quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Leituras Bíblicas - 2

    A leitura dos livros periféricos implica conhecer o contexto em que pregaram. Desse modo, nossa compreensão do texto será mais exata. 
    Os livros 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas nos fornecem informações sobre esses reis, na época de quem os profetas pregaram. Seus nomes, geralmente, aparecem no primeiro versículo do livro. 
    Assim, Isaías, que profetiza na época de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias. Enquanto isso, os profetas Amós e Oseias profetizavam contra o reino do Norte, cuja capital era Samaria.
   No primeiro versículo desses dois livros consta os reis no período de quem profetizam. Veja que em Oseias são mencionados os mesmos reis que em Os 1,1 e mais o rei Jeroboão, do Norte.
   E, em Amós, é mencionando somente Uzias, rei no Sul, capital Jerusalém, e o mesmo Jeroboão, mencionado em Os 1,1. Veja a informações sobre esse Jeroboão em 2 Reis 14,15-23.
   Ele reina durante 51 anos, mesmo tempo de Uzias, no Sul, com a diferença de que aquele "fez o que era mau aos olhos do Senhor", 2 RS 14,24, ao contrário de Uzias.
   Mas as informações, na sua quase totalidade, negativas sobre Jeroboão II aparecem nas profecias de Amós e Oseias. Pelo que observamos, o profeta Amós prega na época desse rei, corrompendo em Judá ao período de Uzias.
    Portanto, a ordem cronológica de atuação desses profetas foi Amós, Oseias e Isaías. Porque este último assinalou o ano da morte do rei Uzias, Is 6,1, como a data de seu chamado. 
   Então, embora a ordem dos livros, no Antigo Testamento - AT seja Oseias - [Joel] - Amós, este profeta atuou antes de Oseias. Atenção, este Jeroboão aqui citado é chamado "segundo", porque na época da morte de Salomão outro Jeroboão, chamado "primeiro", separou as 10 tribos do Norte e fundou esse reino, em separado das tribos do Sul.
    Esse a três profetas são também conhecidos como Profetas do século VIII, antes de Cristo - a. C., porque pregaram cerca de 750-700 anos antes de Jesus nascer. 
    Portanto, é interessante ler em conjunto esses três profetas. O livro maior, do profeta Isaías, costuma ser dividido em três partes: proto-Isaías, Cap. 1-39; deutero-Isaías, Cap. 40-55; e trito-Isaías, Cap. 56-60.
   Essa subdivisão tem a ver com a progressão de temáticas no livro, assim como a cronologia da coleção dos textos e a edição final é publicação dessas coleções. 
   Bom proveito em sua leitura e pesquisa..

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

FLAMANAQUE

Nome: Cid Mauro Araujo de Oliveira

1. Torço pelo Flamengo, por causa do Alberto, colega de bairro em Cascadaura, ainda na década de 60. 

2. O pai dele, Milton, era flamenguista e estimulou o filho a também ser. Por causa de minha proximidade com o garoto e por influência deles, passei a ser Flamengo. O pai dele dizia que nós torcíamos pelo time da Favela do Pinto, que era a fronteira do campo da Gávea, naquela época. Meu pai, como americano, não colocou nenhum obstáculo. 

3. Bem, o Flamengo já colocou todos os cariocas na condição de fregueses. Houve um tempo, depois do 6 X 0 do Botafogo, em 1972, que eu queria vingança. 10 X 0 seria pouco. Mas o time de ouro da era Zico devolveu os 6 X 0 e ainda depois outro 6 X 1 que o Botafaísca nunca devolveu. 

4. Bem, os amigos chatos, botafoguenses, eram da década de 70 lá na congregacional de Cascadura. Aliás, assisti aos 6 X 0 do Botafogo e, ainda por cima, nas cadeiras do Maracanã, com dois deles: Jairo e Jalmir. A gente foi vender canetas da Campanha Nacional da Criança e, como brinde, éramos autorizados a assistir ao jogo da vez, exatamente essa goleada histórica. Mas não precisa mais vingança, como já disse. 

5. Aos botafoguenses muito enjoados da década de 70 em minha igreja, em Cascadaura: acho que tinha uns 6 ou 7, quer dizer, toda a torcida do Botafogo era de lá. E naquele tempo o Mengão ainda era freguês do foguinho...

6. Obina, de saudosa memória, deixaria qualquer coisa, para ver Fio Maravilha, Dadá Maravilha, Caio, Doval, Dionísio, o Bode Atômico. Aliás, mais dois botafoguenses antipáticos, Roberto e Luís Carlos Silva, irmãos de DNA e de fé, azucrinavam meu juízo, dizendo que eu não deveria levar meu radinho de pilha para a igreja, para acompanhar o jogo de Mengão. Começavam, naquela época, às 17h no Maraca. Eu saía a essa hora de casa, no Méier, e pegava o 667, Méier-Cascadura, para alcançar a União Juvenil, às 18h. Desligava o radinho, participava da reunião e, no intervalo para o culto, entre 18h45 e 19h eu ia para o portão da igreja, para ver o resultado. Foi num desses domingos de nervos à flor da pele, Vasco ganhando o tempo todo o Flamengo por 1 X 0 que, não sei se Yustrich, já no final do jogo, trocou sei lá quem por Zanata, que estava bichado no banco, e por Dionísio, o Bode Atômico, com uma testa do tamanho de um tobogã. Não é que o Mengão virou! Como? Um gol de falta de Zanata. Outro de testa do Bode Atômico. Ouvi no meu radinho de pilha, no portão da IEC de Cascadura. Sai fora, botafoguenses... hahahaha...

7. A paixão pelo Mengão é tão grande, que é difícil dizer. Eu agora lembrei da única final que assisti no Maracanã, o Fla-Flu de 1972. Era o mesmo lance da Campanha Nacional da Criança. Mas dessa vez, eu estava sozinho. E ainda coloquei uma blusa verde, mais para tricolor de um verde só, do que uma cor neutra ou, pelo menos, um vermelho. Entrei na camaradagem do cara da roleta porque, dessa vez, não rolou o lance livre para quem vendia caneta. Eu, desesperado, não podia perder aquele jogo. Fecharam-se os portões de entrada. Torcedores pulando o muro. Veio um ímpeto, mas faltou coragem. Mesmo porque eu não queria ficar na cela do Maraca, enquanto rolava esse jogão. Esse cara falou "Passa, passa, passa... Rápido! rápido!... Rente ao chão passamos, eu e um grupo. Mas era só o primeiro obstáculo. Nas entradas das arquibancadas, meus amigos, havia PMs fechando o acesso: deu mais de 100.000 torcedores, simplesmente não havia lugar. No túnel que consegui passar, na arquibancada não havia NENHUM lugar. Além de sentados apertadíssimos, lado a lado, havia os sentados ao comprido, formado um linha contínua de gente, entre as costas do torcedor de baixo, e as pernas do de cima, entendeu?  Eu me dependurei, literalmente, na guia de ferro que guarnecia, nas arquibancadas, as entradas, sentado no beiral dessas mesmas guias e foi dali que assisti ao milagre do chute de Doval, numa bola quase em cima da linha de fundo, num espaço que, até hoje, nenhuma lei da física  indica como pôde entrar naquele gol. O outro, de Caio Cambalhota. Acabou 2 X 0 o primeiro tempo. No segundo tempo, talvez nunca na história do Maraca a nossa torcida tenha ficado em silêncio, como num túmulo, porque o Flu fez um gol, aos 15 min, e o empate dava a taça a eles. E o Flu? Tinham Gerson, ele mesmo, da Seleção do Tri, também o goleiro Félix, Marco Antonio, Cafuringa, Denilson, Jair (que fez o gol). Tínhamos o Paulo Cézar Caju, o Romário dos anos 70, Rogério (ex-botafogo, ponta-direita), ora, ora, o Luxemburgo e uma lenda viva (naquela época), Liminha, o Carregador de Piano, o cara que era uma barreira protetora da defesa vasada: Chiquinho e Reyes. Acho que Liminha, na vida dele, deve ter feito 1 gols. Mas foi um dos mais amados jogadores do Flamengo. Nunca vi agonia tão grande. Nunca vibramos tanto, quando soou o apito final, depois da moedura do Fluminense. A essa altura, eu já estava ao comprido, tendo roubado o lugar de alguém que saiu no intervalo. E, para voltar ao Méier, depois de inúmeras tentativas nos ônibus superlotados, com torcedores entrando pela janela, no que consegui entrar espremido, a torcida queria me colocar para fora, por causa da camisa verde. Aí, eu disse, mas eu sou Flamengo. E um negão falou: "NESSA HORA, TUDO MUNDO É FLAMENGO ". Foi quando, num átimo, lembrei do meu chaveiro de casa, puxando-o para fora, mostrando o escudo imortal do preto-vermelho-preto bem ali, guarnecendo o CRF.
"TÁ BOM, TÁ BOM: PODE ENTRAR...". Eu já estava dentro. E  fomos para o Méier. Meeennngooooo....Meeennngoooo...pra-tum-pra-tum-pra-tum....

