segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Memorial Rondon em Porto Velho

        

           
  

Capela de Sto Antonio de Pádua e Obelisco em comemoração do centenário da independência 





Locomotiva 06 da antiga ferrovia 
Madeira-Mamoré 

 
Lista completa das antigas locomotivas e marco da antiga divisão entre os estados AM/MT


  
Leito da antiga linha férrea e restos de antigos dormentes dos trilhos da ferrovia




Cemitério de locomotivas: veja vídeo abaixo



Cemitério da Candelária 


  

  




  

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

As filhas de Baldomero e Eunice: raízes de amor.

 Estão duas delas ausentes nesta foto. Mas desde Rufina e Dorcas, respectivamente avó e mãe de Eunice, a mãe dessas meninas da foto, ensinam que esta separação brusca tem remédio.

   Nós os primos somos, com gratidão, o que essa gente valente produziu.  Desde Rufina, operária fabril, Antônio, o pai de quem Eunice, emocionada, com lágrimas nos olhos, lembrava e nos contava ser linotipista.

   Profissões em extinção, como a de Tula, nosso generoso avô, assentador de trilhos na RFFSA, Estrada de Ferro Central do Brasil. Gente de Nilópolis e Cascadura, contava Moisés, estirões que a avó dele Dorcas o fazia percorrer.

    Elas nos ensinaram tudo. Se saímos dessa inércia, empurrados pelos rudimentos de sua educação, foi por isso que chegamos até aqui. Tudo conta. Mas eu acho que há valores que, quando nossos filhos, já adultos, já casados, eles miram em nós, talvez nem saibam de que raízes provêm.

   Acho que o principal da vida, o amor, foi marca dessa geração. Ora, a que saltos assistimos. Estou teclando  no bloco de notas do que chamam smartphone. Porque tem multifunções. Mas eu fui, como os demais primos, fascinado pelo quartinho do Tula, onde ele magistralmente manejava circuitos a válvulas naqueles aparelhos de rádio relíquias.

    Nelson, outro irmão de Eunice, pai de Helena e Heloísa, também irmão de Zilda, mãe de Paulo e Moisés, também aprendeu esses misteres. E das válvulas aos algoritmos o mundo deu muitas voltas. E houve uma revolução de valores, coisas loucas e inimagináveis nas décadas de 30/40 do século passado. Mas a seiva da raiz onde essa gente colheu seus valores ainda supre nossas vidas.

    Por isso gratidão, tia Nice. Chamei Dorcas mãe e, pelo primeiro nome, sempre chamei Leila, Gislaine e Miriam. Mas tia Nice exigia respeito. Com ela não tinha conversa. Se eu herdasse dom de retratista, desenhava o rosto sério de Eunice, ela ainda solteira, na célebre casa da avó, ralhando comigo, quando eu chamava "Nice?". Para ela altercar: "O quê? O quê?!". Para eu então responder com ênfase: "TIA Nice".

    Por isso podemos dizer que, com gratidão, nos vemos nessas mulheres. Acho que mudamos muito, junto com o mundo, nesse período. E conquistamos, às vezes, tão ilusória autonomia que, que fosse fortuitamente, olhamos como ultrapassadas essas mulheres.

   Isso é um erro. Porque foram e são nossa essência. E olha que nem falei, ainda, de fé, por puro respeito a alguns que ainda dizem não nutrir. Mas então falo agora. E nem falei ainda dos irmãos, mas posso falar, porque também foram moldados por elas. Que os filhos e filhas deles também sejam gratos, pois cunhadas foram como irmãs, acolhidas no mesmo amor.

   E talvez faltei falar dos defeitos e, quem sabe até, deficiências. Mas que sejamos responsáveis por eles. Porque fomos por elas preparados para identificar e superar.  Herdamos lucidez, que fosse ainda fruto das vicissitudes que as vimos superar.

    São nossas raízes. Nossa seiva. Amor que nutre nossa relação. Gratos, filhas de Baldomero e Eunice. As virtudes e herança do que forma personalidades, é com vocês. Defeitos e deficiências a superar, fica ainda conosco para essa continuidade de vida. O que vocês legaram prevalece. E será muito sábio perceber. 

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Carta de um não eleitor

 Sr. Presidente Lula da Silva:

   Não votei no Exmo Sr. Desta vez, e mais uma vez, não. Mas já votei outras vezes. Porque o Sr. me decepcionou.  Aliás, se não houvesse decepcionado a tanta gente, teria, como foi sua expectativa, ganhado no turno passado.

   Porque há algumas coisas óbvias. Uma delas é que o Outro, a quem o Sr. chamou miliciano, o Sr. mediu-se por ele, no voto, e sua medida diante dele, na métrica do voto, foi difícil superar. E não ponha, Sr. Presidente, nos eleitores dele a culpa. Porque o Exmo Sr. não é mais uma unanimidade como antes já foi.

   E o fracasso do seu partido se mede pela mesma métrica. Porque um obscuro capitão, que tinha um nicho fixo de votos, foi alçado à presidência deste país pela medida desse mencionado fracasso. E nessa eleição ainda muita gente boa e competente desse partido nem decolou.

