sábado, 30 de maio de 2026

A (in)capacidade de Deus, a história de Jonas, o método e o fracasso.

 Definitivamente, por que método for, (desa)creditar o Livro não tem meios termos. Ou se acredita na capacidade do Deus bíblico mudar as regras do que o "século das luzes" chama ciência, ou assuma-se: os ateus, literalmente, têm razão.

   Sugiro assistir "Mar em Fúria" (2000). Refere-se a um fato real, do que se chama, naquela região do globo, por uma conjunção de fatores, uma "tempestade perfeita".

  Previno que não vai se deleitar com os efeitos especiais cinematográficos mais recentes, afinal, 2000 foi o último ano do 2⁰ milênio, estávamos ainda no século passado.

   Mas haverá o deleite de imaginar uma tempestade no mar, assistindo à luta de uma tripulação que não retornou viva.  No link abaixo, no final do texto, intere-se da história completa.

   Tudo isso para (desa)creditar Jonas. Aliás, ontem faleceu Edgar Morin, 104 anos, perdoem minha ignorância, soube de sua ênfase, como filósofo, lendo um texto da net sobre ele. 8 volumes sobre o método. Para ele, fundamental.

   E não escondo que, quando li que ele foi ateu e que era grato ao seu pai por isso, o pai não lhe foi proselitista, embora toda a família de tradição judaica, eu também sou grato ao meu, mas ao inverso dele: meu pai me falou sobre Deus.

   Aliás, ouvi dele, pela primeira vez, a história de Jonas.  Talvez também descreva uma tempestade perfeita. E um peixe, em meio a uma tempestade perfeita, não afunda ou, se afunda, navega profundezas, sem nenhum problema de pressão, como os vitimados pelo Titan, da OceanGate.

   Então a história de Jonas descreve a providência perfeita, em meio à tempestade perfeita. Mas eu continuo afirmando: você não precisa, como eu, acreditar que o livrinho de Jonas, ipsis  litteris, descreve uma história factível.  Mas recomendo que, em meio ao (des)crédito deste e de demais outros milagres bíblicos, pelo menos creia no defunto ressuscitado ao terceiro dia: Jesus.

   Foi uma Madalena que trouxe essa notícia. Assim dizem os Evangelhos que, na verdade, são um verdadeiro campo minado: aqui, ali é acolá precisa-se caminhar com (muito) cuidado.  De novo o método.  Nunca se sabe se palavras de Jesus foram mesmo ditas por ele ou se milagres foram mesmos, digamos, factíveis.

   Sejam cuidadosos. Para mim, não vale a recomendação. Sou um leitor relaxado. Não que despreze o método. Só não acredito nos resultados apontados por ele. Fico com a declaração, que não se sabe se saiu da boca de Pedro, escrita no livro de Atos, que não se sabe se Lucas escreveu. Siga o método.

²² "Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis". Atos 2.

  Para mim, o galileu continua sendo "varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis". 1. Aprovado por Deus; 2. Diante de vós (nós) com milagres; 3. Os quais o próprio Deus realizou; 4. Por intermédio dele; 5. Entre vós (nós) como vós (nós) mesmos (não) sabeis. Ipsis litteris.

   Não sei se me lembrava de Morin. Pelo pouco que li sobre ele, desde, e talvez principalmente, por sua história de resistência ao nazi-fascismo, a sua longa, operante e frutuosa história acadêmica, surpreendi-me com ele. E não nego que, por ter lido sua confissão de fé ateia - ele mesmo afirma: "O ateu deve descobrir sua crença, seu fundamento irracionalizável, e negociar com ela" - foi que decidi escrever esta breve blog-crônica.

    Pelo fato de ser profundamente provinciano, admiro os ateus, em sua plena (in)capacidade por negar a existência de Deus. E os crentes, por sua profunda (in)capacidade por afirmar a existência de Deus.

   Mas pode haver uma razão, para usar o termo, dessa absoluta vontade humana de negar a Deus, caso exista, a capacidade de um peixe engolir um profeta para o sobreviver numa tempestade perfeita. Ou de negar quaisquer outros milagres. 

   Reside no fracasso humano de ser bom. A mitologia de Deus é a mitologia do bem supremo (e aqui, seria Kant?). Deus viu tudo o que havia feito e eis que era muito bom. Nem imaginando Deus como bem supremo tornou bom o ser humano.  Aliás, o que torna bom o ser humano?

  Ainda há quem diga que, para consertar os maiores crimes da humanidade, só há um jeito: cometer um crime ainda maior. Poderá ser que a redenção (descartada, aqui, a cruz) esteja num crime ainda maior de ser cometido. Porque há os que sonham com crimes sublimes e redentores (talvez, René Girard explique isso). De uma vez nega-se o bem, pelo fracasso humano em realizar, e dignifica-se o crime. 

   Deus não existe. Deus não realiza milagre. Aliás, Deus não realiza nada. E o homem (das mulheres, não se sabe, porque têm poucas chances) é um fracasso. 

Tempestade perfeita:

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