quarta-feira, 20 de maio de 2026

Histórico do metodismo no Brasil

 

Da esquerda para a direita, na primeira fila: Derrel Santee, John Betts, Marion Way, Anita Way. Segunda fila: Edith Long Schisler, Francis Tims, Gladys Betts, Phyllis Reily, Wilma Roberts. Terceira fila: Maria Delci Smith, Paloma Goodwin, Dorothy Santee, Steve Newnum, Maria Newnum. Última fila: Ed Tims, Donald Raffan, Jim Goodwin, Stan Fry, "Pete" Peterson Steve.Esta foto realizada durante o Encontro de Missionários e Missionárias da Igreja Metodista, que aconteceu em novembro de 2006, em Florianópolis.

Junius Estaham Newman, pastor metodista e Superintendente Distrital, foi o pioneiro da obra metodista permanente no Brasil. "J. E. Newman, recomendado para a Junta de Missões para trabalhar na América Central ou Brasil": essa foi a nomeação que ele recebeu em 1866, na Conferência Anual. Após ter servido durante a Guerra Civil Americana, como capelão às tropas do Sul, observou que muitos metodistas do Sul emigraram para as Américas do Sul e Central e acompanhou-os.

A Guerra deixou endividada a Junta, sem possibilidade de enviar obreiros para qualquer local. Newman financiou sua própria vinda ao Brasil, com suas modestas economias. Chegou ao Rio de Janeiro em agosto de 1867, mas fixou residência em Saltinho, cidade próxima a Santa Bárbara do Oeste, província de São Paulo. Desde 1869, pregou aos colonos, mas, dois anos mais tarde, no terceiro domingo de agosto, organizou o "Circuito de Santa Bárbara".

O primeiro salão de culto – antes era uma venda – foi uma pequena casa, coberta de sapé e de chão batido. Newman trabalhava com os colonos norte-americanos e pregava em inglês. Um dos motivos da demora de Newman em organizar uma paróquia metodista, é que ele pregava, principalmente para metodistas, batistas, presbiterianos e a todos que desejassem ouvir sua mensagem, pensando ser mais sábio unir os "ouvintes" em uma única igreja, sem placa denominacional. Mas depois, todas as denominações organizaram-se em igrejas, de acordo com sua origem eclesiástica nos EUA. Newman insistiu, através de suas cartas, para que os metodistas norte-americanos abrissem uma missão em nosso país. Em 1876, a Junta de Missões da Igreja Metodista Episcopal Sul, despertada através da publicação das cartas nos jornais metodistas nos EUA, enviou seu primeiro obreiro oficial: John James Ranson. Dedicou-se ao aprendizado do português para proclamar a boa-nova aos brasileiros.

J. E. Newman e sua família mudaram-se para Piracicaba, SP, onde permaneceram entre 1879 e 1880, quando as filhas de Newman, Annie e Mary, organizaram um internato e externato. O "Colégio Newman" é considerado precursor do Colégio Piracicabano, hoje Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).

Os dez primeiros anos de trabalho com os brasileiros

O período entre 1876 e 1886 é geralmente denominado de "Missão Ransom", visto que ele organizou toda a estrutura. Ele não teve pressa para estabelecer o campo de trabalho: descartou Piracicaba, fez um reconhecimento do Rio Grande do Sul, mas escolheu o Rio de Janeiro como centro estratégico para propagar o metodismo. J. J. Ransom iniciou sua pregação mais tarde, a fim de dominar o português. Em janeiro de 1878, iniciou sua pregação em inglês e português, no Rio de Janeiro. Os primeiros brasileiros foram recebidos à comunhão da Igreja em março de 1879, sem serem rebatizados. No mês de julho seguinte, quatro pessoas da família Pacheco foram recebidas.

Ransom casou-se com Annie Newman, no Natal de 1879, que veio a falecer em meados do ano seguinte. Ele regressou aos Estados Unidos em busca de mais pessoas dispostas a contribuir na tarefa missionária no Brasil. Voltou, dois anos depois, com James L. Kennedy, Marta Watts e o casal Koger. Todos contribuíram na expansão geográfica da missão e também para a educação.

A educadora Marta Watts veio como missionária com a tarefa de educar crianças e moças brasileiras. O Colégio Piracicabano, primeiro educandário metodista no Brasil, foi fundado em 13 de setembro de 1881, com a matrícula de apenas uma aluna, Maria Escobar. Fatores como a capacidade e dedicação da diretora e o novo método do Colégio chamaram novas alunas, a partir do ano seguinte. O educandário foi a semente para a Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), criada em 1975. Frances S. Koger, ou simplesmente Fannie, fundou uma escola para crianças pobres em Piracicaba, demonstrando assim, o interesse pela educação de crianças pobres, um fato que não é tão conhecido. Além dos missionários fundadores das principais igrejas: Ransom, Rio de Janeiro, 1879; Koger, Piracicaba, 1881 e São Paulo, 1884; e Kennedy, Juiz de Fora, 1884 – destacam-se, por exemplo, três obreiros leigos que precederam Kennedy na preparação do trabalho em Juiz de Fora e outros primeiros obreiros leigos.

Bernardo de Miranda, Ludgero de Miranda, Felipe Relave de Carvalho e Justiniano de Carvalho receberam nomeação episcopal em 1886. Na Conferência Anual de 1887, com exceção de Ludgero, todos foram admitidos à Conferência, em caráter de experiência. Mas na Conferência Anual de 1890, o bispo J. C. Granbery admitiu os quatro obreiros, ordenando-os diáconos. Algum tempo depois, leigas foram chamadas de "Mulheres da Bíblia", ocupando-se com visitações e leitura da Bíblia com outras mulheres. Em 1° de janeiro de 1886, foi publicada a primeira edição do Metodista Católico, atual Expositor Cristão.

Conferência Anual

Em setembro de 1886, foi realizada a Conferência Anual (que hoje equivale a um Concílio), na capela da Igreja Metodista no Catete, em 16 de setembro de 1886, abrangendo duas coisas diferentes: área geográfica e assembléia metodista anual. O território metodista no Brasil possuía quatro centros principais:

Catete (Rio de Janeiro) – com duas congregações: estrangeira (com pregação em inglês) e brasileira, totalizando 63 membros. Um novo templo foi inaugurado em 5 de setembro de 1886, às vésperas da Conferência Anual.

São Paulo – tinha apenas 13 membros arrolados, mas sem propriedades.

Juiz de Fora e Piracicaba – possuíam templos modestos, com 31 e 70 membros, respectivamente. Nos quatro centros principais e em outros menores contavam-se 214 membros arrolados e seis pregadores locais.

