sexta-feira, 5 de junho de 2026

O 𝒒𝒖𝒆 𝒗𝒐cê 𝒔𝒂𝒃𝒆 𝒔𝒐𝒃𝒓𝒆 𝒐 𝑴𝒊𝒏𝒉𝒐𝒄ã𝒐 𝒅𝒂 𝑮á𝒗𝒆𝒂❓

Conjunto Residencial Marquês de São Vicente, na Gávea, mais conhecido como Minhocão, foi projetado, na década de 1950, pelo arquiteto e urbanista Affonso Eduardo Reidy (1909-1964).

Na década de 1940, a remoção de algumas favelas do Centro do Rio deu origem ao Parque Proletário da Gávea, formado por barracões em frente à PUC-Rio, que, no início dos anos 1950, já estavam totalmente deteriorados e em péssimas condições sanitárias.

O Conjunto Residencial foi projetado para essa comunidade com cerca de cinco mil pessoas. Mais aí começaram as discussões políticas e o empreendimento foi atrasado e alterado.

 𝙊 𝙥𝙧𝙤𝙟𝙚𝙩𝙤 𝙤𝙧𝙞𝙜𝙞𝙣𝙖𝙡 𝙙𝙚 𝙍𝙚𝙞𝙙𝙮 𝙥𝙧𝙚𝙫𝙞𝙖 𝙖 𝙘𝙤𝙣𝙨𝙩𝙧𝙪çã𝙤 𝙙𝙚 748 𝙖𝙥𝙖𝙧𝙩𝙖𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤𝙨, 𝙘𝙧𝙚𝙘𝙝𝙚, 𝙚𝙨𝙘𝙤𝙡𝙖 𝙥𝙧𝙞𝙢𝙖á𝙧𝙞𝙖 𝙚 𝙨𝙚𝙘𝙪𝙣𝙙𝙖á𝙧𝙞𝙖, 𝙥𝙡𝙖𝙮𝙜𝙧𝙤𝙪𝙣𝙙, 𝙢𝙚𝙧𝙘𝙖𝙙𝙤, 𝙡𝙖𝙫𝙖𝙣𝙙𝙚𝙧𝙞𝙖, 𝙥𝙤𝙨𝙩𝙤 𝙙𝙚 𝙨𝙖ú𝙙𝙚, 𝙞𝙜𝙧𝙚𝙟𝙖, 𝙩𝙚𝙖𝙩𝙧𝙤, 𝙘𝙖𝙢𝙥𝙤𝙨 𝙙𝙚 𝙚𝙨𝙥𝙤𝙧𝙩𝙚𝙨, 𝙖𝙙𝙢𝙞𝙣𝙞𝙨𝙩𝙧𝙖çã𝙤 𝙚 𝙪𝙢 𝙙𝙚𝙥𝙖𝙧𝙩𝙖𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤 𝙙𝙚 𝙨𝙚𝙧𝙫𝙞ç𝙤 𝙨𝙤𝙘𝙞𝙖𝙡.

Só o bloco principal, as lavanderias e o posto de saúde efetivamente foram construídos. Os demais sete blocos nunca saíram do papel.

Se não bastasse só o prédio sinuoso de Reidy ter sido erguido, a Prefeitura do Rio ainda demoliu parte de dois andares e cerca de 30 janelas para a construção do principal elo entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca, a Autoestrada Lagoa-Barra, inaugurada em 1982.

O fluxo diário de veículos dessa via é de, aproximadamente, 80 mil veículos. Isso causa um barulho constante aos moradores, além de poluição e sujeira provocadas pela queima de combustível dos veículos. O conjunto atualmente possui 308 apartamentos, distribuídos em oito andares (sem elevadores) e cerca de 1.500 moradores.

Nos primeiros andares, ficam pequenos apartamentos com sala, banheiro e uma pequena cozinha. Variam de 25 m² a 30 m². Os dúplex, instalados no quarto e no sexto andares, medem em torno de 45 m² e contam com dois quartos. Muitos alunos da vizinha PUC-Rio alugam apartamentos ou vagas no famoso Minhocão.

__ Todos os meus livros disponíveis em e-book na AMAZON e impresso na Editora UICLAP.
__ Membros Amazon Prime têm acesso aos meus livros no “Prime Reading”, um catálogo de e-books que já está incluído gratuitamente na assinatura PRIME.

#carlosacoelho


Queima de arquivo

 

O jornalista e fotógrafo sírio-libanês Benjamin Abrahão Botto foi assassinado em 7 de maio de 1938 com 42 facadas na vila de Pau Ferro, no município de Águas Belas (região que hoje pertence a Itaíba), em Pernambuco.

Ele ficou famoso mundialmente por conseguir a confiança de Virgulino Ferreira da Silva e registrar as únicas imagens em movimento de Lampião e seu bando. O crime permanece oficialmente sem solução, mas as principais motivações e a forma como ocorreu a sua morte são detalhadas a seguir. Por que mataram Benjamin Abrahão?

A real motivação do crime nunca foi totalmente esclarecida pelas autoridades da época, mas historiadores trabalham com três hipóteses principais: queima de arquivo político, essa é a tese mais aceita por pesquisadores.

Abrahão conviveu intimamente com o bando e acumulou informações perigosas sobre a rede de "coiteiros" (protetores de Lampião), que incluía coronéis latifundiários, juízes e políticos influentes do Nordeste. 

Sob a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, o cangaço precisava ser erradicado, e o silenciamento do jornalista interessava a muitas figuras do poder. Outra tese seria latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte.

A versão oficial, apresentada na época, sugeria que ele teria sido assaltado por criminosos comuns, interessados em seu dinheiro e equipamentos fotográficos dispendiosos.

E ainda um crime passional: registros locais também levantaram a hipótese de uma vingança ou desentendimento de cunho amoroso, naquela região sertaneja, embora com menos força investigativa. Como foi a sua morte?

