83 anos da FEB: a história por trás da entrada do Brasil na Segunda Guerra
Criada em 9 de agosto de 1943, a Força Expedicionária Brasileira foi efetivada logo após a entrada definitiva do Brasil na Segunda Guerra Mundial.
Em 9 de agosto de 1943, o governo de Getúlio Vargas oficializou a criação da Força Expedicionária Brasileira (FEB), a unidade militar encarregada de representar o país em solo europeu durante o maior conflito da história da humanidade. A medida pavimentou o caminho para o envio de cerca de 25,9 mil soldados — os populares “pracinhas” — que combateram na Itália entre 1944 e 1945, enfrentando o exército alemão nos Apeninos e em batalhas decisivas como Monte Castello e Montese.
O contexto geopolítico que culminou na decisão do governo brasileiro, no entanto, foi marcado por complexas negociações diplomáticas e pragmatismo econômico. Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, o Brasil buscou equilibrar-se na neutralidade para preservar suas relações comerciais.
O jornalista e escritor Edgardo Martolio, autor da coleção de livros ‘A Guerra de Todos’, aponta que o cenário internacional acabou tornando a neutralidade insustentável. “O principal fator que levou o Brasil a entrar na Segunda Guerra Mundial foi o fato de que, naquele momento, já não havia outra alternativa viável“, afirma o autor.
Segundo Martolio, Vargas administrava tensões internas e externas ao equilibrar os interesses nacionais. “Getúlio Vargas buscava manter a neutralidade por razões econômicas e comerciais. Negociava tanto com o Eixo quanto com os Aliados e, ao mesmo tempo, conciliava sua própria inclinação política – frequentemente considerada mais simpática ao Eixo – com o sentimento predominante da população brasileira, amplamente favorável aos Aliados.
Acordo estratégico com Washington
A virada de chave no posicionamento do Brasil esteve diretamente ligada à relevância geográfica do Nordeste brasileiro, indispensável para a logística militar dos Estados Unidos na travessia do Atlântico em direção ao Norte da África.
Em vez de imposições coercitivas, a relação entre o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt e Vargas desdobrou-se em contrapartidas fundamentais para o desenvolvimento infraestrutural do Brasil.
"Franklin Delano Roosevelt, entretanto, preferiu construir essa aliança por meio da negociação. Em troca da colaboração brasileira, os Estados Unidos ofereceram um amplo pacote de apoio econômico e militar”, ressalta Edgardo Martolio.
Ele lembra que desse entendimento nasceu a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), “então o maior projeto industrial da história do país”, acompanhada de investimentos em ferrovias e na modernização do aparato militar.
Para o historiador, a manobra diplomática colocou o Brasil em uma posição vantajosa no cenário internacional. “Sob esse aspecto, a entrada do Brasil na guerra representou um excelente negócio estratégico. Além de acelerar a industrialização nacional, o país enviou sua força expedicionária quando o conflito já caminhava claramente para o desfecho favorável aos Aliados. Em termos figurativos, foi como fazer uma aposta quando a partida se aproximava do fim e o time escolhido já vencia por 4 X 1."
Bravura no campo de batalha
Uma vez desembarcados na Itália, os pracinhas enfrentaram condições extremas, temperaturas congelantes e um relevo montanhoso favorável às defesas inimigas. Apesar das limitações iniciais de treinamento e suprimentos, os resultados obtidos em combate superaram as expectativas.
“A participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi extraordinária. Percorri pessoalmente todos – absolutamente todos – os locais onde ela combateu na Itália. Estive, inclusive, em campos de prisioneiros na Alemanha pelos quais passaram soldados brasileiros capturados durante a campanha”, conta Martolio.





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