quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Crônicas de uma vida XV - Encantos de criança

       Desta vez o culto na Congregacional de Nilópolis seguia seu curso dominical. Assaltei a carteira de Dorcas por razão incontida. Algo que me fascinava.

      Domingos de junho, caminhávamos a pé, como por qualquer outro domingo, subindo o morro da Dr. Rufino. Era o caminho natural até à igreja. Ora, fazíamos essa rota desde os tempos em que tínhamos que subir ziguezagueando os sulcos abertos pela enxurrada, assim como contornando as poças de água.

      Ou poderíamos seguir direto pela Osvaldo Cruz, dobrar à esquerda lá adiante na Av. Carmela Dutra, altura da antiga cancela, caminhar até à famosa praça, contexto das conquistas amorosas, tanto de Cid, quanto de Dante Santos, e subir a Mena Barreto.

      De qualquer modo, meus olhos de criança não se cansavam de apreciar e, a cada oportunidade, eu retardava os passos, "Vamos, Cid Mauro, anda, anda (aqui, seria cuida, cuida), menino: já estamos atrasados!", para ver aquelas barraquinhas de venda de fogos de artifício, improvisadas numa forma artesanal já tradicional, no portão das casas. Era um meio muito usual de alguns faturarem algum e facilitar a queima de fogos (e dinheiro) por parte de outros. 

        Por cima da parte retangular, a forma clássica de um telhadinho de imitação, em forma de triângulo equilátero, encimando um caixote invertido, com prateleirinhas onde, olha, gente, ficavam expostos, naquela dobradura padrão o produto à venda:

       Balões japoneses, bombinhas (traque, aqui no Acre), cabeções de nego (aqui, bomba), mas desses eu não sonhava comprar, era para maiores de 14 anos, estrelinhas, estalinhos, cobrinhas, barbantinho cheiroso (ou peido alemão, no nome popular), este meio sem graça, só usado para perturbar professores e alunos em sala de aula.

         E já ia me esquecendo do buscapé. Era, para mim, um tipo mais remoto que, nessa faixa de idade, era para adultos soltarem. A minha imaginação percorria cada modelo desses fogos de artifício, pré-selecionando aqueles de menos perigo, inocentes para a nossa idade. Fascinavam-me! E os balões? Já mencionada a permanente carestia, Cid, de vez em quando, comprava balões nessa época. Ao recebê-lo em Cascadura (onde fiquei até os 10 anos, em 1967), chegado do IBGE, pelo trem da Central, eu sempre perguntava a ele: "Trouxe alguma coisa pra mim?".

       Desde quitutes, como as rosquinhas amanteigadas (nunca encontrei outras com aquele mesmo gosto da infância!) que comprava por ali, nos meandros, ruelas, becos e ruas do Centro da Cidade, como a ela nos referíamos (caminhos secretos que só meu pai conhecia, a essa altura da vida trilhando havia 30 anos, desde 1934, essas rotas), quando ele procurava seus produtos da Macrobiótica. Lembrava-se do pedido do filho, então trazia, entre outros, biscoitos de polvilho, que poderia ser o famoso e tradicional Globo, vendido até na Geral e Arquibancada do Maracanã ou os balões japoneses, papel seda, dobradinhos, bucha cuidadosamente sobreposta, ah, aquele cheirinho característico de material inflamável, feito de cera e parafina. Quando íamos, eventualmente, ao Servidores (hospital HSE) para consultas e, se fosse o Cid, invariavelmente, pegaríamos o trem da Central, pedia a ele (assim como também ensinei a Dorcas esse atalho) passar numa lojinha bem ali, por detrás do antigo Ministério da Guerra, rua transversal à Senador Pompeu, onde havia fogos, de modo geral mas, especial e especificamente, balões japoneses à minha espera. Dependia, às vezes, do grau de enfermidade e prostração do garoto, para que desse certo o feitiço do desvio de rota para a compra dos balões: com Cid, o pai, dava mais certo, tiro e queda.

      Voltando às barraquinhas, todas, gente, muito lindo!, iluminadas por uma lanterna sanfonada, multicor, com uma vela dentro, dependurada, chamariz da freguesia, especialmente gente da minha idade, assim como engenhosa forma de iluminar as mercadorias. Num tempo de recente aposentadoria para a chamada "luz de galeria" (ou seria "luz de cabine"), de lâmpadas incandescentes ainda amareladas, que presenciei em visitas a recantos da baixada como Éden, Belford Roxo, Japeri, Andrade Araújo, entre outros, a iluminação urbana ainda menos potente, de eventuais postes, com aquela característica bandeja ondulada e arredondada invertida, no meio encaixado o bocal, com uma lâmpada enorme, talvez 200 w, essa luz difusa conferia chance de um charme indecifrável àquelas lanterninhas juninas.

