tempos. Na verdade, Jobim não acreditava muito no que ele chamava de “sambinha” e por isso vinha adiando a conclusão da música (veja mais histórias de Newton Mendonça aqui e aqui).

Quem perpetuou a memória de muitos casos acontecidos no bar, alguns hilários outros surpreendentes, foi o falecido jornalista e compositor Fernando Lobo, pai de Edu Lobo.

Um boêmio incorrigível, Fernando Lobo era assíduo frequentador do bar e registrou suas lembranças do local no livro “À mesa do Vilariño”, uma comovente viagem às suas reminiscências. No livro, escrito no início da década de noventa, Fernando se inspirou em uma velha foto tirada na mesa do bar para construir, nas palavras de Guilherme Figueiredo, “Um vernissage retrospectivo, uma hora da saudade. E uma afirmação de vida”.

Na foto, dentre outros, aparecem Di Cavalcanti, o pintor cearense Antônio Bandeira, Dolores Duran, Elizeth Cardoso e o grande compositor Evaldo Rui. Faltaram, neste dia, outros frequentadores assíduos como: Lúcio Rangel, Ari Barroso, Antônio Maria, Sérgio Porto e Lígia Clark. Eventualmente a mesa acomodava também Paulo Mendes Campos e Manuel Bandeira que certa vez levou Pablo Neruda.


Numa mesa de peso como aquela, só poderia dar em histórias memoráveis. Disso se valeu Fernando Lobo para escrever um livro daqueles que lamentamos quanto termina. Ele conta que, certa vez, Avila, um dos freqüentadores mais assíduos, resolveu assinar na parede um desenho de sua autoria. Posteriormente o pintor Antônio Bandeira deu a idéia de cada um deixar declarações e traços de sua presença.

Com o tempo, a iniciativa ganhou seguidores. De forma improvisada, o pintor cearense deixou seus desenhos, Panceti desenhou, com o batom de uma amiga, uma marinha, e com o batom de Dolores Duran, belos barcos vermelhos, Di Cavalcanti também deixou sua marca, Paulo Mendes escreveu versos, Vinicius idem, até um sisudo Pablo Neruda cedeu ao costume na sua única visita ao bar.

Na Parede, Ary Barroso escreveu acordes de Aquarela do Brasil. A brincadeira cultural ganhou mais adeptos: Dolores Duran, Lígia Clark, Lúcio Rangel, Manuel Bandeira e muitos outros famosos, deixaram seus registros na parede privilegiada. As obras eram realizadas com o que se tinha à mão, como: batons, ketchup e mostarda. Neste ambiente de improviso, até palitos de dente, muitas vezes, foram usados como pincel.

Para desespero dos frequentadores, o proprietário, parece não ter gostado daquele improviso cultural na sua parede e, sem avisar a ninguém, numa véspera de Natal, mandou pintar toda aquela “sujeira”, dando fim ao afresco improvisado que hoje seria um patrimônio de valor inestimável para a cultura brasileira.

O ato desastrado do proprietário do bar parecia ser um prenúncio do fim do animado grupo. Fernando Lobo, que teve uma vida longa, relatou com certa melancolia, mas sem ceder à pieguice, o destino de cada um do grupo. Alguns, a exemplo de Antonio Maria, Antônio Bandeira e Dolores Duran, morreram cedo, outros se afastaram devido às atividades profissionais e as mudanças dos costumes do centro do Rio.

Alguns anos depois do atentado contra o painel dos famosos, o novo proprietário, Antonio Vasquez Alvares, um antigo garçom do estabelecimento, tentou recuperar o afresco escondido nas diversas pinturas, mas foi em vão. Estava perdida para sempre uma preciosidade da cultura. Restaram, entretanto, algumas fotos como a exposta  no  fim deste post. Parte do painel pode ser visto atrás de Vinicius de Moraes. Na mesa, estão: Lúcio Rangel à esquerda do poetinha; à direita, o pequeno Pedro, filho de Vinicius; em pé à direita, o poeta Paulo Mendes Campos; e logo a frente de Mendes Campos, o autor do livro, Fernando Lobo.


fontes:
Câmara, Marcelo; Guimarães, Rogério; e Mello, Jorge. Caminhos Cruzados: a Vida e a Música de Newton Mendonça. Ed. Mauad - 1ª ed. 2001 - 156 pág.
Lobo, Fernando. À mesa do Vilariño, Editora Record, 1991, 204 pág.
Oliveira, Luiz Roberto. O Villarino, Onde tudo começou, http://www.jobim.com.br/habitat/vilarino/vilarino1.html.

