Caro irmão Pastor Ezio:
Quero me dirigir ao irmão. Desculpe-me usar este recurso.
Mas será um modo, digamos, silencioso e reservado.
Tenho orado pelo irmão. Desde nosso encontro, meses atrás, quando estávamos combinando a possibilidade das aulas de hebraico, soube do estado de saúde de sua esposa.
Pois o irmão também deve ter conhecimento de que minha mãe, no período de 10/3 a 6/6 foi diagnosticada com essa mesma doença.
Acompanhei, no hospital, no Rio de Janeiro, dia a dia sua luta. Também aprouve ao Senhor convocá-la para o local onde, agora, também se encontra sua amada esposa.
Só mesmo reconhecermos que é verdadeiro que estão juntas, na presença do Pai, com Jesus, serve de consolo. Sabemos que elas cumpriram seu chamado, seu ministério e estão alegres, aguardando a ressurreição na vinda de Cristo, quando todos nos reencontraremos.
Pensei muito no casal de filhos do irmão. Enquanto que vivi meus, até agora, 59 anos ao lado de minha mãe, mesmo residindo no Acre há 21 anos, seus filhos separaram-se ainda jovens de sua querida mamãe.
Gostaria de deixar para eles uma palavra. A mãe deles e a minha tinham muito em comum. O amor delas e sua fidelidade ao ministério que receberam de Jesus. Caro Pastor, nos longos quase 2,5 meses que minha mãe esteve internada, com dificuldade de falar, imaginei quais teriam sido suas orações.
Deve ter orado muito por mim e minha família. Pois sua esposa deve também ter orado muito pelo irmão e seus filhos. Em minhas orações de agradecimento a Deus pela vida de minha mãe, eu pedi e peço muito a Deus que me torne parecido com ela.
Em três coisas: (1) no apego à Bíblia, pois ela era leitora assídua e constante; (2) na presença na igreja, que ela nunca abandonou e da qual nunca esteve longe, trabalhando incansavelmente, servindo aos irmãos, como a Dorcas (o nome dela) da Bíblia; (3) no cumprimento do ministério dado a ela pelo Senhor.
Dedico, em nome de Jesus, em oração, a vida de vocês ao Senhor. Que junto com o consolo venha um desejo permanente de que vocês sejam fiéis, como diz a Palavra, "firmes, constantes e abundantes na obra do Senhor".
Carreguem com vocês, permanentemente, a marca e o exemplo de sua esposa e mãe, assim como tenho pensado em, com minha vida, ter a mesma marca que minha amada mãe teve. E esse sentimento, como diz Paulo aos Filipenses, o desejo de, diante do Senhor, ser perfeito (Fp 3:12-16) nos acompanhe.
Desse modo, honraremos Jesus, em primeiro lugar, mas também seguiremos as pegadas que essas duas grandes mulheres deixaram atrás de si. Grande abraço. Precisando, entre em contato. Conte conosco em oração. Deus fortaleça e abençoe sua casa.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Pastorais em Filipenses
Como nasce uma igreja
Como nasce uma igreja? Alguns aspectos são subjetivos, enquanto
que outros são objetivos. Quando, em Atos, o autor se refere ao dilema de Paulo
e seus companheiros, procurando lugar para onde ir, com gana e sede de pregar o
evangelho, ele nos confronta com um aparente absurdo, ao afirmar que o Espírito
Santo "impedia de anunciar a palava" ou "não permitia"
definir-se um dado rumo, diante da opção de ir para ali ou acolá. Isto nos faz
refletir sobre:
1. uma igreja nasce da compulsão incontida para pregar o
evangelho: a beleza e urgência do evangelho, a necessidade, já implícita em sua
definição, de ser compartilhado deve ser o substrato que impulsiona o autêntico
discípulo de Cristo. Este é o aspecto subjetivo.
Ora, se, progressivamente, vem se perdendo a riqueza e
profundidade, a simplicidade e autenticidade do evangelho, se sua transposição
do seu livro-texto, a Bíblia, para a prática de seu compartilhamento, no face a
face, com homens e mulheres tem se tornado raro ou distorcida a mensagem,
colocada como acessório a outros interesses, nem pregação, resultado ou grupos
que surgirem em função do que for compartilhado serão autêntica igreja de
Cristo.
2. uma igreja nasce de opção consciente na escolha de um lugar definido,
onde as circunstâncias concorrerão para o sucesso final: comunidades surgem em
torno de ações bem definidas de compartilhamento do evangelho, quando laços de
comunhão se estabelecem e a relação entre os discípulos cumprem características
bem definidas. Este é o aspecto objetivo.
Em Atos, crentes perseguidos, ainda quando Saulo, segundo o autor,
assolava a igreja, tagarelavam sobre o evangelho com quem encontrassem, mesmo
em fuga. Paulo, nessa oportunidade, após viver a angústia por definir um lugar
onde pregar e estabelecer uma comunidade, enfrenta uma série de dificuldades
que, em outras circunstâncias, por exemplo, visto por ótica "racional", poderia parecer inapropriado insistir:
(a) a cidade escolhida não tinha a sinagoga que, como agregadora de
judeus e ponto obrigatório de estudo das Escrituras, facilitava a pregação e o
acolhimento; (b) um grupo reunido na beira do rio se constituiu em referencial
para o apóstolo; (c) uma jovem, numa estranha atitude de êxtase, diariamente
acompanhava Paulo e Silas, despertando a atenção de todos para eles, porém de
modo contraditório e negativo; (d) a repreensão de Paulo à mulher revela que
era possuída por um espírito enganador; (e) a articulação da mulher com homens
que a utilizavam como adivinha provoca a prisão dos dois missionários, por
intriga junto às autoridades romanas; (f) Paulo e Silas são açoitados e presos,
pondo-se a cantar na escuridão do cárcere, até que todo o quadro começa a
reverter-se, por influência direta do poder de Deus.
Essa foi a gênese de uma igreja, descrita em Atos 16:6-40. Algumas
lições, no contexto geral, precisamos contabilizar, observando como Paulo e
seus companheiros agiram, atentos ao resultado final, que se tratou da
consolidação de uma das comunidades mais maduras e rica em frutos da história
do Novo Testamento. Podemos concluir:
1. Situações de extrema dificuldade, quando parece que todos os fatores
são contrários à consolidação de uma comunidade, não se constituem em obstáculo
que impeçam seu florescimento;
2. O ponto de partida inicial para que uma comunidade se estabeleça é a
compulsão que determinados obreiros garantem sentir e constatar, que os conduz
a confirmar e impulsionar-se, com toda a certeza e garantia de que serão bem
sucedidos;
3. O compartilhamento do evangelho estabelece laços de amor entre
aqueles que o compartilham: quem se propõe a fazer, traz consigo traços do amor
de Deus, assim como se propõe a que outros experimentem esse mesmo amor e, uma
vez estabelecidos esses laços, está lançado o alicerce de uma autêntica
comunidade de Jesus, que o Novo Testamento denomina igreja.
Vamos acompanhar como se deu em Filipos e os resultados práticos dessa
história, espelhados nas páginas da Bíblia, no texto da carta aos Filipenses.
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Diletante
Lendo, puro diletantismo, Luiz Pondé e Schopenhauer, não necessariamente nesta ordem, acordei hoje meio filosófico. Provavelmente, por causa do tempo encoberto e frio.
Resolvi, então, refletir sobre possíveis modos de confirmar que ou se Deus existe mesmo. Lembrei das Escrituras, uso da ferramenta e boca torta pelo uso do cachimbo, indo logo em direção ao específico da fé.
O anônimo autor da carta aos Hebreus afirma "sem fé é impossível agradar a Deus". Quem dEle se aproxima, e aqui já está suposta Sua existência, deve crer que Ele exista, e se torna galardoador, e aqui, de modo simplista, o autor já supõe compensação ao crente, dos que O buscam.
Fiquei só com a sentença "sem fé é impossível". E pensei se se pode afirmar que somente com ou mais especificamente se as Escrituras confirmam essa existência. Perguntando de outra forma, se fora das Escrituras, ou seja, supondo possível comprová-la, definitivamente, uma farsa, ainda assim se, fora dela, seria possível comprovar Deus ser existente.
Ainda de outra forma a questão: crer em Deus depende exclusivamente das Escrituras? Refleti, então, na moderna, quer dizer, já faz mais de 100 anos, argumentação que põe em xeque trechos do Livro, ou dos livros da Bíblia.
Comenta-se e comprova-se, diz-se, que tal(ais) ou qual(ais) autor(es) não escreveram esta ou aquela parte, o texto é ruim aqui e ali, tal ou qual texto não é tão antigo assim, discípulos de fulano e cicrano acrescentaram aqui e acolá, enfim, desgasta-se a tradicional credibilidade dos textos.
E não mencionei, ainda, os erros históricos, segundo afirmam, e nem os disparatados "milagres", total e puramente anticientíficos, definitivamente postulam os preclaros doutores. A questão se reduz a uma pergunta: afinal, com o que sobra intacto e original, dá pra confirmar a existência de Deus?
Sim, porque se der para confirmar, com o que sobra de autenticidade, até mesmo a questão se o Livro é ou apenas contém a "palavra de Deus" se torna irrelevante. Não interessa o quanto tem ou se tem total, o que sobra confirma a existência do Altíssimo.
