quarta-feira, 8 de julho de 2026

Proficiência - Acre

 Proficiência do Acre em alfabetização

O Acre avançou muito na educação. O estado tem hoje 68% de crianças alfabetizadas na idade certa (até o final do 2º ano), superando a média nacional de 66%. Isso coloca o estado em 2º lugar no país em crescimento na alfabetização infantil. [1]
Esse sucesso tem motivos claros:
• Metas superadas: O Acre atingiu a meta de alfabetização projetada para 2027 com dois anos de antecedência.Destaque municipal: Municípios como Feijó lideram o ranking estadual com saltos de até 26% na taxa de alfabetização. A capital, Rio Branco, também é premiada regionalmente pelos avanços na área.


Proficiência em Língua Portuguesa

O Acre lidera o Ideb na Região Norte. Em níveis de proficiência em Língua Portuguesa (avaliados pelo Saeb), o estado obteve média de 212,32 nos anos iniciais e 269,17 no Ensino Médio, ficando no ranking nacional um pouco abaixo da média brasileira. [1, 2, 3, 4]
Os dados revelam que o cenário varia bastante de acordo com a etapa de ensino:
• Ensino Fundamental (Anos Iniciais): O estado alcançou nota de 6,07 em proficiência padronizada (junto com matemática), um bom resultado.


Proficiência em matemática

O Acre geralmente ocupa posições intermediárias no ranking nacional de proficiência em matemática. Contudo, o estado lidera o ranking da Região Norte em avaliações do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). [1, 2]
Dados Recentes da Educação no Acre
Os últimos resultados oficiais mostram os desafios e as conquistas no estado.

terça-feira, 7 de julho de 2026

A Rainha D. Maria Amélia


 Em 1945, a Rainha Dona Maria Amélia regressou a Portugal pela primeira vez desde o exílio de 1910, na sequência de um convite formulado por António de Oliveira Salazar. Aos 80 anos de idade, a antiga soberana percorreu de comboio o trajeto até Lisboa, evocando a viagem realizada 59 anos antes, quando chegara ao país para contrair matrimónio com o Rei D. Carlos. Durante essa viagem, conservava consigo o colar de 661 pérolas oferecido pelo monarca, uma das mais simbólicas recordações da sua vida em Portugal.

À chegada à capital, desembarcou deliberadamente com o pé direito, num gesto de forte significado pessoal e simbólico. No encontro com Salazar, descreveu-o como correspondendo à imagem que dele formara: um homem austero, reservado, de traços vincados, nariz aquilino, gestos contidos e discurso sóbrio.

No decurso da visita, deslocou-se ao Palácio Nacional da Pena, em Sintra, mas o itinerário excluiu propositadamente Vila Viçosa e a Igreja de São Domingos, em Lisboa, onde se realizara o seu casamento real. A decisão do Governo inseria-se na preocupação de evitar quaisquer manifestações que pudessem ser interpretadas como uma evocação pública ou um incentivo à restauração da Monarquia, preservando o enquadramento político do Estado Novo.

Manga, o goleiro

 MANGA: O GOLEIRO QUE DESAFIOU O TEMPO E SE TORNOU UMA LENDA DO FUTEBOL SUL-AMERICANO

Entre os maiores goleiros da história do futebol brasileiro, poucos construíram uma carreira tão longa, vitoriosa e respeitada quanto Haílton Corrêa de Arruda, eternizado como Manga. Dono de reflexos extraordinários, coragem impressionante e uma personalidade tranquila, tornou-se ídolo do Botafogo, do Nacional do Uruguai e do Internacional, conquistando títulos históricos em três países. Sua imagem também ficou marcada por uma característica incomum: enquanto a maioria dos goleiros passou a utilizar luvas, Manga preferia atuar com as mãos enfaixadas ou praticamente nuas, acreditando que assim tinha maior sensibilidade e controle da bola.

Manga nasceu em 26 de abril de 1937, no bairro da Boa Vista, em Recife, Pernambuco. Filho de uma família humilde, cresceu jogando futebol nas ruas da capital pernambucana. Começou como jogador de linha nas peladas de infância, mas acabou assumindo o gol por necessidade da equipe. O improviso revelou um talento natural.
Sua carreira profissional começou no Sport Club do Recife, onde estreou em 1955. Em pouco tempo, tornou-se um dos principais goleiros do futebol nordestino, despertando o interesse dos grandes clubes brasileiros.

Em 1959, foi contratado pelo Botafogo, iniciando uma das passagens mais brilhantes da história do clube. O Alvinegro vivia uma geração de ouro, com craques como Nilton Santos, Didi, Garrincha, Amarildo, Quarentinha, Jairzinho, Gérson e outros. Em meio a tantos talentos ofensivos, Manga se consolidou como a grande referência defensiva da equipe.

Durante dez temporadas em General Severiano, disputou 442 partidas oficiais, tornando-se um dos goleiros que mais vestiram a camisa botafoguense. Conquistou os Campeonatos Cariocas de 1961, 1962, 1967 e 1968, além dos Torneios Rio-São Paulo de 1962, 1964 e 1966.

Seu estilo era marcante: excelente posicionamento, explosão nas defesas, segurança nas saídas de gol e a rara habilidade de não espalmar bolas para a frente. Sua coragem impressionava, especialmente numa época em que os goleiros recebiam pouca proteção da arbitragem.

As grandes atuações renderam convocações para a Seleção Brasileira. Participou da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Reserva de Gilmar nas duas primeiras partidas, assumiu a meta no jogo decisivo da fase de grupos contra Portugal, de Eusébio. O Brasil foi derrotado por 3 a 1 e eliminado precocemente. Apesar da campanha ruim, Manga não foi apontado como o principal responsável.

Em 1968, transferiu-se para o Nacional, do Uruguai, onde viveu um dos capítulos mais importantes de sua carreira. Rapidamente conquistou a torcida com defesas espetaculares e liderança em campo. Entre 1969 e 1974, conquistou quatro Campeonatos Uruguaios, a Copa Libertadores da América de 1971 e a Copa Intercontinental, ao derrotar o Panathinaikos, da Grécia. Suas atuações o fizeram ser considerado por muitos o maior goleiro da história do Nacional — reconhecimento raro para um estrangeiro.

Em 1974, retornou ao Brasil para defender o Internacional, justamente no início da era mais vitoriosa do clube gaúcho. Sob o comando de Rubens Minelli, foi peça fundamental na conquista dos Campeonatos Brasileiros de 1975 e 1976, os dois primeiros títulos nacionais da história colorada.

Mesmo veterano, manteve excelente forma física e reflexos impressionantes. Depois do Inter, ainda defendeu o Operário de Mato Grosso do Sul, o Coritiba, o Grêmio e encerrou a carreira no Barcelona Sporting Club, do Equador, em 1982, aos 45 anos, após sagrar-se campeão nacional equatoriano em 1981.

Curiosidades históricas

As mãos nuas:

Manga ficou famoso por atuar sem luvas. Preferia as mãos enfaixadas com esparadrapo, alegando maior sensibilidade. Isso lhe rendeu dedos deformados e uma imagem de grande bravura.

Dia do Goleiro:

Desde 1976, o “Dia do Goleiro” é comemorado no Brasil em 26 de abril, data de seu nascimento.

Longevidade:

Atuou profissionalmente por quase três décadas, mantendo alto rendimento até os 45 anos.

Tríplice coroa sul-americana:

Um dos poucos goleiros a conquistar títulos nacionais importantes no Brasil, Uruguai e Equador.
Origem do apelido: A versão mais aceita é que recebeu “Manga” na infância devido aos braços longos e finos, comparados às mangas de uma camisa.

Pós-carreira e legado

Após encerrar a carreira, radicou-se por muitos anos no Equador, onde trabalhou como preparador de goleiros e viveu de forma modesta. Enfrentando dificuldades financeiras e problemas renais, recebeu apoio de torcedores (especialmente do Nacional) e retornou ao Brasil, onde viveu seus últimos anos no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro.

Ao longo da aposentadoria, foi constantemente homenageado pelos clubes que defendeu. Nos últimos anos, enfrentou problemas de saúde e foi diagnosticado com câncer de próstata. Após dias internado no Hospital Rio Barra, Haílton Corrêa de Arruda faleceu em 8 de abril de 2025, aos 87 anos.
Sua morte provocou grande comoção. Clubes como Botafogo, Sport, Internacional, Nacional, Coritiba, Grêmio, Barcelona de Guayaquil, além da CBF e da CONMEBOL, prestaram homenagens oficiais.

Manga deixou um legado que vai além de números. Ídolo eterno do Botafogo, campeão da Libertadores e do Mundo pelo Nacional, bicampeão brasileiro pelo Inter e símbolo de coragem por atuar de mãos nuas, ele se consolidou como um dos maiores ícones do futebol sul-americano.

1958 - Explosão em Deodoro

 O ACIDENTE DE 1958, DIA EM QUE A EXPLOSÃO “ABALOU BANGU”

No dia 2 de agosto de 1958, poucas semanas após o Brasil conquistar sua primeira Copa do Mundo na Suécia, a população do Rio de Janeiro ainda vivia o clima de festa pelo título de Pelé, Garrincha e companhia. Porém, naquela madrugada, a alegria deu lugar ao medo.

Uma explosão gigantesca rompeu o silêncio da noite em Deodoro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O clarão iluminou o céu como se fosse dia, enquanto o estrondo sacudiu casas, rachou paredes e estilhaçou vidros em bairros distantes como Bangu, Marechal Hermes, Ricardo de Albuquerque, Grajaú e Tijuca.

O impacto foi tão violento que milhares de pessoas acordaram desesperadas sem entender o que estava acontecendo. Muitos acreditaram que o país estava em guerra. Outros pensaram em revolução militar ou até em um ataque de grandes proporções, algo raro para a época. O medo tomou conta das ruas.

O epicentro da tragédia foi o complexo militar de Deodoro, considerado na época o maior da América Latina. O local possuía cerca de 10 paióis e mais de 60 depósitos de armas e munições, armazenando um enorme arsenal explosivo. Quando o fogo atingiu o material bélico, iniciou-se uma sequência assustadora de explosões.

Durante três dias, novos estrondos continuaram acontecendo, alguns ainda mais fortes do que os anteriores. A cada explosão, moradores corriam para fora de casa em pânico. Muitas famílias passaram noites inteiras sem dormir, temendo que uma nova detonação destruísse tudo ao redor.

Os relatos da época impressionam até hoje.
No cemitério de Ricardo de Albuquerque, a força da explosão teria arrancado sepulturas e lançado restos mortais para fora dos túmulos. Algumas histórias populares afirmam que partes desses restos apareceram na Praia de Ramos, quilômetros distante do local da tragédia. Verdade ou exagero popular, o fato é que o acidente marcou profundamente a memória dos moradores da Zona Norte e Zona Oeste.

Em bairros como Bangu, Nilópolis e Marechal Hermes, moradores contam que acordaram assustados com clarões seguidos de ondas de choque. Muitas pessoas saíram correndo pelas ruas sem rumo, enquanto soldados do Exército orientavam a população a se jogar no chão a cada novo estampido.

Foi justamente desse episódio que nasceu uma das expressões populares mais conhecidas do subúrbio carioca:

“Abalou Bangu.”

Inicialmente, dizia-se que a explosão “abalou Deodoro até Bangu”, devido à distância em que os efeitos foram sentidos. Com o passar do tempo, a frase foi reduzida e incorporada ao vocabulário popular carioca como sinônimo de algo extremamente impactante, surpreendente ou assustador.
Décadas depois, o acidente de Deodoro de 1958 continua cercado por histórias, memórias e lendas urbanas. Para muitos moradores antigos da Zona Oeste, aquela não foi apenas uma explosão. Foi uma madrugada em que o medo tomou conta do céu carioca e literalmente “abalou Bangu”.

No Rio, nome de Santa

 🌄 Santa Teresa: Onde o Tempo Mora Entre Montanhas - Post #09

🚋✨ - Essa é uma série de postagens ou uma “Crônica Visual”, e é um convite a viajar no tempo, através de imagens que contam — em silêncio — a história viva desse bairro único.
🖼️🚶‍♂‍🌿Encravado nas montanhas cariocas, Santa Teresa é mais que um bairro — é um capítulo vivo da história do Rio. Surgiu no século XVIII, com a construção do convento dedicado à santa espanhola Teresa d’Ávila, e cresceu seguindo o caminho das águas do Aqueduto da Carioca, os famosos Arcos da Lapa.
Por aqui passaram beatos, quilombolas, artistas, escritores e figuras da elite carioca que, desde o século XIX, faziam de Santa Teresa um reduto de arte, música, encontros e resistência. Cada ladeira guarda ecos das invasões francesas, dos antigos saraus e das transformações que moldaram o bairro ao longo dos séculos. Sou testemunha de muitas, fui criado correndo nessas românticas ladeiras de paralelepípedos.
Hoje, Santa encanta com seus museus, ateliês, bares, restaurantes, o bondinho e a famosa Escadaria Selarón — um cenário onde passado e presente se cruzam a cada esquina.
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#carlosacoelho

Don Ritchie e seus resgates

 Durante 50 anos, ele viveu em frente a um penhasco conhecido por suicídios. Todas as manhãs, ele vigiava as silhuetas solitárias que se aproximavam da costa. Então ele atravessou a estrada, sorriu e perguntou:


"Quer tomar uma chávena de chá? »

Ele salvou pelo menos 160 vidas. Provavelmente mais perto de 500.

The Gap está na entrada do Porto de Sydney, uma série espetacular de falésias dominando o oceano.

Os turistas vão lá para admirar as paisagens e as ondas quebram contra as rochas. Os moradores conhecem este lugar para uma realidade muito mais sombria. Durante décadas, tem sido um dos locais de suicídio mais notórios da Austrália.

Em 1964, Don Ritchie mudou-se para uma casa localizada do outro lado da Gap com sua esposa Moya e suas três filhas.

Pouco depois que eles chegaram, ele notou algo perturbador.

As pessoas estavam sozinhas perto da beira do penhasco, parecendo perdidas no horizonte. E depois eles desapareceram.

A maioria das pessoas desvia o olhar.

Não é Don Ritchie.

Um antigo marinheiro da Marinha Real Australiana durante a Segunda Guerra Mundial aprendeu a identificar os sinais de perigo. Com o tempo, ele tornou-se capaz de reconhecer os comportamentos reveladores de profunda angústia.

Cada vez que via alguém a aproximar-se perigosamente do precipício, atravessou calmamente a estrada.

O método dele era simples.

Ele sorriu e perguntou:

"Posso ajudá-lo de alguma forma? " »

Às vezes ele acrescentava:

"Por que não vens tomar uma chávena de chá em casa? " »

Sem grandes discursos.

Sem técnicas complicadas.

Apenas alguma bondade.

Muitos aceitaram o convite dele.

Don os trazia para casa, onde Moya preparava chá e lhes dava uma calorosa recepção. Eles estavam sentados juntos e conversando. Às vezes durante horas.

Sua esposa muitas vezes brincou que Don continuava "vendendo vida. "

Durante anos, ele trabalhou como vendedor de seguros de vida. De agora em diante, ele estava ajudando as pessoas a encontrarem razões para continuar vivendo.

Oficialmente, Don é reconhecido por salvar mais de 160 pessoas. No entanto, seus parentes estimaram que o número real fosse provavelmente mais próximo de 500.

Muitos voltaram mais tarde para lhe agradecer. Alguém lhe enviou cartas ou cartões de Natal. Outros falaram-lhe sobre os seus casamentos, carreiras, filhos e todas as experiências que nunca teriam conhecido sem esta simples conversa.

Infelizmente, nem todas as tentativas de resgate tiveram um final feliz.

Um jovem ouviu Don por quase meia hora antes de saltar do penhasco. Esta perda marcou-o profundamente durante anos.

E mesmo assim Don nunca pára de tentar.

À medida que envelhecia, ele dependia menos da intervenção física e mais da compaixão, paciência e conexão humana.

Durante quase cinco décadas, ele observou, esperou e atravessou a rua sempre que uma pessoa parecia perdida ou em perigo.

Seus esforços lhe valeram reconhecimento nacional, incluindo a Medalha da Ordem da Austrália e o Prêmio de Herói Local da Austrália.

Quando Don Ritchie faleceu em 2012 aos 85 anos, ele deixou para trás um legado notável.

Não porque ele foi especialmente treinado.

Não porque ele tinha poderes extraordinários.

Mas porque ele se preocupava com os outros.

Ele notou as pessoas que todo mundo estava ignorando.

E às vezes a diferença entre a vida e a morte é apenas um sorriso, um ouvido ouvido e uma simples pergunta:

"Quer tomar uma chávena de chá? »

domingo, 5 de julho de 2026

Acreanos notáveis

 

ADEUS, DONA AURY | O Acre perdeu, na noite desta quarta-feira, 24, Aury Gama Silva, aos 92 anos. Enfermeira aposentada, era viúva do saudoso maestro José Belarmino da Silva (1914–1993), que marcou época à frente da Banda de Música da Polícia Militar do Acre.

Dona Aury pertencia a uma dessas famílias pioneiras que ajudaram a lançar as bases humanas, sociais e afetivas do Acre contemporâneo. Era a terceira dos seis filhos de Francisco de Souza Gama (1891–1974) e Maria de Carvalho Gama (1902–1976), família originária dos seringais das florestas de Sena Madureira, que se transferiu para Rio Branco na década de 1950.

Sua mãe, Maria de Carvalho Gama, a Loló, nasceu no seringal Silêncio, na divisa do Acre com o Amazonas, e representa uma das fontes de acreanidade da família. Os avós de dona Aury já estavam nestas terras no tempo da Revolução Acreana, entre 1899 e 1903, quando se desenhava, em meio à floresta, o destino político e histórico do Acre.

Dona Aury era irmã de Aldorico Carvalho Gama (1927–1993), funcionário público e poeta, figura estimada na vida cultural e afetiva de Rio Branco. Fui amigo de Aldorico por intermédio de seus filhos William, Chico Velho e, sobretudo, Jorge Nazaré — estes dois últimos, também já recolhidos à memória. Dona Aury era ainda irmã de Auréa, Alderi, Auride, Aldelice e Armando.

Da união com Belarmino, ainda muito jovem, Aury ajudou a criar Nostradamus, Schubart, Eliana e Marilena Brasileira do Acre Mamed, filhos de dois casamentos anteriores do maestro. Depois nasceram Jackson, que faleceu bebê, Ivonita, Regina Célia, Márcia Regina e Ronaldo José.

Seu sobrinho, meu amigo William Gama, de 68 anos, recorda a tia com a ternura de quem rememora não apenas uma pessoa, mas uma paisagem inteira de Rio Branco:

— Quando aprendi a andar por Rio Branco, logo descobri a casa do vovô Gama. Indo lá por trás, com o Armando, chegava à casa da tia Aury, na Avenida Ceará. Atravessávamos umas capoeiras e becos, pelo meio das árvores, até alcançar um igarapé delicioso, no atual Parque da Maternidade, para tomar banho. A tia Aury morava ali pertinho. Sempre a conheci naquele casarão de madeira da Avenida Ceará, que, na época, ainda era de terra. Depois calçaram a avenida com tijolos de barro e hoje ela se tornou uma das maiores vias de Rio Branco. Sua casa sempre foi grande e confortável.

Na lembrança de William, a casa de dona Aury se confunde com uma Rio Branco que já não existe senão na memória dos que a viveram: a cidade das capoeiras, dos becos, dos igarapés e das grandes casas de madeira, antes que o tempo a transformasse em avenida, asfalto e pressa.

Com a partida de dona Aury Gama Silva, despede-se uma mulher brava, herdeira de uma linhagem fincada nos primórdios da formação acreana. Sua morte enluta uma extensa família e uma imensa legião de amigos, a quem apresento meus sinceros sentimentos.

O maestro receberá a enfermeira com as valsas que compôs para ela.

VELÓRIO
Capela da Funerária São Francisco

SEPULTAMENTO
Cemitério São João Batista, às 16h.