sábado, 28 de junho de 2025

Raul e Leblon

 

Raul , 80 anos !!!

Ele era um cidadão respeitado, morava em Ipanema e tinha um Corcel 73! Na foto de 1973, Raul Seixas, vai de Ipanema até sua gravadora no Jardim Botânico em uma Berlineta da Caloi! Raul nasceu, na Bahia, a exatos 80 anos em um dia 28 de junho ! Maluco Beleza, deixou muitos sucessos inesquecíveis. Em 1974, vendeu 143 mil LPs e 250 mil cópias do compacto da música Gita . Infelizmente a dependência química minou sua saúde e o levou em Agosto de 1989. Ele tinha apenas 44 anos. Por aqui, respeitosamente, nos resta dizer: Toca Raul !!! 😀
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Leblon 1969   Rio de Janeiro - Brasil - No cinema está em exibição " Se meu Fusca Falasse"
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Por falar em D. Pedro II

 Numa viagem ao interior de Minas Gerais, no Brasil, o Imperador Dom Pedro II observou, no meio da multidão, uma negra que fazia grande esforço para se aproximar dele, mas as pessoas à sua volta procuravam impedi-la. Compadecido, ordenou que a deixassem aproximar-se.

“Meu senhor, eu sou Eva, uma escrava fugida, e venho pedir a Vossa Majestade a minha liberdade.”

O Imperador mandou tomar as notas necessárias, e prometeu dar-lhe a liberdade quando regressasse. E efetivamente entregou à cativa o documento de alforria.

Algum tempo depois, indo a uma das janelas do Palácio se São Cristóvão, no Rio de Janeiro, viu um guarda a tentar impedir que uma negra velha entrasse.

Sua memória prodigiosa reconheceu imediatamente a ex-escrava de Minas Gerais, e ele ordenou: “Entre aqui, Eva!”

A negra precipitou-se porta adentro, e entregou ao seu protetor um saco de abacaxis, colhidos na roça que plantara depois da liberdade.

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sexta-feira, 27 de junho de 2025

Fragilidades e tenacidade

 Ninguém espera ainda que haja quem escreva em cadernos, página após página, num canto de Rodoviária, por volta de quase 5h da manhã.

  A não ser Rosmi, produtora de aromas, por nós, Capim Limão, Rosmi, com amor, nossa herança desse encontro. Ela se levantou, para seguir seu rumo.


  Eu então perguntei quantos milhões valia o que ela havia escrito no caderno. Ela sorriu, para dizer, são orações. Eu não me levanto sem elas. Eu então repliquei dizendo que ela deixava Deus muito feliz.

   Então, de novo, ela nos deixou felizes. Doando-nos, fez questão, seu aroma, que tanto vasculhou sua bagagem para encontrar. E não achava. Foi sentar-se, à parte, para logo se dizer distraída, vasculhando tudo com empenho.

   De tanto procurar, para somente agora achar, ali, num dos bolsinhos laterais de uma bolsa maior. Mais um sorriso para dizer que tanto queria doar,  que incomodou Deus, de novo, para ser atendida, por isso achou.

   Vinha de Piracaia, que passamos a conhecer, ali, pertinho de Atibaia, para tratar da mãe Benedita, 91, que trocou Zanetti por Silva, e da tia, Claudina, 101, que mantém o Zanoti.

   Descreveu sua multidão de amigos, onde mora, de como pratica seu marketing bem sucedido. De como o filho reclama, pelo lucro pequeno das vendas que pratica, de como ela prefere essa popularidade e valoriza os contatos.

   Num fundo de Rodoviária do Tietê, tão simbólico rio semimorto, de uma cidade tão enorme e enigmática, um gesto de simplicidade, um feliz encontro. 

   De uma vida tão tenaz.  A vida continua seu rumo, do campo para a cidade grande. E a gente sem saber e sem entender o que é,  realmente,  grande.

   Talvez resida nas palavras escritas naquele caderno. Ou no curso de mais essa vida que desfila ante nossos olhos. Frágil, porém tenaz.

