RARIDADE! 🚨 Elis Regina, em 1980, em sua casa na Serra da Cantareira, em São Paulo!
RARIDADE! 🚨 Elis Regina, em 1980, em sua casa na Serra da Cantareira, em São Paulo!
🏆 Brasil x Itália 1970: A Final que Entrou para a HistóriaEra 21 de junho de 1970. Um estádio lotado, mais de 100 mil pessoas assistindo o maior espetáculo da Terra: a final da Copa do Mundo. De um lado, a forte seleção da Itália. Do outro, o Brasil de Pelé, Tostão, Gérson, Jairzinho e companhia. Essa imagem é o registro do encontro entre os dois capitães, minutos antes da bola rolar no gramado sagrado do Estádio Azteca, no México. Mal sabiam eles que estavam prestes a participar de um dos maiores jogos da história. O Brasil não só venceu… goleou. Um sonoro 4 a 1 que entrou para a eternidade. Pelé marcou o primeiro, e depois vieram Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres — com aquele chute épico que virou símbolo da perfeição no futebol. Com esse título, o Brasil se tornou tricampeão mundial e ficou com a Taça Jules Rimet em definitivo. Mas essa foto vai além do futebol: ela representa respeito, rivalidade e glória. Dois gigantes frente a frente, prestes a escrever uma página dourada na história da humanidade com uma bola nos pés.
Av. Francisco Bicalho e Canal do Mangue.
Ao fundo, o antigo Gasômetro (Bairro Imperial de São Cristóvão).
Santo Cristo 1924.
Vamos começar pelos nomes dos avô e avó, Filomena (sem esquecer Quixeramobim). O pai do pai era Artur, avô paterno. A esposa era branquinha, do olho azul (como minha bisavó Dorcas), semente de alemão (ora, de novo, como em minha família!). E esse avô era bem moreno, do cabelo pixaim. Geralmente, as pessoas não gostam de pessoas negras. Da minha mãe eu lembro pouco o nome. Havia uma tia Maria, tia legítima de minha mãe. Quando eu saí de Lagoa Cercada, em Quixeramobim, fui para a casa dela. “Dei um trabalho desgraçado para ela”. Risos. Gargalhadas. Era valente, eu tinha uns 16, 17 anos. Saí da roça para estudar. Nunca deixei de estudar, mas era muito arengueira. Fiquei morando em Mossoró, até 1978. Só que na casa de minha tia Maria, eu fui morar com o tio, irmão de meu pai, tio Chico, só que eu bati nas filhas dele. Então eu fui expulsa de lá. De lá, eu peguei um ônibus, voltei à minha tia Maria, que eu ia embora para Natal. Seria com minha irmã, que morava com um tio terceiro. Porque quando essa irmã foi morar em Natal, a Fátima, mais velha, também de Mossoró, havia passado em Medicina e em primeiro lugar. E fui então morar com a tia Araci, que era como uma mãe. Mas voltando à saída do interior, para eu sair de lá, foi uma novela: porque era eu e Fábio ajudando papai no roçado. O Fábio saiu, ficou sobrecarregado. Meu pai era Lauro, mas conhecido na região como Zé Júlio. Porque foi colocado Zé Júlio? Quando eu fui saber, já tinha meus 17, 18 anos. Ficou sem saber por que Lauro Rodrigues Ventura até essa época. E lá no interior, perguntassem por Lauro, ninguém sabia. Meu pai era Zé Júlio? E por que o nome Zé Júlio? Meu pau, quando casou com a minha mãe, ele morava em Mossoró, muito jovem. Minha irmã Fátima, que já beira 70 anos, tinha 2 anos. Meu pai estava com ela nos braços e um dos irmãos dele pediram para ele ir lá na Milharina, porque os policiais estavam batendo num tio nosso. E ele saiu, com Fátima nos braços. E foi à Milharina e, quando chegou, o soldado estava batendo no Juarez e ele pediu para não fazer assim, que ele ia levar para casa. A resposta foi “Eu bato nele e bato em você também”, resposta do policial. Papai só fez entregar Fátima para mamãe e entrou na luta com esses policiais, que eram três, com um faquinha diminuta, mas ele era muito rápido. Chegou a levar um golpe na perna, que perdurou nos efeitos. Mas cegou a vitimar um deles. Com conhecimentos, saíram com ele de Mossoró, e foi num jipe do exército. Alcançou Aracati, no Ceará, vizinha de Mossoró. E tanto quanto minha mãe, foi criado no cajual, trabalhador, trabalhou em salinas, então foi se esconder pelo Brasil afora, para não ser pego ou morto. Foi quando conheceu esse fazendeiro, local onde a família então foi criada, numa fazenda em Lagoa Cercada, Quixeramobim. 1h hora de viagem entre as duas. Foi essa a razão de ser criado um novo registro para Lauro, agora Zé Júlio, imagina! Decorreram então 22 anos e ficou para trás o perigo de ser preso. E voltou a Mossoró, conhecendo a família do policial vitimado, ainda que por legítima defesa, da parte dele. A viagem de Lucia para estudar em Mossoró se deu nessa época de já poder retornar. Tendo ficado escondido todo esse tempo, eu vim então conhecer a minha avó já com meus 17 anos. Conheci tia Maria, mais dois tios por parte de minha mãe, Francisca, o tio Manoel e uma outra ainda que com pouca relação. Tenho uma rede de linha tecida por minha mãe, com o nome bordado, sem que ela soubesse ler, apelido Fanquinha. Vou retirar esse pedaço e moldar um quadro. Ficou perfeito, precisa ver. Mas ela não sabia assinar o nome. Sim, eu fui estudar, mas fui uma pessoa que dei trabalho. Mas por quê, porque valente demais. Foi como tirar uma onça de dentro do mato e colocar na cidade. Quando eu fui para Mossoró, o acesso à escola para onde eu ia, era sem dinheiro nenhum, ir e voltar a pé. Certo dia, eu vinha pela rua principal, com fome, cansada, terminada a aula uma 18h, e no sentido contrário um sei lá quem inventou de me tocar os seios, ara, dei-lhe uma pisa, mas uma pisa, que só sei que chegou uma pessoa que me tirou de cima dele. “Encaixei minha pernas nos braços dele, que tome-lhe peia, tome-lhe peia!”.
E ele era um vigia de outro colégio pelo qual eu passava defronte. Só sei que eu cheguei em casa e fiquei caladinha, não disse nada a minha tia. Pois sim fiquei caladinha, e havia a feira livre, aonde eu ia com a minha tinha, para ajudar a carregar as compras, foi quando tia Maria encontrou um conhecido, todos a conheciam, ela confeccionava redes, foi quando alguém a chamou: “D. Maria Ferreira, como é que está a sua sobrinha, está tudo bem?”. Ora, está aqui, respondeu minha tia. “Mas ora, essa menina é valente, hein?!” Pronto, eu disse. “Ela deu uma pisa num cara”, esclareceu a X9. Se não tirassem de cima dele... Mas a tia Maria... “Eu não estou sabendo de nada.” E vieram os esclarecimentos: “Mas venha cá, minha filha, você brigou?!” Ora, eu fui obrigada, minha tia. Bati no cara, porque ele queria pegar nos meus peitos. É aquela história, tia, eu me defendi. Mas não diga pro meu pai não, porque senão ele me leva de volta para Queixada. Mas da próxima vez que você brigar, eu conto. Mas ora, na escola, quem mexia com ela? Ninguém.
Como você conheceu o Cavalcante?
O Cavalcante, é assim: quando eu comecei a
trabalhar na Praça – é como eu digo para os meus filhos – “Invista
nas tuas ferramentas, compra ferramentas...”. Não adianta trabalhar, sem
investir. Na Praça, eu tinha várias licenças, vários carros. E ele trabalhava com
uma mulher, numa empresa de ônibus, ele era motorista de ônibus, o Cavalcante,
motorista de ônibus aqui em Rio Branco. Essa mulher, com quem ele trabalhava,
tinha um Chevette e ele trabalhava com o Chevette dela, um verdinho. Porque ele
trabalhava nessa empresa e essa mulher comprou esse carro e ele trabalhava para
ela, tirava porcentagem. Era alugado a ele, trabalhava o dia todinho, por exemplo,
tirava 100 reais, por exemplo, 40, 50 ou 60%, dependendo do acerto. Era essa a
história: ela comprou esse carro e ele foi trabalhar para ela. Trabalhava na Praça
e parece que, com um tempo, ela se separou e então, por via dos fatos, ela
vendou o carro. E alguém me indicou para ele. Ora, quase todos os taxistas de
Rio Branco trabalharam para mim, quase todos. Indicaram: “O cara que tem uma
porção de carro na Praça é o Jorge”. E aí ele veio atrás de mim e aí eu dei essa
parati para ele trabalhar. Eu fiz um
negócio com ele: de segunda a segunda ele me pagava 350 reais. Se ele fizesse
mais, supondo 2 mil, 3 mil, era dele, está entendendo, era alugado para ele.