     Pois foi exatamente, na casa ao lado, vejam bem se não era, para usar mal um termo, uma tentação de absoluta inocência para um menino, colocarem uma dessas barraquinhas ao lado da Congregacional de Nilópolis, grudada, grudadíssima ao muro, limites extremos, num domingo de São João, São Pedro, não importa o santo, todos evangélicos, tudo no contexto. Eu notei mais esta barraquinha. Guardei comigo esse segredo, oh, tentação que não me abandonou e, por ela, armei a treta.

     Enquanto cantavam, oravam, nem sei, assaltei a carteira de Dorcas e, coisa raríssima, encontrei, desta vez, diferente daquela vermelhinha do ilícito da merendeira, uma nota amarelinha, não menos valiosa porque, se aquela fora de 5, esta era de 1 mil. Saí pela porta lateral. Ora, para Dorcas não notar, muito provavelmente o que distraía, ou melhor, concentrava a atenção (dos adultos, é claro) deveria ser uma oração.

      Escapuli pela plataforma frontal ao parapeito do muro, parte direita de quem olha da rua o velho templo, desci as escadas, dobrei à esquerda, pus-me de pé, defronte da barraquinha, não sei bem o que escolhi, acho que uma caixa de estalinhos, puxei a nota do bolso, muito provavelmente, de novo, um shorts de linho branco, confeccionado por Dorcas de sobras das camisas de Cid, para pagamento. 

      A moça fingiu que aceitou, não dava para, matematicamente, talvez nem calcular ou providenciar troco para uma fração de centavos em milhares, mais precisamente, 1 mil. O produto adquirido era para moedas, quem sabe a nota de 5 cruzeiros. Eu me distrai por ali mesmo, na calçada, sem dar muita atenção ao movimento da vizinha que, pelo montante do dinheiro e feitio da nota, notou que o menino estava fortuito, indigente, por conta própria escapando da vigilância da mãe, proveniente da igreja de crente ali ao lado.

        Que mulher inteligente! Quanta (desnecessária) dedução! Alguém alertado veio me buscar, entregaram-me a Dorcas, a delação surtiu efeito, nem sei bem se foi ela mesma, a mãe, que veio me buscar. A nota foi devolvida, não, a moça não se importava com o produto, que ou nem se pagasse depois. Também não me lembro se houve beliscão, lembrem, punição intermediária entre uma bronca no jeito, dum lado, ou uns tapas bem dados lá nos fundos da igreja, às vezes no banheiro, no outro extremo. Aos costumes.

       Desnecessária, absolutamente desnecessária a delação. Tudo poderia ter sido muito bem contornado de outra forma. O culto seguiu seu curso. O produto adquirido foi guardado. O menino que estava na calçada com uma nota de miles para comprar centavos era o Cid Mauro, para variar, alguém deve ter notificado Dorcas. O sermão (para usar um termo do contexto) de sempre, doutrinação, uma ou outra ameaça e recomendações, vida que segue. Até a próxima arte, ainda desse tempo de primeira infância, em Nilópolis.

Desta casa na esquina, subíamos esse morro
da Dr. Rufino, à direita, pura terra (ou lama) na época.

Não encontrei na net nenhuma foto, mas alguém desenhou 
este esboço das célebres barraquinhas da São João.

Balão japonês em plena performance

Estalinhos

Bombinhas (no Rio),  traques (no Acre)

Cabeção de nego (no Rio), bombinha (no Acre)


Luminária e prato das lâmpadas enormes de 200 w


Dinheiro grande, ordem de milhar, para adquirir
o que moedinhas podiam comprar.

Nota de 5 cruzeiros também mencionada
(que por falar nisto, estampa o Barão do Rio Branco).

Pura coincidência, duas conduções do Cid, meu pai, 
que também me iniciou nelas: o bonde de 
Cascadura e o trem da Central do Brasil.

Rua Visc.da Gávea (sentido Mal. Floriano): esses relevos
no muro marcam a antiga entrada da lojinha 
onde os balões me esperavam.

A mesma rua, agora no sentido Senador Pompeu: rota do Hospital
dos Servidores, na década de 60, e ida e volta ao Seminário, na
Alexandre Mackenzie, quase 20 anos depois, 1978-1981.

Geral do Maracanã. Ah, sim, também
pura coincidência esse camisa 10...

Um dos agrados do Cid ao filho,
também vendidos no Maracanã

Mais ou menos assim: nem forma,
nem jeito, nem gosto, nem cheiro 
dos amanteigados anos 60...

Praça cúmplice dos romances de duas
filhas da avó Eunice: um com Cid, meu
pai, e o outro com Dante Santos, o gozador da hora.

Numa outra tomada, a praça Paulo de Frontin, cena dos
romances das décadas 50/60, quando Nilópolis tinha, mais 
ou menos, esta cara abaixo:

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Crônicas de uma vida XIV - Didática de Dorcas

          Rapaz, há brincadeiras que a memória faz com a gente que, nessas horas, eu me arrependo de não ter guardado mais retalhos do passado ou mesmo ter escrito um diário.