A Conferência Anual formulava a estratégia da região; os itinerantes (pregadores), que eram avaliados com relação ao seu trabalho e seu caráter e recebiam nomeação do Bispo. Um motivo primordial tornava essencial a organização de uma Conferência Anual: reconhecer, com urgência, o metodismo brasileiro como pessoa jurídica, uma ênfase da 2ª Conferência Anual Missionária, em julho de 1886. O governo imperial não reconheceu a Junta de Missões como pessoa jurídica. Somente na República que a Conferência Anual foi reconhecida como pessoa jurídica, para o desapontamento da liderança da Igreja daquela época.

A necessidade de organizar uma Conferência foi reconhecida pela Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal Sul, que deu autorização para o primeiro Bispo visitar a Missão, para constituir a Conferência. Em virtude dos poucos membros com que a Conferência contaria, o bispo Granbery quase desistiu de realizá-la. Os obreiros nacionais ainda não eram itinerantes; Newman foi rebaixado para pregador local na Conferência dos EUA; Koger havia morrido, em janeiro de 1886 e Ransom foi "devolvido" em agosto daquele ano.

Apenas o chamado "Trio de Ouro" participou do evento: Kennedy (evangelista, construtor de igrejas e o historiador do metodismo brasileiro, com o livro "Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil"); Tarboux (pregador e pastor das principais Igrejas Metodistas e primeiro bispo da Igreja Metodista do Brasil, eleito em 1930) e Tucker (agente da Sociedade Bíblica Americana e fundador do Instituto Central do Povo). O Bispo convocou os três membros para a organização da Conferência Anual, muito simples e breve, mas um dos momentos decisivos do metodismo brasileiro.

O crescimento da Igreja no Brasil

No Sul e Sudeste: A Igreja Metodista foi crescendo no Rio Grande do Sul, em São Paulo, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

No Norte e Nordeste: Metodismo na Amazônia faz 125 anos. Igreja Metodista Episcopal do Pará foi a primeira igreja protestante da Amazônia.

No dia 1º de julho de 2008 comemoramos 125 anos de fundação da Igreja Metodista Episcopal do Pará (1883), a primeira igreja protestante organizada na Amazônia, localizada na cidade de Belém do Pará.

É importante lembrar que a missão na Amazônia já estava no coração do metodismo desde 1835. Os primeiros passos do protestantismo na Amazônia foram dados pelo pastor Daniel Parrish Kidder. No entanto, a morte precoce de sua esposa o forçou a retornar aos EUA em 1839.

Somente a partir de 1880 é que veremos um trabalho missionário metodista mais consubstanciado. Em 16 de junho daquele ano, o Rev. Justus Nelson, sua esposa Fannie Nelson e o missionário William Taylor chegam a bordo do Vapor Colorado no Porto de Belém.


Rev. Justus Nelson e esposa Fannie Nelson.Belém, 1920 Foto cedida ao GEMA, Grupo de Estudos da Amazônia, pelo seu bisneto Brian Holden

O Rev. Justus Nelson veio ao Brasil como missionário da Igreja Metodista Episcopal, norte dos EUA. A missão era de sustento próprio. Logo ele tratou de trabalhar ministrando aulas de inglês nos dias úteis e cultos aos domingos. No dia 27 de junho de 1880, num armazém subalugado, ele celebrou o primeiro culto, ainda em inglês. Já em janeiro de 1881, abriu uma escola metodista chamada "Colégio Americano". Contudo, em dezembro de 1882, após a epidemia de febre amarela que matou seu irmão John Nelson, sua cunhada que era casada com o outro irmão e a professora Hattie Bacheldar, o Colégio foi fechado. Justus Nelson, então, foi trabalhar como empregado numa loja comercial.

Mas estas dificuldades não apagaram a chama missionária da família Nelson. Ainda no final de 1882, o pastor Justus Nelson foi convidado para pregar o Evangelho em português na casa de Justiniano Rabelo Carvalho, na Rua do Rosário, nº 40. E como o espaço ficou pequeno, o culto semanal passou a ser realizado numa casa situada na Av. 29 de Agosto, nº 68, hoje, Av. Assis de Vasconcelos. Foi nesta casa que o povo chamado metodista da Amazônia fundou a Igreja Metodista Episcopal do Pará, testemunhando os desafios do Evangelho nas calorosas terras paraenses.

Eleito superintendente do Distrito Brasil, que incluía as missões metodistas do Pará, Pernambuco e Amazonas, Justus Nelson lançou a semente do Evangelho nas cidades de Benevides/PA, Santarém/PA e Manaus/AM. Tudo independente financeiramente da Igreja norte-americana e da tesouraria da Igreja local.

Em 1890, no dia 04 de janeiro, surge um dos maiores legados do pioneirismo metodista na Região: o jornal O Apologista Christão Brazileiro, "jornal religioso semanal para famílias, dedicado à propaganda da verdade evangélica". Seu lema era: "saibamos e pratiquemos a verdade, custe o que custar".

O Apologista Christão Brazileiro começou com uma periodicidade semanal e assim permaneceu de janeiro de 1890 até julho de 1891, período de maior fôlego do editorial, perfazendo em torno de setenta e seis edições. De agosto de 1891 até janeiro de 1892, o jornal passou a ser impresso quinzenalmente. A partir de fevereiro de 1892 até setembro de 1910, o jornal circulou mensalmente, sendo a cobertura de novembro a dezembro deste ano reunida num único número. Houve uma interrupção de sua publicação em 1910. Somente em 1925, ano de despedida da família Nelson de Belém, sairia a derradeira edição dO Apologista, numa espécie de resumo de toda as obras empreendidas ao longo as mais de quatro décadas de missão na Amazônia.

Com o intuito de estudar sobre estas histórias que revelam os desafios enfrentados pelos nossos pioneiros e refletir sobre as interrupções e sucessos da dinâmica missionária da Igreja Metodista na Amazônia, em 2003 (300 anos de nascimento de João Wesley), nasceu o Grupo de Estudos do Metodismo na Amazônia – GEMA. E de acordo com recentes pesquisas do Grupo, entre vários achados, descobriu-se uma informação muito importante que contraria inclusive os relatos oficiais da Igreja Metodista sobre sua história no Brasil. No site da Igreja, na seção sobre história do metodismo, encontramos uma vaga "lembrança" sobre o metodismo na Amazônia. No texto temos a nota equivocada que diz que Justus Nelson morreu e está sepultado em Belém. O correto é que, após 45 anos de incansável dedicação e paixão missionária, Justus Nelson, aos 75 anos de idade, partiu de Belém no dia 08 de novembro de 1925, devido à crise da economia da borracha que assolou a cidade.