A execução de Benjamin Abrahão foi extremamente violenta e cheia de marcas de crueldade. Houve uma emboscada, na noite de 7 de maio de 1938, quando Abrahão estava no vilarejo de Pau Ferro. Ele foi surpreendido em um local escuro, por um ou mais agressores, que não lhe deram chance de defesa.

Foi um ataque a facadas, sendo golpeado 42 vezes, com arma branca (punhal ou faca de peixeira), sofrendo perfurações por todo o corpo. O número excessivo de golpes reforça o caráter de execução ou crime de ódio, típico das queimas de arquivo da época.

Instaurou-se um clima de medo. O pânico gerado pelo crime e o envolvimento de forças ocultas eram tão grandes que, no dia de sua missa de sétimo dia, apenas o padre celebrante compareceu à igreja, evidenciando o medo de represálias que rondava a morte do jornalista.

Apenas dois meses após o assassinato de Benjamin Abrahão, em julho de 1938, as forças policiais finalmente localizaram e mataram Lampião e Maria Bonita, na Grota do Angico, fechando o ciclo do cangaço no Nordeste. Seria, então, confirmada a suspeita em relação a ele? Nunca se saberá. 

#Historiagervasio

@destacar 🥺🥺🥺



Aprendizados agrícolas no Acre

 

Estes dois registros são de abril de 1930, portanto, foram capturados há 96 anos. Mostram alunos do Aprendizado Agrícola em Rio Branco. No primeiro, aparecem de uniforme e perfilados, olhando para a lente do fotógrafo desconhecido; no segundo, estão com três adultos, preparando a terra perto de um plantio de cana.

Os Aprendizados Agrícolas Federais começaram a ser criados e instalados a partir de 1910, em diferentes regiões do Brasil, com a finalidade de oferecer ensino primário associado à formação profissional no campo.

Destinavam-se, preferencialmente, aos filhos de trabalhadores rurais interessados em aprender os diversos serviços agropecuários, conforme as práticas agronômicas consideradas modernas naquele período. Essas instituições permaneceram em funcionamento até 1947.

No Acre, a iniciativa teve antecedentes importantes. Segundo publicação do jornal Folha do Acre, de 10 de fevereiro de 1923, o governo do Território ofereceu o Campo de Experiências de Rio Branco para a instalação de um Patronato Agrícola. Ainda em 1923, foi criado o Patronato Agrícola Rio Branco, no Território do Acre. No entanto, ao final do ano seguinte, a instituição acabou sendo transferida para São Bento das Lages, na Bahia.

A fotografia preserva, portanto, um raro testemunho da presença, ainda nas primeiras décadas do século XX, de experiências voltadas à educação rural e à formação agrícola na capital acreana.


INFORMAÇÃO SOBRE IA ⎯ Imagem histórica originalmente em preto e branco, colorizada com auxílio de inteligência artificial, com preservação da composição original, para fins de valorização visual e difusão da memória histórica.


Num Dia da Independência, no final da década de 1920, crianças em frente ao antigo casarão de madeira que serviu como sede administrativa do governo do Território Federal do Acre, no mesmo local onde foi construído o Palácio Rio Branco. Era a residência oficial dos governadores.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Rio Branco: paisagem urbana antiga

 Estas seis imagens, capturadas na manhã de 7 de setembro de 1928, completarão, no próximo Dia da Independência, 98 anos de existência.

Mais do que registros de uma solenidade cívica, elas constituem documentos preciosos da memória acreana: revelam a transformação da paisagem urbana de Rio Branco e, sobretudo, testemunham o sentimento patriótico de um povo cuja própria história é marcada pela luta para ser brasileiro.

As fotografias mostram estudantes, autoridades civis, militares e eclesiásticas reunidos na Rua Benjamin Constant, em frente ao Palácio do Governo, quando o Acre ainda era Território Federal e tinha como governador Hugo Ribeiro Carneiro.


Naquele cenário, entre pavilhões, fardas, trajes brancos, bandeiras e formações escolares, o civismo não era apenas rito protocolar. Era afirmação de pertencimento nacional.

Foto 1: No pavilhão erguido em frente ao Palácio do Governo, autoridades e o governador Hugo Carneiro acompanham o desfile da Força Policial do Território Federal do Acre e a parada infantil das escolas públicas.


Foto 2: Alunas das escolas territoriais participam das comemorações cívicas diante do Palácio do Governo, compondo uma cena que expressa disciplina, solenidade e espírito público.


Foto 3: Uma companhia da Força Policial do Território Federal do Acre, comandada pelo major Djalma Dias Ribeiro, aguarda a chegada do governador Hugo Carneiro para o início da cerimônia oficial.


Foto 4: Em outro ângulo, vê-se o pavilhão oficial montado diante do Palácio do Governo, onde se encontravam autoridades e o governador Hugo Carneiro, acompanhando a programação do 7 de Setembro.


Fotos 5 e 6: Dezenas de alunos das escolas territoriais e municipais da capital acreana se preparam para tomar parte no desfile em comemoração ao Dia da Independência do Brasil.


Quase um século depois, essas imagens permanecem como testemunho de uma época em que a capital acreana ainda tinha feições modestas, ruas abertas em chão batido e uma paisagem urbana em formação.

Mas, acima de tudo, preservam a imagem de um povo que celebrava o Brasil com a autoridade moral de quem lutou, sofreu e se afirmou brasileiro por vontade histórica, por decisão coletiva e por sentimento de pátria.

INFORMAÇÃO SOBRE IA ⎯ Imagem histórica originalmente em preto e branco, colorizada com auxílio de inteligência artificial, com preservação da composição original, para fins de valorização visual e difusão da memória histórica.

domingo, 31 de maio de 2026

Cumeeira do Quartel da Polícia Territorial

 

Estas três imagens foram capturadas há mais de 97 anos, em 17 de março de 1929, data que pode ser inscrita entre os momentos simbólicos da formação institucional do Acre. Naquele dia, o então governador Hugo Ribeiro Carneiro, acompanhado do comandante da Força Policial, capitão Adolpho Soares, autoridades e populares, participou da festa de levantamento da cumeeira do novo quartel da Força Policial do então Território Federal do Acre.

