quarta-feira, 4 de maio de 2016

Filigranas de Memória 3

     
       Última dormida.

       Foi em São José do Rio Preto, SP, pousada que aprendemos a usar na viagem inaugural do Gol 1000 em janeiro de 1995. Mas para chegar nela, partimos de Rondonópolis após parada obrigatória na Carolina, a ela já nos referimos.

         Afinal, o milagre foi mais sutil. O mecânico me mostrou deformada a tampa do cárter, que é o depósito em si do óleo que refrigera o motor, encaixado, de baixo para cima, no corpo do mesmo.

         Após retirá-la, sim, porque o tal peito de aço protetor jazia ao chão, retorcido, num canto da oficina, o mecânico apontou para a bomba de óleo, intacta, como uma haste que se projetava para baixo, a partir do monobloco do motor.

         A deformidade da tampa a fez encostar à distância mínima, espessura de uma folha de papel. Caso amassasse o ponto de sucção, na bomba, que suga óleo a partir do depósito do cárter para a refrigeração dos pistões, fundiríamos a máquina.
     
        Dimensão exata do livramento de Deus, nessa viagem louca dos recém-casados e mais a cria de 1 ano incompleto.  Descendo por Mineiros, GO, a navegação indicava mudar o rumo à direita, no trevo de entrada de Jataí, BR 364, a fim de atravessarmos Mato Grosso do Sul, em direção à tríplice fronteira MG, MS e SP.

          Passei direto no trevo, na entrada para Jataí, como quem vai por Uberaba, MG, caminho que deduzíramos mais longo. De ré, retomei o curso, manobra meio arriscada, abertamente proibida, dentro do trevo.

       Adiante a Polícia Rodoviária nos parou, pedindo documentos de identificação do carro e motorista. Dois problemas: a manobra, em si; documentos do carro, que não tinha seu IPVA devidamente registrado.

       Eu levava, como na viagem inaugural, a nota fiscal de proprietário. A placa, o Detran de Niterói enviara ao Acre, sutileza que essa mesma repartição (como dizia meu pai) no Rio jamais faria.

      Por isso, coloquei o carro no endereço de meu tio Isaías, de Niterói, para onde seguiria, posteriormente, o IPVA e, quanto à placa anteriormente enviada, fui ao Detran AC e lacrei-a no carro. Só na viagem de volta estaria com o IPVA.

      Essa situação expliquei ao policial, que me disse ser irregular e não sabia se eu iria longe assim. Mas eu queria mesmo era ser liberado ali. Com oração a gente enfrentaria o restante. Ele o fez, advertindo para a manobra estúpida e confirmando minha suspeita do que isso lhe chamara a atenção e o fez nos parar.

        Primeiro percurso pelo interior de Mato Grosso do Sul. A navegadora dividia atenção entre o menino, as vezes dormindo, e o mapa do Guia. Mas também era tática nossa não deixá-lo dormir senão, à noite, ele não dormiria e a gente precisava estar ok para os 1000 km do dia seguinte.

       O segredo da economia de km sempre esteve nesse inferior de MS, isso porque serpenteiam estradas por entre cidades, ora asfaltadas ou não, dependendo da informação atualizada do Guia 95, comparada à de caminhoneiros.

     Por isso, os arredondados 4200 km Rio-Rio, variavam  para menos. Houve certa vez que fizemos, numa dessas viagens, 4090 km, economia de 110. E varando zona rural, plantações, fazendas de gado e mata virgem, chegamos a Aparecida do Taboado, onde encontramos o rio Paraná, na época com balsa para a travessia, rumo a Santa Fé do Sul, SP, na outra margem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário