quinta-feira, 7 de junho de 2018
Três textos 3
Texto 3
Crônica leve
Fluía o trânsito. Meia trava. Olhei um pisca-pisca ligado. E um triângulo no chão. Foi quando.
Estavam lá na calçada: um mulherão e um senhor negro, grisalho e barrigudo. Os dois, com certa classe, embora o carro parado à frente não correspondesse.
O pisca piscando. Freneticamente. Gozado era a pose dos dois, idêntica, braços cruzados, muito provavelmente aguardando o socorro. Olhos arregalados de ambos. Certa ansiedade nos olhares.
Ela, metro de setenta, por aí, jeans e camisa branca, de punho. A primeira coisa que se via no rosto era o batom. Cabelos, como quase todas o usam, aloirado por escova.
Ele, metro e sessenta, coincidentemente também de blusão branco, notável abdômen, óculos e calva. De cima de sua percepção, braços descansados sobre a barriga, o olhar perscrutante.
E altivo: ora no tráfego, ora no horizonte, adiante, vislumbrando na linha dos carros de que direção viria o guincho. Ela, olhos também esbugalhados, media o tamanho do problema, mais perto ali, acompanhando fila a fila o fluxo.
Cena inusitada. Creio que, por vez, o homem se media por ela, na proporção em que tentava divisar a cena dele ao lado dela, pelos olhares, de quem passava carro a carro.
Por um momento pensei que a diligência de seu olhar modulado revelasse isso. Então dei com a mulher. Elas sempre têm senso prático, olhões à frente, no carrinho vermelho, uns quase 10 anos velho, paradão ali.
E o pisca-pisca, no seu ritmo, ora refletia o fluxo, ora o alerta, ora a acuidade do homem baixinho ao lado da loira espevitada.
Ela cobinando com a bis caída na via. Ele com o carrinho velho vermelho. Ou seria o contrário? Talvez o ancião numa bis, nesse dia nublado, ao lado da aloirada do carrinho vermelho combinasse melhor com a cena.
Ei, e daí, por quê? Não posso me ver ao lado dela? Metam-se com suas vidas. Inusitado é o caramba, dizia a pose e o olhar dele. Estrondosa a meio loira. Ouvi um bip bip. Acelerei e saí. E os piscas pisca pisca pisca pisca pisca...
Três textos 2
Texto 2
"Jesus é nossa onda, chuá, chuá". Deles. Para mim, não é. Ainda soa como "corinho" de crianças. Bem, é melhor nem procurar o sentido de "chuá" ou "chua" na net.
Evangélico é uma classe alienada. Não sei se por aí, na sua cidade. Por aqui, só pensam num espaço na política, arrecadação de dinheiro ou bater na classe "moralmente" eleita como oposição.
Só isso. Quanto ao mais, está tudo pronto e acabado: a doutrina deles é a única certa, sua ortodoxia está arrumadinha e o resto, bem, para que o retoque? Vai mesmo tudo se acabar em Apocalipse, numa escatologia sinistra.
Cansativo. Cada um por si e Deus, por quem? Acho que Ele continua, como sempre, por todos. Mas remexendo-se lá, no seu trono branco, ansioso por outra postura.
Uma discussão teológica aqui e ali. Uma pesquisa bíblica como estímulo a pensar. Púlpitos e escolas bíblicas renovados. Um interesse ativo e lúcido, de amor mesmo, pela sociedade, em apologia e missão evangélicas.
Chua chua para vocês não. Procurem outro conteúdo. Nada contra. Nem a favor. Valeria a pena outra postura. Porém, não vislumbro horizonte de mudança.
"Jesus é nossa onda, chuá, chuá". Deles. Para mim, não é. Ainda soa como "corinho" de crianças. Bem, é melhor nem procurar o sentido de "chuá" ou "chua" na net.
Evangélico é uma classe alienada. Não sei se por aí, na sua cidade. Por aqui, só pensam num espaço na política, arrecadação de dinheiro ou bater na classe "moralmente" eleita como oposição.
Só isso. Quanto ao mais, está tudo pronto e acabado: a doutrina deles é a única certa, sua ortodoxia está arrumadinha e o resto, bem, para que o retoque? Vai mesmo tudo se acabar em Apocalipse, numa escatologia sinistra.
Cansativo. Cada um por si e Deus, por quem? Acho que Ele continua, como sempre, por todos. Mas remexendo-se lá, no seu trono branco, ansioso por outra postura.
Uma discussão teológica aqui e ali. Uma pesquisa bíblica como estímulo a pensar. Púlpitos e escolas bíblicas renovados. Um interesse ativo e lúcido, de amor mesmo, pela sociedade, em apologia e missão evangélicas.
Chua chua para vocês não. Procurem outro conteúdo. Nada contra. Nem a favor. Valeria a pena outra postura. Porém, não vislumbro horizonte de mudança.
Três textos 1
Texto 1
Ora, escrever. É o que nos distingue. Portanto, segue esta tríade.
Pif-paf
Blefe. Nunca aprendi. Quer dizer, o jogo. Quanto ao blefe, é a política nacional.
Me chamaram para discutir o "momento político". Já vi esse filme. Mais ou menos assim:
Elegeram FHC. Aí, ele fez o Mensalão dele para emplacar a proposta de reeleição. Deu certo. Mas fez burrada no segundo mandato. Deu Lula.
Lula fez o Mensalão dele. Deu certo. Tanto deu certo, que ele se reelegeu e ainda fez sua candidata Dilma ser eleita. Aí, ela comprou todo mundo para seu segundo mandato.
Mas não foi Mensalão: apelidaram Petrolão. Burrada. Impincharam-na, com a ajuda do PMDB, o "partido da base aliada". Ora, nada de novo. Desde FHC todos sabemos: quem tem o PMDB como amigo, não precisa de inimigos.
Burrada 1 do FHC, deu Lula. Burrada 2 da esquerda, deu Temer. Burrada 3 do Temer, vai dar Bolsonaro. Ei, esquerda, vamos recomeçar do zero? Até agora, deu Blefe. Pif paf.
Ah, sim: desmarcaram a reunião de discussão do "momento político". A justificativa são as demais agendas. Ainda bem. Vivam as agendas!
Ora, escrever. É o que nos distingue. Portanto, segue esta tríade.
Pif-paf
Blefe. Nunca aprendi. Quer dizer, o jogo. Quanto ao blefe, é a política nacional.
Me chamaram para discutir o "momento político". Já vi esse filme. Mais ou menos assim:
Elegeram FHC. Aí, ele fez o Mensalão dele para emplacar a proposta de reeleição. Deu certo. Mas fez burrada no segundo mandato. Deu Lula.
Lula fez o Mensalão dele. Deu certo. Tanto deu certo, que ele se reelegeu e ainda fez sua candidata Dilma ser eleita. Aí, ela comprou todo mundo para seu segundo mandato.
Mas não foi Mensalão: apelidaram Petrolão. Burrada. Impincharam-na, com a ajuda do PMDB, o "partido da base aliada". Ora, nada de novo. Desde FHC todos sabemos: quem tem o PMDB como amigo, não precisa de inimigos.
Burrada 1 do FHC, deu Lula. Burrada 2 da esquerda, deu Temer. Burrada 3 do Temer, vai dar Bolsonaro. Ei, esquerda, vamos recomeçar do zero? Até agora, deu Blefe. Pif paf.
Ah, sim: desmarcaram a reunião de discussão do "momento político". A justificativa são as demais agendas. Ainda bem. Vivam as agendas!
quarta-feira, 6 de junho de 2018
IGREJA EVANGÉLICA CONGREGACIONAL DE CASCADURA - HISTÓRIA 5
Com
os detalhes e o senso de organização que lhe são peculiares, a irmã Arsylene
Sezures Jardim preparou a Programação abaixo para a comemoração de um dos
aniversários da União Auxiliadora Feminina da Igreja Evangélica
Congregacional de Cascadura, nos idos de 1965. Na verdade, o histórico
prometido anteriormente é, propriamente, da União Feminina e virá numa próxima
vez. E aguardem também a anotação meticulosa desta nossa irmã dos nomes das “amigas
ocultas”, uma a uma: será nosso primeiro contato com uma relação de nomes dessa
geração que nos antecedeu entre muitos com quem convivemos.
Programa para
comemorar o aniversário da União Auxiliadora Feminina da Igreja Evangélica
Congregacional de Cascadura realizado em 2 de outubro de 1965
1ª parte
- Prelúdio – Damaris Biato Jardim
- Hino 465
- Leitura bíblica responsiva – Salmo 46
- Oração – Amaury de Souza Jardim
- Palavras explicativas sôbre a festa – Arsylene Sezures Jardim
- Solo vocal – Zila dos Santos Almeida
- Quarteto Estrêla D’Alva – “Sombras”
- Palestra – Dorcas
- Dueto: Judith Teixeira da Silva e Aurea Guerra Ferreira
- Entrega dos corações
- Palavras de agradecimento pela presidente – Odessa C. Sezures
- Moto cantado
- Oração e benção – Rev. Nelson Bento Quaiotti
2ª parte
- Corinho – Somos um pequeno povo muito feliz
- Descoberta das amigas
- Solo vocal – Esther
- Oração – Rev. Oldemar Nogueira
- Distribuição de dôces, salgados e refresco.
Palavras sobre a União Feminina
e seu aniversário.
Nossa União Auxiliadora Feminina
no próximo dia 9 comemora seu 13º aniversário, mas o estamos comemorando hoje.
Foi no dia 9 de outubro de 1952 que
nossa União teve sua 1ª reunião ordinária, sob a presidência da irmã Odessa de
Carvalho Sezures, depois da diretoria eleita, ter tomado posse no dia 28 de
setembro, dia êsse de instalação de nossa igreja como Congregação de Madureira
sob a direção da Igreja Evangélica Fluminense.
Foram 16 sócias as fundadoras de
nossa União e atualmente estamos com 41.
Nossa União tem tido fases boas e
más, porém graças a Deus temos vencido todas as dificuldades.
Durante êsse período nossa União
esteve sob a direção de 4 presidentes a saber: 1ª Odessa de Carvalho Sezures,
2ª Maria da Glória Costa dos Santos, 3ª Anna da Silva Jardim, 4ª Lídia Mª
Araujo Quaioitti, sendo que a irmã Odessa é a que tem liderado mais, pois tem
trabalhado no intervalo entre uma e outra de 2, 3 anos e por coincidência é ela
a atual presidente. Nossa União tem cooperado muito nas festas da Igreja, do
Abrigo Evangélico, Seminário Teológico, Missão Evangelizadora, Hospital
Evangélico e casos de emergência que nos aparecem, tendo sempre a boa
compreensão e colaboração pronta das sócias.
Por isso estamos comemorando hoje
embora com um pouco de antecedência o aniversário de nossa União.
Desde já, queremos agradecer a presença
de todos os nossos amigos presentes, especialmente as nossas visitas que
deverão tomar parte no programa.
Esperamos que se sintam a vontade em
nossa Igreja e que nos dêem sempre o prazer de estar conosco nessa confraternização.
Data: 2 de outubro de 1965
Narração: Arsylene Sezures
Jardim.
terça-feira, 5 de junho de 2018
IGREJA EVANGÉLICA CONGREGACIONAL DE CASCADURA - HISTÓRIA 4
Legenda também é texto: Fotos Históricas da Congregação de Madureira
1. Acima, a casa da Firmino Fragoso
ainda sem a placa de Congregação.
2. Ora, ora, ora: alguém, por acaso, identifica esse professor da Escola Dominical
da Congregação?
3. Azarias, no acordeão, um dos 7 instrumentos que tocava. A moça a seu lado, sobrinha de Maria Mello, era conhecida como Glorinha.
4. Aqui a Congregação devidamente identificada. Azarias, Jesuíno, seu pai, e Zila, respectivamente filha e neta desses dois, entre outros irmãos. Alguém identifica?
5. Joaquim Guedes e suas crianças. Lembra da Ata nº 1? Era sua típica atribuição. Alcancei esse seu ministério com as crianças em Magno.
6. Well, well, well: bem, bem, bem. A lendária Naura, d. Odessa, no meio e, à direita, por acaso, alguém identifica essa linda mocinha?
7. Por falar em mocinhas, as Meninas da Hora estão aqui: identifiquei Gilca e Lídia: alguém se habilita a identificar mais alguém?
segunda-feira, 4 de junho de 2018
Mal traçadas linhas 83
Amor e amor ou amor e desespero ou amor e libido.
Ora, falar dessas coisas. São coisas de ser humano. Então, fala-se.
Amor, por exemplo, é dado a nós e existe entre nós. Até na pura gramática, é substantivo abstrato, ou seja, só existe se e quando se ama.
Boto a Bíblia no assunto, sim, porque, pelo menos nessa área todos hão de concordar, e o Livro diz, amor é para todos e todos devem praticar em relação a qualquer.
Concorda? Não? Mas, ao menos isso, ainda que não exequível, soa bonito. E as músicas? All you need is love. Qualquer forma de amor vale a pena. Invertendo: qualquer forma de amor é amor?
Depende do ponto de vista. Amor possessivo, por exemplo, para quem quer possuir é mas, para o possuído é sufocante. Então, deduz-se, amor é algo consensual.
Então, não é qualquer forma de amor. Quanto a, traduzido, tudo o que você precisa é amor, pela ótica de que amor é vital, está ok. Mas esse "tudo" torna-se perigoso.
Tudo o que você precisa é amor, sim, mas de posse da capacidade de discernir o amor. Possessivo, por exemplo, como já vimos, não é.
E libido? Por favor, não confunda com amor. Há quem tenha libido e estupre. Desculpe a forçação de barra nesta argumentação. Mas nem precisava.
Embora haja (muitos) quem (que) confunda(em), libido não é amor. Pelo contrário, este rege aquela. Sem amor, libido não é nem animal. Respeitem os irracionais.
Por isso que quando alguém diz, com relação à relação sexual, "vamos fazer amor", hipérbole viciada. Uma coisa tem a ver com a outra se e somente se o amor educa a libido.
Ou seja, amor pode incluir libido. Mas é melhor que não haja libido sem amor. Definitivamente, amor e libido não são a mesma coisa.
Sem desespero. Porque há quem ame por puro desespero. Não é amor. Amor não é vício. Não é droga. É pura lucidez.
Amor é vital, mas veja bem: qualquer forma de amor não vale a pena. Pode ser falso. Existe um só tipo de amor. Que é o amor amor. Isso. Absoluto.
Por isso até o inimigo é possível (e passível) de se amar. De novo a Bíblia, mesmo que você não acredite em nada dela ou não acredite nela toda: ali se indica que até os inimigos sejam amados.
Absurdo. E radical também. Esse mesmo Livro afirma que, no homem, amor não é algo natural. O homem odeia a si mesmo e ao próximo, não necessariamente nesta ordem.
O Livro diz também que Deus é amor. Para quem acredita. Em Deus. E no amor.
Que é pura candura. Esquece o desespero. No amor só existe vida. A vitória definitiva sobre o mal reside no amor. A vitória definitiva sobre a morte reside no amor.
Ame. Em paz.
Ora, falar dessas coisas. São coisas de ser humano. Então, fala-se.
Amor, por exemplo, é dado a nós e existe entre nós. Até na pura gramática, é substantivo abstrato, ou seja, só existe se e quando se ama.
Boto a Bíblia no assunto, sim, porque, pelo menos nessa área todos hão de concordar, e o Livro diz, amor é para todos e todos devem praticar em relação a qualquer.
Concorda? Não? Mas, ao menos isso, ainda que não exequível, soa bonito. E as músicas? All you need is love. Qualquer forma de amor vale a pena. Invertendo: qualquer forma de amor é amor?
Depende do ponto de vista. Amor possessivo, por exemplo, para quem quer possuir é mas, para o possuído é sufocante. Então, deduz-se, amor é algo consensual.
Então, não é qualquer forma de amor. Quanto a, traduzido, tudo o que você precisa é amor, pela ótica de que amor é vital, está ok. Mas esse "tudo" torna-se perigoso.
Tudo o que você precisa é amor, sim, mas de posse da capacidade de discernir o amor. Possessivo, por exemplo, como já vimos, não é.
E libido? Por favor, não confunda com amor. Há quem tenha libido e estupre. Desculpe a forçação de barra nesta argumentação. Mas nem precisava.
Embora haja (muitos) quem (que) confunda(em), libido não é amor. Pelo contrário, este rege aquela. Sem amor, libido não é nem animal. Respeitem os irracionais.
Por isso que quando alguém diz, com relação à relação sexual, "vamos fazer amor", hipérbole viciada. Uma coisa tem a ver com a outra se e somente se o amor educa a libido.
Ou seja, amor pode incluir libido. Mas é melhor que não haja libido sem amor. Definitivamente, amor e libido não são a mesma coisa.
Sem desespero. Porque há quem ame por puro desespero. Não é amor. Amor não é vício. Não é droga. É pura lucidez.
Amor é vital, mas veja bem: qualquer forma de amor não vale a pena. Pode ser falso. Existe um só tipo de amor. Que é o amor amor. Isso. Absoluto.
Por isso até o inimigo é possível (e passível) de se amar. De novo a Bíblia, mesmo que você não acredite em nada dela ou não acredite nela toda: ali se indica que até os inimigos sejam amados.
Absurdo. E radical também. Esse mesmo Livro afirma que, no homem, amor não é algo natural. O homem odeia a si mesmo e ao próximo, não necessariamente nesta ordem.
O Livro diz também que Deus é amor. Para quem acredita. Em Deus. E no amor.
Que é pura candura. Esquece o desespero. No amor só existe vida. A vitória definitiva sobre o mal reside no amor. A vitória definitiva sobre a morte reside no amor.
Ame. Em paz.
domingo, 3 de junho de 2018
IGREJA EVANGÉLICA CONGREGACIONAL DE CASCADURA - HISTÓRIA 3
Olhares
Muitos olhares formam história. Por exemplo, o grupo do WhatsApp DuraCasca, criado em 16 de junho de 2016, reúne toda uma geração de cascadurenses, membros dessa igreja que surgiu em 28 de setembro de 1952, ali na Firmino Fragoso 26, em Madureira. Os olhares deles sobre a história dessa igreja formam, também, a história como um todo. Portanto, ainda como mergulho no tempo, seguem três outros olhares: uma narrativa de Lídia, aquela mesma, que aparece registrada na Ata nº 1 e que foi minha ovelha em Cascadura. Outra, ainda da irmã Arsylene, esposa do secretário dessa mesma Ata, numa das comemorações de aniversário e, ainda, uma descrição histórica do Primeiro Relatório apresentado na reunião nº 2, realizada na Firmino Fragoso, em 13 de junho de 1953. Com a palavra, a irmã Lídia:
Começa recordando-se do tempo em que, ainda menorzinha de idade, a família era da Fluminense. “Quando eu era menorzinha, nós éramos da Fluminense, nós íamos de bonde”. Moravam já na Suburbana. E então vieram, na época, para a Congregacional de Piedade, com o pastor Odilon de Oliveira. Léa e Lídia, cujos nomes constam na Ata Inaugural nº 1 da Congregação de Madureira, foram batizadas em Piedade na mesma ocasião, assim como Marília e Gilca, outros dois nomes dessa relação.
Lembra-se que foi um grupão a ser batizado. Léa confirma 12 anos de idade, sua irmã Lídia com 14 anos. Posteriormente, vieram para a Firmino Fragoso 26. A razão estava mesmo relacionada a uma questão conjugal, envolvendo o Rev. Odilon Oliveira, involuntário, em relação a ele, e o retorno do Rev. Salustiano Pereira Cesar, para que ocupasse seu lugar, o que gerou discordâncias entre os grupos a favor e contrários.
Léa, sim, a mesma que está na lista de fundadores da Ata nº 1, depõe
que “Odilon era muito íntegro e o povo ficou com ele”. Lídia trabalhava, na
época, num colégio chamado Marechal Hermes, no bairro de mesmo nome, próximo ao
Campo dos Afonsos, antiga Base Aérea dos tempos de Rio de Janeiro Distrito
Federal. Léa também se recorda de como surgiu a Congregacional de Rio Comprido.
Seu pai, Nelson Celestino dos Santos, muito chegado ao Rev. Sinésio Lyra, ficou
sabendo dos problemas enfrentados por esse pastor na Igreja Fluminense.
Como já sabemos, era ele que dirigia as reuniões na Congregação de Madureira, com o grupo de egressos da Congregacional de Piedade. As acomodações na casa da Av. Suburbana, em Cascadura, pertencente ao irmão Nelson Celestino dos Santos, pai de Lídia e Léa, não mais comportavam o grupo de irmãos de Piedade. Portanto, saíram à procura do novo local, que resultou nos cômodos alugados da Rua Firmino Fragoso 26. A liderança dessa urgente mudança e a localização do local tiveram a participação ativa de Amaury de Souza Jardim.
Saindo da Igreja Evangélica Fluminense, lembra-se Léa, Sinésio Lyra passou a frequentar a Paróquia Episcopal do Redentor, na Hadock Lobo. Seu pai passou a frequentar, também nos domingos à tarde, com toda a família, essa mesma igreja. Essa ligação entre os dois conterrâneos nordestinos permitiu que seguissem juntos e a família de Nelson acompanhasse a fundação da Igreja Bíblica Congregacional do Rio Comprido.
Voltando às reuniões do grupo de Piedade, na casa do irmão Nelson e sua esposa Maria da Glória, ocorriam às terças-feiras, assinala Lídia, regadas a cafezinhos e bolos feitos pela mãe delas, que muito apreciava esse bem servir. Chegou, pois, o tempo dos irmãos Nelson e Jeconias Celestino dos Santos combinarem, juntamente com o Amaury Jardim, que procurassem uma casa que melhor aconchegasse a todos. Desejavam em Cascadura, mas não do lado oposto ao da Av. Suburbana, por acharem muito ermo e deserto, porque preferiam onde se acumulava, na época, todo o comércio.
E olha que o romance que vai unir Lídia e Athayde tem lugar e começo nesse endereço da Firmino Fragoso. O casal será pai de Sergio Paulo, colega meu de travessuras na Mendes de Aguiar, onde passou a morar sua avó Maria da Glória, conhecida como Mariazinha, nos idos de 1965-1966. Ali nessa casa eu assisti, meio assustado, aos discursos do irmão Nelson sobre o Apocalipse, com seus mapas esquemáticos assombrosos, nas conversas com meu pai, Cid Gonçalves de Oliveira.
Uma vez encontrada a casa, conta Lídia, cada um levava de sua própria mobília e outros utensílios que a pudessem arrumar para receber o grupo de irmãos. Mariazinha, conta sua filha, levou uma cantoneira, típica da época, para colocar flores como decoração. Cadeiras, mesas, tudo que podiam levar contribuiu para montar uma linda igrejinha para essa efetiva mudança. E continua: “Começou o trabalho ali, muito lindo, animado, Mocidade: eu, Lourdes, Amaury, Henrique, Ari (irmão destes dois), Uyratan, Marilia (irmã deste), uma mocidade, sabe, Samuel, que sumiu do mapa... Foi crescendo, crescendo, Arsylene, o pai dela era de Piedade... Começou a mocidade no dia 9 de março” (de 1953?, logo saberemos, com a continuação desta história). Vejamos na próxima postagem o histórico da irmã Arsylene.
Relatório apresentado na Ata no. 2
“Congregação Evangélica de Madureira da Igreja Evangélica Fluminense. Histórico de suas atividades compreendidas entre os dias 11 de setembro de 1952 até o dia 13 de junho de 1953, quando se realiza a primeira reunião ordinária desta Congregação, na qual o presente histórico é apresentado. Caríssimos irmãos: Indicado que fomos pelo Presbítero Manoel Medeiros de Carvalho, com o apoio bondoso de todos vós que aqui estais, apresento-vos, hoje, nesta primeira reunião ordinária de nossa Congregação, o presente histórico de suas atividades. Urge, porém que nós frisemos, que estarão registradas, aqui, as mais importantes realizações de nossa Congregação, não nos sendo possível entrar em pormenores. É, finalmente, nosso objetivo deixar registrados alguns pontos marcantes dos nossos primeiros passos, afim (sic) de que, mais tarde, se o nosso Deus quiser, reunidos em Sua Santa igreja, por meio desses dados aqui colhidos e formados, verificarmos o quanto Deus ajuda àqueles que procuram trabalhar pela sua grande causa. Assim sendo, iniciemos dizendo algo sobre a origem de nossa organização. Viemos da Igreja Evangélica de Piedade. Em virtude de algumas divergências surgidas no seio da Igreja, alguns irmãos vinham se afastando, uns para outras Igrejas, outros, porém, sem nenhum destino. O irmão Amaury de Souza Jardim, numa visita que fez ao irmão Presbítero Manoel Medeiros de Carvalho, levantou a ideia de consultar a esses irmãos, cujo número já era grande, sobre a possibilidade de, em vez de se dispersarem, organizarem-se em Congregação num local que fosse equidistante para todos. O Presbítero Manoel Medeiros de Carvalho, concordando, sugeriu que, nesse caso, esta consulta fosse feita, imediatamente. Desta maneira, foram consultados os irmãos. Ficou estabelecido que todos se reuniriam, às quintas-feiras, às vinte horas, em casa do irmão Nelson Celestino dos Santos, na Avenida Suburbana 10.169, casa IV, em Cascadura. Numa dessas reuniões, uma das primeiras, ficou estabelecido que todos pediriam carta demissória para a Igreja Evangélica Fluminense. Foi, então, afirmado pelo pastor desta igreja, que seriam recebidos esses irmãos, sem nenhum impedimento, desde que fossem portadores de carta demissória. Deste modo, trinta e dois irmãos pediram demissória para a Igreja Evangélica Fluminense.”
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