quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Elis, 1980

 

RARIDADE! 🚨 Elis Regina, em 1980, em sua casa na Serra da Cantareira, em São Paulo! 

Uma sessão fotografada para uma reportagem da revista “Manchete” com o marido César Camargo Mariano e com os filhos: João Marcelo (filho de Ronaldo Bôscoli), Pedro Mariano e Maria Rita

A maior Seleção de todos os tempos

 

🏆 Brasil x Itália 1970: A Final que Entrou para a HistóriaEra 21 de junho de 1970. Um estádio lotado, mais de 100 mil pessoas assistindo o maior espetáculo da Terra: a final da Copa do Mundo. De um lado, a forte seleção da Itália. Do outro, o Brasil de Pelé, Tostão, Gérson, Jairzinho e companhia. Essa imagem é o registro do encontro entre os dois capitães, minutos antes da bola rolar no gramado sagrado do Estádio Azteca, no México. Mal sabiam eles que estavam prestes a participar de um dos maiores jogos da história. O Brasil não só venceu… goleou. Um sonoro 4 a 1 que entrou para a eternidade. Pelé marcou o primeiro, e depois vieram Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres — com aquele chute épico que virou símbolo da perfeição no futebol. Com esse título, o Brasil se tornou tricampeão mundial e ficou com a Taça Jules Rimet em definitivo. Mas essa foto vai além do futebol: ela representa respeito, rivalidade e glória. Dois gigantes frente a frente, prestes a escrever uma página dourada na história da humanidade com uma bola nos pés.              


  Brito em loja do Meier 
Multidão cerca o zagueiro Brito, numa loja do Méier, em 1970, poucos dias depois da conquista do tricampeonato, no México. Foto: Revista Manchete, nº 951, edição de 11.07.1970. Hemeroteca da Biblioteca Nacional.

Santo Cristo e Praça Saens Peña, Rio, RJ

 Av. Francisco Bicalho e Canal do Mangue.

Ao fundo, o antigo Gasômetro (Bairro Imperial de São Cristóvão).

Santo Cristo 1924.


Praça Sáenz Peña. Rua Conde de Bonfim.
Ao fundo, o cinema Metro-Tijuca, demolido em 1977.
Tijuca, anos 1940

Acidente em Deodoro


  Meus pais descreviam essa noite, ali em Cascadura, onde residiam, com as pessoas saindo para a Rua Mendes de Aguiar, algumas com camisola e pijamas, assustadas, sem saber ao certo o que acontecia. Cid e Dorcas percorreram o corredor que os separava do povo, visto morar no 90, ap 102, Fundos, em Cascadura. O meu imaginário de criança desenhava essas cenas e até hoje nos fragmentos de memória, tornou-se uma recordação viva de um recorte da infância em narrativa dos pais.

 O ACIDENTE DE 1958 EM DEODORO-RJ

" ABALOU BANGU "
Siga a pagina de histórias

Fonte : Arquivo Nacional
No Dia 02 de agosto de 1958 pouco depois da conquista da Copa do mundo, uma explosão gigantesca iluminou o céu, sacudiu o chão, rachou paredes e estilhaçou vidros em diversos bairros como Bangu, Marechal Hermes, Ricardo de Albuquerque, Tijuca e Grajaú .
O estrondo foi tão intenso que muitos moradores deixaram suas casas em pânico, sem saber o que ocorria, questionando se era guerra, revolução ou até um acidente nuclear .
Relatos apontam que sepulturas foram arrancadas no cemitério de Ricardo de Albuquerque e restos mortais apareceram flutuando na Praia de Ramos, quilômetros distante .
O complexo militar era o maior da América Latina, com 10 paióis e cerca de 60 depósitos de armas e munições — ou seja, armazenava armamento suficiente para gerar destruição em larga escala .
Ao longo de três dias houve várias explosões, cada vez mais intensas, ampliando o terror entre a população .
O evento gerou a expressão popular “abalou Bangu”: nas primeiras versões dizia-se que o estrondo "abalou Deodoro até Bangu" — com o tempo, virou apenas “abalou Bangu”, significando algo que causou grande impacto .
O historiador Luiz Antonio Simas classifica a explosão como uma das maiores tragédias da história do Rio de Janeiro .
Moradores de regiões como Nilópolis, Marechal Hermes e Bangu relatam ter acordado no meio da madrugada com clarões e estrondos seguidos — muitos correram em pânico e foram orientados pelo Exército a se deitarem no chão a cada novo estouro. Alguns desses relatos fazem parte de crônicas e redes sociais .

