sexta-feira, 5 de junho de 2026

O 𝒒𝒖𝒆 𝒗𝒐cê 𝒔𝒂𝒃𝒆 𝒔𝒐𝒃𝒓𝒆 𝒐 𝑴𝒊𝒏𝒉𝒐𝒄ã𝒐 𝒅𝒂 𝑮á𝒗𝒆𝒂❓

Conjunto Residencial Marquês de São Vicente, na Gávea, mais conhecido como Minhocão, foi projetado, na década de 1950, pelo arquiteto e urbanista Affonso Eduardo Reidy (1909-1964).

Na década de 1940, a remoção de algumas favelas do Centro do Rio deu origem ao Parque Proletário da Gávea, formado por barracões em frente à PUC-Rio, que, no início dos anos 1950, já estavam totalmente deteriorados e em péssimas condições sanitárias.

O Conjunto Residencial foi projetado para essa comunidade com cerca de cinco mil pessoas. Mais aí começaram as discussões políticas e o empreendimento foi atrasado e alterado.

 𝙊 𝙥𝙧𝙤𝙟𝙚𝙩𝙤 𝙤𝙧𝙞𝙜𝙞𝙣𝙖𝙡 𝙙𝙚 𝙍𝙚𝙞𝙙𝙮 𝙥𝙧𝙚𝙫𝙞𝙖 𝙖 𝙘𝙤𝙣𝙨𝙩𝙧𝙪çã𝙤 𝙙𝙚 748 𝙖𝙥𝙖𝙧𝙩𝙖𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤𝙨, 𝙘𝙧𝙚𝙘𝙝𝙚, 𝙚𝙨𝙘𝙤𝙡𝙖 𝙥𝙧𝙞𝙢𝙖á𝙧𝙞𝙖 𝙚 𝙨𝙚𝙘𝙪𝙣𝙙𝙖á𝙧𝙞𝙖, 𝙥𝙡𝙖𝙮𝙜𝙧𝙤𝙪𝙣𝙙, 𝙢𝙚𝙧𝙘𝙖𝙙𝙤, 𝙡𝙖𝙫𝙖𝙣𝙙𝙚𝙧𝙞𝙖, 𝙥𝙤𝙨𝙩𝙤 𝙙𝙚 𝙨𝙖ú𝙙𝙚, 𝙞𝙜𝙧𝙚𝙟𝙖, 𝙩𝙚𝙖𝙩𝙧𝙤, 𝙘𝙖𝙢𝙥𝙤𝙨 𝙙𝙚 𝙚𝙨𝙥𝙤𝙧𝙩𝙚𝙨, 𝙖𝙙𝙢𝙞𝙣𝙞𝙨𝙩𝙧𝙖çã𝙤 𝙚 𝙪𝙢 𝙙𝙚𝙥𝙖𝙧𝙩𝙖𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙙𝙚 𝙨𝙚𝙧𝙫𝙞ç𝙤 𝙨𝙤𝙘𝙞𝙖𝙡.

Só o bloco principal, as lavanderias e o posto de saúde efetivamente foram construídos. Os demais sete blocos nunca saíram do papel.

Se não bastasse só o prédio sinuoso de Reidy ter sido erguido, a Prefeitura do Rio ainda demoliu parte de dois andares e cerca de 30 janelas para a construção do principal elo entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca, a Autoestrada Lagoa-Barra, inaugurada em 1982.

O fluxo diário de veículos dessa via é de, aproximadamente, 80 mil veículos. Isso causa um barulho constante aos moradores, além de poluição e sujeira provocadas pela queima de combustível dos veículos. O conjunto atualmente possui 308 apartamentos, distribuídos em oito andares (sem elevadores) e cerca de 1.500 moradores.

Nos primeiros andares, ficam pequenos apartamentos com sala, banheiro e uma pequena cozinha. Variam de 25 m² a 30 m². Os dúplex, instalados no quarto e no sexto andares, medem em torno de 45 m² e contam com dois quartos. Muitos alunos da vizinha PUC-Rio alugam apartamentos ou vagas no famoso Minhocão.