 Ver na Net:

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Floriano (Boca do Acre) Peixoto

 

HISTÓRIA DA AMAZÔNIA!

A LUTA ARMADA EM FLORIANO PEIXOTO, ATUAL BOCA DO ACRE EM 1911!

CONVULSÃO SANGRENTA NO INTERIOR DO AMAZONAS: NO PURUS, ASSASSINATO DE PREFEITO E INVASÃO DE VILA DESENCADEIA GRAVE CONFLITO ARMADO.

(TEXTO LONGO)

Em pleno ciclo da borracha o interior do Estado do Amazonas foi palco de vários conflitos armados, a maioria de cunho político, sendo que um dos mais famosos e sangrentos aconteceu no município de Floriano Peixoto (conhecido hoje por Boca do Acre), na região do rio Purus. 

A então Vila de Floriano Peixoto havia sido invadida, em 22 de Julho de 1911, por 50 homens armados e comandados pelo coronel  Francisco Monteiro, comerciante e abastado proprietário de terras daquela zona. 

O motivo era o dito coronel Monteiro querer tirar do poder o superintendente(prefeito) eleito Alexis Barbosa Morin do cargo que tinha assumido.

Após render o destacamento policial, os homens de Monteiro assassinaram friamente o prefeito Morin, mesmo ele já estando rendido, como também assassinaram o tenente da polícia militar que era comandante da pequena tropa ali estacionada. 

Controlada a situação,Francisco Monteiro se declarou a autoridade máxima de Floriano Peixoto.  A população da Vila, apavorada, fugiu em peso do lugar. Os comandados de Monteiro passaram a armar trincheiras em pontos estratégicos da Vila e a guarnecer o povoado dia e noite. 

Devido a isso,autoridades que conseguiram fugir embarcaram para Manaus com a finalidade de comunicar ao governador Antônio Bittencourt do ocorrido, para assim ele tomar as devidas providências. 

SERINGALISTA ORGANIZA EXÉRCITO PARTICULAR, INVADE A VILA E DERROTA OS REBELDES 

Porém enquanto na capital o governo ainda não tinha conhecimento do fato, um seringalista apoiador das autoridades legalistas, resolveu tomar por iniciativa própria a decisão de expulsar da Vila de Floriano Peixoto, o famigerado coronel Monteiro e seus capangas armados.

O nome desse homem era o capitão Macário Miquelino da Cunha, proprietário do seringal São Francisco. 

O capitão Macário reuniu e recrutou, entre os seus trabalhadores e outros proprietários e trabalhadores da região, um exército composto de 150 combatentes, onde teriam como missão invadir a Vila,bexpulsar os invasores e restaurar a legalidade. 

Na manhã do dia 30 de Julho, Macário com seus homens devidamente municiados chegaram em canoas e desembarcaram, logo cercando a Vila.

Assim que perceberam a presença dos legalistas, os homens de Monteiro se entricheiraram e começaram a atirar. Travou-se então forte tiroteio de parte a parte num combate que começou às 7 e meia da manhã. Apesar do número superior dos comandados de Macário, já era meio dia e nada estava resolvido, pois os rebeldes de Monteiro combatiam ferozmente, mantendo suas posições.

Às 3 da tarde os disparos diminuiram um pouco, porém os rebeldes mantinham suas posições e resistindo(não dispostos a entregar a Vila facilmente) e os legalistas avançando.Ao cair da tarde os rebeldes perceberam que seria impossível sua vitória.

Por volta das 8 horas da noite cessou por completo o tiroteio, com as forças de Monteiro abandonando a luta e sendo derrotados, fugindo eles pelo mato. O próprio coronel Monteiro, vendo-se cercado, reagiu furiosamente ao ataque em uma trincheira mas,percebendo que a derrota era iminente, aproveitou a escuridão da noite e abandonou sua trincheira com demais homens e levando outros feridos, refugiando-se eles no povoado de Boca do Acre. 

