sábado, 28 de fevereiro de 2015


  Diante de uma manhã chuvosa, no Acre:

 Chuá, chuva cai 
sobra aqui, falta acolá
   vai, mata a mata

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015


      Meu primeiro haikai

(primeira forma

                   chuva vinha de Deus
                        pensavam
                   agora esperam que mande)

aprimorado:            

                            ////////////////////////////////////////////////////////
                 ////////////////////////////////////////////////////
    /////////////////////////////////////////////////////////////
                        chuva que vinha de Deus
                              acreditavam
                           hoje esperam que mande


O segundo haikai só poderia ser em homenagem ao Spock, com o trocadilho óbvio, usando "jornada" e "estrelas":
                   

                         anymore Nimoy
                   Jornada nas Estrelas
                     Live Long and Prosper Shalom

      Está bem. Como tudo é começo, eu explico: antes, os homens acreditavam que a chuva vinha de Deus. Posteriormente, acharam que descobriram a origem, ou seja, não passava mesmo senão daquele ciclo evaporação-condensação-precipitação. Aí, agora que o homem está destruindo o meio ambiente, ele volta a pedir ou acreditar que Deus mande chuva. Quanta fé...

       Quanto ao Nimoy, o eterno Sr. Spock, é que, em inglês, 'anymore' significa 'não mais': Não mais Nimoy (aliás, deu uma boa sonoridade também em português, não acham?). Jornada nas Estrelas é que ele, agora, está empreendendo a sua verdadeira jornada. Quanto à frase (verso) final, era sua marca registrada de saudação: Vida Longa e Próspera como, em certo sentido, foi a dele. Shalom, paz, eu acrescentei, para completar a métrica. Shalom, no hebraico, é a saudação judaica que significa paz integral.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015


   Salmo 5


                 Até aqui, já constatamos parentescos entre os Salmos 3, 4 e 5, a começar pelo fato de (1) ter sido escritos pelo mesmo autor, Davi, o rei-pastor-poeta, (2) serem, os três, orações e (3) ter como contexto a cercania de inimigos. Também, desde que, na história do 1º Livro de Samuel, este profeta-juiz-sacerdote se desloca até a casa de Jessé, em Belém, para ungir rei o filho caçula Davi que, por sua vez, o pai escondia, envergonhado, desde essa época Davi começou a granjear inveja, a começar pela própria família e, por aí afora, até a crise espoucar em meio ao trono, com Saul, sem motivo, regendo todo o desplante e fúria contra Davi, que passa a colecionar desafetos.

             Neste Salmo ele ora, novamente, com a intensidade de um clamor e, desta vez, mede-se, como se houvesse um confronto entre ele e seus inimigos, não um confronto direto mas, na medida de caráter, no qual fica clara a diferença entre Davi, um servo de Deus, e os que não o são, ou assim não se reconhecem, ou se definem, diante de Deus. Aliás, falando em clamor, Davi se expressa haqishbha lecol shavhi: "Presta atenção à voz do meu clamor."

                Clamor, traduzido, quer dizer "invocação", "grito", "súplica", o que não quer dizer que sempre seja necessário o grito, para que se caracterize "clamor". Por isso comento aqui que "clamor" mais se caracteriza como intensidade da súplica do que, propriamente, o volume do som. Ana, mãe de Samuel, por exemplo, na Tenda da Congregação, em Siló, na época do sacerdócio de Eli, sem dúvida, clamava em seu íntimo. Porém apenas balbuciava o que dizia, levando Eli a pensar que estivesse bêbeda, tal qual quando o embriagado mistura palavras ininteligíveis em seu delírio.

                É usual vermos grupos de irmãos, quando reunidos, todos falarem ao mesmo tempo e em alto volume, caracterizando esse ato como "levantar um clamor". Caso queiram, que o façam, mas não está correto afirmar que somente essa modalidade representa "clamar". O clamor pode ser silencioso, como em Ana, pela intensidade do drama experimentado. Para Deus, evidentemente, ele consegue discernir tudo o que se diz e quantos dizem, se todos se puserem a falar ao mesmo tempo. Mas, para quem participa e os expectadores, fica confuso e quebra o princípio que Paulo prescreve na 1ª carta aos Coríntios, quando afirma que tudo o que grupos de cristãos fazem quando reunidos deve ser compreendido, para que não transpareça como loucura coletiva.

                 Nos versículos 1-3, Davi expressa o modo como se coloca diante de Deus em oração quando, por três modos diferentes, indica que, em sua oração, recorre ao Senhor:

 QUANDO           PALAVRAS DO SALMISTA                O QUE PEDE     A QUEM PEDE      COMO PEDE       
   PEDE                  

                 v.1   A  MINHAS PALAVRAS                 DÁ OUVIDOS       SENHOR
                               MEDITAÇÃO MINHA                  ATENDE
                                
                  v.2        VOZ DO CLAMOR MEU                   DÁ ATENÇÃO       REI MEU
                                                                                                                   DEUS MEU          POIS A TI ORAREI
                  v.3                                                                                                                                          
PELA MANHÃ    VOZ MINHA                                   OUVIRÁS           Ó SENHOR          ME APRESENTAREI A TI
PELA MANHÃ                                                                                                                       E VIGIAREI
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      
            Pelo esquema apresentado, pode-se perceber o que, na poesia hebraica, denomina-se paralelismo, que é um reforço, por meio de linguagem sinonímica, do que vai expresso pelo salmista. No caso, ele chama de oração suas "palavras", seu "murmúrio"/"meditação", seu "clamor" ou, simplesmente, sua "voz". Pede a Deus que "dê ouvidos", "atenda", "dê atenção" ou "ouça". Refere-se a Deus como "Senhor", "Rei meu", "Deus meu" ou pelo vocativo "ó, Senhor". E, por fim, o salmista coloca-se diante de Deus "por oração", "apresenta-se" e põe-se como "vigilante" da resposta que vai obter.
                                                continuação logo após o próximo texto...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015


Entremeios

         Comentar os Salmos, ainda que um a um, de nada vai adiantar, se o leitor, de si mesmo, não estabelecer critérios para, como já foi comentado, ler e meditar, para cumprir e deles, então, com autoridade, falar, como é recomendado com relação às demais Escrituras. Até aqui chegamos ao Salmo 4, e já é possível verificar de que modo o conteúdo de suas mensagens pode ser, por nós, memorizado e compartilhado, na forma de testemunhos, lições aprendidas e conhecimento transmitido sobre Deus. 
          Por exemplo, já sabemos que os Salmos 2, 3 e 4 são orações e, desse modo, típicos desse gênero, podem nos ensinar lições sobre esse recurso, pelo qual falamos com Deus. Aliás, exatamente retratando essa possibilidade, por si mesmos os Salmos, antes mesmo de ser lidos, estudados ou interpretados já revelam sua peculiaridade e atrevimento. Sim, porque encará-los como orações, ou seja, modos expressos de diálogo com Deus requer, de uma vez, radicalmente falando, sua importância ou desinteresse.

            Ora, de uma vez, se têm valor simplesmente literário, o que não se discute e, para isso, não faltarão defensores, que os tratem como riquezas da literatura hebraica antiga, mormente inscritos no escopo da literatura universal. Mas seu outro aspecto é o mais radical, seja encarado, aqui, o significado deste termo como raiz ou, seu outro valor mais reacionário, radical no sentido de radicalismo, de extremismo, com relação a um conceito levado ao extremo de sua validade e possibilidade, sem mais controvérsia ou discordâncias possíveis.

             Afinal, pode o homem falar com Deus e ser ouvido? Pode, do mesmo modo, Deus falar com o homem, ter sido ouvido e comprovada essa palavra? Afinal, podem Deus e o homem dialogar? Inscreve-se num tipo de radicalismo, pelo fato de que, no contexto da religião, seria permitida uma faixa onde transitam essas falas e esses discursos, sendo perfeitamente definíveis que discursos, textos, falas e doutrinas possam ser consideradas, respeitadas, transmitidas e reconhecidas como reservas de falas divinas, e assim estabelecer-se o contexto geral de todas as religiões.

             Com relação aos Salmos, a possibilidade de falar-se com Deus e ser ouvido, assim como o contrário, ouvir de Deus o que tem a dizer, está francamente comprovada, assim como tido de modo natural, em grau variado, de parte a parte. Ainda não chegamos aos Salmos que parecem como que desabafos francos de quem ora, do mesmo modo o inverso, desabafos de Deus incontidos, dirigidos aos homens que, por sua e desta vez, assustam-se até a morte, de puro medo das consequências.