Jamais, em toda a história da nossa cidade, houve uma madrugada tão alucinante, tão aterrorizante, tão inesquecivelmente catastrófica quanto aquela de 2 de agosto de 1958. O Estado ainda respirava os ares de euforia da conquista da Copa do Mundo na Suécia, quando, perto da meia-noite, o inferno se abateu sobre o Rio. 
De repente, um estrondo apocalíptico rasgou o silêncio da noite. Uma explosão colossal, vinda da serra do Gericinó, incendiou o céu, fez o chão tremer como em um terremoto, rachou paredes, estilhaçou vidros e lançou o pânico sobre Bangu e arredores. Homens, mulheres e crianças, em puro desespero, abandonaram suas casas em fuga cega, agarrando filhos e o pouco que podiam carregar, enquanto corriam para longe daquela luz fantasmagórica que anunciava o caos. 

E então... novas explosões. Cada uma mais violenta que a outra, sacudindo a cidade, alimentando o terror. "O que está acontecendo?", gritavam uns aos outros, entre lágrimas e preces. Seria uma guerra? Uma revolução? O Brasil havia sido atacado? Ou seria, Deus nos livre, o fim do mundo?
Só no dia seguinte, quando os jornais estamparam a notícia em manchetes gigantescas, o pesadelo ganhou nome: o maior depósito de munições do Exército, em Deodoro, havia explodido. Um complexo monstruoso, o maior da América Latina, com dez paióis e 60 depósitos abarrotados de armas e explosivos capazes de varrer o Rio do mapa. E, naquela noite, quase o fizeram. 
O impacto foi tão brutal que túmulos no cemitério de Ricardo de Albuquerque foram despedaçados, e restos humanos – sim, ossadas de mortos – foram encontrados flutuando na Praia de Ramos, a quilômetros de distância. Imaginem o poder daquela explosão.
Foi um evento tão grandioso, tão aterrador, que marcou a alma de todo carioca que o testemunhou. Até hoje, quem viveu neste período, lembra com clareza daquele dia em que o céu pegou fogo e a terra rugiu. O dia que abalou Bangu.


OUTROS DEPOIMENTOS:
Luciano Torres
Só queria saber o que aconteceu na Tijuca e no Grajaú que estavam tão longe. E não citaram Realengo,Vila Militar,Bento Ribeiro, Oswaldo Cruz, Anchieta,Olinda,Nilopolis,Paraná e outros bairros mais próximos. Tem muita fantasia nessa narrativa, detalhe tenho 79 anos e nessa época morava em frente a estação de Anchieta e vi e passei essa tragédia, por falo que tem alguns fatos que não condizem extrapolando em algumas situações.

Maria Freitas
Meu pai morreu lutando por uma indenizaçaõ,
Com 18 anos na época.. Servia sua amada Patria estava de serviço nesse dia fatídico...
Meu pai lutou e lutou muito pois nao foi só ele tinha outros companheiros na mesma luta..
Enfim ficou a luta a decepçaõ e o pior sequelas pcicologicas..
Nós filhos ..vimos nosso pai se sentir humilhado com tanto descaso..
Meu pai morreu ainda buscando a tal indenizaçao que nunca veio..
O que nos resta é lamentar...naõ pela indenizaçaõ... mas pelo descaso das vidas dos soldados que nesse dia estavam no cumprimento do seu dever.

Cristiane Aparecida
Na época meu pai tinha 8 anos morador de Realengo ,ele contou que ele os irmãos a mãe e o pai saíram a pé de Realengo até compo grande de madrugada contou que foi horrível parecia que o mundo estava acabando

Marcia Alves
Foi sinistro mesmo.
Nessa época eu tinha nove anos e morava em Olinda-Nilopolis.
Acordamos com os estrondos terríveis e labaredas muito altas.
Pessoas a pé, com roupas de dormir, crianças no colo, cachorros e gatos, fugindo de Deodoro, Ricardo, Guadalupe em direção à Nilópolis ou até Nova-Iguaçu.
Um verdadeiro terror.

Ana Paula de Barros
Minha mãe MORAVA no BLOCO 19 fica perto e tiveram q sair correndo com a roupa do corpo. Ela lembra perfeitamente tudo q aconteceu. Meu avô teve q pedir no rádio que localizasse a família pois não estava em casa no momento. Várias família afetadas. As pessoas foram abrigadas na casa de pessoas que nem se conheciam. Em Marechal Hermes, Ricardo de Albuquerque, Osvaldo Cruz e etc os moradores ouviram e abrigaram as pessoas q estavam fugindo.

Sheila Pinheiro da Silva
Eu morava em Iraja tinha 6 anos,e tivemos que correr sem paradeiro deixando tudo para trás eram bolas de fogo no céu e as pessoas gritavam dizendo e o fim do mundo,Até que anunciou no rádio que foi explosão nos paiois da Reduc.Nunca mais esqueci desta cena

Nelma Carneiro
Eu e minha família morávamos na rua Itaím em Coelho Neto, passamos a madrugada sentados na calçada, os vizinhos também, as crianças todas enroladas nos lençóis apavodos. Lembro que foi horrível. As explosões eram altíssimas

Fátima Nascimento
Eu tinha só 5 anos ,mas lembro bem dessa noite, pessoas andando pelas ruas na madrugada, rezando e fugindo, de camisola,roupa de dormir, eu não entendia nada, mas sabia q algo ruim estava acontecendo, morava em Bangu, na antiga Rua do Retiro, hj Ministro Ari Franco.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Não mexa com minha história - Parte 1

Vamos começar pelos nomes dos avô e avó, Filomena (sem esquecer Quixeramobim). O pai do pai era Artur, avô paterno. A esposa era branquinha, do olho azul (como minha bisavó Dorcas), semente de alemão (ora, de novo, como em minha família!). E esse avô era bem moreno, do cabelo pixaim. Geralmente, as pessoas não gostam de pessoas negras. Da minha mãe eu lembro pouco o nome. Havia uma tia Maria, tia legítima de minha mãe. Quando eu saí de Lagoa Cercada, em Quixeramobim, fui para a casa dela. “Dei um trabalho desgraçado para ela”. Risos. Gargalhadas. Era valente, eu tinha uns 16, 17 anos. Saí da roça para estudar. Nunca deixei de estudar, mas era muito arengueira. Fiquei morando em Mossoró, até 1978. Só que na casa de minha tia Maria, eu fui morar com o tio, irmão de meu pai, tio Chico, só que eu bati nas filhas dele. Então eu fui expulsa de lá. De lá, eu peguei um ônibus, voltei à minha tia Maria, que eu ia embora para Natal. Seria com minha irmã, que morava com um tio terceiro. Porque quando essa irmã foi morar em Natal, a Fátima, mais velha, também de Mossoró, havia passado em Medicina e em primeiro lugar. E fui então morar com a tia Araci, que era como uma mãe. Mas voltando à saída do interior, para eu sair de lá, foi uma novela: porque era eu e Fábio ajudando papai no roçado. O Fábio saiu, ficou sobrecarregado. Meu pai era Lauro, mas conhecido na região como Zé Júlio. Porque foi colocado Zé Júlio? Quando eu fui saber, já tinha meus 17, 18 anos. Ficou sem saber por que Lauro Rodrigues Ventura até essa época. E lá no interior, perguntassem por Lauro, ninguém sabia. Meu pai era Zé Júlio? E por que o nome Zé Júlio? Meu pau, quando casou com a minha mãe, ele morava em Mossoró, muito jovem. Minha irmã Fátima, que já beira 70 anos, tinha 2 anos. Meu pai estava com ela nos braços e um dos irmãos dele pediram para ele ir lá na Milharina, porque os policiais estavam batendo num tio nosso. E ele saiu, com Fátima nos braços. E foi à Milharina e, quando chegou, o soldado estava batendo no Juarez e ele pediu para não fazer assim, que ele ia levar para casa. A resposta foi “Eu bato nele e bato em você também”, resposta do policial. Papai só fez entregar Fátima para mamãe e entrou na luta com esses policiais, que eram três, com um faquinha diminuta, mas ele era muito rápido. Chegou a levar um golpe na perna, que perdurou nos efeitos. Mas cegou a vitimar um deles. Com conhecimentos, saíram com ele de Mossoró, e foi num jipe do exército. Alcançou Aracati, no Ceará, vizinha de Mossoró. E tanto quanto minha mãe, foi criado no cajual, trabalhador, trabalhou em salinas, então foi se esconder pelo Brasil afora, para não ser pego ou morto. Foi quando conheceu esse fazendeiro, local onde a família então foi criada, numa fazenda em Lagoa Cercada, Quixeramobim. 1h hora de viagem entre as duas. Foi essa a razão de ser criado um novo registro para Lauro, agora Zé Júlio, imagina! Decorreram então 22 anos e ficou para trás o perigo de ser preso. E voltou a Mossoró, conhecendo a família do policial vitimado, ainda que por legítima defesa, da parte dele. A viagem de Lucia para estudar em Mossoró se deu nessa época de já poder retornar. Tendo ficado escondido todo esse tempo, eu vim então conhecer a minha avó já com meus 17 anos. Conheci tia Maria, mais dois tios por parte de minha mãe, Francisca, o tio Manoel e uma outra ainda que com pouca relação. Tenho uma rede de linha tecida por minha mãe, com o nome bordado, sem que ela soubesse ler, apelido Fanquinha. Vou retirar esse pedaço e moldar um quadro. Ficou perfeito, precisa ver. Mas ela não sabia assinar o nome. Sim, eu fui estudar, mas fui uma pessoa que dei trabalho. Mas por quê, porque valente demais. Foi como tirar uma onça de dentro do mato e colocar na cidade. Quando eu fui para Mossoró, o acesso à escola para onde eu ia, era sem dinheiro nenhum, ir e voltar a pé. Certo dia, eu vinha pela rua principal, com fome, cansada, terminada a aula uma 18h, e no sentido contrário um sei lá quem inventou de me tocar os seios, ara, dei-lhe uma pisa, mas uma pisa, que só sei que chegou uma pessoa que me tirou de cima dele. “Encaixei minha pernas nos braços dele, que tome-lhe peia, tome-lhe peia!”. 

A moça na época dessa peia.

E ele era um vigia de outro colégio pelo qual eu passava defronte. Só sei que eu cheguei em casa e fiquei caladinha, não disse nada a minha tia. Pois sim fiquei caladinha, e havia a feira livre, aonde eu ia com a minha tinha, para ajudar a carregar as compras, foi quando tia Maria encontrou um conhecido, todos a conheciam, ela confeccionava redes, foi quando alguém a chamou: “D. Maria Ferreira, como é que está a sua sobrinha, está tudo bem?”. Ora, está aqui, respondeu minha tia. “Mas ora, essa menina é valente, hein?!” Pronto, eu disse. “Ela deu uma pisa num cara”, esclareceu a X9. Se não tirassem de cima dele... Mas a tia Maria... “Eu não estou sabendo de nada.” E vieram os esclarecimentos: “Mas venha cá, minha filha, você brigou?!” Ora, eu fui obrigada, minha tia. Bati no cara, porque ele queria pegar nos meus peitos. É aquela história, tia, eu me defendi. Mas não diga pro meu pai não, porque senão ele me leva de volta para Queixada. Mas da próxima vez que você brigar, eu conto. Mas ora, na escola, quem mexia com ela? Ninguém.

Estes foram os 17 anos.

O taxista

Como você conheceu o Cavalcante?

O Cavalcante, é assim: quando eu comecei a trabalhar na Praça – é como eu digo para os meus filhos – “Invista nas tuas ferramentas, compra ferramentas...”. Não adianta trabalhar, sem investir. Na Praça, eu tinha várias licenças, vários carros. E ele trabalhava com uma mulher, numa empresa de ônibus, ele era motorista de ônibus, o Cavalcante, motorista de ônibus aqui em Rio Branco. Essa mulher, com quem ele trabalhava, tinha um Chevette e ele trabalhava com o Chevette dela, um verdinho. Porque ele trabalhava nessa empresa e essa mulher comprou esse carro e ele trabalhava para ela, tirava porcentagem. Era alugado a ele, trabalhava o dia todinho, por exemplo, tirava 100 reais, por exemplo, 40, 50 ou 60%, dependendo do acerto. Era essa a história: ela comprou esse carro e ele foi trabalhar para ela. Trabalhava na Praça e parece que, com um tempo, ela se separou e então, por via dos fatos, ela vendou o carro. E alguém me indicou para ele. Ora, quase todos os taxistas de Rio Branco trabalharam para mim, quase todos. Indicaram: “O cara que tem uma porção de carro na Praça é o Jorge”. E aí ele veio atrás de mim e aí eu dei essa parati para ele trabalhar.  Eu fiz um negócio com ele: de segunda a segunda ele me pagava 350 reais. Se ele fizesse mais, supondo 2 mil, 3 mil, era dele, está entendendo, era alugado para ele. Seria, por exemplo, uns 1400 por mês, que era dinheiro, na época. E eu pagava os consórcios dos carros, Trescinco. Só em Cuiabá, eu peguei uns 4 ou 5 carros pelo Consórcio Trescinco. Eu peguei um Santana, foi nele que eu saí de lá de manhã cedo e cheguei aqui em Rio Branco 11 horas da noite (2.000 km). Vim voando! Eu cheguei aqui e o vendi e, com esse dinheiro, comprei dois Uno em São Paulo. Eu fui buscar com o Marco Aurelio, meu cunhado. Nesse tempo não havia ar, eu mandei colocar ar no carro, fui buscar em Embu das Artes (a 505 km de São Paulo), na Régis Bittencourt, a Rodovia da Morte. Cavalcante veio trabalhar comigo, um monte de tempo, trabalhou comigo, morou em minha casa, por questões com a esposa, trabalhava e morava em minha casa, na Morada do Sol, onde havia um quarto, ficava no quarto da Gabi, minha filha, por ser só Gabi e Gabriel (na verdade, chamado Jorge, como o pai). Trabalhou muito tempo e fez um ocorrido, quando trabalhou no carro uma semana inteira, sem necessidade de ter feito, porque veio a segunda, não apareceu, veio a terça, e eu “Alguém viu o Cavalcante por aí?” Passou a RX, e tal, mas ninguém viu o carro rodando, nem nada, aí um cara viu que meu carro estava lá no posto, no Ricardinho, num bairro, deixou o carro lá, para lavar, e sumiu, até hoje... rsrsrsrsrs. Aí, depois apareceu e queria trabalhar comigo de novo. Pergunto: onde que a Lúcia (que indicou Cavalcante para a chácara da igreja) entra nessa história?  Ah, ela nos conhecia, ela trabalhava na Praça, era Rádio Táxi, os taxistas eram todos conhecidos e outros mais. Ele trabalhou comigo, trabalhou com a Lúcia. Morou na casa da Lúcia também. Cavalcante era do tipo de meus dois irmãos, um cara que trabalha muito, que trabalha mesmo, mas no final não tem nada. Ora, se você trabalha, prospera, você trabalha em várias áreas, como eu. Sempre gostei, desde pequeno, de ter o que é meu, sem ficar pedindo a ninguém. Quando pequeno, vendia picolé. Quando fui morar em Natal, vendia algodão doce. A mulher fazia aquele bichinho, aquele bibelozinho de isopor, um bonequinho que pendia para lado e outro, eu vendia aquilo ali no tabuleiro. Já vendi tudo em minha vida. Eu ganhava dinheiro. Quando eu morava com meu ex-cunhado, o vizinho nos chamavam, então íamos limpar quintal, pelo Tropical, pelas casas daqueles ricão ali: “Você não quer limpar quintal, não? Uma vez até uma mulher acusou-nos de roubo, deu em nada. Eu disse “meu pai não nos ensinou a pegar o que não é nosso não”. Até de ter cometido imoralidade eu já fui acusado por uma mulher. Mas foi uma intriga. E era um tempo em que eu tinha um Fusca. Mas eu tinha o álibi de não ter saído da garagem, naquele dia, por obras na rua. A minha mulher sabia disso. Mas, mesmo assim, a ter sido preso eu fui. E o delegado me conhecia, de bater papo, Dr. Nilo Francesi. Fui procurado pela Polícia, mais ou menos me conheciam. Então eu fui lá na casa dela, para questionar essa denúncia, argumentando que estava muito me prejudicando. “Eu tenho família para criar”. E mais uma vez chega lá em casa a Polícia. Fui ouvido na delegacia, ainda assim fiquei uns 5 dias preso. Mas tudo ficou esclarecido, por acerto com o Delegado, Deus sabe e começava a mudar minha vida.

