quinta-feira, 5 de março de 2026

The Sputnik, 1957, meu ano 0

 Foto de Tião Maia (futuro “Tim Maia”), da ponta à esquerda, e Roberto Carlos, da ponta à direita, no grupo “The Sputnik”, 1957.

Em 1957, Tião Maia ficara fascinado com o lançamento do satélite Sputnik e resolvera lançar no Rio de Janeiro um grupo musical com o mesmo nome, “The Sputniks”. 

Tião era fã de rock e idolatrava Little Richard e Elvis Presley, no entanto, gostava muito mais do primeiro

citado. Durante a formação de seu grupo, trouxe alguns amigos e, um deles acabou chamando um sujeito magrinho, Roberto, para integrar o grupo.

Roberto era de Cachoeiro de Itapemirim e, assim como Tião, amava o rock; principalmente Elvis Presley.

Após serem aprovados em um teste da TV Tupi, o grupo foi convidado a participar do programa “Clube do Rock” de Carlos Imperial. Porém, a apresentação inicial também marcou o fim da banda que tinha tudo para decolar.

Nos bastidores do show, Roberto e Tião acabaram discutindo e separaram o grupo. Roberto, todavia, contatou Carlos Imperial para uma apresentação solo e ganhou o apreço do apresentador. Nascia Roberto Carlos.

Tião também foi atrás da carreira solo e se apresentou para Carlos Imperial que também apreciou a apresentação do “novato”. Contudo, para fazer sucesso, Carlos advertiu que ele não poderia se apresentar como “Tião Maia” e que “Tim Maia” seria mais sonoro.

Dessa forma, com o fim da breve banda “The Sputniks”, dois novos astros surgiram, Tim Maia e Roberto Carlos.

Fonte: Vale Tudo: O som e a fúria de Tim Maia, de Nelson Motta.

Brasil, Almanaque de Cultura Popular

Ver na net:

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quarta-feira, 4 de março de 2026

 Esta fotografia foi feita em 1901, numa rua pequena que desembocava na Praça XV, bem perto do mar e do cheiro de peixe velho que vinha do cais do Rio.

Na borda inferior do papel, quase apagado, ainda dá pra ler o nome de um estúdio: “Photo Souza & Irmãos”. Mas ninguém sabe se foi mesmo deles, porque naquela época muita coisa era assim — uma assinatura qualquer, só pra parecer importante.

O menino se chamava Ari, ou Aristeu, dependendo de quem contava.
Tinha sete anos, talvez oito. Era baixo, magro, com os joelhos sempre esfolados e as unhas pretas de terra. Andava descalço por escolha e por destino: dizia que sapato “amolecia o pé”, mas a verdade é que nunca tinha tido um par que durasse mais do que duas semanas.

O cachorro era chamado de Fumaça.
Não por ser preto — ele nem era — mas porque vivia surgindo do nada, como se tivesse escapado de alguma sombra. Era manchado, meio torto das costas, com um focinho comprido e as orelhas grandes demais pro corpo. Parecia sempre atento, sempre pronto pra correr. Um cachorro feito de rua, desses que conhecem a cidade pelo cheiro.

A fotografia foi tirada num fim de tarde.
Dá pra perceber pelo modo como a luz bate nas pedras do chão e faz as poças brilharem como se ainda estivessem quentes. O fotógrafo, um homem já velho, ficou parado por um tempo com aquela máquina pesada apoiada no tripé. O pano escuro cobria a cabeça dele. Ele olhou muito antes de pedir qualquer coisa.

Não era comum fotografarem menino de rua.
Menino de rua era paisagem. Era ruído. Era aquilo que o povo rico mandava ignorar pra não estragar o passeio.

Mas o velho fotógrafo viu uma cena que não parecia sujeira nem incômodo. Parecia… família.

Ari estava sentado no meio-fio, com a coluna quase reta de tanto acostumar o corpo a não relaxar — quem dorme em canto de armazém aprende cedo a estar pronto pra levantar correndo.
E Fumaça estava deitado ao lado dele, encostado na canela do menino como se aquilo fosse a coisa mais segura do mundo.

Ari não morava em casa.
Morava em lugares.
Dormia às vezes embaixo do balcão do botequim do Seu Euzébio, quando o dono ficava com pena e deixava ele entrar pela porta dos fundos.
Outras noites, dormia no pátio de uma igreja, atrás das velas apagadas.
Algumas vezes, no mercado, se escondia entre caixotes até o movimento acabar.