Antes da partida, Justus escreveu: "se a Igreja Metodista Episcopal, nestes 45 anos no Brasil, conseguiu atrair algumas pessoas a uma vida limpa por mais diminuto que seja o número, fica plenamente justificado o dispêndio aqui feito, de dinheiro, de trabalho e de vidas preciosas ceifadas no seu vigor". Com o fechamento da missão, os irmãos e as irmãs metodistas de Belém foram encaminhados/as para outras igrejas evangélicas. Justus ainda trabalhou em Portland, Oregon/EUA, produzindo jornais e pregando em língua portuguesa para brasileiros que viviam naquela cidade.

Até os dias de hoje, um dos poucos documentos que tínhamos sobre o Apologista era uma compilação da última edição do jornal, realizada pelo professor Duncan Reily, intitulada Metodismo na Amazônia. Esta obra é uma transcrição de um microfilme dos arquivos da Board of Global Ministries of the United Methodist Church, de Nova York. O GEMA obteve acesso aos originais do jornal que estão integralmente "microfilmados" na Biblioteca Pública Arthur Vianna e agora trabalha na divulgação desta riquíssima fonte da história do metodismo no Brasil, especificamente na Amazônia.

Fonte Adaptado de pesquisa do GEMA – Grupo de Estudos do Metodismo na Amazônia: Aluízio Laurindo Júnior, Antônio Carlos Soares dos Santos, Cláudio Augusto Lima das Neves, Fabrício Matheus, Flávio Elias Quemel, Franklim Ferreira Sodré, Saulo Baptista, Tony Vilhena (trabalho original está disponível no site www.metodista.org.br)

Durante cinco dias, o grupo compartilhou de devocionais, momentos de louvor e reflexões sobre a sociedade e a Igreja. "A língua nativa muitas vezes cedeu lugar ao português, que surgia sem que as pessoas se dessem conta que haviam mudado de idioma, o que mostra a profunda aculturação desses homens e mulheres que mesmo, após findado o tempo de serviço, decidirampermanecer no país que também consideram suapátria. A necessidadede ampliar o ensino no campo da unidade cristã e das raízes metodistas e wesleyanas foram debatidas e apontadas como desafio das lideranças da Igreja Metodista", conta Maria Newnum.

No dia 02 de setembro de 2007 a Igreja Metodista celebrou 77 anos como igreja brasileira autônima. Mas a proclamação de sua autonomia, no ano de 1930, não impediu que continuasse a receber missionários e missionárias dos Estados Unidos.Nos anos seguintes, muitas pessoas oriundas da Igreja Metodista Unida dos Estados Unidos – e também da Alemanha e da Igreja Unida do Canadá – vieram para se unir em laços fraternos na missão com a Igreja Metodista no Brasil. Hoje, o número de missionários e missionárias estrangeiros diminuiu significativamente. A maioria dos que vivem aqui é de aposentados(as) que escolheram o país como sua casa.

No contexto atual, é a Igreja Metodista brasileira que envia pessoas para fora… em número pequeno, é verdade, mas, ainda assim, invertendo a realidade do passado. Além disso, com a nomeação de pessoas formadas pelos seminários regionais para as funções de "missionários designados", diminuiu a necessidade de ter gente de fora.

Mas, quais são as experiências e reflexões daqueles e daquelas que dedicaram suas vidas servindo aqui no Brasil? Infelizmente não foi possível localizar alguns. Outros(as) já foram recolhidos pelo Pai. Compartilhamos aqui três histórias, a partir das quais nos lembramos que a Igreja não é feita de edificações ou números no rol de membros: a Igreja é constituída por pessoas, irmãs e irmãos amados por Deus, gente que merece consideração, respeito e carinho.

O primeiro relato é de um casal missionário aposentado que escreveu dos Estados Unidos, a segunda é de um missionário que voltou para os Estados Unidos, mas depois de algum tempo resolveu escolher o Brasil como seu lar e a terceira é do próprio autor desta reportagem: o pastor Stephen Newnum, o "Steve", missionário americano que está ativo no Brasil.

Poeira vermelha

O Rev. Raymond Noah e sua esposa Cleo, que agora vivem em Kansas e têm um dos seus filhos no Brasil, trabalhando em Londrina, escreveram:

"Eu e minha esposa Cleo escolhemos ir ao Brasil quando voltamos aos Estados Unidos, em 1965, depois de servirmos na África. O Bispo Wilbur Smith nos convidou a "enfrentar as nuvens de pó para levar o Evangelho a uma área inteiramente nova". Nossa nomeação (janeiro de 1967) era para viver em Cascavel, estabelecer uma Igreja Metodista lá e qualquer outro lugar dentro um raio de 150 km no parte oeste do estado do Paraná. Também incluiu a igreja em Laranjeiras do Sul, 150 km ao leste de Cascavel que não tinha um pastor em dez anos. Estávamos familiarizados com as "nuvens de pó" do Kansas e das viagens nas estradas em Angola e Zimbábue. Mas o pó vermelho do Paraná superou os demais!

Na África, nossa experiência era trabalhar na Missão Central, onde estávamos em contato quase diário com outros missionários. Assim, para nós foi um choque forte começar a trabalhar em Cascavel, 300 km distantes de qualquer missionário da Igreja Metodista, sem automóvel para viagens, nenhum dinheiro para comprar materiais para uma Escola Dominical ou outras necessidades por nosso trabalho.

O Bispo nos enviou dinheiro para comprar um terreno com uma casa velha em Cascavel que poderia ser usado como um lugar de reunião. Depois de vários meses, pudemos comprar uma Kombi para viajar. Desnecessário dizer que era um começo lento. Estávamos em Cascavel sete anos e ao final daquele tempo uma congregação metodista foi estabelecida em Cascavel com uma capela nova para adoração. A igreja em Laranjeiras estava crescendo e nós estávamos visitando 19 outros pontos de pregação em pequenas cidades e fazendas ao redor de Cascavel, alguns até 100 km de distância. Nossa segunda nomeação foi para a cidade de Umuarama, com experiências semelhantes, também servindo em vários outros pontos na área. Nós servimos lá oito anos.

Hoje, Cleo e eu estamos ambos com 88 anos de idade e completamos 65 anos de matrimônio em dezembro. Nosso filho Melvin e sua esposa Fran trabalham com a OMS em Londrina há 35 anos. Nossos outros três filhos e suas famílias vivem nos Estados da Flórida, Oregon e West Virginia."

