quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

A última noite - Parte 2

 

    Silêncio. Nada disse. Nada replicou o Ancião. Mas agora, o que o impressionava era o olhar. Ora, caramba, agora era o olhar. Estava e não estava, ali, com uma veste semelhante à dele, com alva cabeleira, olhava de soslaio, porque encarar nos olhos nunca ousaria. 

     Estava e não estava presente, lia e não lia seus pensamentos, ouvia e não ouvia sua voz mas, muito mais do que se angustiar com isso, sentia uma imensa paz, sentia uma presença, mas sua tendência era assustar-se com isso, porque qual a razão de ser dessa conversa, principalmente se, quem era que estava ali ele imaginava que fosse?

     Afligiu-se. Foi quando ouviu. Não precisava. Surtou-se. Fez cara de espanto mas, ao mesmo tempo que sabia, precisamente, sobre o que o Ancião de dias (e põe dias nisso) perguntava, porque essa conversa trazia tudo à memória, estremeceu porque a memória dele ia direto ao ponto, por isso, de novo, ouviu o comentário e reavivou as lembranças.

     Para que morrer xingando todo mundo? Esse era o ponto. A vida dele passava como um filme em retrospectiva. Daí, dessa pergunta para trás, aquela conversa ali, naquela antesala, com o Ancião, tudo começava a fazer sentido.

     Agora viu os olhos dEle plantados nos seus. E de novo, como repetição, não precisava. Essa frase, nessa altura do bate-papo, percorreu toda a sua vida, dali para trás. E ele sabia que o que lhe vinha à mente, era com isso que o Ancião conversava.

     É, eu era assim mesmo, estúpido. Ele ia dizer "mas o Senhor sabe", resolveu não dizer, mas pensou, estão estava dito, então logo disse audível, para ver se valia o dito pelo não dito, estúpido mesmo, temperamental, de explodir, falar à toa, até ofender, admito. Então se lembrou dos olhares da esposa.

     Olharam-se nesse ponto. Ele deu o frequente olhar da esposa para Ele como argumento de sua defesa. Mas ela lhe olhava reprovando você, Ele disse. Pois é, o homem retrucou. Aquela ali era uma santa, disse, caindo no lugar comum. Para te aguentar, disse Ele reticente.

     Sim, antes que o homem continuasse a pensar, inquirindo, nesta antesala fazemos uma revisão, antes de qualquer outra decisão. Ele então pensou na possibilidade de, digamos, um retorno. Não, respondeu o Ancião, sem retornos. A vida é uma só. Já viveste a tua. Foi taxativo. 

     O homem já, de antemão, percebia por que, desde que se vira ali, no cubículo branco e ele também todo branco, começara a ver a si mesmo por outra ótica, ou melhor, para dizer de outro modo, pela ótica que se acostumara a se ver, durante toda a sua vida, mas que sempre rechaçara, também durante toda a vida, vinha de novo à mente o olhar (reprovador) da esposa.

      Ao mesmo tempo que via, no olhar do Ancião e num jesto com as mãos um modo de dizer "É isso", como que assinando embaixo desse raciocínio, os olhos do homem se arregalaram, agora como que olhando para através da suposta porta de acesso que saía da sala, sim, porque aquela por onde entrara estava às suas costas, e isso o incomodava, mirou de novo o rosto do Ancião.

    E ficou esperando a resposta, porque já sabia que Ele sabia. É óbvio que sim. Esta resposta foi confirmando que sim, a esposa estava para além da porta de saída da antesala. Para a outra resposta, concernente ao pensamento que ele esboçou, que era, consigo mesmo, saber se ia revê-la, viu no olho do Ancião um indicador de não resposta. 

     Imediatamente mudou de assunto (ou de pensamento). Vocês mudam fácil de pensamento, Ele disse, o que não deixa de ser, também, uma espécie de fuga. Inútil tentativa, anuiu. Todo pensamento, uma vez pensado, volta. Baseado neles, no encadeamento deles, há muita ação indevida. E essa tentativa fútil do ser humano de pensar em esquecer, fazer de conta que nunca existiram e achar que nunca mais vai estar frente a frente com eles. Ou consigo mesmo. Que é a mesma coisa.

A última noite - Parte 1

 
   
    Meu pai bem contava sobre essa noite tenebrosa no hospital São Francisco de Assis. Ele próprio confessava que tinha medo de morrer. Mas naquela noite, não foi a vez de meu pai.