      Desse meu primeiro Jardim de Infância, no Clube dos Suboficiais e Sargentos da Aeronáutica, ali na Ernani Cardoso, bem em frente à entrada da Mendes de Aguiar, tenho na memória pelo menos uma cena da professora e meus colegas, da qual e dos quais não lembro nenhum nome.

       Aquelas mesinhas antigas, com quatro cadeirinhas, e aquela professorinha amável, -inha até no tamanho, cabelinho curtinho, cortadinho rente aos ombros, tudo -inho nessa época.

      Acho que Dorcas já havia começado seu curso normal no Sto Ângelo, em Nilópolis, por sinal, encontrei seu convite de formatura. A turma convidou o Rev. Theodoro José dos Santos para pregar na formatura. Na época de minha internação no HSE, junho a setembro de 1967, ele era o Capelão Evangélico do hospital.

       Nessa experiência do Jardim, ali no Clube dos Sargentos, como era mais conhecido, quem me apanhava e levava para casa, pastorando o menino, era d. Luíza, a portuguesa amiga e vizinha. Mais tarde fui matriculado no já mencionado Instituto Filgueiras, em Nilópolis.

       Uniforme ridículo, para meninos. Moda infeliz. Olha que pesquisei na net, moda masculina, e não encontrei o tal modelito. Mas sabe aquele calção que afofa, preso às coxas por elásticos, apoiado por suspensórios nos ombros, cara, com 5/6 anos, uma criança, e já tinha implicância com esse mau gosto.

        Certa vez, fui com um conjuntinho, ora, desta vez lembro até a cor, verde-musgo e, sumo azar, tive um brutal piriri. Foi-se a roupa de baixo, emporcalhada. Na ocasião, sumo azar, justo num dia que havia deixado em casa a farda ridícula, a professora emprestou-me uma de reserva, sem roupa de baixo, sem fecho éclair (como se chamava zíper naquela época), sem droga nenhuma de arremate que fechasse, por isso mesmo era um uniforme emergencial, e fui eu pela rua, do Instituto Filgueiras até a Osvaldo Cruz, 306, do outro lado da linha do trem, onde morava minha avó  materna Eunice.

       Pasta posta atrás, era imensa, para resguardar o traseiro, aquela fofura ridícula no alto da coxa, suspensórios apoiados nos ombros, atravessei a antiga cancela de Nilópolis, cortornando as poças de lama, da rua não urbanizada na época. Não sei por que cargas d'água, como dizia meu pai, Dorcas não foi me buscar naquele dia. Ora, ir para a casa da avó era o máximo. Leila, Gislaine, Onésimo, Miriam e a mais séria de todas, Eunice (filha) era pura esculhambação, brincadeira e gozações. Que me deixassem lá, que me esquecessem, que me errassem, por lá.

        Do mesmo modo, lembro cenas do Jardim de Infância do Instituto Filgueiras, o rosto da professora, mas não me lembro de nomes. Nem do colega da nota de 5 mil. Bela lição de Dorcas. Chegado a Cascadura, a casa, minha mãe me chamou: "Cid Mauro!". Sabem quando, pelo tom, já se sabe que não era boa coisa? Tratava-se de minha merendeira amarela. Também lembro dela, formato e cor.

      Na verdade, levava minha merenda mesmo no papel de pão, aquele acinzentado, anos 40/50/60. Mas os colegas tinham suas merendeiras e, na hora do recreio, forravam-se as carteirinhas com as toalhinhas e cada qual colocava seu lanche sobre a mesinha. Eles apresentavam seus modelos de merendeiras, cada uma de seu formato e cor requintados, mas era aquela história do orçamento: esse material escolar era supérfluo para nosso nível econômico.

       Pois Dorcas achou a nota de 5 mil cruzeiros dentro da merendeira, esquecida. Tão sem malícia ela foi parar lá dentro, que eu até havia esquecido dela. Não. Não fora sem malícia. Então entrou a maestria de Dorcas como mãe. "Cid Mauro, que dinheiro é este?". Olhos arregalados, digressão estudada do menino de 5 anos, bem, mãe, é do meu colega. Estava em cima da carteira (escolar, mesinha do Jardim) dele, ele ia perder mesmo...

        Dorcas colocou os pingos nos ii: "Você sabe o nome disto?". Cortou fundo, nessa cirurgia. É roubo, ela disse. "Não, mãe!", o menino redarguiu muito assustado. Pois é, ela reiterou. "Ele sabe que você pegou?". Não. E quando a mãe dele procurar, ele  vai dizer o quê? Era a prova de que havia colegas mais abastados do que eu naquele Jardim: uma nota de 5 mil assim, na mão de crianças. Dele, como dono; na minha, como surrupião.

