terça-feira, 7 de abril de 2026

zichrona livracha (זִכְרוֹנָהּ לִבְרָכָה)


       


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A noite em que Golda Meir desapareceu

 A noite em que Golda Meir desapareceu — para tentar impedir uma guerra


Em novembro de 1947, uma mulher entrou num carro em Jerusalém — e simplesmente desapareceu na noite.

Vestia-se como uma árabe.
Carregava um segredo.
E atravessava, em silêncio, território inimigo.

O destino: a Transjordânia.
A missão: encontrar-se com Abdullah I da Jordânia e negociar, nas sombras, uma chance improvável de paz.

Israel ainda não existia.
Mas ela já lutava por ele como se fosse inevitável.

E estava disposta a morrer por isso.

Antes de se tornar uma das figuras mais poderosas do século XX, ela foi apenas uma menina judia em fuga.

Nascida em Kiev, em 1898, no então Império Russo, cresceu cercada pelo medo — o antissemitismo não era uma ameaça distante, era cotidiano. A pobreza moldou seu caráter, mas foi a perseguição que moldou sua coragem.

A família fugiu.
E foi em Milwaukee, nos Estados Unidos, que aquela menina encontrou algo raro: voz.

Ali nasceu sua consciência política.
Ali começou a mulher que mais tarde ajudaria a criar um país.

Quando jovem, tomou uma decisão que poucos ousariam sequer imaginar:
mudou-se para a Palestina sob domínio britânico.

Não havia garantias.
Não havia Estado.
Havia apenas uma ideia — e ela decidiu viver por ela.

Durante décadas, fez o trabalho invisível que constrói nações:
negociou, organizou, arrecadou fundos, enfrentou salas hostis com uma verdade direta, quase incômoda.

Até que chegou 1948.

Com a independência à beira de acontecer — e sem dinheiro para sustentá-la — ela foi enviada aos Estados Unidos.

Em poucas semanas, arrecadou cerca de 50 milhões de dólares.

O suficiente para transformar um sonho em realidade.

David Ben-Gurion diria depois:
“Ela foi a mulher que conseguiu o dinheiro que tornou o Estado possível.”

No dia 14 de maio de 1948, ela estava lá.
Entre os 37 que assinaram a independência de Israel — apenas duas eram mulheres.

Dizem que chorou.
Talvez por saber o preço que ainda viria.

As décadas seguintes não foram de descanso — foram de poder.

Embaixadora, ministra, diplomata.
Cada cargo a tornava mais preparada para o inevitável.

Em 1969, tornou-se Primeira-Ministra de Israel.

Uma das líderes mais experientes do mundo.

E uma das mais solitárias.

Porque havia algo que ninguém sabia.

Em 1965, fora diagnosticada com linfoma.
E decidiu guardar o segredo.

Governou um país cercado por ameaças…
enquanto travava, em silêncio, uma guerra dentro do próprio corpo.

Sem que ninguém soubesse.

Então veio o dia que ela tentou evitar durante anos.

6 de outubro de 1973.
Guerra do Yom Kippur.

Egito e Síria atacaram de surpresa.
O erro de inteligência foi devastador.
As primeiras horas foram caos.

Mas ela não recuou.

Autorizou mobilizações contra recomendações.
Manteve-se firme quando tudo parecia desmoronar.

Israel sobreviveu.

Mas a vitória não trouxe paz.

A pressão pública veio como uma segunda guerra.
Investigações. Indignação. Culpa coletiva.

Em abril de 1974, ela renunciou.

Não porque fosse considerada culpada —
mas porque compreendia algo raro: uma democracia exige, às vezes, que alguém carregue o peso de todos.

Morreu em 1978, aos 80 anos.

O câncer que manteve em segredo por treze anos finalmente venceu — não a guerra, não a política, mas o silêncio.

Chamaram-na de “Dama de Ferro” antes mesmo de esse nome existir para outras.

Mas ela rejeitava rótulos.

Quando lhe perguntaram sobre ser “uma grande mulher”, respondeu, com simplicidade quase cortante:

Ela havia trabalhado para ser uma grande líder. O resto… era irrelevante.

E talvez seja isso que a define.

Não o título.
Não o poder.
Mas a escolha constante de continuar — mesmo na dor, mesmo no risco, mesmo no desconhecido.