Ainda naquela noite a força armada de Macário invadiu a posição dos revoltosos, não encontrando mais nenhum deles pois já haviam debandado.Sendo assim os legalistas incendiaram suas trincheiras.

O resultado final do combate foi de 7 mortos e 6 feridos no exército de Macário, enquanto houve 11 mortos entre os homens de Monteiro além de vários feridos. 

Após a tomada da Vila,a população do lugar dava vivas e aclamava o Macario como seu libertador. 

O coronel Francisco Monteiro se instalou em Boca do Acre junto com seus seguidores, onde ali ficou se preparando para,numa nova oportunidade,tentar retomar novamente Floriano Peixoto. 

NOTÍCIAS CHEGAM EM MANAUS.

GOVERNO EMVIA UMA FORÇA MILITAR PARA O PURUS

Enquanto isso em Manaus, assim que o governador Antônio Bittencourt tomou conhecimento do fato e da morte do prefeito do município, mandou um contingente de 105 soldados da Polícia Militar, comandados pelo capitão João Fragoso, que partiram do porto da cidade no dia 9 de Agosto de 1911, a bordo do navio de guerra "Cidade de Manáos", com a missão de restabelecer ali a ordem e prender os assassinos do prefeito Alexis Barbosa Morin. Todos os jornais de Manaus noticiaram a convulsão armada que tinha acontecido naquele município longínquo da capital, e muitos populares,autoridades(entre elas o governador do estado) e representantes da imprensa, foram acompanhar o embarque dos soldados que iriam combater os revoltosos.

Mas o que os policiais e a imprensa não sabiam é que o dito seringalista Macário Miquelino já havia feito a parte mais difícil. Porém os militares vindos da capital teriam agora a missão de combater, expulsar e prender os revoltosos que  estavam em Boca do Acre e ainda ameaçavam alterar a ordem no Purus pela força das armas. 

Mas essa continuação,do encontro dos soldados com os rebeldes, fica para outra vez. 

CONCLUSÃO 

Na imagem de cima, de primeira página de um jornal de Manaus, s

tem-se a notícia da tomada de Floriano Peixoto pelos homens de Macário, expulsando os invasores.

E na foto abaixo,à esquerda, está a sede da prefeitura(intendência) de Floriano Peixoto, que foi cercada e tomada pelos rebeldes quando atacaram o lugar. E na direita,está uma cena representando os homens de Macário atacando a Vila para expulsar os rebeldes comandados pelo coronel Monteiro. 

CRÉDITOS.

*Resgates fotográfico, do texto informativo, título, atualizações/editoria do texto informativo e postagem secundária do Jornalista Antônio Fonseca 

*Foto, pesquisas, texto informativo original e postagem  anterior do Pesquisador e autor original Professor Gaspar Vieira Neto .

*FONTES consultadas pelo autor  original Jornal do Commercio e Folha do Acre.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Batalha do Riachuelo: conheça os navios

Empregados no Rio Paraná, os meios navais brasileiros foram decisivos para impedir o abastecimento das forças paraguaias durante a Guerra da Tríplice Aliança

 Surpreendidos em uma emboscada durante uma operação de bloqueio no Rio Paraná, nove navios da Esquadra brasileira não apenas resistiram aos ataques da Marinha paraguaia. Eles protagonizaram um dos principais combates da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870). Vencida naquele 11 de junho de 1865, a Batalha Naval do Riachuelo definiria os rumos do maior conflito armado da história da América do Sul.

Sob o comando do Chefe da Segunda Divisão Naval em Operações de Guerra, Almirante Barroso, a Fragata “Amazonas”, as Corvetas “Parnaíba”, “Beberibe”, “Jequitinhonha” e “Belmonte” e as Canhoneiras “Iguatemi”, “Araguari”, “Mearim” e “Ipiranga” ocupavam o Rio Paraná, próximo à região que pertencia à Argentina. A intenção era impedir o emprego das vias fluviais para abastecer as tropas paraguaias, que tentavam invadir o Brasil pelo estado do Rio Grande do Sul.