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#carlosacoelho


Queima de arquivo

 

O jornalista e fotógrafo sírio-libanês Benjamin Abrahão Botto foi assassinado em 7 de maio de 1938 com 42 facadas na vila de Pau Ferro, no município de Águas Belas (região que hoje pertence a Itaíba), em Pernambuco.

Ele ficou famoso mundialmente por conseguir a confiança de Virgulino Ferreira da Silva e registrar as únicas imagens em movimento de Lampião e seu bando. O crime permanece oficialmente sem solução, mas as principais motivações e a forma como ocorreu a sua morte são detalhadas a seguir. Por que mataram Benjamin Abrahão?

A real motivação do crime nunca foi totalmente esclarecida pelas autoridades da época, mas historiadores trabalham com três hipóteses principais: queima de arquivo político, essa é a tese mais aceita por pesquisadores.

Abrahão conviveu intimamente com o bando e acumulou informações perigosas sobre a rede de "coiteiros" (protetores de Lampião), que incluía coronéis latifundiários, juízes e políticos influentes do Nordeste. 

Sob a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, o cangaço precisava ser erradicado, e o silenciamento do jornalista interessava a muitas figuras do poder. Outra tese seria latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte.

A versão oficial, apresentada na época, sugeria que ele teria sido assaltado por criminosos comuns, interessados em seu dinheiro e equipamentos fotográficos dispendiosos.

E ainda um crime passional: registros locais também levantaram a hipótese de uma vingança ou desentendimento de cunho amoroso, naquela região sertaneja, embora com menos força investigativa. Como foi a sua morte?

A execução de Benjamin Abrahão foi extremamente violenta e cheia de marcas de crueldade. Houve uma emboscada, na noite de 7 de maio de 1938, quando Abrahão estava no vilarejo de Pau Ferro. Ele foi surpreendido em um local escuro, por um ou mais agressores, que não lhe deram chance de defesa.

Foi um ataque a facadas, sendo golpeado 42 vezes, com arma branca (punhal ou faca de peixeira), sofrendo perfurações por todo o corpo. O número excessivo de golpes reforça o caráter de execução ou crime de ódio, típico das queimas de arquivo da época.

Instaurou-se um clima de medo. O pânico gerado pelo crime e o envolvimento de forças ocultas eram tão grandes que, no dia de sua missa de sétimo dia, apenas o padre celebrante compareceu à igreja, evidenciando o medo de represálias que rondava a morte do jornalista.

Apenas dois meses após o assassinato de Benjamin Abrahão, em julho de 1938, as forças policiais finalmente localizaram e mataram Lampião e Maria Bonita, na Grota do Angico, fechando o ciclo do cangaço no Nordeste. Seria, então, confirmada a suspeita em relação a ele? Nunca se saberá. 

#Historiagervasio

@destacar 🥺🥺🥺



Aprendizados agrícolas no Acre

 

Estes dois registros são de abril de 1930, portanto, foram capturados há 96 anos. Mostram alunos do Aprendizado Agrícola em Rio Branco. No primeiro, aparecem de uniforme e perfilados, olhando para a lente do fotógrafo desconhecido; no segundo, estão com três adultos, preparando a terra perto de um plantio de cana.

Os Aprendizados Agrícolas Federais começaram a ser criados e instalados a partir de 1910, em diferentes regiões do Brasil, com a finalidade de oferecer ensino primário associado à formação profissional no campo.

Destinavam-se, preferencialmente, aos filhos de trabalhadores rurais interessados em aprender os diversos serviços agropecuários, conforme as práticas agronômicas consideradas modernas naquele período. Essas instituições permaneceram em funcionamento até 1947.

No Acre, a iniciativa teve antecedentes importantes. Segundo publicação do jornal Folha do Acre, de 10 de fevereiro de 1923, o governo do Território ofereceu o Campo de Experiências de Rio Branco para a instalação de um Patronato Agrícola. Ainda em 1923, foi criado o Patronato Agrícola Rio Branco, no Território do Acre. No entanto, ao final do ano seguinte, a instituição acabou sendo transferida para São Bento das Lages, na Bahia.

A fotografia preserva, portanto, um raro testemunho da presença, ainda nas primeiras décadas do século XX, de experiências voltadas à educação rural e à formação agrícola na capital acreana.


INFORMAÇÃO SOBRE IA ⎯ Imagem histórica originalmente em preto e branco, colorizada com auxílio de inteligência artificial, com preservação da composição original, para fins de valorização visual e difusão da memória histórica.


Num Dia da Independência, no final da década de 1920, crianças em frente ao antigo casarão de madeira que serviu como sede administrativa do governo do Território Federal do Acre, no mesmo local onde foi construído o Palácio Rio Branco. Era a residência oficial dos governadores.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Rio Branco: paisagem urbana antiga

 Estas seis imagens, capturadas na manhã de 7 de setembro de 1928, completarão, no próximo Dia da Independência, 98 anos de existência.

Mais do que registros de uma solenidade cívica, elas constituem documentos preciosos da memória acreana: revelam a transformação da paisagem urbana de Rio Branco e, sobretudo, testemunham o sentimento patriótico de um povo cuja própria história é marcada pela luta para ser brasileiro.

As fotografias mostram estudantes, autoridades civis, militares e eclesiásticas reunidos na Rua Benjamin Constant, em frente ao Palácio do Governo, quando o Acre ainda era Território Federal e tinha como governador Hugo Ribeiro Carneiro.


Naquele cenário, entre pavilhões, fardas, trajes brancos, bandeiras e formações escolares, o civismo não era apenas rito protocolar. Era afirmação de pertencimento nacional.

Foto 1: No pavilhão erguido em frente ao Palácio do Governo, autoridades e o governador Hugo Carneiro acompanham o desfile da Força Policial do Território Federal do Acre e a parada infantil das escolas públicas.


Foto 2: Alunas das escolas territoriais participam das comemorações cívicas diante do Palácio do Governo, compondo uma cena que expressa disciplina, solenidade e espírito público.


Foto 3: Uma companhia da Força Policial do Território Federal do Acre, comandada pelo major Djalma Dias Ribeiro, aguarda a chegada do governador Hugo Carneiro para o início da cerimônia oficial.


Foto 4: Em outro ângulo, vê-se o pavilhão oficial montado diante do Palácio do Governo, onde se encontravam autoridades e o governador Hugo Carneiro, acompanhando a programação do 7 de Setembro.


Fotos 5 e 6: Dezenas de alunos das escolas territoriais e municipais da capital acreana se preparam para tomar parte no desfile em comemoração ao Dia da Independência do Brasil.


Quase um século depois, essas imagens permanecem como testemunho de uma época em que a capital acreana ainda tinha feições modestas, ruas abertas em chão batido e uma paisagem urbana em formação.

Mas, acima de tudo, preservam a imagem de um povo que celebrava o Brasil com a autoridade moral de quem lutou, sofreu e se afirmou brasileiro por vontade histórica, por decisão coletiva e por sentimento de pátria.

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domingo, 31 de maio de 2026

Cumeeira do Quartel da Polícia Territorial

 

Estas três imagens foram capturadas há mais de 97 anos, em 17 de março de 1929, data que pode ser inscrita entre os momentos simbólicos da formação institucional do Acre. Naquele dia, o então governador Hugo Ribeiro Carneiro, acompanhado do comandante da Força Policial, capitão Adolpho Soares, autoridades e populares, participou da festa de levantamento da cumeeira do novo quartel da Força Policial do então Território Federal do Acre.

O registro não documenta apenas uma cerimônia. Ele fixa, em imagem, uma etapa do amplo esforço de modernização administrativa, urbana e arquitetônica empreendido por Hugo Carneiro entre 15 de junho de 1927 e 3 de dezembro de 1930. Paraense, advogado, engenheiro e político, Carneiro governou o Acre no período final da Primeira República e imprimiu à antiga capital territorial uma feição mais sólida, institucional e republicana.