Seria, por exemplo, uns 1400 por mês, que era dinheiro, na época. E eu pagava
os consórcios dos carros, Trescinco. Só em Cuiabá, eu peguei uns 4 ou 5 carros
pelo Consórcio Trescinco. Eu peguei um Santana, foi nele que eu saí de lá de
manhã cedo e cheguei aqui em Rio Branco 11 horas da noite (2.000 km). Vim
voando! Eu cheguei aqui e o vendi e, com esse dinheiro, comprei dois Uno em São
Paulo. Eu fui buscar com o Marco Aurelio, meu cunhado. Nesse tempo não havia
ar, eu mandei colocar ar no carro, fui buscar em Embu das Artes (a 505 km de
São Paulo), na Régis Bittencourt, a Rodovia da Morte. Cavalcante veio trabalhar
comigo, um monte de tempo, trabalhou comigo, morou em minha casa, por questões
com a esposa, trabalhava e morava em minha casa, na Morada do Sol, onde havia
um quarto, ficava no quarto da Gabi, minha filha, por ser só Gabi e Gabriel (na
verdade, chamado Jorge, como o pai). Trabalhou muito tempo e fez um ocorrido,
quando trabalhou no carro uma semana inteira, sem necessidade de ter feito,
porque veio a segunda, não apareceu, veio a terça, e eu “Alguém viu o
Cavalcante por aí?” Passou a RX, e tal, mas ninguém viu o carro rodando, nem
nada, aí um cara viu que meu carro estava lá no posto, no Ricardinho, num
bairro, deixou o carro lá, para lavar, e sumiu, até hoje... rsrsrsrsrs. Aí,
depois apareceu e queria trabalhar comigo de novo. Pergunto: onde que a Lúcia
(que indicou Cavalcante para a chácara da igreja) entra nessa história? Ah, ela nos conhecia, ela trabalhava na
Praça, era Rádio Táxi, os taxistas eram todos conhecidos e outros mais. Ele
trabalhou comigo, trabalhou com a Lúcia. Morou na casa da Lúcia também.
Cavalcante era do tipo de meus dois irmãos, um cara que trabalha muito, que
trabalha mesmo, mas no final não tem nada. Ora, se você trabalha, prospera,
você trabalha em várias áreas, como eu. Sempre gostei, desde pequeno, de ter o
que é meu, sem ficar pedindo a ninguém. Quando pequeno, vendia picolé. Quando
fui morar em Natal, vendia algodão doce. A mulher fazia aquele bichinho, aquele
bibelozinho de isopor, um bonequinho que pendia para lado e outro, eu vendia
aquilo ali no tabuleiro. Já vendi tudo em minha vida. Eu ganhava dinheiro. Quando
eu morava com meu ex-cunhado, o vizinho nos chamavam, então íamos limpar quintal,
pelo Tropical, pelas casas daqueles ricão ali: “Você não quer limpar quintal,
não? Uma vez até uma mulher acusou-nos de roubo, deu em nada. Eu disse “meu pai
não nos ensinou a pegar o que não é nosso não”. Até de ter cometido imoralidade
eu já fui acusado por uma mulher. Mas foi uma intriga. E era um tempo em que eu
tinha um Fusca. Mas eu tinha o álibi de não ter saído da garagem, naquele dia,
por obras na rua. A minha mulher sabia disso. Mas, mesmo assim, a ter sido
preso eu fui. E o delegado me conhecia, de bater papo, Dr. Nilo Francesi. Fui
procurado pela Polícia, mais ou menos me conheciam. Então eu fui lá na casa
dela, para questionar essa denúncia, argumentando que estava muito me
prejudicando. “Eu tenho família para criar”. E mais uma vez chega lá em casa a
Polícia. Fui ouvido na delegacia, ainda assim fiquei uns 5 dias preso. Mas tudo
ficou esclarecido, por acerto com o Delegado, Deus sabe e começava a mudar
minha vida.