Capa do Jornal do Commercio de 1º de julho de 1865 trazia disposição das esquadras brasileira e paraguaia no teatro de guerra — Imagem: Biblioteca Nacional

A Marinha paraguaia contava com oito navios a vapor e seis chatas – espécie de balsa, equipada com peças de artilharia pesada –, quando empreendeu o ataque. Ela pretendia surpreender a Esquadra brasileira antes do amanhecer, para que não tivesse tempo de reação. Porém, uma avaria em um de seus navios atrasou a investida e permitiu que fossem avistados pelos brasileiros, que tiveram tempo hábil de se defender e inutilizar a força naval inimiga.

Conheça os navios que contribuíram para a vitória brasileira na Batalha Naval do Riachuelo:
Fragata “Amazonas”

Era o navio-capitânia da Segunda Divisão Naval em Operações de Guerra, chefiada pelo Almirante Francisco Manoel Barroso da Silva. A Fragata “Amazonas” transportava 163 militares da Armada e 313 do 9º Batalhão de Infantaria da Polícia do Rio de Janeiro, quando subiu o Rio Paraná para comandar o bloqueio naval às forças inimigas. Possuía casco de madeira, era movida a vapor e armada com seis canhões.


A bordo da Fragata “Amazonas”, o Almirante Barroso liderou o bloqueio naval no Rio Paraná — Imagem: Marinha do Brasil

O Comandante do navio, Capitão de Fragata Theotonio Raymundo de Brito, descreveu à época o ataque à “Amazonas” e a reação bem-sucedida ordenada por Barroso: “O navio suspendeu imediatamente, e seguimos rio abaixo (…): fomos recebidos, quando passávamos o Riachuelo, por um fogo horrível de baterias colocadas em terra, das chatas, dos vapores e de mais de mil homens colocados sobre o barranco, armados de fuzil (…). Subi o rio acima e fomos abalroando os vapores inimigos, conseguindo inutilizar três e meter a pique uma das chatas.”

Corveta “Parnaíba”

Embarcação de casco de madeira, propulsão mista – a vapor e a vela – e armada com sete canhões. Era guarnecida por 94 militares da Armada, 100 do Batalhão Naval e 132 do 9º Batalhão de Infantaria quando compôs a Divisão responsável por conter o avanço paraguaio no Rio Paraná. Foi abordada por três navios adversários a um só tempo, tendo a tripulação resistido no combate corpo a corpo até a chegada de apoio.

“[..]nessa luta heroica em que muitos jogavam as armas pulso a pulso, bastantes tinham sido as vítimas que com seu denodo concorreram para tornar memorável nos anais da Marinha brasileira o dia 11 de junho de 1865”, relatou na ocasião o Comandante, Capitão-Tenente Aurelio Garcindo Fernandes de Sá. Entre os que sucumbiram no cumprimento do dever estavam o Guarda-Marinha Greenhalgh e o Imperial Marinheiro Marcílio Dias, imortalizado como herói da Pátria anos depois.


Edição de 1865 da revista Semana Ilustrada retratou morte do Guarda-Marinha Greenhalgh em combate a bordo da “Parnaíba” — Imagem: Biblioteca Nacional.

Corveta “Beberibe”

Com casco de madeira, propulsão mista e armada com sete canhões, a Corveta “Beberibe” contava com 169 militares da Armada e 138 soldados do Exército. Mesmo sob ataque inimigo, o navio conseguiu reagir e apoiar a Corveta “Jequitinhonha”, que havia encalhado em um banco de areia e sofria intenso bombardeio das baterias paraguaias posicionadas às margens do Rio Paraná.


Corveta “Beberibe” em registro de 1867, anos depois da Batalha Naval do Riachuelo — Imagem: Marinha do Brasil.

"Achando-se encalhado o vapor ‘Jequitinhonha’, sofrendo um fogo vivíssimo da bateria colocada em terra, segui a protegê-lo reunindo-me aos navios que se achavam próximos a ele, empregando-me com os mesmos, em fazer calar a bateria inimiga (...). À noite, passei fundeado um pouco acima do ‘Jequitinhonha’ com o ‘Ipiranga’ e o ‘Iguatemi’ para defendê-lo se fosse atacado”, narrou o Comandante do navio, Capitão-Tenente Bonifacio Joaquim de Sant’Anna.