Morro da Providência


🌄 Morro da Providência: a origem da primeira favela do Brasil

📝 Origens e ocupação
O Morro da Providência, entre os bairros da Gamboa e Santo Cristo no centro do Rio de Janeiro, ganhou seu nome definitivo na década de 1920, mas torna-se conhecido como Morro da Favela a partir de 1897. Foi o primeiro assentamento espontâneo da cidade, formado por soldados veteranos da Guerra de Canudos e por ex-escravos e moradores de cortiços, sem moradia nem promessas cumpridas pelo Estado.

Esses soldados vindos da Bahia ocuparam terrenos baldios próximos à Central do Brasil e à pedreira local, construindo os primeiros casebres. A planta espinhosa “favela”, comum em Canudos, inspirou o nome dado ao lugar, que se tornou símbolo da habitação por necessidade.

🏗️ Crescimento e contexto urbano
No início do século XX, a política de “bota-abaixo” comandada pelo prefeito Pereira Passos demoliu cortiços no centro, como o famoso “Cabeça de Porco”, e empurrou milhares de pessoas para os morros vizinhos. O Morro da Providência, então com estrutura improvisada, se expandiu rapidamente com barracos de madeira, caiadas e telhados precários.

As condições de vida eram extremamente difíceis: sem água encanada, eletricidade, saneamento ou coleta de lixo, a favela sofria com doenças, deslizamentos e despejos constantes. Ainda assim, sua população criava formas de sociabilidade e convivência apesar do abandono estatal.

🎶 Cultura e legado
A Providência se firmou como roteiro cultural significativo. Nasceu ali o samba — com rodas musicais que misturavam heranças africanas e europeias, marcando o espaço como berço da identidade cultural urbana negra no Rio.

O célebre escritor Machado de Assis nasceu em 1839 em uma das casas da Providência, e o morro inspirou obras artísticas e cinematográficas como o filme Favela dos Meus Amores (1935) e composições como a música “Morro da Favela” (1916).

⚠️ Desafios acumulados
Ao longo do século XX, enfrentou diversas tentativas de remoção, especialmente em 1904 (suspensa pela Revolta da Vacina), 1948 e especialmente uma grave explosão de dinamite em 1968 que matou dezenas e deixou centenas sem moradia. Ainda assim resistiu às demolições que atingiram outras favelas do Rio.

Em 2010 foi instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e, em 2014, inaugurado um teleférico no contexto do projeto Porto Maravilha — melhorias simbólicas que contrastam com a permanência da falta de infraestrutura básica para muitos moradores.