         Era muito argumento para minha estatura de gente. Ajoelhei, como ela pediu, ali mesmo, no quarto do ap 102 de Cascadura, em meio aos móveis "estilo Brasília" de arquitetura, para pedir perdão a Deus. Por enquanto, a primeira atitude seria essa. No dia seguinte, as demais providências, seriam Dorcas, mesmo com seu uniforme de normalista, levar-me ao Filgueiras, atrasando sua própria aula, chamar professora e mãe do colega, colocar-me diante de todos os três, para formalizar a confissão do erro e o pedido de desculpas. 

      Isso posto, isso feito. A mãe do colega contemporizou, Dorcas discordou, assinalando e frisando o tamanho do erro, e tudo ficou resolvido. Por aqui ficamos restando, noutra oportunidade, narrar mais uma investida, desta vez na bolsa de Dorcas, para outra arte com dinheiro. Haja doutrinação.

Clube dos Sargentos, assim conhecido

Uniforme (farda, no Acre): 
Jardim de Infância do Instituto Filgueiras

Mais ou menos assim
Nota não muito positiva
de minha biografia


Cancela de Nilópolis

 Osvaldo Cruz 306: a casa com placa de VENDO 
era essa de nossa avó: paraíso para todos os netos

Já vendida e reformada, na  atualização do Google

Muro ainda da versão antiga

Hospital dos Servidores do Estado - HSE: nasci em 1957, 
operei fimose, garganta e adenoide, por aí, 1963/64/65, e lá 
me internei, junho a setembro de 1967, devido ao atropelamento

Pr. Theodoro José dos Santos e esposa, Olinda: 
chegou a carregar-me no colo, com gesso
imenso, do calcanhar à coxa, para as sessões
 dos filmes preto e brancos da Atlântida,
como lazer dessa internação.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Crônicas de uma vida XIII - A(in)cidentes acontecem

         Mais uma do Joaquim, mas não me perguntem se antes ou depois da agressão com o pedregulho que, por sua vez, foi (do verbo "deve ter sido") reação à pedregulhada que dei na porta de sua casa.

         Sem que eu esteja exagerando, este relato vai demonstrar que ele(s) é que era(m) exagerado(s). Fui à casa deles, essa mesmo que, pelo que deduzo, provavelmente deixou de ser um par geminado.

        Essa minha visita, talvez, tenha sido influenciada pelo meu lado, digamos, conciliador ou resto dele. O fato é que estávamos no quintal, na verdade a parte não cimentada atrás, área externa da casa. Acho que era um coqueiro que havia.

         E a manobra era sobre pegar cocos e as dificuldades para escalar o tronco de coqueiros. Havia mais um irmão, deste não me lembro o nome, mas não era nem o que me segurou, não acho que tenha sido o futuro esposo de Dora, sim, porque a filha única da portuguesa amiga e vizinha casou-se com um deles.

          Mas o fato é que esse irmão tentava subir para pegar cocos e havia um facão sobre a pia da cozinha, pronto para abrir os que fossem retirados. A memória sempre tem o perigo de refluir e inventar coisas, muitas vezes os detalhes desaparecem.

         Muito embora eu não tenha total isenção, por ser o narrador-personagem, o fato é que, sem eira nem beira, Joaquim tomou do facão, muito provavelmente um resquício de ódio represado (como vamos saber?) e ergueu-o contra mim. Não esperei para saber por que lógica aquela ponta me encarava e se erguia por sobre minha cara.

      Corri, mas corri muito, via-o e/ou sentia-o atrás, no vácuo, deduzindo a investidura ameaçadora da arma branca contra minhas costas. Desabalei pelo acesso ao portão da frente, pequeno corredor que ladeava a casa, saí pelo portão da casa dele, precipitei-me na rua, decrevi um curva que, ao mesmo tempo que me fazia afastar-me, projetando-me para fora da calçada,  ele no meu encalço, porque era necessário guinar abruptamente à esquerda para, ao mesmo tempo, sair da rua, de novo para a calçada, agora em direção ao meu portão.

       Não fui perseguido até o meu portão. Percebi, por instinto ou reflexo, o que funciona nessas horas, que ele não mais me perseguia. Ora, deve ter sido, evidentemente, pura curtição, usando o termo de hoje. Ergueu ameaçadoramente o maior facão da cozinha  que, hipoteticamente, serviria para abrir cocos, contra mim, porém por pura curtição. Internei-me refúgio adentro do corredor de minha casa.

      E, se o efeito era assustar-me, mais ainda, terrificar-me, aterrorizar-me, Joaquim conseguiu. Nunca mais usei com ele meu espírito conciliador. Serviu para classificar esse meu vizinho de louco. Nem digo que o fosse. Foi por margem de segurança. 

