Três registros históricos com a presença do Mestre Raimundo Irineu Serra (1892–1971) e da Madrinha Peregrina Gomes Serra, os dois principais mensageiros espirituais da doutrina do Daime.
Nas duas primeiras imagens, a sede do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal — Alto Santo ainda aparece coberta de cavaco, testemunho material de um tempo simples, austero e fundador. No terceiro registro, à direita do Mestre, estão o casal Raimundo Gomes da Silva e Marina Osmarina, além de Zulmira Gomes do Nascimento — irmãos, filhos do patriarca Antonio Gomes da Silva (1885–1946).
Raimundo Gomes foi o discípulo que mais se aproximou do Mestre e aquele que, no hinário O Ramalho, declara de forma mais clara e aberta quem é Irineu na espiritualidade. Zulmira, por sua vez, mãe de dona Peregrina, é quem, logo na abertura do hinário A Condessa, primeiro revela que o nome espiritual do Mestre é Juramidã.
À esquerda do Mestre estão dona Peregrina e José Francisco das Neves, um dos primeiros seguidores de Raimundo Irineu Serra. Foi por intermédio dele que o patriarca da família Gomes chegou ao Mestre, em 1938, quando a sede do centro ainda funcionava no bairro Vila Ivonete.
Entre as crianças que cercam o Mestre, destaca-se Francisco Costa — o menino com um joelho no chão e as duas mãos apoiadas sobre a coxa. Hoje, aos 68 anos, Chiquinho é uma dessas presenças que carregam, no corpo e na memória, a história viva do Alto Santo.
Incentivado pelo casal Irineu e Peregrina, estudou, tornou-se técnico agrícola, advogado e servidor público federal aposentado. Costumo brincar que ainda farei um filme sobre sua trajetória de superação.
Hoje, com estrada, o Alto Santo fica a 10 quilômetros do centro de Rio Branco. Naquele tempo, sem estrada, Chiquinho acordava no meio da madrugada para seguir a pé até o Colégio Acreano. Ao voltar das aulas, ainda ajudava seu Epitácio e dona Marcela no roçado. É uma das tantas memórias vivas do Alto Santo.
São pessoas como ele que sustentam, com humildade e fidelidade, a história oral da doutrina de Irineu e Peregrina. Memórias que não nasceram de versões fabricadas, nem de conveniências pessoais, mas da convivência, da escuta, do trabalho, da reverência e da lealdade.
Por isso, é preciso ouvi-las antes que sejam silenciadas pelos que tentam moldar a verdadeira história aos seus próprios interesses — muitos deles gente que jamais pisou no chão onde Chiquinho, desde menino, aprendeu a apoiar os joelhos com respeito diante dos dois mensageiros da luz.
📸 Acervo do Alto Santo



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