    Que até me confessou que, uma vez tendo, e pela primeira vez, assistido de tão perto a morte de alguém, perdeu de vez o medo por ela. Ou, pelo menos, foi efusivo que trabalhasse, daí para a frente, mais efetivamente contra. 

     E venceu. Mas o companheiro de enfermaria perdeu. Saiu da vida. Mas meu pai contou que o fez de maneira inusitada. Xingou o tempo todo e xingava a todos, desde a própria vida ao ambiente onde estava, com todos dentro, quem do leito se avizinhasse, fosse quem fosse, do plantonista ao funcionário da faxina, passando por enfermeiros e capelães.

     Sem contar a blasfêmia. Palavrões, principalmente, chulos e chucros, maldições, imprecações, enfim, maldisse a própria morte que, enfim, o arrebatou. Muito menos do que está aqui meu pai, fonte de tradição oral, me repassou. O ambiente e o mais, até aqui, foi enunciação. Pura e simples. 

   Mas o que segue é ainda mais inusitado. Principalmente para o nosso protagonista. O anônimo companheiro de Cid, meu pai, na época já viúvo e solitário. Uma vez morto, achou-se numa antesala, mais propriamente um cubículo, para o qual não tinha tempo para expressar sua opinião, pois se detinha na estranheza consigo mesmo. 

     Era inesperado, assim avaliava, primeiro a cor. Desde suas sandálias, passando pela veste talar alva, estava todo de branco. No início, pensou no ridículo, visto que não usava, no plano humano, essa cor como preferência. Aliás, divertia-se, com deboche quando via, principalmente, sambistas de branco, desde o chapéu até os sapatos. Implicância pura.

    Aliás, lembrou disso e não deixou de pensar, pura vingança. Surpreendia-se ao saber que a memória estava mais ativa do que nunca, enquanto intuía onde estava. Pelo exíguo da metragem quadrada da saleta, supôs mesmo ser a antesala. 

     Deu-se conta. Foi quando sentiu outra presença com ele. Muito rápido pensou, mas como entrou, muito rapidamente se perguntou, procurando uma porta, para imediatamente atinar com dois fatos: no lugar onde estava, entrar num cubículo sem porta não era incomum, ainda mais para a pessoa, com "P", pensava. 

      Estranhou que se sentisse assim, tão à vontade, ainda mais que, como num lapso, lembrava quem era e, mais ainda, como deixara a vida. Ficava perplexo consigo mesmo porém, mesmo assim, sentia-se à vontade. 

     Foi quando ouviu o Ancião que, ao mesmo tempo estava e não parecia estar ali. Fique à vontade, ouviu-o dizer. Ia responder, mas preferiu continuar calado. Foi quando ouviu de novo: é bom reativar a memória. Se há um lugar onde reativar a memória é muito requisitado, esse lugar é aqui. 

      Agora achou que deveria falar. Ficar mudo ali, além da conta, ainda que fosse diante dEle, não tinha sentido. E não se iria longe nessa mudez. Era uma presença que induzia a que se falasse. Eu me senti esquisito.

    Isso é natural aqui. Plenamente esperado. A conversa iniciou com fluência, como sempre ocorria, sempre esperado, e num lugar onde tempo e quantidade de gente, bate-papo sem hora para acabar não fazia a mínima diferença: fazia sempre a máxima diferença.

     Me sinto estranho, desde a roupa... Figurino típico daqui, debochou o Ancião... Sim, quase sorriu o anônimo da enfermaria que morreu xingando, literalmente, Deus e o mundo.

     Não esperava estar aqui. Realmente, não é todo mundo que passa por aqui. Há quem não vem. Isso era compreensível, ele refletiu, mas veio à sua mente será que todo mundo passa por essa antesala?

    Não. Explodiu a resposta em sua mente. A conversa era muito interessante. Ao mesmo tempo se sentia a presença e não se sentia, via-se uma imagem, e não se via, ouvia-se um timbre de voz e não se ouvia. Agora, após esse raciocínio, ele teve a nítida impressão de ver rir o Ancião. 

     Sem que se contivesse, quer dizer, então, que se ri no céu? Assustou-se muito com sua pergunta. Espantou-se de a ter feito. Soava como se fosse atrevimento ter dito desse jeito e naquele tom.

