domingo, 21 de maio de 2023

Encontro de casais


1. Antes do  casamento:
A essência: é no namoro que atina-se com o que o casamento verdadeiramente sigjfica
Gn 2,24;
2. O casamento
A missão: há três ênfase definidas por Deus no casamento: 2.1. A relação a dois; 2.2. O nascimento e a criação de filhos; 2.3. A célula social. Gn 1,27-28
3. Anos Iniciais:
O que realmente importa: o ensaio do que o namoro programou e a projeção para todos os anos seguintes. Ef 5,18-28.
4. Convivência
Acordando com o pior dos pecadores: a relação conjugal é um milagre de Deus, maturidade e equilíbrio do casal. 1 Tm 1,15.
5. Maturidade:
O perdão: o exercício da convivência, primeiro estudada, no namoro, vivenciada, nos anos iniciais, prorociona o aprendizado, ao longo dos anos, com erros e acertos. Cl 3,13.
6. Terceira idade:
A misericórdia triunfa sobre o juízo: o aprendizado ao longo dos anos é laboratório que projeta para o futuro, incluída a terceira idade. Tg 2,12-13.
7. Plenitide:
Graça resoluta: toda a convivência de um casal é pensada por Deus para que haja plenitude. Devem chegar à velhice contando as bênçãos de toda uma vida. Os 2,19-20.

terça-feira, 16 de maio de 2023

Laodiceia

 

    Há uma tendência em se avaliar Laodiceia como a pior entre as sete igrejas do Apocalipse. Isso devido à dura linguagem a ela associada. Aquele trecho que menciona frio ou quente, se for morno vomita-se, é o responsável por essa avaliação precipitada.

   Então ninguém deseja ser a igreja de Laodiceia, ao contrário de sua vizinha, Filadélfia, com a qual todos desejam se identificar. Mas é precipitada essa leitura. Porque, como já dissemos, Jesus ama todas por igual e, de modo meticuloso, provê restauração.

   E Laodiceia recebe uma promessa, dessas registradas ao final da carta, para quem supera suas dificuldades, aceita o diagnóstico de Jesus e avança para a sua própria cura, talvez, comparativamente, a mais elevada.

   No Apocalipse, logo após a introdução, com a primeira fantástica visão de Jesus Glorificado e essa dedicatória das cartas, João é convocado aos céus, onde divisa um trono, no qual quem senta é guarnecido pelos quatro seres viventes, que não cessam de advertir Santo, Santo, Santo.

   Pois nesse trono somente o Cordeiro pode tomar assento, porque está claro ser o trono de Deus. Aliás, essa superposição das duas pessoas, Pai e Filho, nesse mesmo lugar, é, no Apocalipse, uma indicação da identidade dos dois sendo um só, como no Evangelho de João.

    Pois confira que, na promessa de Jesus aos crentes vitoriosos, em Laodiceia, consta sentar-se, juntamente com o Cordeiro, nesse exato trono. Daí a constatação de que, essas promessas da conclusão das cartas, às sete igrejas, além de sempre pressupor restauração completa, eleva com um convite de se privar da glória de Deus.

   E para a igreja de Laodiceia, Jesus afirma o que podemos chamar de paradoxo, que é quando um arroubo ou um exagero de linguagem está posto. Uma contradição. Mas tratando-se de uma palavra de Jesus, é real, segura e fiel. E uma vez aplicada a Laodiceia, coloca-a no mesmo nível de restauração de todas as outras.

   O modo como Jesus se apresenta à igreja, semelhante à primeira e dura palavra a Sardes, igreja com nome de que vive, Laodiceia com identidade morna. Por isso ele afirma ser testemunha fiel e verdadeira e princípio da  criação de Deus. Desse modo, reafirma referenciais dos quais a igreja em Laodiceia havia se afastado.