8. Cara, seria a maior frustação. Mas aí, a gente lembraria do nosso hino: "Vencer, vencer, vencer: uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!".

9. NÃO. NUNCA. Mas, sendo realistas, e como já esteve mais perto, como os sobe e desce do futebol, principalmente pelos Cartolas que temos (não vê o Cruzeiro?), podemos até prevenir nosso netos que, se um dia, ocorrer, cantem o hino "Vencer, vencer, vencer: uma vez Flamengo, Flamengo até morrer".

10. TODAS AS RESPOSTAS SÃO VERDADEIRAS...hahahahahahha!!!!

sábado, 25 de janeiro de 2020

Para o quê?

A sarça ainda arde
     Quando Deus usou esse sinal para chamar a atenção de Moisés tinha um propósito definido. E quando lemos ou relemos esse texto e outros que descrevem o que é vocação, nossa intenção é nos vermos neles. 
     Um dia, na vida, saímos por aí dizendo aos outros que Deus nos tinha chamado. Que, com isso, tinha e, para nós que ainda estamos por aí, tem um propósito. De propósito e com que propósito estou, a esta hora, já de pé, pensando nisso. 
     Moisés se voltou para ver. 

     "Apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.
E Moisés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça não se queima.
E vendo o Senhor que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui." Êxodo 3:2-4.

      Dissemos "eis-me aqui" para Deus. No meu caso, como qualquer um que foge, eu relutei. Há um dia como o de Moisés em nossa vida. Em que Deus nos manda tirar as sandálias dos pés. 
    No meu caso, eu lembro do dia em que nasci ao avesso. Ali caiu minha máscara. Eu me vi nu e fora do paraíso. Nascido num lar misto, mãe congregacional e pai batista, eu achava que viera pré-fabricado. 
    Era mentira. Tive de ser convertido como com qualquer um. Eu queria ficar por ali. Como Saul, escondido entre a bagagem. Contaria só o testemunho da conversão. 
    E ninguém precisa saber mais nada sobre mim. Mas tive de repetir o testemunho do chamado. Escondia-me, a partir de 1977, pelos corredores da PUC/RJ, pensando, iludido, em ser engenheiro.
    Em março de 1978 estava no anexo da Fluminense, depois de rápida passagem pelo Betel, no Rocha. Mas o avesso nunca me deixou. E a vontade de voltar a me esconder entre a bagagem.
     Mas continuo exposto. Voltei-me para sarça de novo. Continua a arder. E me mandaram, de novo, tirar as sandálias. Nesse gesto, está aí minha vida toda, de novo, exposta.
     Definitivamente, não é o que eu queria. Mas estão já, com 63 incompletos, para maio deste ano. Chega de falar em minha vida. Foque na sua, que lê este texto.
    O que você se vê diante da sarça que arde? Para o que vais dizer a Deus "eis-me aqui"? Que valor Deus confere a tua vida e no que, especificamente, vai te usar?
    A fuga de Moisés deixou Deus tão irritado, que nos foi legado o texto difícil de explicar, que Deus o queria matar. Deve ser a gana que Deus tem de nos usar no contexto. 
     Todos temos um contexto. Nesta madrugada, revi meu contexto em minha família. Revi meu contexto em meu trabalho. Para quem conhece, vou esticar 680 km a oeste, a Cruzeiro do Sul.
     Revi meu contexto em minha congregação. Revi meu contexto em minha denominação. Em cada qual, sempre quis que Deus, de modo preciso, usasse minha vida para o bem que somente Ele conhece e tem poder para realizar. 
     Paulo Apóstolo, numa das cartas da prisão, disse que Deus opera em nós o querer e o realizar. Diante da sarça que ainda arde, eu me vi do avesso. Deus não me deixou fugir.
      Irritei-O muitas vezes, atrapalhando o que Ele queria que, de outra forma, de outro jeito, saísse pronto e subisse como agradável sacrifício de louvor a Ele. 
     Algumas vezes, como Moisés ou Jeremias, quis uma estalagem onde me esconder, para me refugiar, fugido da vida. Não consegui. Continuei exposto.
     Sem sandálias de novo. Avesso do avesso, como diz o profeta profano. Vendo que a sarça ainda arde. Deus chama de novo. Não consigo dar outra resposta que não seja "eis-me aqui".
   Sinceramente espero que seja a sua resposta também. Para o bem que Deus deseja, por meio de sua vida, realizar. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Contarei tudo que puder - 3

