sexta-feira, 17 de abril de 2020

RELATÓRIO DAS ATIVIDADES DA CONFEDERAÇÃO DAS UNIÕES AUXILIADORAS FEMININAS DA U.I.E.C.B. - NO PERÍODO DE JANEIRO DE 1980 A JULHO DE 1983

       Que é isso que tens na não?  Está foi a pergunta de Deus a Moisés. Ele tinha apenas uma vara e o Senhor mandou que ele fosse e não temesse. "Eu serei contigo e te ensinarei", foi a promessa do Senhor a Moisés.
       Curitiba, janeiro de 1980, - X Congresso Nacional que deixou a todos nós muitas saudades!...
        Regressando ao Rio, ainda assustada, trêmula, sentindo o peso da grande responsabilidade a mim confiada pelas queridas irmãs congregacionais do Brasil, muito confiante no Poder de Deus que se utiliza das pequenas coisas para a realização da obra a quem Ele confia. Pensando nas palavras da mensagem de encerramento do Congresso proferida pelo nosso pastor, o grande amigo Rev. Manoel da Silveira Porto Filho, aquela pergunta ficou soando aos meus ouvidos: "Que tens na tua mão, União Auxiadora Feminina?".
        Coloquei-me aos pês do Senhor, ao lado das queridas irmãs: Alina, Gineta, Clovelina, Sônia e Divina. Das 6, quatro estavam estreando na Confederação, mas começamos com muita união e coragem, as atividades, e logo encontramos as primeiras dificuldades. Assim sendo tivemos que ajustar salário de nossa funcionária a fim de não perdê-la, pois naquele início de tarefas não poderíamos ficar sem a pessoa que conhecia bem o nosso trabalho, principalmente no que se referia à nossa Revista Vida Cristã. Logo de saída, nosso orçamento teve de ser alterado não só com respeito à funcionária, como manutenção da sede, etc.
      Assim que, no ano de 1980, tudo correu normalmente. Procuramos atender a todas as Federações, comparecendo aos Congressos Regionais e a algumas outras atividades que estarão registradas neste relatório. 
       Procuramos cumprir as metas aprovadas em nosso Plano Diretor no Congresso de 1980. Assim sendo, foram publicados em Vida Cristã os estudos dos livros da Bíblia, pelo Rev. Joel Leitão com os temas "Jesus Cristo nossa Alegria" - Carta aos Filipenses - no ano de 1980.
    No ano de 1981, logo após a 35a Assembleia Geral que realizada em São Caetano do Sul, São Paulo houve a redivisão das Regiões Administrativas e de 15 federações passamos a 22 - o que nos assustou um pouco, apesar da nossa aprovação e otimismo, sentindo que tudo estava sendo feito para o progresso de nossa denominação e o Senhor nosso Deus estava aprovando. 
     Principalmente, sentimos que o reajuste dos alvos foram, às vezes, pesados, o que foi sentido logo de início. Mas o nosso Deus que nos supre em todos os momentos nos ajudou e, por isso, podemos dizer como S. Paulo em sua carta aos Coríntios: "Graças a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo".
    Para o crescimento espiritual das irmãs foi estudada a carta aos Colossenses - Jesus Cristo nossa vida, com a publicação do estudo e gabarito na revista Vida Cristã.

REGRESSO DA OVELHA PERDIDA

Triste ovelha tresmalhada,
Combalida, sem vigor,
Volta agora à doce aguada
De Jesus, o Bom Pastor.
.............................................................

A vagar, longe do aprisco,
Longos dias padeceu.
Restolhando o solo arisco,
De avidez quase morreu.

Bebeu águas poluídas
Para a sede mitigar.
Viveu horas doloridas,
Relembrando o antigo lar.

Fatigada, muitos dias,
Procurou satisfação
No ambiente das orgias,
Do pecado e da ilusão.

Mas Jesus, a cada instante,
Em seu coração lhe diz:
-- "Quem renega o lar distante
    Nunca pode ser feliz."

E Jesus sempre aconselha,
Com brandura e com amor:
-- "Volta agora, minha ovelha,
     Ao redil do teu Pastor."