   A vida, mais tenaz, do que frágil, é eterna.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

NÃO JULGUE POR APARÊNCIA

 NUNCA SUBESTIME NINGUÉM.

Uma mulher com um vestido de algodão barato e seu marido vestido com um humilde fato, desceram do trem em Boston e caminharam timidamente (sem marcação) até o escritório da secretária do presidente da Universidade de Harvard. A secretária adivinhou em um momento que aqueles camponeses vindos da floresta não tinham nada que fazer em Harvard.

- Gostaríamos de ver o presidente, disse gentilmente o homem.

- Ele está ocupado, respondeu a secretária.

- Vamos esperar, replicou a mulher. Durante horas a secretária ignorou-os esperando que o casal finalmente ficasse desanimado e saísse, mas eles não o fizeram e a secretária viu sua frustração aumentar e finalmente decidiu interromper o presidente, embora fosse uma tarefa que ela sempre se esquivava.

- Talvez se você conversar com eles por alguns minutos eles vão embora, disse a secretária ao presidente da Universidade. Ele fez uma careta de desagrado, mas aceitou, alguém da sua importância obviamente não tinha tempo para cuidar de pessoas com vestidos e roupas baratas. No entanto, o presidente com a sobrancelha áspera, mas com dignidade, dirigiu-se com um passo arrogante para o casal.

A mulher disse-lhe:

- Tivemos um filho que frequentou Harvard por apenas um ano, ele amava Harvard e era feliz aqui, mas há um ano ele morreu num acidente. Meu marido e eu desejamos levantar algo em algum lugar do campus que seja em memória do nosso filho.

O presidente não se interessou e disse:

- Senhora, não podemos colocar uma estátua para cada pessoa que frequenta Harvard e falece, se o fizéssemos, este lugar pareceria um cemitério.

- Ah, não, a mulher explicou rapidamente:
Não queremos erguer uma estátua, pensamos que gostaríamos de doar um prédio para Harvard.

O presidente desviou os olhos, deu uma olhada no vestido e no fato barato do casal e então exclamou:

- Um prédio! Sabem quanto custa um prédio? , gastamos mais de 7,5 milhões de dólares em edifícios aqui em Harvard! Por um momento a mulher ficou em silêncio e o presidente ficou feliz porque talvez você pudesse se livrar deles agora.

A mulher virou-se para o marido e disse gentilmente:

- É tão pouco difícil começar uma faculdade? , por que não começamos a nossa? Então seu marido aceitou e o rosto do presidente ficou escuro em confusão e desconcerto. O sr. Leland Stanford e sua esposa levantaram-se e foram, viajando para Palo Alto, Califórnia, onde estabeleceram a universidade que tem o seu nome, a Universidade Stanford, em memória de um filho que Harvard não se interessou.

A Universidade Leland Stanford Junior foi inaugurada em 1891, em Palo Alto. "Júnior" porque era em homenagem ao falecido filho do rico proprietário. Esse foi o seu "memorial" e hoje em dia a Universidade de Stanford é a número um do mundo, acima de Harvard.

Como é fácil JULGAR pelas aparências e como é fácil errar no... JULGAR pelas aparências!!!.

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terça-feira, 24 de junho de 2025

Bruxas

 Elas voavam à noite... e os n@zistas tremiam só de ouvir o sussurro de seus aviões.Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de mulheres soviéticas entrou para a história de forma tão surpreendente que até hoje parece lenda — mas é tudo real.

