domingo, 26 de julho de 2026

Príncipe da Beira - Guaporé, RO

 Uma fortificação cercada por muralhas de sete metros de altura se torna protagonista em meio ao verde amazônico, como se tivesse sido deslocada por outro continente. E do lado de fora do perímetro, circundam florestas contando com a presença de um rio. Em seu interior, jazem ruínas de alojamentos, depósitos e outras estruturas que um dia já formaram uma pequena cidade militar.

É o real Forte Príncipe da Beira localizado em Costa Marques, na margem do Rio Guaporé e diante da fronteira com a Bolívia. Erguido no século 18, o conjunto é reconhecido pelo Iphan como a maior edificação militar portuguesa construída fora da Europa e guarda quase 250 anos da histórica ocupação do território brasileiro.

A grandiosidade chama atenção, mas a história não é escrita apenas nas pedras. O forte também carrega as marcas da mão de obra escravizada usada em sua construção, do longo período de abandono e da comunidade quilombola que vive em seus arredores há mais de dois séculos.

Fortificação e uma fronteira em disputa

A decisão de erguer o forte começou longe da Amazônia. Em 1750, Portugal e Espanha assinaram o tratado de Madrid, que reorganizou as fronteiras de suas colônias na América do Sul. A posse passou a depender completamente, em grande parte, da ocupação  efetiva do território.

Para Portugal, manter homens e estruturas às margens do Guaporé era uma forma de provar domínio sobre aquela faixa da região. O antigo Forte de Nossa Senhora da Conceição já cumpria essa função, mas uma enchente destruiu a construção em 1771. 

Cinco anos depois, a Coroa escolheu outro ponto, cerca de 1,5 quilômetro adiante. A pedra fundamental do novo forte foi lançada em 20 de junho de 1776.

As obras avançaram em uma região isolada, marcada por calor, umidade, doenças e dificuldades de transporte. O engenheiro italiano Domingos Sambucetti, responsável pelo projeto inicial, morreu de malária antes de ver a fortaleza concluída. A inauguração ocorreu em 20 de agosto de 1783.

Uma cidade atrás dos muros da fortificação

O tamanho do Real Forte Príncipe da Beira impressiona até hoje. A estrutura possui cerca de 970 metros de perímetro e quatro baluartes, batizados com nomes de santos católicos.

Cada Canto foi planejado para receber canhões e permitir a defesa de diferentes direções. Um fosso cercava a construção, enquanto o acesso principal ocorria por uma passagem controlada na muralha norte.

Por dentro, o conjunto funcionava como uma pequena cidade militar. Havia alojamentos para soldados, residências de oficinas, capela, prisão, armazéns, depósitos e um poço.

Pedras extraídas da própria região formaram boa parte das muralhas. Outros materiais precisaram percorrer longas distâncias até chegar ao canteiro de obras, em uma época sem estradas, tendo um rio como principal caminho.

Portugueses, indígenas e pessoas escravizadas participaram da construção. Pesquisas históricas apontam que muitos trabalhadores morreram durante o serviço, principalmente em razão da malária e das duras condições encontradas na região.

A mata fechou as portas da fortificação

Com o passar das décadas, a fortaleza perdeu sua importância estratégica, suas tropas diminuíram, estruturas ficaram sem manutenção e a vegetação começou a avançar sobre o interior, fazendo com que a antiga cidadela desaparecesse aos poucos sob a mata.

Em 1914, uma expedição comandada por Cândido Rondon encontrou o forte abandonado e coberto por plantas. O que antes servira para afirmar o poder português na fronteira havia se transformado em um conjunto de ruínas isolado na floresta.

Anos depois, trabalhos de limpeza devolveram parte da construção à paisagem. O Exército voltou a ocupar a região e instalou nas proximidades o Pelotão Especial de Fronteira, conhecido como Sentinela do Guaporé.

O tombamento federal ocorreu em 1950, quando o forte passou a ser reconhecido oficialmente como patrimônio cultural brasileiro.

Objetos que contam outras histórias

O chão do Real Forte Príncipe da Beira também guarda informações que não aparecem nas muralhas. Pesquisas arqueológicas iniciadas em 2008 encontraram louças portuguesas, fragmentos de vidro, metais, cerâmicas indígenas e estruturas relacionadas ao funcionamento cotidiano da fortaleza, como paiol e estábulo.

Os vestígios revelaram uma ocupação mais complexa do que a narrativa estritamente militar. Há sinais de presença humana anteriores à chegada dos portugueses, além de materiais ligados às populações indígenas e afro-brasileiras que viveram ou trabalharam na área.