Ele não sabia ler direito.
Mas sabia ler gente.
Sabia quem ia cuspir nele. Sabia quem ia mandar correr. Sabia quem ia oferecer resto de comida com nojo. E sabia — muito bem — quem ia fingir que não viu.

Fumaça apareceu um dia chovendo.
Não apareceu bonito. Apareceu acabado.
O corpo tinha marcas antigas, cortes cicatrizados de briga e a ponta de uma orelha faltando, como se alguém tivesse arrancado por brincadeira ou por maldade. Mancava de leve, não o bastante pra pedir pena, mas o bastante pra denunciar que já tinha apanhado da vida.

O menino viu de longe o cachorro farejando a calçada, procurando comida no lixo dos outros.
Chamou. Fez aquele barulho baixinho que criança de rua faz — não é assobio, não é voz. É um chamado que mistura cuidado e desconfiança.

O cachorro chegou devagar, com o rabo baixo.
Ari estendeu um pedaço de mandioca cozida que tinha ganhado no fundo de um restaurante.
Fumaça cheirou, pegou, comeu sem tirar o olho do menino.

E foi ali que se acertaram sem palavras.

Desde então, eram dois.
Dois que comiam quando dava.
Dois que corriam quando precisava.
Dois que se esquentavam no frio porque o frio é mais suportável quando tem outro corpo junto.

Naquela semana, Ari tinha ficado doente.
Uma tosse funda, ruim, daquelas que vem com o peito doendo e o corpo tremendo.
Quem já teve bronquite sem médico sabe: não é só tosse. É medo.

O menino fingiu força.
Mas de madrugada, deitado atrás do armazém, sem coberta e com o corpo queimando, ele acordou com o focinho do cachorro encostado na cara dele.
Fumaça lambia devagar, insistindo, como se dissesse:

“Não dorme assim. Não some.”

Ari viveu porque acordou.
E acordou porque Fumaça não arredou um passo.

Quando o fotógrafo viu os dois, pediu para tirar a foto.
Ari riu desconfiado, porque criança de rua ri assim: sem acreditar em coisa boa.

— Vai demorar? — ele perguntou.
— Só um pouco — respondeu o homem.

E foi demorado mesmo.
Não era como hoje, que a gente pisca e pronto.
Naquela época, fotografar era pedir que o tempo parasse.

E Ari ficou ali, com a mão largada sobre o lombo do cachorro.
Fumaça, por algum motivo, ficou quieto.
Como se entendesse que aquilo era importante.

O clique aconteceu.
Mas ninguém aplaudiu.
A cidade seguiu como se nada tivesse acontecido.

O velho fotógrafo prometeu entregar uma cópia.
Nunca entregou.

Quem guardou essa imagem foi uma mulher chamada Dona Zuleica, que vendia broa e café num carrinho de mão ali perto.
Ela viu o menino e o cachorro.
Viu a foto.
E pagou uma cópia com moedas contadas, porque disse que aquilo era “coisa de se guardar”.

Colou num papelão, protegeu com plástico amarrado nas pontas.
O carrinho dela rodou anos com aquela imagem pregada do lado, como se fosse aviso.

E sempre tinha alguém que perguntava:

— Quem é?

E ela respondia:

— Um menino e o cachorro dele.
— Dois que não tinham nada… e mesmo assim tinham tudo.

Depois disso, Ari some nas histórias.
Tem quem diga que virou ajudante num navio de carga.
Tem quem diga que foi pego numa batida da polícia e nunca mais voltou.
Tem quem jure que viu ele anos mais tarde, crescido e com barba, trabalhando no cais e ainda assobiando do mesmo jeito.

E Fumaça?
Fumaça continuou sendo cachorro, que é a forma mais pura de permanência que existe.

Por um tempo, ele voltava todo fim de tarde no mesmo lugar.
Sentava, esperava.
Olhava o movimento.
Farejava o vento.

Até que um dia não voltou.

E talvez seja isso que mais aperta o peito:
não saber se o cachorro morreu,
se foi levado,
ou se simplesmente pegou estrada atrás do único ser humano que, pela primeira vez, não o tratou como sobra.

Hoje essa foto deve estar perdida numa gaveta de arquivo.
Amarelada, com bordas manchadas, cheiro de papel antigo e esquecimento.