Eram chamadas de "As Bruxas da Noite".
Não por acaso.
Essas jovens corajosas faziam parte do 588º Regimento de Bombardeio Noturno, uma unidade totalmente feminina da Força Aérea da União Soviética. Sim, mulheres pilotando aviões de guerra em plena Segunda Guerra Mundial, quando até hoje há quem duvide da força feminina.
Mas o mais incrível é como elas voavam.
Sem radar, sem GPS, sem aviões modernos. Elas usavam biplanos de madeira e lona, modelos ultrapassados que sequer alcançavam grandes velocidades. E mesmo assim, conseguiram se tornar o pesadelo da Wehrmacht.
Por que “Bruxas da Noite”?
Porque seus ataques aconteciam quando o mundo dormia. No meio da escuridão, elas desligavam os motores dos aviões e planavam silenciosamente até o alvo. O único som ouvido era o assobio do vento cortado pelas asas — o bastante para deixar os soldados alemães em pânico.
Diziam que "era como se uma vassoura estivesse voando pelo céu".
O medo era tanto que quem abatesse uma "Bruxa da Noite" ganhava condecoração imediata.
Mas isso quase nunca acontecia...
Elas atacavam, sumiam na escuridão e voltavam de novo e de novo. Algumas faziam até 10 missões por noite. Enfrentavam o frio de -30ºC, balas antiaéreas, falta de equipamentos e, ainda assim, jamais desistiam.
Muitas eram adolescentes. Mal haviam terminado a escola. E agora pilotavam aviões rumo ao fogo inimigo.
Foram mais de 23 mil missões realizadas.
Mais de 3 mil toneladas de bombas lançadas.
E um legado que desafia o esquecimento da história.
A comandante do regimento, Marina Raskova, é até hoje considerada uma das maiores heroínas da aviação mundial. E outras tantas foram condecoradas como Heroínas da União Soviética, a maior honra militar da época.
Essas mulheres não pediram licença. Elas escreveram seu nome na história com coragem, sangue e aço.
E ainda tem gente que diz que lugar de mulher não é na guerra...

Girgazes

 Recentemente, o hoje aposentado segundo tenente Girgazes - que apesar da idade avançada, ainda recorda com detalhes aquela noite pavorosa no mar do Rio de Janeiro, quando o submarino alemão disparou dois torpedos contra o navio no qual ele estava - gravou um depoimento sobre a maior tragédia ocorrida em águas brasileiras na Segunda Guerra Mundial para o Projeto Memória, da Marinha do Brasil.

E relembrou, uma vez mais, o drama que passou naquela noite.
"Às 23h30, eu estava dormindo e um colega me chamou, porque eu tinha que começar o meu turno na casa de máquinas do navio. Mas eu adormeci de novo, e só acordei com uma enorme explosão. Achei que a caldeira do navio tivesse explodido e corri para o convés. Quando cheguei lá, vi que a popa do navio já estava afundando. Daí, entrei em um barco salva-vidas, mas outro marinheiro que já estava nele, desesperado, cortou o cabo e caímos todos no mar. Menos de dois minutos depois de acordar, eu estava dentro d'água, tentando enxergar algo e me afastar do navio que afundava, para não ser sugado por ele. Mas ainda bem que não acordei quando meu colega me chamou, porque se tivesse ido para a casa de máquinas eu teria morrido, porque foi lá que um dos torpedos explodiu e ninguém sobreviveu", contou Girgazes no seu depoimento, que também incluiu mais detalhes sobre como ele se salvou naquele naufrágio, que ceifou a vida de outros 150 marinheiros.
Imagem: DPHDM
"Quando me afastei do navio, a primeira coisa que fiz foi tirar toda a roupa, para poder nadar com mais facilidade e também não ser agarrado pelos outros marinheiros que estavam na água, porque isso podia fazer com que eu morresse afogado. Eu não enxergava nada, por causa da escuridão, mas ouvia muita gente gritando, pedindo ajuda. Em vez de gritar, eu comecei a rezar. Mas pedi, em voz alta, que o Senhor não me deixasse morrer sem rever minha mãe. Foi quando eu ouvi uma voz, chamando o meu nome. Era um colega do navio, que estava em uma balsa salva-vidas, tentando recolher pessoas no mar, mesmo sem enxergar nada. Ele ouviu aquele meu pedido à Deus e gritou de volta, dizendo para que eu continuasse falando alto, e foi seguindo o som da minha voz, até chegar do meu lado com a balsa. Depois daquele dia, nunca mais o vi. Mas gostaria de poder ter agradecido pessoalmente por ele ter salvo a minha vida".
Imagem: DPHDM
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Agradecido por estar vivo
Coincidentemente, as comemorações do 100º aniversário da única testemunha ainda viva do afundamento do Vital de Oliveira acontecerão no mesmo ano em que os restos daquele navio foram oficialmente identificados, apenas dois meses atrás, por outro navio da Marinha do Brasil, também coincidentemente chamado Vital de Oliveira - a Marinha brasileira sempre teve a tradição de manter um navio batizado com o nome do patrono da hidrografia brasileira, Manoel Antônio Vital de Oliveira.
Imagem: DPHDM
"Quando eu soube que tinham confirmado a identidade do navio no qual estava no fundo do mar, não fiquei triste nem feliz", diz o já quase secular ex-marinheiro Girgazes. "Fiquei apenas agradecido uma vez mais por ter sobrevivido, e por ainda estar vivo".