       Se também não me falha a memória, lenda urbana, contava-se na escola que o pai deles, militar do exército, usava a fivela de seu cinturão para discipliná-los. E a vizinhança sabia, pelos gritos ouvidos. Joaquim e o irmão estudavam na Paraná. Por isso, a razão das conversas ouvido a ouvido. Allegro ma non troppo, ainda uma última da família, foi a visita, não sei se no hospital ou na própria casa da vizinhança, aliás, o que era muito corriqueiro de meus pais, devido a um (in)acidente com o irmão do Joaquim, aquele acima do que me travou no dia do ilícito delinquente.

       Ora, mas vejam o incidente. Ele, o mesmo terceiro irmão do dia fa(cão)tídico, subiu no coqueiro, embora da outra vez, do dia da corrida desabalada, com facão em riste, esperando o uso lícito, desta vez ele deve ter tentando, com um cabo de vassoura, os dos anos 60 eram madeira pura, sem retoques. Deve ter cutucado o coco, o coco não caiu, encostou no tronco o toco, subiu pra pegar o coco, caiu bem em cima do toco de pau do cabo de vassoura. Sim: na posição que você está pensando.

          Isso mesmo. Uma ruma de vizinhos se mexeu. A correria fez todos afluírem ao portão de sua casa. Foi possível vê-lo carregado para um dos carros da vizinhança. Sabendo do sinistro, vê-lo hirto como tábua, conduzido pelos vizinhos, até o carro de socorro, foi assustador.

        Mas a corrente de solidariedade logo se impôs. Lá em casa, certamente, oramos por ele. A vizinhança era assim. Foi assim também, quando o vizinho defronte, outro corredor, este mais estreito, não era uma vila, apenas acesso, como o meu, a essa casa bem em frente, numa certa noite avistamos um clarão, era o Jeep dele totalmente tomado por chamas. Acorreram todos e pouco se pôde fazer.        

          Dia seguinte, fui conferir a ruína em cinzas que sobrou. Diz que ele chegou a se queimar, nada que lhe pusesse em risco a vida, tentando fazer o carro descer a rua, quem sabe, o vento contrário apagaria o fogo. Um desespero. Provavelmente, outra lenda urbana (o caso da tentativa do método de apagar o incêndio, mas houve comentário entre nós, lá em casa), sendo o restante aqui descrito um tiro certo da memória. 

       Por falar nisso, o homem do fogo foi o mesmo que engoliu o roach, que sujeito azarado, prendeu-se-lhe na garganta. Era um apetrecho cuja forma, composta por uma montagem de metal, nos contornos da arcada dentária, trazia embutidos, como prótese, os dentes ausentes. Cirurgiado, ele se refez. Sempre associado às duas tragédias, as melhoras desta última soubemos por terceiros.

       Típico da época, em que só o telefone preto fixo e enorme encurtava distâncias. 902395  foi o número CETEL, subsidiária que substituiu o monopólio e se tornou concorrente da CTB, a partir de 1965.

       Quando o Estado da Guanabara se tornou o que hoje é o município do Rio de Janeiro, em 1975, a CTB virou TELERJ, Telefones do Rio de Janeiro, até que em 1998, após o leilão da privatização do governo FHC, CETEL e TELERJ são absorvidas pela Telemar. Nosso número TELERJ foi 249-7756, mudado, após a ida para o Meier, para 597-7756. Usamos para falar com Dorcas até sua despedida, em 2016.

Cabos da vassoura antigos

Logotipo da CETEL
numa tampa de galeria.

Antiga ficha telefônica: depositada no 
aparelho, garantia minutos de conversa


Estilo do Jeep do vizinho incendiado

Logotipo da extinta CTB

O pretinho tradicional

O não menos tradicional Jeep

    
A antiga prótese estilo roach

A Telerj substitui a CTB

CETEL - 902395

Essa casa antiga, com esse corredor de acesso, conserva
o tipo comum da época: o vizinho do Jeep morava 
à direita. Segunda foto do sobrado amarelo abaixo. 

Por esse portão estreito, há mais de 50 anos atrás,
desabalei, para não ser cruelmente degolado.
Por ele também saiu carregado o rapaz do toco.

Neste local do sobrado amarelo havia uma casa antiga, 
com um acesso semelhante ao indicado acima, onde
residia o dono do Jeep.
    

domingo, 11 de novembro de 2018

      No Apocalipse, a primeira visão de João predispõe para todas as outras. Porque autentica o emissor da mensagem do livro, Jesus, e o destinatário da mensagem, as igrejas.

      É evidente que Jesus reúne em si todas as características necessárias para cumprir, em relação às igrejas, o seu papel, por excelência, de sumo pastor.

       Daí em cada carta às 7 igrejas, logo na introdução delas, a citação do atributo específico de Jesus que corresponde às necessitadas flagrantes de cada igreja.

       Conferir essa relação é descobrir aspetos comuns não apenas às sete igrejas, mas às igrejas de todas as épocas, relacionadas às capacidades de Jesus como Senhor da igreja e a solução dos problemas que elas enfrentam.

