sexta-feira, 3 de julho de 2026

Velho Douglas no Aeroporto Velho

 

DOUGLAS | Esta imagem histórica registra um lendário Douglas C-47 da Força Aérea Brasileira (FAB) na pista de tijolos do antigo aeroporto Salgado Filho, o primeiro de Rio Branco, em área hoje correspondente aos bairros Aeroporto Velho e Pista.

A serviço do então Correio Aéreo Nacional, o C-47 tornou-se um dos grandes ícones da aviação militar e civil no Brasil. Reconhecido por sua robustez, versatilidade e capacidade de operar em pistas rústicas ou pouco preparadas, foi decisivo no transporte de passageiros, cargas, medicamentos e correspondências para regiões remotas, muitas vezes de difícil acesso, como o Acre e outros pontos da Amazônia.

Mais que uma aeronave, o Douglas C-47 simbolizou uma época em que a aviação encurtava distâncias, integrava territórios e ajudava a romper o isolamento de cidades do interior brasileiro.

📸 O registro, de meados da década de 1960, é de autoria do saudoso ex-padre Orlando Testi.

INFORMAÇÃO SOBRE IA ⎯ Imagem histórica originalmente em preto e branco, colorizada com auxílio de inteligência artificial, com preservação da composição original, para fins de valorização visual e difusão da memória histórica.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

A história (verídica) de Suzanne Spaak

 A Gestapo arrombou a porta dela em uma manhã fria de outubro de 1943.

Suzanne Spaak não correu. Não gritou. Não tentou se esconder. De certa forma, ela sabia que aquele momento poderia chegar.

Suzanne nasceu em Bruxelas, em 1905, dentro de uma família belga rica, ligada ao setor bancário. Seu marido, Claude Spaak, era um dramaturgo respeitado. Em Paris, os dois viviam cercados de conforto, arte e influência. Ela conhecia René Magritte, frequentava jantares com intelectuais e artistas, usava roupas elegantes e morava em um belo apartamento perto do Palais-Royal, tendo como vizinha a escritora Colette.

Ela tinha segurança, dinheiro, prestígio e uma vida confortável. Em outras palavras, tinha tudo a perder.

Então veio 1942. A ocupação nazista apertou o cerco, e Paris começou a assistir ao esvaziamento brutal de famílias judias. Crianças eram arrancadas dos pais. Casas eram invadidas. Pessoas eram colocadas em trens sem saber se algum dia voltariam.

Suzanne não conseguiu simplesmente olhar para o outro lado.

No início, ela ajudou uma criança. Acolheu, alimentou e encontrou um lugar seguro para escondê-la. Depois veio outra. E mais outra. Quando percebeu, Suzanne já não estava apenas ajudando em silêncio. Em 1943, ela participava de uma verdadeira rede clandestina de resgate.

Ela ajudava a criar documentos falsos, organizava rotas de fuga e levava crianças para famílias dispostas a escondê-las em diferentes regiões da França. Trabalhava com membros da resistência ligados à rede conhecida como Orquestra Vermelha. Usava tudo o que tinha, seu dinheiro, seus contatos e até o privilégio social da sua posição, para salvar vidas que o regime nazista queria apagar.

Em outubro de 1943, a Gestapo conseguiu desmantelar parte da rede. Alguém, depois de ser torturado, revelou nomes e endereços. As informações começaram a circular nas mãos erradas.

Antes que viessem buscá-la, Suzanne fez uma última coisa. Entregou a um contato de confiança da resistência a lista com os nomes das crianças que havia escondido, os endereços e todos os detalhes necessários para protegê-las. Mesmo cercada, ela ainda pensou nelas primeiro.

Durante nove meses, Suzanne foi mantida na prisão de Fresnes. Foi interrogada, torturada e condenada à morte. Mesmo assim, não entregou nomes. Não revelou esconderijos. Não traiu ninguém.

Na parede de sua cela, ela riscou uma frase que continuaria sendo lembrada muito depois de sua morte: “Sozinha com meus pensamentos, ainda existe liberdade.”

Em 12 de agosto de 1944, apenas treze dias antes de os tanques americanos entrarem em Paris e a cidade celebrar uma liberdade que ela nunca veria, o oficial da Gestapo Heinz Pannwitz entrou em sua cela e atirou contra ela.

Suzanne Spaak tinha 39 anos.

Todas as crianças que ela ajudou a esconder sobreviveram à guerra. Algumas cresceram, formaram famílias, tiveram filhos, netos e bisnetos. Gerações inteiras passaram a existir porque uma mulher, diante do sofrimento, decidiu que não ficaria parada.