Um caso polêmico
Naquela noite, boiando no mar aberto, a mais de 70 quilômetros da costa, até ser socorrido pela balsa daquele colega, Girgazes foi quase uma exceção entre os poucos que escaparam do torpedeamento do Vital de Oliveira - só 100 marinheiros sobreviveram, entre os 250 que havia no navio. 

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Campeões Mundiais: Raça, amor e paixão

  

 Sim, foi um Encontro Mundial. Nem tanto pelo futebol, embora tenha rolado um aqui e outro ali, na tela da TV 📺.  E todas as torcidas tricolores, botafoguenses e flamenguistas representadas.

  Porque rolou falar das recentes glórias tricolores e botafoguenses e de nossa querida, muito amada filha, papai Jorge e mamãe  Eliana, nossa representante no Mundial, emocionada pela pegada no PSG, sem jeito nenhum de, ao menos, empatar. 

   Mas mundial foi o nosso encontro mesmo. Rolou foi de tudo. O almoço muito especial. E o assunto da véspera.

  Isso mesmo, Bienal também rolou, na conversa. Mas a véspera ficou mesmo marcada com os Quitutes da Tia Gi.


  Estivemos por lá e foi só alegria. Com todos os papos em dia. O de sempre, desfilando toda a família,  3ª e até 4ª geração dos bisa e até trisavós.

  Sim, porque conversar sobre família é falar de onde vem nossa herança. De quem aprendemos a amar. De quem nos amou e lutou, vencedor, superando todas as vicissitudes para chegarmos a essa tarde-noite prazerosa no Recreio e esse almoço prazeroso em Nilópolis.


  Todas as tradições e todos os nossos valores à mesa. Todos as nossas alegrias e nossas lutas, as vitórias vencidas e as por vencer.

   Tudo isso vem das raízes, das gerações que já se foram, da esteira do tempo, e das que estão chegando. Gisley, que é neto, agora é avô de Felipe.


   Eber Binho, também neto, agora é avô de Elisa. E eu, Cid Mauro, o avô de Asafe. Toda a gratidão. Para os crentes, gratidão a Deus. Mas essa gratidão também se manifesta aos avôs  e bisavós e bisavôs que estão aí.


  Oramos juntos. Lembramos Rúbio e Ino nas lutas contra os males da caminhada. Intercedemos junto a Deus por eles. E mencionamos as cirurgias de Leila, Miriam e Gislaine.

   E os perrengues de Ana Lúcia nos EUA, enquanto desfilavam as fotos de toda a tão amada família. Porque já somos campeões.🏆


  Temos raça, tradição, amor 💘 e paixão. Erguemos as mãos aos céus, todos juntos. Em minhas aulas, no Acre, sempre mencionei minha família.

  Dirley, meu professor de português, Inácio, na matemática, ainda em Vila Jurandir. Eu venho desse tempo, dessa gente, de todos esses encontros, de toda essa luta, vitórias e muita alegria 😂. 

   E fiquem com a gargalhada final, do representante dessa quarta geração que chega. Deus nos faça sempre felizes e vencedores. Somos Campeões Mundiais. 🏆 ❤️ 

Hahahahaha...

