terça-feira, 7 de julho de 2026

A Rainha D. Maria Amélia


 Em 1945, a Rainha Dona Maria Amélia regressou a Portugal pela primeira vez desde o exílio de 1910, na sequência de um convite formulado por António de Oliveira Salazar. Aos 80 anos de idade, a antiga soberana percorreu de comboio o trajeto até Lisboa, evocando a viagem realizada 59 anos antes, quando chegara ao país para contrair matrimónio com o Rei D. Carlos. Durante essa viagem, conservava consigo o colar de 661 pérolas oferecido pelo monarca, uma das mais simbólicas recordações da sua vida em Portugal.

À chegada à capital, desembarcou deliberadamente com o pé direito, num gesto de forte significado pessoal e simbólico. No encontro com Salazar, descreveu-o como correspondendo à imagem que dele formara: um homem austero, reservado, de traços vincados, nariz aquilino, gestos contidos e discurso sóbrio.

No decurso da visita, deslocou-se ao Palácio Nacional da Pena, em Sintra, mas o itinerário excluiu propositadamente Vila Viçosa e a Igreja de São Domingos, em Lisboa, onde se realizara o seu casamento real. A decisão do Governo inseria-se na preocupação de evitar quaisquer manifestações que pudessem ser interpretadas como uma evocação pública ou um incentivo à restauração da Monarquia, preservando o enquadramento político do Estado Novo.

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