segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

As Sete Damas da Noite

Elas 7 (sete), todas e cada uma 
milagre

Uma a uma, com duas sobrepostos 

E agora, cada uma, uma a uma
 


  

 
     

Prestem atenção: onde há um 2, estão sobrepostas





Vejam por este ângulo. Ora, vejam por qualquer ângulo, mas vejam. Nas Escrituras há a advertência apocalíptica: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça".

    Parodiando, hoje digo: quem tem olhos para ver, veja. Sete é um número simbólico. Esperávamos 15, contando os brotos mínimos.

    Certa vez, ela prometeu 5 delas. Cochilamos feio. Perdemos 4, somente vimos a quinta delas. Hoje flagramos as 7, faltam 4 para amanhã. Porque 4 brotinhos minguaram.

    Elas têm um aroma suavíssimo. Dá vontade de inventar para praticar uma sinestesia inexistente ainda, para tentar associar olhos, odor,  enfim todos os sentidos e outros que faltam.

   Porque baseamos  nossa percepção nos 5 sentidos. Deve ser por isso que, às vezes, choramos: devem faltar outros tantos sentidos, ou mais, para haver expressividade.

   Certa vez, no Meier, no AP de Dorcas, minha mãe, veio ela com seu sorriso.  Mães amorosas sorriem de modo celestial.  Dorcas veio anunciar, do jeito que ainda ouço ela chamar:

   "Cid Mauro, são cinco Damas da Noite". E dessa vez estávamos todos daqui do Acre no Rio. A planta havia feito isso em outras vezes. Certa vez, eu sozinho naquele AP, a mãe já nos havia deixado,  cliquei fotos de duas delas.

   Ela,  a mãe, trouxe dessa muda para o Acre. Dorcas tinha mãos para plantas.  Dorcas tinha mãos para oração, para cozinha, para escrever estudos bíblicos, para cuidar de minhas dores, para ninar netos, banhar, trocar fraldas, tudo que, um dia, havia feito comigo, retribuiu com os netos.

    Vendo e sentindo, com essa falta aguda de percepção, as Damas da Noite, lembro Dorcas. Tanto que fez enquanto força teve. No hospital, segurava uma cópia de Vida Cristã,  preocupada em escrever a última seção de Tesouros da Vovó.
   Eu redigi e ela pediu correção umas duas vezes, pelo menos. Concordava que eu escrevesse dentro do tema proposto, mas me queria reproduzindo o modo como a personagem da história falaria.

   Aprovou. Nossa segurança sempre consistiu em atender às orientações delas, das mães. Por causa de seu amor e do instinto de nos defender em tudo. Prevenir desastres, esbanjar segurança a nosso favor.

     Aspirando o perfume das Damas da Noite é mais uma forma de lembrar. De ver Dorcas.  Plantas eram sensíveis ao seu trato. É de espantar como essa espécie de cactos floriu assim, aqui em casa, tão largada de maus tratos.

   Isso não combina com Dorcas. Porque seu toque sensível sempre foi bom trato. Muito cedo aprendeu isso. Falava de seus três anos de idade, andando por cima dos traços ainda dos alicerces da igreja congregacional em Nilópolis, RJ, que seu pai ajudou a construir.

   Alfabetizava crianças, já com 12 anos, na enorme mesa na área dos fundos de sua casa, ali na Osvaldo Cruz 306, nesse mesmo município. Seu tio materno Nelson lhe custeou o ginásio no Colégio Souza Marques, em Cascadura, naquele tempo,  Guanabara, GB.

    Namorou Cid a partir de 1949, casou em 29 de maio de 1954, sepultou o filho Cid Araujo de Oliveira, após dois abortos espontâneos anteriores, no dia de seu aniversário de 26 anos, em 12 de março de 1956 mas, dizia ela, por orações, engravidou pela última vez, para eu nascer em 6 de maio de 1957, dia de uma bruta hemorragia.


