segunda-feira, 12 de maio de 2025

Congregacionalismo brasileiro

 

CONGREGACIONALISMO BRASILEIRO, 170 anos - a soma e o resto.

Fruto da intervenção missionária do casal Robert Reid Kalley e Sarah Kalley, a tradição congregacional brasileira chega a 170 anos esse ano. Caso bastante particular no protestantismo brasileiro, ao contrário de seus pares - luteranos, metodistas, presbiteriano ou batistas, que aqui chegam já com uma estrutura denominacional e burocrática montada, o congregacionnalismo se fez indentitária e teologicamente congregacional décadas depois.

Esse fato é, de longe, o mais marcante dentro desse grupo chave para se entender o evangelicalismo brasileiro. Sem adotar estrutura estrangeira, mas ao mesmo tempo, abrindo um franco diálogo com seu irmão europeu e americano, a denominada geração de 1913 se preocupou em dar uma cara a seu grupo tinha um projeto: a construção de uma identidade teológica nacional, tal como era o sonho de Kalley, e a constução de um aparelho burocrático que desse às igrejas associadas o que elas precisassem para o desenvolvimento de sua missão.

Esse foi o sonho gestado no início do século XX e que se viu pulverizado ao longo do período até nada dele sobrar - uma das provas disso é o total desconhecimento dos nomes e dos planos daqueles que formaram a denominação. 

O congregacionalismo que ora completa 170 anos, revela-se inegavelmente em crise. 

A atual ausência de uma liderança forte, a situação de penúria de muitas de suas igrejas centenárias, o êxodo, ou mesmo o enfraquecimente do número de fiéis em suas fileiras, a descontinuidade de seus dois seminários por falta de investimentos e o isolamento de tantas comunidades, demonstram o quanto o problema é sério e como não seremos salvos apenas com a criação de mais documentos confessionais..

A crise, no entanto, pode e deve ser um catalisador para se repensar onde estamos e o que queremos. Ouvi esse semana que nós, brasileiros, só consertamos as coisas à beira do abismo. Pois bem, o abismo que ora os números nos mostra, insinua que chegou a hora de voltar às fontes, começando com o projeto inicial kalleyano e o projeto denominacional da geração de 1913, daí saberemos onde estamos e para onde vamos.

foto: Primeira igreja congregacional de Belo Jardim

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