quarta-feira, 6 de agosto de 2025

O taxista

Como você conheceu o Cavalcante?

O Cavalcante, é assim: quando eu comecei a trabalhar na Praça é como eu digo para os meus filhos “Invista nas tuas ferramentas, compra ferramentas...”. Não adianta trabalhar, sem investir. Na Praça, eu tinha várias licenças, vários carros. E ele trabalhava com uma mulher, numa empresa de ônibus, ele era motorista de ônibus, o Cavalcante, motorista de ônibus aqui em Rio Branco. Essa mulher, com quem ele trabalhava, tinha um Chevette e ele trabalhava com o Chevette dela, um verdinho. Porque ele trabalhava nessa empresa e essa mulher comprou esse carro e ele trabalhava para ela, tirava porcentagem. Era alugado a ele, trabalhava o dia todinho, por exemplo, tirava 100 reais, por exemplo, 40, 50 ou 60%, dependendo do acerto. Era essa a história: ela comprou esse carro e ele foi trabalhar para ela. Trabalhava na Praça e parece que, com um tempo, ela se separou e então, por via dos fatos, ela vendou o carro. E alguém me indicou para ele. Ora, quase todos os taxistas de Rio Branco trabalharam para mim, quase todos. Indicaram: “O cara que tem uma porção de carro na Praça é o Jorge”. E aí ele veio atrás de mim e aí eu dei essa parati para ele trabalhar.  Eu fiz um negócio com ele: de segunda a segunda ele me pagava 350 reais. Se ele fizesse mais, supondo 2 mil, 3 mil, era dele, está entendendo, era alugado para ele. Seria, por exemplo, uns 1400 por mês, que era dinheiro, na época. E eu pagava os consórcios dos carros, Trescinco. Só em Cuiabá, eu peguei uns 4 ou 5 carros pelo Consórcio Trescinco. Eu peguei um Santana, foi nele que eu saí de lá de manhã cedo e cheguei aqui em Rio Branco 11 horas da noite (2.000 km). Vim voando! Eu cheguei aqui e o vendi e, com esse dinheiro, comprei dois Uno em São Paulo. Eu fui buscar com o Marco Aurelio, meu cunhado. Nesse tempo não havia ar, eu mandei colocar ar no carro, fui buscar em Embu das Artes (a 505 km de São Paulo), na Régis Bittencourt, a Rodovia da Morte. Cavalcante veio trabalhar comigo, um monte de tempo, trabalhou comigo, morou em minha casa, por questões com a esposa, trabalhava e morava em minha casa, na Morada do Sol, onde havia um quarto, ficava no quarto da Gabi, minha filha, por ser só Gabi e Gabriel (na verdade, chamado Jorge, como o pai). Trabalhou muito tempo e fez um ocorrido, quando trabalhou no carro uma semana inteira, sem necessidade de ter feito, porque veio a segunda, não apareceu, veio a terça, e eu “Alguém viu o Cavalcante por aí?” Passou a RX, e tal, mas ninguém viu o carro rodando, nem nada, aí um cara viu que meu carro estava lá no posto, no Ricardinho, num bairro, deixou o carro lá, para lavar, e sumiu, até hoje... rsrsrsrsrs. Aí, depois apareceu e queria trabalhar comigo de novo. Pergunto: onde que a Lúcia (que indicou Cavalcante para a chácara da igreja) entra nessa história?  Ah, ela nos conhecia, ela trabalhava na Praça, era Rádio Táxi, os taxistas eram todos conhecidos e outros mais. Ele trabalhou comigo, trabalhou com a Lúcia. Morou na casa da Lúcia também. Cavalcante era do tipo de meus dois irmãos, um cara que trabalha muito, que trabalha mesmo, mas no final não tem nada. Ora, se você trabalha, prospera, você trabalha em várias áreas, como eu. Sempre gostei, desde pequeno, de ter o que é meu, sem ficar pedindo a ninguém. Quando pequeno, vendia picolé. Quando fui morar em Natal, vendia algodão doce. A mulher fazia aquele bichinho, aquele bibelozinho de isopor, um bonequinho que pendia para lado e outro, eu vendia aquilo ali no tabuleiro. Já vendi tudo em minha vida. Eu ganhava dinheiro. Quando eu morava com meu ex-cunhado, o vizinho nos chamavam, então íamos limpar quintal, pelo Tropical, pelas casas daqueles ricão ali: “Você não quer limpar quintal, não? Uma vez até uma mulher acusou-nos de roubo, deu em nada. Eu disse “meu pai não nos ensinou a pegar o que não é nosso não”. Até de ter cometido imoralidade eu já fui acusado por uma mulher. Mas foi uma intriga. E era um tempo em que eu tinha um Fusca. Mas eu tinha o álibi de não ter saído da garagem, naquele dia, por obras na rua. A minha mulher sabia disso. Mas, mesmo assim, a ter sido preso eu fui. E o delegado me conhecia, de bater papo, Dr. Nilo Francesi. Fui procurado pela Polícia, mais ou menos me conheciam. Então eu fui lá na casa dela, para questionar essa denúncia, argumentando que estava muito me prejudicando. “Eu tenho família para criar”. E mais uma vez chega lá em casa a Polícia. Fui ouvido na delegacia, ainda assim fiquei uns 5 dias preso. Mas tudo ficou esclarecido, por acerto com o Delegado, Deus sabe e começava a mudar minha vida.

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