   Deus a trouxe conosco até 6 de junho de 2016. Estive com ela até esse último dia, desde março desse mesmo ano. Lindas Damas da Noite, mãe.  Linda sua história.  Linda você.  Linda sua vida. Muito obrigado. Gratidão a Deus por sua vida. Aliás, muitos outros foram e são gratos por sua vida. Pelo que você permitiu que o evangelho, que você ensinou a mim e a tanta gente, fizesse em tua vida. 


Telegrama dela num de nossos aniversários

E as Damas da Noite da muda carioca trazida ao Acre por aquelas mãos 


E a foto de um momento a três, certa vez, na Lagoa, no Rio


Faltam ainda mais sentidos 







Pela manhã, fecham-se, murcham, secam, enfim, morrem.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Aniversário de 143 anos de Rio Branco

 

- 28 DE DEZEMBRO DE 2025 - 143 ANOS DA ORIGEM DA CIDADE DE RIO BRANCO –AC.

- Com algumas variantes, conta-se que o cearense Nelteu Maia veio para o Acre embarcado no Vapor Apihy com mais duas famílias. Os Leite e os Girão.

- Embora haja controvérsias, há quem afirme que, no final de dezembro de 1882, o valor Apihy ancorou no local do Seringal Bagaço, onde desembarcou a família Leite.

- Depois do Natal, prosseguindo viagem rio acima, Nelteu Maia escolheu uma curva, ao final de um longo "estirão", que era ótimo porto para embarcações, onde havia uma "frondosa Gameleira", para abrir o seu Seringal, que denominou "Volta da Empresa".

Porto de desembarque na Villa Rio Branco. Na foto se vê a flotilha do comerciante Neutel Maia e barcos de demais ambulantes. Foto de Emilio Falcão/Álbum do Rio Acre

- Segundo algumas informações ainda que com ressalvas, isso aconteceu no dia 28 de dezembro de 1882, ou seja, há exatos 143 anos.

- Logo, Nelteu Maia percebeu que podia lucrar mais com o comércio do que com o funcionamento do seu recém fundado Seringal Volta da Empresa, que tinha muitas terras alagadiças.

- Assim, aos poucos, o que era um Seringal, transformou-se em povoado dando origem, anos depois, à Cidade de Rio Branco,  Capital do Estado do Acre, tendo seu primeiro intendente (administrador) o Cel. João de Oliveira Rola, que foi nomeado pelo Presidente da República Hermes da Fonseca, em 18 de dezembro de 1912, mas só tomou posse em 15 de fevereiro de 1913.

- A população do Município de Rio Branco atualmente é de 387.852 habitantes, conforme os dados atualizados do IBGE de 2024.

- Assim sendo, nossos sinceros PARABÉNS para nossa querida Cidade de Rio Branco, Capital do Estado do Acre que, na data hoje, 28 de dezembro de 2025, completa oficialmente seus 143 anos de existência, de luta, produção, trabalho e resiliência.

- "PARABÉNS RIO BRANCO, VIVA O ESTADO DO ACRE, VIVA O POVO ACREANO”.

- Jota Conceição.

- Consultor em Direitos Humanos

Desenho artístico de Neutel Maia e os barrancos de Rio Branco, produzido pelo escritor, ilustrador, cartunista e membro da Academia Acreana de Letras Enilson Amorim

O homem que plantou a semente da capital acreana

Rio Branco (AC) – À sombra da grande Gameleira, de frente para o barrento Rio Acre, nasceu não apenas um seringal, mas o coração da cidade que mais tarde se tornaria capital do Estado. O responsável? Um cearense de fala arrastada e coragem de sobra: Neutel Maia. Migrante como tantos, ele chegou em 1882, empurrado pela seca do Nordeste e atraído pelo “ouro branco” da Amazônia — a borracha que fazia o mundo girar.

