segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015


  Salmo 2

      Uma oração. Mas não se trata de uma oração comum. Este Salmo transparece uma categoria que pertence ao gênero ou subgênero dos Salmos Messiânicos, que são aqueles que fazem menção ao Messias e são interpretados pelos cristãos como indicadores claros de profecia a respeito de Jesus Cristo no Antigo Testamento.

      A Igreja Primitiva usa essa estupefação, esse espanto, fazendo suas as palavras do Salmo quando tenta compreender como é possível perseguir aqueles que, em nome de Jesus, anunciam a salvação. Quando Pedro foi preso e os crentes oravam por sua soltura, evocaram traços desse Salmo, em Atos 4:23-31: 
              
                        "Por que se enfureceram os gentios
                        E os povos imaginaram coisas vãs
                        
                        Levantaram-se os reis da terra
                                                 e as autoridades
                        Ajuntaram-se a uma
                                                 contra o Senhor
                                              e contra o seu Ungido".

      Quando nos referimos a paralelismo, na poesia hebraica, é com relação a um modo de expressão em que aparecem em dupla, em linhas paralelas os conceitos indicados, reforçando-se entre si. No caso da citação do Salmo 2, em Atos dos Apóstolos, são eles: se enfureceram os gentios/os povos imaginaram coisas vãs; levantaram-se os reis/autoridades ajuntaram-se; contra o Senhor/contra seu Ungido.

        Os conceitos desse Salmo são usados, também, em Hebreus 1:5-14, citações equivalentes de Hebreus 1:5 e Salmo 2:7, como prova da divindade de Jesus, em sua filiação divina, exatamente a unidade deste Salmo que o marca como indicativo da pessoa de Jesus como Messias e o classifica como Salmo Messiânico.

          O ponto central aponta para a rejeição de Jesus como fato que não se pode entender e razão da necessidade da oração que vai sustentar os crentes nas tribulações que sofrerão em nome de Jesus, como os mesmos apóstolos em Atos 5:41, quando se regozijaram, não porque houvessem sofrido punição física de açoites, mas porque reconheciam sua identidade com Jesus em seus sofrimentos - ver também Colossenses 1:24, quando Paulo interpreta desse mesmo modo as provações que enfrentava.

           Nos versículos Salmo 2:1-3 o enredo trata de perguntar por que os povos se enfurecem contra o Ungido de Deus; em 2:4-9, Deus, o Pai, ri-se dessa rebelião, constituirá seu Filho rei sobre todas as nações e ele haverá de regê-las com vara de ferro; no final do Salmo, em 2:10-12 há uma advertência aos reis para que beijem, ou seja, bajulem o Filho, porque talvez possam escapar de sua ira. Lamentavelmente não pertencem ao grupo dos que creem no Ungido de Deus e que, portanto, por essa razão, são bem-aventurados.

           Num uso deste Salmo 2 para sermões ou estudos bíblicos, é possível destacar 4 pontos principais a respeito do Messias de Deus: (1) profecia de sua rejeição: 2:1-3; (2) profecia de sua identidade: 2:4-7; (3) profecia de seu reinado sobre as nações: 2:8-9; (4) profecia de como os grandes falharam em rejeitá-lo: 2:10-12, com uma bem-aventurança final para os que nele creem.

          Versículo destaque:       "Servi ao Senhor
                                                         com temor
                                                  e alegrai-vos
                                                         com tremor."

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