   
Templo moderno planejado:
Igreja Metodista de Valão do Barro 
e aquela da década de 1920,
época da infância de Cid. 

      Com esse evento, a pobreza material foi superada pelo peso e a força da verdadeira riqueza, que é ser filha de Deus pela fé em Jesus Cristo como todo e suficiente Salvador de sua alma. E com a sua conversão conseguiu levar o meu pai também à frequentar a sua igreja (Igreja Metodista do Córrego dos Índios) no Município de São Sebastião do Alto, no seu 2° Distrito Valão do Barro. Ele na sua maneira simples e roceira costumava justificar com os seus amigos que lhe perguntavam: -- "É verdade, Tonico, que você agora é protestante? -- É sim, é verdade! Porque 'aonde vai a corda, vai a caçamba'. Adalgiza foi ser metodista e eu fui também, ué!".
      Depois veio José, Djanira, Maria, Laíde, ela nasceu depois de Maria e faleceu, Cid, o mano João Batista, que também faleceu recém-nascido (tinha uma deficiência na coluna vertebral e não chegou a andar). Mario, Nadir e Isaías, de cujo parto faleceu com apenas 39 anos de idade. -- Ouvi de minha mãe, Adalgiza Barcellos de Jesus, a maneira jocosa como ela e o meu pai se gostaram e se casaram.
     Ela trabalhava, como ele, para o tio fazendeiro chamado Manuel Inácio. Ele era daquele tempo em que Inácio era grafado, ainda, Ignacio. Tremendamente genioso, bravo. Foi capataz no tempo da escravidão. E o pobre escravo sofria nas suas mãos. Podemos imaginar como era, devido à mentalidade escravagista reinante naquela época. Escravo era como um animal qualquer. Era tratado como animal útil, que existia para prestar serviços ao seu senhor. 
     Mamãe, jovem ainda, adolescente, trabalhava como doméstica na sua fazenda e papai também. Eram primos. E ambos trabalhavam na fazenda do tio, no Município de São Sebastião do Alto, no seu 2° Distrito Valão do Barro. 
     O que sei sobre esse tio Manuel Ignacio ouvi de mamãe e de papai. Era aquele tipo "cristão" que povoa o inferno, que do Senhor Jesus Cristo, Senhor e Salvador, não sabe nada nem sente nada. Mas, esse tipo de cristão que enche a nossa sociedade, porque é pertencente a uma igreja qualquer, de cristão não tem nada. 
     Lembro-me que minha mãe contava como foi o seu casamento com o meu pai. Ele era o produto típico do meio cultural daquela época do fim do século XIX, reinante no interior do nosso Estado do Rio de Janeiro. 
     Trabalhava como leão, de sol a sol, na fazenda do tio. De noite dava os seus passeios a cavalo em animal da fazenda. Levantava-se de madrugada para trabalhar nos mais variados serviços da fazenda do tio. Tanto cuidava das vacas leiteiras como entrava nos eitos da lavoura de cana-de-açúcar, milho e feijão ou café.  Nos sábados, vésperas dos domingos e feriados, frequentava as festas da época. Bailes, ladainhas, etc. Depois que teve as desilusões com as moças de sua época e cultura, ele que já observava a jovem prima Adalgiza, que trabalhava "como uma escrava" na fazenda, sob a direção e ordem de sua tia Ambrosina. Era ela mesma que cuidava de lavagem da roupa e da alimentação como "pau para toda obra" na fazenda.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

SINAIS

Poema escrito por Valéria Moura, 
esposa do Claudio, 
filho de Dercilia. Esta flor é muda
herdada de tia Maninha.

SINAIS

Não é a primeira vez
É de emocionar o que o Senhor fez
Nos enviou belo sinal
Que chegou ao fim, todo o mal

Sim ,Ele tem propósito em nossas vidas
E através da natureza, também nos ensina
Que a vida é feita de ciclos
E que há tempo para cada sofrimento vivido

Um momento  que precisa ser vivenciado
Cheio de aprendizados
Temos que plantar pra poder colher
Esperar o tempo certo de ver e admirar o florescer
Grandes lições que aprendi com amada tia
Que já partiu desta vida

Sabia falar de Jesus
E  sua vida era puro testemunho que até hoje me conduz
'Deus não deixa oração sem resposta '
'Vai chegar a sua hora '
'O que daremos ao Senhor por tantas bênçãos recebidas?'
Grandes ensinamentos, norteiam minhas horas sofridas

Neste final de semana abençoado
Ao chegar em meu recanto sossegado
Tive a bela surpresa
Coincidindo com momento de pura beleza

Sinal divino,  abençoado
Presente da tia ,eternizado
Uma muda doada com muito amor
Plantada em solo fértil , cuidada com fervor

Sinal divino através da natureza
Vida é ciclo , enfrentemos tempestades com leveza
A chuva vem e nos fortalece
Mais tarde floresce e o milagre acontece.


Valéria Moura

sábado, 4 de janeiro de 2020

Contarei tudo que puder - 2

Ilha Terceira, Açores, Portugal, 
de onde veio José Gonçalves Rico,
avô paterno do Cid

       Contarei tudo que puder, disse no início do caderno, porque nessa altura de minha vida terrena com os meus 76 anos de vida terrena, em razão da tremenda batalha que tive de enfrentar, o filho querido que vale por 10 (dez) compreenderá e me dará, por certo, razão e achará que sou objeto da graça sobre graça do misericordioso Senhor de nossas vidas Jesus Cristo --- o Sumo Pastor, amigo sem igual!
     Meus pais: Antonio Gonçalves de Oliveira e Adalgisa Barcellos de Jesus.
     Não possuo muitos dados e detalhes importantes sobre suas vidas. Mas procurarei transmitir para o filho amigo, tão interessado, tudo que puder e estiver na minha memória. 
    Avós Paternos: Somente sei alguma coisa do avô paterno, cujo nome era José Gonçalves Rico. Natural da Ilha Terceira, Portugal insular. Se não me falha a memória, a Ilha Terceira é pertencente ao arquipélago dos Abrolhos (Ilha de Nosso Senhor Jesus Cristo das Terceiras, antigo centro administrativo das Ilhas Terceiras, como era designado o arquipélago dos Açores. Wikipédia). Emigrou para o Brasil em meados do séc. XIX. Passou pelo Rio de Janeiro, então Capital do Império, Niterói, na época capital da velha província fluminense, Macaé e foi fixar residência no Município de Santa Maria Madalena. Era carpinteiro. Como bom português, que tinha uma profissão, a de carpinteiro, a mesma profissão do pai de criação de Jesus, São José. De minha avó paterna, nada sei, nem o nome ao certo. Tenho uma vaga lembrança somente que era, como a maioria ou grande número de mulheres lusitanas, chamada de Maria. Semelhantemente pouco sei sobre os avós maternos. Pesquisei entre meus irmãos, ainda vivos, portanto entre nós, nada sabem mais do que eu. Mas os poucos informes que tenho transmito ao querido filho que tanto me tem cobrado tais dados sobre o pai que o Senhor das misericórdias lhe deu.
     João de Deus era o nome do meu avô materno e a avó,  Ambrosina. E nada mais sei sobre os avós maternos. 
     Sei muito pouco sobre os meus ancestrais tanto da parte paterna como da materna. Todavia o que sei saiu de alguns desabafos saídos da boca de meu pai ou da minha mãe no fragor da grande batalha para sustentar uma grande família, sob o jugo terrível da pobreza. 
     Sou o 6° filho de uma prole de 11(onze) filhos. Seus nomes eram: Nair (a 1° filha que morreu recém-nascida), vitimada por uma enfermidade grave, que para a medicina da época não havia recursos médicos. O nome da doença fixei como sendo crupe ou difteria laríngea. Segundo ouvi da mamãe, era muito linda, precoce e já falando tudo e lhe dando as maiores alegrias como soi acontecer com a chegada do primeiro filho ou filha! Minha mãe quase sucumbiu de paixão. Foi tremenda a dor que sentiu! O Senhor da Glória usou o fato para trazê-la aos pés do Senhor Jesus Cristo para ser salva e tornar-se uma crente fiel nele.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Artigos soltos 49