O registro não documenta apenas uma cerimônia. Ele fixa, em imagem, uma etapa do amplo esforço de modernização administrativa, urbana e arquitetônica empreendido por Hugo Carneiro entre 15 de junho de 1927 e 3 de dezembro de 1930. Paraense, advogado, engenheiro e político, Carneiro governou o Acre no período final da Primeira República e imprimiu à antiga capital territorial uma feição mais sólida, institucional e republicana.


Sua gestão ficou marcada por um programa de obras públicas de grande ambição para a época, sobretudo pela construção de prédios de alvenaria em uma cidade ainda dominada por edificações precárias, de madeira, paxiúba e palha. Entre essas realizações, destacam-se o início da construção do Palácio Rio Branco, a edificação do novo quartel da Força Policial, obras administrativas e urbanas que procuravam dotar o território de estrutura compatível com sua importância estratégica na Amazônia brasileira. Estudos sobre o período apontam o governo Hugo Carneiro como expressão de um projeto modernizador para o Acre territorial, especialmente em Rio Branco.

O novo quartel da Força Policial, cuja cumeeira se levantava solenemente naquele 17 de março de 1929, integrava esse ciclo de transformações. Era mais que uma obra militar: representava a tentativa de afirmar a presença do Estado, organizar a segurança pública, disciplinar a vida administrativa e conferir monumentalidade às instituições do então Território Federal.

Hugo Ribeiro Carneiro nasceu em Belém, em 1889, e morreu em 1979. Antes de governar o Acre, atuou como juiz municipal e juiz de direito em Tarauacá; depois, foi nomeado governador do território pelo presidente Washington Luís. Com a Revolução de 1930, deixou o cargo e passou a dedicar-se à iniciativa privada.

Quase um século depois, as imagens preservam a memória de uma fase decisiva da história acreana: o momento em que Rio Branco começava a ganhar, tijolo por tijolo, a fisionomia urbana e institucional que marcaria o século XX.


INFORMAÇÃO SOBRE IA ⎯ Imagem histórica originalmente em preto e branco, colorizada com auxílio de inteligência artificial, com preservação da composição original, para fins de valorização visual e difusão da memória histórica.


sábado, 30 de maio de 2026

A (in)capacidade de Deus, a história de Jonas, o método e o fracasso.

 Definitivamente, por que método for, (desa)creditar o Livro não tem meios termos. Ou se acredita na capacidade do Deus bíblico mudar as regras do que o "século das luzes" chama ciência, ou assuma-se: os ateus, literalmente, têm razão.

   Sugiro assistir "Mar em Fúria" (2000). Refere-se a um fato real, do que se chama, naquela região do globo, por uma conjunção de fatores, uma "tempestade perfeita".

  Previno que não vai se deleitar com os efeitos especiais cinematográficos mais recentes, afinal, 2000 foi o último ano do 2⁰ milênio, estávamos ainda no século passado.

   Mas haverá o deleite de imaginar uma tempestade no mar, assistindo à luta de uma tripulação que não retornou viva.  No link abaixo, no final do texto, intere-se da história completa.

   Tudo isso para (desa)creditar Jonas. Aliás, ontem faleceu Edgar Morin, 104 anos, perdoem minha ignorância, soube de sua ênfase, como filósofo, lendo um texto da net sobre ele. 8 volumes sobre o método. Para ele, fundamental.

   E não escondo que, quando li que ele foi ateu e que era grato ao seu pai por isso, o pai não lhe foi proselitista, embora toda a família de tradição judaica, eu também sou grato ao meu, mas ao inverso dele: meu pai me falou sobre Deus.

   Aliás, ouvi dele, pela primeira vez, a história de Jonas.  Talvez também descreva uma tempestade perfeita. E um peixe, em meio a uma tempestade perfeita, não afunda ou, se afunda, navega profundezas, sem nenhum problema de pressão, como os vitimados pelo Titan, da OceanGate.

   Então a história de Jonas descreve a providência perfeita, em meio à tempestade perfeita. Mas eu continuo afirmando: você não precisa, como eu, acreditar que o livrinho de Jonas, ipsis  litteris, descreve uma história factível.  Mas recomendo que, em meio ao (des)crédito deste e de demais outros milagres bíblicos, pelo menos creia no defunto ressuscitado ao terceiro dia: Jesus.

   Foi uma Madalena que trouxe essa notícia. Assim dizem os Evangelhos que, na verdade, são um verdadeiro campo minado: aqui, ali é acolá precisa-se caminhar com (muito) cuidado.  De novo o método.  Nunca se sabe se palavras de Jesus foram mesmo ditas por ele ou se milagres foram mesmo, digamos, factíveis.

   Sejam cuidadosos. Para mim, não vale a recomendação. Sou um leitor relaxado. Não que despreze o método. Só não acredito nos resultados apontados por ele. Fico com a declaração, que não se sabe se saiu da boca de Pedro, escrita no livro de Atos, que não se sabe se Lucas escreveu. Siga o método.

²² "Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis". Atos 2.

  Para mim, o galileu continua sendo "varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis". 1. Aprovado por Deus; 2. Diante de vós (nós) com milagres; 3. Os quais o próprio Deus realizou; 4. Por intermédio dele; 5. Entre vós (nós) como vós (nós) mesmos (não) sabeis. Ipsis litteris.

   Não sei se me lembrava de Morin. Pelo pouco que li sobre ele, desde, e talvez principalmente, por sua história de resistência ao nazi-fascismo, a sua longa, operante e frutuosa história acadêmica, surpreendi-me com ele. E não nego que, por ter lido sua confissão de fé ateia - ele mesmo afirma: "O ateu deve descobrir sua crença, seu fundamento irracionalizável, e negociar com ela" - foi que decidi escrever esta breve blog-crônica.

    Pelo fato de ser profundamente provinciano, admiro os ateus, em sua plena (in)capacidade por negar a existência de Deus. E os crentes, por sua profunda (in)capacidade por afirmar a existência de Deus.

   Mas pode haver uma razão, para usar o termo, dessa absoluta vontade humana de negar a Deus, caso exista, a capacidade de um peixe engolir um profeta para o sobreviver numa tempestade perfeita. Ou de negar quaisquer outros milagres. 

   Reside no fracasso humano de ser bom. A mitologia de Deus é a mitologia do bem supremo (e aqui, seria Kant?). Deus viu tudo o que havia feito e eis que era muito bom. Nem imaginando Deus como bem supremo tornou bom o ser humano.  Aliás, o que torna bom o ser humano?

  Ainda há quem diga que, para consertar os maiores crimes da humanidade, só há um jeito: cometer um crime ainda maior. Poderá ser que a redenção (descartada, aqui, a cruz) esteja num crime ainda maior de ser cometido. Porque há os que sonham com crimes sublimes e redentores (talvez, René Girard explique isso). De uma vez nega-se o bem, pelo fracasso humano em realizar, e dignifica-se o crime. 

   Deus não existe. Deus não realiza milagre. Aliás, Deus não realiza nada. E o homem (das mulheres, não se sabe, porque têm poucas chances) é um fracasso. 

Tempestade perfeita:

quinta-feira, 28 de maio de 2026

OS SOLDADOS DA BORRACHA

 Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de jovens nordestinos foram arregimentados pelo Estado brasileiro para uma das mais duras frentes do esforço de guerra: a Amazônia.

Chamados a substituir a borracha asiática, então bloqueada pelo avanço japonês no Pacífico, esses homens deixaram o sertão sob farta promessa de trabalho, salário e futuro.


Em Fortaleza, muitos passaram por centros de preparação e triagem antes de seguir viagem rumo ao Norte, numa travessia longa, extenuante e cheia de incertezas.



Para muitos, o destino final foi o Acre, onde se embrenharam nos seringais para cortar seringa e produzir o látex indispensável aos Aliados.


A aventura, vendida como missão patriótica, logo se revelou uma epopeia de abandono. Doenças tropicais, malária, isolamento, fome, acidentes, dívidas nos barracões e a dureza da floresta ceifaram milhares de vidas.



Foram chamados de soldados, mas raramente receberam o tratamento devido aos que serviram ao país. Deram sangue, juventude e vida à economia da guerra, mas o reconhecimento da União jamais esteve à altura do sacrifício imposto a essa legião de brasileiros.

A história dos Soldados da Borracha é parte essencial da memória do Acre e da Amazônia. Não é apenas uma página da guerra. É também uma denúncia contra o esquecimento.



INFORMAÇÃO SOBRE IA ⎯ Imagem histórica originalmente em preto e branco, colorizada com auxílio de inteligência artificial, com preservação da composição original, para fins de valorização visual e difusão da memória histórica.
Ver na net:

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Madureira chorou

 Zaquia Jorge nasceu em Silva Jardim em 6 de janeiro de 1924, foi uma vedete e atriz do teatro de revista brasileira.

Conhecida como a Estrela de Madureira e Vedete do subúrbio, em Madureira, tornou-se proprietária do único teatro de rebolado do subúrbio carioca, o Teatro de Revista Madureira

Zaquia Jorge foi uma figura emblemática da vida cultural do Rio de Janeiro dos anos 1940 e 1950. Trabalhou na célebre companhia de Walter Pinto, ascendeu no competitivo mundo das vedetes, contracenou com Dercy Gonçalves e Oscarito e fundou seu próprio teatro.

Desafiou o estigma de mulher desquitada, abriu mão da guarda do filho e retomou, após a separação, o nome de solteira –, uma atriz incomum e fora dos padrões, que alcançou o estrelato no teatro de revista, atuou no cinema brasileiro emergente e, posteriormente, decidiu ousar como empresária das artes, rompendo as fronteiras da eterna cidade partida.

Sua primeira participação em filme foi, Sob a Luz do meu Bairro filme da Atlântida em que também estavam Milton Carneiro, Humberto Catalano, Alma Flora entre outros, também fez Fantasma por Acaso, Caídos do Céu, Pinguinho de Gente, Aguenta Firme Isidoro com Zé Trindade e Violeta Ferraz e também A Baronesa Transviada com Dercy Gonçalves e Grande Otelo

Sua ascensão profissional foi interrompida quando ela, quando estava com as amigas na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 22 de abril de 1957, se afogou num banho até ficar inconsciente e morrer, com apenas 33 anos de idade. Ela morreu depois de gravar sua participação no filme A Baronesa Transviada, de Watson Macedo, lançado no mesmo ano.

Sua morte, pela grande repercussão causada entre os fãs da atriz, inspirou o samba "Madureira Chorou", de Carvalhinho e Júlio Monteiro, gravada por Joel de Almeida,[1] que se tornou um grande sucesso no Carnaval de 1958, pelo clima de comoção que expressou a música, e o carisma da atriz homenageada. Em 1975, foi homenageada pelo Império Serrano com o enredo "Zaquia Jorge, a Vedete do Subúrbio, Estrela de Madureira", cujo samba-enredo vencedor do concurso interno da escola de samba foi composto por Avarese.

Madureira Chorou

Ponte Metálica - Acre

 

PONTE METÁLICA | Registros das décadas de 1960 e 1970 mostram panorâmicas parciais do centro de Rio Branco, tendo como referência as imediações da Ponte Juscelino Kubitschek, até hoje conhecida popularmente como Ponte Metálica.

Na primeira imagem, vêem-se embarcações ancoradas nas duas margens do Rio Acre, compondo uma cena ainda marcada pela intensa presença da navegação fluvial na vida econômica e urbana da capital. Em outra, populares transitam pela cabeceira da ponte, no lado central da cidade, possivelmente sob o sol forte do meio-dia.

Erguida sobre o Rio Acre, a Ponte Juscelino Kubitschek tornou-se um dos principais elos entre os dois distritos históricos de Rio Branco, separados pelo curso do rio e unidos, durante décadas, por uma estrutura que passou a integrar a própria identidade visual da cidade.

Inaugurada na década de 1960, a ponte teve sua construção iniciada no governo de José Augusto de Araújo. Suas estruturas metálicas haviam sido adquiridas da Companhia Siderúrgica Nacional durante o governo de Valério Magalhães, em 1956, compondo uma das obras urbanas mais emblemáticas daquele período.

Outra imagem, uma panorâmica aérea possivelmente capturada na virada da década, revela as consequências do episódio ocorrido em 1978, quando a ponte foi gravemente comprometida pela queda de um de seus vãos. As primeiras obras de restauração tiveram início em agosto de 1984 e se estenderam por oito meses, até sua conclusão.

Na quarta imagem, aparece o início da construção da ponte, ainda em fase de implantação. Mais que uma obra de engenharia, a Ponte Metálica permaneceu inscrita na memória urbana de Rio Branco como marco de travessia, ligação e permanência histórica sobre o Rio Acre.

INFORMAÇÃO SOBRE IA ⎯ Imagem histórica originalmente em preto e branco, colorizada com auxílio de inteligência artificial, com preservação da composição original, para fins de valorização visual e difusão da memória histórica.

Ver na net:


Never forgotten - Jamais esquecido

 Em 11 de setembro de 2001, presa no 83o andar da Torre Sul, sem uma saída clara, ligou para o 112. Não só para pedir ajuda, mas para deixar uma última mensagem à mãe.

Melissa Cândida Doi tinha 32 anos. Vivia no Bronx com a mãe, trabalhava como alta administração numa empresa financeira do World Trade Center e, nos tempos livres, desfrutava de patinar no Central Park. Tinha uma vida comum, cheia de rotinas, sonhos e pequenos prazeres até aquela manhã.

Às 9:03, o segundo avião atingiu a Torre Sul. Melissa estava no 83o andar. O golpe atingiu a área onde trabalhava, e o fumo, o calor e o fogo começaram a encher o prédio. A saída ficou quase impossível.

Logo depois, Melissa ligou para o 112. Durante longos minutos, ficou na linha com uma operadora de emergência. Apesar do caos ao seu redor, sua voz tentava permanecer serena. Descreveu o calor insuportável, o fumo espesso e as chamas que se aproximam. Perguntou se a ajuda estava a caminho.

Mas naqueles minutos finais, Melissa começou a entender a verdade: talvez ninguém chegasse a tempo. E, em vez de deixar o medo ocupar tudo, escolheu algo profundamente humano.

Deu à operadora o nome e o telefone da mãe, Evelyn, e pediu-lhe que lhe transmitisse uma mensagem: que a amava, que era a melhor mãe do mundo e que a amava muito.

Essas foram algumas das suas últimas palavras conhecidas. Às 9:59, a Torre Sul desmoronou e Melissa, juntamente com centenas de pessoas presas acima da área de impacto, morreu.

Mas suas palavras sobreviveram. Em 2006, durante o julgamento de Zacarias Moussaoui, os promotores reproduziram chamadas feitas das torres. A voz de Melissa encheu a sala e lembrou, com uma força difícil de descrever, que por trás de cada número havia uma vida, uma família e um amor interrompido.

Na voz de Melissa, no seu último ato de amor, o mundo ouviu uma escolha humana imensa: enfrentar o final pensando em outra pessoa.

Faz muitos anos desde aquele dia. Memoriais foram levantados e a promessa de não esquecer foi repetida vezes sem conta. Tentamos dar sentido a uma perda que não faz sentido. Mas histórias como a da Melissa lembram que a memória não é só sobre tragédia, mas também sobre a humanidade.

Melissa pode ter passado seus últimos minutos consumida pelo terror. Em vez disso, pensou na sua mãe e quis garantir que o seu último ato fosse uma mensagem de amor.

Sua mãe, Evelyn Alderete, falou depois da filha com a mesma ternura que Melissa demonstrou nos seus momentos finais. Lembrou-se dela como uma mulher gentil, trabalhadora e profundamente unida à sua família. Uma filha que adorava alegrias simples: patinar, estar com seus entes queridos e viver uma vida boa e cotidiana.

Isso foi o que foi roubado no 11 de setembro: não apenas vidas, mas vidas lindas, únicas e insubstituíveis.

À medida que cada aniversário se aproxima, lembremos de Melissa não apenas como uma vítima, mas como alguém que, no seu momento mais sombrio, escolheu o amor acima do medo.

Lembremos das 2.977 pessoas que não voltaram para casa, cada uma com sua história, seus sonhos e seus entes queridos. Recordemos a última lição de Melissa, pronunciada enquanto o mundo desmoronava ao seu redor: que o amor permanece, mesmo diante da morte.

Melissa Cándida Doi eligió amar.

Que nunca esqueçamos sua voz. Que a gente nunca esqueça o seu valor. Que a gente nunca esqueça que, em um dos dias mais sombrios da humanidade, pessoas como a Melissa nos lembraram da luz mais alta que carregamos dentro de nós.

Nunca esquecer.

Fuente: Memorial e Museu Nacional de 11 de Setembro ("Atividades de Verão à Vista na Galeria de Exposições Memorial", sin fecha)

Ver na net:

Taquari e seu piloto

 

O 1º AVIÃO NO ACRE | No último 5 de maio, completaram-se 90 anos desde que um avião cruzou os céus do Acre e amerissou ⎯ isto é, pousou sobre as águas ⎯ no Rio Acre, precisamente no Estirão do Taquary, nas imediações do bairro XV, em Rio Branco.