Uma pequena peça de cerâmica pode indicar hábitos alimentares. Um fragmento de vidro ajuda a reconstruir rotas comerciais. Restos de construções mostram como soldados, trabalhadores e famílias organizavam a vida dentro e fora dos muros. Por esse motivo, objetos encontrados no local não devem ser retirados pelos visitantes.

Memória sobrevive ao redor

A fortificação não está cercada apenas por mata. Nos arredores vive a Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira, formada por famílias ligadas à história da região há gerações.

Parte dos moradores descende de pessoas escravizadas que trabalharam na obra ou permaneceram no Vale do Guaporé depois do período colonial. Atualmente, integrantes da comunidade atuam no turismo e ajudam a apresentar o monumento a quem chega a Costa Marques.

A presença quilombola muda a forma de compreender o lugar. O forte não representa somente uma obra de engenharia militar portuguesa. Suas pedras também carregam a história de quem foi obrigado a erguê-las e de famílias que continuaram vivendo naquele território muito depois da retirada das tropas.

Durante a época de seca, quando o nível do Guaporé baixa, inscrições rupestres aparecem em pedras próximas às margens. Os sinais acrescentam outra camada ao passeio e mostram que a ocupação humana da região começou muito antes das disputas entre Portugal e Espanha.

Quase 250 anos de resistência

O Real Forte Príncipe da Beira integra a lista indicativa brasileira para uma futura candidatura a Patrimônio Mundial da Unesco. O título ainda não foi concedido, mas a inclusão reconhece a importância histórica e arquitetônica do conjunto.

Visitar o forte significa caminhar por diferentes tempos no mesmo espaço. As muralhas lembram a disputa colonial. As ruínas revelam os anos de abandono. Os achados arqueológicos mostram uma história mais antiga e diversa, enquanto a comunidade quilombola mantém viva a ligação humana com o território.

No meio da Amazônia, a construção continua cercada pela floresta que quase a fez desaparecer. O que sobreviveu não foi apenas uma fortaleza portuguesa, mas um lugar onde quase três séculos de histórias ainda permanecem gravados na pedra.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Mansão dos Matarazzo

 Mansão da Família Matarazzo: Um dos maiores crimes contra o patrimônio arquitetônico brasileiro.

Durante quase um século, a Mansão Matarazzo, localizada na Avenida Paulista, nº 1230, na esquina com a Rua Pamplona, foi um dos símbolos da riqueza, da elegância e do desenvolvimento industrial de São Paulo. Sua demolição, em 1996, provocou enorme comoção e até hoje é lembrada como uma das maiores perdas do patrimônio arquitetônico brasileiro.
A construção da mansão - A primeira residência foi construída em 1896, poucos anos após a inauguração da Avenida Paulista, a pedido do Conde Francesco Matarazzo, o imigrante italiano que fundou o maior complexo industrial da América Latina no início do século XX.
Projetada pelos arquitetos italianos Giulio Saltini e Luigi Mancini, a mansão possuía características do ecletismo europeu, inspiradas nos palácios renascentistas italianos. Cercada por jardins, esculturas, fontes e um luxuoso mobiliário importado, tornou-se uma das residências mais sofisticadas do Brasil.
A nova Vila Matarazzo - Na década de 1930, parte do conjunto foi profundamente remodelado para atender às necessidades da família. O arquiteto italiano Tomaso Buzzi projetou uma nova residência conhecida como Vila Matarazzo, incorporando elementos do classicismo italiano e da arquitetura palaciana europeia, sem perder o caráter monumental do conjunto.
Um símbolo da Avenida Paulista - Durante décadas, a Mansão Matarazzo foi uma das construções mais fotografadas da Avenida Paulista, numa época em que a avenida era ocupada por grandes casarões pertencentes às famílias mais influentes de São Paulo.
Enquanto quase todos esses palacetes desapareceram entre as décadas de 1950 e 1980, a Mansão