Sua gestão ficou marcada por um programa de obras públicas de grande ambição para a época, sobretudo pela construção de prédios de alvenaria em uma cidade ainda dominada por edificações precárias, de madeira, paxiúba e palha. Entre essas realizações, destacam-se o início da construção do Palácio Rio Branco, a edificação do novo quartel da Força Policial, obras administrativas e urbanas que procuravam dotar o território de estrutura compatível com sua importância estratégica na Amazônia brasileira. Estudos sobre o período apontam o governo Hugo Carneiro como expressão de um projeto modernizador para o Acre territorial, especialmente em Rio Branco.

O novo quartel da Força Policial, cuja cumeeira se levantava solenemente naquele 17 de março de 1929, integrava esse ciclo de transformações. Era mais que uma obra militar: representava a tentativa de afirmar a presença do Estado, organizar a segurança pública, disciplinar a vida administrativa e conferir monumentalidade às instituições do então Território Federal.

Hugo Ribeiro Carneiro nasceu em Belém, em 1889, e morreu em 1979. Antes de governar o Acre, atuou como juiz municipal e juiz de direito em Tarauacá; depois, foi nomeado governador do território pelo presidente Washington Luís. Com a Revolução de 1930, deixou o cargo e passou a dedicar-se à iniciativa privada.

Quase um século depois, as imagens preservam a memória de uma fase decisiva da história acreana: o momento em que Rio Branco começava a ganhar, tijolo por tijolo, a fisionomia urbana e institucional que marcaria o século XX.


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sábado, 30 de maio de 2026

A (in)capacidade de Deus, a história de Jonas, o método e o fracasso.

 Definitivamente, por que método for, (desa)creditar o Livro não tem meios termos. Ou se acredita na capacidade do Deus bíblico mudar as regras do que o "século das luzes" chama ciência, ou assuma-se: os ateus, literalmente, têm razão.

   Sugiro assistir "Mar em Fúria" (2000). Refere-se a um fato real, do que se chama, naquela região do globo, por uma conjunção de fatores, uma "tempestade perfeita".

  Previno que não vai se deleitar com os efeitos especiais cinematográficos mais recentes, afinal, 2000 foi o último ano do 2⁰ milênio, estávamos ainda no século passado.

   Mas haverá o deleite de imaginar uma tempestade no mar, assistindo à luta de uma tripulação que não retornou viva.  No link abaixo, no final do texto, intere-se da história completa.

   Tudo isso para (desa)creditar Jonas. Aliás, ontem faleceu Edgar Morin, 104 anos, perdoem minha ignorância, soube de sua ênfase, como filósofo, lendo um texto da net sobre ele. 8 volumes sobre o método. Para ele, fundamental.

   E não escondo que, quando li que ele foi ateu e que era grato ao seu pai por isso, o pai não lhe foi proselitista, embora toda a família de tradição judaica, eu também sou grato ao meu, mas ao inverso dele: meu pai me falou sobre Deus.

   Aliás, ouvi dele, pela primeira vez, a história de Jonas.  Talvez também descreva uma tempestade perfeita. E um peixe, em meio a uma tempestade perfeita, não afunda ou, se afunda, navega profundezas, sem nenhum problema de pressão, como os vitimados pelo Titan, da OceanGate.

   Então a história de Jonas descreve a providência perfeita, em meio à tempestade perfeita. Mas eu continuo afirmando: você não precisa, como eu, acreditar que o livrinho de Jonas, ipsis  litteris, descreve uma história factível.  Mas recomendo que, em meio ao (des)crédito deste e de demais outros milagres bíblicos, pelo menos creia no defunto ressuscitado ao terceiro dia: Jesus.

   Foi uma Madalena que trouxe essa notícia. Assim dizem os Evangelhos que, na verdade, são um verdadeiro campo minado: aqui, ali é acolá precisa-se caminhar com (muito) cuidado.  De novo o método.  Nunca se sabe se palavras de Jesus foram mesmo ditas por ele ou se milagres foram mesmo, digamos, factíveis.

   Sejam cuidadosos. Para mim, não vale a recomendação. Sou um leitor relaxado. Não que despreze o método. Só não acredito nos resultados apontados por ele. Fico com a declaração, que não se sabe se saiu da boca de Pedro, escrita no livro de Atos, que não se sabe se Lucas escreveu. Siga o método.

²² "Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis". Atos 2.

  Para mim, o galileu continua sendo "varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis". 1. Aprovado por Deus; 2. Diante de vós (nós) com milagres; 3. Os quais o próprio Deus realizou; 4. Por intermédio dele; 5. Entre vós (nós) como vós (nós) mesmos (não) sabeis. Ipsis litteris.

   Não sei se me lembrava de Morin. Pelo pouco que li sobre ele, desde, e talvez principalmente, por sua história de resistência ao nazi-fascismo, a sua longa, operante e frutuosa história acadêmica, surpreendi-me com ele. E não nego que, por ter lido sua confissão de fé ateia - ele mesmo afirma: "O ateu deve descobrir sua crença, seu fundamento irracionalizável, e negociar com ela" - foi que decidi escrever esta breve blog-crônica.

    Pelo fato de ser profundamente provinciano, admiro os ateus, em sua plena (in)capacidade por negar a existência de Deus. E os crentes, por sua profunda (in)capacidade por afirmar a existência de Deus.

   Mas pode haver uma razão, para usar o termo, dessa absoluta vontade humana de negar a Deus, caso exista, a capacidade de um peixe engolir um profeta para o sobreviver numa tempestade perfeita. Ou de negar quaisquer outros milagres. 

   Reside no fracasso humano de ser bom. A mitologia de Deus é a mitologia do bem supremo (e aqui, seria Kant?). Deus viu tudo o que havia feito e eis que era muito bom. Nem imaginando Deus como bem supremo tornou bom o ser humano.  Aliás, o que torna bom o ser humano?

  Ainda há quem diga que, para consertar os maiores crimes da humanidade, só há um jeito: cometer um crime ainda maior. Poderá ser que a redenção (descartada, aqui, a cruz) esteja num crime ainda maior de ser cometido. Porque há os que sonham com crimes sublimes e redentores (talvez, René Girard explique isso). De uma vez nega-se o bem, pelo fracasso humano em realizar, e dignifica-se o crime. 

   Deus não existe. Deus não realiza milagre. Aliás, Deus não realiza nada. E o homem (das mulheres, não se sabe, porque têm poucas chances) é um fracasso. 

Tempestade perfeita:

quinta-feira, 28 de maio de 2026

OS SOLDADOS DA BORRACHA

 Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de jovens nordestinos foram arregimentados pelo Estado brasileiro para uma das mais duras frentes do esforço de guerra: a Amazônia.

Chamados a substituir a borracha asiática, então bloqueada pelo avanço japonês no Pacífico, esses homens deixaram o sertão sob farta promessa de trabalho, salário e futuro.


Em Fortaleza, muitos passaram por centros de preparação e triagem antes de seguir viagem rumo ao Norte, numa travessia longa, extenuante e cheia de incertezas.



Para muitos, o destino final foi o Acre, onde se embrenharam nos seringais para cortar seringa e produzir o látex indispensável aos Aliados.


A aventura, vendida como missão patriótica, logo se revelou uma epopeia de abandono. Doenças tropicais, malária, isolamento, fome, acidentes, dívidas nos barracões e a dureza da floresta ceifaram milhares de vidas.



Foram chamados de soldados, mas raramente receberam o tratamento devido aos que serviram ao país. Deram sangue, juventude e vida à economia da guerra, mas o reconhecimento da União jamais esteve à altura do sacrifício imposto a essa legião de brasileiros.

A história dos Soldados da Borracha é parte essencial da memória do Acre e da Amazônia. Não é apenas uma página da guerra. É também uma denúncia contra o esquecimento.



INFORMAÇÃO SOBRE IA ⎯ Imagem histórica originalmente em preto e branco, colorizada com auxílio de inteligência artificial, com preservação da composição original, para fins de valorização visual e difusão da memória histórica.
Ver na net: