domingo, 15 de outubro de 2023

Águas de março

 18/05/2001 - 10h08

"Águas de Março", de Tom Jobim, é eleita a melhor da história

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LÚCIO RIBEIRO
PEDRO ALEXANDRE SANCHES
da Folha de S.Paulo

"Águas de Março", de Tom Jobim (1927-1994), é considerada a melhor música brasileira da história, de acordo com enquete realizada pela Ilustrada junto a 214 pessoas de faixas etárias diversas, entre personalidades do meio musical e cultural e jornalistas.

A pergunta "Qual a melhor música brasileira de todos os tempos", englobando MPB e as várias vertentes do pop, faz parte da série de enquetes de iniciativa do caderno cultural da Folha, num ranking do que de mais significativo se fez na música brasileira, desde o primeiro samba gravado, "Pelo Telefone", de 1917, até o mais recente disco do Pato Fu.

Cada votante foi estimulado a escolher suas três canções prediletas, sob critério aberto.

Em março último, a capa do álbum "Secos & Molhados" (73), com as cabeças dos quatro membros do grupo que revelou Ney Matogrosso servidas à mesa, foi eleita a melhor da história.

"Águas de Março", histórica canção de Tom Jobim composta em 1972, venceu a enquete para a qual foram pedidos votos que levassem em consideração letra, melodia, conjunto, importância, razões históricas, razões afetivas e uma mistura disso tudo.

A música de Tom Jobim recebeu 23 votos. A segunda melhor canção brasileira desde sempre é "Construção" (1971), de Chico Buarque, com 21 menções.

Jobim volta à terceira posição, por sua parceria com Vinicius de Moraes em "Chega de Saudade" (1958). Marco fundador da bossa nova, na voz de João Gilberto, teve 18 votos. Tom reaparece ainda duas vezes entre as dez mais.

"Retrato em Branco e Preto" (1968, em parceria com Chico Buarque) fica em sexto lugar, empatada com "Detalhes" (1971, de Roberto e Erasmo Carlos) e "As Rosas Não Falam" (de Cartola, gravada pelo autor em 1976).
"Garota de Ipanema" (1963, também com Vinicius) divide o sétimo lugar com "Asa Branca" (1947, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e "Domingo no Parque" (1967, Gilberto Gil).

"Corcovado" (1960) e "Desafinado" (1958, com Newton Mendonça) participam de um empate entre sete canções, na nona colocação, e "Wave" (1967) aparece com outras seis no décimo lugar.

Somando os votos obtidos por cada autor da MPB em suas várias canções, Jobim também dispara na frente. Recebeu 110 menções, contra 69 ao segundo colocado -Chico, de novo. O terceiro é Vinicius de Moraes, com 48 lembranças por suas parcerias com Tom, Chico, Baden Powell, Edu Lobo, Carlos Lyra e Toquinho.

O quarto lugar é dividido entre o tropicalista Caetano Veloso e o azarão Jorge Ben (nenhum voto para a fase Ben Jor): 34 menções.

A dupla mais bem-sucedida da história do pop nacional ocupa a quinta vaga do ranking. Roberto Carlos e Erasmo Carlos levaram 24 votos cada um, porque apenas canções compostas pelos dois em parceria foram lembradas.

As mulheres chegam em desvantagem à lista. Rita Lee recebeu 15 votos (majoritariamente por suas músicas com os Mutantes), empatando em 11º com Cartola entre autores mais votados.

Por fim, a galeria de autores da MPB oscila quanto ao número de canções lembradas de cada um. Tom e Chico estão novamente na frente, agora empatados -cada um teve 32 músicas citadas pelos votantes.

O segundo lugar vai para Jorge Ben, que só tem "Mas que Nada" (1963) na lista das mais mais, mas acumula votos para 22 músicas diferentes. Caetano o segue de perto, com 20 músicas votadas.

Veja a letra da música:

"É pau, é pedra,
é o fim do caminho
É um resto de toco,
é um pouco sozinho/

É um caco de vidro,
é a vida, é o sol
É a noite, é a morte,
é o laço, é o anzol

É peroba do campo,
é o nó da madeira
Caingá candeia,
é o matita-pereira

É madeira de vento,
tombo da ribanceira
É o mistério profundo,
é o queira ou não queira

