sexta-feira, 31 de março de 2023

Os discípulos: Tiago de Alfeu - 6

     Tiago

      De Alfeu. Como pelo Nordeste, assim como noutras localidades rurais, os filhos eram identificados por essa associação ao pai. 

     Assim, no colégio apostólico temos este, assim como o outro, Tiago de Zebedeu, irmão de João. 

     Também conhecido como Tiago Menor. Costuma-se associá-lo à informação de Marcos, o evangelista,  que cita Maria,  sua  mãe,  como uma entre as que foram ao túmulo de Jesus, de madrugada.

     Menor é um nome que lhe cabe bem. Aliás, título honorífico. No Reino de Deus, ser menor é ser maior. Jesus agradece ao Pai, reconhecendo que se agrada por vê-lO revelar Suas grandezas aos considerados desprezíveis. 

      Tiago nos lembra mais essa inversão operada por Deus. Que também torna irrisória a inteligência dos "entendidos", confrontando-os com Sua própria sabedoria. 

    Deus salva os que creem, pela loucura da pregação. Reduz a nada os que "são". Tiago nos lembra que essa estatura é, para Deus, a que conta. Porque nos retira da prostração do pecado, elevando-nos à estatura de Jesus. 

      A parábola  da semente, essa única, em Marcos, não repetida em nenhum outro Evangelho, decreve o milagre da semente, que adormece e morre,  para depois borbulhar em vida. 

     Se a semente não morre, não floresce. Do mesmo modo, qual semente, Jesus morre para, logo depois, ressuscitar. É o Reino que, dentro em nós,  Deus implanta. O pequeno e desprezível aos olhos dos homens, enaltecido diante de Deus.

     Sim, esse mesmo Jesus,  objeto de nossa fé e da mesma fé em Tiago, nos engrandece diante de Deus. Paulo Apóstolo afirma que somos glorificação em Jesus, assim como Jesus é glorificado em nós. 

     Assim, do mesmo modo que Jesus primeiro esvaziou-se de sua deidade, para se fazer homem, glorificado em sua ressureição, do mesmo modo somos engrandecidos nEle.

    Em nada Tiago será menor no sentido de seu valor. Ao contrário, humilde diante de Deus, por Ele mesmo exaltado em tempo oportuno, tempo de fé. 

    Par a par com mais este apóstolo: humilde e menor diante de Deus, no tempo oportuno, que é o tempo de fé,  exaltado. Aos olhos de Deus, esse é o valor. "De fato, sem fé é impossível agradar a Deus".

     Tiago representa o ponto de início, por onde passam todos os que começam a caminhar com Deus. Mesmo dele conhecendo o mínimo, sabe-se o que é essencial e comum a todos os que creem. 

    Esse é o modelo único e padrão de salvação para todos os que creem. "Humilhai-vos sob a poderosa mão de Deus, para que em tempo oportuno vos exalte". Com Deus, fé é enaltecimento. 

      

sexta-feira, 24 de março de 2023

Sem escrúpulos

    Desde muito cedo na história deste país o dinheiro público é malversado. E quem cria as leis, neste país, estabeleceu instâncias de vários graus, para que até que o bandido bem nascido as percorra todas, o crime já tenha prescrito.

    Sempre lembrando que crime prescrito não sigjfica que não tenha existido. Recentemente, na história deste país, foram percorridas todas as instâncias de condenação para um notável criminoso.

    Porém na última, por puro casuísmo, que é quando se tem em mente o que se deseja, efetivamente, realizar, mas se vão aos compêndios legais, para preencher o blefe com verborragia jurídica, foram anuladas todas as instâncias inferiores.

   Polis é tradição assaltar cofres públicos, de todas as maneiras, a mais frequente delas por meio de verbas para obras fictícias, faraônicas e intencionalmente mal planejadas ou efetuadas a muito menos do que foi orçado, para surrupiar-se uma porção maior.

   Uma destas obras, entre muitas outras em todo o Brasil, chama-se anel viário ou Arco Metropolitano, no Rio de Janeiro, cuja intenção seria desafogar as principais vias de acesso à cidade, desviado o tráfego por esse entorno.

   Frações da BR 116 e da 493 estariam paralelas a seu percurso. Parte da ideia original desse percurso viário, que na verdade incluiria acesso desde o término da Rio Santos, em Itaguaí, terminou.

   Mas a parte que inclui a que atualmente se chama Rodovia Raphael de Almeida Magalhães empacou ainda em 2014, ora, vai fazer 10 anos. Mas esse crime é antigo e se espalha por todo o Brasil, que é superfaturar orçamentos, executar a menos e, a meio caminho, turbinar, novamente, o preço previamente indicado.

