⁶ "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam." Hebreus 11.
O anônimo autor da chamada Carta aos Hebreus consegue ser direto e simples, em sua argumentação, ao mesmo tempo que refinado e culto.
Para a moderna, ainda que às vezes desgastada e mal conduzida discussão entre fé e razão, será impossível, para usar emprestado a linguagem dele, avançar sem atender a sua argumentação.
Aliás, para avançar com Deus, é imprescindível crer, segundo afirma o autor. Para os que buscam, evidentemente, será somente pela fé.
Porque Deus não se define e não se explica. Circunscrever Deus aos requisitos do método científico, aos postulados do cabível e concebível dentro dos cânones da razão, será impossível.
Sem fé, impossível. Então argumenta-se ser essa a primeira e principal razão, para usar este termo, de se confirmar ser Deus lenda ou, se muito, romântico lenitivo diante da dura realidade da existência.
Mal supomos de onde viemos, a morte é nosso destino e a vida uma imprevisibilidade. Por isso Deus se torna necessário, por detrás de quem se supõe todo o bem, enfim, o amor, mera utopia.
Uma humanidade na qual todos vivessem por si e para ou outros, ao mesmo tempo, consumindo o tempo para compartilhar benefícios recíprocos, aprender a língua uns dos outros, eliminar cercas, cadeados e quebra-molas, trocando o excesso da produção de arroz pelas sobras daquela de feijão.
Seria uma existência feijão com arroz. Mas a maldade estraga a festa. Ela entristece a realidade. Para ser totalmente feliz, temos de ser indiferentes ao sofrimento alheio, torcendo para que a síndrome de Jó nunca nos alcance.
Entre todas as lendas que as culturas produzem, talvez a mitologia cristã seja a melhor engendrada. Ganhou os séculos, espalhou-se por toda a humanidade, tornou-se alvo de desprezo, até, acusada de ter promovido alienação.
Regimes totalitários a odeiam, porque a liberdade que ela pressupõe é uma ameaça. Sua ética não admite que se exerça controle sobre o outro. Ela abomina a solução final, que tanto o fascismo quanto o comunismo praticam(aram).
Ela narra, em sua tradição judaico-cristã (duas abominações intransigentemente intrincadas) que, se existe Deus, um dia se fez homem, encarnado numa virgem judia, nascendo Filho homem de Si mesmo, tendo sido, obviamente, rejeitado, crucificado ressuscitado.
Retornando ao autor de Hebreus, isso (e somente isso) foi suficiente para purgar todo o mal de toda a humanidade em todas as épocas, antes, durante e depois da morte desse Filho, apenas sendo necessário crer nessa história e ser batizado, pelo Espírito Santo (terceira Pessoa da Trindade cristã), no Filho para, definitivamente, ser salvo.
Ser salvo significa ressuscitar como o Filho ressuscitou e, para decepção e frustração da ciência e da razão, que esperam (e garantem) que a vida se encerra ou termina no pó dos túmulos, acordar no céu, portal da eternidade.
Para não acreditar nessa lenda, neguem o Filho. Jesus é filho de um caso que Maria teve com um soldado romano (já ouvi esse boato). José, **** manso, aceitou toda a farsa. Faz-se essa concessão à história e joga-se algum 🎊 confete sobre essa alegoria Jesus.
Mas eu aviso que creio. E ainda afirmo que, para negar todos os milagres, e mais ainda, os que João afirma que Jesus fez, mas não foram anotados ou registrados, neguem, de uma vez, o Filho. Quanto a mim, me convidem para a festa em que Jesus estiver, porque tenho certeza de que não faltará 🍷 vinho.
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