É o vento ventando,
é o fim da ladeira
É a viga, é o vão,
festa da cumeeira

É a chuva chovendo,
é conversa ribeira
Das águas de março,
é o fim da canseira

É o pé, é o chão,
é a marcha estradeira
Passarinho na mão,
pedra de atiradeira

É uma ave no céu,
é uma ave no chão
É um regato,
é uma fonte,
é um pedaço de pão

É o fundo do poço,
é o fim do caminho
No rosto o desgosto,
é um pouco sozinho

É um estrepe, é um prego,
é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando,
é uma conta, é um conto

É um peixe, é um gesto,
é uma prata brilhando
É a luz da manhã,
é o tijolo chegando

É a lenha, é o dia,
é o fim da picada
É a garrafa de cana,
o estilhaço na estrada

É o projeto da casa,
é o corpo na cama
É o carro enguiçado,
é a lama, é a lama

É um passo, é uma ponte,
é um sapo, é uma rã
É um resto de mato,
na luz da manhã
são as águas de março
fechando o verão
É a promessa de vida
no teu coração

É uma cobra, é um pau,
é João, é José
É um espinho na mão,
é um corte no pé

São as águas de março
fechando o verão
É a promessa de vida
no teu coração

É pau, é pedra,
é o fim do caminho
É um resto de toco,
é um pouco sozinho

É um passo, é uma ponte,
é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março
fechando o verão
É a promessa de vida
no teu coração".

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Álvares de Azevedo (1831-1852)

  Desânimo

"Estou agora triste. Há nesta vida
Páginas torvas que se não apagam,

Nódoas que não se lavam… se esquecê-las
De todo não é dado a quem padece…
Ao menos resta ao sonhador consolo
No imaginar dos sonhos de mancebo!

Oh! voltai uma vez! eu sofro tanto!
Meus sonhos, consolai-me! distraí-me!
Anjos das ilusões, as asas brancas
As névoas puras, que outro sol matiza.
Abri ante meus olhos que abraseiam
E lágrimas não tem que a dor do peito
Transbordem um momento…

E tu, imagem,
Ilusão de mulher, querido sonho,
Na hora derradeira, vem sentar-te,
Pensativa e saudosa no meu leito!
O que sofres? que dor desconhecida
Inunda de palor teu rosto virgem?
Por que tu’alma dobra taciturna,
Como um lírio a um bafo d’infortúnio?
Por que tão melancólica suspiras?

Ilusão, ideal, a ti meus sonhos,
Como os cantos a Deus se erguem gemendo!
Por ti meu pobre coração palpita…
Eu sofro tanto! meus exaustos dias
Não sei por que logo ao nascer manchou-os
De negra profecia um Deus irado.
Outros meu fado invejam… Que loucura!
Que valem as ridículas vaidades
De uma vida opulenta, os falsos mimos
De gente que não ama? Até o gênio
Que Deus lançou-me à doentia fronte,
Qual semente perdida num rochedo,
Tudo isso que vale, se padeço!

Nessas horas talvez em mim não pensas:
Pousas sombria a desmaiada face
Na doce mão e pendes-te sonhando
No teu mundo ideal de fantasia…
Se meu orgulho, que fraqueia agora,
Pudesse crer que ao pobre desditoso
Sagravas uma ideia, uma saudade…
Eu seria um instante venturoso!

Mas não… ali no baile fascinante,
Na alegria brutal da noite ardente,
No sorriso ebrioso e tresloucado
Daqueles homens que, pra rir um pouco,
Encobrem sob a máscara o semblante,
Tu não pensas em mim. Na tua idéia
Se minha imagem retratou-se um dia
Foi como a estrela peregrina e pálida
Sobre a face de um lago…

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Artigos soltos 54

           

          Jesus ninguém

         Noel Rosa tem uma composição sua nomeada João Ninguém. Clique no link abaixo e ouça por que esse João está assim designado. O pronome “ninguém”, que já se qualifica indefinido, cola no nome João como se virasse um adjetivo.

         O que, mais ainda, identifica ou desqualifica, por assim dizer, esse João. Sem dizer, quer dizer, dizendo que João já, ainda que, como nome próprio, é frequentemente usado como generalização de, exatamente, ninguém.

Quando se diz João, como no caso do famoso driblador Mané Garrincha (1933-1983), indicava qual o zagueiro ou defensor da hora, a levar mais um de seus dribles. Era tão certo que, aliás, como seu único tipo de drible, que Garrincha iria, como agora extinto ponta-direita, passar até a linha de fundo, todos, indistintamente, eram classificados como Joões.

Pois João Ninguém pode também ser considerado o autor do quarto Evangelho. Romanticamente, dizem alguns estudiosos, costumamos associar a identidade desse João ao personagem “discípulo amado”, exatamente pela história narrada e pela qualificação encontrada no próprio evangelho, ver Jo 13,23.