    O que mais se faz aqui, foi a resposta. Rir. Conteve-se, para não se ver, de novo, passando recibo de seus espantos, mas o que mais o sacudiu por dentro foi ter chamado de "céu" o lugar e o Ancião nada ter dito a respeito. Ora, então estava na antesala do céu. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Seja o que quiser ser

   "Seja o que quiser ser". Esta é a abertura do "Viva a diferença", título do programa Malhação, uma série da TV que, desta vez, defende o que significa ser plural, incluídas as diversas formas de relação. 

     Por que "seja o que quiser ser" vai de encontro ao que  Bíblia ensina? Aliás, com relação ao título dessa etapa da série, não acho que viver a diferença seja, em si, uma expressão errada. Há, sim, necessidade de se viver a diferença em muitos sentidos. 
     Só discordo da associação e do contexto em que essas duas frases são veiculadas, na mensagem em conjunto divulgada. Vamos começar pela primeira. 
     A Bíblia afirma que o ser humano não consegue "ser" "humano". Por isso que se seguir a doutrina expressa na primeira sentença, "ser o que quiser ser", cada vez mais vai se afastar de "ser humano".
    Ser o que quiser vai desagregar no "ser" "humano" tudo o que perfaz a sua identidade. Para começar, a Bíblia não concebe vida ou se desejar, mais especificamente, não concebe ser, a não ser em comunhão com Deus. 
     Porque a Bíblia concebe ser humano a partir da declaração de Deus: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança". E, nesse mesmo versículo, de Gênesis 1,27, está escrito "homem e mulher os criou".
    Portanto, já com relação às duas frases aqui indicadas, "seja o que quiser ser" em conformidade com a imagem e semelhança de Deus. 
    E com relação a Viver a diferença, aquela básica indicada no texto bíblico fundamental do Gênenis, a Bíblia afirma "homem e mulher os criou". 
     Esta é a cosmovisão bíblica. Ninguém é obrigado a concordar com ela. Nem, ao menos, viver em conformidade com ela. Não há nada que a Bíblia obrigue alguém a fazer.
     E é absoluta e absurdamente o inverso que alguém queira obrigar o que a Bíblia não obriga. Assim como será absurdo que, quem não queira ser o que a Bíblia designa ser, que é "ser a imagem e semelhança de Deus", seja acusado por sua escolha.
     "Seja o que quiser ser", mas nunca acuse quem não queira se governar por essa afirmação. Seja o que Deus espera que você seja, mas nunca acuse quem não tem essa escolha como sua opção.
     Quanto a "Viver a diferença", ora, é justo aplicar o mesmo método. Quem acha que viver a diferença é viver homem e mulher, como Deus criou, pelo prisma e visão da Bíblia, a escolha é opcional, nunca imposta. Viva. Mas quem acha que "viver a diferença" abriga, em si, outras escolhas, outras vivências, duas observações: 1. Assuma sua escolha, sem a impor a outros; 2. Não vá à Bíblia tentar remendar o que nela está escrito. 
     Seja o que quiser ser, sem obrigar que ninguém seja como você ou que todos a sua volta aceitem seu modo de ser. 
    Seja o que você supõe que Deus quer que você seja, sem impor, desmerecer ou discriminar quem quer que seja, concordando ou não, vivendo ou não segundo o modelo que você adota. 
     Se para você, viver a diferença é experimentar ser homem e mulher, viva plenamente, sem forçar que outros queiram viver segundo esse modelo, como se fosse uma imposição. 
    E se, para você, viver a diferença inclui outras modalidades de escolha, assuma, mas não queira impor sua escolha, modelo de vida e cosmovisão a outros. Assim como assuma a diversidade e o contraditório do modelo que não seja o seu próprio. 
     Não há como concordar o tempo todo com a Bíblia. Nenhum ser humano, pode-se dizer de outra forma, qualquer ser humano, ou ainda todos os seres humanos, aos olhos de Deus, perderam sua imagem e semelhança.
     Deus não faz acepção de pessoas. Mas, ao retornar a Deus, ele se reserva o direito de estabelecer o padrão de comunhão com Ele.  Isso não é religião. Isso é o cara a cara com Deus. 
    E não há cara a cara com Deus sem crise. Sem perda total. Sem morte e ressureição em Jesus Cristo. A relação com Deus, no seu conjunto, estabelece essa condição. Alguém pode viver fora da conformidade com essa condição. Ou viver em conformidade com essa condição. 
    Seja o que quiser ser. Ou seja, em Cristo, o que quiser ser. Paulo Apóstolo expressa essa experiência por muitas maneiras. Uma delas é dizendo: "Não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim".
    Faça a sua escolha. Assuma a sua opção. Nunca imponha a outros. Nada há na Bíblia que seja imposto. Em ambos os casos é necessária muita coragem: para escolher ou não o que a Bíblia expressa.
    Nos dois casos, pode ser que exista quem vá te chamar de covarde, pela escolha feita, seja qual for. Deixa chamar. Mas que não seja você a chamar ninguém covarde, seja qual for a escolha feita.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Rascunho



