sexta-feira, 6 de junho de 2025

Platoon

 Quando a pré-produção de "Platoon" começou no início da década de 1980, Oliver Stone não era um diretor famoso; era apenas um veterano do Vietnã com um roteiro que ninguém em Hollywood queria tocar. Os estúdios o rejeitaram por anos. O realismo que Stone injetou no roteiro, baseado diretamente em suas próprias experiências angustiantes como soldado de infantaria no Vietnã, foi visto como muito sombrio, muito cru, muito anti-heróico para o público ainda acostumado a filmes de guerra que glorificavam o conflito. Foi preciso o sucesso de "Salvador", em 1986, também dirigido por Stone, para finalmente convencer os produtores a apoiarem "Platoon". Mas mesmo assim, o orçamento era limitado e o projeto foi considerado uma aposta arriscada.

Charlie Sheen, que viria a entregar uma de suas atuações mais marcantes como Chris Taylor, não era a primeira escolha de Stone. Inicialmente, Stone queria sua primeira escolha de uma década antes: Martin Sheen, o pai de Charlie. Mas quando o filme finalmente ganhou força, Martin já estava velho demais para interpretar o jovem e ingênuo soldado.  Em vez disso, Stone via o Sheen mais jovem como uma escolha natural, não apenas pela semelhança física com o pai, que havia interpretado um papel igualmente atormentado em "Apocalipse Now", mas também pela amplitude emocional que Charlie conseguia trazer ao papel. Mesmo assim, Sheen precisava provar seu valor. Ele treinou rigorosamente para o papel, participando do agora infame "campo de treinamento" que Stone exigiu para todo o elenco.

Esse campo de treinamento não era apenas para encenação. Stone levou os atores para as selvas remotas das Filipinas, privou-os do contato com o mundo exterior e os submergiu em condições quase de combate por duas semanas extenuantes. Eles dormiram em abrigos subterrâneos, usaram os mesmos uniformes encharcados de suor por dias e receberam alimentação mínima. Stone deliberadamente cansou os homens para apagar qualquer sensação de glamour hollywoodiano. Willem Dafoe, escalado para o papel do compassivo Sargento Elias, disse mais tarde que a experiência uniu o elenco de uma forma que nenhum workshop de atuação jamais conseguiu.  Tom Berenger, que interpretou o endurecido e brutal Sargento Barnes, chamou isso de "guerra psicológica controlada" que os colocava diretamente no espaço mental de seus personagens.

A transformação de Berenger em Barnes chocou a equipe. Geralmente conhecido por papéis mais heroicos, Berenger abraçou a feiura física e emocional das cicatrizes de Barnes esculpidas em seu rosto, um rosnado permanente em seus lábios. Sua intensidade durante as filmagens foi tão avassaladora que os membros mais jovens do elenco, incluindo Johnny Depp e Kevin Dillon, o evitavam fora das câmeras. Dafoe, por outro lado, era afetuoso e acessível, espelhando a empatia de seu personagem. O contraste entre os dois atores se traduziu diretamente na tensão na tela, particularmente durante a cena infame em que Elias é deixado para morrer na selva. Essa sequência, filmada na densa vegetação rasteira de Luzon, foi fisicamente desgastante. Dafoe correu pela lama espessa enquanto helicópteros militares reais pairavam sobre ele. Não houve dublês, nem truques de CGI; tudo foi filmado da forma mais crua e próxima da realidade possível.

As filmagens foram interrompidas diversas vezes por chuvas de monção, pesadelos logísticos e instabilidade política. Equipamentos foram danificados, atores adoeceram e os ânimos se exaltaram. Em dado momento, Charlie Sheen desmaiou devido à exaustão pelo calor. Apesar do caos, Stone se recusou a ceder. Ele frequentemente filmava cenas usando luz natural e câmeras portáteis, insistindo em várias tomadas até que as emoções transbordassem. Os membros da equipe começaram a ceder sob a pressão, mas as imagens que chegavam eram diferentes de tudo o que alguém já tinha visto. Cruéis, emocionantes e terrivelmente autênticas.

Até a cena final da batalha, uma das mais memoráveis ​​do filme, foi caótica tanto na tela quanto fora dela. Pirotecnia explodiu ao redor dos atores, árvores foram destruídas e houve momentos em que ficou difícil dizer se alguém estava atuando ou realmente reagindo. A intensidade atingiu seu ápice quando o personagem de Sheen acorda após o tiroteio em um colapso emocional que refletia a exaustão sentida por todo o elenco.