     Então a medida é essa, de um pelo outro, com um país dividido. Mas Sr. Presidente, foi surpreendentemente linda a sua vitória. Como também foi lindo o esforço e a tentativa do outro lado. Se vencessem, a festa deles seria também linda e a sensação de vocês, como está sendo a deles.

    O nome disso, Sr. Presidente, é democracia. O Sr. já ficou conhecido pela frase que, de vez em quando repete, "nunca antes neste país". Eu vou inventar a minha, ao inverso: "Sr. Exmo. Lula da Silva: pela última vez neste país".

   Sim, será  sua última chance para se superar. Para deixar de ser uma unanimidade somente entre o seu time, para ser o que o cargo para o qual foi eleito pede, usando tudo o que já reuniu em sua biografia e experiência.

   Seja, Sr. Presidente, verdadeiro para si mesmo. Este povo, carente de unificação de uma polarização tão estúpida, precisa de uma política que seja, em essência, o que a grande maioria dos políticos não pratica.

    Porque foi isso que esperavam e não viram na vigência do seu partido, no poder, motivo que o mergulhou no fracasso. Lembre-se que mais foi mérito a rejeição de seu oponente, em 2022, como agora o medo de seu retorno, retratado no filho, que rendeu ao Sr. a diferença que virou vitória.

    Transforme as duas expectativas a seu favor: a de seus próprios eleitores e a dos não eleitores mas que, certamente, ainda que não admitam, surpreenderam-se com tamanha façanha.  Mas seja sábio e humilde, Sr. Presidente.

   Sábio para fazer valer a democracia e cercar-se de conselheiros de seu time e do outro também. Estabelecendo a amplitude de governo que não fez no mandato anterior. E humilde para aumentar o seu tamanho. O Sr. não é mais a unanimidade que lhe concedeu, no passado, quatro mandatos, de 2003 até o impeachment.

     Mas pode voltar a ser. Tem sua última chance. E não precisa de uma LavaJato 2 para, por si mesmo reconhecer que um dos cânceres da má política neste país é a roubalheira. A malversação do erário. A sua experiência, Sr. Presidente, a sua história e a sua biografia bem conhecem o bem e o mal que, no Brasil, a política pratica. Ah, sim: contas públicas serão neste próximo mandato item sensível.

    Nunca mais vou votar no Exmo Sr. Já votei duas vezes no passado. Digo que não mais votarei, porque é bem provável que o Exmo Sr. não mais concorra a cargos públicos. Mas surpreendeu-me sua vitória. Então agora, Exmo Sr. Lula da Silva, surpreenda-nos, tornando-se ainda tão maior.

    De um modo como essa estrondosa vitória proporcionou o Exmo Sr. ser visto, com certeza, ainda que não admitido, surpreendendo o outro time. Mas o Sr ainda é metade, meio aceito e meio rejeitado. Tem a última chance de ser inteiro e grande. Para isso, essa nação o elegeu.  Honre esse cargo mais uma vez recebido. Torne-se uma referência, não somente entre os seus correligionários. Mas também e até entre opositores, ainda que não queiram admitir.

    A não ser, Exmo Presidente, que o Sr, sem acreditar em si mesmo e no mérito de mais esta vitória, quem sabe a última, decida continuar colocando nos outros a culpa do mesmo modo que essa polarização estúpida vem fazendo. Os dois lados querendo um anular o outro, julgando a si mesmo dono da verdade.

   Isso não é democracia. Não basta dizer que, de si mesmo, se é democrático: é necessário promover democracia. E o diálogo se torna essencial. Alianças serão necessárias. Que sejam menos, muito menos pelo suborno que, neste país, deixou de ser bastidor e se tornou flagrante, mas sejam por virtude. E Sr Presidente, sejamos verdadeiros, vícios e virtudes há de ambos os lados.

    Não é necessário ensinar ao Exmo Sr praticar política. Neste momento é sadio depositar no Sr. esperança. Quem sabe, virtudes não vistas e ainda por se promover poderão ser constatadas, resgatando até a história de seu partido. A mobilização dessa campanha, creio, também move essa outra expectativa.

   Surpreenda-nos, Sr Presidente. Mais uma vez lhe concederam esse crédito. Seja então reconhecido para além de suas próprias fronteiras. Eu diria que até fora do Brasil assim se espera. Em certo sentido, seja igual, porém junto e também noutro sentido, seja bastante diferente. Ser reconhecido apenas por seu time continuará sendo polarização estúpida. O Exmo Sr poderá ser ainda maior. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Forte de São Diogo, Salvador, BA

 Fotos antigas do Forte de São Diogo.

Barra - Salvador Bahia.


O Forte de São Diogo é um dos marcos históricos e culturais mais importantes de Salvador, Bahia, ocalizado na base do Morro de Santo Antônio, no lado direito da famosa praia do Porto da Barra.

Construído originalmente no início do século XVII, sua principal função era atuar em conjunto com o Forte de Santa Maria para impedir o desembarque de invasores estrangeiros (como holandeses e franceses) no acesso sul da então capital do Brasil.


