terça-feira, 7 de outubro de 2014

Dodekaprofeton - Os doze profetas
      
      Curiosíssimo. Algum editor antigo e anônimo resolveu editar esses 12 livrinhos, reunindo-os num só volume. Só as razões por que se lançou a essa tarefa devem instigar-nos a conhecer seu conteúdo. Não se sabe, ao certo, a data precisa da edição, mas mão ou mãos deram um retoque final e mandaram ver essa pequena coleção.
     Assim, quando lemos poucas informações, muitas vezes só o nome do profeta (Obadias 1, Habacuque 1:1 e Malaquias 1:1), outras vezes só o adicional do nome de quem ele era filho (Joel 1:1 e Jonas 1:1), e ainda, por vezes, o nome da cidade natal (Naum 1:1), acrescido ou não se sua profissão anterior ao chamado (Amós 1:1), e ainda o período de sua atuação (Oséias 1:1, Miquéias 1:1, Sofonias 1:1, Ageu 1:1 e Zacarias 1:1), todos esses dados nos estimulam a reconhecer as razões por que o(s) editor(es) resolveram que era relevante estimular leitores a conhecer seu conteúdo.
     Aí, acima, estão os nomes desses heróis. Agora resta familiarizarmo-nos com detalhes que aparecem na linguagem de seus escritos. A leitura atenta, em si, já predispõe para o exercício da interpretação e ainda existe um exército de leitura paralela: dicionários bíblicos, comentários e análises desses livros, que vão ajudar no destaque devido a essa literatura especial e seus aspectos particulares, somente percebidos numa leitura atenta.
    Mas o leitor não deve aprender a depender de modo direto da literatura de apoio, porém prender-se à leitura bíblica do texto de cada livro, estabelecer seu modelo de memorização e compreensão dos textos, somente para, então, demarcadas as dúvidas, recorrer a esses dispositivos para sanar essas mesmas dúvidas.
     Em linhas gerais é necessário reconhecer o período geral da profecia desse ciclo de 12 profetas, sabendo, de antemão, que todos se inscrevem num quadro de ocupação da Palestina da época por impérios deslocados a partir da Mesopotâmia, e que a terra prometida se subdividia em dois reinos judaicos: Judá, ao sul, e Israel, ao norte.
     Esse era o quadro político geral, um detalhe reconhecido por eles como, em si, recurso disciplinar de Deus que, histórica e geopoliticamente falando, permitia que a terra, uma vez dada a seu povo exclusivo como herança, fosse ocupada por estrangeiros que, em duas brutais ocasiões, uma pior do que outra, chegaram a levar cativos, para a Mesopotâmia, judeus do norte e judeus do sul.
     Assim, do século VIII ao século VI a. C., ambos antes de Cristo (a. C.), nesse período de três séculos, assírios, babilônicos e persas ocuparam, sistemática e seguidamente a Palestina, varrendo-a de norte a sul: assírios levaram cativos os habitantes do norte, Israel, em 722 a. C., babilônios levaram cativos os habitantes do sul, em 587 a. C. e, em 536 a. C., os exilados foram liberados pelos persas para retornar, em três levas, sob Zorobabel, Neemias e Esdras, à terra natal.
    Desse modo, podemos situar esses 12 profetas no tempo: Oseias, Amós, Miqueias e Jonas, no século VIII; Naum, Habacuque, Obadias e Sofonias, no século VII; Ageu e Zacarias, no século VI; e Malaquias, no século V. Joel é, dentre eles, o mais difícil de localizar no tempo.
    Um dado geral também é ressaltar que todos os profetas lidavam com a dificuldade do povo escapar da cultura religiosa comum a todos os seus vizinhos, que afetava Israel e Judá com tremenda força, que era a idolatria. Esse foi o principal esforço desses gigantes, os profetas: denunciar e lutar, muitas vezes ingloriamente, contra o costume entre israelenses, norte, e judaítas, sul, de seguir a religião dos vizinhos.
    Era muito difícil separar religião e vida prática visto que, no oriente (ainda hoje) as duas estão intrincada, estranha e entranhadamente, para quem é ocidental, unidas. Nas relações diplomáticas, no comércio, nas relações humanas entre vizinhos, muitas vezes tão perto um do outro como do outro lado do rio, o povo de Deus, assim reconhecido, permitia-se misturar com o culto, festas, tradições e modelos de sacrifício dos seus vizinhos.
    Luta inglória dos profetas. Vamos ver, nos textos, a radiografia desse esforço, os resultados da idolatria na vida do dia a dia do povo, o uso desse expediente por meio dos sacerdotes corruptos, dos profetas cooptados e manipulados pelo ganho dos reis, além de juízes desse mesmo time.
     Muitas vezes, sozinhos, enfrentavam toda a resistência, colocando até a própria vida em risco, com eco positivo na vida de uma anônima minoria que se matinha fiel ao Deus em quem os profetas professavam crer, autenticamente chamados àquele ministério.

    Vale a pena ler esses textos e atualizar sua linguagem, exercício de interpretação, contextualização e divulgação, para fazer valer hoje o que disseram há cerca de 2750 anos. Vamos aos textos.

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