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Veja essa

 

Olha só essa história 🥰

👉Por trás da letra: Atrás da Porta 🎼
Francis Hime morava nos Estados Unidos e passava férias no Brasil. Em uma festa restrita a poucos amigos, encontrou-se com Chico Buarque e tocou a melodia da música, Chico gostou e começou a escrever, lá mesmo, a letra . Os dois não se lembram o motivo - Chico atribui ao excesso ou mesmo a falta de bebida e até falta de inspiração momentânea - o fato é que o letrista só conseguiu fazer uma parte da música.
A obra incompleta ficou esquecida por um tempo, até que Elis a ouviu e ficou maravilhada. Gravou o trecho com letra e deixou a segunda parte apenas orquestrada, uma forma, para muitos, de pressionar Chico a concluir a música. 🎤
Chico finalizou a letra e o resto virou história.🎶
Atrás da Porta
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei
Eu te estranhei, me debrucei
Sobre o teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito, teu pijama
Nos teus pés, ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
Até provar que ainda sou tua...
Via Pág. MPB Bossa
📸 Matéria da revista "Fatos e Fotos", de 12/11/1966. Chico Buarque, Elis Regina e  Geraldo Vandré.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Gregório de Matos Guerra

 

A literatura brasileira é um espelho da nossa história, marcada por encontros e confrontos culturais entre indígenas, colonizadores portugueses, africanos escravizados e outros povos que formaram o Brasil. Mas, ao se perguntar qual foi o ponto de partida dessa tradição literária, é comum buscar por uma figura inaugural. Quem foi o primeiro escritor genuinamente brasileiro? Quem deu voz literária ao território que começava a se formar sob o domínio português?

A resposta mais aceita entre os estudiosos nos leva ao século XVII e ao nome de Gregório de Matos Guerra — o primeiro grande poeta nascido no Brasil e um dos autores mais ousados e originais da língua portuguesa. 

Nascido em Salvador, Bahia, em 1636, Gregório de Matos foi um dos primeiros escritores brasileiros natos. Filho de uma família rica e influente, estudou em Coimbra, em Portugal, onde se formou em Direito. Após retornar ao Brasil, Gregório passou a viver entre o exercício da advocacia e a produção literária — embora sua fama tenha sido moldada, sobretudo, por seus versos ácidos, satíricos e críticos.
Por sua forma irreverente de escrever, Gregório ficou conhecido como “Boca do Inferno” — um apelido que fazia referência à sua língua ferina e à sua capacidade de criticar tudo e todos: clero, autoridades coloniais, ricos, falsos moralistas e até mesmo o povo.
 
Gregório de Matos é um dos maiores representantes do Barroco na literatura de língua portuguesa. Seu estilo é marcado por fortes contrastes (céu e inferno, carne e espírito, pecado e perdão), pelo uso intenso de figuras de linguagem e pela exploração de temas religiosos, amorosos e sociais.
Sua produção literária pode ser dividida em três grandes temas:
• Poemas religiosos: expressando arrependimento e busca por salvação espiritual.
 
• Poemas líricos e eróticos: exaltando o amor e, muitas vezes, o desejo carnal de forma ousada para a época.
 
• Poemas satíricos: sua marca registrada, em que atacava políticos corruptos, religiosos hipócritas e a elite colonial baiana.
 
Mais do que um poeta, Gregório de Matos foi um cronista da sociedade colonial brasileira. Em um tempo em que a literatura era produzida majoritariamente em Portugal e com forte influência europeia, Gregório teve a ousadia de escrever sobre o Brasil, usando linguagem popular, expressões locais e temas cotidianos.
Em seus versos, ele denunciava o abandono da cidade de Salvador, o abuso de poder das autoridades e a decadência moral da sociedade. Por isso, era tão amado por uns e odiado por outros. Suas críticas lhe renderam perseguições, exílio e censura.
Foi mandado para Angola como punição por suas críticas e, anos depois, proibido de viver na Bahia, terminando seus dias em Recife, onde morreu por volta de 1696.
 
Durante séculos, a obra de Gregório de Matos circulou apenas em manuscritos. A Igreja Católica e os setores mais conservadores da sociedade colonial trataram de esconder seus textos, considerados escandalosos e imorais.
Somente no século XX, sua produção começou a ser resgatada, estudada e valorizada como parte fundamental da formação da literatura brasileira. Hoje, ele é reconhecido como o primeiro poeta brasileiro de grande expressão, alguém que conseguiu transformar a realidade brasileira em poesia com voz própria — e crítica.
 