Matarazzo resistiu por mais tempo, tornando-se um verdadeiro marco da memória paulistana.
A batalha pelo tombamento - Em 1989, o imóvel foi tombado pelo município de São Paulo, numa tentativa de impedir sua destruição. A medida, entretanto, foi contestada judicialmente pelos proprietários.
Após anos de disputa, a Justiça anulou o tombamento em 1994, permitindo que a família retomasse o controle do imóvel. A decisão gerou intensa reação de arquitetos, historiadores, urbanistas e entidades de preservação do patrimônio.
O desabamento e a demolição - No início de 1996, parte da estrutura da mansão desabou. A Prefeitura interditou o imóvel por questões de segurança, mas investigações posteriores concluíram que o colapso não havia sido apenas consequência da falta de manutenção: um laudo do Instituto de Criminalística apontou indícios de escavações intencionais em colunas estruturais.
Pouco depois, iniciou-se a demolição completa do casarão, justamente no ano em que ele completava 100 anos de existência.
O que existe hoje no local? Após a demolição, o terreno foi vendido para incorporadoras imobiliárias. Atualmente, o espaço é ocupado pelo Shopping Cidade São Paulo, inaugurado em 2015, além de edifícios comerciais que transformaram completamente a paisagem da antiga propriedade.
Um patrimônio perdido - A destruição da Mansão Matarazzo tornou-se um dos casos mais emblemáticos da história da preservação do patrimônio brasileiro. Pesquisadores apontam esse episódio como exemplo da dificuldade de conciliar interesses econômicos com a conservação da memória arquitetônica das grandes cidades.
Fotografias históricas - As imagens acima mostram diferentes momentos da história da Mansão Matarazzo:
a residência ainda preservada, cercada por seus jardins na Avenida Paulista;
registros das décadas de 1940 e 1950, quando era um dos mais belos palacetes da cidade;
fotografias das ruínas durante a demolição, em 1996;
imagens que documentam um dos episódios mais controversos da preservação do patrimônio arquitetônico paulista.
A Mansão Matarazzo simbolizava a época em que a Avenida Paulista era formada por elegantes palacetes cercados por jardins. Sua demolição, em 1996, representou não apenas a perda de uma obra-prima da arquitetura eclética paulista, mas também o desaparecimento de um importante capítulo da memória urbana de São Paulo, lembrado até hoje como um dos maiores atentados ao patrimônio histórico brasileiro.


quinta-feira, 16 de julho de 2026

Guia Escolar Positivo - síntese

 







PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE GESTÃO 
PARA MELHORIA DO CLIMA ECOLAR


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Proficiência - Acre

 Proficiência do Acre em alfabetização

O Acre avançou muito na educação. O estado tem hoje 68% de crianças alfabetizadas na idade certa (até o final do 2º ano), superando a média nacional de 66%. Isso coloca o estado em 2º lugar no país em crescimento na alfabetização infantil. [1]
Esse sucesso tem motivos claros:
• Metas superadas: O Acre atingiu a meta de alfabetização projetada para 2027 com dois anos de antecedência.Destaque municipal: Municípios como Feijó lideram o ranking estadual com saltos de até 26% na taxa de alfabetização. A capital, Rio Branco, também é premiada regionalmente pelos avanços na área.


Proficiência em Língua Portuguesa

O Acre lidera o Ideb na Região Norte. Em níveis de proficiência em Língua Portuguesa (avaliados pelo Saeb), o estado obteve média de 212,32 nos anos iniciais e 269,17 no Ensino Médio, ficando no ranking nacional um pouco abaixo da média brasileira. [1, 2, 3, 4]
Os dados revelam que o cenário varia bastante de acordo com a etapa de ensino:
• Ensino Fundamental (Anos Iniciais): O estado alcançou nota de 6,07 em proficiência padronizada (junto com matemática), um bom resultado.


Proficiência em matemática

O Acre geralmente ocupa posições intermediárias no ranking nacional de proficiência em matemática. Contudo, o estado lidera o ranking da Região Norte em avaliações do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). [1, 2]
Dados Recentes da Educação no Acre
Os últimos resultados oficiais mostram os desafios e as conquistas no estado.

terça-feira, 7 de julho de 2026

A Rainha D. Maria Amélia


 Em 1945, a Rainha Dona Maria Amélia regressou a Portugal pela primeira vez desde o exílio de 1910, na sequência de um convite formulado por António de Oliveira Salazar. Aos 80 anos de idade, a antiga soberana percorreu de comboio o trajeto até Lisboa, evocando a viagem realizada 59 anos antes, quando chegara ao país para contrair matrimónio com o Rei D. Carlos. Durante essa viagem, conservava consigo o colar de 661 pérolas oferecido pelo monarca, uma das mais simbólicas recordações da sua vida em Portugal.

À chegada à capital, desembarcou deliberadamente com o pé direito, num gesto de forte significado pessoal e simbólico. No encontro com Salazar, descreveu-o como correspondendo à imagem que dele formara: um homem austero, reservado, de traços vincados, nariz aquilino, gestos contidos e discurso sóbrio.

No decurso da visita, deslocou-se ao Palácio Nacional da Pena, em Sintra, mas o itinerário excluiu propositadamente Vila Viçosa e a Igreja de São Domingos, em Lisboa, onde se realizara o seu casamento real. A decisão do Governo inseria-se na preocupação de evitar quaisquer manifestações que pudessem ser interpretadas como uma evocação pública ou um incentivo à restauração da Monarquia, preservando o enquadramento político do Estado Novo.