Era um hidroplano Junkers, prefixo PP-CAP, pilotado pelo então capitão João Donato de Oliveira Filho, pai do músico João Donato e do poeta Lysias Enio. Donato, pioneiro da aviação acreana, chegou a ser proprietário de aeroclube e professor de aviação no Estado.


Em março de 2013, Lysias Enio revelou detalhes dessa aventura em meu blog, incluindo trechos do chamado “Diário de Bordo do Taquary”. O relato recompõe a travessia iniciada em Corumbá (MS), com escalas em São Luiz de Cáceres (MT), Forte Príncipe da Beira, Guajará-Mirim e Porto Velho, em Rondônia, e, finalmente, Rio Branco.

Naquele dia 5 de maio, apesar das notícias de mau tempo, a aeronave decolou às 11 horas com destino à capital acreana. Após duas horas e meia de voo, às 13h30 daquela terça-feira, realizava-se o acalentado ideal: o hidroplano surgia no horizonte, desvirginando os ares do céu acreano, para depois aquatizar no estirão do Bagé e deslizar até o porto do Aprendizado Agrícola.

Da aeronave desembarcaram o dr. Frederico Hoepken, técnico e engenheiro-chefe da expedição; Guido Klenat, piloto-mecânico; e Durval Barros, radiotelegrafista. Naquele momento, inscreviam-se na história da aviação do Acre os nomes de seus arrojados pioneiros.


Mais que uma façanha aérea, aquela amerissagem marcou a entrada simbólica do Acre em uma nova etapa de integração territorial, comunicação e modernidade.

INFORMAÇÃO SOBRE IA ⎯ Imagem histórica originalmente em preto e branco, colorizada com auxílio de inteligência artificial, com preservação da composição original, para fins de valorização visual e difusão da memória histórica.

Link para o artigo do Lysias Enio Oliveira: https://www.altinomachado.com.br/2013/03/a-cesar-o-que-e-de-cesar.html



Ver na net:

Maquinaria no Acre

 DIMENSÃO ÉPICA | Foi trabalhoso obter a colorização destas fotografias de 1908, que registram trabalhadores e máquinas das obras federais em Cruzeiro do Sul, sede do antigo Departamento do Alto Juruá, no então Território Federal do Acre.

As imagens, de rara beleza documental, revelam não apenas a presença de engenheiros, chefes mecânicos, contramestres e operários, mas também de crianças e adolescentes na condição de aprendizes — uma realidade social do início do século XX, quando o trabalho infantil ainda era permitido e naturalizado no Brasil.

Durante o processo de colorização, quase todas as imagens foram recusadas inicialmente pela inteligência artificial, que alertava para possível violação de diretrizes relacionadas à representação de crianças e adolescentes. Era necessário esclarecer, a cada tentativa, que se tratava de fotografias históricas, feitas em 1908, durante o governo do presidente Afonso Pena, em contexto no qual a presença de menores em oficinas, serrarias e frentes de trabalho fazia parte da organização laboral da época.


Essas fotografias integram o conjunto das obras federais executadas no período em que comitivas de engenheiros e técnicos foram enviadas a diversas regiões do país. Em Cruzeiro do Sul, aparecem guincho a vapor, máquina de fabricar tijolos, serra, torno a vapor, furadeira, plaina grande, máquina de cortar ferro, motor e outros equipamentos industriais que ajudavam a materializar o projeto de integração e modernização nacional.

O impacto histórico dessas imagens se amplia quando imaginamos a proeza logística necessária para fazer chegar tais máquinas ao Alto Juruá, uma das regiões mais isoladas do Brasil, no extremo oeste do país. Equipamentos pesados, provavelmente remetidos do Rio de Janeiro ou de São Paulo, precisaram vencer longas distâncias, rios, transbordos e dificuldades extremas até alcançar Cruzeiro do Sul.

Registros de uma época em que o Estado brasileiro tentava afirmar sua presença nos confins da Amazônia. Guardam a beleza dura do trabalho, a infância exposta a ofícios precoces e a dimensão épica de uma engenharia que, em plena floresta, buscava ligar o Acre ao restante do país.

INFORMAÇÃO SOBRE IA | Imagem histórica originalmente em preto e branco, colorizada com auxílio de inteligência artificial, com preservação da composição original, para fins de valorização visual e difusão da memória histórica.


Ver na net:

domingo, 24 de maio de 2026

Videira e sua produção

 

Pra videira produzir com excelência — cacho bonito, brix alto e planta sadia por anos — você tem que pensar em 4 pilares: *solo, poda, manejo verde e sanidade*. Se um falhar, a safra despenca.

*1. Solo e nutrição: a base de tudo*

A videira é rústica, mas pra produzir bem ela é faminta por equilíbrio.

1./**Elemento**/ 2./**Por quê importa**/ 2./**Cuidado essencial**/

1./**pH**/ 2./Videira trava com solo ácido/ 3./Manter entre 5,5 e 6,5. Corrigir com calcário 3 meses antes do plantio/

1./**Matéria orgânica**/ 2./Retém água e libera N devagar/ 3./20-40 t/ha de composto/esterco curtido por ano/

1./**Potássio (K)**/ 2./Qualidade do fruto, açúcar, cor/ 3./É o mais exigido. Fazer análise foliar na floração pra ajustar/

1./**Boro e Zinco**/ 2./Pegamento e polinização/ 3./Deficiência = cacho com “chocolate”, falha. Aplicar via foliar pré-florada/

1./**Água**/ 2./Estresse define o vinho/ 3./Déficit hídrico controlado na maturação aumenta qualidade. Excesso na brotação = doença/

Regra: *videira prefere passar “fome” leve do que banquete*. Excesso de N dá folha bonita e uva aguada.

*2. Poda: onde você decide a produção*

90% da qualidade sai na tesoura. Existem 2 podas:

1. *Poda de inverno/seca*: Define quantas gemas = quantos cachos.  

   - *Poda curta/espóro*: 2-3 gemas. Pra vinho fino, baixa produção, alta qualidade. Syrah, Cabernet.  