"Muita relva verde e fina
Cá te espera, no teu lar.
Fonte de água cristalina
Tua sede irá matar."

"Lindo bosque de palmeiras,
Farfalhante, acolhedor,
Findará tuas canseiras,
Nesses dias de calor."

"Foge do louco borborinho
Desse mundo tão cruel!
Volta os passos no caminho,
Volta agora ao teu plantel!"...
.....................................................
.... A ovelhinha, triunfante,
      Vislumbrando excelsa luz,
      Regressou, naquele instante,
      Para os braços de Jesus...

                Sepetiba, 21/6/1973.
                    Nelson L. Mattos

quinta-feira, 9 de abril de 2020


TESTEMUNHO DA IRMÃ EUNICE LIMA DE ARAUJO, ÚNICA REMANESCENTE DO INÍCIO DO TRABALHO CONGREGACIONAL EM NILÓPOLIS 

    Neste mês de novembro, em que a nossa amada Igreja completa 37 anos de organização eclesiástica, eu, que acompanhei os seus primeiros passos, não poderia deixar de manifestar a minha alegria pelo evento. 

    Quero revelar as emoções e vibrações deste coração calejado pelas lutas, mas feliz por ter contribuído para o progresso do Evangelho nesta terra.

     Hoje eata amada igreja é forte, humilde e consagrada. Isto é resultado das robustas sementes semeadas em 25 de setembro de 1927, numa terra humilde e fértil, em sala de chão batido e luz de lampião.  Ali estava o saudoso Carlos Cesário Costa, crente consagrado, que junto com a sua família resolveu iniciar um trabalho evangélico congregacional em Nilópolis. 

     Tendo à frente o Sr. Avelino Neves dos Santos e esposa, D. Maria Neves dos Santos, realizou-se o primeiro culto.  Pouco tempo depois foram organizadas a Escola Dominical, a União Feminina, o Rol do Berço, o Coro e o Departamento do Lar. Quero chamar a atenção para o fato de que estes departamentos já estavam organizados antes da data hoje consagrada ao aniversário de organização eclesiástica da Igreja.

      Todo esse trabalho surgiu de uma visita do saudoso Rev. João Martins Sobrinho, então pastor da IEC da Passa Três, ao Sr. Carlos Costa.  Quanta saudade!

    A IEC de Nilópolis foi organizada oficialmente no dia 11 de novembro de 1932, no entanto a sua fundação, de fato, já ocorrera a 25 de setembro de 1927. Lembro-me como se fosse hoje da primeira congregação na Rua Claraíde, n° 138, hoje Maestro Djalma do Carmo, também da segunda, na casa do Sr. Januário de Castro, na Rua dos Expedicionários, mas por pouco tempo, tendo se mudado para a Rua Mena Barreto, para uma casa alugada a um judeu, que não gostou de saber que ali seria uma congregação cristã e imediatamente pediu que nós saíssemos, desocupando o prédio. É bom lembrar que o templo antigo estava começando a ser construído e nos mudamos assim mesmo, sem portas e sem janelas. A construção estava a cargo do Sr. Francisco Costa, recebido por jurisdição da IEC de Paracambi. 

      O Rev. Manoel Martins assistia mensalmente a Congregação na reunião de membros, de oficiais e na celebração da Ceia do Senhor. 

    O primeiro superintendente da Escola Dominical foi o Sr. Paulino Farias de Araujo, que também a organizou. O presbítero Adelino José Tavares substituiu o Sr. Paulino, tendo ficado à frente da Escola Dominical durante 25 anos. 

     Quanto à União Feminina, a primeira presidente foi a Sra. Evangelina Costa, que não tomou posse, por ter falecido. Foi substituída pela então tesoureira, D. Maria Neves dos Santos, que acumulou os dois cargos.  A União, sempre operoaa, trabalhava muito com a comissão de visitas, e também nas campanhas financeiras para a construção do templo. 

     A União de Mocidade teve seu início com a classe Ruth, da Escola Dominical, composta de jovens e adolescentes. Posteriormente, a UMEC foi devidamente organizada.

     A primeira diretora da União Juvenil foi a Sra. Ambrosina Medeiros e o Sr. Baldomero Leal de Araújo era o seu auxiliar. Muitas atividades foram realizadas, com torneios bíblicos, visitas, cultos ao ar-livre e passeios ao sítio do Sr. Januário de Castro, na Serra de Nova Iguaçu. Fizeram parte dessa União Juvenil os irmãos Léa, Lucy, Lizie, Lisânias, Martinho, Avelino, os irmãos Tavares, Abigail Paixão, Dorcas, Baldomero Filho, Éber, Lúcia Costa, Julinha Alves e outros que no momento não são lembrados. Clovelina Ávila foi uma das primeiras presidentes da União Juvenil. 

      Ao encerrar esse testemunho, dou graças a Deus. Aqui me batizei, como aconteceu com centenas de outros irmãos. Aqui instruímos filhos, netos, vizinhos no caminho do Santo Evangelho. Gente, valeu a pena! Quantas conversões, quantas obras realizadas, quantas visitas às Igrejas filhas, como a de Comendador Soares e de Mesquita. Hoje podemos sentir em nossos corações os vitoriosos resultados da sacrificada jornada.  Estamos conscientes de que não fizemos favores, mas sim cumprimos a obrigação para com o nosso Deus.  Anos e anos seguidos esta Igreja tem se empenhado, principalmente na Festa do Abrigo. Ainda me lembro de último caminhão repleto que nos transportava, em 1965.

     A minha última palavra é de agradecimento, que o faço em nome da União Feminina, da qual sou sócia desde 1928. Muito obrigada, meu Deus!

domingo, 5 de abril de 2020

Genérico

     Ser humano é substantivo. Principalmente, precedido do artigo definido "o", que vai dar "o ser humano". Genérico. Dizer "genérico", já é problemático para o ser humano. 
    Mas adiante falo sobre isso. Antes, desejo destacar aqui que o ser humano não sabe ser humano. Agora, "ser" está sendo verbo, no infinitivo. 
    Infinitivo é ser sem nunca deixar de ser. E, no caso, humano, nesta construção, será predicativo. Desse jeito, definitivamente, ser terá, infinitamente, estreita e permanente relação com humano. 
    Vai ver que, daí, dessa relação, surgiu o substantivo unindo esses dois vocábulos: ser humano. 
   Você pode não acreditar na Bíblia. Ou escolher que parte dela te interessa. Mas a principal parte, ainda que não seja aceita assim ou que tenha fé, que assim a aceite, conta que existe Deus. 
      E que esse Deus se fez homem. Para ensinar o ser humano a ser humano. Partindo do princípio de que ele, o ser humano, é genérico. 
    Muito difícil, quase impossível o ser humano, todos eles, qualquer deles, poucos entre eles, enfim, admitirem-se genéricos. 
     Admitir-se genérico é o princípio do amor. Quem não se admite genérico, não ama. Apenas simula. Às vezes, e, principalmente, pelo discurso. 
    Ou pelo teatro, representando. Hipócrita, no sentido original, no grego, é ator. No sentindo de amar, não vale a demagogia do discurso e nem a burla, o histrionismo, a representação.  
    João apóstolo foi temerário em definir Deus numa palavra só: amor. Ele disse Deus é amor. Também disse o verbo de fez carne e tabernaculou entre nós, quer dizer, montou nas costas sua tenda, e se misturou à humanidade. 
     Deus, singular, único, se tornou genérico, quer dizer, plural. Para ensinar o ser humano a ser humano. Quer dizer, mais ainda do que isso: para tornar o ser humano ser humano. 
     O ser humano, a humanidade toda, abandonou sua condição de ser humano. O vírus também é ser. Indefinido. Carrega um programa dentro, com os terminais de conexão. 
     Adere à célula, que é ser vivo, hospeda-se e a desintegra. Opera disfunção. Ele está lá fora, cumprindo o seu ciclo. Está ditando as normas. Estamos subordinados a elas.
     O Vírus é o meu pastor, nada me faltará. Já repetiu hoje seu salmo?  Não vá dizer "o Senhor é o meu pastor, nada me faltará". A não ser que esteja, de verdade, no aprendizado. Conectado a Deus, e não ao vírus.
    Ainda que não creia na história da Bíblia, ou de nenhuma outra religião, muito interessante que tenham inventado assim, como seja, que o Deus que inventou o ser humano se fez homem para tornar humano o ser humano. 
    Ainda que não acredite, seja humano. Ame. Ainda que seja o inimigo. Aliás, ame, principalmente, o inimigo: porque se aprender assim, de verdade, será fácil amar todos os outros.
    Sem histrionismo, quer dizer, sem hipocrisia, sem burla, sem falsidade, sem demagogia. Como diz João Apóstolo, "quem diz que ama a Deus, a quem não vê, e não ama o irmão, a quem vê, mente". 
    Seja genérico. 