Naquela noite de 1947, uma mulher desapareceu na escuridão para tentar impedir uma guerra.

Ela não conseguiu.

Mas ajudou a criar uma nação inteira.

E, às vezes, isso é o mais perto que a história chega de um milagre.

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segunda-feira, 6 de abril de 2026

M-346 e a formação de elite: como a Força Aérea de Israel prepara pilotos para a guerra moderna

 Um relato recente atribuído a um ex-piloto de F-16 da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), com experiência em missões de combate sobre o Iraque e o Afeganistão, voltou a chamar atenção para o elevado nível operacional dos pilotos da Força Aérea de Israel. Em conteúdo divulgado em mídias especializadas do setor de defesa, o piloto afirmou que, apesar de já ter voado longas distâncias em território inimigo, o que os israelenses realizam em operações envolvendo o Irã estaria em um patamar completamente diferente, destacando missões com reabastecimento em voo, penetração em ambientes com sistemas de defesa aérea e execução consistente de ataques de precisão, com retorno seguro das tripulações. Essa percepção é amplamente compartilhada no meio aeronáutico sobre a qualidade da formação desses pilotos.

Essa reputação não surge por acaso. Ela está diretamente ligada ao modelo de treinamento adotado por Israel, no qual se destaca o papel do M-346, conhecido localmente como “Lavi”. A aeronave, desenvolvida e produzida pela Leonardo, passou a ocupar uma posição central na formação avançada ao substituir os A-4 “Ahit” (Skyhawk), tornando-se a plataforma responsável por preparar pilotos para operar aeronaves de primeira linha como o F-35I “Adir”, o F-15I “Ra’am” e o F-16I “Sufa”.


O M-346 “Lavi” em voo sobre Israel (Foto: IDF).

A doutrina israelense parte de um princípio claro: o piloto deve chegar à unidade operacional pronto para o combate real. Nesse contexto, o M-346 não é apenas um treinador avançado, mas uma ferramenta de simulação que permite reproduzir, ainda na fase de instrução, cenários complexos e realistas de combate contemporâneo. Equipado com aviônicos digitais modernos, arquitetura de missão semelhante à de caças de gerações mais avançadas e sistemas de simulação embarcados, o avião possibilita que o aluno tenha contato antecipado com conceitos como combate além do alcance visual, guerra eletrônica, emprego de armamentos inteligentes e operações integradas.

Outro elemento fundamental desse modelo é a integração entre diferentes ambientes de treinamento, permitindo que missões combinem aeronaves reais com cenários simulados e ameaças virtuais. Isso possibilita a construção de situações extremamente realistas, envolvendo múltiplas plataformas, coordenação de ataques e gestão de ameaças, preparando o piloto não apenas para voar, mas para atuar dentro de um sistema de combate complexo.

Dentro desse contexto, vale destacar que, segundo análises no meio especializado, as missões de combate executadas pela Força Aérea de Israel envolvendo o Irã refletem diretamente esse modelo de preparação. Os perfis de missão, a coordenação e a execução observados são compatíveis com cenários previamente treinados e ensaiados em plataformas como o M-346. Essa abordagem baseada em treinamento intensivo e simulação avançada tem contribuído para elevados níveis de eficácia operacional, frequentemente associados a altas taxas de sucesso nas missões e à preservação dos meios empregados.

A evolução natural desse conceito pode ser observada na versão de combate da aeronave, o M-346FA. Essa variante incorpora e amplia muitas das capacidades desenvolvidas no ambiente de treinamento avançado, carregando consigo a mesma lógica operacional que orienta a formação de pilotos da Força Aérea de Israel. Sensores modernos, capacidade de emprego de armamentos guiados de precisão, integração com redes de combate e aptidão para missões complexas fazem do M-346FA não apenas uma plataforma leve de ataque, mas um vetor capaz de operar dentro de conceitos modernos de guerra aérea, semelhantes àqueles praticados e refinados no ambiente operacional israelense.

O rigor do processo seletivo também é um fator determinante. O curso de pilotos da Força Aérea de Israel é um dos mais exigentes do mundo, com uma taxa de conclusão bastante reduzida. Durante a fase de formação no M-346, os candidatos são avaliados continuamente em aspectos como consciência situacional, capacidade de decisão sob pressão, liderança e trabalho em equipe, com foco na formação de combatentes capazes de operar em ambientes de alta intensidade.


