Jesus não era isso. Fariseus sempre reclamaram dos modos dele e de seus discípulos. Quanto a estes, por exemplo, diziam não lavar as mãos antes de comer.
Quanto a Jesus, várias reclamações: curava aos sábados, não escolhia direito seu círculo de amizades, frequentava locais não muito recomendáveis.
Eles, sim, eram burocratas da fé. Para os fariseus, o acesso a Deus estava bloqueado por uma série de fatores. Uma vez preenchida a lista deles, tudo bem.
Para Jesus, o acesso a Deus era franco, ao alcance de um bate-papo à beira do lago, na pradaria da outra margem ou nos pilares do Templo.
Acesso aberto a todos, até àqueles marcados pela crítica farisaica: prostitutas, publicanos e toda a gama de "pecadores".
Jesus ia ao encontro das pessoas. Os fariseus eram assépticos. Praticavam eugenia, quer dizer, tinham na sua lista a relação dos "puros" diante de Deus.
Jesus dizia aos quatro ventos, "vim buscar pecadores", "os sãos não precisam de médicos, e sim os doentes", "o filho do homem veio buscar e salvar o perdido".
No círculo de Jesus, pecadores, doentes e perdidos. No círculo dos fariseus, os puros. Há uma pergunta incomodando.
A igreja de Jesus, hoje, reconhecida por ser seu círculo de discípulos, está mais para um ou para outros? Vai mais ao encontro das pessoas, ou espera que elas venham a seu encontro?
Espera mais que as pessoas se enquadrem em suas regras, ou aceita pecadores, doentes e perdidos em seu meio?
Estamos mais para a informalidade ativa e inteligente de Jesus ou para a burocracia farisaica? Tornamo-nos burocratas da fé?
Socorre-nos, Jesus!
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