   Chamar-se "princípio da criação" não significa ter sido o pirmeiro a ser criado, mas fonte da criação. E logo a palavra de Jesus evoca, da igreja, uma decisão por resgate de sua identidade: frio ou quente, porque ser morna, provoca náuseas ou ânsia por ser vomitada.

   Essa postura da igreja lembra a exortação de Elias ao Israel do século nono antes da era cristã, quando ele interpela o povo, "até quando coxeareis entre Deus e Baal". A igreja pressupõe ser rica, enxergar e ter sua santidade preservada.

   Jesus revela sua postura real, estar miserável, pobre, cega e nua. Embora seja uma linguagem figurada, sua aplicação pode ser literal, no sentido, por exemplo, da crítica que Tiago fez aos ricos da comunidade a quem escreveu sua epístola. E ao indevido trato de requinte recebido por eles, enquanto os demais irmãos se sentiam menores. Isso poderia estar ocorrendo nesta igreja.

    Muito comum, às vezes imperceptivelmente mas, o que é muito mais triste, noutras vezes assumido como um direito social, quando, realmente, encontramos "igrejas de elite" ou que assim jujgam a si mesmas, sendo verdadeiras símiles, ao inverso, são como arremedo de Laodiceia.

   Abrigam dentro de si muitos que precisam, na verdade, ser classificados por Jesus como cegos, como se fossem incrédulos, pobres, por não privar da riqueza eterna, miseráveis, por não refletirem a necessidade que têm da misericórdia de Deus e nus, fora do paraíso e sem as vestes brancas de santidade, pelo sangue de Jesus.

    Jesus afirma pôr-se à porta. Ele convida que seja aceito. Jesus não invade a vida de ninguém. O que oferece, por sua graça, é riqueza das virtudes de Deus, ouro refinado, vestes brancas, sempre símbolo de cobertura que esconde nudez, como símbolo negativo de postura pecaminosa, diante de Deus, e colírio que faz enxergar, com lucidez e discernimento, a vontade de Deus, sempre "boa, agradável e perfeita", Rm 12,2b.

    Por mais inversa e avessa que seja a condição dos crentes daquela igreja, somatório das situações que os mergulharam nessa posição dúbia, de perda de identidade, Jesus tem capacidade de tudo reverter e faz um convite voluntário para isso.

   A menção de vestes, como num requinte de uma nova moda, asseio e elegância, um bálsamo para os olhos, que lhes permite cura, brilho e resgate da visão, bem como a riqueza, não no sentido humano, símbolo invertido de importância e depreciação social, mas dos valores que se projetam para a eternidade, a beleza dessa restauração enche de esperança e garante o resgate da identidade de toda a igreja.

     "Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono." Esta promessa e a declaração de amor, em Ap 3,19, "Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se.", colocam Jesus perto, à mesa, ceando em intimidade com os que o acolhem.

    Para cada e todas as igreja há uma mensagem de esperança. Nunca deixam de ser igreja. Jesus é sempre seu Pastor e Bispo. Ele as têm na mão, bem como a seus pastores e liderança. Ouvir sua palavra, como se recomenda, pelo Espírito, é certeza de cumprimento completo da vocação que, em Cristo, receberam.

Filadélfia

  

     Todos nós queremos ser Filadélfia, para ouvir de Jesus o que ele diz nessa breve epístola. As igrejas do circuito da Ásia Menor, essa vitrine do Mediterrâneo, bem caracterizam o que são todas as demais, em todas as épocas. E agregados e impregnado nelas o que somos. E Jesus tem o antídoto.

    A carta de Jesus à igreja de Filadélfia bem tipifica a economia do Mestre. Não há necessidade de falar muito. O que mais vale, tanto é simples alcançar, quanto descrever. Esta a principal característica da palavra de Jesus, vital para todas as igrejas.

   Sem dúvida, Jesus realiza a vontade do Pai com toda a dedicação e prazer. E essa é a mesma missão da igreja. Ambos assumem essa missão, com a cruz no meio do caminho.

