Ninguém espera ainda que haja quem escreva em cadernos, página após página, num canto de Rodoviária, por volta de quase 5h da manhã.
A não ser Rosmi, produtora de aromas, por nós, Capim Limão, Rosmi, com amor, nossa herança desse encontro. Ela se levantou, para seguir seu rumo.
Eu então perguntei quantos milhões valia o que ela havia escrito no caderno. Ela sorriu, para dizer, são orações. Eu não me levanto sem elas. Eu então repliquei dizendo que ela deixava Deus muito feliz.
Então, de novo, ela nos deixou felizes. Doando-nos, fez questão, seu aroma, que tanto vasculhou sua bagagem para encontrar. E não achava. Foi sentar-se, à parte, para logo se dizer distraída, vasculhando tudo com empenho.
De tanto procurar, para somente agora achar, ali, num dos bolsinhos laterais de uma bolsa maior. Mais um sorriso para dizer que tanto queria doar, que incomodou Deus, de novo, para ser atendida, por isso achou.
Vinha de Piracaia, que passamos a conhecer, ali, pertinho de Atibaia, para tratar da mãe Benedita, 91, que trocou Zanetti por Silva, e da tia, Claudina, 101, que mantém o Zanoti.
Descreveu sua multidão de amigos, onde mora, de como pratica seu marketing bem sucedido. De como o filho reclama, pelo lucro pequeno das vendas que pratica, de como ela prefere essa popularidade e valoriza os contatos.
Num fundo de Rodoviária do Tietê, tão simbólico rio semimorto, de uma cidade tão enorme e enigmática, um gesto de simplicidade, um feliz encontro.
De uma vida tão tenaz. A vida continua seu rumo, do campo para a cidade grande. E a gente sem saber e sem entender o que é, realmente, grande.
Talvez resida nas palavras escritas naquele caderno. Ou no curso de mais essa vida que desfila ante nossos olhos. Frágil, porém tenaz.
A vida, mais tenaz, do que frágil, é eterna.



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