Gregório de Matos não apenas deu início à tradição poética brasileira, mas também foi um pioneiro no uso da literatura como forma de resistência, denúncia e expressão individual. Em uma época de censura, desigualdade e poder concentrado, ele usou a palavra como arma e a sátira como instrumento de justiça.
A redescoberta de sua obra permite compreender melhor o Brasil colonial e perceber que, desde o início, a literatura nacional nasceu crítica, inquieta, ousada — como o próprio Gregório.
Séculos mais tarde, outro brasileiro exilado, lutando contra a censura, utilizou da poesia de Gregório para denunciar os absurdos cometidos pelo governo ditatorial militar brasileiro. Caetano Veloso, exilado na Inglaterra, cantou em 'Triste Bahia' a saudade de seu país, seu estado, e misturou elementos das religiões afro-brasileiras nos versos do poeta.

Confira poema 'Triste Bahia' transformada em música por Caetano Veloso:

Zózimo

Elegância, inteligência  e técnica. 

 Essas foram as marcas registradas de Zózimo Alves Calazans, o eterno Zózimo, zagueiro que brilhou entre os anos 40, 50 e 60 e que hoje completaria 93 anos de vida.

Nascido em 19 de junho de 1932 em Salvador-BA, Zózimo começou a carreira no Bangu ainda garoto, nos anos 40, e viveu no clube de Moça Bonita seus melhores momentos, mesmo sem levantar títulos
Além do Bangu, defendeu também a Esportiva de Guaratinguetá (SP), o Flamengo e o Sport Boys, do Peru.

Pela seleção brasileira, foi presença constante: disputou 36 partidas, com 25 vitórias, seis empates e apenas cinco derrotas, marcando um gol.

Fez parte dos grupos campeões mundiais de 1958 e 1962 e ainda levantou taças importantes como a Bernardo O'Higgins (1955), do Atlântico (1956) e foi tricampeão da Oswaldo Cruz (1956, 58 e 62).
Zózimo faleceu precocemente em um acidente de carro no Rio de Janeiro, no dia 17 de julho de 1977.

Mesmo sem os holofotes de outros companheiros daquela geração vitoriosa, Zózimo segue sendo lembrado como um símbolo de classe dentro e fora de campo.

E para matar a saudade do zagueiro que desfilava categoria, confira abaixo dezenas de fotos de sua carreira.

Veja link abaixo:

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Platoon

 Quando a pré-produção de "Platoon" começou no início da década de 1980, Oliver Stone não era um diretor famoso; era apenas um veterano do Vietnã com um roteiro que ninguém em Hollywood queria tocar. Os estúdios o rejeitaram por anos. O realismo que Stone injetou no roteiro, baseado diretamente em suas próprias experiências angustiantes como soldado de infantaria no Vietnã, foi visto como muito sombrio, muito cru, muito anti-heróico para o público ainda acostumado a filmes de guerra que glorificavam o conflito. Foi preciso o sucesso de "Salvador", em 1986, também dirigido por Stone, para finalmente convencer os produtores a apoiarem "Platoon". Mas mesmo assim, o orçamento era limitado e o projeto foi considerado uma aposta arriscada.

Charlie Sheen, que viria a entregar uma de suas atuações mais marcantes como Chris Taylor, não era a primeira escolha de Stone. Inicialmente, Stone queria sua primeira escolha de uma década antes: Martin Sheen, o pai de Charlie. Mas quando o filme finalmente ganhou força, Martin já estava velho demais para interpretar o jovem e ingênuo soldado.  Em vez disso, Stone via o Sheen mais jovem como uma escolha natural, não apenas pela semelhança física com o pai, que havia interpretado um papel igualmente atormentado em "Apocalipse Now", mas também pela amplitude emocional que Charlie conseguia trazer ao papel. Mesmo assim, Sheen precisava provar seu valor. Ele treinou rigorosamente para o papel, participando do agora infame "campo de treinamento" que Stone exigiu para todo o elenco.

