Estão duas delas ausentes nesta foto. Mas desde Rufina e Dorcas, respectivamente avó e mãe de Eunice, a mãe dessas meninas da foto, ensinam que esta separação brusca tem remédio.
Nós os primos somos, com gratidão, o que essa gente valente produziu. Desde Rufina, operária fabril, Antônio, o pai de quem Eunice, emocionada, com lágrimas nos olhos, lembrava e nos contava ser linotipista.
Profissões em extinção, como a de Tula, nosso generoso avô, assentador de trilhos na RFFSA, Estrada de Ferro Central do Brasil. Gente de Nilópolis e Cascadura, contava Moisés, estirões que a avó dele Dorcas o fazia percorrer.
Elas nos ensinaram tudo. Se saímos dessa inércia, empurrados pelos rudimentos de sua educação, foi por isso que chegamos até aqui. Tudo conta. Mas eu acho que há valores que, quando nossos filhos, já adultos, já casados, eles miram em nós, talvez nem saibam de que raízes provêm.
Acho que o principal da vida, o amor, foi marca dessa geração. Ora, a que saltos assistimos. Estou teclando no bloco de notas do que chamam smartphone. Porque tem multifunções. Mas eu fui, como os demais primos, fascinado pelo quartinho do Tula, onde ele magistralmente manejava circuitos a válvulas naqueles aparelhos de rádio relíquias.
Nelson, outro irmão de Eunice, pai de Helena e Heloísa, também irmão de Zilda, mãe de Paulo e Moisés, também aprendeu esses misteres. E das válvulas aos algoritmos o mundo deu muitas voltas. E houve uma revolução de valores, coisas loucas e inimagináveis nas décadas de 30/40 do século passado. Mas a seiva da raiz onde essa gente colheu seus valores ainda supre nossas vidas.
Por isso gratidão, tia Nice. Chamei Dorcas mãe e, pelo primeiro nome, sempre chamei Leila, Gislaine e Miriam. Mas tia Nice exigia respeito. Com ela não tinha conversa. Se eu herdasse dom de retratista, desenhava o rosto sério de Eunice, ela ainda solteira, na célebre casa da avó, ralhando comigo, quando eu chamava "Nice?". Para ela altercar: "O quê? O quê?!". Para eu então responder com ênfase: "TIA Nice".
Por isso podemos dizer que, com gratidão, nos vemos nessas mulheres. Acho que mudamos muito, junto com o mundo, nesse período. E conquistamos, às vezes, tão ilusória autonomia que, que fosse fortuitamente, olhamos como ultrapassadas essas mulheres.
Isso é um erro. Porque foram e são nossa essência. E olha que nem falei, ainda, de fé, por puro respeito a alguns que ainda dizem não nutrir. Mas então falo agora. E nem falei ainda dos irmãos, mas posso falar, porque também foram moldados por elas. Que os filhos e filhas deles também sejam gratos, pois cunhadas foram como irmãs, acolhidas no mesmo amor.
E talvez faltei falar dos defeitos e, quem sabe até, deficiências. Mas que sejamos responsáveis por eles. Porque fomos por elas preparados para identificar e superar. Herdamos lucidez, que fosse ainda fruto das vicissitudes que as vimos superar.
São nossas raízes. Nossa seiva. Amor que nutre nossa relação. Gratos, filhas de Baldomero e Eunice. As virtudes e herança do que forma personalidades, é com vocês. Defeitos e deficiências a superar, fica ainda conosco para essa continuidade de vida. O que vocês legaram prevalece. E será muito sábio perceber.


Raízes de amor
ResponderExcluirRaízes de amor.
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