              Os Salmos têm como natural o diálogo com Deus. E nisso não há meio termo, é necessário ser radical, nos dois significados: falar com Deus assim como ouvi-Lo é raiz da relação entre os dois, assim como é radical que isso seja corriqueiro, direto, franco e fácil de ser e de se constatar, fora de qualquer controvérsia. Os Salmos têm, sim, valor literário indiscutível, mas também, por si, indicam que Deus ouve, assim como responde, seja em que situação se encontrar o orante, podendo ser de suprema angústia, franca alegria, tristeza profunda carente de confissão por pecado cometido, discurso didático que transmita lições aprendidas, enfim, abrem-se variados gêneros ou subgêneros, importa é que há diálogo entre os dois e não são os gêneros que contém os diálogos, mas por causa da riqueza do diálogo abrem-se os gêneros.

            Nesse sentido, a poesia hebraica distingue-se de outras, ou, quando muito, insere-se num contexto que indica a possibilidade concreta e documental de diálogos entre Deus e o homem e vice-versa. Nesse sentido, também, insere-se no contexto dos radicalismos bíblicos que, independentemente de se ter o Livro como verdadeiro, seja por que método de comprovação, histórico, seja por que provas científicas, sumamente relevantes, por ordem da qualidade de sua literatura, enfim, o radicalismo bíblico, por si, afirma, de uma vez, que é possível, sim, que Deus se revele, fale, mostre-se e que, enfim, se faça homem, estabeleça comunhão (radical) com o homem, para salvá-lo, especificamente para preservar essa comunhão reconquistada, para sempre, eternamente.

          Seja a coleção de livros bíblicos tratada com todo o respeito e valor, sobre ela escrevam-se todos os compêndios que, na qualidade mesmo de um de seus (supostos) autores, o apóstolo João, quando diz, que encham o mundo inteiro. Mas se negarem à Bíblia esse seu ponto de raiz, ponto central, nevrálgico de sua mensagem, que é essa convicção, certeza e possibilidade, tão corriqueiramente expressa pelos Salmos, de que Deus fala, assim como ouve os homens/as mulheres e estabelece com eles a mais franca, sincera e íntima comunhão, perdem-se os principais valores do  Livro, assim como de todo o Saltério. Radical. E o Livro vira literatura. Só isso. Sem mais. Rica, riquíssima, porém só literatura. Radical.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015


  Salmo 4

             Mais parecido com a espontaneidade de uma oração do que o anterior. Presente neste Salmo, (1) a presteza com que Deus atende ao clamor de seu servo, (2) a intensidade do clamor com que esse mesmo servo busca a face de seu Deus e (3) a tranquilidade final daquele que constata o modo como Deus protege e abriga consigo ao que o busca.

            Esse tripé aparece entremeado por rompantes do salmista em que lições, no ritmo da formulação da oração, aparecem, decorrentes e coerentes com a temática principal da oração do salmista. É por isso que aparecem as expressões selah que os principais comentaristas definem como uma pausa poética própria para reflexão do sentido até ali expresso.

                É desse modo que logo pós o clamor inicial do suplicante, o salmista encaixa a primeira lição decorrente da situação que ele mesmo experimenta:

                                     CLAMOR DO SALMISTA                     DEUS QUE OUVE               

                                      Ouve-me meu clamor,                  Deus meu,
                                                                                       justiça minha;
                                      angústia (minha),                     alargaste para mim;
                                      (tem) de mim,                          misericórdia
                                      ouve oração minha.

                 Logo após esse clamor inicial, o salmista se volta ao seu plenário, por meio de um aposto, através do qual são convocados, pelo próprio Deus, os "filhos dos homens", ou seja, a generalidade da condição humana, a refletir o modo como opera uma dupla troca glória (de Deus)/infâmia (do homem); amar vaidade/buscar mentira. Vaidade, não algo a que se apegar por amor e nem a mentira, algo que se busque com diligência (pelo menos, deveria ser assim):

                                                                                          DEUS                                       O QUE FAZ O HOMEM
Filhos do homem,
                  até quando (tornareis)           glória minha                     difamada
                                                                                                          amareis vaidade,
                                                                                                          buscareis mentira.

              Nos seguintes versículos, 3, 4 e 5, o salmista sugere o que tais homens devem fazer, de modo a corrigir esse seu erro, denunciado, agora, por esse clamor de Deus dirigido ao homem: que aprendam que (1) o Senhor distingue para si o piedoso, e aqui o salmista coloca-se como exemplo, quando afirma que por isso Deus ouve o seu clamor; (2) que se deixem perturbar em sua falsa estabilidade, falando consigo mesmos, reflexivamente com seu coração, em seu leito para atinar com seu erro (aqui o selah, que significa, exatamente, essa reflexão); e, por fim, (3) ofereçam sacrifícios de justiça, que significa, na cultura religiosa da época, ser internamente coerente com Deus antes de apresentar o sacrifício exterior como, por exemplo, ocorreu com Abel.    