   Já viajei por este país, entre os anos de 1995 e 2013, atravessando por 15 vezes três estados, Rondônia, Mato Grosso do Sul e São Paulo, cortando trechos de Mato Grosso e Goiás, na conexão entre Rio Branco, AC, e o Rio de Janeiro, estado e cidade. Esse percurso que sempre fiz uma vez a cada ano, com mais os circuitos extras, deu a mim e à minha família uma experiência e uma exposição a, pelo menos, 150.000 km.

   Portanto, sei o que são estradas estreitas, sem acostamentos, expondo ao risco todos que por elas trafegam. Portanto, muitas vezes em que se divulga que o motorista brasileiro é incauto, e sem dúvidas existem, porém nas emergências, numa estrada sem acostamentos, ou não duplicada, quando deveria ser, esse risco quadruplica.

    Vítimas desse descaso com a vida humana, institucionalizado neste país, mais uma vez de tantas outras, foi toda uma família que se deslocava de Santo Aleixo, onde residiam, a Niterói, para um aniversário com demais familiares. Morreram Jonatam Guimarães Corrêa, 35 anos, sua esposa Letícia Gabrielle Fernandes de Lima, 32, e os cinco filhos: Gabrielle Lima Corrêa, 10, Enzo Gabriel Lima Corrêa, 5, Izaque Lima Corrêa, 8, Larissa Lima Corrêa, 2.

   Esta mais nova, o irmão Guilherme Lima Corrêa, 14 anos, e o mais velho Christian Lima Corrêa, 16, foram conduzidos a dois hospitais, Adão Pereira Nunes, o Christian, e seus irmão e irmã no Alberto Torres, em São Gonçalo. Mas Larissa logo faleceu e seu irmão, Guilherme, dois dias depois.

    Descaso com a vida humana. A marca da administração política no Brasil é esta. Nenhum escrúpulo. Esta não foi a primeira família. Não será a última. Triste país. Todos que temos algum escrúpulo e também temos família, eu, particularmente, que expus a minha durante todo esse tempo e percorrendo esses tantos quilômetros, ainda tenho muito medo quando dirijo veículos.

    E não sei que solução há para a cura desse mal neste país, o principal deles, a prática renovada da dilapidação de recursos públicos em benefício da corrupção, ao preço do sangue das dezenas de milhares de mortes nas estradas do Brasil.

HISTÓRIA DO ANEL VIÁRIO:

quinta-feira, 23 de março de 2023

 

Salmo 104. Hino ao Criador. Talvez o mesmo autor anônimo do salmo anterior inicie com o “Bendize, ó minha alma, ao Senhor’ (104:1-3): (1) pela magnificência (‘magno’, grande) de Deus, (2) porque Ele é luz (Jo 1:4-5 e 1 Jo 1:5) e (3) a partir das águas criou todas as coisas (Gn 1:1-2; Jo 1:1-3). Cada parte do hino segue etapas da Criação: (A) 104:5-9 e Gn 1:1-9), (B) 104:10-18 e Gn 1:20-25; (C) 104:19-21 e Gn 1:14-19), (D) 104:23 e Gn 1:27-28 e (E) doxologia à Criação(104:24-35): (1) feita com sabedoria (104:24-26), (2) renovada pelo Espírito (104:27-30), (3) reflete a glória do Senhor (104:31-32), (4) digna de exaltar Seu nome (104:33), (5) referência de meditação (104:34; Sl 8; Sl 19:1-6). Os ímpios devem considerar nisso, convertendo-se ao Senhor ou desaparecendo da terra (104:35). Bendiga nossa alma ao Senhor! 


domingo, 19 de março de 2023

Haikai existencial

 Tentaram enganar meu velho,

 Minha mãe ascendeu no subúrbio,

 Eu fui indo, fui indo, fui indo, findei fondo.

sexta-feira, 3 de março de 2023

Em busca do simples - 4 - uma figura esse Jesus

     Os três evangelistas falam do Batista. Aliás, os quatro. João foge do esquema dos sinóticos. A ideia dele é outra. Mas também fala dele. Batista era um tresloucado.

   Incisivo no que dizia, duas coisas: somente tinha aquilo a dizer, ao que dava toda e única importância, ao mesmo tempo em que, deprimido, quando preso, perguntou se era aquilo mesmo que disse todo o tempo o que tinha a dizer.

   A velha questão pela autenticidade da identidade desse Jesus já se discutia, fosse no tempo do Batista, assim como no tempo da escrita do opúsculo agora chamado Evangelho de Marcos.

