O Rio de Janeiro sempre teve uma relação curiosa com suas grandes obras. A cidade as recebe como promessas de futuro e, depois, transforma algumas delas em memória, lenda ou cicatriz.
O Elevado Engenheiro Freyssinet — que o carioca logo preferiu chamar de Elevado Paulo de Frontin, por causa da avenida que corria abaixo dele — começou a ser construído em 1969. A ideia era criar uma via expressa que desafogasse o trânsito e ligasse o Túnel Rebouças à região da Zona Norte. Uma espécie de futuro suspenso sobre a cidade.
Mas, em 20 de novembro de 1971, quando ainda estava em construção, o futuro despencou.
Três vãos, somando 112 metros, ruíram sobre a Avenida Paulo de Frontin. Cerca de 20 mil toneladas de concreto caíram sobre carros, um ônibus e um caminhão. O número oficial de mortos foi de 29 pessoas, e outras 18 ficaram feridas. O Rio descobriu, da maneira mais brutal, que uma obra monumental também pode esconder fragilidades monumentais.
As obras foram retomadas em janeiro de 1972, com reforços estruturais. O elevado finalmente ficou pronto em 1974 e, com seus 5,2 quilômetros, passou a ligar o Túnel Rebouças ao início da Linha Vermelha.
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Hoje, milhares passam por ele sem pensar naquilo que aconteceu. E talvez seja essa a estranha vocação das cidades: transformar tragédias em caminhos. O concreto permanece suspenso. A memória, nem sempre.
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#carlosacoelho



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