           Como se ocorresse um diálogo, em meio ao salmo, irrompe um comentário a respeito de uma opinião de muitos, que poderiam contra-argumentar o modo como seria possível ser confrontado com o bem: Quem me fará ver o bem? A resposta do salmista é imediata: "Exalta sobre nós a luz da tua face, Senhor", quer dizer, toda a bondade resplandece, da parte de Deus, sobre nós, fazendo-nos enxergar o bem, assim como experimentá-lo. E o salmista encerra com as lições que pôde aprender, como resultado de sua experiência pessoal com Deus, afirmando que alegria e paz lhe são acrescentadas:
                                        DEUS                        SALMISTA
                               Puseste alegria              no coração meu
                                   
                                                    (como) época (em que) trigo e vinho multiplicam-se.

            E a alegria vem seguida da paz e tranquilidade do sono, que se revela tão preciosa, não somente no tempo e época do salmista, mas também nos dias de hoje. E a sentença, no original hebraico, está expressa por três vocábulos do mesmo campo semântico, literalmente (para ter) certeza + (para estar) seguro + me farás habitar. Certeza, segurança e abrigo certos dados por Deus, implicam o estado de shalom que, no hebraico, significa plena paz, em plenitude e variedade de situações. Além da alegria, tão desejada pelo ser humano mas que, para ser verdadeira, sem nenhuma simulação, precisa cobrir todas as circunstâncias, assim é o shalom permanente de Deus.

               Versículo destaque:   "Em paz
                                                    o descansar e o dormir
                                                    porque tu, Senhor, (com)
                                                    certeza, segurança me farás habitar."
                                               

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015


  Salmo 3

             "SENHOR, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim." Neste Salmo, cujo título indica a circunstância exata de sua autoria, quando Davi fugia de seu filho Absalão e, por isso, expunha a Deus seu espanto e clamava por seu livramento, até o filho é encarado por seu próprio pai como seu inimigo pessoal.

              Nos versículos 1-2 Davi se expressa, em oração pessoal a Deus, sobre o modo como percebe ter crescido o número de seus inimigos para logo, no versículo 3, constatar que o próprio Deus lhe serve de escudo. Por isso ora, v. 4, clama mesmo, intensidade maior da oração, por livramento, e obtém resposta. Nos vv 5-6, Davi demonstra sua tranquilidade no sono e declara que não tem medo. O Salmo 3 termina com a constatação de Davi de que Deus vai socorrê-lo, levantando-se e salvando-o, v. 7, dando cabo de todos os seus inimigos. O versículo 8 é a constatação final, como uma lição a quem quiser conhecer, de que Deus salva e abençoa.

            Esta Salmo tem expresso no título a situação concreta na qual seu autor se inspirou para escrevê-lo. Nem sempre será assim tão direto e claro. O Salmo 1, por exemplo, anônimo, supõe-se tenha servido para introdução ao saltério. O Salmo 2, também anônimo, foi usado por orantes na igreja primitiva, irmãos nossos que identificaram-se com seus versos e oraram citando-o como referência. No caso deste Salmo, podemos ler em 2 Samuel 15 a 18 a história e o dilema de um pai que, por muito amar seu filho, desejava vê-lo poupado da morte, mesmo tendo-se ele levantado contra o reino.

             Embora neste Salmo Davi se tenha expressado como quem orava por meio de clamor a Deus para que o livrasse de inimigos, ele não considerava Absalão um inimigo pessoal e até mesmo deu instrução aos seus homens que não o matassem. Joabe, por traição, decidiu ele mesmo justiçar Absalão, não dando contas ou satisfação ao que o próprio rei desejava. Ler os capítulos acima são o meio pelo qual será possível compreender a extensão do drama pessoal do pai Davi e do grau de ofensa de Absalão, porém prevaleceu amor incondicional que o rei devotava ao filho.

            No último versículo de 2 Samuel 18 encontramos Davi chorando, andando de um lado a outro, no patamar de sua casa, por cima da porta de entrada. E todo o povo compreendeu e acompanhou o rei em seu lamento. Por razões políticas, no capítulo seguinte, o próprio Joabe e outros conselheiros do rei conspiravam para que convencessem o rei em não demonstrar fraqueza, visto que Absalão pretendera roubar-lhe o trono e o povo, primeiro, solidarizou-se com o rei, depois, pretendia enfrentar os conspiradores e, finalmente, esforçava-se por compreender a dor do rei.