Sem discutir essa avaliação aí escrita, o que desejamos ressaltar é a capacidade de afirmar que os diálogos e discursos de Jesus, no notável quarto evangelho, sejam ipisissima verba (palavras literais) do próprio Jesus.

Porque, se não podemos ter isso confirmado, o João do quarto evangelho é um João Ninguém. Longe de depreciar a figura desconhecida da autoria, como destacam esse estudiosos, e também sem associar máxima identidade o João de Noel Rosa com esse anônimo ou desconhecido evangelista cognominado João, apenas destacamos tratar-se de ninguém identificado.

O que compromete, em minha nem talvez tão modesta opinião, o conteúdo do evangelho. Por que a pergunta por, afinal, palavras de Jesus que, na verdade, não são palavras de Jesus e se, afinal, Jesus falou mesmo o que ali vai escrito ou tudo não passa de um rol de telúricas palavras, ainda que, muito bem intencionadas, a ele atribuídas.

João Ninguém também o será o do Apocalipse. Não deve ser o João, discípulo amado. Se suspeita-se dele, em relação ao Evangelho, em relação ao Apocalipse é que lava-se, de uma vez, a égua (ao inverso), ou seja, tem-se plena certeza de que não pode ser o mesmo autor do Evangelho. Talvez um tal João presbítero, outro João e, talvez ou certamente, mais Ninguém ainda.

Não se discute ou se deprecia, evidentemente, a grandeza, a envergadura desse Evangelho, em muito diverso dos outros três, que seguem um esquema definido, daí ser identificados como sinóticos, ou seja, portadores de uma visão compartilhada, entre esses três, a partir de uma subdivisão que Marcos, o primeiro deles a ser escrito, idealizou.

Todos os três, do mesmo modo que o quarto, quanto à sua autoria, são respingados por esse mesmo método que indefine se são, como encabeçado em cada um, como autores, os nomes Marcos, Mateus ou Lucas. Joões Ninguém. Para ficar, somente, na autoria. Fora a discussão sobre os fatos narrados, se cada um deles é fato histórico com registro e, ponto mais delicado ainda, os milagres.

Transita-se, com muito cuidado, por esses meandros. Pois corre-se o risco de, no final das contas, ainda que com o perfil por eles quatro traçado, tenhamos não um João, mas um Jesus Ninguém.


Noel Rosa: João Ninguém

https://www.youtube.com/watch?v=YoqB8pjR0uk

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Os 28 Artigos - Robert Reid Kalley

 

Doutrina congregacional

A igreja local possui autonomia para sua própria reflexão teológica, expansão missionária, relação com outras congregações e seleção de seu ministério. O congregacionalismo está baseado nos seguintes princípios:

Cada congregação de fiéis, unida pela adoração, observação dos sacramentos e disciplina cristã, é uma Igreja completa, não subordinada em sua administração a qualquer outra autoridade eclesiástica senão a de sua própria assembleia, que é a autoridade decisória final do governo de cada igreja local.

Não existe nenhuma outra organização ou entidade maior ou mais extensa do que uma Igreja local a quem pode ser dada prerrogativas eclesiásticas ou ser chamada de Igreja.

As igrejas locais estão em comunhão umas com as outras, são interdependentes e estão intercomprometidas no cumprimento de todos os deveres resultantes dessa comunhão. Por isso, se organizam em concílios, sínodos ou associações. Entretanto, essas organizações não são Igrejas, mas são formadas por elas e estão a serviço delas.

O congregacionalismo é o regime de governo mais comum em denominações como anabatistas, Igreja Batista, Discípulos de Cristo, Igreja de Cristo no Brasil, Igreja Evangélica de Panorama e obviamente a própria denominação que deu nome ao termo: a Igreja Congregacional.

28 Artigos (Síntese doutrinária do congregacionalismo)

(Os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo)

Art. 1º – Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus – Existe um só Deus(1), vivo e pessoal(2); suas obras no céu e na terra manifestam, não meramente que existe, mas que possui sabedoria, poder e bondade tão vastos que os homens não podem compreender(3); conforme sua soberana e livre vontade, governa todas as coisas(4). (1) Dt.6:4; (2) Jr 10:10; (3) Sl 8:1; (4) Rm 9:15,16.

Art. 2º – Do Testemunho da Revelação a Respeito de Deus e do Homem – Ao testemunho das suas obras Deus acrescentou informações(5) a respeito de si mesmo(6) e do que requer dos homens(7). Estas informações se acham nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento(*) nas quais possuímos a única regra perfeita para nossa crença sobre o Criador, e preceitos infalíveis para todo o nosso proceder nesta vida(8).(5) Hb 1:1; (6) Ex 34-5-7; (7); II Tm.3.15,16; (8); Is.8.19,20.(*) Os livros apócrifos não são parte da Escritura devidamente inspirada.

Art. 3º – Da Natureza dessa Revelação – As Escrituras Sagradas foram escritas por homens santos, inspirados por Deus, de maneira que as palavras que escreveram são as palavras de Deus(9). Seu valor é incalculável(10), e devem ser lidas por todos os homens(1). (9) II Pe 1:19-21; (10) Rm 3:1,2. (1) Jo 5:39.

Art. 4º – Da Natureza de Deus – Deus o Soberano Proprietário do Universo é Espírito(2), Eterno(3), Infinito(4) e Imutável(5) em sabedoria(6), poder(7), santidade(8), justiça(9), bondade(10) e verdade(1). (2) Jo 4:24; (3) Dt 32:40; (4) Jr 23:24; (5) Ml 3; (6) Sl 146:5; (7) Gn 17:1; (8) Sl 144:17; (9) Dt 32: 4; (10) Mt 19:17; (1) Jo 7:28.

Art. 5º – Da Trindade da Unidade – Embora seja um grande mistério que existam diversas pessoas em um só Ente, é verdade que na Divindade exista uma distinção de pessoas indicadas nas Escrituras Sagradas pelos nomes de Pai, Filho e Espírito Santo(2) e pelo uso dos pronomes Eu, Tu e Ele, empregados por Elas, mutuamente entre si(3). (2) Mt 28:19: (3) Jo 14:16,17

Art. 6º – Da Criação do Homem – Deus, tendo preparado este mundo para a habitação do gênero humano, criou o homem(4), constituindo-o de uma alma que é espírito(5), e de um corpo composto de matérias terrestres(6). O primeiro homem foi feito à semelhança de Deus(7), puro, inteligente e nobre, com memória, afeições e vontade livre, sujeito Àquele que o criou, mas com domínio sobre todas as outras criaturas deste mundo(8). (4) Gn 1:2-27; (5) Ec 12:7; (6) Gn 2:7; (7) Gn 1:26,27; (8) Gn 1:28

Art. 7º – Da Queda do Homem – O homem assim dotado e amado pelo Criador era perfeitamente feliz(9), mas tentado por um espírito rebelde (chamado por Deus, Satanás), desobedeceu ao seu Criador(10); destruiu a harmonia em que estivera com Deus, perdeu a semelhança divina; tornou-se corrupto e miserável, deste modo vieram sobre ela a ruína e a morte(1). (9) Gn 1:31; (10) Gn 2: 16,17; (1) Rm 5:12.

Art. 8º – Da Conseqüência da Queda – Estas não se limitam ao primeiro pecador. Seus descendentes herdaram dele a pobreza, a desgraça a inclinação para o mal e a incapacidade de cumprir bem o que Deus manda(2); por conseqüência todos pecam, todos merecem ser condenados, e de fato todos morrem(3).(2) Sl 50:7; (3) I Co 15:21

Art. 9º – Da Imortalidade da Alma – A alma humana não acaba quando o corpo morre. Destinada por seu Criador a uma existência perpétua, continua capaz de pensar, desejar, lembrar-se do passado e gozar da mais perfeita paz e regozijo; e também de temer o futuro, sentir remorso e horror e sofrer agonias tais, que mais quereria acabar do que continuar a existir(4); o pecado da rebelião contra o seu Criador, merece para sempre esta miséria, que é chamada por Deus de segunda morte(5). (4) Lc 16:20-31; (5) Ap 21:8

Art. 10º – Da Consciência e do Juízo Final – Deus constituiu a consciência juiz da alma do homem(6). Deu-lhes mandamentos pelos quais se decidissem todos os casos(7), mas reservou para si o julgamento final, que será em harmonia com seu próprio caráter(8). Avisou aos homens da pena com que com punirá toda injustiça, maldade, falsidade e desobediência ao seu governo(9); cumprirá suas ameaças, punindo todo pecado em exata proporção à culpa(10).(6) Rm 2:14,15; (7) Mt. 22:36-40; (8) Sl 49:6; (9) Gl 3:10; (10) II Co 5:10

Art. 11º – Da Perversidade do Homem e do Amor de Deus – Deus vendo a perversidade, a ingratidão e o desprezo com que os homens lhe retribuem seus benefícios e o castigo que merecem(1), cheio de misericórdia compadeceu-se deles; jurou que não desejava a morte dos ímpios(2); além disso, tomou-os e mandou declarar-lhes, em palavras humanas, sua imensa bondade para com eles; e quando os pecadores nem com tais palavras se importavam, ele lhes deu a maior prova do seu amor(3) enviando-lhes um salvador que os livrasse completamente da ruína e miséria, da corrupção e condenação e os restabelecesse para sempre no seu favor(4).(1) Hb 4:13; (2) Ez 33:11; (3) Rm 5:8,9; (4) II Co 5: 18-20.