    A não ser que

    Sobre a existência ou não de Deus, há uma contradição básica. Os que nEle não acreditam, acusam-nos de sermos dependentes da resolução de nossas fragilidades. 
    Acreditaríamos em Deus, porque o divino resolveria, em vida, nossos problemas insolúveis e, ao fim, solveria a própria morte.
    Ora, não vemos assim Deus solucionando todos os problemas do crente. Aliás, se  Bíblia é reconhecida como o livro, por excelência, da fé,  logo a primeira história não apresenta essa finalidade utilitarista reclamada pelos ateus. 
   Ao contrário, contando a história de Caim e Abel, mostrando que a fé deste de nada adiantou para evitar que o próprio irmão o matasse, definitivamente, um marketing horrível, logo de cara, para a fé.
   E não é só isso. Se admitimos que o livro está certo e verdadeiro ao descrever uma conversa de Deus com o assasssino, tentando (no bom sentido) dissuadi-lo de sua intenção, deu em nada. 
   Donde se deduz que o argumento de que, em vida, crê-se, em Deus, na expectativa do livramento de apertos, ora, generalizando a lição e método acima, não se espere muito. 
   Sem falar na opção de Deus que, ao invés de prevenir o "seu chegado" Abel, procurou o gente ruim, na tentativa de convencê-lo a mudar de ideia, talvez, mais ainda, a se converter. 
    Abre-se, então, outro leque de argumentação, desta vez sobre a opção divina. Poderíamos até refletir, pelo menos provisoriamente, com a cabeça de Caim. Eu, me converter? A um Deus que, caso alguém, traiçoeiramente, prentenda me assassinar, não serei antecipadamente prevenido. 
   De novo, um péssimo marketing para a fé, pelo menos, para quem diz que os que creem, fazem-no na expectativa de auferir vantagens do Deus. Acho esse argumento pueril.
   Bem, então, previamente já sabendo que, entre as vantagens de se crer, definitivamente, não consta um seguro total de vida sem custos, resta saber se, ao final, pelo menos com relação à morte perdurará alguma vantagem.
    Pelo menos,  com relação a Abel, ficam os elogios que a Bíblia lhe dedica. Já é uma vantagem. Morto, ainda fala. Resta saber o que Abel fala. Certamente, nunca será dizer que, por seu "meu chapa" de Deus, um tremendo "gente boa" e nutrir uma fé que agradava ao Altíssimo, essa mesma fé nunca dirá que lhe garantiu integridade física. 
    Caso alguém avalie ser vantagem elogios póstumos, pode até adotar fé. Se acha que, definitivamente, somente para isso a fé serviria. Mas, e com relação à própria morte?
    Descartado o argumento de que atentados à vida, doenças, carestias, injustiças, em geral, serão obstaculizadas pela fé, resta saber, então, se há garantias em relação à morte.
    Bem, o ponto central da fé, na Bíblia, é a ressurreição de Jesus. Portanto, os que creem, como primeiro ponto de fé, descansam nessa certeza. Mas vejam bem, não é o medo da morte que conduz à fé. 
     Ela não depende de dados estatísticos, como num "controle de qualidade" ou teste de utilidade ou funcionalidade. 
      Os que creem, estão conscientes de que crer não traz vantagens imediatas, como imunidade a desastres e fatalidades, ou ainda, uma vez verificada, em vida, essa não disponibilidade da fé restaria, pelo menos, a ida ao paraíso, depois da morte.
      Respeitosamente, afirmamos que, de nada entendem da promessa bíblica sobre a fé aqueles que a avaliam como salvaguarda, enquanto em vida, e passaporte para o paraíso, após a morte. Não, desculpem: vocês não entendem nada de fé. 
    "Sem fé é impossível agradar a Deus". Não. Esta afirmação não se trata de uma imposição divina. É porque cremos para agradar a Deus. Só isso. Em resposta a Sua graça e ao Seu amor para conosco. 
    Não cremos para escapar de bala perdida, doença terminal ou acidente fatal no trânsito. Mesmo porque, pelo menos em relação a essas fatalidades, cito nominalmente crentes que foram por elas acometidos. 
    Definitiva e, finalmente, você não entende nada de fé. A natureza dela é agradar Deus em resposta a Sua graça e ao Seu amor. Achamos graça em Deus. Por isso cremos nEle. Não há o tipo de vantagem que você atribui. 
     Não há o tipo de troca pretendido, que só cabe dentro do seu senso de avaliação. Nunca vai entender.  A não ser que, um dia, creia.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Contarei tudo que puder - 1


Infância no Interior
  Introdução:
        Com muita emoção e profunda gratidão inicio, hoje, dia 24/09/94, precisamente às 6 (seis) horas e 21 (vinte e um) minutos a contar para o meu querido filho (porque as bênçãos do Senhor Eterno e Pai Celestial são tão numerosas...). Sim, tudo que puder contar, porque não sou daqueles que ficam aguardando a segunda bênção, pois são tantas, que se tornam impossíveis de ser mensuradas. 
         Quero fazer ressaltar nesses meus escritos o desejo de testemunhar do meu Senhor e Salvador, Jesus Cristo,  que me reconciliou com o Pai Celestial e me ensinou a amâ-lo com toda a minha alma, entendimento e força, e me fez sua testemunha. Sempre apreciei e admirei a escritura do Profeta Isaías 43,10: "Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e o meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais e entendais que eu sou o mesmo; antes de mim Deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá." E não posso interromper por aqui a Santa palavra do Senhor amado, e com a devida vênia transcreverei a escritura de Isaías 43, além do verso 10 (dez) até o verso 13, e assim continua o Eterno a falar: "Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador. Eu anuncie, e eu salvei, e eu o mostrei, e Deus estranho não houve entre vós; portanto vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor. Eu sou Deus; também de hoje em diante, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?".
          Não estou escrevendo autobiografia. Nem teria condições para tal. São apenas alguns dados de minha pessoa de servo do Deus Eterno, que quero deixar para o meu filho Cid Mauro,  a seu pedido. Possivelmente ele viu, com a inteligência que o Eterno lhe deu e como pastor e professor que é, queria escrever algo mais tarde sobre seu pai, que serviu de veículo do Pai Celestial para trazê-lo a este mundo! Há uma palavra de nossa língua portuguesa que sintetiza tudo o que quero dizer: GRATIDÃO! Profunda gratidão ao Senhor da Glória que fez por mim tudo que tentarei relatar ao meu filho Cid Mauro.

Onde mesmo?