Em 1985, quarenta e um anos depois de sua morte, o Yad Vashem reconheceu Suzanne Spaak como Justa entre as Nações, título concedido a pessoas não judias que arriscaram a própria vida para salvar judeus durante o Holocausto.

Mesmo assim, a maioria das pessoas nunca ouviu seu nome.

Há uma rua em Paris com seu nome. Há uma placa no local onde foi executada. Há também um livro escrito por sua filha, contando sua história e preservando sua memória.

Suzanne morreu perto o bastante para quase tocar a liberdade. Mas longe o bastante para nunca vivê-la.

Agora você conhece o nome dela.

A curiosa (e fictícia) história de Clara Fry

 No verão escaldante de 1879, em San Antonio, uma jovem de apenas dezessete anos foi amarrada a um poste sob o sol cruel do meio-dia. Seu nome era Clara Fry. Seu “crime” tinha sido roubar um pão.

A fome a empurrou para aquele gesto desesperado, mas foi a indiferença do mundo que decidiu castigá-la. As cordas rasgavam sua pele, o calor queimava seu rosto e as lágrimas desciam em silêncio, porque até chorar parecia perigoso naquele lugar. Mas o que ninguém imaginava era que, naquele dia, em vez de se quebrar, Clara faria uma promessa.
Naquela mesma noite, quando todos acreditavam que ela já estava vencida, Clara mordeu as cordas até a boca sangrar. Arrastou-se pela poeira, sentindo o corpo inteiro arder, e desapareceu na escuridão. Ela não fugiu apenas do castigo. Fugiu para continuar viva.
Os anos seguintes foram duros. Clara trabalhou entre o gado às margens do rio Nueces, dormiu sob árvores espinhosas, enfrentou a fome, o frio, o medo e os homens que acreditavam que uma mulher sozinha jamais sobreviveria na fronteira. Mas ela sobreviveu. E mais do que isso: ela venceu.
Aos vinte e cinco anos, Clara já era dona de cinquenta cabeças de gado e de um rancho que havia construído com as próprias mãos. Suas cicatrizes ainda marcavam os pulsos, como anéis de dor lembrando o dia em que ela jurou nunca mais pertencer a ninguém.
Então, um dia, ela voltou.
Clara retornou a San Antonio não como a menina faminta que havia sido humilhada em público, mas como uma mulher com terra, dinheiro e uma história que ninguém conseguiria apagar. Comprou a antiga cadeia onde havia sido castigada, mandou derrubá-la pedra por pedra e espalhou sal sobre o chão, como se quisesse impedir que qualquer crueldade voltasse a nascer ali.
Alguns disseram que aquilo era exagero. Outros chamaram de vingança. Mas Clara não respondeu. Ficou em silêncio, o mesmo silêncio que a acompanhou quando suportou a fome, o sol, a poeira e a solidão do deserto.
Porque, às vezes, a justiça não nasce nos tribunais. Às vezes, ela surge das ruínas da própria dor.
E Clara Fry, a menina que roubou pão para sobreviver, acabou tomando do mundo aquilo que ele tentou negar a ela: a última palavra.
#acontecimentos @destacar
Ver menos
Nota:
  • Um nome real numa história real: Curiosamente, houve uma enfermeira real chamada Clara C. Frye. Ela viveu na mesma época nos Estados Unidos (1872-1936), mas morava na Flórida, onde ficou conhecida por fundar um hospital que atendia pacientes de todas as etnias. Não há relação dela com a história da forca em San Antonio.

𝙁𝙖𝙧𝙢𝙖á𝙘𝙞𝙖 𝙂𝙧𝙖𝙣𝙖𝙙𝙤, 𝙫𝙤𝙘𝙚ê 𝙘𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙚 𝙖 𝙝𝙞𝙨𝙩𝙤ó𝙧𝙞𝙖❓

 

Em 1870, na Rua Direita — hoje Primeiro e Março — um português chamado José Antônio Coxito Granado abriu uma botica que cheirava a álcool, ervas e promessa.

Dizem que ele misturava ciência e intuição, mas o segredo estava também na serra: em Teresópolis, mantinha um sítio (e depois uma chácara) onde cultivava plantas medicinais que viravam extratos e fórmulas para a clientela do Rio.

A fama cresceu com o Império: em 1880, Dom Pedro II lhe concedeu o título de Farmácia Oficial da Família Imperial. O balcão virou altar de confiança, e a casa começou a colecionar clássicos. Em 1903, surgiu o Polvilho Antisséptico — talco de pés que atravessa gerações como quem atravessa verões.
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Em 1916, vieram os sabonetes de glicerina vegetal, com aquele jeito simples de deixar a pele e a memória limpas ao mesmo tempo. A primeira filial abriu em 1917, na Tijuca, e o mapa foi se abrindo devagar: de farmácia a perfumaria, de balcão a vitrine.
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No século XXI, a marca decidiu vestir o passado com roupa nova: inaugurou a primeira “loja conceito” em 2005 no endereço original, como quem restaura uma fotografia sem apagar a saudade. Em 2004, incorporou a Phebo, e as fragrâncias ganharam ainda mais história para contar.

Hoje, a Granado opera cerca de 101 lojas próprias no Brasil, espalhadas por capitais e cidades-chave, principalmente, e mantém lojas no exterior, além de milhares de pontos de venda e um e-commerce robusto. Continua vendendo os mesmos ícones — Polvilho, glicerinas, colônias — mas agora em um mundo que corre. E talvez seja isso: num frasco, ela guarda o tempo; na pele, faz o tempo caber. Ainda hoje.
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#carlosacoelho

Ponte Metálica Juscelino Kubitschek

 Este registro de 1965 mostra a construção da ponte Juscelino Kubitschek, sobre o Rio Acre, ligação histórica entre o 1º e o 2º Distrito de Rio Branco, seis anos antes de sua inauguração oficial, em 1971.

As estruturas de ferro haviam sido adquiridas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em 1957, durante o governo de Valério Caldas Magalhães. A obra, porém, só teve início em fevereiro de 1963, no governo de José Augusto de Araújo, atravessando longos períodos de paralisação até a retomada da montagem metálica, em fevereiro de 1969, no governo Jorge Kalume.

A ponte JK foi então considerada a mais importante obra de infraestrutura do Estado, símbolo de integração urbana e de modernização da capital acreana.

Sua história, contudo, não se encerrou com a inauguração. Em 1978, parte do vão cedeu sob a força das cheias do Rio Acre, obrigando a população a conviver, por anos, com passagem improvisada em madeira e cordas. A recuperação definitiva só começou em agosto de 1984, sendo concluída e reinaugurada em abril de 1985 — novo capítulo de uma ponte que, mais do que unir margens, atravessa a própria memória de Rio Branco.

Foto: Orlando Testi

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Memorial de Antônio Garcia

 

HOJE DIA 27 DE JUNHO DE 2026

HOMENAGEM POSTUMA E SAUDADE ETERNA

MEU PAI. ' ANTÔNIO GARCIA "

QUE HOJE FARIA. 123 ANOS .

O CÉU ESTA EM FESTA

MEU PAI ANTÔNIO GARCIA NASCEU EM BARRADO PIRAI ( RJ ) NO ANO DE 1903

E FOI LEVADO AOS CÉU PELO MEU JESUS CRISTO NO DIA. 01. DE JUNHO DE 1998.

DEIXANDO SEUS. 4 FILHOS VIVOS E UM FALECIDO.

O FALECIDO ; ALCEZION GARCIA REIS

2. ) PAULO GARCIA REIS. HOJE FALECIDO

3 ) IRINEIA GARCIA DOS SANTOS

4. ) DULCINEIA GARCIA DA SILVA FALECIDA

5. ) EU. DURVALINA GARCIA REIS

DEIXOU. " 18 NETOS. "

NARRIMA , JAIME , NIRVANA, NAIRA , NADIA ,

ELIZABETH VIEIRA REIS ,MARGARETH VIEIRA REIS RAMOS , PAULO CÉSAR LULA DA SILVA REIS , CLEIA GARCIA, CLEIDE GARCIA ANTÔNIO PAULO, CARLOS ROBERTO , CLEBER , CLERIO, ELSON REIS, RENATO REIS. CRISTIANO. SHIRLEY LIMA.

18 BISNETOS

PEDRO LUCAS. , LAVINHIA , MANUELA , PIETRA. ,HADASSAH. , CARLA , RUAN , LEANDRO., FORTUNATO FILHO., CAIO, GABRIEL ,LIVIA , JOÃO , SOFIA PAULO. LUCIA E MAURICIO .

03 TATARANETOS "

MARIA VALENTINA , VIDA MARIA E BÁRBARA VITORIA.