Manga, o goleiro

 MANGA: O GOLEIRO QUE DESAFIOU O TEMPO E SE TORNOU UMA LENDA DO FUTEBOL SUL-AMERICANO

Entre os maiores goleiros da história do futebol brasileiro, poucos construíram uma carreira tão longa, vitoriosa e respeitada quanto Haílton Corrêa de Arruda, eternizado como Manga. Dono de reflexos extraordinários, coragem impressionante e uma personalidade tranquila, tornou-se ídolo do Botafogo, do Nacional do Uruguai e do Internacional, conquistando títulos históricos em três países. Sua imagem também ficou marcada por uma característica incomum: enquanto a maioria dos goleiros passou a utilizar luvas, Manga preferia atuar com as mãos enfaixadas ou praticamente nuas, acreditando que assim tinha maior sensibilidade e controle da bola.

Manga nasceu em 26 de abril de 1937, no bairro da Boa Vista, em Recife, Pernambuco. Filho de uma família humilde, cresceu jogando futebol nas ruas da capital pernambucana. Começou como jogador de linha nas peladas de infância, mas acabou assumindo o gol por necessidade da equipe. O improviso revelou um talento natural.
Sua carreira profissional começou no Sport Club do Recife, onde estreou em 1955. Em pouco tempo, tornou-se um dos principais goleiros do futebol nordestino, despertando o interesse dos grandes clubes brasileiros.

Em 1959, foi contratado pelo Botafogo, iniciando uma das passagens mais brilhantes da história do clube. O Alvinegro vivia uma geração de ouro, com craques como Nilton Santos, Didi, Garrincha, Amarildo, Quarentinha, Jairzinho, Gérson e outros. Em meio a tantos talentos ofensivos, Manga se consolidou como a grande referência defensiva da equipe.

Durante dez temporadas em General Severiano, disputou 442 partidas oficiais, tornando-se um dos goleiros que mais vestiram a camisa botafoguense. Conquistou os Campeonatos Cariocas de 1961, 1962, 1967 e 1968, além dos Torneios Rio-São Paulo de 1962, 1964 e 1966.

Seu estilo era marcante: excelente posicionamento, explosão nas defesas, segurança nas saídas de gol e a rara habilidade de não espalmar bolas para a frente. Sua coragem impressionava, especialmente numa época em que os goleiros recebiam pouca proteção da arbitragem.

As grandes atuações renderam convocações para a Seleção Brasileira. Participou da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Reserva de Gilmar nas duas primeiras partidas, assumiu a meta no jogo decisivo da fase de grupos contra Portugal, de Eusébio. O Brasil foi derrotado por 3 a 1 e eliminado precocemente. Apesar da campanha ruim, Manga não foi apontado como o principal responsável.

Em 1968, transferiu-se para o Nacional, do Uruguai, onde viveu um dos capítulos mais importantes de sua carreira. Rapidamente conquistou a torcida com defesas espetaculares e liderança em campo. Entre 1969 e 1974, conquistou quatro Campeonatos Uruguaios, a Copa Libertadores da América de 1971 e a Copa Intercontinental, ao derrotar o Panathinaikos, da Grécia. Suas atuações o fizeram ser considerado por muitos o maior goleiro da história do Nacional — reconhecimento raro para um estrangeiro.

Em 1974, retornou ao Brasil para defender o Internacional, justamente no início da era mais vitoriosa do clube gaúcho. Sob o comando de Rubens Minelli, foi peça fundamental na conquista dos Campeonatos Brasileiros de 1975 e 1976, os dois primeiros títulos nacionais da história colorada.

Mesmo veterano, manteve excelente forma física e reflexos impressionantes. Depois do Inter, ainda defendeu o Operário de Mato Grosso do Sul, o Coritiba, o Grêmio e encerrou a carreira no Barcelona Sporting Club, do Equador, em 1982, aos 45 anos, após sagrar-se campeão nacional equatoriano em 1981.

Curiosidades históricas

As mãos nuas:

Manga ficou famoso por atuar sem luvas. Preferia as mãos enfaixadas com esparadrapo, alegando maior sensibilidade. Isso lhe rendeu dedos deformados e uma imagem de grande bravura.

Dia do Goleiro:

Desde 1976, o “Dia do Goleiro” é comemorado no Brasil em 26 de abril, data de seu nascimento.

Longevidade:

Atuou profissionalmente por quase três décadas, mantendo alto rendimento até os 45 anos.