Questao 1

  A imagem acima é uma charge. A ideia dela é nos fazer rir. Vamos, então, entendê-la. A figura do velhinho simboliza Deus. Ele está triste e sozinho. Pelo que a gente consegue ler, "Com Deus não se brinca", a razão da tristeza é  

A.  porque está ventando.

B.  porque não gosta de gangorra.

C. porque ninguém brinca com ele. 

D. porque seu time perdeu de novo.

Questão 2

Agora vamos entender a frase "Com Deus não se brinca". Ela quer dizer que devemos levar Deus a sério. Então brincar, na frase, significa "não brincar com Deus". 





A. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

 Todavia, o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que se não pode medir, nem contar; e acontecerá que, no lugar onde se lhes dizia: Vós não sois meu povo, se lhes dirá: Vós sois filhos do Deus vivo.

Os filhos de Judá e os filhos de Israel se congregarão, e constituirão sobre si uma só cabeça, e subirão da terra, porque grande será o dia de Jezreel.

Oséias 1:10,11

Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração.
E lhe darei, dali, as suas vinhas e o vale de Acor por porta de esperança; será ela obsequiosa como nos dias da sua mocidade e como no dia em que subiu da terra do Egito.
Naquele dia, diz o Senhor, ela me chamará: Meu marido e já não me chamará: Meu Baal.
Da sua boca tirarei os nomes dos baalins, e não mais se lembrará desses nomes.
Naquele dia, farei a 
favor dela aliança com as bestas-feras do campo, e coas aves do céu, e com os répteis da terra; e tirarei desta o arco, e a espada, e a guerra e farei o meu povo repousar em segurança.
Desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias;
desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao Senhor.
Naquele dia, eu serei obsequioso, diz o Senhor, obsequioso aos céus, e estes, à terra;
a terra, obsequiosa ao trigo, e ao vinho, e ao óleo; e estes, a Jezreel.
Semearei Israel para mim na terra e compadecer-me-ei da Desfavorecida; e a Não-Meu-Povo direi: Tu és o meu povo! Ele dirá: Tu és o meu Deus!

Oséias 2:14-23

Irei e voltarei para o meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles angustiados, cedo me buscarão, dizendo:

Oséias 5:15

Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará.
Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele.
Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.
Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa.
Por isso, os abati por meio dos profetas; pela palavra da minha boca, os matei; e os meus juízos sairão como a luz.
Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.

Oséias 6:1-6

Porquanto Efraim multiplicou altares para pecar, estes lhe foram para pecar.
Embora eu lhe escreva a minha lei em dez mil preceitos, estes seriam tidos como coisa estranha.
Amam o sacrifício; por isso, sacrificam, pois gostam de carne e a comem, mas o Senhor não os aceita; agora, se lembrará da sua iniquidade e lhes castigará o pecado; eles voltarão para o Egito.
Porque Israel se esqueceu do seu Criador e edificou palácios, e Judá multiplicou cidades fortes; mas eu enviarei fogo contra as suas cidades, fogo que consumirá os seus palácios.

Oséias 8:11-14

O profeta é sentinela contra Efraim, ao lado de meu Deus, laço do passarinheiro em todos os seus caminhos e inimizade na casa do seu Deus.

Oséias 9:8

Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho.
Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura.
Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava.
Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer.

Oséias 11:1-4

Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem.
Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira.
Andarão após o Senhor; este bramará como leão, e, bramando, os filhos, tremendo, virão do Ocidente;
tremendo, virão, como passarinhos, os do Egito, e, como pombas, os da terra da Assíria, e os farei habitar em suas próprias casas, diz o Senhor.
Efraim me cercou por meio de mentiras, e a casa de Israel, com engano; mas Judá ainda domina com Deus e é fiel com o Santo.

Oséias 11:8-12

O Senhor também com Judá tem contenda e castigará Jacó segundo o seu proceder; segundo as suas obras, o recompensará.
No ventre, pegou do calcanhar de seu irmão; no vigor da sua idade, lutou com Deus;
lutou com o anjo e prevaleceu; chorou e lhe pediu mercê; em Betel, achou a Deus, e ali falou Deus conosco.
O Senhor, o Deus dos Exércitos, o Senhor é o seu nome;
converte-te a teu Deus, guarda o amor e o juízo e no teu Deus espera sempre.

Oséias 12:2-6

Todavia, eu sou o Senhor, teu Deus, desde a terra do Egito; portanto, não conhecerás outro deus além de mim, porque não há salvador, senão eu.
Eu te conheci no deserto, em terra muito seca.
Quando tinham pasto, eles se fartaram, e, uma vez fartos, ensoberbeceu-se-lhes o coração; por isso, se esqueceram de mim.

Oséias 13:4-6

Eu os remirei do poder do inferno e os resgatarei da morte; onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua destruição? Meus olhos não veem em mim arrependimento algum.

Oséias 13:14

Volta, ó Israel, para o Senhor, teu Deus, porque, pelos teus pecados, estás caído.
Tende convosco palavras de arrependimento e convertei-vos ao Senhor; dizei-lhe: Perdoa toda iniquidade, aceita o que é bom e, em vez de novilhos, os sacrifícios dos nossos lábios.
A Assíria já não nos salvará, não iremos montados em cavalos e não mais diremos à obra das nossas mãos: tu és o nosso Deus; por ti o órfão alcançará misericórdia.
Curarei a sua infidelidade, eu de mim mesmo os amarei, porque a minha ira se apartou deles.
Serei para Israel como orvalho, ele florescerá como o lírio e lançará as suas raízes como o cedro do Líbano.
Estender-se-ão os seus ramos, o seu esplendor será como o da oliveira, e sua fragrância, como a do Líbano.
Os que se assentam de novo à sua sombra voltarão; serão vivificados como o cereal e florescerão como a vide; a sua fama será como a do vinho do Líbano.
Ó Efraim, que tenho eu com os ídolos? Eu te ouvirei e cuidarei de ti; sou como o cipreste verde; de mim procede o teu fruto.
Quem é sábio, que entenda estas coisas; quem é prudente, que as saiba, porque os caminhos do Senhor são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão.

Oséias 14:1-9

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Jó capítulo 13

 Eis que tudo viram olhos meus e ouviram ouvidos meus e entenderam isso.


Como sabem vocês sei também eu. Não inferior eu como a vocês.

Mas eu ao Todo-Poderoso falarei e ponderar com Deus desejarei.

Mas vocês inventores de mentiras e fantasmas de louvar o nada.

Quem dera calar se calassem! Seria a sabedoria de vocês.

Escutem a minha censura e ao litígio de meus lábios estejam atentos.

Porventura por Deus falareis iniquidade e por ele falareis traições?

Levantareis vossa face diante de Deus litigiando?

Que bom que esquadrinhasse vocês. Ou como se zomba de um qualquer, zombaríeis dEle?

Repreender repreenderá vocês, se entre faces fizerdes separação.

A majestade dEle não espantará vocês?
E o seu temor não cairá sobre vocês?

Memórias de vocês, provérbios de cinza,  a respeito de argila a grandeza de vocês.

Calai-vos perante mim. Falarei eu venha sobre mim o que vier.

sábado, 17 de outubro de 2020

Evangelho/Evangélico - Final

 3. Evangelho de Lucas: aborda genealogia num contexto diferente em relação a Mateus. Este deseja alinhar, por múltiplos de sete,  14 + 14 + 14, os ascendentes de Jesus, citando nomes-chave de sua genealogia. Lucas vai focá-la somente no cap. 3, dando outra ênfase à abertura de seu livro. 

     Vai priorizar o grupo que aguardava o cumprimento das profecias do Antigo Testamento, na melhor distinção do que Pedro comenta sobre o surpreendente de Deus: 

     "Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar. 1 Pedro 1:10-12.

    Por isso encontramos, no início de seu Evangelho, personagens como Zacarias e Isabel, os pais de João Batista, assim como José e Maria, sobre quem Lucas vai concentrar seu foco.

     Dele, reconhecido pelas características que ele mesmo indica, de detalhado investigador de tudo o que escreve, nas palavras dele "acurada investigação de tudo desde sua origem", é que vai nos transmitir o relato da entrevista de Maria com o anjo que lhe anuncia sua gravidez. 