Mas se você olhar com calma, bem no centro, vai ver:

a mão pequena de um menino segurando um cachorro como quem segura o mundo,
e o olho atento de um bicho sobrevivente,
encostado no único lugar onde não existia medo.

História esquecida



Ver na net:

Flamengo raiz

 

Esse pessoal aí eu convivi com eles pela imprensa: Zico, estreante, Doval, loiro sentado, Rodrigues Neto, em pé extrema direita, excelente lateral esquerdo, antes da era Júnior, ao lado dele o lendário Liminha, carregar de piano, valendo 10 Pulgar, Luizinho, ao lado de Zico, jogou no América e no Botafogo, e o Romário dos anos 70, Paulo César Caju, agachado ao lado do loiro Doval. Dadá Maravilha com a mão na bola. Esse cara jogou no Galo e veio para nosso time. Era ruim, mas artilheiro: a bola procurava ele e entrava no gol. Ele que disse a tática que usou num gol: "Fingi que ia, mas não fui, acabei fondo".

Em pé: Renato, goleiro, Chiquinho Pastor, Moreira, Reyes e Luxemburgo;
Agachados: Rogério, Zé Mário, Caio Cambalhota, Doval e Paulo César Caju.

Júlio César Uri Geller
Uri Geller era um israelense que, na época, apareceu pela TV entortando garfos com a concentração mental. Júlio César, jogando pela esquerda, ganhou esse apelido por entortar driblando seus marcadores adversários. 

📬 **A Exumação de Estácio de Sá no Morro do Castelo


📬 **A Exumação de Estácio de Sá**

Em 15 de janeiro de 1922, no antigo Morro do Castelo, foram exumados os restos mortais de **Estácio de Sá**, fundador da cidade de **São Sebastião do Rio de Janeiro**. A cerimônia aconteceu na histórica Capela de São Sebastião, local que guardava sua memória desde o período colonial.

Naquele mesmo ano, o Morro do Castelo foi desmontado como parte de um amplo projeto de remodelação urbana do Centro do Rio. Com isso, a lápide tumular precisou ser transferida para a nova igreja dos Frades Capuchinhos, situada no bairro da Tijuca, onde permanece até os dias atuais.

O traslado foi marcado por grande comoção popular. Uma multidão acompanhou o cortejo que conduziu tanto o túmulo quanto a pedra fundamental da cidade — marco simbólico assentado por Estácio de Sá em 1565 — do antigo morro até o novo destino.

A lápide, esculpida inteiramente em mármore português, foi encomendada em 1583 por Salvador Correia de Sá, reforçando a relevância histórica e simbólica do monumento.

Reconhecida por seu valor cultural, a lápide tumular é hoje um bem protegido pelo **Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)**, preservando a memória de um dos personagens centrais na fundação do Rio de Janeiro.

#historiaemfoto #history #riodejaneiro #exumação #igrejacatolica #museu #antigamente #anos20 Fotos Vintage **A Exumação de Estácio de Sá**

Em 15 de janeiro de 1922, no antigo Morro do Castelo, foram exumados os restos mortais de **Estácio de Sá**, fundador da cidade de **São Sebastião do Rio de Janeiro**. A cerimônia aconteceu na histórica Capela de São Sebastião, local que guardava sua memória desde o período colonial.

Naquele mesmo ano, o Morro do Castelo foi desmontado como parte de um amplo projeto de remodelação urbana do Centro do Rio. Com isso, a lápide tumular precisou ser transferida para a nova igreja dos Frades Capuchinhos, situada no bairro da Tijuca, onde permanece até os dias atuais.

O traslado foi marcado por grande comoção popular. Uma multidão acompanhou o cortejo que conduziu tanto o túmulo quanto a pedra fundamental da cidade — marco simbólico assentado por Estácio de Sá em 1565 — do antigo morro até o novo destino.

A lápide, esculpida inteiramente em mármore português, foi encomendada em 1583 por Salvador Correia de Sá, reforçando a relevância histórica e simbólica do monumento.

Reconhecida por seu valor cultural, a lápide tumular é hoje um bem protegido pelo **Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)**, preservando a memória de um dos personagens centrais na fundação do Rio de Janeiro.

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Em 15 de janeiro de 1922, no antigo Morro do Castelo, foram exumados os restos mortais de **Estácio de Sá**, fundador da cidade de **São Sebastião do Rio de Janeiro**. A cerimônia aconteceu na histórica Capela de São Sebastião, local que guardava sua memória desde o período colonial.