ESSES FORAM OS FILHOS NETOS , BISNETOS E TATARANETOS DO PAI E AVO ANTÔNIO GARCIA

QUE DEIXOU MUITA SAUDADES ENTRE OS PARENTES E AMIGOS .

HOJE ESSA HOMENAGEM VAI PARA ESSE HOMEM GUERREISO QUE TRABALHOU NA MARINHA DE GUERRA DO BRASIL E SENTIA-SE ORGULHOSO POR ISSO

PAI QUERIDO A SAUDADE DA SUA PARTIDA CONTINUA EM NOSSOS CORAÇÕES.

MAIS NOS TEMOS A GRANDE ESPERANÇA DE NOS ENCONTRARMOS NOVAMENTE NA VINDA DE CRISTO .

E DIZEMOS DE CORAÇÃO O VERSÍCULO BÍBLICO.

," DEUS DEU DEUS TOMOU BENDITO O SEJA O NOME DO SENHOR ."

UM FELIZ ANIVERSÁRIO AI NO CÉU RODEADO DOS ANJOS DO SENHOR.

MARANATA .

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

O garoto do Casino Bangu


O ano era 1976 quando surgiu, nas quadras do Casino Bangu, um garoto conduzido por um parente que atuava na equipe principal de futebol de salão do clube. Naquela época, eu era o responsável pela equipe mirim do Casino Bangu e, logo nos primeiros treinos, percebi que aquele menino possuía algo especial. Apesar de ter um ano a menos do que a idade prevista para a categoria, sua habilidade, inteligência e personalidade dentro de quadra chamavam a atenção de todos.

Diante daquele talento precoce, decidi integrá-lo ao elenco mirim. A aposta mostrou-se acertada. A equipe realizou uma excelente campanha e conquistou o Campeonato Estadual, oferecendo os primeiros indícios de que aquele jovem teria um futuro promissor no esporte.

No ano seguinte, em 1977, ele assumiu definitivamente a condição de titular. Com atuações seguras e decisivas, ajudou o Casino Bangu a alcançar mais uma grande campanha, encerrando a competição com o vice-campeonato estadual. A cada temporada, sua evolução tornava-se mais evidente, e ele foi galgando espaço nas demais categorias do futebol de salão casinista, consolidando-se como uma das grandes promessas formadas pelo clube.

Quando chegou o momento de fazer a transição para o futebol de campo, aceitou um novo desafio. Foi aprovado para a equipe juvenil do Bangu Atlético Clube, onde rapidamente confirmou todo o potencial que já havia demonstrado nas quadras. Nesse período de formação, teve como treinadores este autor do relato, além de Ananias, Paulo Lumumba e Moisés. A direção das categorias de base era conduzida por Ângelo Marques, figura importante no desenvolvimento dos jovens talentos do clube.

Na equipe juvenil do Bangu, alcançou uma de suas primeiras conquistas no futebol de campo ao sagrar-se campeão do terceiro turno do Campeonato Carioca de 1982, demonstrando que o talento revelado no futebol de salão também fazia a diferença nos gramados.

Seu talento, aliado à dedicação, disciplina e espírito competitivo, abriu-lhe as portas para uma trajetória ainda mais brilhante. Anos depois, chegou à equipe profissional do tradicional alvirrubro da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Vestindo a camisa do Bangu, destacou-se pela qualidade técnica, pela entrega em campo e pelo comprometimento com o clube, tornando-se uma das principais referências da equipe. O ponto alto dessa caminhada ocorreu em 1985, quando participou da histórica campanha que levou o Bangu ao vice-campeonato brasileiro. Naquele mesmo ano, o reconhecimento nacional veio com a conquista da Bola de Prata, premiação destinada aos melhores jogadores do Campeonato Brasileiro, além de sua inclusão na seleção da competição.

A coleção de conquistas com a camisa alvirrubra ainda ganharia mais um capítulo importante em 1987, quando integrou a equipe campeã da Taça Rio, reafirmando seu nome entre os grandes atletas que defenderam o Bangu Atlético Clube.

Aquele menino que chegou discretamente ao Casino Bangu, conduzido pela mão de um parente, transformou-se em um exemplo de perseverança, talento e superação. Sua trajetória vitoriosa, construída tanto nas quadras do futebol de salão quanto nos gramados do futebol de campo, demonstra a importância das categorias de base na formação de grandes atletas e de homens que honram, com orgulho e dedicação, as cores dos clubes que representam.

• Primeira foto equipe Mirim do Casino Bangu
• Segunda foto equipe de profissionais do Bangu