        JESUS                     IGREJAS

Conserva nas mãos
as 7 estrelas e anda         ÉFESO
em meio aos 7 can-
deeiros.

Primeiro/Último
         A/Z                        ESMIRNA
 Morto/Reviveu

Espada afiada de
  dois gumes                 PÉRGAMO
 
Olhos como chama
de fogo e pés como        TIATIRA
     bronze polido 

Tem os sete
espíritos e tem              SARDES
as sete estrelas 

     Verdadeira
 chave de Davi,
que abre, ninguem       FILADÉLFIA
 fecha; que se fecha,
   ninguém abre

   Testemunha
verdadeira e princípio   LAODICEIA
da criação de Deus

      E que cada igreja reconheça a avaliação que Jesus dela faz. Que avaliação Jesus faz de sua igreja? Que avaliação Jesus faz de você?

ÉFESO - perda de identidade: uma igreja que abandona o amor, deixa de ser igreja; um crente que perde o amor, nunca teve, provavelmente. Confira a identidade em 1 Jo 4,7-21.

ESMIRNA - tribulação, pobreza e sofrimento, neste mundo, enfim, total inconformismo a ele estão associados à identidade da igreja e do crente. É um grau de tribulação a enfrentar, como diz Tiago 1,2-4.

PÉRGAMO - para testemunhar a palavra de Jesus no mundo, com autenticidade, sempre vamos enfrentar oposição, perseguição e até risco de morte: 1 Tm 3,12.

TIATIRA - precisamos conferir doutrinas e os estilos de vida que nos recomendam, diante de Deus: devem ser postos à prova por meio da Bíblia, testando a capacidade de enxergar o falso ou aparentemente verdadeiro. Veja Cl 2,14-19.

SARDES - somente Jesus tem a capacidade de conhecer a diferença entre igreja viva/morta, entre ser verdadeiramente crente ou não. Nunca é tarde para saber. 2 Co 13,5.

FILADÉLFIA - pouca força própria, toda força no Senhor; autenticidade no testemunho; guardar a palavra e não negar o nome de Jesus é o que mantém uma porta aberta que nunca será fechada. Mt 16,18-19.

LAODICEIA - uma igreja na qual seus crentes fizeram a escolha ao inverso: não era aquela riqueza, nem roupa e nem óculos que permitiam enxergar o reino. João 3,3.

       Bom exercício fazer esta relação entre a capacidade de Jesus para conhecer cada problema de cada igreja e Sua única condição de resolvê-los.

      Isso nos alerta para avaliamos nossa condição como crentes e nos colocarmos, com seriedade, diante de Jesus para que ocorra o nosso aperfeiçoamento. Fp 3,12-16.


sábado, 10 de novembro de 2018

Crônicas de uma vida XII - Delinquência juvenil anos 60

       Acho que estou com mania de Paulo. Mas do irmão do Zé Mauro era esse o nome, com certeza. Quanto ao Preguinho, tenho dúvida.

     Talvez fosse Francisco. Ou este era o nome do irmão do Joaquim? Pois tinham outros irmãos, cujos apelidos eram Corró, um deles, Dodôra, uma delas.

      Moravam à esquerda daquele prédio que vocês já viram na foto, dois pavimentos geminados simetricamente: parte de baixo à direita de quem olha da rua, ladeando o corredor, d. Olga, seu Otávio, filhos e filhas.

       Na simetria, o andar de baixo à esquerda foi alugado por seu Nelson Celestino dos Santos e Maria da Glória, respetivamente irmão e irmã de Jeconias Celestino dos Santos e Oscarina, avós maternos de minha esposa.

     Em cima, à direita, muito lá atrás, na memória, os pais do Jorge. Mas, posteriormente, Neide e Lisâneas, que saíram do 202 fundos, em cima do 102 de Cid e Maninha. E quando saíram, deram lugar a Ieda e Mario, este filho do Dr. Mario e Santinha.

      Foram o pais de Mario Luís e Glaucia. Demorou Ieda sair para a maternidade, Mario saiu à rua, para buscar a ambulância (lembram deste nome?), mas não deu tempo: Dorcas amparou Mario Luís nos braços ali mesmo, no 202 da Mendes de Aguiar 90.

       Houve rodízio, saem Neide e Lisâneas do 202 fundos, para o sobrado alugado, em cima da parte própria de d. Olga, entram Cid e Dorcas nessa vaga. Por pouco tempo, descem para o 102, entram Mário e Ieda, onde nasce Mario Luís.

      Para o lado esquerdo, casas geminadas à esquerda do prédio, aí já era o corredor do outro lado, morava esse Joaquim, irmão do talvez Francisco e dos, com certeza, Corró e Dodôra. Certa vez, sempre contornando, por malabarismos, os déficits financeiros, ganhei um caminhão cegonha todinho de matéria plástica.

       Multicolorido, caramba, como também brinquei com ele. Durou muito. Era atraente, por causa da imitação de rampinha, para os carros subirem na parte de cima, a mesma que, por ajuste, permitia aos carros subirem na parte de baixo. Carroceria com engate, separava-se do truck à frente.

       Era 25 de dezembro, que deve ter sido ano antes, ano depois da tal compra da Caravana. Eu estava bem ali, na calçada defronte ao portão do corredor onde eu morava. Usava o meio-fio como guia das manobras do brinquedo novo, estreia no dia do Natal, era usual mostrarmos nossos brinquedos uns aos outros.

       Joaquim veio assuntar, embora eu desconfiasse de suas intenções, porque já lhe conhecia a fama, legal, ganhou, foi, essas coisas. Eu, ao mesmo tempo dava atenção, assim como lia uma certa provocação quando, de repente, esse meu vizinho deu um bico no brinquedo, por detrás, espalhando os carrinhos por todo o lado,  parte na rua, parte na própria calçada, desengatando carroceria e truck.

        Correu. Ganhou a direção de sua casa. Agora o corredor à esquerda do sobrado simétrico, acesso às casas geminadas da esquerda. Corri atrás. O velho homem, demônio íntimo, já estava despertado, eu já carregava um pedregulho à mão, que soltei, por pura raiva, aliás, arremessei à porta da casa, também uma das metades geminadas onde ele morava. Ele já havia se evadido, mas minha fúria ainda não.

     Voltei à rua, juntei os carrinhos, entrei, nem sei se alguém, sensibilizado, por ali, ajudou. Imediato, aqui a memória pode estar pregando das suas, mas fato garantindo, não sei se sequencial no mesmo dia, queixei-me ao irmão logo acima na idade. Era uma espécie de reclamação, um protesto, se bem que não tinha autoridade expressa e revelou-se cúmplice do irmão.

      Ali, na mesma cena do crime anterior, esse que penso ser o Francisco, imobilizou-me por trás, Joaquim apanhou um pedregulho do tope daquele que eu havia arremessado na porta da casa dele, caminhou na minha direção, arregalei olhos, enquanto ele hesitava em saber onde iria me agredir. Escolheu, tudo foi tão rápido, que nem pensei em qualquer reação: acertou-me o lábio que, imprensado ao dente, feriu-se e sangrou.

      O mais velho me largou, os dois se encaminharam à sua casa, desta vez não reagi, talvez temendo o mais velho: era uma escadinha, eu no meio, Joaquim o mais novo. Quer dizer que, com o mais novo, eu me avistava mas, com o acima de mim, me acovardava. Dorcas tinha razão: era melhor eu me afastar de toda a doce delinquência desses anos dourados.

Mais ou menos deste jeito

Conjunto dos quatro Aps, Olga embaixo à direita;
Maria da Glória, embaixo à esquerda. Joaquim
e família, casa geminada à esquerda, corredor
de acesso com portão menor acinzentado.

Crônicas de uma vida XI - Alhures, quer dizer, esparsas memorias.

         Creio que já ter chegado a 10 crônicas permite uma reflexão. E, quem sabe, estabelecer um procedimento: de dez em dez, parar para refletir. E, quem sabe, de novo, encetar diálogo com hipotéticos leitores.

        Sobre o título, lembra-me os 16 anos como professor de língua portuguesa no CERB, depois, CEBRB, enfim, muito antes Lourenço Filho, depois CESEME ali, na Praça Mal Floriano ou Plácido de Castro, mais tarde, da Revolução, quando nos divertíamos, sempre que possível, em sala de aula. Colégio Estadual Barão do Rio Branco, Rio Branco, Acre.

       E lecionar pronomes indefinidos era divertido, ainda quando eu usava essa trinca machadiana, alhures, algures e nenhures. Mas vamos logo aos excertos, se preferirem, na verdade fatos esparsos colhidos aqui e ali na rede da memória.

1. Cascadura. Vizinhos. Já mencionamos José  Mauro, Luís Carlos e Alberto. Aliás, com relação a este, a razão de eu ser Flamengo, mais uma (de poucas) virtude. O pai dele, Milton, infelizmente, mais tarde tendo se ausentado da família, apresentou-me à Favela do Pinto, antiga comunidade colada no morro de mesmo nome, às margens da Cacopenipem, Lagoa das raízes chatas, que ficava na região de terras de Sapopenipã, para plantio de cana-de-açúcar, mais tarde Lagoa dos Socós, aves comuns por ali, todo perímetro empossado por Rodrigo de Freitas, na metade do séc XVII. Tudo isso para dizer que sou flamenguista. Vão bem essas memórias. Na verdade, uma laguna, por causa da saída para o mar ali, no Jardim de Alá.