Art. 12º – Da Origem da Salvação – Esta Salvação, tão preciosa e digna do Altíssimo (porque está perfeitamente em harmonia com seu caráter) procede do infinito amor do Pai, que deu seu unigênito Filho para salvar os seus inimigos(5). (5) I Jo 4:9

Art. 13º – Do Autor da Salvação – Foi adquirida, porém, pelo Filho, não com ouro, nem com prata, mas com Seu sangue(6), pois tomou para Si um corpo humano e alma humana(7) preparados pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem(8); assim, sendo Deus e continuando a sê-Lo se fez homem(9). Nasceu da Virgem Maria, viveu entre os homens(10), como se conta nos evangelhos, cumpriu todos os preceitos divinos(1) e sofreu a morte e a maldição como como o substituto dos pecadores(2), ressuscitou(3) e subiu ao céu(4). Ali intercede pelos seus remidos(5) e para valer-lhes tem todo o poder no céu e na terra(6). É nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo(7), que oferece, de graça, a todo o pecador o pleno proveito de sua obediência e sofrimentos, e o assegura a todos os que, crendo nEle, aceitam-no por Seu Salvador(8).(6) I Pe1:18,19; (7) Hb 2:14; (8) Mt 1:20; (9) Jo 1:1,14; (10) At 10:38; (1) I Pe 2:22; (2) Gl 3:13; (3) Mt 28:5,6; (4) Mc 16:19; (5) Hb 7:25; (6) Mt 28:18; (7) At 5:31; (8) Jo 1:14.

Art. 14º – Da Obra do Espírito Santo no Pecador – O Espírito Santo enviado pelo Pai(9) e pelo Filho(10), usando das palavras de Deus(1), convence o pecador dos seus pecados e da ruína(2) e mostra-lhe e excelência do Salvador(3), move-o a arrepender-se, a aceitar e a confiar em Jesus Cristo. Assim produz uma grande mudança espiritual chamada nascer de Deus(4). O pecador nascido de Deus está desde já perdoado, justificado e salvo; tem a vida eterna e goza das bênçãos da Salvação(5).(9) Jo 14:16,26; (10) Jo 16:7; (1) Ef 6:17; (2) Jo 16:8; (3) Jo 16:14; (4) Jo1:12,13; (5) Gl 3:26

Art. 15º – Do Impenitente – Os pecadores que não crerem no Salvador e não aceitarem a Salvação que lhes está oferecida de graça, hão de levar a punição de suas ofensas(6), pelo modo e no lugar destinados para os inimigos de Deus(7). (6) Jo 3:36; (7) II Ts 1: 8,9

Art. 16º – Da Única Esperança de Salvação – Para os que morrem sem aproveitar-se desta salvação, não existe por vir além da morte um raio de esperança(8). Deus não deparou remédio para os que, até o fim da vida neste mundo, perseveraram nos seus pecados. Perdem-se. Jamais terão alívio(9). (8) Jo 8:24; (9) Mc 9:42,43

Art. 17º – Da Obra do Espírito Santo no Crente – O Espírito santo continua a habitar e a operar naquele que faz nascer de Deus(10); esclarece-lhe a mente mais e mais com as verdades divinas(1), eleva e purifica-lhe as afeições adiantando nele a semelhança de Jesus(2), estes fruto do espírito são prova de que passaram da morte para a vida, e que são de Cristo(3).(10) Jo 14:16,17; (1) Jo 16:13; (2) II Co 3:18; (3) Gl 5:22,23

Art. 18º – Da União do Crente com Cristo e do Poder para o Seu Serviço – Aqueles que tem o Espírito de Cristo estão unidos com Cristo(4), e como membro do seu corpo recebem a capacidade de servi-Lo(5). Usando desta capacidade, procuram viver, e realmente vivem, para a glória de Deus, seu Salvador(6).(4) Ef 5:29,30 ( 5) Jo 15:4,7 (6) I Co 6:20

Art. 19º – Da União do Corpo de Cristo – A Igreja de Cristo no céu e na terra é uma(7) só e compõe-se de todos os sinceros crentes no Redentor(8), os quais foram escolhidos por Deus, antes de haver mundo(9), para serem chamados e convertidos nesta vida e glorificados durante a eternidade(10). (7) Ef 3:15; (8) I Co 12:13; (9) Ef 1:11; (10) Rm 8: 29,30.