O que podemos encontrar hoje no Forte:
• Espaço Carybé das Artes: Atualmente, o forte abriga um moderno centro tecnológico interativo dedicado à vida e obra do artista plástico argentino (naturalizado brasileiro)
Hector Julio Páride Bernabó, o Carybé.
O local conta com recursos digitais, projeções e óculos de realidade virtual que exibem mais de 500 obras do artista;


• Mirante Forte São Diogo: O local conta com um charmoso bistrô/café onde visitantes podem apreciar comidas típicas baianas (como acarajé e abará) e bebidas com uma vista privilegiada para o pôr do sol na Baía de Todos os Santos.


• Arquitetura Militar: Suas muralhas de pedra e traçado geométrico ainda preservam canhões antigos e oferecem um dos melhores pontos fotográficos da orla da Barra.




Paulo Costa
A Bahia tem História.

Odete Amaral

 ODETE AMARAL — UMA CANTORA POPULAR QUE SE ADAPTAVA A TODOS OS ESTILOS

Em 1940, Odete Amaral já era uma das vozes reconhecidas do rádio brasileiro. A imprensa destacava sua capacidade de transitar por diferentes gêneros musicais, da serenata ao samba, do fox ao tango, do choro às canções regionais e da lundu às valsas, graças ao timbre considerado agradável e expressivo.

Na matéria, o jornal também chama atenção para seu repertório popular e cita “Cabelinho, Jardim e a Viúva” entre os números que integravam suas apresentações. O texto registra ainda sua atuação na Rádio Nacional, onde apresentava o programa “Pátria Distante”, às quartas-feiras, às 20 horas.

Odete Amaral, nascida em Niterói em 1917, havia iniciado sua carreira radiofônica ainda adolescente e, na década de 1930, passou por importantes emissoras do Rio de Janeiro, tornando-se uma das intérpretes de destaque da chamada Era de Ouro do rádio. (Raimundo Floriano).

FONTE: A Manhã, Rio de Janeiro, 7 de agosto de 1943, página 5, seção “O Rio e as suas diversões”, matéria “Odete Amaral, uma cantora popular que se adapta a todos os estilos”. A imagem reproduz o recorte da publicação original.



quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Arqueólogos encontram escola de Aristóteles e Alexandre, o Grande

 

Ginásio de Mieza, na Grécia, pode resolver a discussão sobre o local onde o filósofo educou o futuro rei da Macedônia quando ele ainda tinha 13 anos

Salas equipadas com bancos de pedra e quatro instrumentos usados para escrever foram encontrados em um complexo da antiga cidade de Mieza, na Grécia. A estrutura é apontada pelo Ministério da Cultura do país como o provável Ginásio Real onde Aristóteles ensinou Alexandre, o Grande. O conjunto foi construído em meados do século IV antes de Cristo, quando Filipe II governava a Macedônia.


À época, o rei buscava formar não apenas o próprio filho, mas também jovens pertencentes às famílias nobres, que ocupavam posições de poder
em seu reinado. Aristóteles
foi chamado para tutelar o príncipe macedônico em 343 a.C, quando Alexandre tinha aproximadamente 13 anos. O acontecimento só foi registrado séculos depois pelo icônico historiador Plutarco, que indicou Mieza como o local onde o filósofo ensinou o jovem soberano e seus companheiros.


A Em outra parte ficava o chamado Didaskaleio, associado às aulas teóricas. No local, foram descobertos bancos de pedra usados nas salas de ensino. Os achados também incluem moedas,cerâmicas e quatro estiletes. Tais instrumentos eram usados para escrever em diferentes superfícies e ajudam a demonstrar a utilização educacional do local. Ademais, uma estrutura de mais de 160 metros quadrados revelou dois salões para banquetes. Ambos conservam partes de pisos de mosaico e plataformas junto às paredes, que sustentavam os leitos nos quais os participantes se acomodavam durante as refeições. antiga cidade de Mieza já era conhecida por pesquisadores, mas nenhum resquício da escola aristotélica foi encontrado. Em 2024, no entanto, uma série de evidências começaram a surgir das escavações  realizadas no local.



Complexo de quase 2.400 possui salas de ensino, estádio e mosaicos


O Ginásio Real ocupava uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados,
representando uma das maiores escolas descobertas. Os arqueólogos também encontraram uma área de treinamento físico conhecida como palestra, um estádio e uma passagem coberta
de quase 200 metros.


Dez leitos cabiam em cada salão, com capacidade para ao menos 20 pessoas. Partes de colunas, frisos e outros elementos jônicos e dóricos também sobreviveram. Por fim, algumas técnicas decorativas apresentam forte semelhança com as utilizadas no palácio de Aigai, residência ligada à família de Filipe II.



A identificação com a escola de Alexandre também é considerada provável por pesquisadores externos ouvidos pelo renomado site de divulgação científica Live Science. A historiadora Jeanne Reames afirmou que o conjunto disponível de evidências sustenta  tal leitura, enquanto a arqueóloga Elizabeth Baynham considera a riqueza da escola compatível com o poder econômico de Filipe.


Busto de Aristóteles 


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