🧱 Considerações finais
O Morro da Providência é mais que um espaço geográfico: é marca fundadora da política urbana brasileira, porta de entrada da favela no imaginário nacional e espaço simbólico de resistência cultural. Dos primeiros casebres aos batuques das rodas de samba, passando pelos cortes urbanísticos e violências estatais, ele mantém a memória viva de quem construiu seu próprio abrigo — mesmo sem ser reconhecido como cidadão com direitos.

As imagens revelam um morro que se verticaliza desordenado e carregado de densidade humana, um núcleo inicial que abriria caminho para milhares de comunidades semelhantes. Sua história ainda ecoa hoje como chamada por justiça urbana, cultura soberana e reconhecimento.
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__ Leia, comente, compartilhe literatura independente. Link dos livros na Bio e nos comentários.
__ Disponível em e-book pela Amazon, e impresso pela Editora UICLAP – links na Bio e nos comentários.
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#livro #cultura #literatura #barcervantes #riodejaneiro #carlosacoelho🌄 Morro da Providência: a origem da primeira favela do Brasil
📝 Origens e ocupação
O Morro da Providência, entre os bairros da Gamboa e Santo Cristo no centro do Rio de Janeiro, ganhou seu nome definitivo na década de 1920, mas torna-se conhecido como Morro da Favela a partir de 1897. Foi o primeiro assentamento espontâneo da cidade, formado por soldados veteranos da Guerra de Canudos e por ex-escravos e moradores de cortiços, sem moradia nem promessas cumpridas pelo Estado.

Esses soldados vindos da Bahia ocuparam terrenos baldios próximos à Central do Brasil e à pedreira local, construindo os primeiros casebres. A planta espinhosa “favela”, comum em Canudos, inspirou o nome dado ao lugar, que se tornou símbolo da habitação por necessidade.

🏗️ Crescimento e contexto urbano
No início do século XX, a política de “bota-abaixo” comandada pelo prefeito Pereira Passos demoliu cortiços no centro, como o famoso “Cabeça de Porco”, e empurrou milhares de pessoas para os morros vizinhos. O Morro da Providência, então com estrutura improvisada, se expandiu rapidamente com barracos de madeira, caiadas e telhados precários.

As condições de vida eram extremamente difíceis: sem água encanada, eletricidade, saneamento ou coleta de lixo, a favela sofria com doenças, deslizamentos e despejos constantes. Ainda assim, sua população criava formas de sociabilidade e convivência apesar do abandono estatal.

🎶 Cultura e legado
A Providência se firmou como roteiro cultural significativo. Nasceu ali o samba — com rodas musicais que misturavam heranças africanas e europeias, marcando o espaço como berço da identidade cultural urbana negra no Rio.

O célebre escritor Machado de Assis nasceu em 1839 em uma das casas da Providência, e o morro inspirou obras artísticas e cinematográficas como o filme Favela dos Meus Amores (1935) e composições como a música “Morro da Favela” (1916).

⚠️ Desafios acumulados
Ao longo do século XX, enfrentou diversas tentativas de remoção, especialmente em 1904 (suspensa pela Revolta da Vacina), 1948 e especialmente uma grave explosão de dinamite em 1968 que matou dezenas e deixou centenas sem moradia. Ainda assim resistiu às demolições que atingiram outras favelas do Rio.

Em 2010 foi instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e, em 2014, inaugurado um teleférico no contexto do projeto Porto Maravilha — melhorias simbólicas que contrastam com a permanência da falta de infraestrutura básica para muitos moradores.

🧱 Considerações finais
O Morro da Providência é mais que um espaço geográfico: é marca fundadora da política urbana brasileira, porta de entrada da favela no imaginário nacional e espaço simbólico de resistência cultural. Dos primeiros casebres aos batuques das rodas de samba, passando pelos cortes urbanísticos e violências estatais, ele mantém a memória viva de quem construiu seu próprio abrigo — mesmo sem ser reconhecido como cidadão com direitos.

As imagens revelam um morro que se verticaliza desordenado e carregado de densidade humana, um núcleo inicial que abriria caminho para milhares de comunidades semelhantes. Sua história ainda ecoa hoje como chamada por justiça urbana, cultura soberana e reconhecimento.
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