Art. 20º – Dos Deveres do Crente – É obrigação dos membros de uma Igreja local, reunirem-se(1) para fazer oração e dar louvores a Deus, estudarem sua Palavra, celebrarem os ritos ordenados por Ele, valerem um dos outros e promoverem o bem de todos os irmãos; receberem(2) entre si como membros aqueles que o pedem e que parecem verdadeiramente filhos de Deus pela fé; excluírem(3) aqueles que depois mostram a sua desobediência aos preceitos do Salvador que não são de Cristo; e procurarem o auxílio e proteção do Espírito Santo em todos os seus passos(4).(1)Hb 10:25; (2) Rm 14:1; (3) I Co 5:3-5; (4) Rm 8:5,16.

Art. 21º – Da Obediência dos Crentes – Ainda que os salvos não obtenham a salvação pela obediência à lei senão pelos merecimentos de Jesus Cristo(5), recebem a lei e todos os preceitos de Deus como um meio pelo qual Ele manifesta sua vontade sobre o procedimento dos remidos(6) e guardam-nos tanto mais cuidadosa e gratamente por se si acharem salvos de graça(7).(5) Ef 2:8,9; (6) I Jo 5:2,3; (7) Tt 3:4-8.

Art. 22º – Do Sacerdócio dos Crentes e dos Dons do Espírito – Todos os crentes sinceros são sacerdotes para oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo(8), que é o Mestre(9), Pontífice(10) e Único Cabeça de sua Igreja(1); mas como Governador de sua casa(2) estabeleceu nela diversos cargos(3) como de Pastor(4), Presbítero(5), Diácono(6), e Evangelista; para eles escolhe e habilita, com talentos próprios, aos que ele quer para cumprirem os deveres desses ofícios(7), e quando existem devem ser reconhecidos pela igreja e preparados e dados por Deus(8). (8) I Pe 2:5-9; (9) Mt 23:8-10; (10) Hb 3:1; (1) Ef. 1:22; (2) Hb 3:6; (3) I Co 12:28; (4) Ef 4:2; (5) I Tm 3:1-7; (6) I Tm 3: 8-13; (7) I Pe 5:1; (8) Fl 2:29.

Art. 23º – Da Relação de Deus para com Seu Povo – O Altíssimo Deus atende as orações(9) que, com fé, e, em nome de Jesus, único Mediador(10) entre Deus e os homens, lhe são apresentadas pelos crentes, aceita os louvores(1) e reconhece como feito a Ele, todo o bem feito aos Seus(2). (9) Mt 18:19; (10) I Tm 2:5; (1) Cl 3:16,17; (2) Mt 25:40,45; (3) Hb 10:1; (4) At 10:47,48; (5) Mt 26:26-28.

Art. 24º – Da Cerimônia e dos Ritos Cristãos – Os ritos judaicos, divinamente instruídos pelo Ministério de Moisés , eram sombras dos bens vindouros e cessaram quando os mesmos bens vieram(3): os ritos cristãos são somente dois: o batismo com água(4) e a Ceia do Senhor(5).

Art. 25º – Do Batismo com Água – O batismo com água foi ordenado por Nosso Senhor Jesus Cristo como figura do batismo verdadeiro e eficaz, feito pelo Salvador , quando envia o Espírito Santo para regenerar o pecador(6). Pela recepção do batismo com água, a pessoa declara que aceita os termos do pacto em que Deus assegura as bênçãos da salvação(7). (6) Mt. 3:11; (7) At 2:41

Art. 26º – Da Ceia do Senhor – Na Ceia do Senhor foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo, o pão e o vinho representam vivamente ao coração do crente o corpo que foi morto e o sangue derramado no Calvário(8); participar do pão e do vinho representa o fato de que a alma recebeu seu Salvador. O crente faz isso em memória do Senhor, mas é da sua obrigação examinar-se primeiro fielmente quanto a sua fé, seu amor e o seu procedimento(9). (8) I Co 10:16; (9) I Co 11:28,29.