Os “Lavi” em seus hangaretes na Base Aérea de Hatzerim, no meio do deserto de Negev (Fotos: Paulo Bastos).

A experiência histórica acumulada por Israel, desde a Guerra dos Seis Dias até os conflitos mais recentes, moldou uma cultura operacional pragmática e orientada para resultados. O treinamento reflete essa realidade, com missões que simulam ataques de precisão, interceptações complexas, supressão de defesas aéreas e operações em ambientes altamente contestados.

Nesse contexto, o M-346 consolida-se como muito mais do que uma aeronave de instrução. Ele é parte de um sistema integrado de formação que combina tecnologia, doutrina e exigência operacional. Essa combinação ajuda a explicar por que a Força Aérea de Israel é frequentemente considerada uma das forças aéreas mais eficazes do mundo. No cenário atual, a superioridade aérea não começa apenas na aeronave ou no armamento empregado, mas na forma como os pilotos são preparados — e, nesse aspecto, o M-346 — e sua evolução para a versão M-346FA — desempenham um papel central na formação e na projeção de poder aéreo no combate moderno.


Base Aérea de Hatzerim, localizada no deserto de Negev, perto de Beersheba, é o centro da academia de voo israelense e a base operacional do M-346 “Lavi”. O autor foi um dos primeiros jornalistas do mundo autorizado a entrar no “ninho das águias “ da Força Aérea de Israel.

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Tentamen - valorização da cultura e patrimônio histórico de Rio Branco


Reinauguração da Tentamen marca valorização da cultura e do patrimônio histórico de Rio Branco. Foto: Ascom/FEM.

 O governo do Acre realiza nesta terça-feira, 31, mais uma entrega simbólica da atual gestão do governador Gladson Cameli: a reinauguração da Sociedade Recreativa Tentamen, em Rio Branco, completamente revitalizada para voltar a ser um dos principais espaços de convivência social e cultural da capital. A obra, conduzida pela Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), com execução da Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), representa um investimento total de R$ 1,14 milhão, com recursos próprios do Estado e de convênio com o governo federal, por meio da Caixa Econômica Federal.

Fundada em 1924, a Tentamen é um dos espaços mais tradicionais da história acreana. Surgiu durante o ciclo da borracha como um ambiente voltado à convivência familiar e à realização de eventos sociais, especialmente bailes e festas que marcaram gerações. Ao longo dos anos, consolidou-se como símbolo da vida social de Rio Branco.


Baile oferecido pelos comerciantes de Rio Branco a Epaminondas Martins, governador do Acre (1937-1941). Foto: Divisão de Patrimônio Histórico e Cultural (DPHC).


Com a revitalização, o espaço passa a assumir também um papel ainda mais amplo, abrindo portas para manifestações culturais diversas, como apresentações artísticas, eventos comunitários e festejos populares. A entrega reforça o compromisso do governo com a preservação do patrimônio histórico, o fortalecimento da identidade cultural e o incentivo ao turismo e à economia local.

Investimento e impacto social

A obra contemplou a recuperação estrutural do prédio, respeitando suas características arquitetônicas originais, além da modernização de espaços para melhor atender o público. A iniciativa beneficia diretamente artistas, produtores culturais, famílias e toda a população de Rio Branco, que volta a contar com um espaço histórico requalificado. Entre os principais ganhos estão a ampliação do acesso à cultura, a valorização da memória coletiva e o estímulo a atividades que movimentam a economia criativa do estado.


Mais uma entrega simbólica da atual gestão do governador Gladson Cameli: a reinauguração da Sociedade Recreativa Tentamen acontece nesta terça-feira, 31. Foto: Marcos Santos/Secom.


O governador Gladson Camelí destaca a importância da obra como símbolo de cuidado com a história e de investimento no futuro: “A Tentamen faz parte da nossa memória, da nossa identidade. Recuperar esse espaço é preservar a nossa história, mas também é olhar para frente, criando oportunidades para a cultura, para o turismo e para a economia. Nosso governo teve esse compromisso: valorizar o que é nosso e garantir mais qualidade de vida para a população”.

A reinauguração da Tentamen integra um conjunto de ações do governo do Estado voltadas à recuperação de espaços públicos históricos e culturais, reafirmando o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a valorização das tradições acreanas.