Quando "Platoon" estreou, o público ficou atordoado.  O filme não apresentou os soldados como heróis invencíveis, mas sim como falhos, assustados e profundamente humanos. Para muitos veteranos do Vietnã, foi a primeira vez que viram algo próximo de sua realidade retratado na tela.

Stone não fez "Platoon" para entreter, ele o fez para exorcizar demônios e, ao fazê-lo, criou um filme de guerra que destruiu os mitos e expôs o trauma. Cada cena ainda parece uma ferida que não cicatrizou completamente.

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Nicole Croisille

 

Amigos, perdemos uma maravilhosa cantora e atriz francesa, que ficou muito famosa na França nos anos 60 e 70: Nicole Croisille. Era muito amiga minha. Acredito que foi minha melhor amiga na França. Gravou três músicas minhas: Velas, Love Dance e Começar de Novo. As duas últimas, comigo ao piano, foram gravadas em 1987, em Paris. Começar de Novo ela transformou numa linda versão em francês: Tout recommencer.

Nosso encontro foi dos mais estranhos. Ela, na primeira metade dos anos 80, conheceu minha música e se apaixonou. Um dia, resolveu me conhecer. Acho que foi em 1986, quando fiz um concerto com minha banda, A Famiglia, para 10 mil pessoas, no ginásio do Clube Guarani, em Campinas. Ela veio sozinha ao Brasil, pegou um ônibus para Campinas - não sei se assistiu ao show - e ficou do lado de fora do ginásio, me esperando. Sozinha. Demorei muito a sair, e o público todo já tinha ido embora. Menos ela, que nessa época já tinha uns 50 anos de idade.

Quando saí, ninguém na rua. Só ela. Ela veio até mim e, educadamente, se apresentou. Lembrei dela por causa do filme “Um Homem, Uma Mulher”, que assisti umas oito vezes (e me emocionei em todas, pois minha namorada havia terminado comigo entre 1966 e 1967). E Nicole era a cantora que interpretava, junto com Pierre Barrouh, os temas principais do filme. Dali começou uma grande amizade. Me convidou para ir a Paris e gravar com ela. Lá, estendiam tapete vermelho para ela onde quer que fosse. Me apresentou a muita gente bacana da época: Sacha Distel, Eddie Barclay, Claire Chevalier, muitos músicos...

Era uma pessoa linda, generosa, educadíssima, talentosa e inteligente. Apaixonada pela música brasileira, como tantos outros. Nascida em 1936, morre aos 88 anos e deixa muitas saudades em mim, na Valeria - que a adorava -, em amigos brasileiros como o cantor Zé Luiz Mazziotti, o cantor e produtor Favio Farias e a dupla de cantores “Les Étoiles” - Rolando Farias e Luiz Antônio - com quem convivemos muito em nossas idas a Paris. Nossas noites eram divertidíssimas, deliciosas. Nossos melhores tempos na capital francesa.

Viva Nicole Croisille! 🤍🌹

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quinta-feira, 5 de junho de 2025

Antigo Armazém na Capoeira Grande, Rio, RJ


A História do antigo Armazém do ,José Diogo, na Estrada das Capoeiras em Campo Grande início do século XX. Na atualidade o Habib's das Capoeiras

😍
Ao lado esquerdo funcionava um Sapateiro, no meio o Armazém do Zé Diogo que trabalhava com o filho Quilote, onde na frente tinha uma varanda onde os clientes ficavam esperando, as colunas eram de madeiras maciças provavelmente oriundas das antigas senzalas da região e tinha umas argolas onde amarravam os cavalos, ao lado direito funcionava a única barbearia da localidade dos barbeiros Zé e Domingos depois passou a ser do Vavá, Turi e José, ao lado esquerdo próximo da Sapateiro em uma área mais alta do terreno ficava uma bica que tinha a estrutura de coluna com um batente onde as pessoas enchia as bacias para dar águas aos bois, onde as charretes e carroças que vinham pela Estrada do Mendanha paravam para os animais beberem água, lembrando que na época eram os principais meios de transportes em nossa região totalmente rural. Quase não tínhamos comércios em Campo Grande, meu avô Olintho Monteiro de 86 anos ainda criança era levado pelo irmão mais velho de bicicleta para cortar o cabelo pela Estrada da Posse de chão de terra e sem luz elétrica. Na frente do antigo Armazém existia um grande Largo e era um ponto de parada muito conhecido na época.
Curiosidades incríveis :
❤️
José Martins Diogo, nasceu em São Francisco Xavier RJ em 1891 filho de imigrantes portugueses de Póvoa de Varzim, Distrito do Porto, foi casado com Maria Martins Diogo Carvalho e tiveram três filhos. Comerciante, morava na Rua Albertina em Campo Grande e faleceu no hospital Rocha Faria em 1971.
Esse comércio foi construído muito antes pelos proprietários da fazenda das Capoeiras um dos sesmeiros de Campo Grande.
😍
Conforme a outra foto mais rescente, no local hoje funciona uma lanchonete muito conhecida de todos os Campograndenses.
Pesquisa e postagem: Wallace Monteiro Postiga - ADM das páginas. Funcionário Público, Memoralista, Idealizador da Festa da Laranja no Bairro de Campo Grande.
Fonte: Memória Cultural do meu avô Olintho Monteiro, livro Campo Grande por Trilhas e Caminhos, Igreja Matriz

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sábado, 31 de maio de 2025

Nova casa e conselhos para idosos

 Excelente texto:A NOVA CASA

 Carlos Eduardo Novaes


Meu amigo Luiz está se mudando. 

Mês que vem deixa a casa dos 60 e de mala e cuia se muda para a casa dos 70. 

Luiz pretende viver uns bons anos na nova casa, mais próxima do fim da rua.

Ele sabe que estou morando lá há mais de dois anos e perguntou-me se gostei da mudança. 

Ora, não se tratou de gostar ou não. 

Terminou meu tempo na casa dos 60 depois de 10 anos, e saí feliz porque podia ter sido despejado antes do final do contrato.

Assim como a casa dos 20 lembra uma universidade, a casa dos 60, um posto do INSS, a casa dos 70 lembra uma clínica geriátrica. 

Lembrava! 

Quando entrei na casa a primeira surpresa foi vê-la cheia de “cabeças brancas”. 

Na época da minha avó alcançar a casa dos 70 era uma façanha olímpica, para poucos. 

A segunda e maior surpresa foi ver a “rapaziada”, pulando, malhando, correndo, namorando, como se não houvesse amanhã.

De uns anos para cá a casa dos 70 foi aumentada com vários puxadinhos, para abrigar tanta gente. 

E não é só! 

Da minha janela vejo que estão reformando a casa vizinha que estava caindo aos pedaços, a casa dos 90.

Disse ao meu amigo que a casa dos 70 tem um estilo anos 40, estilo vintage, pé direito alto, esquadrias em arco, piso de tacos de madeira, cadeiras de palha e uma imponente cristaleira. 

Claro que precisa de cuidados e manutenção constante, muito mais do que a casa dos 30, para evitar rachaduras e infiltrações.  

Em compensação, amigos, tem a mais bela vista do Passado.👏🏻


Aproveite bem a casa que habita, hoje. *25 REGRAS PARA SER UM IDOSO FELIZ!*

*01-* Não se meta na vida dos filhos.

*02-* Não interfira na educação dos netos.

*03-* Ame ou pelo menos tolere seu genro e Nora, foi seu filho(a) quem escolheu.

*04-* Nunca tome partido ou opine no casamento deles. 

*05-* Não fique um idoso reclamão.

*06-* Não seja um idoso com pena de si mesmo.

*07-* Não fique falando *NO MEU TEMPO,* ele já passou.

*08-* Tenha planos pro futuro.

*09-* Não fique falando de doenças. Tenha a certeza, ninguém quer saber. 

*10-* Não importa quanto ganhe, poupe todo mês uma parte.

*11-* Não faça prestação, *idoso não deve pagar carnê*.

*12-* Tenha um plano de saúde ou guarde dinheiro  para despesas médicas.

*13-* Guarde dinheiro pro funeral ou tenha um plano.

*14-* Não deixe "problemas" para os filhos. 

*15-* Não fique ligado em noticiário ou política, *afinal você não resolverá nada mesmo*.

*16-* Só veja TV para se divertir, não pra ficar nervoso.

*17-* Se gostar tenha um bichinho de estimação pra te ocupar.

*18-* Ao se levantar, invente moda: caminhe, cozinhe, costure, faça horta, mas não fique parado esperando a morte.

*19-* Seja um idoso limpinho e cheiroso. *Idoso sim, fedido jamais.* 

*20-* Tenha alegria por ter ficado idoso, muitos já ficaram pelo caminho.

*21-* Tenha uma casa e um modo de vida onde todos queiram ir e não evitar. Isso só depende de você.

*22-* Use a idade como uma ponte para o futuro e, jamais, uma escada para o passado. 

Para a ponte do futuro sempre terá companhia.

*23-* Lembre-se: é melhor ir deixando saudades do que deixando alívio.

*24-* Divirta-se. Sorria e faça sorrir. Um sorriso melhora o dia de qualquer um.

Finalmente, 

*25-* Não deixe "aquele bom vinho" (idosos não devem beber vinho ruim) e nem a cerveja gelada para amanhã, pode ser tarde!

*SEJA FELIZ!*: *ABRAÇOS!*

🤔 Não sei a autoria. 😱🤣🤣                                                                                                          Pra mim, mandaram por eu ser idoso mesmo!                                                                             Não foi por engano não!!!🤣🤣🤣

GOSTEI MUITOOOOOOO.. POR ISSO REPASSO!!!👏👏👏🙏🙏🙏


A velhice não aceita despreparo.

Ela não chega com delicadeza… E quem a espera de mãos vazias, sente o peso da dependência.

Prepare-se. Tenha algo guardado, um teto seguro, um carro à disposição.

Mas acima de tudo: que tudo isso seja seu.

Porque envelhecer com dignidade exige autonomia.

Não reescreva seus bens. Não confie cegamente que alguém cuidará de você como você cuida de si.

Seja leve: menos posses, mais paz.

Quanto mais coisas você tem, mais elas te exigem… E, se não perceber, passam a te possuir.

A arte de viver é uma habilidade rara.

É saber dormir profundamente, comer com prazer, rir com liberdade — e não se deixar consumir pelas preocupações.

Lembre-se: neste mundo, nada é realmente nosso.

E quanto menos pertencermos às coisas, mais livres seremos por dentro.

A verdadeira prisão é a do apego.

E a liberdade começa quando aprendemos a viver com o essencial.

 Robert De Niro

sábado, 24 de maio de 2025

AA Ponte Preta

 

A histórica AA Ponte Preta de Campinas de 1964, em uma foto da revista “A Gazeta Esportiva Ilustrada” número 268 de dezembro de 1964. Fernandes (XV de Novembro de Piracicaba), Aníbal (Flamengo, Bangu, Palmeiras, Sporting de Lisboa, Comercial de Ribeirão Preto), Walmir (Corinthians), Antoninho (Palmeiras, XV de Novembro de Piracicaba, Barretos, Ferroviária de Araraquara), Ivan, Jurandir (Palmeiras, Botafogo de Ribeirão Preto) e Sebastião Lapola (Santo André, Palmeiras). Jairzinho (Palmeiras, Botafogo de Ribeirão Preto), Da Silva (Corinthians, Juventus), Almeida (Comercial de Ribeirão Preto), Urubatão (Bonsucesso, Santos, Paulista de Jundiaí) e Ari (Guarani, Palmeiras). Pesquisas e texto de Claudio Aldecir de Oliveira. Reminiscências do futebol. ⚽️

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terça-feira, 20 de maio de 2025

Steven Segal em 1979

 

Em 1979, Steven Seagal vivia um momento crucial em sua vida, lindamente registrado ao lado de sua primeira esposa, Miyako Fujitani, e seu filho, Kentaro.

Nascido em 1952, Seagal mudou-se para o Japão no início da década de 1970, mergulhando de cabeça no mundo das artes marciais. Aos 22 anos, por volta de 1974, conquistou seu 1º dan em aikido, disciplina fundada por Morihei Ueshiba no início do século XX. Miyako Fujitani, já uma respeitada artista marcial com um 2º dan na época, tornou-se não apenas sua esposa, mas também uma figura crucial em sua integração mais profunda à cultura marcial japonesa. Juntos, construíram uma vida centrada na dedicação ao aikido, culminando com Seagal se tornando o primeiro estrangeiro a operar um dojo de aikido no Japão.

Ao longo do final da década de 1970 e início da década de 1980, a reputação de Steven Seagal cresceu de forma constante. Seus filhos com Miyako, Kentaro Seagal e Ayako Fujitani, trilhariam seus próprios caminhos artísticos — Kentaro como ator e artista marcial, e Ayako como uma escritora e atriz renomada no Japão. Enquanto isso, Miyako Fujitani continuou a construir seu legado na comunidade de artes marciais japonesa. Hoje, ela possui um impressionante 7º dan em aikido e lidera seu próprio dojo, influenciando gerações de alunos.