Art. 27º – Da Segunda Vinda do Senhor – Nosso Senhor Jesus Cristo virá do céu como homem(10), em Sua própria glória(1) e na glória de Seu Pai(2), com todos os santos e anjos; assentar-se-á no trono de Sua glória e julgará todas as nações. (10) At 1:11; (1) Mt 25:31; (2) Mt 16:27

Art. 28º – Da Ressurreição para a Vida ou para a Condenação – Vem a hora em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e ressuscitarão(3); os mortos em Cristo ressurgirão primeiro(4); os crentes que neste tempo estiverem vivos serão mudados(5), e sendo arrebatados estarão para sempre com o Senhor(6), os outros também ressuscitarão, mas para a condenação(7). (3) Jo 5:25-29; (4) I Co 15:22,23;(5) I Co 15:51,52; (6) I Ts 4:16; (7) Jo 5:29.

Os Vinte e oito artigos da ” BREVE EXPOSIÇÃO DAS DOUTRINAS FUNDAMENTAIS DO CRISTIANISMO ” foram lavrados pelo Dr. Robert Reid Kalley e aprovados em 02 de julho de 1876 e este documento, de memorável valor histórico, consagrou-se como síntese doutrinária das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil.

 Retirados do link abaixo: história da Igreja Evangélica Congregacional Pernambucana:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Evang%C3%A9lica_Congregacional_Pernambucana_%28IECP%29

sábado, 23 de setembro de 2023

Artigos Soltos 53

    Escrituras e seu descrédito

   Houve tempo em que se lia a Bíblia e se avaliava que a mensagem era direta, clara e segura.

   Aliás, um dos trunfos maiores da Reforma foi ter posto a Bíblia ao alcance do vulgo, ou seja, dos menores no reino, como diz Jesus.

    Para esses foi escrita. E para quem, ao lhes ouvir as palavras, buscava entrar nesse reino anunciado por Jesus.

   E a função primária da Bíblia é essa. Sempre foi. Pôr verdades seguras, diretas a claras ao alcance do menor, com a maior facilidade possível de se compreender.

   Mas entram um monte de mãos nessa receita. E quando muitas mãos e muito palpite, ainda que autoeruditos, atravessam esse samba, contribuem, como corolário final, para o descrédito das Escrituras.

   Em primeiro lugar, elas, as Escrituras, falam do maravilhoso, do miraculoso, daquilo que somente é possível para Deus. Ela começa dizendo "No princípio, Deus", Gn 1,1 e, quando acrescenta a essa história a revelação de Jesus, confirma-o com a afirmação:

     "²² Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis", At 2.

   Pois a visão contemporânea das Escrituras afirma que os milagres indicados no texto, sejam os vários deles dispersos pelo Antigo Testamento, sejam os detalhadamente descritos no Novo Testamento são impossíveis, ou de ser realizados ou, numa amenidade da argumentação, impossíveis de, historicamente, ser confirmados.

   O segundo, na economia deste texto, argumento desqualificante das certezas das Escrituras refere-se à tradição dos manuscritos.

    Desde o fato de se dizer, empiricamente, que o papel aceita qualquer coisa, a se dizer que não são, suficientemente, antigos ou que nem os autores estão confirmados, quanto, e, talvez, principalmente, porque o que escrevem não tem suficiente credibilidade.

   Não está confirmado que Abraão existiu, em Ur dos Caldeus, ou que peregrinou, pelo crescente fértil, até Canaã. Não se garante, historicamente, que Isaac, Jacó e estes filhos e netos tenham sido personagens históricos.

   José do Egito, em que dinastia? Moisés, 400 anos depois, liderando a saída do povo, atravessando o deserto, já descartados os milagres, nem assim se confirma.

   E não pensem que chegando-se ao Novo Testememto, séculos depois, com relação aos textos escritos em grego koine, haverá maiores garantias de maior credibilidade.

   Portanto, a cristandade, ainda que pós-reformada, está subdividida em, pelo menos, dois grupos: o clero acadêmico, que guarda consigo a visão precisa do seguinte dilema: em que mesmo acreditar nas Escrituras?

   E os leigos, a massa ignara, que tem duas opções: continua crédula, lendo e supondo que as Escrituras têm mensagem clara, direta e segura; ou atenta para os meandros que necessitam ser esclarecidos, para resgatar o conteúdo dessas mesmas Escrituras de sua aura metafísica.

    Muito do que consta como tendo sido dito por Jesus, são palavras postas em sua boca. Há, pelo menos, dois Jesus: o histórico, real, cujo acesso necessita de um GPS que desfaça toda a bruma, o nevoeiro que cega, que distorce sua personalidade real, neblina essa construída precipuamente pelo(s) desconhecido(s) autor(es) evangelista(s).