Tríplice coroa sul-americana:

Um dos poucos goleiros a conquistar títulos nacionais importantes no Brasil, Uruguai e Equador.
Origem do apelido: A versão mais aceita é que recebeu “Manga” na infância devido aos braços longos e finos, comparados às mangas de uma camisa.

Pós-carreira e legado

Após encerrar a carreira, radicou-se por muitos anos no Equador, onde trabalhou como preparador de goleiros e viveu de forma modesta. Enfrentando dificuldades financeiras e problemas renais, recebeu apoio de torcedores (especialmente do Nacional) e retornou ao Brasil, onde viveu seus últimos anos no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro.

Ao longo da aposentadoria, foi constantemente homenageado pelos clubes que defendeu. Nos últimos anos, enfrentou problemas de saúde e foi diagnosticado com câncer de próstata. Após dias internado no Hospital Rio Barra, Haílton Corrêa de Arruda faleceu em 8 de abril de 2025, aos 87 anos.
Sua morte provocou grande comoção. Clubes como Botafogo, Sport, Internacional, Nacional, Coritiba, Grêmio, Barcelona de Guayaquil, além da CBF e da CONMEBOL, prestaram homenagens oficiais.

Manga deixou um legado que vai além de números. Ídolo eterno do Botafogo, campeão da Libertadores e do Mundo pelo Nacional, bicampeão brasileiro pelo Inter e símbolo de coragem por atuar de mãos nuas, ele se consolidou como um dos maiores ícones do futebol sul-americano.

1958 - Explosão em Deodoro

 O ACIDENTE DE 1958, DIA EM QUE A EXPLOSÃO “ABALOU BANGU”

No dia 2 de agosto de 1958, poucas semanas após o Brasil conquistar sua primeira Copa do Mundo na Suécia, a população do Rio de Janeiro ainda vivia o clima de festa pelo título de Pelé, Garrincha e companhia. Porém, naquela madrugada, a alegria deu lugar ao medo.

Uma explosão gigantesca rompeu o silêncio da noite em Deodoro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O clarão iluminou o céu como se fosse dia, enquanto o estrondo sacudiu casas, rachou paredes e estilhaçou vidros em bairros distantes como Bangu, Marechal Hermes, Ricardo de Albuquerque, Grajaú e Tijuca.

O impacto foi tão violento que milhares de pessoas acordaram desesperadas sem entender o que estava acontecendo. Muitos acreditaram que o país estava em guerra. Outros pensaram em revolução militar ou até em um ataque de grandes proporções, algo raro para a época. O medo tomou conta das ruas.

O epicentro da tragédia foi o complexo militar de Deodoro, considerado na época o maior da América Latina. O local possuía cerca de 10 paióis e mais de 60 depósitos de armas e munições, armazenando um enorme arsenal explosivo. Quando o fogo atingiu o material bélico, iniciou-se uma sequência assustadora de explosões.

Durante três dias, novos estrondos continuaram acontecendo, alguns ainda mais fortes do que os anteriores. A cada explosão, moradores corriam para fora de casa em pânico. Muitas famílias passaram noites inteiras sem dormir, temendo que uma nova detonação destruísse tudo ao redor.

Os relatos da época impressionam até hoje.
No cemitério de Ricardo de Albuquerque, a força da explosão teria arrancado sepulturas e lançado restos mortais para fora dos túmulos. Algumas histórias populares afirmam que partes desses restos apareceram na Praia de Ramos, quilômetros distante do local da tragédia. Verdade ou exagero popular, o fato é que o acidente marcou profundamente a memória dos moradores da Zona Norte e Zona Oeste.

Em bairros como Bangu, Nilópolis e Marechal Hermes, moradores contam que acordaram assustados com clarões seguidos de ondas de choque. Muitas pessoas saíram correndo pelas ruas sem rumo, enquanto soldados do Exército orientavam a população a se jogar no chão a cada novo estampido.

Foi justamente desse episódio que nasceu uma das expressões populares mais conhecidas do subúrbio carioca:

“Abalou Bangu.”

Inicialmente, dizia-se que a explosão “abalou Deodoro até Bangu”, devido à distância em que os efeitos foram sentidos. Com o passar do tempo, a frase foi reduzida e incorporada ao vocabulário popular carioca como sinônimo de algo extremamente impactante, surpreendente ou assustador.
Décadas depois, o acidente de Deodoro de 1958 continua cercado por histórias, memórias e lendas urbanas. Para muitos moradores antigos da Zona Oeste, aquela não foi apenas uma explosão. Foi uma madrugada em que o medo tomou conta do céu carioca e literalmente “abalou Bangu”.