Elas 7 (sete), todas e cada uma
milagre
Uma a uma, com duas sobrepostos
E agora, cada uma, uma a uma
Prestem atenção: onde há um 2, estão sobrepostas
Vejam por este ângulo. Ora, vejam por qualquer ângulo, mas vejam. Nas Escrituras há a advertência apocalíptica: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça".
Parodiando, hoje digo: quem tem olhos para ver, veja. Sete é um número simbólico. Esperávamos 15, contando os brotos mínimos.
Certa vez, ela prometeu 5 delas. Cochilamos feio. Perdemos 4, somente vimos a quinta delas. Hoje flagramos as 7, faltam 4 para amanhã. Porque 4 brotinhos minguaram.
Elas têm um aroma suavíssimo. Dá vontade de inventar para praticar uma sinestesia inexistente ainda, para tentar associar olhos, odor, enfim todos os sentidos e outros que faltam.
Porque baseamos nossa percepção nos 5 sentidos. Deve ser por isso que, às vezes, choramos: devem faltar outros tantos sentidos, ou mais, para haver expressividade.
Certa vez, no Meier, no AP de Dorcas, minha mãe, veio ela com seu sorriso. Mães amorosas sorriem de modo celestial. Dorcas veio anunciar, do jeito que ainda ouço ela chamar:
"Cid Mauro, são cinco Damas da Noite". E dessa vez estávamos todos daqui do Acre no Rio. A planta havia feito isso em outras vezes. Certa vez, eu sozinho naquele AP, a mãe já nos havia deixado, cliquei fotos de duas delas.
Ela, a mãe, trouxe dessa muda para o Acre. Dorcas tinha mãos para plantas. Dorcas tinha mãos para oração, para cozinha, para escrever estudos bíblicos, para cuidar de minhas dores, para ninar netos, banhar, trocar fraldas, tudo que, um dia, havia feito comigo, retribuiu com os netos.
Vendo e sentindo, com essa falta aguda de percepção, as Damas da Noite, lembro Dorcas. Tanto que fez enquanto força teve. No hospital, segurava uma cópia de Vida Cristã, preocupada em escrever a última seção de Tesouros da Vovó.
Eu redigi e ela pediu correção umas duas vezes, pelo menos. Concordava que eu escrevesse dentro do tema proposto, mas me queria reproduzindo o modo como a personagem da história falaria.
Aprovou. Nossa segurança sempre consistiu em atender às orientações delas, das mães. Por causa de seu amor e do instinto de nos defender em tudo. Prevenir desastres, esbanjar segurança a nosso favor.
Aspirando o perfume das Damas da Noite é mais uma forma de lembrar. De ver Dorcas. Plantas eram sensíveis ao seu trato. É de espantar como essa espécie de cactos floriu assim, aqui em casa, tão largada de maus tratos.
Isso não combina com Dorcas. Porque seu toque sensível sempre foi bom trato. Muito cedo aprendeu isso. Falava de seus três anos de idade, andando por cima dos traços ainda dos alicerces da igreja congregacional em Nilópolis, RJ, que seu pai ajudou a construir.
Alfabetizava crianças, já com 12 anos, na enorme mesa na área dos fundos de sua casa, ali na Osvaldo Cruz 306, nesse mesmo município. Seu tio materno Nelson lhe custeou o ginásio no Colégio Souza Marques, em Cascadura, naquele tempo, Guanabara, GB.
Namorou Cid a partir de 1949, casou em 29 de maio de 1954, sepultou o filho Cid Araujo de Oliveira, após dois abortos espontâneos anteriores, no dia de seu aniversário de 26 anos, em 12 de março de 1956 mas, dizia ela, por orações, engravidou pela última vez, para eu nascer em 6 de maio de 1957, dia de uma bruta hemorragia.
Deus a trouxe conosco até 6 de junho de 2016. Estive com ela até esse último dia, desde março desse mesmo ano. Lindas Damas da Noite, mãe. Linda sua história. Linda você. Linda sua vida. Muito obrigado. Gratidão a Deus por sua vida. Aliás, muitos outros foram e são gratos por sua vida. Pelo que você permitiu que o evangelho, que você ensinou a mim e a tanta gente, fizesse em tua vida.
Telegrama dela num de nossos aniversários
E as Damas da Noite da muda carioca trazida ao Acre por aquelas mãos
E a foto de um momento a três, certa vez, na Lagoa, no Rio
Faltam ainda mais sentidos
Pela manhã, fecham-se, murcham, secam, enfim, morrem.





























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