Capela ambulante

Stanley Fry serviu cinco anos no Brasil, voltou para os Estados Unidos e depois retornou ao Brasil, após o casamento com Edith Long Schisler, missionária viúva. Stan conta sua experiência:

"Em 1950, a Igreja Metodista brasileira recebeu seu primeiro contingente de missionários(as) para América Latina, com contrato de três anos. Acredito que, dos 50 que foram para América Latina, 18 foram nomeados(as) para vários lugares no Brasil. Fui nomeado para trabalhar com Charles Clay, no escritório da Junta Geral de Educação Cristã. Pediram-me que editasse a pequena brochura promocional chamada "Brazil Calls" (Brasil Chama), que foi enviada para todas as igrejas nos Estados Unidos que apoiaram missionários(as).

Igrejas no estado de Texas que apoiaram trabalhos missionários haviam enviado, pouco tempo antes, a primeira de duas "capelas ambulantes" que foram equipadas com jipes com um gerador de força, um projetor e alto-falantes montados em cima. Ralph Nance era o pastor de Texas que acompanhou o primeiro destes veículos. Fui nomeado por Charles para viajar com a capela ambulante como seu técnico. Era meu trabalho manter o gerador de força, o jipe na estrada e os alto-falantes funcionando bem.

Como falava pouco português naquela época, sempre tinha pelo menos um pastor que viajava comigo para pregar onde quer que fôssemos. Eventualmente pude fazer alguns dos anúncios públicos dos filmes e pregações nos alto-falantes enquanto dirigíamos para cima e para baixo nas ruas do vilarejo durante as tardes.

Os filmes sobre a Bíblia, higiene, etc. eram mostrados geralmente em uma parede branca em algum terreno baldio ao anoitecer e, é claro, a noite terminava com o pastor pregando o evangelho pelos alto-falantes. Uma vez pastor me mandou dirigir à zona de meretrício local e estacionamos no fim de uma rua com os alto-falantes apontados rua abaixo e ligados no alto. As meninas saíram dos seus lugares de negócio e ficaram em pé acenando e nos chamando, enquanto a pregação continuava.

Numa outra ocasião, colidimos com a oposição do padre local. Quando chegamos num vilarejo interiorano disseram-nos que o padre tinha vindo à escola local para anunciar a todas as crianças que a capela ambulante estava vindo e que elas deveriam ficar o mais longe possível, porque o Satanás estava andando na traseira. Desnecessário dizer, quase toda a cidade veio naquela noite quando os filmes eram projetados e o sermão pregado na praça central. Mas posso dizer com segurança que eles(as) ficaram desapontados por não ver nada de Satanás…

Depois fui nomeado para Itapecerica da Serra e Palmeiras como pastor. Quando retornei ao Brasil quase quatro anos atrás, descobri que essas duas igrejas tinham sido fundadas pela Rev. James L. Kennedy, o avô de minha esposa atual, Edith Long Schisler. Eu retornei lá recentemente e achei um pequeno museu que exibe vários quadros da antiga Igreja Metodista e suas congregações, como também o antigo órgão que estava em uso na igreja quando eu tinha servido lá mais de cinqüenta anos atrás.

Ver na net: https://www.metodista.org.br/historico-metodismo-no-brasil/

Escola Dominical no Brasil - experiência com os metodistas

 

A Origem da Escola Dominical no Brasil

Alguns apontamentos históricos (1)

Eu tenho a certeza de que as escolas dominicais são, atualmente, a melhor instituição prática para controlar esses elementos indisciplinados e violentos da sociedade e providenciar-lhes uma educação básica. – Robert Raikes em audiência com a Rainha Carlota da Inglaterra.[1]

 

Introdução

Uma das grandes ênfases das Escrituras, dizem respeito à educação do povo de Deus. Deus fala insistentemente com o povo para que preserve a sua Palavra, guardando-a (praticando) e ensinando aos seus descendentes.

O método estabelecido por Deus que perpassa a todos os outros, é o da “repetição” (hfnf$ = “repetir”) (Shãnâ) (Dt 6.6ss.). Não deixa de ser  elucidativo, que o  Shemá[2] (“ouve”), o “credo judeu”[3] – que consistia na leitura de Dt 6.4-9; 11.13-21 e Nm 15.37-41) –, fosse repetido três vezes ao dia.

Lloyd-Jones (1899-1981) entende corretamente a importância da repetição, quando diz: “A quintessência do bom ensinar é a repetição.”[4] A Lei de Deus envolvia toda a vida do educando; todas as suas necessidades e para sempre; desde a juventude até a velhice: “do berço à sepultura”.

Toda a educação cristã começa pela unicidade e essencialidade de Deus. Há somente um Deus; este fato deve ser repetido e assimilado pelos educandos: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4).

No Novo Testamento Paulo instrui aos efésios:

Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo;  um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.  (Ef 4.4-6/Tg 2.19).

Toda a educação cristã começa pela unicidade e essencialidade de Deus. Há somente um Deus; este fato deve ser repetido e assimilado pelos educandos.

Um princípio importante prescrito na Palavra, é que a revelação de Deus foi-nos confiada para que a conheçamos e a pratiquemos (Dt 29.29). Saber sem praticar não é saber. Deus provê os princípios, os meios e os fins. Ele mesmo que se dignou em nos dar a sua Palavra, tem propósitos definidos e meios estabelecidos para que a sua vontade se cumpra. Esses ensinamentos deveriam ser ensinados repetidamente  e praticados. (Dt 4.14; 6.1).[5] Conhecer genuinamente é obedecer. O aprendizado controla e direciona a nossa vida.[6]

No Antigo Testamento vemos a educação sendo amplamente praticada dentro do lar, sendo os mestres os próprios pais. Mesmo dentro de um processo evolutivo, a educação familiar jamais foi substituída ou preterida.

Em nossos dias, ainda que não exclusivamente, a Escola Dominical, que é a Escola do Senhor, está associada em nossa mente à Educação Cristã. No terceiro domingo de setembro comemoramos o seu dia. Nesses artigos, de forma sumária pretendemos descrever e analisar alguns aspectos de seu surgimento e estabelecimento no Brasil.

 

1. Suas origens

Ao comemorarmos com alegria e gratidão o dia da Escola Dominical   normalmente nos lembramos do seu fundador, Sr. Robert Raikes (1736-1811),[7]  um jornalista anglicano que no ano de 1780, em Gloucester,[8] na Inglaterra, iniciou um trabalho de educação cristã ministrada a crianças que não frequentavam escola, ficando desocupadas estando potencialmente suscetíveis  à marginalidade. O seu propósito envolvia também a alfabetização dos jovens e crianças.[9]

Ele começou pelo estudo das Escrituras e depois passou também a estudar os Catecismos. A este homem sem dúvida alguma, devemos o início sistemático dessa escola tão singular,[10] que se espalhou rapidamente por toda a Inglaterra. É verdade que teve oposição; todavia, contou também com o entusiasmo e apoio de inúmeras pessoas, tais como, John Wesley (1703-1791)[11] e William Fox, que, nas palavras de Armstrong,  “fundou a primeira organização para promover escolas dominicais”.[12]

Em 1788 a Escola Dominical já possuía, só na Inglaterra, mais de 250 mil alunos matriculados.[13] O movimento chegou aos Estados Unidos em 1790, possivelmente por intermédio de Samuel Slater (1768-1835), um britânico radicado nos Estados Unidos, conhecido popularmente como  “O Pai da Revolução Industrial americana”.

