sábado, 31 de janeiro de 2026

Dr. Vital Brazil

VOCÊ SABIA? DR. VITAL BRAZIL

Este renomado médico aprendeu na Igreja que ciência e fé não são antagônicas e podem andar juntas para o bem da humanidade. O diretor e fundador do Instituto Butantan, Dr. Vital Brazil era presbiteriano praticante!

Mineiro, nascido na cidade mineira de Campanha, sul de Minas Gerais, VITAL BRAZIL (1865–1950) foi um dos mais importantes médicos e pesquisadores que o Brasil já teve. Como sanitarista, participou do combate à febre amarela, à peste bubônica, ao tifo e à varíola. Como pesquisador, buscou soluções para um problema que, à sua época, causava milhares de acidentes: as picadas de cobras.

No início do século XX, ele descobriu que, para cada espécie de cobra, existiria um soro específico, produzido a partir de seu veneno. Pela descoberta da especificidade dos soros antiofídicos, tornou-se reconhecido internacionalmente.

Ele foi aluno da Escola do Rev. Miguel Torres, que teve muita influência na sua vida. Dr. Vital era profundamente religioso. Ele refutava as ideias materialistas que muitos médicos defendiam. Lia constantemente a Bíblia. E nas suas andanças pelas fazendas e vilarejos não deixava o Livro dos livros.

Em Botucatu, SP, começou a criar o soro antiofídico, a uma quadra da Igreja Presbiteriana Independente. Seu centenário foi comemorado com um culto de ações de graça na Igreja Presbiteriana.

Na fazenda onde conduziu suas pesquisas – atual Instituto Butantan, marco da ciência brasileira, responsável pela produção de 95% das vacinas do País, descobriria ainda os soros contra picadas de aranhas e contra tétano e difteria, além do tratamento para picadas de escorpião. E, para ajudar a disseminar o conhecimento produzido por ele e por sua equipe, criaria a primeira escola de alfabetização de adultos do Brasil. Tudo isso já seria notável, mas o que torna a vida e o exemplo de Vital Brazil ainda mais merecedores de homenagem são sua perseverança em obter um diploma de Medicina, apesar da origem humilde, e seu espírito solidário, focado na promoção da saúde pública.

Vital Brazil estudou medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em meio a grandes dificuldades financeiras, vindo a formar-se com brilhantismo em 1891. Retornando a São Paulo, clinicou em várias cidades do interior do Estado. Nessa época, presenciou a morte de várias pessoas, principalmente lavradores, vítimas de picadas de serpentes.

Como médico sanitarista, participou das brigadas de combate à febre amarela e à peste bubônica em várias cidades no Estado de São Paulo. Coincidentemente, algumas décadas mais tarde, seu primo Adhemar Paoliello, igualmente formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, dedicar-se-ia, também como sanitarista, ao mesmo ideal de combater a febre amarela e a peste bubônica no Brasil e no exterior.

Além do seu trabalho como médico, Vital Brazil também criou uma das primeiras escolas do Brasil que alfabetizavam crianças de dia e adultos à noite. Desenvolveu materiais de informação, especialmente voltados para a população do campo, sobre como se proteger das cobras e outros animais peçonhentos. Criou uma caixa de madeira, barata e segura, para que os fazendeiros pudessem capturar as cobras; firmou convênios com as estradas de ferro, para transportá-las, pois eram essenciais à fabricação do soro.

A convite do governo estadual, Vital Brazil ingressou, em 1897, no Instituto Bacteriológico do Estado de São Paulo, dirigido por Adolfo Lutz. Foi então que tiveram início suas pesquisas. Trabalhou junto com Oswaldo Cruz e Emílio Ribas no combate à peste bubônica, ao tifo, à varíola e à febre amarela.

Recebeu do governo de Rodrigues Alves a Fazenda Butantan, às margens do Rio Pinheiros, em São Paulo, onde posteriormente veio a fundar e instalar o Instituto Butantan. Foi lá que desenvolveu, com escassos recursos, importantes trabalhos de pesquisa e produção de medicamentos. Os primeiros tubos de soro antipestoso começaram a ser entregues após quatro meses de trabalho.

Em 1903, após intensa pesquisa logrou enunciar cientificamente o soro antiofídico, desenvolvido a partir de anticorpos produzidos no sangue dos cavalos, depois da injeção de uma pequena quantidade de veneno da própria cobra.

Após este evento, outros soros foram produzidos no Instituto Butantan. Também foram produzidas vacinas contra tifo, varíola, tétano, psitacose, disenteria bacilar e BCG. As sulfuras e as penicilinas vieram mais tarde. As picadas de aranhas venenosas, escorpião e lacraias deram origem a novos soros. Frequentou por longo tempo o Instituto Pasteur. Também é o fundador do Instituto Vital Brazil, em Niterói. 

Vital Brazil tornar-se-ia mundialmente conhecido pela descoberta da especificidade do soro antiofídico, do soro contra picadas de aranha, do soro antitetânico e antidifitérico e do tratamento para picada de escorpião.

Consagrado em congresso científico nos Estados Unidos em 1915, o seu trabalho logo despertou o interesse da Europa, onde se encontrava a vanguarda da pesquisa médica da época, e lhe valeu o reconhecimento mundial. O Instituto Butantan representa um marco na ciência experimental brasileira. Desenvolvendo significativo número de pesquisas de elevado teor científico, educando as populações rurais na adoção do tratamento e na prevenção de acidentes ofídicos e criando aquela que foi, possivelmente, a primeira escola de alfabetização de adultos, esse Instituto desempenhou importante papel social na época e tornou-se conhecido e famoso no mundo todo.

Vital Brazil foi o criador do Instituto Butantan, em São Paulo, que foi instalado em uma fazenda antiga e distante da cidade, comprada pelo governo do estado de São Paulo para que lá funcionasse um laboratório para a produção de vacinas. O Instituto continua um centro de referência e excelência, em diversas áreas científicas (www.butantan.gov.br). https://butantan.gov.br/

Um episódio curioso de sua vida de médico, me foi relatado há pouco tempo: “A família Souza Nogueira, evangélica, morava numa propriedade agrícola um bocado distante da cidade. Certo dia, a dona da casa, entrou em trabalhos de parto. E a coisa complicou. Resolveram chamar o médico da família, que era o Dr. Vital Brazil. Mandaram um próprio buscá-lo. E até que ele recebesse o recado, preparasse o cavalo e iniciasse a viagem, decorreu largo tempo."

Ao chegar à fazenda, o moço médico, percebeu que algo de grave  deveria ter ocorrido. Ambiente de tristeza. Choros. Sinal de morte. Apeando-se, foi logo indagando sobre o que ocorrera. Queria saber se a parturiente estava morta. Então responderam : “Doutor, a  mãe está viva, mas a criança morreu”. O Doutor Vital Brazil, muito calmo, perguntou: Onde está o natimorto? Mostraram-lhe o anjinho, que estava sendo preparado para o enterro. O Dr. Vital aproximou-se. Examinou atentamente o feto. E largou a bomba: “Esta criança não morreu, está viva”. E, imediatamente, começou a fazer as manobras de reanimação, fazendo o bebê respirar, para alegria dos circunstantes. E depois, foi cuidar da parturiente, que, sã e salva, chorava de alegria”.

Ver na net:

Crédito da foto

História da Classe Vital Brazil

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