Judas de Queriote
Judas, o outro, sim, porque eram dois. Chamado Iscariotes, para distinguir do seu homônimo, igual no nome, mas tão diferente deste.
Esse título pode significar ish Queriote, ou seja, homem de Queriote, sua vila de origem. Porém, pela má fama que herdou, pelo equívoco da escolha em negar Jesus, não é justo transferi-la ao lugar.
Todos somos Judas, até optar por Jesus. Traidores de nossa origem somos todos nós. Portanto, ao lembrar Judas, lamentamos sua escolha errada, mas o que nos diferencia dele é termos acolhido a escolha de Jesus por nós.
Jesus não escolheu errado o Judas de Queriote. Porque Jesus escolhe a todos, sem exceção. Ele que não escolheu Jesus. E não foi porque pesava sobre ele maldição. Não.
A maldição pesa sobre todos nós. Jesus, que se fez maldição em nosso lugar, uma vez tendo optado por ser salvos por Ele, herdamos Sua bênção. Judas desprezou, para si, essa bênção. A maior bênção, primeira de todas as outras, a salvação do pecado.
Jesus lhe deu todas as chances. Nem precisava João ter denunciado, indignado, em seu Evangelho, que Judas metia, literalmente, a mão na bolsa. Perguntaríamos, ora, por que Jesus não pôs na tesouraria o fiscal de renda Mateus?
Jesus não faz as escolhas que fazemos, do que avaliamos ser prioridade. Nós é que devemos fazer as escolhas dEle. Jesus amou Judas, este Judas, todo o tempo. Não foi jogo para a torcida, hipocrisia de ocasião Jesus, na última Páscoa, primeira Santa Ceia, dar a Judas o primeiro pedaço de pão.
Foi gesto de amor. E Judas não estava e não foi predestinado a trair. Aliás, é chamado "filho da perdição" não por isso: mas porque não houve arrependimento. Ainda quando Jesus lhe denuncia, no momento do beijo traidor, não se sensibilizou: trancou-se para a ação do Espírito.
Mesmo assim, até suicidar-se, antes deste gesto, haveria salvação. O Evangelho narra que Tomé chega atrasado ao encontro com Jesus ressurreto. Ora, caso Judas não lançasse mão de sua vida e chegasse, para buscar arrependimento, ainda depois de Tomé, haveria plena alegria e salvação.
Jesus ama todo o tempo. Jesus concede todas as chances. Traidores somos todos nós, até que o arrependimento, a "tristeza segundo Deus", como diz o apóstolo Paulo, alcança-nos. Sejamos a ela receptivos porque, de nós mesmos, não produzimos essa tristeza.
O remorso de Judas, a tristeza do mundo, produz morte. Judas nos ensina que nunca se pode negar o que Jesus oferece. Como Ele mesmo afirmou, todos os discípulos foram peneirados por Satanás, mas somente Judas deixou-se subverter. Serve-nos de advertência.
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