   - *Poda longa/vara*: 6-12 gemas. Pra uva de mesa, mais cacho. Niágara, Itália.  

   Erro comum: deixar carga alta. A planta não “aguenta” e o fruto não matura direito.

2. *Poda verde/verão*: Ajuste fino durante o ciclo.  

   - *Desbrota*: tira broto ladrão que rouba energia  

   - *Desfolha*: tira folha ao redor do cacho na maturação. + Sol = + cor e - fungo  

   - *Desponte*: corta ponta do ramo pra jogar energia pro cacho  

   - *Raleio de cacho*: tira 30-50% dos cachos. Dói no bolso, mas salva a safra. 1 ramo = 1 a 2 cachos no máximo pra vinho.

3. Condução e manejo verde: sol e vento no lugar certo**

A videira precisa de sol no cacho e vento na folha.  

- *Sistema*: Latada pra uva de mesa/sombra. Espaldeira pra vinho/qualidade. Espaldeira expõe mais o cacho.  

- *Orientação*: Fileiras Norte-Sul pegam sol dos dois lados.  

- *Cobertura verde*: Deixar mato baixo na entrelinha. Segura erosão, compete por água e força a raiz a ir fundo.

*4. Sanidade: doença acaba com 1 ano de trabalho em 1 semana*

Videira tem 3 inimigos principais no Brasil:

1. *Míldio*: Mata em clima úmido/quente. Entra na folha nova.  

   *Controle*: Calda bordalesa preventiva, cobre, desfolha pra ventilar. Depois que entrou, só sistêmico salva.

2. *Oídio*: Pó branco. Gosta de tempo seco e abafado. Racha a baga.  

   *Controle*: Enxofre molhável na brotação. Desfolha ajuda muito.

3. *Podridões do cacho*: Botrytis. Ataca na maturação com chuva.  

   *Controle*: Raleio, desfolha, cacho solto. Não adubar com N tarde.

*Manejo Integrado*: Aplicar cobre + enxofre na fase certa custa centavos e evita veneno pesado depois.

*5. Cronograma resumido do ano*

1. *Inverno*: Poda seca + aplicação de calda sulfocálcica pra limpar. Calagem se preciso.

2. *Brotação*: Cobre contra míldio. Adubação NPK. Desbrota.

3. *Pré-florada*: Boro e Zinco foliar. Risco alto de míldio.

4. *Frutificação/Chumbinho*: Raleio de cacho. NUNCA mais aplicar N em excesso.

5. *Maturação*: Desfolha. Corta água se possível. Monitora brix.

6. *Pós-colheita*: Adubação de restituição + K. Planta precisa guardar reserva pra brotar forte ano que vem.

*Regra de ouro da videira de excelência*: “Uva boa nasce de videira que sofre um pouco”. Carga controlada + leve estresse hídrico na maturação = açúcar, aroma e cor.

Tanino e tipos de uvas

 Os tipos de uvas para vinho mais tradicionais no Brasil e no mundo!

Qual é um fator determinante para marcar o sabor e o aroma de um vinho? Os tipos de uvas, é claro!
De fato, existem outros aspectos que fazem a diferença quando o assunto é essa bebida milenar, como os processos de elaboração e o local onde cada variedade é elaborada. No entanto, conhecer as principais uvas para vinho é um primeiro passo para se aprofundar neste universo e apreciar diferentes rótulos.

Saiba quais são os tipos mais tradicionais e entenda como escolher o vinho ideal para seu paladar no conteúdo a seguir!

Tipos de uvas mais tradicionais

Confira os tipos de uvas mais tradicionais para vinhos, conhecidas e cultivadas no Brasil e no mundo.

Os tipos de uvas para vinho mais tradicionais no Brasil e no mundo!
25 de Abril de 2023

Qual é um fator determinante para marcar o sabor e o aroma de um vinho? Os tipos de uvas, é claro! De fato, existem outros aspectos que fazem a diferença quando o assunto é essa bebida milenar, como os processos de elaboração e o local onde cada variedade é elaborada. No entanto, conhecer as principais uvas para vinho é um primeiro passo para se aprofundar neste universo e apreciar diferentes rótulos.

Saiba quais são os tipos mais tradicionais e entenda como escolher o vinho ideal para seu paladar no conteúdo a seguir!

Tipos de uvas mais tradicionais

Confira os tipos de uvas mais tradicionais para vinhos, conhecidas e cultivadas no Brasil e no mundo.

Cabernet Sauvignon   

Muito conhecida na produção de vinhos tintos, a Cabernet Sauvignon é de origem francesa, mas é cultivada em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil. Ela permite elaborar vinhos bem encorpados e com aromas que lembram ervas.

Sauvignon Blanc

Essa é uma importante variedade de uva para vinho branco. Originária também da França, é uma uva que produz vinhos mais ácidos, suaves e com delicioso frescor.

Merlot

Muito cultivada no Brasil, especialmente na Serra Gaúcha onde se adaptou muito bem, as Uvas Merlot são uvas francesas e dão origem a vinhos frutados e com textura encorpada e aveludada.

Pinot Noir

Os vinhos gerados pela Pinot Noir são originários da França, são leves, frescos e com sabor ácido mais pronunciado. É uma uva tinta, mas comumente usada na fabricação de espumantes e vinhos brancos e rosés.


Tannat

A Tannat é originária do Uruguai, mas também se adaptou muito bem no Brasil, especialmente na Serra Gaúcha no Rio Grande do Sul. É um tipo de uva indicado para vinhos envelhecidos, por ser rica em taninos. Como resultado, é comum termos um vinho de coloração mais densa e encorpado.

Malbec

Muito populares na Argentina onde são cultivadas, as uvas Malbec produzem um vinho com sabor macio e leve. Muitas vezes, leva notas frutadas e de especiarias, como baunilha e cacau.

Marselan

Diferente de outras uvas, a Marselan é originária de um laboratório na França. Ela é formada pela união das principais características de outras duas castas. Essa uva dá origem a vinhos frescos, delicados e gastronômicos.