Quando os primeiros missionários protestantes começaram a chegar em nosso país, o movimento das Escolas Dominicais já estava firmado na Inglaterra, tendo também, se tornado muito forte nos Estados Unidos.  Isto explica parcialmente, o porquê desse trabalho ser logo implantado no Brasil, muitas vezes, até mesmo antes de se estabelecer formalmente o Culto público.

Nesses texto queremos apresentar um esboço histórico do início da Escola Dominical no Brasil, analisando também a sua importância e objetivo, para que juntos possamos conhecer um pouco mais desse trabalho, que tantos benefícios espirituais trouxe, e continua trazendo à Causa Evangélica em nossa pátria.

 

2. Os Metodistas como Pioneiros:[14]

 

Rev. Fountain E. Pitts

No dia 28 de junho de 1835 embarca em Baltimore nos Estados Unidos rumo ao Brasil, o jovem ministro metodista, Rev. Fountain E. Pitts (1808-1874), que chegaria ao Rio de janeiro em 19 de agosto de 1835,[15] permanecendo ali durante alguns meses, viajando em seguida para Montevidéu, e, depois de algumas semanas, tomou o vapor para Buenos Aires,[16] que era o objetivo final de sua vinda.[17]

O Rev. Pitts, entusiasmado com as perspectivas do trabalho evangélico, deu um parecer favorável à implantação de uma missão Metodista no Brasil. No dia 2 de setembro de 1835, ele escreve ao secretário correspondente da Sociedade Missionária da Igreja Metodista Episcopal (IME):

Estou nesta cidade (Rio de Janeiro) há duas semanas, e lamento que minha permanência seja necessariamente breve. Creio que uma porta oportuna para a pregação do Evangelho está aberta neste vasto império. Os privilégios religiosos permitidos pelo governo do Brasil são muito mais tolerantes do que eu esperava achar em um país católico (…). Já realizei diversas reuniões e preguei oito vezes em diferentes residências onde fui respeitosamente convidado e bondosamente recebido pelo bom povo….[18]

Na sequência, Pitts opina sobre o caráter e a experiência daquele que deverá ser enviado como missionário…

Nosso pequeno grupo de metodistas precisará muito de um cristão experimentado para conduzi-lo; no entanto, eles estão decididos a se unirem e a se ajudarem mutuamente no desenvolvimento da salvação de suas almas (…). O missionário a ser enviado para cá deve vir imediatamente e iniciar o estudo do idioma português sem demora….[19]

 

Rev.  Justin Spaulding e a primeira Escola Dominical

As sugestões de Pitts são aceitas. No dia 29 de abril de 1836 desembarca no Rio de Janeiro, proveniente de New York, Estados Unidos, o missionário, Rev. Justin Spaulding, acompanhado de sua esposa, o filhinho Levi, e sua empregada.[20]

Spaulding demonstrou ser muito empreendedor no seu trabalho. Em carta ao secretário da IME, datada de 5/5/1836, menciona que já organizara uma pequena escola dominical com o grupo de metodistas que o Rev. Pitts reunira.[21]

Posteriormente, em relatório ao secretário correspondente da IME, datado de 01/9/1836, acentua:

Conseguimos organizar uma escola dominical, denominada Escola Dominical Missionária Sul-Americana, auxiliar da União das Escolas Dominicais da Igreja Metodista Episcopal… Mais de 40 crianças e jovens se tornaram interessados nela (…). Está dividida em oito classes com quatro professores e quatro professoras. Nós nos reunimos às 16:30 aos domingos. Temos duas classes de pretos, uma fala inglês, a outra português. Atualmente parecem muito interessados e ansiosos por aprender….[22]

Desta forma, baseados nos documentos que temos, podemos afirmar que a primeira Escola Dominical no Brasil dirigida em português foi organizada no dia 01 de maio de 1836. Com essa afirmação, estamos esclarecendo alguns equívocos cometidos, a saber: 1) A sugestão de que foi em junho de 1836 que o Rev. Spaulding teria iniciado a Escola Dominical;[23] 2) A afirmação de que foram os Congregacionais os primeiros a organizarem esta escola com aula em português em 19/08/1855;[24] 3) A declaração de que foram os Presbiterianos que iniciaram a referida escola em 1860.[25]

 

Rev. Daniel P. Kidder

Em 1837,[26]  chega ao Rio de Janeiro outro missionário metodista, Rev. Daniel P. Kidder (1815-1891).   Ele também veio como          Agente da Sociedade Bíblica Americana.[27]   Kidder  (1815-1891),  que narra as suas viagens   por   diversas   cidades   do   Brasil  no  período  de 1837-1840,[28]  faz um comentário relevante dentro de nossa temática, evidenciando o progresso  da Escola Dominical dentro de um trabalho amplo de evangelização e consolidação da fé:

Logo após nossa chegada ao Rio de Janeiro, tivemos a honra de ser admitidos nos trabalhos missionários dirigidos pelo nosso colega Rev. Spaulding. Ocupava-se então ele de uma escola diurna para crianças brasileiras e estrangeiras que havia aberto na Rua do Catete, além de uma florescente escola dominical. Dirigia também o culto, domingo à noite, em um confortável salão onde habitualmente se reunia seleta assistência composta, principalmente de membros das colônias inglesa e americana para orar e ouvir a pregação dos Evangelhos. Dedicava as manhãs de domingo aos interesses espirituais dos homens do mar. Na falta de capelão efetivo, tinha ele sido convidado pelo Comodoro Nicholson, para dirigir o culto a bordo da fragata Independência, capitânea da base naval do Rio de Janeiro. Não só pregava aí aos domingos como também fazia profusa distribuição de folhetos e publicações religiosas deixadas em quantidade pelo Rev. O. M. Jonhson, que pouco tempo antes havia estado a serviço no Rio de Janeiro, sob patrocínio da Associação Americana Pró-Marinheiros. A circulação das Sagradas Escrituras em português, – que é a língua do país – constituía a nossa missão precípua.[29] (Destaques meus).