     Maria é a virgem de quem Isaías prontamente profetisa: "Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel". Isaías 7:14. Daí dizermos que, nessa entrevista, Maria se assusta três vezes:

1. Com a simples aparição do anjo Gabriel em seus aposentos;

2. Com a distinção de que era agraciada, sem ainda conhecer as razões por quê;

3. E, para finalizar, quando o anjo arremata seu recado, mencionando a gravidez.

     O "como será isso, de Maria", em tom de esclarecimento, e não de contestação, como foi a mesma pergunta feita por Zacarias, permite que conheçamos, com detalhe, pela palavra do médico Lucas, o modo como Jesus foi gerado, gestado e nascido: 

     "E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus". Lucas 1:34,35.

     Pelo texto, compreendemos de que depende o evangelho e a que se refere, en função de sua principal personalidade:

1. a presença do Espírito Santo, assim como a virtude do Altruísmo, definem o modelo de geração de Jesus;

2. Por essa razão, ele é autenticamente chamado, uma vez nascido de mulher, porém gerado por Deus, Filho de Deus.

     A personalidade de Jesus está diretamente associada ao evangelho. Somente ele poderia, a um só tempo, anunciar e cumprir a proposta de sua mensagem, uma vez que, como diz a carta aos Hebreus 12,2, Jesus é "autor e consumador" da fé. 

     Lucas, o médico amado, como a ele se refere Paulo, faz questão de mostrar esse lado humano, incluído o relato da manjedoura, a apresentação do bebê no templo, o menino Jesus com os doutores, etapa a etapa o desenvolvimento do homem perfeito, o segundo Adão sem pecado, ao qual Paulo Apóstolo se refere. 

     Uma cena que bem simboliza o foco de Lucas, é como céu e terra, anjos e pastores, juntos celebram a solução divina para a queda hunana e a chance de reconciliação concedida por Deus. 

     A eles foi anunciado que, por um pouco, deixassem o gado nas campinas e corressem a ver o menino enkvolto em panos, de certa forma aceito, de outra forma rejeitado. Convite a crer e a enxergar a glória de Deus. 

4. Evangelho de João: este apóstolo dá um salto acima. Se o três Evangelhos anteriores são chamados sinóticos, ou seja, que veem por uma ótica comum a sucessão da história de Jesus, João avança até antes de Jesus ter nascido, para apresentá-lo como o Verbo de Deus. 

     Como se dissesse que a ação do Pai é somente uma, manifestada na revelação em e por meio de Jesus: "Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou". João 1:18.

       A noção grega do Logos representava um avanço em relação à fase intuitiva de, por exemplo, encarar cada manifestação da natureza como ação de Zeus, o deus supremo do Olimpo, na mitologia.

   O Logos era uma explicação mais racional para a organização do cosmos, na qual estava incluída tanto a sua concepção inteligente, como uma explicação mais definida, mais "científica", dos fenômenos naturais. 

    João, a partir de sua argumentação, assume a definição grega de Logos, Verbo, Palavra, esse princípio ordenador do cosmos, para dizer que, sim, no princípio era o Logos, o Verbo, porém, com uma correção, era propriedade de Deus e, avançando, João diz que não há "um Verbo", ou um Logos, mas que "o" Verbo, o Logos é Deus:

     "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. João 1:1-3.

     Dessa forma, João inicia seu Evangelho. Indica as origens eternas do Verbo de Deus, identificando-o como Deus e afirmando ser Jesus o Verbo que se fez carne:  "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade". João 1:14.

     E logo passa a discorrer sobre sua identificação entre nós, por meio de João Batista, que aponta Jesus como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, sendo o Batista um sacerdote fora de função, como Ezequiel e Jeremias, que confirma a vinda de Jesus e o indica como quem batiza no Espírito Santo. 

     Foi dessa maneira, enquadrado pela turma de Jerusalém, que veio reprová-lo por praticar o ritual peculiar, com exclusividade, aos sacerdotes, de dentro do templo, para fora, a que chamou "batismo de arrependimento", ele os desafiou a identificar entre eles o Messias prometido, por eles ignorado.

     E ainda foi surpreendido por Jesus, que veio por ele ser támbem batizado, ao mesmo tempo legitimando o batismo de João, quanto, definitivamente, demonstrando que sua identificação com o ser humano é total, exceto no pecado. 

    O evangelho, em João, está associado com a salvação que Deus, em Pessoa, realiza, encarnado  como Filho, que batiza no Espírito Santo. Toda a Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo empenhados em salvar, em Cristo, por meio do evangelho:

    "Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória". Efésios 1:13,14.