sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Vida longa aos canalhas.

       Na etimologia, canalha "vem do latim 'canalia', que significa 'bando de cães'. Hoje, 'canalha' nada mais tem a ver com cães. E as pessoas já não fazem a associação canalha aos cães. Melhor para eles, os cães!".

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Pastorais 1 e 2


          Leituras em Filipenses

          Assim como nas igrejas da Galácia, um grupo de judaizantes andou por Filipos tentando convencer os irmãos a admitir ser circuncidados e a guardar preceitos do judaísmo. Paulo os compara a um bando de cães, atrás da carniça de suas vítimas. E os responde, definindo o que é conversão genuína em Cristo.
    Começa com perda total: "para mim, o viver é Cristo e o morrer é ganho". O apóstolo demonstra como abriu mão das honrarias do farisaísmo, no caso, o que o enchia de orgulho e era seu "pedigree". Concorda com Habacuque, que indica fé em oposição à soberba: "Eis o soberbo, sua alma não é reta nele, mas o justo viverá pela sua fé."
    Paulo afirma que, por causa da "sublimidade do conhecimento de Cristo", ser crente é, verdadeiramente, perder todas as coisas e as considerar refugo. Dessa forma, o ganho é Cristo e a justiça que procede, exclusivamente, desse ato de fé. Como aos Gálatas Paulo escreveu, "não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim". Essa é a qualidade de vida de quem vive pela fé.
    A resposta do apóstolo ao grupo de "cães itinerantes" é que circuncisão sempre foi sinal profético de conversão, a qual se cumpre e realiza pela fé em Cristo, da qual cada verdadeiro crente é sinal profético vivo. Andemos por fé: vivemos pelo Espírito, andemos no Espírito.

     Leituras em Filipenses

     Já na conclusão da carta, Paulo propõe aos irmãos mirar num alvo e afirma ser esse o propósito de Cristo na vida deles: "caminhar para conquistar aquilo para o que fomos conquistados por Cristo Jesus". E o apóstolo diz o que é, trata-se da perfeição.
   Ser per+feito signifca ser por todo o perímetro, por toda a volta, completo, pleno, cheio. E Paulo diz que já ter essa vontade em si, é o primeiro indicador de perfeição. Ele mesmo se coloca como exemplo, mas também confirma não ter ainda alcançado.
   Na verdade, trata-se de uma característica permanente na vida cristã, que a marca como autêntica e frutuosa. É Cristo mesmo quem concede os elementos necessários a que se possa atingir esse alvo.
    Lembrando a introdução dessa mesma carta, Paulo disse que crescer em amor nos permite percepção e escolher o que, diante de Deus, é excelente. E em Coríntios 2, o apóstolo também diz que, pelo Espírito, ansiamos ser revestidos pelo que é celestial.
    Termina essa seção da carta dizendo "todos que somos perfeitos, tenhamos esse sentimento". Buscar perfeição é um desejo de Jesus posto em nosso coração, pelo Espírito. Conquistemos aquilo para o que Jesus nos conquistou. E Paulo deixa em aberto: dúvidas sobre isto? Deus vos esclarecerá, diz. Que tal começarmos, então, esse diálogo com o Altíssimo?

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Carta ao meu blog


           Já se diz que carta é coisa ultrapassada. Bem, não é para discutir isso que estou agora aqui. Mesmo porque não estou mesmo, no sentido lato, escrevendo uma delas. Mas, noutro sentido, estou, sim, pelo menos pelo aspecto intimista. Ou, quem sabe, pelo tom confessional. Uma carta a mim mesmo ou aos parcos frequentadores do que costumo escrever.

           Ontem fiz uma oração. Esse verbo "fazer" é coloquial, com relação a esse expediente de orar. Já escrevi sobre isso aqui. Orar tem marcas, há aquelas orações que foram mais nítidas e norteadoras do que outras. Associado a elas estão guinadas fundamentais da existência. Por exemplo, para quem acredita nisso, e este é o meu caso, a conversão ao evangelho se dá por uma oração.

         E, como também já foi dito, alhures, aqui, a partir daí, da conversão, uma porção de novas atitudes podem ser moldadas pela oração. A partir daí a relação com Deus se estreita. Antes da conversão, ela pode ser, por parte do orante, ainda muito tumultuada. Visto que Deus busca relação com todos e cada um, o orante pode, até mesmo, quem sabe, estar em conflito interno se assume ou não, definitivamente, relação com o Altíssimo.

        Chega, que isso já não mais está parecendo uma carta ao blog. Mas em minha oração de ontem, hoje voltado para ela, tentando, de certa forma, até repeti-la, por pura retomada de tema, conferência e, o que é essencial em oração, coerência, concluí que, por pura inércia de orações anteriores, cheguei onde cheguei. Geográfica e cronologicamente. Pensei nas orações de meus pais, crentes muito mais sinceros do que eu. Deduzi, sim, mesmo porque foram eles que me ensinaram a orar, pelo exemplo e por sua didática também, então concluí que pela inércia das orações deles sou o que sou.

         É claro que houve minha orações, posteriormente. Mas o empurrão inicial foi deles. Houve um empurrão inicial. Daí eu me referir à inércia desse movimento. Depois, já na avaliação da oração de ontem, deduzi que, se não fossem obstáculos por mim mesmo antepostos, o movimento dessa inércia me conduziria mais adiante, em qualidade.

        Outros fatores posso dizer que, de fora e ao longo do percurso, também serviram como impulsão. Lembrei-me da decisão basilar, que se tornou sensível, de ser pastor. Premido por todos os lados me fiz, pois há os que têm profunda certeza dessa nobre investidura. Eu me fiz, e olha bem como já escrevo, premido. Evidentemente que, a essa altura, a certeza veio depois. Ora, o meio social, principalmente alguns, que poderia citar, aqui, por nome, apontariam com o dedo, dizendo, sempre o soube que foi por inércia.

         Maledicentes. Eu bem sei a que chamo inércia. Mas, voltando ao assunto, a certeza veio depois. Melhor, pelo menos, que Jonas, o profeta, que certeza mesmo nunca teve ou a rejeitou, reiteradamente. Mas voltando, de novo, à oração, outro item nela postado como pergunta ao Altíssimo foi o futuro. Este assunto sempre incomoda. Lembrei-me do texto aqui escrito, linhas atrás, sobre o pesadelo de Abrão. Temia o futuro, Perguntava a si mesmo e a Deus, consequente e/ou inconscientemente, sobre o futuro.

        E, se vale como registro para um terceiro tema, na oração, a vocação também esteve em cheque. Bem, se já falamos num movimento por inércia, como no pinball, de obstáculo a obstáculo, com campainhas tocando, cheguei até cá. Pois a vocação, força motriz, também esteve em termos nessa oração. Daí o sentido e desejo de escrever carta ao blog. Há muito não o fazia, quer dizer, escrevia. Basta conferir a data aí, acima. E, nesse diálogo, fica o registro. Assim como a necessidade de continuar. Incluída uma volta ao blog. Por pura inércia.