   Por isso a descrição em Apocalipse 5,6 não omite ou esconde, mas transparece a marca fundamental de Seu ministério, quando o apresenta como "um Cordeiro, como tendo sido morto".

   Pois ainda que haja uma cruz, para Jesus, e Sua inevitável morte seja o ponto central de toda as Escrituras, a alegria no Senhor é o traço dominante pelo resultado de Sua vitória. E Filadélfia é a igreja que bem o tipifica.

   É patente a satisfação de Jesus com a igreja de Filadélfia, quando a menciona em seu diálogo. Não significa que, com as outras, não tenha a mesma alegria. Mas diante desta, há uma porta aberta que jamais vai se fechar. Ela cumpre totalmente sua missão como igreja.

  Em seu mistério terreno e no seu pastoreio, assim definido por Pedro, quando o nomeia "Pastor e Bispo de nossas almas", 1 Pe 2,25, Jesus sempre o exerce com total dedicação, desvelo e prazer.

   Ainda que o vejamos chorando, ou quando falava duro, como quando repreendeu as cidades incrédulas, ou interpelou escribas, fariseus, saduceus e demais autoridades judaicas, ou ainda nas exortações cirúrgicas a estas igrejas deste circuito, Jesus nunca se tornou amargo ou perdeu a dimensão de sua misericórdia, bondade e amor, idêntico ao do Pai.

    Mas vê-lo apresentar-se à igreja de Filadélfia, como quem escancara, diante dela, por Sua autoridade, uma porta que ninguém nunca fechará, nisso compreendemos o labor daqueles irmãos e nos enchemos de vontade de alegrar Jesus nessa mesma disposição.

    Essa carta curta amplia o conceito de igreja, destacando os costumeiros contrastes das Escrituras. Para Jesus, ter pouca força é a melhor característica e reconhecimento de onde vem a força e o poder de qualquer igreja.

   A verdadeira igreja de Jesus é totalmente dependente de Seu poder. Ele afirmou, justo na sua ascensão, quando os apóstolos estavam preocupados com as definições do reino dos homens, Jesus os adverte que compreendam o que significa "receber poder de Deus, ao descer o Espírito Santo, para ser testemunha de Jesus".

    Assim como Paulo, que define ser o evangelho "o poder de Deus, para a salvação de todo aquele que crer", Rm 1,6. Pois a dependência do poder humano, na igreja, é zero. E o empenho dela é sinalizar o reino de Deus, e não, por atender a interesses dispersivos, ser súdita do reino dos homens.

   Guardar, cumprir e proclamar a palavra de Deus é a principal vocação da igreja. E esta a principal característica da congregação de Filadélfia. Não negaram o nome de Jesus, nem sob perseguição, algo tão frequente nos dias de hoje, sem que haja pressão nenhuma. Vivemos dias de despersonalização da igreja.

    Como em Esmirna, judeus perturbavam a segurança dos irmãos. Jesus menciona o erro fundamental desses judaizantes, em não reconhecer que o amor de Jesus tanto é, da parte dEle, a motivação fundamental de sua vida, quanto aceitar isso representa ser salvo, pela mediação do sacrifico de Jesus na cruz. Ninguém é salvo por DNA, mas pelo nascer de Deus, como explicou Jesus ao fariseu Nicodemos.

   Guardar, cumprir e anunciar a palavra de Jesus, resguarda e confere identidade à igreja, diante do que vai enfrentar, quanto mais próxima estiver a vinda de Jesus Cristo. Prometido está ao vencedor estar, como coluna, próximo a Jesus, como ressalta o autor de Hebreus:

   "Portanto, irmãos, temos intrepidez para entrar no Lugar Santíssimo, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, por meio do véu, isto é, do seu corpo, temos, pois, um grande sacerdote sobre a casa de Deus."