sábado, 4 de abril de 2020

Tancredo Neves - 1995/1996

Ata de número dois dá solenidade de posse do pastor Cid Mauro Araujo de Oliveira ao pastorado da Igreja Evangélica Congregacional do estado do Acre, às dezenove horas do dia quatorze de janeiro de mil, novecentos e noventa e cinco. A mesma é realizada na sede da Igreja, situada no conjunto Tancredo Neves, quadra trinta e três, casa seis. O culto é iniciado com uma oração pelo pastor Paulo Leite da Costa, presidente da Junta Geral da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil. E em seguida um período de louvor é dirigido pela irmã Maria das Dores do Nascimento. Logo após é dada a oportunidade ao pastor Paulo Leite da Costa para ministrar a mensagem da Palavra de Deus, onde se baseou no livro de Josué, capítulo cinco. Após a mensagem, é iniciada a cerimônia de posse pelos pastores Paulo Leite de Costa e Nelson Rosa, seguida da impetração da bênção apostólica pelo pastor Cid Mauro Araujo de Oliveira. Eu, Elizângela Mendonça dos Santos, secretária da Igreja, lavro, fato a presente data que será assinada pela secretária EMSantos e pelo presidente CID MAURO ARAUJO DE OLIVEIRA.

IGREJA EVANGÉLICA CONGREGACIONAL 
EM RIO BRANCO 
Conjunto Tancredo Neves  - Quadra 33 -
 casa 5

(Espaço reservado para o futuro nome)

Boletim Informativo  - Ano 1 - n° 1 - março/1996

"As formigas, povo sem força, todavia no verão preparam a sua comida", Pv 30,25.

      Este versículo bíblico tem caracterizado nossa igreja. Mas tem mesmo? Fala de um povo não muito numeroso mas que, antecipadamente, resolve trabalhar. 
     A Bíblia fala que a 2a Vinda de Jesus está próxima. E manda trabalhar seja por essa causa ou porque a nossa própria morte pode nos surpreender. E diz que no túmulo, para onde vamos, não há obra.
    O povo de Deus sempre será um povo pequeno. E aqueles que, entre o povo pequeno de Deus são operosos serão sempre menos ainda. O versículo que tem sido o nosso lema nos convida a trabalhar ainda no verão para que, quando o inverno chegue, tudo esteja pronto.
      Seja operoso. A nossa força vem do SENHOR, também diz a Palavra. Este é o convite que neste primeiro número nos faz o nosso Boletim.
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    Procure na sua Bíblia o versículo que fala que devemos antecipar a nossa operosidade porque "no túmulo não há obra ou trabalho". Resposta no Boletim n° 2
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     Atenção para estes números: 12   1350  5/4    26,  27  e  28    10   2°/3° Você sabe o significado? NÃO!!! Então CUIDADO! Andas mal-informado...
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VIRE A PÁGINA DO BOLETIM PARA SABER

   Saiba agora o misterioso significado dos números: 
Não se trata de adivinhação ou sorte. A Bíblia condena isso em Dr 18,9-14. Trata-se de:

12 - junte "h" minúsculo e você terá 12h - Horário da Oração diária  na casa do Romário. Até lá!

1350 - Junte a sigla kHz (quilo-hertz) e você terá o n° da Rádio CAPITAL - Quintas, às 16h.

5/4 - Este sinal deve ser lido "cinco do quatro", ou seja, dia 5 do mês 4 que é  a data da Vigília de Oração  - no Tancredo Neves, às 22h.

26, 27 e 28 - Estes são dias do mês mesmo, de julho, data da Reunião de Instalação da Junta Regional Norte do Brasil  em Rio Branco, Acre. Ore! ! !

10 - Nenhum mistério: junte o sinal "%" e você terá a percentagem que o SENHOR requer de você para o sustento da Obra.

2° e 3° - São numerais ordinais referentes aos domingos do mês que você deve reservar para entregar ao Dono (da Obra de sua vida) o DÍZIMO. Alegre-se, então! ! !
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  Anote este Endereço: Rua Belchior da Fonseca 151 - Pedra de Guaratiba, Rio de Janeiro, RJ - CEP 26027-260. É o endereço de Ari, Clemilton e Dorinha. Escreva  ! ! ! 
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RÁPIDAS - RÁPIDAS  - RÁPIDAS - RÁPIDAS 

. Sábado 23/3 estaremos todos no São Francisco para: 1. aproveitando, conhecer; 2. "Chá do Bebê" do Manoel. 
. Nesta sexta-feira 15/3 culto na casa da Romana, congregada do Novo Horizonte. Perto da Congregação.
. ATENÇÃO  !  Caso você queira marcar cultos  em casa de parentes ou conhecidos procure Maria José Lima.
. Motivos de oração: Vigília do dia 5/4; Reunião de 26, 27 e 28 de julho; fase de transição no Campo; viagem e adaptação do casal Rosa; Concílio e Prova do Rivellino; Obreiros e Professores e professoras de crianças. 
. Nosso Seminário recomeça, aos sábados, suas aulas. Teremos Seitas e Ética (15h/aula cada). Orem pelas aulas de julho. Foram convidados os Pr. Aldemir (Manaus) e Mauro (Boa Vista) e Eliane, esposa deste. Também o Paulo César, obreiro da JOCUM, a confirmar sua presença. 

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terça-feira, 31 de março de 2020

50 anos de uma anágua

     As anáguas deviam ser eternas. As mães também.  Ora, quem não conhece Sepetiba?  Até meu amigo Manoel Pacífico, acreano autêntico, já veraneou por lá. 
      Nos anos 70, ah!, os anos 70. Aquelas mulheres, elameadas da ponta dos dedos dos pés até os cabelos, tratamento de pele e outros males diversos assim curados. 
   E quaradas ao sol. Nela, Sepetiba, não esqueça esse nome, e na vizinha Pedra de Guaratiba: o mesmo tratamento milagroso e o mesmo fundo de baía. 
    Nessa praia vizinha, a vista ao longe, linda, cobiçada e proibida da Restinga da Marambaia, com o acesso agora por Barra de Guaratiba, "Área Militar", acessível clandestinamente pelos barcos de pesca do camarão e outros em geral.
    Se você tomar banho de mar em Pedra de Guaratiba, água negra, daquela "lama medicinal", vai deparar camarões saltitantes ao seu redor.
   Pelo menos era assim, nos anos 70. Se você fosse pela manhã, ainda com água pela cintura, limite imposto pela previdência das mães, sentia a lama negra melada diluir-se por entre os dedos dos pés.
    Lanoso e nojento, você intuía que ela, a lama, era devassa: violava a intimidade dos teus pés, assim fazendo, parece que invadia você inteiro, como as madamas medicinais, na areia, uma lama imoral que inundava o seu ser.
    Era obrigatoriamente reflexivo caminhar pisando naquela lama. Era filosófico, até. Você se alçava, bioando, pensando ou tentando escapar. Para logo, criança, pôr o pé no chão do equilíbrio, para achá-la de novo.
    Imagina um mar desse gel ridículo que houve uma fase que inventaram como entretenimento para as crianças, um mar negro: era pior.
     Veja bem, entenda, aqui, este "pior": ninguém aqui está menosprezando Sepetiba. Mesmo porque nós e uma multidão conosco estávamos e estivemos lá. Filosófica é a lama e são as razões do afluxo mágico e veraneio dessa experiência.
      Se você fosse à tarde, maré cheia, a lama, com a areia, os tons de verde-sinistro, tudo em suspensão, mas sem a dita cuja no chão. Você pisava, era areia pura, água negra, verde-escuro, verde-musgo, verde-lama: paraíso!
    Afinal, era Sepetiba: o único afazer, no banho de maré-cheia, para a criançada, era cuspir a água areienta e elameienta que entrava na boca nos mergulhos suicidas. Com água até a cintura, somente, avisavam as mães. 
    Pois num desses dias armou o temporal, chuva de verão, daquelas imponentes e inesquecíveis. Fila quilométrica do ônibus Sepetiba-Santa Cruz. Aquele pessoal, é  claro, como desprezar uma ida a Sepetiba, num verão 70, pegando o Sepetiba-Santa Cruz? 
     Meu caro, de todo o ramal, por trem, até  Santa Cruz, de lá à orla, à barra. Era A praia. De Bangu acima, mermão, Padre Miguel que seja, Senador Camará, até Paciência, a penúltima, onde moravam meus primos, logo após Cosmos, onde residia outra irmã de meu pai, e vinha gente.
     A fila. O ônibus. Povo entrando pela janela. Eu, Dorcas, a Maninha, minha mãe, Leila, a caçula, irmã dela, com sua inseparável companheira, de sotaque e fenótipo nordestino, aguardando o típico escoamento lento e irregular de todo aquele povo bronzeado e cheirando a sal.
    Várias trovoadas já haviam avisado da borrasca, da "chuva torrencial", como dizia meu pai, que se avizinhava. Minha mãe já argumentara com Leila, mediante o quadro naquele ponto-final (parada-final, no Acre) que era melhor pernoitarem por ali mesmo, na casa emprestada, ao lado do terreno  que, até hoje, temos lá. 
     Mas a colega da Leila insistia, nada avisara à mãe, ela ficaria preocupada, o destino era Nilópolis. Sepetiba-Santa Cruz, trem até Deodoro, baldeação (que para acreano é usar balde na lavagem) em Deodoro, retornar pelo ramal de Japeri até o destino, "Cidade do Nilo".
    Anos 70. Não havia celular. Uma trovoada mais alta, decisiva, Maninha deu o ultimato, despediu-se, "Essa fila não tem boca", diria, se fosse no Acre, pegou do filho, com seus 10 anos, e pegou da estrada também.
    Ainda de asfalto mal feito, trechos de terra, ah, saudade da Sepetiba com ruas de terra, às vezes areia de praia mesmo, dunas e sítios aqui e ali. Caminhou com o menino até a entrada da rua do Clube do Recôncavo, referência para quem quisesse chegar à Alameda Sto Antonio, onde ficava a casa emprestada do vizinho.
    Não havia mais paciência, os fenômenos da natureza, em combinação, despencaram a chuva já prometida por relâmpagos, trovões e ventania. A poeirada que não ficava no chão, obrigando a virar o rosto, fechar boca e olhos e que as mulheres segurassem as saias, assentou com o despejar do dilúvio daquela tarde. 
     Foi quando. Dorcas, a mãe, apenas dobráramos na tal rua do Clube Recôncavo, chão de areia, agora sem poeira, com a chuva chovendo de todas e para todas as direções, desnecessário, porque até de baixo para cima vinha água, mas vá discutir com o instinto materno, habilíssima, Dorcas se deteve, e o menino junto a si, egueu primeiro uma perna, depois outra e sacou, incontinenti, de sua anágua.
    Com ela, envolveu minha fronte como num quadro de santa católica, instruiu que eu segurasse justo abaixo do queixo e tome chuva por todos os lados. Uns 350 m nesse estirão, varridos por vento e chuva de todas as direções, a mãe, o menino e a quase literalmente bendita anágua. 
    Santa anágua, Santa Mãe do Céu, como se diz, que temporalzão. Tão -zão assim que, daqui a pouco, chegam, mal haviam entrado mãe e menino pelo portão de madeira, ainda escancarado, vem Leila e a Marvel Vingadora Amiga inseparável, Valnira, a irmã do meio entre três, correndo, aflitas, Leila e ela, não só a chuva de todas as direções, pela ventania, não bastando relâmpagos e trovões, um estranho as perseguia.
    Pelo menos, ajudou na corrida de fundo das duas encharcadas. Mas que era estranho o homem, ele era, mas até hoje não se sabe se corria somente da chuva, fato este comemorando 50 anos de narrativa.
    E, para terminar, história neste blog já contada, por duas razões esse temporal dos anos 70, em Sepetiba, foi marcante: Leila voltou do ponto do Sepetiba-Santa Cruz, vencendo a amiga no argumento, com ajuda dos fenômenos da natureza, ao encontro de um raio, providência divina ao inverso.
     Neste país campeão de raios (que o partam), temos uma sobrevivente. Ainda bem que eu estive protegido pela anágua de Dorcas. Quem sabe, verdadeiro e legítimo para-raio de mãe.


sábado, 28 de março de 2020

Solidão


      Pastor protestante, eu sou, portanto crítico da pretensão de hegemonia da Igreja Católica. A que preço conseguiu, ao longo dos séculos, essa hegemonia?
     Herdou a planificação do império romano, espalhando-se por todo o mundo, e o mesmo modelo imperial de governo, representado pelo Papa.
    Bons ventos, na década de 60, pelo Concílio Vaticano II, quase a tornaram mais conciliar ou mais representativa, pelo menos numa feição, quem sabe, de assembleias cardinalícias ou até mesmo episcopais. Hans Küng que o diga.
   Mas ora, me diga: quem abre mão do poder? Só conheço um, Deus, quando se fez homem. Muito sugestivo o título do livro de Jack Miles: "Cristo, uma crise na vida de Deus".
     A figura solitária e solidária desse Papa, que podem chamar, na intimidade, de Papa Chico, resgata muito do sentido de ser igreja para essa Igreja.
     Porque nessa opção vertical de poder, depende muito da figura do Papa, se apenas um líder de mídia, ou se autenticamente um apóstolo, muito parecido com Cristo e, assim, representando todos nós. 
     Se há uma igreja que quer ser Igreja mundial, teria de ter como seu representante máximo alguém muito parecido com Jesus. Para qualquer cristão, até para o Papa, o que vale é ser muito parecido, aliás, Paulo Apóstolo diz imitador, no grego, "mimetai", daí mimesis, pantomima, imitação de Cristo. 
     Na sua solidão, na portabilidade e igualdade, para alguns forçada e a contragosto, que o vírus proporciona, a imagem de um homem solitário, chamado Chico, orando "urbi et orbi", representa-nos. 
     Ele é um Papa latino. Ao próprio Natanael, Filipe, apóstolo relações públicas entre os outros, disse "Vem e vê", quando aquele menosprezou a Galileia, região de procedência de Jesus: "De lá pode vir alguma coisa boa?".
     Ele mais ainda nos representa. Para mim, pastor protestante, igreja sou eu e sacramento sou eu mesmo, batizado no Espírito Santo pelo próprio Jesus, no ato de minha conversão. 
    Diametralmente oposto ao que professa a Igreja. Mas, para o coronavírus, e muitos outros micro-organismos, somos todos iguais. Para eles, barreira nenhuma separa a humanidade. 
    Nenhum modo diferente de entender. Gestos dizem muito. Tomara, quando passar esta calamidade, descubramos que, realmente, houve mudança. Mas não é o vírus que vai mudar a gente.
    Essa mudança, nem o Papa Chico faz. Essa mudança só Jesus faz. Que não fique, apenas, represado, em mim, pelo medo, tudo de ruim que tenho. E que, segundo Jesus, todos temos, como disse em Marcos 7,21: "Porque de dentro, do coração dos homens (e das mulheres também), é que procedem os maus desígnios".
     Que Jesus continue sua obra na vida de cada um de nós. E que cada um possa ser não apenas outro, mas ser novo. Para que ao fim desta calamidade, possamos vislumbrar, com certeza, um mundo melhor.