Corveta “Jequitinhonha”

Esse navio de casco de madeira e propulsão a vapor era equipado com dois canhões e seis outras peças de artilharia. Transportava 109 militares da Armada e 160 do 1º Batalhão de Infantaria do Exército, quando compôs a Divisão chefiada pelo Almirante Barroso. Assim como todos os meios da Esquadra empenhados no bloqueio do Rio Paraná, tinha um calado – parte do casco submersa na água – de grandes proporções, inadequado para navegar em águas rasas.

O risco de encalhe era alto e foi o que aconteceu com a “Jequitinhonha” durante manobra de perseguição. Mesmo nessa situação e sob forte fogo inimigo, a Corveta conseguiu impor severas avarias sobre o inimigo “Paraguari” e repelir a abordagem dos vapores “Taquari”, “Salto” e “Marquês de Olinda”. Apesar de todos os esforços, não foi possível desencalhar o navio e, então, foi determinado por Barroso que se abandonasse e incendiasse a embarcação no dia 13 de junho.


Com casco impróprio para navegação fluvial, “Jequitinhonha” encalhou em banco de areia durante perseguição a navios inimigos — Imagem: Marinha do Brasil.
Corveta “Belmonte”

Com casco de madeira, propulsão mista e armada com oito peças de artilharia, a Corveta “Belmonte” participou da missão de bloqueio às forças paraguaias no Rio Paraná. Além de sua tripulação de 115 militares, o navio transportava 98 integrantes da Polícia do Rio de Janeiro e do 1º Batalhão de Artilharia do Exército.

Comandante da “Belmonte” ordenou o encalhe do navio, após sofrer graves avarias, na intenção de evitar o naufrágio e continuar combatendo — Imagem: Marinha do Brasil.

“Depois de ter passado toda a linha inimiga e quando voltava, procurando aproximar-me do navio chefe, que me parecia abordado por um navio inimigo, declarou-se fogo na coberta, produzido por uma bomba inimiga e, pouco depois, deram-me parte que havia muita água no porão; assim, vi-me obrigado a tocar atrás e, como a água aumentasse extraordinariamente a ponto de estar já dois pés acima do assoalho da coberta, encalhei o navio como único meio de salvá-lo”, relatou o Comandante, Primeiro-Tenente Joaquim Francisco de Abreu.

Canhoneira “Iguatemi”

Esse navio, de casco de madeira e propulsão mista, era tripulado por 100 militares da Armada e equipado com seis canhões. Durante o apoio à “Jequitinhonha”, que havia encalhado em um banco de areia e sofria ataques das baterias paraguaias às margens do Rio Paraná, o Comandante foi ferido por fogo de metralha — tipo de munição disparada por canhões de alma lisa — e o imediato morreu atingido por um projétil de artilharia minutos depois.


Ilustração da Canhoneira “Iguatemi” (à direita) publicada em edição da revista Semana Ilustrada de 1868 — Imagem: Biblioteca Nacional.

Quando a Esquadra voltou de águas acima seguindo o arrojo da Fragata ‘Amazonas’, que investiu de proa sobre alguns vapores e chatas da esquadra inimiga, metendo-os a pique, esta canhoneira não tendo mais navio inimigo a combater, foi colocar-se junto ao vapor ‘Jequitinhonha’ que estava encalhado e sofria um fogo terrível de uma bateria colocada na barranca”, contou à época o Comandante, Primeiro-Tenente Justino José de Macedo Coimbra.

Canhoneira “Araguari”

Mesmo modelo da “Iguatemi” e, assim como ela, construída na Inglaterra, sob fiscalização do Comandante em Chefe das Forças Navais do Brasil da época, o Almirante Tamandaré. A Canhoneira “Araguari” também sofreu tentativa de abordagem dos vapores paraguaios, mas, ao contrário da Corveta “Parnaíba”, conseguiu repelir os ataques e causar danos aos inimigos.

Canhoneira “Araguari” (à direita) conseguiu repelir tentativa de abordagem e empreendeu perseguição a navios inimigos — Imagem: Marinha do Brasil

Navegando na popa da Fragata ‘Amazonas’ que galhardamente meteu a pique dois dos vapores inimigos, lançando-se de proa sobre eles e vendo que aí pouco me restava a fazer, investi sobre o ‘Paraguari’ contra o qual fizemos fogo de metralha, e depois deixando-o ao ‘Ipiranga’, subi em perseguição dos quatro restantes que a toda a força se escapavam rio acima”, relatou o seu Comandante, Primeiro-Tenente Antonio Luiz von Hoonholtz, na ocasião.