   As colunas do Templo de Jerusalém são trazidas à memória para que sejam entendidas com uma profecia da igreja, para todos quantos serão, sim, coluna, mas não num "templo construído por mãos humanas", mas no verdadeiro, real e eterno santuário de Deus.

    A identidade deles, já concedida por Deus, "que não se envergonha de ser seu Deus", Hb 11,16, será mudada, para definitiva plenitide, pelo próprio Deus, como verdadeiros cidadãos da cidade, segundo a qual, aqui no Apocalipse e em Ezequiel 48,35, está indicado como aquela no meio da qual Deus habita.

   Todas as igrejas precisam de um modelo assim, singelo, mas firme, de identidade assegurada, na dependência total de Jesus, quando ter pouca força indica admitir a fragilidade pessoal, mas acudir-se em Cristo, na sua palavra e no seu poder.

    Para o povo de Deus, sua maior benção é ser reconhecido pelo nome de Deus. Como menciona João, "somos filhos, sem que ainda se tenha manifestado o que havemos de ser". Nossa identidade nos é atribuída pelo nome de Deus.
   

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Sardes

 

    As cartas de Jesus focam, ao mesmo tempo, uma feição genérica das igrejas, assim como penetram numa radiografia detalhada.

   É interessante assim enxergar-se, porque a igreja que, na verdade, é reflexo e somatório de nossas vidas, aparece, em todo tempo, ao mundo. E, não adianta tentar fugir disso, a opinião deles sobre nós conta muito.

   Aliás, isso consta em Atos 2,47, onde Lucas anota que a igreja seguia "contando com a simpatia de todo o povo". Ou na avaliação de Paulo, em 1 Co 14,24-25, quando afirma que um incrédulo ou indouto, sobre a igreja, pode atestar um testemunho positivo.

   Por isso, é sempre melhor, para a igreja, uma autoanálise constante, por meio da sabedoria concedida pelo próprio Jesus, do que espernear-se, tentando afastar, com pano roto e carcomido, a má fama granjeada.

   Pois Sardes recebe de Jesus, de cara, por assim dizer, uma definição geral nada positiva: "Tens nome de que vives e estás morto". Veja bem: Jesus se refere à 2ª pessoa, ou seja, não ao coletivo, do grupo, mas ao individual, de cada membro do corpo.
 
    Dizer "estar morto", significa ser falsa igreja, no caso, um grupo de maioria ou falsos convertidos ou tanto longe das características distintivas de um verdadeiro cristão, tão carnais, que já irreconhecíveis. 

   Ele já se apresentou quem é quem, para dizer, "Aquele que tem os sete espíritos e as sete estrelas". No Apocalipse, candeeiros são as igrejas e estrelas são os líderes delas. Jesus é o Senhor das igrejas e de seus pastores. Portanto, dizer "sete espíritos" não significa, provavelmente, uma alusão ao Espírito Santo, mas à capacidade de Jesus de sondar, em cada um, o real problema que aflige toda a igreja.

    A Ele, elas darão conta, assim como os líderes e os pastores. Lembremos Tiago 3,1, quando afirma, por outras palavras, que é melhor, diante de Deus, não aspirar a um lugar de destaque, pois o juízo sobre quem ascende, na liderança, será muito mais rigoroso. É melhor aguardar, de Deus, a vocação.

   Voltando a Sardes, era, então, uma igreja que vivia de aparência. Enquanto Éfeso tendia a perder sua identidade pela falta de exercer o essencial, que é o amor, esta foi exortada a consolidar um restante fiel diminuto em seu seio. Porque o restante vivia de aparência, um simulacro de igreja, algo tão tristemente comum hoje em dia.

   A mesma recomendação de Éfeso, lembrar do original recebido e ouvido, guardar e arrepender-se denota o risco de perda total para esse igreja. Seriam surpreendidas, na volta de Cristo, como o foram as 5 virgens, da parábola, que não vigiaram quanto à chegada no Noivo.

   Havia poucos que mantiveram sua identidade, mencionadas as vestes brancas talares do sacerdócio, que simbolizam santidade e consequente autoridade. Na visão de Zacarias 3, o sumo sacerdote Josué aparece com essas vestes manchadas.

   Mas Deus, em sua autoridade, ordena a purificação, mediante Seu reconhecimento de verdadeiro arrependimento. Assim são os membros de Sardes que, vencedores com e como Jesus, reinarão com Ele, andarão com Ele, seus nomes estão confirmados no Livro da Vida e, diante de Deus, estão abonados, pelo sangue de Jesus.

   Promessas tipicamente características da Bíblia. É usual aplicar-se a elas uma interpretação alegórica. Cuide-se, então. Mas eu as leio como literais. Há uma promessa geral bíblica de ressurreição e vida eterna com Jesus Cristo. Literal.

    Bem, a partir daqui, podem alegorizar o que quiserem: vestes brancas são santidade e pureza, diante de Deus, nome no Livro seria registro em cartório do céu, como até mesmo Vinicius de Moraes menciona e ter, por Jesus, confessado o (novo) nome, diante de Deus, é o que de, literal e íntimo, existe na relação entre Pai e Filho. Como diz João, em seu evangelho, somos, por parte de Jesus, as ovelhas que Deus lHe deu, Jo 10,27-29.

   Gradiloquente é toda promessa de Jesus no final de suas cartas. Sempre aponta para uma saída, revertendo o problema sempre por nós criado. Figurativamente literal esse livro, o Apocalipse. Por meio de tanta arte literária também se fixam verdades eternas.

sábado, 13 de maio de 2023

Tancredo, na intimidade

O que lembro do Tancredo Neves?
De aqui para frente, Tancredo, na intimidade
E haja (muita) intimidade
Era 1995, era não, foi quando chegamos,

Isaac de colo, 8 meses,
Chegou com a mãe semana depois,
No Tancredo, chorou muito
Em sua primeira noite no Acre

O pai o consolava
Na escada da igreja
Sob a luz de rua, até ninar
Pernoites na casa dos pioneiros

Casal Rosa em férias
Casal Oliveira alugando a casa
Limpa cacimba, enche a caixa
Lava a roupa na casa mista

Terminologia nova para o novo casal
Primeira compra no Bosque, mosquiteiro,
Primeira compra no Tancredo, palma
Vexame: despenca a palma pra fazer dúzia

Noites no Tancredo
Mãe, pai e menino dentro do mosquiteiro
Cedo as músicas das rádios populares
E os programas da época

Vida plena em Cristo, com os pastores,
Mundo cão, com Estevão Bimbe,
Aja correto, pode não mudar o mundo,
Mas esteja certo: haverá um canalha a menos

Três guardiãs: Prince, Pop e Laike,
Esta muito braba, não deixava entrar
Quarto de madeira dela, sala pública
Mas à noite, madrugada com ou sem lua

Laike era minha companhia
A ver como ia o Gol 1000
Guardado no terreiro da casa amiga
Na curva da esquina, na parada final

Havia grande castanhola, acreanês,
Castanheira, carioquês, durma-se com esta,
Vá se ver aqui o que é castanha.
Laike ao meu lado, toda noite, vigia fiel

Susto. Latem Pop, Prince e Laike,
Eles correm, não sem antes
Quebrar o vidro do morcego do Gol 1000
Que papelão, este e o que improvisamos

Memórias do Tancredo
Incluem primeiras noites, primeiras chuvas,
Céu plúmbeo, idas e vindas ao centro by bus
Primeiras histórias de seringal com o vô da Bic

Posse em dia carrancudo
Ressaca de viagem solitária em dupla
Choro pela falta de mãe e filho
Deixa que busco no antigo aeroporto.

