terça-feira, 20 de janeiro de 2026

𝑪𝒂𝒇é 𝑩𝒂𝒓 𝑺𝒊𝒎𝒑𝒂𝒕𝒊𝒂 — 𝒐 𝒄𝒉𝒂𝒓𝒎𝒆 𝒅𝒊𝒔𝒄𝒓𝒆𝒕𝒐 𝒅𝒐 𝑪𝒆𝒏𝒕𝒓𝒐 𝒄𝒂𝒓𝒊𝒐𝒄𝒂

Durante décadas, a esquina da Avenida Rio Branco com a Rua do Rosário guardou um segredo conhecido por muitos: o Café Bar Simpatia — ou “Sympathia”, como anunciava com grafia antiga sua marquise elegante. Mais que um ponto comercial, ele foi um símbolo da boemia diurna do Centro do Rio de Janeiro, um oásis para quem buscava descanso, boa conversa e sabores que marcavam a memória.

Fundado por volta dos anos 1920, o Simpatia atravessou o século XX como testemunha das transformações da cidade. Instalado no térreo de um edifício eclético projetado por René Barba em 1904, exibia mesas na calçada, cadeiras de vime e uma marquise original de ferro e vidro, depois substituída por concreto. O clima era de café parisiense tropicalizado, onde o vaivém dos bondes e os passos apressados dos funcionários públicos e jornalistas davam o pano de fundo à calmaria discreta do local.

Seu público era tão eclético quanto fiel. Ali se reuniam funcionários do antigo Ministério da Fazenda, advogados dos escritórios do entorno, escritores, intelectuais e jornalistas — muitos da redação do Jornal do Brasil, que ficava nas imediações. Entre os frequentadores notórios, destacam-se jornalistas e escritores como Janio de Freitas, Alberto Dines, Millôr Fernandes, Jaguar, além de nomes como Ateneia Feijó, Murilo Felisberto, Helio Kaltman, Sergio Cabral, Luarlindo Ernesto e outros ligados ao Jornal do Brasil e à cena cultural do Rio na época

Mas havia um protagonista absoluto no cardápio: o frappé de coco, uma bebida cremosa, gelada, feita com leite, coco ralado fresco e gelo moído — simples, mas viciante. Em dias de calor, era quase um rito: chegar, sentar, pedir o frappé. Outros destaques incluíam o suco de tamarindo, apelidado de “Tamarindo Bandeira”, os sanduíches de pão de forma sem casca com pasta de frango ou presunto e os croquetes fritos na hora, além do chope bem tirado que encerrava o expediente de muitos comensais.

Com o passar dos anos, o bar resistiu às mudanças urbanas e aos modismos gastronômicos, mantendo seu estilo sóbrio e atemporal. Até que, nos anos 1990, fechou discretamente as portas, como quem compreendia que sua missão havia se cumprido. Deixou saudades, não apenas pelo frappé ou pelos petiscos, mas pela sensação acolhedora de estar no lugar certo, ao lado das pessoas certas, no tempo exato.

Hoje, quem passa pela esquina sente falta da marquise e da gentileza dos garçons. Mas, para quem viveu a era dourada do Simpatia, basta fechar os olhos e lembrar: o ruído abafado da cidade, a brisa leve, o copo gelado na mão — e o sabor doce e sutil do coco, que ainda mora na memória.

Pratos e bebidas que fizeram história
• Frappé (ou suco) de coco, batido com leite, coco fresco e gelo moído — protagonista absoluto nas tardes quentes do Centro.
• Suco de tamarindo, apelidado de “Tamarindo Bandeira”, com polpa fresca da fruta, bastante elogiado por sua refrescância.
• Croquetes de carne fritos na hora, cujo sabor marcante também figurava entre os mais pedidos.
• Sanduíches de pão de forma sem casca, com massa fina e bordas aparadas, recheados com pasta de frango ou presunto.
• Chope bem tirado, consumido por jornalistas que ali se reuniam para conversar após o expediente.
• Também ofereciam frutas frescas, cafeteria, e artigos para fumo, fiel à tradição dos cafés das décadas anteriores

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