Término da primeira fase da Missão Metodista no Brasil

Mesmo o trabalho Metodista tendo um início dinâmico e inspirador, lamentavelmente, nessa primeira fase, foi de curta duração: a missão Metodista, por diversas razões,[30] encerrou as suas atividades no Brasil em 1841. Nesse mesmo ano[31] ou em 1842,[32] o Rev. Spaulding retornou aos Estados Unidos.

Reinício da Missão Metodista no Brasil

A missão Metodista só teria o seu reinício definitivo no Brasil em 05/08/1867,[33] com a chegada do Rev. Junius Eastham Newman (1819-1895) no Rio de Janeiro. Em abril de 1869, Newman mudou-se para o interior de São Paulo, Saltinho,[34] trabalhando entre os colonos americanos. Ali, junto com os imigrantes de Santa Bárbara, organizou no terceiro domingo de agosto de 1871,[35] a Primeira Igreja Metodista do Brasil, com cultos em inglês. No entanto, o trabalho metodista só receberia convertidos brasileiros em 9 de março de 1879, no Rio de Janeiro.[36]

A visita do Bispo Granbery

O Bispo John C. Granbery  (1829-1907), da Igreja Metodista Episcopal do Sul, desembarcou no Rio de Janeiro, sob uma “chuva fria”, no dia 4 de julho de 1886,[37] fazendo então, a primeira visita episcopal metodista ao Brasil. Em 15/09/1886, organizou a primeira conferência anual metodista na Igreja Metodista do Catete,[38] inaugurando o templo em 05/09/1886, dias antes da Conferência.[39]

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

_________________________________

[1]Apud Max L. Batchelder, O homem que inventou a Escola Dominical: In: Brasil Presbiteriano, setembro de 1985, p. 8.

[2] É a primeira palavra que aparece em Dt 6.4, derivada do verbo ((amf$) (Shãma’), “ouvir”, envolvendo normalmente a ideia de ouvir com afeição, entender, obedecer. (Veja-se: Hermann J. Austel, Shãma’: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, [p. 1585-1587], p. 1586). Para um estudo mais completo da palavra e de sua aplicação, veja-se: K.T, Aitken, Sm’: In Willem A. VanGemeren, org. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 4, p. 174-180. Para uma aplicação que se estende ao Novo Testamento, ver: W. Mundle, Ouvir: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1981-1983, v. 3, p. 361-368). Ambas as obras constam de ampla bibliografia. Esta, como quase invariavelmente, indica vários artigos da monumental obra do Kittel. (G. Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, 8. ed. Grand Rapids, Michigan: WM. B. Eerdmans Publishing Co., (reprinted) 1982, 10v.)

[3] Conforme expressão de Edersheim (1825-1889). Veja-se: Alfred Edersheim, La Vida y los Tiempos de Jesus el Mesias, Barcelona: CLIE, 1988, v. 1, p. 491.

[4]D. Martyn Lloyd-Jones, As Insondáveis Riquezas de Cristo, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1992, p. 25.

[5] “Também o SENHOR me ordenou, ao mesmo tempo, que vos ensinasse estatutos e juízos, para que os cumprísseis na terra a qual passais a possuir” (Dt 4.14). “Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que mandou o SENHOR, teu Deus, se te ensinassem, para que os cumprisses na terra a que passas para a possuir” (Dt 6.1).

[6]Veja-se: Perry G. Downs, Introdução à Educação Cristã: Ensino e Crescimento, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 26-27.

[7] Para um estudo detalhado da vida de Raikes e do surgimento da Escola Dominical por ele iniciada, veja-se: Alfred Gregory, Robert Raikes: Journalist and Philanthropist, a History of the Origin of Sunday-Schools, London: Hodder and Stoughton, 1877. (?) (Disponho da edição de 1881)

[8] Ele era o proprietário e editor do Gloucester Journal que fora criado em 1722 (A primeira edição foi publicada em 09.04,1722), pelo seu pai, Robert Raikes, o Velho (c. 1690-1757) em sociedade com William Dicey (1690-1756).

[9] Veja o testemunho dado pelo próprio Raikes in: Alfred Gregory, Robert Raikes: Journalist and Philanthropist, a History of the Origin of Sunday-Schools, London: Hodder and Stoughton, 1881, p. 51-53.

[10]Temos um bom esboço histórico da Escola Dominical fundada por Raikes, no artigo de Max L. Batchelder, O homem que inventou a Escola Dominical: In: Brasil Presbiteriano, setembro de 1985, p. 8. Veja-se também Carl Joseph Hahn, História do Culto Protestante no Brasil, São Paulo: ASTE., 1989, p. 275-276. Recordemos, no entanto, que antes de Raikes houve trabalhos semelhantes, contudo, não com a mesma desenvoltura. Em 1769, uma inglesa havia começado trabalho similar em High Wycombe. Hannah Ball (convertida pela instrumentalidade de John Wesley), relataria o seu trabalho a John Wesley em 1770: “As crianças se reúnem duas vezes por semana, aos domingos e segundas-feiras. É um grupo meio selvagem, mas parece receptivo à instrução. Trabalho entre eles com a ânsia de promover os interesses de Cristo” (Apud Duncan A. Reily, A Origem das Escolas Dominicais: In: Expositor Cristão, 10/01/1957, p. 7. Lamentavelmente, não consegui localizar a fonte indicada pelo articulista no Diário de Wesley). Vejam-se também: F.C. Pritchard, Education: In: Rupert Davies, et. al. eds. A History of The Methodist Church in Great Britain, London: Epworth Press, 1983, v. 3, [p. 279-308], p. 283-284; W. J. Townsend, et. al. eds. A New History of Methodism, Nashville: Publishing House of the Methodist Episcopal Church South Smith & Lamar, Agents, [1909], v. 1, p. 219 e 367; Henrique de Souza Jardim, et. al. Esboço Histórico da Escola Dominical da Igreja Evangélica Fluminense, Rio de Janeiro: [s. Ed.] 1932, p. 144-146).

[11] Veja-se por exemplo, J. Wesley, Journal, 18/07/1784 (The Works of John Wesley, edited by W. Reginald Ward; Richard P. Heitzenrater, Nashville: Abingdon Press, 1995, v. 23, p. 323). A rainha Carlota, após visitar uma Escola Dominical acompanhada de seu marido, Rei George III, tornar-se-ia uma importante colaboradora deste trabalho através de donativos. (Cf. Max L. Batchelder, O homem que inventou a Escola Dominical: In: Brasil Presbiteriano, setembro de 1985, p. 8).

[12] Hayward Armstrong, Bases da Educação Cristã, Rio de Janeiro: JUERP., 1992, p. 74.

