terça-feira, 3 de outubro de 2017

LEITURAS BÍBLICAS - Apologia 4

        Não adianta remediar: no que se refere à Bíblia, a narrativa do milagre lhe é comum. Pode-se argumentar, bem, mas ela não é toda milagres. Pode-se retirá-los do foco, e ler com proveito o que restar.

       Equívoco. O essencial da Bíblia é miraculoso. É dizer que Deus assumiu forma humana em seu Filho Jesus, morreu e ressuscitou, trazendo consigo dentre os mortos todos os que nEle creem.

        Ainda se pode argumentar: mas é possível ler a Bíblia com proveito, desconsiderando seu essencial. Certo. Mas o principal da condição humana, que é a vida, se perde.

      Porque o efeito não é esse de marketing da fé, como muito hoje se pratica. Não atinar com o essencial, na Bíblia, é não atinar com o milagre, esse, principal, que é a vida, a própria existência humana.

     Jesus afirma "eu vim para que tenham vida, vida plena". A biológica todos, até animais e flores a tem. Mas "vida plena", só encarando de frente o milagre, o essencial do Livro: Deus que se fez homem, para ganhar-nos de volta à vida.

      Qualquer outro milagre entre aqueles narrados nas Escrituras é secundário. Aliás, a própria narrativa deles aponta para o milagre. Esse maior e definitivo, a favor do homem.

      A Bíblia é um livro a favor da vida e a favor do homem, ser humano: homem e mulher. Qualquer outra leitura é equívoco. Aliás, em suas páginas, quando são encontradas narrativas contra a vida, pode creditá-las na conta do homem.

      O Livro também nos mostra em todas as nossas contradições, como quando, de modo suicida, colocamo-nos contra Deus, contra o outro e contra a natureza. Típico do ser humano. Infelizmente.

     Portanto, a partir de então, entenda o inusitado da Bíblia: o Deus que começa, em suas páginas, como criador e doador da vida, não abandona o homem à sua própria sorte.

      Deu-se em amor, fez-se homem, deixou-se morrer, exatamente para desmoralizar a morte. Esta não o pode segurar em seu seio. O que não significa, apenas, uma remota ressurreição.

      No diálogo com a irmã de Lázaro, que disse acreditar, um dia, nessa remota ressurreição, a ela Jesus disse: eu sou a ressurreição e a vida. Desde agora, no seu momento de fé, quem crê ressuscita.

      Jesus disse: vim para que tenham vida e vida plena. E perguntou Jesus, ao cego recém curado: "Crês nisto?".
   

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

LEITURAS BÍBLICAS - Apologia 3

     O Apocalipse conquistou espaço, transformando-se quase que numa marca, que muitas vezes significa algo bem diferente do que o plano original da obra sugere.

     Por causa de sua típica linguagem e imagens fortes, o termo "apocalipse" que, mais estritamente está relacionado ao conteúdo do livro, significando "revelação", passou a ser associado a calamidades que prenunciam o "fim do mundo".

     Um mergulho nas descrições detalhadas dessas imagens apocalípticas, longe de nos colocar num contexto fantástico ou mítico, acaba nos jogando de encontro à realidade louca das épocas vividas pela existência humana.

       Caminhando de hoje para o passado, destaque-se quando o apocalipse fala de contaminação das águas, rios e oceanos, ou da capacidade que bolas de fogo têm de queimar a terça parte do mar ou da terra.

        Impossível não associar aos modernos e devastadores efeitos da poluição ambiental e da capacidade humana de explodir o mundo com armas nucleares.

      Caminhando em direção ao passado, vamos nos deter no ambiente da chamada Grande Guerra, a primeira, em que, proporcionalmente, a capacidade humana de matar em massa apareceu, em seu début, na idade moderna.

      O volume de tropas, com as máscaras antigases horríveis, a inauguração das metralhadoras contra as formações de cavalaria e as condições desumanas dos extensos labirintos de trincheiras tipificam as descrições de bandos de gafanhotos em guerra no texto apocalíptico.

     E com relação às imagens mais aterradoras ou, desejando-se assim indicar, as mais loucas do livro, associadas a bestas com várias cabeças e chifres, dragões e seres mistos fantásticos que emergem do mar, essas cenas não se situam assim tão distantes da realidade.

     Isso porque simbolizam a urdida maldade humana, para a qual qualquer representação horrenda corresponde a menos da realidade. E o figurino dessas cenas em pouco, muito pouco difere dos "ismos" que, já há cem anos, invadiram as artes e tornaram corriqueiras imagens não menos esquisitas.

     Impressionismo, Expressionismo, Cubismo, Abstracionismo, enfim, ondas que se misturam à tendência humana de experimentar estados mentais de diferentes estágios, em função da ingestão de alucinógenos, tão frequentes já no século XIX, turbinados no século XX e servidos delivery  neste século.

     Definitivamente, o Apocalipse não se situa assim tão distante da realidade. Na verdade constitui-se, em atualíssima linguagem, num retrato que foca, transparece e bem delineia o louco contexto no qual o homem moderno, aliás, ao longo da sofrida história da humanidade, inscreveu-se a si próprio.
     

LEITURAS BÍBLICAS - Apologia 2

       O livrinho de Ester reserva um mosaico de informações detalhadas sobre variadas rotinas no contexto do Império Persa que, muito provavelmente, nenhum documento antigo oferece.

         Só que se configura um problema: numa análise geral de sua moldura, comentaristas avaliam que não são todas essas informações que podem, indistintamente, ser tomadas como literais.

      Evidentemente que não fica claro quais delas são confiáveis. Na verdade, sempre se procura buscar fora da Bíblia fontes que confirmem o que está escrito nela.

     Mas, e se ocorrer o contrário, ou seja, o texto bíblico apresentar fatos que, simplesmente, não poderão ser nunca comprovados fora dele, porque somente são mencionados no Livro?

      Entre a gama de dados fornecidos em Ester, um deles, essencial como principal fio condutor de toda a trama narrada, que foi o levante contra os judeus, sobre ele já li não ser possível comprová-lo, pois não há nenhum resgistro dele nos anais do Império Persa.

       Neste caso, a realidade se impõe. Os críticos assinalam que, numa época obscura da antiguidade seria improvável que um governante caprichoso intentasse pôr fim a uma dada etnia achada entre outras diversas no contexto do Império que governava.

     E em pleno século XX uma ordem politico-social se instala para, sistemática e calculadamente promover o extermínio dessa mesma etnia, em escala mundial, por cima e com desprezo dos supostos avanços civilizatórios que separam esses dois períodos da história.

       Trata-se do império do nazismo, movimento alemão de ultradireita, esboçado a partir de 1933, liderado por Adolf Hitler, causa geopolítica da Segunda Guerra Mundial, que se estendeu de 1939-1945. Embutido e camuflado nesse contexto, a planejada implantação da chamada Endlösung der Judenfragen, a Solução Final, o plano de extermínio total da etnia judaica.

      Supor, portanto, que toda a armação de Hamã, o agagita, no livro de Ester, para exterminar os judeus, por não constar em outros registros seja uma construção puramente literária, sem respaldo na realidade, no mínimo é, de modo gratuito, uma tentativa frustrada de menosprezar o texto como fonte histórica fidedigna.

domingo, 1 de outubro de 2017

ESCOLA DE TEOLOGIA


INSTITUTO LOGOS - PREPARAÇÃO DE LIDERANÇA

     Os tempos modernos têm colocado a liderança evangélica diante de desafios constantes, devido à rápida revolução de costumes e de conceitos. É necessária uma preparação para defesa dos pontos de vistas específicos da visão bíblica de mundo, que não é preconceituosa e excludente, como se vem declarando, apenas diferente da postura mais comumente divulgada.

OFERECEMOS DISCILINAS POR MÓDULOS BEM DEFINIDOS EM AULAS SEMANAIS. O CURSO BÁSICO SERÁ OFERECIDO EM 1 ANO, COM A GRADE INICIAL DE 10 DISCIPLINAS:

INICIANDO COM: Introdução ao Estudo da Bíblia - Temas Polêmicos da Atualidade - Noções Jurídicas Básicas - Dinâmica de Leitura Produtiva

(Esboço de embrião para um Instituto que a gente poderia implantar, com outras igrejas e ou pastores. De repente, a fagulha produz um incêndio)

sábado, 30 de setembro de 2017

Para o meu filho.

Bom dia, meu filho.

Resolvi falar assim com você, por ser mais fácil do que pelo zap, porque devo falar muito.

Começando por esta demora incômoda aqui no Rio. Embora o plano fosse logo operar, esta solução que acabou ocorrendo, foi uma possibilidade que havia vislumbrado ainda aí, antes de vir.

A cirurgia feita foi metade, só retirada das pedras da bexiga, sem a ressecção, ou seja, raspagem interna da próstata. Eu achava que remédio resolveria, mas nenhum médico receitava, a não ser este que me operou.

É conhecido do Helio Henrique. Eu havia pensado nessa solução. Depois de uma grande curva, que passou pela desistência do primeiro médico, eu acabei fazendo o que julgava, por mim, preferível. E até acho que posso dizer, confirmado por Deus.

E essa demora, meu amado filho, foi uma escola, uma classe dos 60 anos, acho que devo estar entrando na página 2 da cartilha de minha vida (aqui entra o emoji de espanto). Ha ha ha.

Estou no Meier, onde cheguei em 1967, ano em que a mãe nasceu. Estive em Sepetiba, três noites, terreno que vô Cid comprou antes desse ano aí atrás. Estive na PUC, onde entrei aos 20 anos, sonhando ser Engenheiro Elétrico, de onde saí frustrado, mas para saber, às duras penas, que Deus me queria professor de português e pastor.

Ser pastor me levou ao Acre e ser professor ajudou na parceria com sua mãe para sustentar a família e também como inserção social e ajuda no testemunho ministerial.

Nestes dias aqui, meu filho, o filme de minha vida passou em cenas. Por um lado, pode-se dizer, foi muita coisa contingencial. Mas você e sua irmã que acompanham metade de nossa vida, eu e sua mãe, sabem que nossa família é uma rica experiência e que nós dois, Regina e eu, não casamos só por contingências.

A mão de Deus está conosco. Lembrei muito a agradeci muito a Deus por vô Cid e vó Dorcas: eu, assim como o casamento, você e sua irmã são fruto do ministério e da oração deles.

Então, essa parada e esse retorno meu ao meu chão, com a imersão nesses cenários, a angústia da distância e saudade de vocês, a vontade de melhorar muito em qualidade de vida neste tempo que ainda me resta, tudo isso junto me faz pensar num novo começo.

Só não é loucura, porque a promessa do evangelho é renovação permanente, renovação sempre. Por isso, até eu e você, tão jovem como você é, podemos recomeçar juntos. Deus renova a tua vida, ainda tão tenra, mais repleta de dons e promessas, assim como a minha, já desgastada, necessitada de restauração em algumas áreas, mas com a marca das experiências positivas.

Deus renova sua irmã, sua mãe, nosso lar, nossa igreja, enfim. Deus sempre renova, refaz, cria novo, molda o barro maleável em Suas mãos. Quero chegar aí com essa proposta. Estou relendo a Bíblia, tentando aquela proposta que coloquei, que começa hoje, 13 capítulos/dia até 31/12/2017.

É um bom começo. Já li alguns livros pequenos. Estou na metade de Romanos, Apocalipse e já comecei 1 Crônicas ontem. Ler a Bíblia sempre é bom. Caso você se engaje nessa jornada, teremos mais alguns assuntos a discutir sobre o Livro. E muito mais desta minha experiência aqui desejo falar.

Todas as coisas cooperaram aqui para o bem. Aí também, incluído o susto e livramento que Deus nos deu, especificamente a você, mais esta vez. Ele sempre vai agir assim conosco. Vamos entender que lições podemos aprender. Você, pessoalmente, com sua inteligência e percepção, mas também com a sabedoria, esta como dom de Deus.

Como diz Paulo, Cristo se nos torna, da parte de Deus, sabedoria, 1 Co 1,30-31. Vamos continuar juntos, como família, na repartição dos dons que Deus nos concedeu, individualmente, assim como na bênção dessa comunhão que temos, para além da simples genética.

Que visões Deus nos quer mostrar? Quais os avisos do Altíssimo? Ele conhece mais do que nós tempos e épocas. E nos deu esse contexto gostoso de convivência e comunhão, não só para sermos entre nós, somente, mas para, como estamos tentando, ser bênção aos que estão em redor.

Abração e quero chegar logo aí. Continue tendo todo o cuidado e se preservando. Abração a você, sua irmã e mãe.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

LEITURAS BÍBLICAS - Apologia 1

      A epístola de Judas, penúltimo livrinho do Novo Testamento, colado ao famoso Apocalipse, em função de sua linguagem, é "prato feito" para polêmica.

     Isso porque costuma-se acusar Deus, principalmente por causa do Antigo Testamento, como tipicamente iracundo. E a temática do livrinho detalha aspectos dessa ira.

      Judas cita (1) minorias, (2) cidades e (3) anjos contra quem o próprio Deus se manifesta. São elas Sodoma e Gomorra, são eles os revoltosos contra Moisés no deserto e anjos são os que, cita o autor, "abandonaram domicílio e estado original".

      Polemistas de plantão folgam em acusar a linguagem do livro absolutamente descontextualizada do tempo atual, assim como típico exemplo de como a Bíblia se apresenta disfuncional em sua pseudo retórica.

     Vamos tirar Deus de cena. Assim, satisfazemos logo quem divulga que Ele nem existe. Saindo fora, Sua ira seria, então, lenda pura e não, como dizem, desvio de personalidade.

     Agora vejamos se (1) destruir cidades, (2) eliminar minorias e (3) pôr a culpa da maldade em anjos maus se isso não é tipicamente humano.

      A segunda Grande Guerra, 1939-1945, inaugurou destruição sistemática de cidades, à esquerda e à direita. Culminou com Hiroshima e Nagasaki, primeiras bombas atômicas detonadas, ironicamente, por uma "nação cristã".

     Destruição sistemática de cidades é coisa de homens. Não culpem Deus por isso.

      No mesmo teatro, minorias foram perseguidas e quase que totalmente eliminadas: ciganos, homossexuais e minorias étnicas. E nem foi algo inédito na história.

     Discriminação, perseguição e eliminação de minorias ou grupos não é prática divina: é rotina histórica tipicamente humana.

     Resta discutir a prisão de anjos que aguardam o "juízo final", comentada por Judas e o juízo de Deus contra eles.

    Aqui, sim, é matéria tipicamente bíblica. O Livro conta a história dos anjos: ministros de Deus, com corpo imaterial, nome e personalidade própria que, esporadicamente, manifestam-se aos homens.
   
     Da mesma forma que nós, que temos corpo material, nome e personalidade própria, anjos também escolhem ser maus ou bons. E não têm sobre quem jogar a responsabilidade de sua escolha.

     Cessa a polêmica. Destruir cidades, perseguir minorias e culpar demônios pela maldade própria não tem nada a ver com Deus.

    A linguagem de Judas se atualiza,  se invertemos a ênfase e indicamos como maldade tipicamente humana o que polemistas desavisados apontam como ira de Deus, vício divino de Sua personalidade.

     Trazendo Deus de volta à cena, para os que creem nEle, trata-se de uma postura típica de Quem se envolve com a condição humana, a ponto de se ter feito homem em Cristo.

      Trata-se da reposta daquele que, segundo o Salmo 23, "guia pelas veredas da justiça, por amor do seu nome".

   

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

DESAFIO

   
       A Bíblia possui 1.189 capítulos. Proponho a você um desafio, ontem compartilhado a mim pelo Pr. Purim Jr.

      LER A BÍBLIA TODA ATÉ O FINAL DESTE ANO.

        Vamos contar a partir de Outubro/Novembro/Dezembro, considerando 90 dias.

         Essa conta, 1.189/90 = 13. Se lermos 13 capítulos ao dia, vamos conseguir.

         Lembre-se que capítulos como II e III João são curtos. Há Salmos também muito curtos.

        Subdivida o Salmo 119 em capitulos de 16 ou 24 versículos, lendo 2 ou 3 conjuntos de 8 versículos.

        E também Obadias, Judas, Naum, Jonas entre outros são curtinhos. Mas não é só essa estratégia que é importante.
     
        O importante é seu interesse. Mergulhe no texto. O interesse será avançar na leitura.

        Largue a novela. Abandone o zap-zap. Deixe de lado a telinha touch screen. A recompensa será compartilhar da intimidade de Deus.