  A diferença em Marcos é que ele demarca o começo de seu evangelho pelo anúncio do Batista, vinculando ao texto de Isaías que o denomina "voz do que clama no deserto".

   Em João, por exemplo, logo no início do evangelho, as autoridade judaicas vão perguntar ao Batista qual era a dele, com aquela loucura de aspergir água sobre quem quisesse ou tivesse manifestado entendimento pela mensagem que trazia.

   De que Jesus, esse que batiza com o Espírito Santo do Antigo Testamento, estava vindo e já entre eles. Era tudo por autenticação: a pessoa de João, sacerdote fora de ofício, a autenticidade de seu ritual extemporâneo e a autenticidade do próprio Jesus.

   João Batista irrompe como quem anuncia um advento. E é o maior marketing da história. O Filho de Deus entrou na história. Ou, se preferir, porque dá no mesmo, Deus irrompe na história.

   E quando o Batista está para morrer, porque foi preso, e da cadeia não sairia vivo, Jesus se desloca para a Galileia, conhecida na época como "dos gentios", sumo desprezo por aquelas paragens.

   Mas era por isso mesmo que seria priorizada por Jesus, aliás, prioridade esta, outra indicação profética de Isaías. Jesus ruma para lá, e Marcos assinala aquela que será, por assim dizer, a base referencial de todo o ministério de Jesus.

   "O tempo está cumprido, o reino de Deus está próximo, arrependei-vos e crede no evangelho". Esses quatro destaques conceituam e caracterizam toda a atividade de Jesus, bem como tudo o que vai dizer.

   Jesus afirma que se inscreve num tempo restrito, que é desfecho de todo um preparo e, por isso, demarcado como profético e apocalíptico.

   O destaque principal desse tempo é a irrupção do reino de Deus, que está e não está, porque sinal da presença e acesso a ele estão abertos, mas a plenitude do reino ainda vai se cumprir.

   A atitude, diante dessa realidade configurada, não é de mera consciência de informação, mas de arrependimento, que é um retraimento íntimo, diante do reconhecimento de uma falta pessoal irremissível, a não ser diante e por meio de Jesus Cristo. O Batista já o havia mencionado.

   Crer no evangelho corresponde a assumir toda a mensagem de Jesus Cristo. Ele anuncia o evangelho, ele é o evangelho e ele garante totalmente o evangelho. Por isso foram chamados Evangelhos esses livros.

   Pelo testemunho que dão a respeito de Jesus: quem o assume, é porque se arrependeu. Então entrou no tempo infinito, apocalíptico e completude astral. Já está dentro do reino, reconhecendo-o e dele dando testemunho.

   Uma figura esse Batista. Uma figura esse Jesus. Ambos autênticos.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Em busca do simples - 3 - parceria possivel?

   Bem, supondo que Deus exista e que, portanto, fale, que seja Jesus Cristo, como afirma João(?) no seu Evangelho, "Verbo que se fez carne", precisamos localizar essas falas.

  Se, afinal, estão localizadas no contexto desse clero teológico-científico, únicos a validar o que as Escrituras dizem, assim considerada reduto provável é último dessa(s) palavra(s), supostamente de Deus.

  Como se procede por hipóteses, feita aqui uma concessão ao método, sugerimos ser possível que Deus, sem torniquetes de ídolo a Ele atribuídos, porém Pessoal e agente, conceda ao ser humano a capacidade de registrar, por escrito, traços de informações sobre Si.

  As próprias Escrituras, pelo menos em dois lugares, afirmam ter ocorrido esse expediente, em 2 Pe 2,21, "homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo", e em 2 Tm 3,16a, "toda Escritura é inspirada por Deus".

   Deixamos aqui, à parte, as filigranas da exegese dos textos, sem busca pela autenticidade deles, como se exige peremptoriamente, porque nos interessa apenas a ideia sugerida. Homens podem falar da parte de Deus? Como "movidos" pelo Espírito Santo? Deus pode inspirar as Escrituras?

  Ora, exige-se muito, por meio do rigor acadêmico-científico, do Deus que a Bíblia apresenta. Não estou me expondo à execração, pelo menos por esse motivo, acusado de depreciar a academia nem a ciência.

   O que estou querendo expor é o argumento de que, até que ponto é possível revisar a Bíblia dos relatos de falas e atos de Deus, sem que, precipuamente, seja distorcido o Deus que a Bíblia expõe, do modo como o faz.

  Porque se, nas Escrituras, fala-se a respeito de Deus, mas nela mesma ou por meio dela Deus não fala, há duas possibilidades ou duas personalidades, em jogo, para Deus: um será o que fala e como fala e outro será aquele a respeito de quem falam, do modo como falam.

   Homens falaram, da parte de Deus, autores de texto, como quaisquer outros, motivados para tanto, somente que, o agente dessa motivação foi o Espírito e o assunto foram dados de fé, experiências de vida com Deus.

   E Deus, Pessoa, pelo menos capaz de inspirar, ou seja, agir no intelecto humano, podemos até recorrer a um intercâmbio, tanto de textos, os acima mencionados, ao mencionar a ação do Espírito, quanto a um intercâmbio, agora entre as duas pessoas da Trindade.
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   A essa altura, podemos sugerir que, num contraponto de argumentos entre a existência, em si, da Trindade, ação de Deus e ação do Espírito, frente à possibilidade de atuar no ser humano, de modo a que registrem, em nome de Deus, inspirados por Deus, movidos pelo Espírito, tenham assim escrito de modo autêntico.

   Resume-se: Deus e o Espírito, em parceria, supostamente, poderiam agir no ser humano, a fim de que escrevessem? Portanto, caso afirmativo, em que grau Escrituras? Podemos citá-la, em seu tempo, afirmando ter sido nesses critérios escrita, "homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo"? 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Introdução ao simples - 2 - Mas onde, mesmo?

  A questão é saber que vozes me indicam a autenticidade do que se registra que foi Jesus quem disse. Como se dá essa mediação, entre o que se denomina ipsissima verba de Jesus e meus, ou de tantos outros, ouvidos.

   Antes mesmo de recorrer à mediação mística do Espírito Santo, considerado com os outros dois, Pai e Filho, a terceira Pessoa da Trindade, vamos tentar estabelecer um certo grau de confiabilidade ao que nos chega por escrito.

   Se as Escrituras, termo precípuo para o que vem por escrito, tornou-se um dos temas tão sensíveis e de disputada autoridade, por ocasião da Reforma, o que denominamos, na economia desta argumentação, a transição do primeiro Cristianismo para o segundo, vamos abordar em que base se situa essa precisão.

   A começar pelo simpático perfil que delineamos sobre Marcos, aquele que idealizou o esquema de apresentação dos opúsculo posteriormente chamados Evangelhos, ombro a ombro com Lucas e Mateus. Pois a moderna crítica, já há uns 100 anos, detona essa romântica visão.

   Nem pense numa personalidade única por detrás dessas autorias. Assim nos informam os mais recentes pesquisadores. Desconfiam das certezas da tradição que menciona esses nomes como se fossem dos autores.

   Talvez incorram num erro comum, que seja aplicar rigor científico atual a critérios de autenticidade antigos. Por exemplo, bastasse para a certificação, para aquela época, apenas a menção do nome. Porém, para hoje, evidências mais precisas seriam necessárias.

   Nunca saberemos. Mas não fica somente no nome. Procede-se a uma cirurgia que define recortes de texto, onde palavras, perícopes e fatos atribuídos a Jesus mergulham no limbo da mesma dúvida. Então torna-se necessário sair atrás de que autoridade acadêmica vai lhes confirmar a credibilidade.

   Ora, instituiu-se um outro tipo de clero, desta vez, pode ser chamado clero acadêmico ou científico. Essa nata intelectual é que vai, em última instância, determinar se Jesus disse, o que, na verdade disse, quantos e quem acrescentou ao que foi dito, enfim, caso o leitor aventure uma credibilidade total, corre o risco de se expor ao ridículo.

    Serão condescendentes com você. Afinal, é "assunto de fé" e, com relação à religião, vem primeiro o respeito. E ainda não falamos nos milagres. Esses, então, varia-se de serem todos, de uma vez, negados, exceto, é claro, a ressurreição de Jesus (eu acho, se é que já não escolheram uma alternativa para ela).

   Ora, apóstolo Paulo, os coríntios é que estavam certos: mortos não ressuscitam. Significa dizer que, o que é sobrenatural, para usar este termo bem irrisório, extirpa-se da religião. Prevalece, acima de tudo, a razão. Problemático mencionar também este terno, já que quase ser apenas privativo da elite intelectual.

   Os que nada sabem, precisam recorrer a eles, humildemente, a fim de que, gnosticamente, sejam iniciados, pois deles vem e com eles está a luz desse tipo de esclarecimento. Não estou sendo irônico, mas a intenção dos reformadores em colocar as Escrituras ao alcance dos leigos esbarra na necessidade dessa iniciação.

   Uma terceira consequência que, como num refluxo, afeta essa cadeia argumentativa é que, então, onde está a fala de Deus? Se admite-se ser Jesus, dogma cristão, vamos assim dizer, o Verbo, a Palavra viva de Deus, pergunta-se como ouvi-la (ou lê-la) com proficiência?