Moscato

As uvas Moscato tem origem da Grécia Antiga e são muito versáteis, produzindo excelentes vinhos tintos, rosés e brancos. Em geral, geram bebidas com baixo teor alcoólico e mais adocicadas, além dos deliciosos espumantes moscatéis.

Riesling

A Riesling é uma uva originária da Alemanha e possui uma variedade de uvas brancas. É famosa por ser uma das melhores castas para produção de vinho branco. É uma uva muito versátil, com ela são produzidos diferentes estilos de vinho, como seco, doce, meio seco e até mesmo espumante.

Glera

A Uva Glera é muito comum na região de Vêneto na Itália, mas também é cultivada em outras regiões do mundo. Ela dá origem a espumantes de corpo leve, com notas de frutas brancas, flores brancas e perlage consistentes.

Chardonnay

As uvas Chardonnay possuem origem francesa, mas são cultivadas em muitas regiões. Produzem os vinhos brancos mais conhecidos do mundo. Quando produzida em uma região com temperatura amena, a bebida tende a ser mais leve e com alta acidez. Já em climas mais quentes, o resultado é um vinho mais encorpado e com baixa acidez.

Carménère

Originária da França, mas muito popular no Chile onde é cultivada, esse tipo de uva produz um vinho marcante e muito aromático, no qual se destacam sabores e notas herbáceas e de frutas vermelhas.

Pinotage

As uvas Pinotage são originárias da África do Sul e possuem uma coloração roxo-azulada. Já os vinhos são de intensidade média, acidez leve e notas de frutas vermelhas e negras.

Rotas do vinho no Brasil


Depois de conhecer as uvas para os para os vinhos mais tradicionais, nada melhor que conhecer também as rotas do vinho no Brasil, lugares incríveis, com muita gastronomia e cultura para você apreciar, confira os principais a seguir.

Vale dos vinhedos (RS)
O Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha se destaca principalmente por sua gastronomia, história e cultura, além de proporcionar paisagens exuberantes, também conta com as vinícolas mais famosas do Brasil. Sua rota é composta por três cidades, Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul.

Santa Catarina (SC)
A Serra Catarinense e suas vinícolas estão em uma bela região, onde os turistas podem visitar suas parreiras e desfrutar de uma ótima gastronomia e arquitetura. Sua rota fica nas principais cidades de Urupema e São Joaquim.

São Roque (SP)
Em especial a cidade de São Roque possui a estrada do vinho, onde está repleta de vinícolas e restaurantes com uma rica gastronomia e arquitetura. Além disso, possui opções de lazer para toda família.

Vale do São Francisco (BA - PE)
O Vale do São Francisco está localizado na divisa entre Bahia e Pernambuco, uma região de paisagem exuberante e o verão incessável do Nordeste, com parreiras sempre recheadas, o Vale possui mais 6 grandes vinícolas.

Agora que você conhece os principais tipos de uvas para vinho e as rotas do vinho no Brasil, já pode começar a se aventurar por diferentes rótulos e vinícolas e ampliar seus horizontes no universo do vinho.

Nessa jornada pelos tipos de uvas, conte com a Salton, a vinícola mais antiga em atividade no país! Aproveite para conhecer e apreciar nossos rótulos.

Quais são os vinhos com mais taninos

Os vinhos com mais concentração de tanino são os elaborados com as uvas Tannat, Nebbiolo, Cabernet Sauvignon, Merlot, Tempranillo, Petit Verdot e Cabernet Franc. As menos tânicas são Pinot Noir, Gamay e Grenache, Malbec, Carménère e Syrah são castas com taninos médios

Acidez do vinho

A acidez do vinho é responsável pela sensação de frescor da bebida. Quando degustamos um vinho, o ácido nele contido desequilibra o pH da boca, o que ativa a salivação. Quanto mais a boca salivar e quanto mais tempo durar a salivação, maior o nível de acidez no vinho. Essa salivação auxilia a suavizar a adstringência causada pelos taninos e a limpar o palato quando fazemos a harmonização do vinho com a comida.

A acidez serve para equilibrar os níveis altos de açúcar, de álcool e tanino, além de ser fundamental para a evolução do vinho em garrafa. Um vinho com acidez sólida e equilibrada envelhece melhor em garrafa, que um vinho pouco ácido.
De onde vem a acidez do vinho?

A acidez no vinho é proveniente majoritariamente da uva, dela vem os dos tipos tartárico, málico e cítrico. O processo de fermentação origina o ácido lático e o succínico. As uvas tornam-se menos ácidas conforme amadurecem. Assim, terroirs de climas frios, onde as uvas têm mais dificuldade de amadurecer, produzem vinho com mais acidez. Regiões de clima quente, onde a uva amadurece com mais facilidade, originam vinhos menos ácidos.

É possível aumentar a acidez de um vinho caso a uva em seu processo de amadurecimento perca seus ácidos naturais. Na adega é adicionado ácido tartárico em pó. Regiões de clima moderado e quente utilizam essa técnica. Em regiões de climas frios pode ser necessário fazer a redução de ácidos, pois os níveis de ácido da uva não diminuíram o suficiente durante o amadurecimento. A neutralização é feita com uma base alcalina.

Quais são os vinhos mais ácidos?

Os vinhos brancos são, geralmente, mais ácidos que os tintos. Vinhos provenientes de regiões frias tendem a ter maior acidez, e os espumantes também, contém alta acidez. Vinhos italianos são geralmente muito ácidos, ideais para acompanhar as comidas da região. As uvas brancas Sauvignon Blanc, Soave, Muscadet e Alvarinho produzem vinhos de alta acidez, assim como as tintas: Mencia, Barbera, Sangiovese e Nebbiolo.

Acidez e taninos são características fundamentais para o envelhecimento do vinho. Se quiser entender mais sobre a idade do vinho, confira o artigo na íntegra no blog da Salton.

Ver na net: