quinta-feira, 23 de outubro de 2014


 Jonas
             “Então, perguntou Deus a Jonas: É razoável essa tua ira por causa da planta?”
             Curioso esse profeta e riquíssimas as lições que aprendemos no lidar de Deus com ele. Aliás, é o tipo de profeta que nenhum de nós convidaria para ser obreiro em nossa igreja. Mas era verdadeiramente vocacionado, porque Deus foi quem o chamou, para ensinar lições fundamentais que desconhecia.
          A lição principal, o amor que, muitas vezes, julgamos que já aprendemos, que praticamos e que ainda queremos ensinar a outros, sem que Deus nos dê suporte para isso, será um vexame ou uma farsa. Essa lição Deus queria que Jonas aprendesse. Maravilhoso como ministério é, antes de tudo, lição e ensino, primeiro, para o autenticamente vocacionado.
            Provas de que Jonas era autêntico profeta foi que (1) a ele veio a palavra do Senhor, (2) foi enviado a uma dada região, para (3) pregar a palavra do Senhor – Jonas 1:1-2. Mas simulou obediência e, o que é surpreendente, um desobediente não é abandonado por Deus, como até poderíamos supor, mas perseguido pelo próprio Deus, até que aprenda e ponha em prática o que Deus quer ensinar.
            No livro, fica explícito até onde pode ir, no desespero de Jonas, a fuga da lógica de Deus e o mergulho na distorcida lógica do homem. Tentando atualizar o dilema do profeta, é como se, em nossos dias, Deus enviasse a nazistas um profeta judeu para lhes pregar arrependimento. Porque os assírios, a quem Jonas foi enviado, haviam trucidado os habitantes de Samaria em 722 a. C. A lógica distorcida do homem, desde o Éden, sempre em fuga em relação a Deus, não entende a lógica do amor e do perdão.
             Jonas, em sua fuga, desceu ao seu abismo pessoal: (1) procurando diligentemente um navio em Jope, (2) pagou o preço, mais de seu desespero, medo e covardia, do que da viagem, (3) embarcou, meticulosamente, sem desistir ou cair em si em nenhuma dessas etapas – Jonas 1:3. Dentro do navio, (1) escondeu-se infantilmente no porão, (2) mergulhou num sono depressivo e doentio e (3) nem disposição para orar tinha, quando questionado pelos tripulantes, cada qual invocando seu ídolo, em meio aos terrores da tempestade em alto mar – Jonas 1:5-6.
            Precisamos nos deixar conduzir por Deus em sua lógica do amor e do perdão, embora em nós, sem a assistência do Espírito Santo, nada dela nos seja natural. Mais uma vez confrontado, Jonas deu mais importância, também de modo doentio, a sua fútil e ilusória euforia, à sombra da parreira que o abrigava do desconforto do sol, do que preferiu avaliar o peso da morte de 120 mil pessoas. Pelo contrário, isso lhe teria dado prazer.
          Quando Paulo, em 1 Coríntios 2:10-16, na aula dele sobre o ministério do Espírito em nós, afirma “Nós, porém, temos a mente de Cristo”, é para que consigamos pensar e agir pela lógica de Deus. Fora dela, corremos todos os riscos que Jonas correu. E não sabemos se foi suficientemente corajoso para se dar por vencido em sua lógica e adotar aquela de Deus. 

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