Canhoneira “Mearim”

Navio de casco de madeira e propulsão mista, possuía quatro obuseiros posicionados em bateria e dois montados em rodízio — estrutura montada no convés que permite o giro do canhão. Sua tripulação era composta de 124 militares. Foi o primeiro a perceber a aproximação das forças navais paraguaias, ao que seu Comandante mandou içar o sinal de “inimigo à vista”.

“Quando a esquadra chegou em frente à bateria de terra, abriu-se dali um fogo bem nutrido de artilharia. A ‘Belmonte’ rompeu águas abaixo, e pouco depois o ‘Amazonas’, seguido do ‘Beberibe’, em cujas águas navegou esta Canhoneira. Nesta ocasião, o fogo tornou-se vivíssimo de parte a parte (…). Minutos depois destacavam do grupo sete vapores e tentaram abordar esta Canhoneira, mas foram repelidos pelas repetidas cargas de artilharia e mosquetaria que vomitavam sobre eles os flancos da Canhoneira”, relatou o Comandante, Primeiro-Tenente Eliziario José Barboza.

Na sequência, os vapores “Ipiranga”, “Mearim”, “Araguari” e “Iguatemi” trabalhando para desencalhar o “Jequitinhonha”, em registro de 1865 da revista Semana Ilustrada — Imagem: Biblioteca Nacional

Após evitar a abordagem inimiga, a “Mearim” conseguiu prestar apoio à Corveta “Belmonte” e, em seguida, à “Parnaíba”. “Passei próximo da ‘Belmonte’ que ia águas abaixo com a proa toda mergulhada e trazendo ela o sinal ‘as bombas não vencem a água que o navio recebe’, acompanhei-a para lhe dar socorro, no caso de ser tanta a água que não pudesse chegar sem reboque ao banco mais próximo, e, logo que tomou ela o banco em frente às ilhas do Cabral, dirigi-me à canhoneira ‘Parnaíba’, que descia desgovernada por ter avaria no leme”, narrou o Tenente.

Canhoneira “Ipiranga”

Foi o primeiro navio de guerra movido a hélice produzido no Brasil, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Possuía casco de madeira, era movido a vapor e equipado com seis canhões e um obuseiro. Transportava uma tripulação de 114 homens, além de 69 militares da Polícia do Rio de Janeiro. Durante a Batalha Naval do Riachuelo, foi responsável por inutilizar os navios paraguaios “Paraguari” e “Salto”, além de uma das seis chatas – espécie de balsa rebocada pelos navios – que transportavam canhões e tropas de 30 a 40 homens.

Dias depois, o Comandante da ‘Ipiranga’, Primeiro-Tenente Alvaro Augusto de Carvalho, detalhou o ocorrido: “Às 9 horas a esquadra inimiga pelo nosso través já nos fazia fogo a que respondíamos com energia (...). A esquadra moveu-se. A ‘Belmonte’, que era testa de coluna, foi a primeira a inverter a linha de frente, e a ir rio abaixo a encontrar o inimigo. O navio chefe, independente da linha, fez o sinal para principiar o combate com qualquer dos inimigos com que mais facilmente se pudesse fazer, e depois sustentar o fogo que a glória é nossa.”

Edição de 1865 da revista Semana Ilustrada publicou imagem do “Ipiranga” batendo o vapor paraguaio “Salto”, durante Batalha Naval do Riachuelo — Imagem: Biblioteca Nacional

Os relatos dos Comandantes de cada navio, escritos nos dias subsequentes à Batalha Naval do Riachuelo, foram extraídos da Revista Marítima Brasileira, publicada em 1883. A experiência mostrou a necessidade de o País dispor de uma Esquadra vultosa e moderna para fazer frente a ameaças externas e resultou em mais investimentos no setor naval. Até o fim da Guerra, a MB já se tornara uma das mais poderosas do mundo, com mais de 80 navios armados.

Capa: Imagem meramente ilustrativa, criada com IA.

Fonte: https://www.agencia.marinha.mil.br/historia-naval/conheca-os-navios-que-garantiram-vitoria-do-brasil-na-batalha-naval-do-riachuel