Primeiro dia
    Eu, por exemplo, já passei por 62 viradas de ano.  Evidentemente, das primeiras delas não me lembro. Aliás, as tantas outras também não anotei uma a uma.
    Se eu me debruçar agora, serão detalhes e retalhos. Se bem que, ainda me lembro deste traço da infância, com retalhos bem se faz uma colcha. 
    Mas não quero abordar aqui pedaços de lembranças. Mas sobre o que é igual e diferente nas viradas de ano. Inegável que são momentos emocionantes. 
    E tirante os excessos, a alegria contagiante é franca e plenamente legítima. Jesus, um natural e espontâneo festeiro, fico imaginando, que dificuldade teria para ajustar sua agenda nesses dias.
     O ser humano tem essa profunda necessidade de marcar essas datas com festa, símbolo que são de renovação em suas vidas. Confraternização, gastronomia, música, os fogos de artifício. 
     Mas o que e de que modo, verdadeiramente, vai se renovar? Nós evangélicos costumamos reivindicar uma certa capacidade, à frente dos demais mortais, de perceber e valorizar determinados aspectos da existência. 
    Por exemplo eu, desde pequeno nessa crença, ouvi muitas vezes: "só o crente sabe o que é verdadeira felicidade"; "só o crente sabe o que é verdadeira liberdade, diferente de libertinagem"; "o crente não tem vício: não bebe, não fuma, não transa com a mulher do vizinho" etc.
    Como se o evangelho, conforme a Bíblia o apresenta e como devesse ser entendido se resumisse nesse ser ou não ser desses modos de ser acima, entre outros de natureza semelhante ou mesmo método de conduta. Há quem proceda assim, autointitulando-se ateu.
   Por isso especificamente nesta virada de ano, nesse começo da segunda década do século XXI chega-se a um impasse: despersonalização do que significa "ser crente", tremendo aumento dos "desigrejados", um vexame da marca "evangélico" na mídia média e um grupo de "heróis da resistência" tentando manter a identidade dessa coisa toda dentro das igrejas em crise. 
    Feliz Ano Velho, diz um livro do filho do engenheiro civil e político Rubens Paiva, Marcelo Rubens Paiva. Depois, largando este texto, pesquise sobre a vida dos dois, fundamentalmente lendo esse livro. Aqui desejo usar o seu título, apenas.
    Se Deus existe e você que lê este texto acredita nisso, precisa dar voz a Ele. Porque se Deus existe e é mudo, sem, ao menos, falar Libras, Deus de nada adianta. Mas, se Deus fala, Deus renova. "Farei novas todas as coisas", disse Isaías, um profeta, em nome dEle. 
    Mas como saber que Ele fala? Qual a voz que, sem equívocos, é a Sua? Será a voz das religiões? Talvez. Já foram razão de guerras, genocídios, perseguições, discriminações, fanatismos, fundamentalismos, enfim. Religiosos, mais ainda, "autoridades religiosas", adiantaram-se nas acusações a Jesus e depois não admitiram tê-lo matado. 
    Deus fala pela Bíblia? Também já foi mal usada, quando imposta ou mesmo rejeitada sem motivos. Não é livro nem cristão e nem judeu, embora dela, a pretexto, a humanidade tenha inventado tanto o cristianismo quanto o judaísmo. 
   A humanidade é prodigiosa em inventar religiões. Será que Deus fala pela natureza? Vamos ouvir nela Sua voz ou vamos seguir a ideia "científica" do acaso? A sopa oceânica primordial, em constante mutação, atingida por fenômenos meteorológicos, provocou o surgimento ocasional da primeira molécula. 
    Como dizia Ariano Suassuna, um dia, a molécula disse: "Vou virar célula". Afinal, como localizar a voz de Deus? Será que ele fala no íntimo? Você só pode negar a fé de uma só pessoa: a sua própria. Pode até formar a mesma parceria com outros que não creem. 
    A fé do ateu também é fé. Diferente da outra. Os que creem que Deus existe, também têm seus parceiros de fé. São duas igrejas, com doutrinas diferentes: aquelas dos que têm fé em Deus e a dos que têm fé em não Deus. Cada qual com seus argumentos. Ateísmo, mais um -ismo, não escapa de ser mais uma religião.
      Se Deus existe, para Ele, tudo verdadeiramente, renova-se. Acima, o grupo de "heróis da resistência", ainda dentro das igrejas em crise, creem nesse tipo de Deus. Jesus, certa vez,  perguntou-se se, em seu retorno à terra, encontraria, ainda, fé (aqui, a dos que creem no Deus).
    Quem sabe, quem sabe...
    Deus renova. Ele não precisa de ser renovado. Nós é que precisamos. Caminhamos para a morte. Mais dia, menos dia. Mais ano, menos ano. Eu sinceramente espero que, daqui a um ano, 1° de janeiro de 2021, eu esteja podendo escrever no meu novo modelo de smarth e você esteja aqui lendo. 
   Comecei este ano desejando renovar-me. Não preciso renovar Deus. Ele se renova por Si mesmo. Sua imutabilidade não significa que seja avesso ao novo. Mas busque ouvir sua voz. Para não inventar "Deus". Para não inventar outra religião. Ora, escolha uma dessas que estão por aí.
   Mas cuidado para não fanatizar-se, saindo por aí, falando "em nome de Deus", sem nunca tendo-O ouvido. Mas, onde está mesmo a voz de Deus?