Vista parcual do antigo centro comercial de Rio Branco, no Segundo Distrito, em 1912, portanto 10 ano depois da tomada de Puerto Alonso (hoje Porto Acre), com a presença significativa de sírios e libaneses com seus comércios e mercadorias diversificadas. Foto Acervo Digital/Memorial dos Autonomistas


Do sertão ao barranco do Acre

Neutel não veio por acaso. Como milhares de nordestinos, fugia da fome e encontrou no Acre a promessa de sobrevivência. Em 28 de dezembro de 1882, decidiu que ali, debaixo da Gameleira gigante, fincaria seu barracão de comércio. Era o jeito caboclo de começar: madeira bruta, mercadoria simples, trato direto com seringueiro.

Esse barranco virou referência. Canoeiros sabiam que ali encontrariam pouso, rancho e um pedaço de civilização no meio da mata fechada. Assim, o que nasceu como um ponto de troca de borracha por mantimentos virou o primeiro marco do que mais tarde seria chamado Rio Branco.

Quando o Acre se desenhava no mapa

Neutel Maia não era diplomata, mas sem perceber ajudou a escrever a história da fronteira. Seu gesto de fixar moradia e comércio foi um ato de ocupação brasileira numa terra ainda disputada com a Bolívia.

Foi desse pedaço de chão, aberto no braço, que se desenrolaram as lutas e negociações que culminaram no Tratado de Petrópolis, firmado pelo Barão do Rio Branco. Ironia bonita: a cidade que nasceu da teimosia de um cearense recebeu o nome do diplomata que oficializou o Acre como território brasileiro.

O legado que resiste no imaginário acreano

Gameleira, hoje cartão-postal, não é apenas uma árvore — é testemunha da coragem de quem acreditou que ali havia futuro. Ruas, escolas e espaços públicos carregam o nome de Neutel Maia. Mais que lembrança, ele representa a saga de quem “se achegou” e ajudou a erguer o Acre com suor, calo na mão e esperança no peito.

Neutel é memória viva de um povo migrante que fez da adversidade matéria-prima para fundar uma cidade. O barranco que antes era ponto de canoa virou a capital onde pulsa a vida política, social e cultural do Estado.

Conclusão acreanizada

A história de Rio Branco não nasceu em gabinetes: nasceu no barranco, no calor úmido da floresta e na ousadia de um cearense que resolveu ficar onde todos apenas passavam. Neutel Maia fundou mais que um barracão — fundou um jeito de pertencer, um símbolo de resistência e a raiz da capital acreana.


Ver na net:

https://cidadeacnews.com.br/neutel-maia-fundador-rio-branco-acre/

E ver mais desta história em:

https://contilnetnoticias.com.br/2024/08/122-anos-da-revolucao-acreana-conheca-a-historia-de-neutel-maia-o-fundador-de-rio-branco-e-defensor-da-bolivia/

sábado, 27 de dezembro de 2025

Telecatch na TV preto e branca

 Esse Rasputin vim a encontrar uns anos depois como segurança de um estacionamento na Rua da Carioca, quando ia para o JB saindo da faculdade (Escola de Comunicação, então na Visconde do Rio Branco, esquina com praça da República). Esse prédio, já em ruína, que nos fez terminar três semestres na Urca, segue abandonado escorado até hoje, passados 49 anos.


Rasputin esteve em Igaratá, vendi queijo pra ele, tinha um trailer próximo a prefeitura, morou aqui alguns tempos

Como me lembro...era a distração da garotada!

Saudades desta época, depois o Ted Boy Marino foi trabalhar com a Vanusa e o Vanderley Cardoso nos trapalhões exibido na TV Excelsior.

E o juiz Crispim?...um coroa magrelo, com fiapos de cabelos brancos que era cômico...de vez enquanto, sobrava uma braçada nele.


E do tacle, o pulo de dois pés no peito do adversário. Muita criança imitava e dava uma problemada.


Nossa, se lembram do verdugo com aquela perna dura????
E da tesoura voadora?
Saudades....

O malvado Rasputim Barba Vermelha castiga o bonzinho Ted Boy Marino no Telecatch Montilla - Anos 60

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Moacyr Franco e Guto

 Moacyr Franco e o filho, Guto. Época em que o pequeno brilhava no programa do pai, "Moacyr Franco Show", pela TV Tupi, no Rio de Janeiro. Foto: José Carlos Vieira/Revista "O Cruzeiro", nº 49, edição de 05.09.1966. Hemeroteca da Biblioteca Nacional.

1966. Moacyr Franco gravando para seu programa 'Moacyr Franco Show', na TV Tupi, líder absoluto de audiência na época junto com seu filho Guto, que depois foi para a Globo onde brilhou ainda mais, chegando a picos de 86% de audiência.

Foi quando em 1977 sofreu um AVC e com apenas 3% de chances de sobrevivência segundo os médicos, se recuperou em 7 meses, mas seu programa, como não poderia deixar de ser, já não estava mais no ar.

Ele conta essa e outras histórias nessa entrevista que fiz com ele:
https://planetarei.com.br/Entrevistas/EntrevistasC.php

1966. Moacyr Franco gravando para seu programa 'Moacyr Franco Show', na TV Tupi, líder absoluto de audiência na época junto com seu filho Guto, que depois foi para a Globo onde brilhou ainda mais, chegando a picos de 86% de audiência.

Foi quando em 1977 sofreu um AVC e com apenas 3% de chances de sobrevivência segundo os médicos, se recuperou em 7 meses, mas seu programa, como não poderia deixar de ser, já não estava mais no ar.

Ele conta essa e outras histórias nessa entrevista que fiz com ele:

https://planetarei.com.br/Entrevistas/EntrevistasC.php



Elvis

 Alguém ainda se lembra? Em 3 de outubro de 1945, um garoto tímido de dez anos subiu em um pequeno palco de madeira na Exposição de Laticínios do Mississippi e Alabama, sem saber que a história estava silenciosamente ao seu lado. Seu nome era Elvis Presley. Vestido de forma simples e agarrando-se à sua coragem, ele carregava apenas uma canção e um coração cheio de sentimentos. O público não viu um futuro ícone. Viu uma criança nervosa com olhos sérios, dando seu primeiro passo corajoso no mundo.


A canção que ele escolheu foi "Old Shep", uma balada terna e comovente sobre um menino que perde seu amado cachorro. Elvis a aprendeu depois de ouvi-la cantar no rádio com Red Foley, e ela o tocou profundamente. Enquanto cantava, sua voz tremia de emoção. Aqueles que estavam perto perceberam lágrimas brotando em seus olhos. Ele não estava se apresentando para impressionar. Ele estava contando uma história que realmente sentia. Mesmo com apenas dez anos, Elvis cantava com uma sinceridade genuína, a mesma sinceridade que um dia emocionaria milhões.

Quando os juízes anunciaram os resultados, Elvis ficou em segundo lugar e recebeu um prêmio de cinco dólares. Era uma pequena recompensa, mas para uma família com dificuldades financeiras, significava mais do que dinheiro. Significava encorajamento. Vernon e Gladys observavam seu filho quieto com orgulho, percebendo que sua voz tinha o poder de alcançar as pessoas. Naquele momento, uma semente foi plantada. A música poderia ser seu caminho, sua fuga e sua maneira de expressar tudo o que ele ainda não conseguia colocar em palavras.

Anos depois, o mundo o chamaria de Rei do Rock and Roll. Mas tudo realmente começou naquela noite de 1945. Não com fama ou aplausos, mas com uma criança sozinha em um palco modesto, cantando uma canção triste com o coração sincero. Muito antes das luzes, dos discos e das multidões, havia apenas Elvis e o velho Shep. E isso foi o suficiente para dar início a um legado.

Ver no Face: