quinta-feira, 6 de agosto de 2026

História contada em fotografias.

Rio Branco-AC. Território Federal.

Resgates de um tempo de soluções simples, de rios sem pontes, piscosos, de margens preservadas, alternando cheias e vazantes que sustentavam cardumes enxotados pelos botos, numa época em que o rio Acre, no estirão da fazenda Sobral, serviu de pista de pouso para o hidroavião Taquary.

































domingo, 2 de agosto de 2026

PEQUENA PLACA, GRANDES HISTÓRIAS

 

Esta pequena placa, na esquina entre a Ladeira do Vicente e a Praia dos Tamoios, conta histórias importantes sobre a ilha de Paquetá e a própria cidade do Rio de Janeiro — é só saber lê-la de acordo com as informações corretas. Corta do ano de 2026 para o longínquo 1555, quando uma expedição francesa adentrou a Baía de Guanabara e tomou posse, na maior cara dura, das terras portuguesas na região. Instalada na ilha de Serigipe — hoje, Villegaignon —, a França Antártica estendeu seus domínios e ocupou, também, Paquetá, localidade já conhecida pelos tupinambás, que habitavam a baía e seu entorno na pré-história brasileira. Aliás, o primeiro registro da ilha foi feita por um francês, o frade franciscano André Thevet. Cartógrafo, ele mencionou a localidade insular em sua obra "Les singularitez de la France Antarctique", publicada em Paris com importantes relatos sobre a natureza e os povos originários destas bandas.

Foi um custo expulsar os franceses daqui, o que só aconteceu a partir da fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1º de março de 1565. Nas várias escaramuças entre os portugueses e seus aliados temiminós contra a aliança franco-tupinambá, o capitão-general da cidade, Estácio de Sá, contou com o apoio de compatriotas como Ignácio de Bulhões e Fernão Valdez. Como era costume naqueles tempos bravios, outorgavam-se terras nas colônias a dignitários, como gratificação por serviços prestados à Coroa; assim, ambos receberam sesmarias em Paquetá. Bulhões ficou com a parte norte da ilha, e Valdez ocupou a metade meridional. As duas propriedades eram separadas exatamente neste ponto, como a placa registra.

Dali em diante, e ao longo das décadas seguintes, as duas metades da ilha assumiram características próprias. A parte norte foi transformada em uma extensa fazenda, chamada São Roque, com produção pecuária e de gêneros hortifrutigranjeiros que abasteciam a Corte — daí, ter sido chamada de Campo, denominação que persiste até hoje. Já a banda inferior de Paquetá, dada originalmente a Fernão Valdez, acabaria dividida em pequenas propriedades, várias delas dedicadas à pesca e à extração de cal, insumo importante para as construções da época. A região também abrigava o atracadouro da ilha — aliás, a estação das barcas ainda fica no mesmo local —, o que gerou o nome de Ponte, pela qual aquela parte ainda é conhecida. Viram só, como uma simples e pouco percebida placa pode conter muita história?

A fábrica de Noel, uma célebre cantada (literalmente)

 

ANTIGA FÁBRICA CONFIANÇA (O BOULEVARD)

Rua Maxwell 300
Vila Isabel, Rio de Janeiro

"Quando o apito
Da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos,
Eu me lembro de você..."


A famosa canção "Três Apitos" composta em 1933 por Noel Rosa faz referência à antiga Companhia de Fiação e Tecidos Confiança Industrial, inaugurada em 1885, em Vila Isabel.



A fábrica contava com duas vilas operárias, açude, escola para os filhos dos funcionários e até um clube (o extinto Confiança Atlético Clube).





Com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, a Companhia sofreu forte queda nas vendas e demitiu muitos funcionários.


Em 1933, a fábrica foi adquirida pela família Menezes, que a transformou em uma das mais importantes do país. A Companhia Confiança, inclusive, forneceu tecidos dos uniformes das Forças Armadas brasileiras durante a Segunda Guerra Mundial.




Após 85 anos de funcionamento, a Fábrica Confiança encerrou as atividades em 1970. Em 1979, o imóvel passou a abrigar o Centro Comercial Boulevard, sendo ocupado pela rede de supermercados Disco. O espaço marcou época por possuir padaria, papelaria, loja de discos, loja de móveis, além de praça de alimentação. Posteriormente, foi ocupado pelas redes Paes Mendonça, Extra, e atualmente pelo grupo Assaí.


O conjunto arquitetônico da fábrica foi tombado pelo município em 1985. Seis anos depois, a proteção foi ampliada para as casas remanescentes da antiga vila operária.

Quem visitar o edifício histórico poderá apreciar elementos originais da construção, representativa da arquitetura industrial inglesa do século XIX, como as fachadas, a cobertura, elementos estruturais e a velha chaminé.





No interior do edifício, os visitantes podem conferir uma exposição que conta a trajetória da fábrica. O espaço também faz uma homenagem a Noel Rosa.

➡️ Não vimos todas as casas das vilas operárias da fábrica, mas as poucas que pudemos observar apresentam estado de conservação precário. Uma pena, até por serem imóveis tombados justamente para escapar da especulação imobiliária.

🫵🏻 E você? Tem memórias desse importante espaço da cidade?

📍Rua Maxwell, 300 - Vila Isabel.
📸: Leo Ladeira
Olhos de Ver - Patrimônio Histórico Rio de Janeiro

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