A partir de agora, o espaço volta a pulsar forte como ponto de encontro da cultura, conectando passado e presente e abrindo caminhos para novas histórias.

Convite

Reinauguração da Sociedade Recreativa Tentamen
R. Vinte e Quatro de Janeiro, 269
Bairro 6 de Agosto, Rio Branco
Terça-feira, 31 de março de 2026, às 17 horas.

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terça-feira, 31 de março de 2026

Redação do CHAT/GPT

 A atuação da Igreja na prevenção e no enfrentamento do feminicídio: uma abordagem bíblica e pastoral

O feminicídio, expressão extrema da violência de gênero, revela não apenas falhas estruturais da sociedade, mas também distorções culturais e éticas profundamente enraizadas. Nesse contexto, a Igreja — enquanto comunidade de fé e agente social — possui um papel relevante tanto na prevenção quanto no enfrentamento desse problema. A partir de uma abordagem bíblica e pastoral, é possível refletir sobre como a mensagem cristã pode contribuir para a promoção da dignidade da mulher e para a construção de relações baseadas no respeito e na justiça.

Do ponto de vista bíblico, a dignidade da mulher está fundamentada na própria criação. O livro de Gênesis afirma que homem e mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,27), o que estabelece uma igualdade essencial entre ambos. Essa verdade teológica se opõe frontalmente a qualquer forma de violência ou subjugação. Além disso, a prática de Jesus nos Evangelhos evidencia uma postura de valorização e respeito às mulheres, rompendo com padrões culturais de exclusão de sua época. Ele dialoga, acolhe e dignifica figuras femininas, como a samaritana (Jo 4) e a mulher adúltera (Jo 8), oferecendo um modelo ético que deve inspirar a ação cristã contemporânea.

Entretanto, ao longo da história, interpretações equivocadas de textos bíblicos foram, por vezes, utilizadas para justificar estruturas patriarcais e relações desiguais. Por isso, torna-se essencial uma leitura crítica e contextualizada das Escrituras, que recupere seu sentido libertador. A Igreja, nesse sentido, é chamada a promover uma hermenêutica que enfatize o amor, a justiça e a igualdade, combatendo qualquer uso da religião como instrumento de opressão.

No âmbito pastoral, a Igreja pode atuar de maneira concreta na prevenção do feminicídio por meio da educação e da conscientização. Sermões, estudos bíblicos e atividades comunitárias devem abordar a temática da violência doméstica, desconstruindo discursos que naturalizam o machismo e incentivando relações saudáveis. Além disso, líderes religiosos precisam estar preparados para identificar sinais de abuso e oferecer acolhimento seguro às vítimas, orientando-as a buscar ajuda profissional e jurídica quando necessário.

Outro aspecto fundamental é a criação de redes de apoio dentro e fora da comunidade eclesial. Parcerias com órgãos públicos, organizações não governamentais e profissionais da área social e psicológica podem ampliar a eficácia da atuação pastoral. A Igreja não deve se limitar ao discurso espiritual, mas também agir de forma prática na proteção da vida, assumindo uma postura profética diante das injustiças.

Por fim, é imprescindível que a Igreja reconheça sua responsabilidade social e espiritual na construção de uma cultura de paz. Ao reafirmar os valores do Evangelho — como o amor ao próximo, a justiça e a dignidade humana —, ela pode contribuir significativamente para a erradicação da violência contra a mulher. Dessa forma, a atuação eclesial, fundamentada na Bíblia e orientada pela prática pastoral, torna-se um instrumento poderoso na prevenção e no enfrentamento do feminicídio, promovendo vida, respeito e igualdade.

domingo, 29 de março de 2026

Anjo Negro de D. Pedro II

 

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Ao deixar o país, o imperador Pedro I selecionou três pessoas (José Bonifácio, “Dadama” Condessa de Belmonte e Rafael) para cuidarem de seu filho e das filhas remanescentes, uma das pessoas escolhidas foi Rafael, um veterano negro da Guerra da Cisplatina.
Rafael era um empregado do paço de São Cristóvão (não era escravo) em quem Pedro I possuía profunda confiança e lealdade, pedindo que olhasse por seu filho, um olhar mais carinhoso e paternal — pedido que levaria a termo pelo resto de sua vida.
Rafael, o Anjo Negro de Pedro II.