Naquele mesmo ano, o Morro do Castelo foi desmontado como parte de um amplo projeto de remodelação urbana do Centro do Rio. Com isso, a lápide tumular precisou ser transferida para a nova igreja dos Frades Capuchinhos, situada no bairro da Tijuca, onde permanece até os dias atuais.

O traslado foi marcado por grande comoção popular. Uma multidão acompanhou o cortejo que conduziu tanto o túmulo quanto a pedra fundamental da cidade — marco simbólico assentado por Estácio de Sá em 1565 — do antigo morro até o novo destino.

A lápide, esculpida inteiramente em mármore português, foi encomendada em 1583 por Salvador Correia de Sá, reforçando a relevância histórica e simbólica do monumento.

Reconhecida por seu valor cultural, a lápide tumular é hoje um bem protegido pelo **Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)**, preservando a memória de um dos personagens centrais na fundação do Rio de Janeiro.

#historiaemfoto #history #riodejaneiro #exumação #igrejacatolica #museu #antigamente #anos20 Fotos Vintage





sábado, 28 de fevereiro de 2026

Raridades ao longo da história

Rio de Janeiro - Acre - Rio de Janeiro: assim caminha a humanidade 

Reunião da família no Meier, com o menino recém nascido
1994

Já no Acre, local de cultos numa sala da antiga Escola Lindaura Leitão
A foto denuncia a data: 1º out 1995

A mesma foto, noutra posição

No antigo templo do Tancredo Neves, Encontro de Casais
1995

Dedicatória muito especial da foto anterior

Xodó das vovós, em visita ao Rio, 1995 ou 1996

A Dama da Noite em mãos da vó Dorcas

E a mesma flor em mãos do vô Cid

E o vô Cid reinando, nesta especial

Ainda miúdo, na outra família, ajeitando o cabelo da mãe
1995

Com o primo Marcelo Victor em pose especial

Na beira da praia em Unamar: botinhas especiais para cross na areia
1998

Em família no antigo ap do Cachambi
1999

Nessa mesma ocaisão, com uma bebê de costas
Sem dúvida, 1999

Muita saudade de um grupo de pessoas daí: a bebê vista de frente

Com o pessoal em Penedo

De novo em família, com pernas bem encompridadas

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Casa de Banho de Dom João VI

 

Casa de Banho de Dom João VI

A Casa de Banho de Dom João VI, na cidade do Rio de Janeiro, é um casarão do início do século XIX de nove cômodos e alpendre, de propriedade do negociante de café Antonio Tavares Guerra. A construção adquiriu certa fama por D. João VI, após a instalação da família real portuguesa no Rio de Janeiro, ter a usado para tomar banhos de mar na região, atual bairro do Caju, que, à época, desfrutava de uma paisagem natural intocada.













 Os banhos de mar de D. João VI foram uma recomendação médica para curar a infecção da mordida de um carrapato. Além disso, à época, o trajeto percorrido da residência da corte no Paço de São Cristóvão até o Caju era concluído sem dificuldades.

Em 1938, o casarão foi tombado pelo IPHAN. Entretanto, como não abrigava nenhuma instituição, acabou sendo ocupado por um grupo de pessoas. Décadas depois, em 1961, já no governo de Carlos Lacerda, a construção foi desocupada. Mas continuou sem utilidade e, por mais de uma vez, quase desabou.






Em 1979, o escritor Rubem Fonseca, então diretor da Fundação Rio, sugeriu que a casa se transformasse em centro de artesanato. Todavia, o plano não foi adiante.

No ano de 1985, foram iniciadas obras de restauração do imóvel. As obras foram finalizadas, o casarão voltou a ser como era nos tempos de glória, mas seguiu sem função e três anos depois foi ocupado por uma família sem-teto.

Na década seguinte, em 1996, foi feita uma nova restauração, com financiamento da COMLURB em parceria com a Região Administrativa da Zona Portuária, e passou a ser o Museu da Limpeza Urbana, ganhando função e valorização.  No entanto, em 2012, o museu foi fechado para visitação devido à falta de segurança no bairro do Cajú.

O casarão resiste ao tempo pronto para ser útil em alguma nobre função.  Em seu interior, jaz o acervo histórico da Limpeza Urbana aguardando pacientemente por um novo momento de valorização cultural