[13] Cf. Max L. Batchelder, O homem que inventou a Escola Dominical: In: Brasil Presbiteriano, setembro de 1985, p. 8. Townsend, fala de mais de 200 mil em 1786 (W. J. Townsend, et. al. eds. A New History of Methodism, v. 1, p. 367); Armstrong, fala-nos de 250 mil em 1797 (Hayward Armstrong, Bases da Educação Cristã, p. 74).

[14] Quanto a um resumo da “filosofia do nascente metodismo brasileiro”, veja-se: José Gonçalves Salvador, O Metodismo brasileiro de 1836 a 1886: In: Duncan A. Reily, et. al. Situações Missionárias na História do Metodismo, São Bernardo do Campo, SP.: Imprensa Metodista, 1991, [p. 17-24], p. 17-18.

[15]James L. Kennedy, Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil, São Paulo: Imprensa Metodista, 1928, p. 13; Eula L. Long, Do Meu Velho Baú Metodista, São Paulo: Imprensa Metodista do Brasil, 1968, p. 24-25.

[16]Em 8/02/1836, em resposta à solicitação de Pitts, foi consignado o Decreto: “Ao rev. Fountain E. Pitts, Presbítero da Igreja Metodista Episcopal é permitido o exercício público das funções de ministro nesta Província” (H.C. Tucker, O Centenário Methodista Sul-Americano: In: Expositor Cristão, 03/03/1936, p. 1).

[17] Veja-se: H.C. Tucker, O Centenário Methodista Sul-Americano: In: Expositor Cristão, 31/03/1936, p. 1.

[18]Carta In: Duncan A. Reily, História Documental do Protestantismo no Brasil, São Paulo: ASTE., 1984, p. 81-82. Veja-se também:  José Gonçalves Salvador, História do Metodismo no Brasil, São Paulo: Imprensa Metodista, 1982, v. 1, p. 24ss.

[19]Carta In: Duncan A. Reily, História Documental do Protestantismo no Brasil, p. 82.

[20]José Gonçalves Salvador, História do Metodismo no Brasil,  v.1, p. 33. Ele partira de New York em 22 de março de 1836 (Cf. Nathan Bangs, “History of the Methodist Episcopal Church,” The Master Christian Library, Volume 4 [CD-ROM], [Albany, OR: Ages Software, 1998], p. 272).

[21]Cf. Duncan A. Reily, História Documental do Protestantismo no Brasil, p. 83-84.

[22]Carta In: Duncan A. Reily, História Documental do Protestantismo no Brasil, p. 83-84.

[23]Cf. James L. Kennedy, Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil, p. 14; Isnard Rocha, Histórias da História do Metodismo no Brasil, São Paulo: Imprensa Metodista, (1967), p. 75 e Domingos Ribeiro, Origens do Evangelismo Brasileiro, Rio de Janeiro: Grafica “Apollo”, 1937, p. 98.

[24]Cf. João Gomes da Rocha, Lembranças do Passado, Rio de Janeiro: (edição da Igreja Evangélica Fluminense?), (1941), v. 1, p. 268; Henrique de Souza Jardim, et. al. Esboço Histórico da Escola Dominical da Igreja Evangélica Fluminense, Prologo e p. 39 e Rev. Nadir P. dos Santos, Uma Nota Histórica Sobre Petrópolis: In: O Expositor Cristão, 19/12/1957, p. 2.

[25]Cf. William R. Read, Fermento Religioso nas Massas do Brasil, Campinas, SP.: Livraria Cristã Unida, [1967], p. 47.

[26] Kidder partiu de Boston em 12 de novembro de 1837. [Cf. Nathan Bangs, “History of the Methodist Episcopal Church,” The Master Christian Library, Book 4 [CD-ROM], (Albany, OR: Ages Software, 1998), p. 273].

[27]Daniel P. Kidder; James C. Fletcher, O Brasil e os Brasileiros,  São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1941, v. 2, p. 78.

[28]O título  da  obra  de Kidder é: Sketches of Residence and Travels In Brazil, publicada em 1845, em 2 volumes. Traduzida para o português, recebeu o título: Reminiscências de Viagens e Permanência no Brasil, São Paulo: Livraria Martins Editora S.A. [s.d.], talvez 1943, 2v.

[29] Daniel P. Kidder, Reminiscências  de  Viagens  e Permanência no Brasil (Rio de Janeiro  e  Província de São Paulo), São Paulo: Livraria Martins Editora S.A., 1951, v. 1, p. 106-107.

[30] Vejam-se as razões In: Duncan A. Reily, História Documental do Protestantismo no Brasil, p. 84ss.

[31] Cf. Vicente T. Lessa, Annaes da 1. Egreja Presbyteriana de São Paulo, São Paulo: Edição da 1. Egreja Presbyteriana Independente, 1938, p. 13; James L. Kennedy, Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil, p. 15; Isnard Rocha, O Metodismo no Brasil: In: Expositor Cristão, 17/01/1957, p. 15; José Gonçalves Salvador, História do Metodismo no Brasil, p. 44.

[32] Cf. David G. Vieira, O Protestantismo, A Maçonaria e A Questão Religiosa no Brasil, Brasília, DF.: Editora Universidade de Brasília, 1980, p. 61.

[33]Isnard Rocha, Histórias da História do Metodismo no Brasil, p. 40-41. Esta data é controvertida porque, ao que parece, Newman não embarcou nos Estados Unidos na data que programara. Assim, Kennedy, diz que Newman “desembarcou no Rio de Janeiro: no verão de 1867” (James L. Kennedy, Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil, p. 16). Isnard Rocha elucida o possível motivo da confusão (Isnard Rocha, Pioneiros e Bandeirantes do Metodismo no Brasil, São Bernardo do Campo, SP.: Imprensa Metodista, 1967, p. 34-35). A carta que Newman escreveu aos metodistas do Sul dos Estados Unidos esclarece definitivamente a questão: “No dia 5 de agosto de [1867] estávamos entrando no porto do Rio, enquanto todos a bordo olhavam com espanto e deleite a paisagem suntuosamente agreste e majestosa de ambos os lados do canal que conduz à cidade” (In: Duncan A. Reily, História Documental do Protestantismo no Brasil, p. 88).

[34] Cidade localizada entre Limeira e Vila Americana.

[35]Duncan A. Reily, História Documental do Protestantismo no Brasil, p. 86-88; Boanerges Ribeiro, Protestantismo no Brasil Monárquico, 1822-1888, São Paulo: Pioneira; Fundação Educacional Presbiteriana, 1973, p. 20; James L. Kennedy, Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil, p. 16.

[36]James L. Kennedy, Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil, p. 21; Isnard Rocha, Histórias da História do Metodismo no Brasil, p. 76-77.

[37]Eula K. Long, O Arauto de Deus – Kennedy, p. 101. Ele retornaria aos Estados Unidos em 22/9/1886, no vapor “Advance” (Cf. O Methodista Catholico, 01/10/1886, p. 3).

[38] Veja-se o documento In: Duncan A. Reily, História Documental do Protestantismo no Brasil, p. 91-92. Ver também, H.C. Tucker, O Centenário Methodista Sul-Americano: In: Expositor Cristão, 03/03/1936, p. 1; James L. Kennedy, Cincoenta Annos de Methodismo no Brasil, p. 50; Eula K. Long, O Arauto de Deus – Kennedy, São Paulo: Imprensa Metodista, 1960, p. 105).

[39]Primeiramente foi inaugurada a Capela em setembro de 1882. (Cf. Eula K. Long, O Arauto de Deus – Kennedy, p. 63, 105).

Ver na net: https://www.seminariojmc.br/a-origem-da-escola-dominical-no-brasil/

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Bando da Lua

 

BANDO DA LUA - 1935

O **Bando da Lua** foi um dos pioneiros conjuntos vocais e instrumentais da música popular brasileira, responsável por introduzir a harmonização vocal ao estilo dos grupos norte-americanos na era do rádio e do disco, misturando sambas, marchas e ritmos urbanos com uma sofisticação inédita no samba carioca. Formado em 1929, no Rio de Janeiro, a partir do Bloco do Bimbo – um grupo carnavalesco famoso por banhos de mar à fantasia na Praia do Flamengo e desfiles no bairro –, o Bando surgiu como uma redução de 15 integrantes para sete, por sugestão de Josué de Barros, o "descobridor" de Carmen Miranda. A formação inicial contava com Aluísio de Oliveira (violão e vocal, 1914-1995), Hélio Jordão Pereira (violão, 1914-1999), Osvaldo Moraes Éboli (o Vadeco, pandeiro, 1912-2002), Ivo Astolfi (violão tenor e banjo, 1919-?), Stênio Osório (cavaquinho, 1909-1993), Afonso Osório (ritmo e flauta, 1913-?) e Armando Osório (violão, que deixou o grupo em 1934). O nome "Bando da Lua" evocava a boemia noturna do Rio, e eles se apresentavam inicialmente como amadores no Programa Casé, ao lado de astros como Noel Rosa e Mário Reis, recusando pagamentos por "amor à arte".

O ano de 1935 representou um marco de consolidação para o grupo, com intensa atividade fonográfica e cinematográfica que ampliou sua popularidade nacional. Pela Victor, gravaram sucessos como o samba "Mangueira" (Assis Valente e Zequinha Reis), a marchinha "Lalá" (Braguinha e Alberto Ribeiro), "Raiando" (Murilo Caldas e Wilson Batista, em 29 de abril), "Abandona o Preconceito" (Francisco Matoso e Maércio Azevedo), "Lua Triste" (Maurício Joppert e Maércio de Azevedo), "Eu Me Lembro" (Mazinho e Francisco Mattoso), "Vou Me Embora Te Deixando" (Paulo Tapajós), "A Saudade Me Viu" (Assis Valente), além das marchas "É do Barulho" e "Boa Noite" (ambas de Assis Valente e Zequinha Reis). Seu último disco pela Odeon incluiu uma seleção do filme americano *Meu Maior Desejo* (*Here Is My Heart*) e o fox-trot "Ela É Moreninha" (Ari Machado). No cinema, estrearam em *Alô, Alô, Brasil!* (dirigido por Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro), interpretando a marchinha "Deixa a Lua Sossegada" (João de Barro e Alberto Ribeiro) ao lado de Carmen Miranda, Francisco Alves e Mário Reis – um marco na exportação cultural brasileira. Também participaram de *Estudantes* e *Banana da Terra*, ambos de Downey, consolidando sua imagem como backing vocal sofisticado para as estrelas da época.

Ao longo de sua trajetória, o Bando da Lua gravou cerca de 38 discos em 78 rpm entre 1931 e 1940, por selos como Brunswick, Odeon e Victor, com destaques como o primeiro single "Que Tal a Vida?" / "Tá de Mona" (1931, Mazinho e Maércio Azevedo), a marcha "Opa... Opa..." (1932), "A Hora É Boa" (1934, Lamartine Babo e Assis Valente – seu primeiro grande hit), "Bis" (1934), "Não Resta a Menor Dúvida" (1936, Noel Rosa e Hervé Cordovil), "Maria Boa" (1936), "Bola Preta" (1937, Assis Valente), "Saudades do Meu Barracão" (1937, Ataulfo Alves), "Que É Que Maria Tem" (1938) e "Samba da Minha Terra" (1940, Dorival Caymmi). Acompanharam Carmen Miranda em turnês pela Argentina (seis temporadas em Buenos Aires em 1934), Chile e Uruguai, além de shows no Cassino da Urca e em sua estreia nos EUA, na revista *Streets of Paris* (1939). Nos anos 1940, adaptaram sucessos como "South American Way" para o samba, alinhados à política de "boa vizinhança" dos EUA, e participaram de filmes hollywoodianos como *Down Argentine Way* (1940), *That Night in Rio* (1941) e *Springtime in the Rockies* (1942). Em 1949, reformularam-se com Aluísio de Oliveira, Aluísio Ferreira (Lulu, violão), Harry Vasco de Almeida (pistão e ritmo) e José Soares (Russinho do Pandeiro), gravando com Bing Crosby pela Decca: "Copacabana", "Quizás, Quizás, Quizás", "Maria Bonita" e "Granada". Encerrou atividades em 1955, após a morte de Carmen Miranda.

O legado do Bando da Lua é imenso na evolução do samba radiofônico e da música vocal brasileira, influenciando formações como Os Cariocas, Anjos do Inferno e Quatro Ases e Um Coringa pela inovação na harmonia a cappella e na fusão de ritmos locais com influências jazzísticas. Integrantes como Vadeco tornaram-se produtores de rádio e TV, enquanto Aluísio de Oliveira emergiu como figura central da bossa nova, compondo com Tom Jobim ("Dindi", 1959; "Só Tinha de Ser com Você", 1964) e fundando a gravadora Elenco nos anos 1960. Suas gravações foram resgatadas em coletâneas como *Bando da Lua nos E.U.A.* (1974) e *Aurora e Carmen Miranda e o Bando da Lua* (1975), perpetuando sua contribuição para a "Era de Ouro" da MPB, onde o grupo não só embalou carnavais e boates, mas pavimentou o caminho para a internacionalização da música brasileira.

Ver na net: 

Samba da minha terra

Coração pagando 🔥 fogo