Começo de jornada,
Sempre providência de Deus,
Amigos de última hora, uma casa onde morar
Mudança adiada, providência renovada

Do Tancredo à Floresta, ironia lá no Rio:
Foram para o Acre, morar na Floresta,
Apenas susto passageiro,
Pois foram pro Acre, morar no (bairro) Floresta

Outono no Acre

Brisa suave manhã de sol
Na Estação Experimental no hoje bairro
Antes estação experimental, literal,
Projeto inacabado
Espaço invadido e ocupado

Vislumbre existencial
Numa pirmeira tarde-noite, outubro, 1993
Após caminhada rente à cerca do BEC, hoje,
Campo agrícola, ontem
Onde o ancião, pai de minha ovelha, hoje,

Arava e acolhia, de frio, a avezinha,
Que punha sob as axilas
Até que, livre e refeita, voasse
Muitas histórias da Estação

Comércio farto e forte
Banco, lojinhas, lanches, farmácias,
Ferragens, Americanas, papelaria,
Diversos, enfim,
Saudades das Estivas em geral

Detran, Barral e Barral, antes,
Iteracre, hoje, velho açude
Da antiga fazenda, muito antes
Da estação experimental
Vislumbre na primeira tarde-noite

Eu, a esposa e o menino
Ainda no ventre,
Nós três e o missionário Nelson,
Pioneiro no Acre
Ontem, estação, hoje,
Velha Estação.

Referencial de minha memória
Lado e outro da rua,
Velhos sobrados,
A primeira farmácia, talvez,
Minha xará no sobrenome,
Oliveira

Busca das afinidades,
Luzes turvas, amareladas,
Lâmpadas diesel antigas
Acolhida
Cultos na duas casas de Adgines
E Maurício.

Compras no velho Araujo,
Também meu sobrenome
Comecei na Estação,
Hoje estamos na Nova Estação,
Ampliação da antiga.

Leve brisa nas árvores da Estação
Sol ameno de manhã outonal
Que susto! Um quase atropelo,
Scort em fuga, furto furtivo
Lá embaixo, na cidade

Choque frontal, distraído no orelhão
Defronte ao antigo Correio, na Estação
Vi subir menina arremessada,
Vi rodopiar e cair menina ilesa
Saltei por puro instinto

Ali, na mesma rua onde, um dia,
Assutei diante do comércio falido
Do agora dono do carro que vendi
Assustei com a casa trancada
Agora na Nova Estação

Só os chinelos diziam haver gente
Assustei correndo à Casa de Carne,
Agora beira rio,
Defronte ao Mercado dos Colonos,
Ao telefone, no tempo ainda sem celular

O cunhado do agora dono,
Dizia, quem, sim, está bem, interrompeu
E perguntou: você é o pastor?
Para alguns, respondi

Está aqui, ele disse ao aparelho
Negro, como se chamava ainda.
Troquei o cheque do falido Banacre
Por dinheiro, com o dono
Da Casa de Carne.

Está salva a Estação
Brisa breve e suave
Em dia de sol outonal 🍁
Vislumbre,
Terde-noite de outono no Acre.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Dedicado ao primo (ou às mães que se foram)

Saudade
Muito já se diz de ti
Muito há a dizer de teu sentido
A data te aguça

Por aí, lembranças da mãe
Nos retratos, como se dizia no tempo dela
No burburinho do comércio
Na apelação das lágrimas da TV

Vem sobre nós sua presença
Imensa
Sobre nós o seu cheiro
Intenso

Somos um pedaço seu
Não, somos inteiros ela
Numa fórmula do seu amor
Na plenitude de sua dedicação

No caminho da vida
Sinais de sua sabedoria
Marcas em nós de seu cuidado
Cicatrizes no rosto de seus beijos

Apertos, no corpo, de seus abraços
Vista no sorriso dos netos
Guardada no coração,
Sede e sede de seu amor

Grato, mãe, fui gerado em tuas entranhas
Posto na vida por tuas dores
Feito adulto por teu cuidado
Envelhecido agarrado as tuas memórias.