               Poucos Salmos terão um contexto tão claramente expresso como esse. Devemos nos acostumar a procurar deduzir contextos a partir da mensagem dos textos, porém por suposições a partir do próprio desdobramento da mensagem escrita. Atenção que os títulos do editor da versão bíblica em questão aparecem escritos em forma diferente. Por exemplo, na versão da Sociedade Bíblica do Brasil - SBB, o título em itálico negrito é dos editores e o título em itálico, letra sem destaque e em tamanho menor refere-se ao título original do Salmo em questão.

        Versículo destaque:                    "Mas tu, 
                                                                               Senhor, 
                                                                  escudo               para mim
                                                     como   glória                 para mim
                                                            e    exaltação           para cabeça minha."
                                                                    

Salmo 2


  Salmo 2

      Uma oração. Mas não se trata de uma oração comum. Este Salmo transparece uma categoria que pertence ao gênero ou subgênero dos Salmos Messiânicos, que são aqueles que fazem menção ao Messias e são interpretados pelos cristãos como indicadores claros de profecia a respeito de Jesus Cristo no Antigo Testamento.

      A Igreja Primitiva usa essa estupefação, esse espanto, fazendo suas as palavras do Salmo quando tenta compreender como é possível perseguir aqueles que, em nome de Jesus, anunciam a salvação. Quando Pedro foi preso e os crentes oravam por sua soltura, evocaram traços desse Salmo, em Atos 4:23-31: 
              
                 
   "Por que se enfureceram os gentios
    E os povos imaginaram coisas vãs
                        
          Levantaram-se os reis da terra
                                   e as autoridades
           Ajuntaram-se a uma
                                   contra o Senhor
                         e contra o seu Ungido".

      Quando nos referimos a paralelismo, na poesia hebraica, é com relação a um modo de expressão em que aparecem em dupla, em linhas paralelas os conceitos indicados, reforçando-se entre si. No caso da citação do Salmo 2, em Atos dos Apóstolos, são eles: 

se enfureceram os gentios // 
os povos imaginaram coisas vãs; 

levantaram-se os reis // 
autoridades ajuntaram-se; 

contra o Senhor // 
contra seu Ungido.

        Os conceitos desse Salmo são usados, também, em Hebreus 1:5-14, citações equivalentes de Hebreus 1:5 e Salmo 2:7, como prova da divindade de Jesus, em sua filiação divina, exatamente a unidade deste Salmo que o marca como indicativo da pessoa de Jesus como Messias e o classifica como Salmo Messiânico, em 2.7.

Proclamarei o decreto do Senhor: 
Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei.

          O ponto central aponta para a rejeição de Jesus como fato que não se pode entender e razão da necessidade da oração que vai sustentar os crentes nas tribulações que sofrerão em nome de Jesus, como os mesmos apóstolos em Atos 5:41, quando se regozijaram, não porque houvessem sofrido punição física de açoites, mas porque reconheciam sua identidade com Jesus em seus sofrimentos - ver também Colossenses 1:24, quando Paulo interpreta desse mesmo modo as provações que enfrentava.

SUBDIVISÕES
         
  1. Nos versículos 2:1-3, o enredo trata de perguntar por que os povos se enfurecem contra o Ungido de Deus; 
   2. em 2:4-9, Deus, o Pai, ri-se dessa rebelião, constituirá seu Filho rei sobre todas as nações e ele haverá de regê-las com vara de ferro;
   3. Em 2:10-12 há uma advertência aos reis para que beijem, ou seja, bajulem o Filho, porque talvez possam escapar de sua ira. 

    Lamentavelmente não pertencem ao grupo dos que creem no Ungido de Deus e que, portanto, por essa razão, são bem-aventurados.

NOTAS HOMILÉTICAS

   Num uso deste Salmo 2 para sermões ou estudos bíblicos, é possível destacar 4 pontos principais a respeito do Messias de Deus: 

(1) profecia de sua rejeição: 2:1-3; 

(2) profecia de sua identidade: 2:4-7;

(3) profecia de seu reinado às nações: 2:8-9;

(4) profecia de como os grandes falharam em rejeitá-lo, 2:10-12, com uma bem-aventurança final para os que nele creem.

          Versículo destaque:      

 "Servi ao Senhor
                                        com temor
                                 
  e alegrai-vos
                                         com tremor."