O eventual retorno de Seagal aos Estados Unidos no início da década de 1980 marcou o início de um novo capítulo, culminando em seu sucesso em Hollywood com o lançamento de "Above the Law", em 1988, um filme que exibiu suas reais habilidades nas artes marciais para um público global.

A influência duradoura das artes marciais japonesas na carreira de Seagal permanece significativa mesmo décadas depois. Suas primeiras experiências com Miyako e a vida no Japão, de aproximadamente 1973 ao início da década de 1980, moldaram profundamente sua filosofia e estilo cinematográfico. A mistura da disciplina oriental com a narrativa ocidental o ajudou a se tornar uma figura única no cinema de ação, enquanto as conquistas de sua família continuam a refletir as pontes culturais internacionais que eles construíram juntos.

Connexion.Tokyo 🗼

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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Em 1999

 Em 1999, jogando pelo Bangu, Renato Gaúcho enfrentou o Vasco no fim de sua carreira de jogador.

Dono de uma carreira vitoriosa, com passagens marcantes por Flamengo, Fluminense e Grêmio, onde conquistou títulos e ficou marcado como goleador, Renato Gaúcho estava parado havia mais de um ano, com uma lesão na panturrilha. O ano era 1999, quando o Bangu esperava cumprir aquela que considerava sua profecia: a conquista de Campeonato Estadual em anos múltiplos de 33. Foi assim em 1933, o do primeiro da era profissional, e do segundo, em 1966. Por isto, boa parte da torcida viu na chegada do astro um bom presságio.

Depois de mostrar sinais de que queria voltar aos gramados, Renato Gaúcho foi convidado pelo então diretor de futebol do Bangu, Bris Belga, com quem trabalhara anos antes no Fluminense. Na apresentação, atraiu quase cinco mil pessoas a Moça Bonita. Mas o sonho durou pouco. Renato jogou alguns amistosos de pré-temporada, no sul de Minas Gerais, e fez duas partidas pelo Campeonato Carioca. Em ambas, teve atuação discreta. Atuou apenas um tempo, contra Vasco e Flamengo.

Pesquisador do Bangu e ex-diretor de patrimônio do clube, o jornalista Carlos Molinari lembra a passagem do craque em fim de carreira pela equipe da Zona Oeste.

– Foi contratado por R$ 5 mil mensais, na época. O Loco Abreu, trazido em 2017, ganhava R$ 85 mil. Renato tinha problemas com o peso, estava fora de forma, porque vivia comendo na Porcão. Na pré-temporada, em Minas, chegava sempre de helicóptero aos jogos e virava assunto. A presença dele fez aumentar as quotas de amistosos do Bangu, que subiram de R$ 2 mil para R$ 8 mil. Aquele ano a camisa do Bangu foi um sucesso, tinha um desenho parecido com a do Ajax, da Holanda – afirma.

O investimento para uma boa campanha em 1999 era uma promessa que o então patrono do clube, o contraventor Castor de Andrade, morto dois anos antes, não sobreviveria para tentar realizá-la. O alvirrubro lançou a campanha “Em 1999, o Bangu vai entrar para ganhar”. Bris Belga admite que, àquela altura, Renato não tinha mais condições de seguir a carreira de jogador de futebol.

– Ele insistiu, e eu o trouxe. Montamos um projeto para atrair visibilidade para o Bangu, foi um marketing muito bom, que custou pouco ao clube e deu muito retorno. Ele tem muito carisma, atraiu bem mais gente na apresentação do que o Loco Abreu. Eu ri muito quando vi o tamanho da festa para o Loco. A do Renato foi bem maior. Mas, fisicamente, não dava mais. Em 1996, no Fluminense, ele já sofria com dores na panturrilha. Além de desgastante, era muito doloroso para ele, e afetava a imagem de ídolo – explica Bris.

Molinari qualifica a contratação de Renato Gaúcho “propaganda enganosa”. O jornalista lembra ainda que, dias antes, o novo contratado deu uma entrevista dizendo que chamaria seu amigo Maradona para a estreia, contra a seleção carioca, mas o ex-craque argentino não deu o ar da graça em Moça Bonita, na partida vencida pelos donos da casa por 2 a 1.

– Ele anunciou isto, mas nunca aconteceu e ele jamais foi cobrado – lembra.

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