Esse campo de treinamento não era apenas para encenação. Stone levou os atores para as selvas remotas das Filipinas, privou-os do contato com o mundo exterior e os submergiu em condições quase de combate por duas semanas extenuantes. Eles dormiram em abrigos subterrâneos, usaram os mesmos uniformes encharcados de suor por dias e receberam alimentação mínima. Stone deliberadamente cansou os homens para apagar qualquer sensação de glamour hollywoodiano. Willem Dafoe, escalado para o papel do compassivo Sargento Elias, disse mais tarde que a experiência uniu o elenco de uma forma que nenhum workshop de atuação jamais conseguiu.  Tom Berenger, que interpretou o endurecido e brutal Sargento Barnes, chamou isso de "guerra psicológica controlada" que os colocava diretamente no espaço mental de seus personagens.

A transformação de Berenger em Barnes chocou a equipe. Geralmente conhecido por papéis mais heroicos, Berenger abraçou a feiura física e emocional das cicatrizes de Barnes esculpidas em seu rosto, um rosnado permanente em seus lábios. Sua intensidade durante as filmagens foi tão avassaladora que os membros mais jovens do elenco, incluindo Johnny Depp e Kevin Dillon, o evitavam fora das câmeras. Dafoe, por outro lado, era afetuoso e acessível, espelhando a empatia de seu personagem. O contraste entre os dois atores se traduziu diretamente na tensão na tela, particularmente durante a cena infame em que Elias é deixado para morrer na selva. Essa sequência, filmada na densa vegetação rasteira de Luzon, foi fisicamente desgastante. Dafoe correu pela lama espessa enquanto helicópteros militares reais pairavam sobre ele. Não houve dublês, nem truques de CGI; tudo foi filmado da forma mais crua e próxima da realidade possível.

As filmagens foram interrompidas diversas vezes por chuvas de monção, pesadelos logísticos e instabilidade política. Equipamentos foram danificados, atores adoeceram e os ânimos se exaltaram. Em dado momento, Charlie Sheen desmaiou devido à exaustão pelo calor. Apesar do caos, Stone se recusou a ceder. Ele frequentemente filmava cenas usando luz natural e câmeras portáteis, insistindo em várias tomadas até que as emoções transbordassem. Os membros da equipe começaram a ceder sob a pressão, mas as imagens que chegavam eram diferentes de tudo o que alguém já tinha visto. Cruéis, emocionantes e terrivelmente autênticas.

Até a cena final da batalha, uma das mais memoráveis ​​do filme, foi caótica tanto na tela quanto fora dela. Pirotecnia explodiu ao redor dos atores, árvores foram destruídas e houve momentos em que ficou difícil dizer se alguém estava atuando ou realmente reagindo. A intensidade atingiu seu ápice quando o personagem de Sheen acorda após o tiroteio em um colapso emocional que refletia a exaustão sentida por todo o elenco.

Quando "Platoon" estreou, o público ficou atordoado.  O filme não apresentou os soldados como heróis invencíveis, mas sim como falhos, assustados e profundamente humanos. Para muitos veteranos do Vietnã, foi a primeira vez que viram algo próximo de sua realidade retratado na tela.

Stone não fez "Platoon" para entreter, ele o fez para exorcizar demônios e, ao fazê-lo, criou um filme de guerra que destruiu os mitos e expôs o trauma. Cada cena ainda parece uma ferida que não cicatrizou completamente.

Veja no Face:

Nicole Croisille

 

Amigos, perdemos uma maravilhosa cantora e atriz francesa, que ficou muito famosa na França nos anos 60 e 70: Nicole Croisille. Era muito amiga minha. Acredito que foi minha melhor amiga na França. Gravou três músicas minhas: Velas, Love Dance e Começar de Novo. As duas últimas, comigo ao piano, foram gravadas em 1987, em Paris. Começar de Novo ela transformou numa linda versão em francês: Tout recommencer.

Nosso encontro foi dos mais estranhos. Ela, na primeira metade dos anos 80, conheceu minha música e se apaixonou. Um dia, resolveu me conhecer. Acho que foi em 1986, quando fiz um concerto com minha banda, A Famiglia, para 10 mil pessoas, no ginásio do Clube Guarani, em Campinas. Ela veio sozinha ao Brasil, pegou um ônibus para Campinas - não sei se assistiu ao show - e ficou do lado de fora do ginásio, me esperando. Sozinha. Demorei muito a sair, e o público todo já tinha ido embora. Menos ela, que nessa época já tinha uns 50 anos de idade.

Quando saí, ninguém na rua. Só ela. Ela veio até mim e, educadamente, se apresentou. Lembrei dela por causa do filme “Um Homem, Uma Mulher”, que assisti umas oito vezes (e me emocionei em todas, pois minha namorada havia terminado comigo entre 1966 e 1967). E Nicole era a cantora que interpretava, junto com Pierre Barrouh, os temas principais do filme. Dali começou uma grande amizade. Me convidou para ir a Paris e gravar com ela. Lá, estendiam tapete vermelho para ela onde quer que fosse. Me apresentou a muita gente bacana da época: Sacha Distel, Eddie Barclay, Claire Chevalier, muitos músicos...

Era uma pessoa linda, generosa, educadíssima, talentosa e inteligente. Apaixonada pela música brasileira, como tantos outros. Nascida em 1936, morre aos 88 anos e deixa muitas saudades em mim, na Valeria - que a adorava -, em amigos brasileiros como o cantor Zé Luiz Mazziotti, o cantor e produtor Favio Farias e a dupla de cantores “Les Étoiles” - Rolando Farias e Luiz Antônio - com quem convivemos muito em nossas idas a Paris. Nossas noites eram divertidíssimas, deliciosas. Nossos melhores tempos na capital francesa.

Viva Nicole Croisille! 🤍🌹

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quinta-feira, 5 de junho de 2025

Antigo Armazém na Capoeira Grande, Rio, RJ


A História do antigo Armazém do ,José Diogo, na Estrada das Capoeiras em Campo Grande início do século XX. Na atualidade o Habib's das Capoeiras

😍
Ao lado esquerdo funcionava um Sapateiro, no meio o Armazém do Zé Diogo que trabalhava com o filho Quilote, onde na frente tinha uma varanda onde os clientes ficavam esperando, as colunas eram de madeiras maciças provavelmente oriundas das antigas senzalas da região e tinha umas argolas onde amarravam os cavalos, ao lado direito funcionava a única barbearia da localidade dos barbeiros Zé e Domingos depois passou a ser do Vavá, Turi e José, ao lado esquerdo próximo da Sapateiro em uma área mais alta do terreno ficava uma bica que tinha a estrutura de coluna com um batente onde as pessoas enchia as bacias para dar águas aos bois, onde as charretes e carroças que vinham pela Estrada do Mendanha paravam para os animais beberem água, lembrando que na época eram os principais meios de transportes em nossa região totalmente rural. Quase não tínhamos comércios em Campo Grande, meu avô Olintho Monteiro de 86 anos ainda criança era levado pelo irmão mais velho de bicicleta para cortar o cabelo pela Estrada da Posse de chão de terra e sem luz elétrica. Na frente do antigo Armazém existia um grande Largo e era um ponto de parada muito conhecido na época.
Curiosidades incríveis :
❤️
José Martins Diogo, nasceu em São Francisco Xavier RJ em 1891 filho de imigrantes portugueses de Póvoa de Varzim, Distrito do Porto, foi casado com Maria Martins Diogo Carvalho e tiveram três filhos. Comerciante, morava na Rua Albertina em Campo Grande e faleceu no hospital Rocha Faria em 1971.
Esse comércio foi construído muito antes pelos proprietários da fazenda das Capoeiras um dos sesmeiros de Campo Grande.
😍
Conforme a outra foto mais rescente, no local hoje funciona uma lanchonete muito conhecida de todos os Campograndenses.
Pesquisa e postagem: Wallace Monteiro Postiga - ADM das páginas. Funcionário Público, Memoralista, Idealizador da Festa da Laranja no Bairro de Campo Grande.
Fonte: Memória Cultural do meu avô Olintho Monteiro, livro Campo Grande por Trilhas e Caminhos, Igreja Matriz

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