O ano era 1976 quando surgiu, nas quadras do Casino Bangu, um garoto conduzido por um parente que atuava na equipe principal de futebol de salão do clube. Naquela época, eu era o responsável pela equipe mirim do Casino Bangu e, logo nos primeiros treinos, percebi que aquele menino possuía algo especial. Apesar de ter um ano a menos do que a idade prevista para a categoria, sua habilidade, inteligência e personalidade dentro de quadra chamavam a atenção de todos.
Diante daquele talento precoce, decidi integrá-lo ao elenco mirim. A aposta mostrou-se acertada. A equipe realizou uma excelente campanha e conquistou o Campeonato Estadual, oferecendo os primeiros indícios de que aquele jovem teria um futuro promissor no esporte.
No ano seguinte, em 1977, ele assumiu definitivamente a condição de titular. Com atuações seguras e decisivas, ajudou o Casino Bangu a alcançar mais uma grande campanha, encerrando a competição com o vice-campeonato estadual. A cada temporada, sua evolução tornava-se mais evidente, e ele foi galgando espaço nas demais categorias do futebol de salão casinista, consolidando-se como uma das grandes promessas formadas pelo clube.
Quando chegou o momento de fazer a transição para o futebol de campo, aceitou um novo desafio. Foi aprovado para a equipe juvenil do Bangu Atlético Clube, onde rapidamente confirmou todo o potencial que já havia demonstrado nas quadras. Nesse período de formação, teve como treinadores este autor do relato, além de Ananias, Paulo Lumumba e Moisés. A direção das categorias de base era conduzida por Ângelo Marques, figura importante no desenvolvimento dos jovens talentos do clube.
Na equipe juvenil do Bangu, alcançou uma de suas primeiras conquistas no futebol de campo ao sagrar-se campeão do terceiro turno do Campeonato Carioca de 1982, demonstrando que o talento revelado no futebol de salão também fazia a diferença nos gramados.
Seu talento, aliado à dedicação, disciplina e espírito competitivo, abriu-lhe as portas para uma trajetória ainda mais brilhante. Anos depois, chegou à equipe profissional do tradicional alvirrubro da Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Vestindo a camisa do Bangu, destacou-se pela qualidade técnica, pela entrega em campo e pelo comprometimento com o clube, tornando-se uma das principais referências da equipe. O ponto alto dessa caminhada ocorreu em 1985, quando participou da histórica campanha que levou o Bangu ao vice-campeonato brasileiro. Naquele mesmo ano, o reconhecimento nacional veio com a conquista da Bola de Prata, premiação destinada aos melhores jogadores do Campeonato Brasileiro, além de sua inclusão na seleção da competição.
A coleção de conquistas com a camisa alvirrubra ainda ganharia mais um capítulo importante em 1987, quando integrou a equipe campeã da Taça Rio, reafirmando seu nome entre os grandes atletas que defenderam o Bangu Atlético Clube.
Aquele menino que chegou discretamente ao Casino Bangu, conduzido pela mão de um parente, transformou-se em um exemplo de perseverança, talento e superação. Sua trajetória vitoriosa, construída tanto nas quadras do futebol de salão quanto nos gramados do futebol de campo, demonstra a importância das categorias de base na formação de grandes atletas e de homens que honram, com orgulho e dedicação, as cores dos clubes que representam.
• Primeira foto equipe Mirim do Casino Bangu
• Segunda foto equipe de profissionais do Bangu


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