2. Favelas do Pinto, Ilha das Dragas e Catacumba, respetivamente 15.000, 2.500 e 9.500 habitantes, foram transferidas para abrigos da Fundação Leão XIII, conjunto Cruzada São Sebastião e, mais tarde, para conjuntos habitacionais na Cidade Alta, em Cordovil, próximo à Av. Brasil, e Cidade de Deus, Jacarepaguá, zona oeste, e um grupo também em Vila Kenedy, Av. Brasil. O motivo foi um incêndio suspeito, em 11/5/1969, que acabou por liberar um dos metros quadrados mais valorizados da cidade, em torno do Leblon e Lagoa.

3. Acho que seu Milton brincou com minha ignorância. Mas é porque o Estádio do Flamengo situava-se na fronteira desse povo e, com apelido Urubu, a massa negra da torcida-nação, com muita honra, assim se auto-intitula. Sim, está aí a explicação: de pai torcedor do América, o pai do colega de infância ganhou na influência.

4. O dia em que atirei, puro desatino, uma lata com água, "pensa rápido", brincadeira idiota daqueles tempos, acertando (e quebrando) o dente de Shirley, que não pensou rápido e ganhou com a lata na fuça, outro termo da época. Ponto negativo para mim. Brincávamos na garagem, que não era ocupada por carro nenhum, daí ser um paraíso de quinquilharias para a petizada. Fica à direita de quem olha a foto da casa da esquerda, tomando as geminadas do Preguinho como referência.

5. O dia em que, outra mania de criança, em companhia de Alberto e Luís Carlos, triturávamos tijolos, batendo pedra menor sobre paralelepípedos, que sobravam do calçamento antigo da Mendes de Aguiar, para fazer "pozinho". Não, nada a ver com o pó, ainda não distribuído em larga escala nos anos 60. Colocávamos em chapinhas de refri, Crush, Grapette, Guaraná Antarctica, para inventar estivas (como chamam no Acre) de armazéns miniaturas. Os soldadinhos, aqueles mesmos, com os cowboys, tomavam de conta, antes do devastador ataque dos peles vermelhas.

6. Sei lá que encrenca houve, eu acho que Luís Carlos chutou, por pura implicância, o apoio, que era o paralelepípedo, eu corri atrás dele, até à entrada das casas geminadas, veja bem, as do lado direito da Vila, acertei-lhe uma pedrada nas costas, retornei vingado. Daí a instantes veio Preguinho, que nunca soubemos por que o apelido, porque era o maior da vizinhança, tamanho acima da idade e um brutamontes muito parecido, inclusive, com o Frankenstein. Tomando as dores do mulatinho, ameaçou-me com uma pedrada também, corri, entrei pelo corredor buscando refúgio, senti a pedra bater, zunindo, na parte de trás do crânio, certifiquei-me de que o perigo já havia passado, retornei à rua. Nem sei se Luís Carlos mesmo, sim, porque essas brigas tinham curto prazo de validade, notou o sangue escorrendo. Pus a não na cabeça, retirei-a manchada, desabalei chorando pelo corredor, na janela do quarto Dorcas veio checar, na da sala, ora, ora, Dr. Francisco, virei para mostrar o desespero, nem dava para ver, ora, esse amigo de Cid, doutor Francisco, talvez ele, mas um médico nos visitava naquela manhã. Com uma Gilette, raspou o cabelo em volta, mercurocromou, pôs um cotoquinho de esparadrapo, acalmei-me e voltei, com esse troféu, às brincadeiras. Mais tarde, a mãe de Preguinho chegou a saber, mandou o monstro de estimação pedir desculpa, até um riso, aquele mesmo, franknstênico, meio torto, ganhei dele. E as brincadeiras (e brigas eventuais) continuaram.

7. Aqui termina Alhures 1.

Lagoa, Nicola  Facchinetti
(1824-1900), óleo sobre madeira,
1884.

Lago Rodrigo de Freitas
hoje

Em 1965 - os aterros
começaram em 1808,
época da compra por
D. João VI ao antigo
 proprietário, Rodrigo de Freitas.

Canal do Jardim de Alah, comunicação
entre a lagoa e a praia, fronteira
entre Leblon e Ipanema.

A famosa 
Ponte do Jardim de Alah, 1958.

Jardim de Alah, anos 50.

"Quem bebe Grapette repete",
era o reclame (comercial) da época.

 "Fanta laranja" dos anos 60.

Esse era tradicional.

Favela do Pinto: o quadradinho lá ao fundo 
da foto é o campo do Flamengo

Conjunto Cruzada São Sebastião

Mercurocromo, o antigo.

Lâmina de barbear marca Gillette;
nome incorporado virou substantivo.

O velho esparadrapo.

Preguinho, acho que também era Paulo,
residia na casa da esquerda, dessas
duas geminadas, ao lado da Vila.



Evolução dos prédios do atual
Colégio Estadual |Barão do Rio Branco,
na Praça da Revolução, Rio Branco, AC.
Lecionei Língua Portuguesa (1998-2014).