Rafael, negro veterano da Guerra da Cisplatina, foi encarregado de cuidar de Dom Pedro II, então de tenríssima idade pelo seu pai o Imperador Dom Pedro I, quando este regressou a Portugal em 1831.
Rafael, foi mandado vir em 1831 do Sul, Pedro I conhecia-o bem. Foi um protetor incansável e extremamente abnegado de Pedro II ainda menino.
Dormia no mesmo quarto, evitava que o Imperador chorasse ou se assustasse “com medo das almas de outro mundo” e outras fantasias tão próprias da solidão, em que prevaleciam estudo áridos, religião, serões insípidos e jogos de mesa silenciosamente praticados – era a educação principesca!
Nisso relata-nos Benedito Freitas:
“Incumbido da guarda e proteção de Dom Pedro II ainda em tenra idade (5 anos), foi de uma dedicação tal que, até determinadas atribuições das Damas, ele as executava com desembaraço e plena eficiência.
Dava-lhe os banhos habituais tendo todo o cuidado com a temperatura da água, bem morna sem ser quente, mudava-lhe a roupa e cobria na cama, cabeça de fora, a bela criança pedia ao seu Anjo Negro para contar histórias e outras coisas em que era fértil seu leal servidor.
Certo dia ainda na época que Dona Leopoldina era viva, ficou enternecida ao contemplar Rafael aquecendo a mamadeira do Menino-Imperador.
Quando Dom Pedro II não sabia a lição, corria para Rafael pedindo-lhe para o esconder, embora fosse condicionado sempre, que seria a “última vez” ….
Mais tarde Dom Pedro II ensinou Rafael a ler, escrever, falar francês e inglês.
Por muito tempo Rafael foi 1º Criado Particular do Imperador e em todas as viagens, mesmo ao estrangeiro, o acompanhou de perto.
A única presença não masculina de tanta cumplicidade era a Condessa de Belmonte, chamada sempre carinhosamente de “Dadama”.
A figura quase lendária de Rafael é amplamente descrita no belo livro de Múcio Teixeira, que foi comensal do Imperador por mais de trinta anos, “O Negro da Quinta Imperial”.
Rafael contava com 98 anos quando Dom Pedro II foi deposto.
O “Anjo Negro” do Imperador ignorava o doloroso episódio da prisão do seu menino.
Múcio conta a cena da comunicação ao leal macróbio, nas seguintes linhas: “Manhã sombria.
Uma chuva miúda caíra pela madrugada do dia 16 de novembro de 1889.
As vastas alamedas da Quinta Imperial estavam desertas….
Rafael, mal raiara a aurora, abandonou seus aposentos, nos baixos do torreão sul, e, muito tremulo, amparado por um rijo bastão, deu início ao seu passeio habitual.
Velho e cansado, passara o dia anterior preso ao leito, ignorando que a República havia sido “proclamada” no Brasil.
Vagarosamente caminhava, ouvindo o gorjeio dos pássaros e contemplando, com olhar nostálgico, os lagos sonolentos.
Fitava também os bosques sombrios e admirava a Natureza exuberante.
Quantas daquelas árvores gigantescas ele vira nascer, florir e envelhecer!
Caminhava e meditava, olhando também para o passado, para a sua longínqua mocidade!
Quantos sonhos desfeitos!
“Como é triste envelhecer!”
– murmurava o velho pajem imperial.
Ao chegar ao portão da Coroa, já ofegante, observou com espanto dois soldados que davam “vivas a república”!
Sempre meditando, lentamente regressou ao Paço.
Ao aproximar-se do solitário Palácio Imperial, viu o bibliotecário Raposo muito agitado, com cabelos revoltos, andando de um lado para outro lado…
Rafael, muito cansado, curvado e tremulo, sempre amparado pelo seu bastão, dirigiu-se ao bibliotecário do Paço e interrogou-lhe:
“Seu Raposo, você enlouqueceu?” 
Parando diante do Rafael, o Raposo, como louco, bradou:
“Rafael, tu não sabes que ontem foi proclamada a República e que teu “menino” está preso no Paço da Cidade??”.
Rafael, atordoado, deixou cair o forte bastão de ouro e jacarandá, no qual a vinte anos se apoiava seu débil corpo;
curvado, ergueu-se, cresceu…
O seu olhar morto e nostálgico, transfigurou-se, como que iluminado por clarões estranhos.
Levantou o braço direito para o céu e exclamou com voz comovente e sonora:
“Que a Maldição de Deus caia sobre a cabeça dos algozes do meu Menino!”
E em seguida rolou por terra: estava morto.”
No mesmo momento em que o navio Alagoas cruzava a baía de Guanabara com seu menino e toda família imperial ...
Ele faleceu aos seus 99 anos em um simples desmaio.
Contamos com a sua ajuda!
Qualquer valor!
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sábado, 28 de março de 2026

Nessa festa não vai faltar vinho 🍷

 ⁶ "De fato, sem fé é impossível  agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que  o buscam." Hebreus 11.

   O anônimo autor da chamada Carta aos Hebreus consegue ser direto e simples, em sua argumentação, ao mesmo tempo que refinado e culto.

   Para a moderna, ainda que às vezes desgastada e mal conduzida discussão entre fé e razão, será impossível, para usar emprestado a linguagem dele, avançar sem atender a sua argumentação.

   Aliás, para avançar com Deus, é imprescindível crer, segundo afirma o autor. Para os que buscam, evidentemente, será somente pela fé.

   Porque Deus não se define e não se explica. Circunscrever Deus aos requisitos do método científico, aos postulados do cabível e concebível dentro dos cânones da razão, será impossível.

   Sem fé, impossível. Então argumenta-se ser essa a primeira e principal razão, para usar este termo, de se confirmar ser Deus lenda ou, se muito, romântico lenitivo diante da dura realidade da existência.

   Mal supomos de onde viemos, a morte é nosso destino e a vida uma imprevisibilidade. Por isso Deus se torna necessário, por detrás de quem se supõe todo o bem, enfim, o amor, mera utopia.

    Uma humanidade na qual todos vivessem por si e para ou outros, ao mesmo tempo, consumindo o tempo para compartilhar benefícios recíprocos, aprender a língua uns dos outros, eliminar cercas, cadeados e quebra-molas, trocando o excesso da produção de arroz pelas sobras daquela de feijão.

    Seria uma existência feijão com arroz. Mas a maldade estraga a festa. Ela entristece a realidade. Para ser totalmente feliz, temos de ser indiferentes ao sofrimento alheio, torcendo para que a síndrome de Jó nunca nos alcance.

    Entre todas as lendas que as culturas produzem, talvez a mitologia cristã seja a melhor engendrada. Ganhou os séculos, espalhou-se por toda a humanidade, tornou-se alvo de desprezo, até, acusada de ter promovido alienação.

   Regimes totalitários a odeiam, porque a liberdade que ela pressupõe é uma ameaça. Sua ética não admite que se exerça controle sobre o outro. Ela abomina a solução final, que tanto o fascismo quanto o comunismo praticam(aram).

    Ela narra, em sua tradição judaico-cristã (duas abominações intransigentemente intrincadas) que, se existe Deus, um dia se fez homem, encarnado numa virgem judia, nascendo Filho homem de Si mesmo, tendo sido, obviamente, rejeitado, crucificado ressuscitado.

   Retornando ao autor de Hebreus, isso (e somente isso) foi suficiente para purgar todo o mal de toda a humanidade em todas as épocas, antes, durante e depois da morte desse Filho, apenas sendo necessário crer nessa história e ser batizado, pelo Espírito Santo (terceira Pessoa da Trindade cristã), no Filho para, definitivamente, ser salvo.

   Ser salvo significa ressuscitar como o Filho ressuscitou e, para decepção e frustração da ciência e da razão, que esperam (e garantem) que a vida se encerra ou termina no pó dos túmulos, acordar no céu, portal da eternidade.

   Para não acreditar nessa lenda, neguem o Filho. Jesus é filho de um caso que Maria teve com um soldado romano (já ouvi esse boato). José, **** manso, aceitou toda a farsa. Faz-se essa concessão à história e joga-se algum 🎊 confete sobre essa alegoria Jesus.

   Mas eu aviso que creio. E ainda afirmo que, para negar todos os milagres, e mais ainda, os que João afirma que Jesus fez, mas não foram anotados ou registrados, neguem, de uma vez, o Filho. Quanto a mim, me convidem para a festa em que Jesus estiver, porque tenho certeza de que não faltará 🍷 vinho.