    O descrédito das Escrituras será total. Somente poderá ser, seguramente, decifrada pela academia. Estamos salvos. Não sou contra a academia. Muito pelo contrário. Mas ela parece muito com a imprensa: duras para ouvir críticas.

   Quem critica a imprensa, é antidemocrático, por definição. E quem critica a academia, é ignorante, por definição. Bem, em certo sentido, vai ver que cabem em mim essas duas designações, em maior e em menor escala.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Haikai existencial - 4

Tragédia, sofrimento depressão
Efeito borboleta. Será. Será?
Tá valendo a oração de Lameque?

sábado, 19 de agosto de 2023

Família sorriso

 

   Família linda essa a nossa. Sou filho do quarto filho. Antônio e Adalgiza geraram 11 filhos. Mas criaram 8 entre eles. Pela ordem, Nair, falecida; José; Alaíde, falecida; Dejanira; Maria; e meu pai, Cid. Depois vieram Jani, Mário, João Batista, também falecido ainda bebê, Nadir e Isaías, o caçula. Não esquecer o Antônio, filho do segundo casamento do vô Antônio e Antunilia.

   Dejanira era o sorriso mais lindo entre todos. Visitei tia Deja muitas vezes em Cosmos, encostadinho em Paciência. Por isso me acostumei a conviver com as filhas dela, Deni e Dalmi.

   Os meninos eu via menos. Dirceu foi com quem mais convivi. Lembro de um almoço em sua residência, família completa, ele, a esposa, os filhos, eu, meu pai e minha mãe.

   O mais velho de tia Deja foi com quem menos convivi. Aliás, não me lembro de sua fisionomia. Mas as meninas de Deni, ora, conheci-as ainda solteiras. Sempre as achei muito lindas.

   Herdaram o sorriso da avó materna, mas também do pai, Ademar. Dele também não esqueço o sorriso. Aliás, Ademar sorria com o rosto inteiro. Como Ana Lúcia, que muito se parece com o pai. No livro que escrevi, sobre nossa família, menciono os pais dele.

   Foi nessa casa que, em 1951, minha mãe se hospedou, quando foi visitar essa família linda, no recanto que conhecemos como roça. Ademar foi a referência e o motorista avisado para deixá-la na porteira da fazenda de Manel Chiquinho e d. Aninha.

   Mas que gente hospedeira! Acolhedora ao máximo. Que refeição gostosa. Minha mãe nunca esqueceu. Juntavam-se os sorrisos de tia Maninha com os de toda essa gente linda.

  E o evangelho? O que dizer do evangelho? Gente, eu sou a terceira geração. Porque se contarmos os avós, Deni, Dalmi, seus irmãos e eu, que somos primos, somos 3ª geração.

   Pois vocês que são 4ª, 5ª e até 6ª, jamais deixem de crer no evangelho. Podem acreditar que, por detrás desses sorrisos, encontra-se a palavra de Jesus e, por que não dizer, o sorriso dele. Porque sorrimos o sorriso de Jesus.

   Como cresceu essa família! E sempre toda linda. E sempre toda de Jesus. E com o sorriso dEle. E não se pode dizer que não houve muitas lutas e provações. Momentos de tristezas, como este agora experimentado. Mas quem partiu, foi para a casa que Jesus preparou.

  E deixaram conosco, que aguardamos chamada, essa certeza. Jesus disse: "Na casa de meu Pai, há muitas moradas. Vou preparar-vos lugar". Todos os que partiram antes de nós creram nessa promessa.

   Daí termos a certeza de que vamos encontrar lá todos esses sorrisos. Lá não há mais lágrimas, a não ser de alegria. Nem morte, nem dor, nem mais pecado.

   Inesquecível o sorriso de Dionice. Mas sem inveja, mana Ana Lúcia, porque o seu não fica atrás. A gente olha para você, e vê, rememora com saudade, seu pai. E escuta a gargalhada de sua mãe.

   Estamos distantes somente na geografia. Porque em oração e em comunhão, estamos unidos. Sigamos firmes nas promessas que, desde nossa avó e, no seu caso, dos bisavós, também nos foram deixadas como herança.

   Aqui me lembro do Salmo 16, no qual o salmista se expressa, dizendo: "É mui linda a minha herança". Sim, é muito linda a nossa herança, muito linda a nossa família e muito lindos esses sorrisos. 

   Linda a presença de Jesus em nossa vida e em nosso viver.
                                      

Tia Dalmi e sobrinha Dionice,
num certo dia, num certo ano,
na casa de tia Maninha.