sexta-feira, 5 de junho de 2026

Queima de arquivo

 

O jornalista e fotógrafo sírio-libanês Benjamin Abrahão Botto foi assassinado em 7 de maio de 1938 com 42 facadas na vila de Pau Ferro, no município de Águas Belas (região que hoje pertence a Itaíba), em Pernambuco.

Ele ficou famoso mundialmente por conseguir a confiança de Virgulino Ferreira da Silva e registrar as únicas imagens em movimento de Lampião e seu bando. O crime permanece oficialmente sem solução, mas as principais motivações e a forma como ocorreu a sua morte são detalhadas a seguir. Por que mataram Benjamin Abrahão?

A real motivação do crime nunca foi totalmente esclarecida pelas autoridades da época, mas historiadores trabalham com três hipóteses principais: queima de arquivo político, essa é a tese mais aceita por pesquisadores.

Abrahão conviveu intimamente com o bando e acumulou informações perigosas sobre a rede de "coiteiros" (protetores de Lampião), que incluía coronéis latifundiários, juízes e políticos influentes do Nordeste. 

Sob a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, o cangaço precisava ser erradicado, e o silenciamento do jornalista interessava a muitas figuras do poder. Outra tese seria latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte.

A versão oficial, apresentada na época, sugeria que ele teria sido assaltado por criminosos comuns, interessados em seu dinheiro e equipamentos fotográficos dispendiosos.

E ainda um crime passional: registros locais também levantaram a hipótese de uma vingança ou desentendimento de cunho amoroso, naquela região sertaneja, embora com menos força investigativa. Como foi a sua morte?

A execução de Benjamin Abrahão foi extremamente violenta e cheia de marcas de crueldade. Houve uma emboscada, na noite de 7 de maio de 1938, quando Abrahão estava no vilarejo de Pau Ferro. Ele foi surpreendido em um local escuro, por um ou mais agressores, que não lhe deram chance de defesa.

Foi um ataque a facadas, sendo golpeado 42 vezes, com arma branca (punhal ou faca de peixeira), sofrendo perfurações por todo o corpo. O número excessivo de golpes reforça o caráter de execução ou crime de ódio, típico das queimas de arquivo da época.

Instaurou-se um clima de medo. O pânico gerado pelo crime e o envolvimento de forças ocultas eram tão grandes que, no dia de sua missa de sétimo dia, apenas o padre celebrante compareceu à igreja, evidenciando o medo de represálias que rondava a morte do jornalista.

Apenas dois meses após o assassinato de Benjamin Abrahão, em julho de 1938, as forças policiais finalmente localizaram e mataram Lampião e Maria Bonita, na Grota do Angico, fechando o ciclo do cangaço no Nordeste. Seria, então, confirmada a suspeita em relação a ele? Nunca se saberá. 

#Historiagervasio

@destacar 🥺🥺🥺



Nenhum comentário:

Postar um comentário