De um polo a outro, vamos ao Jesus histórico. Afinal, acharam-no? Caso tenha sido achado, foi ele um embuste? Uma fraude? Afinal, foi apenas um rabino meio louco e, definitivamente, foi Paulo, com a ajuda do pessoal que lhe deu continuidade histórica, que inventou o cristianismo?
Se nem quanto à personalidade de Jesus conseguirmos obter, no texto bíblico, certezas, com relação às afirmações ali escorreitas, resta buscar argumento fora do Livro. Por ser diletante, como já preveni, refleti: ora, se somos fruto do acaso cósmico, provenientes do nada e em direção ao nada, novamente, eterno retorno, como diz Pondé, a razão também é uma variação sobre o nada.
Ela nos dintingue dos demais animais. Muito embora, seja necessário dizer que, moralmente, somente o homem age de modo irracional. Voltando ao argumento, razão se torna não-saber, caso nossa origem e destino seja o nada. Visto que conhecimento se torna múltiplas variações sobre tudo, sobre coisa nenhuma, conduzindo a lugar nenhum.
Está a serviço do capitalismo e serve como instrumento de dominação: quem mais sabe, vende mais caro, ou se torna devedor, como no caso dos cientistas alemães feitos prisioneiros no projeto Manhattan, que dividiu as eras entre antes e depois da possibilidade de total aniquilação.
Habitamos o centro de uma explosão ainda em curso, a Big Bang, os fótons são nossa origem e sua colisão pretende ser comprovada pelo LHC. Desesperadamente, procura-se vida fora do contexto terráqueo, algures, Universo afora. Caso não haja esse indício, perigosamente a humanidade se aproximaria da confirmação de que a vida no planeta seria mesmo resultado de uma ressaca do Altíssimo.
Enquanto esperamos e, segundo Schopenhauer, vivemos, nessa existência, o nosso inferno, resta saber se Jesus falou mesmo aos judeus e, caso seja literal de Sua boca, se Ele pode bancar a afirmação "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará".
Caso esse homem tenha acertado e possa bancar essa afirmação, salva-se, a um só tempo, a razão e até se supõe uma existência para além desse inferno. Sim, porque ser liberto, porém retornar ao nada não seria honesto. Só vai nos restar, então, responder a pergunta de Pilatos: "Mas, o que é mesmo a verdade?".
domingo, 13 de novembro de 2016
Três exortações de Paulo
Pelo menos, três exortações Paulo faz aos em Filipenses: 1. Ter o sentimento de Cristo Jesus, 2:5: 2. Acautelar-se da falsa conversão, 3:2; 3. Ter em si a busca pela perfeição, 3:15.
O sentimento de Cristo tem três características:
A. Amplitude: Jesus o punha em tudo o que realizava. Andava por toda a parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos do diabo impulsionado, em tudo o que fazia, por esse sentimento. Seria o amor?
B. Originalidade: somente em Jesus existe esse sentimento. Só em Jesus existe e tem sua origem. Por sua vez, está em Deus que, antes mesmo que houvesse mundo, trazia consigo esse sentimento.
C. Finalidade: existe para ser compartilhado. Nada que Deus tenha consigo e, por sua vez, concedeu ao Filho existe para ser retido. Tudo o que o Pai tem, é meu, disse Jesus. E disso o Espírito Santo recebe, para que possa compartilhar. E pela graça e de graça.
Quanto à conversão, ela é perda total, troca de qualquer outra coisa pela sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus. Costumamos, de modo disfarçado, é claro, ter nojo do outro, repugnância ativa. É um disparate. O arrependimento verdadeiro nos coloca diante da rudeza do nosso pecado e nos aponta a cruz de Jesus.
Imagine a gente se avaliando superior ao outro. Absurdo que, se não fosse trágico, seria ridículo. Deus se esvaziou de Si (o que teria para perder?) a fim de se identificar conosco. Deu-se, na cruz, para identificar-se conosco. A necessidade da morte de Jesus Cristo na cruz nos iguala a todos. Sem considerar o outro um igual, impossível a unidade.
Precisamos vital e desesperadamente do sangue de Cristo. Nisso, somos todos iguais, ou seja, pecadores perdidos e dispersos que, em Cristo, serão feitos um: unidade só possível em Jesus.
Quanto a sermos perfeitos, o Espírito Santo pôs em nós esse anelo, do mortal ser absorvido pela vida, de ter a vida de Cristo oculta em Deus revelada no dia a dia.
Paulo coloca como limite ser imitadores de Deus. É retórico? É impossível? Mas Ele opera em nós e o que, de nossa parte, é necessário na busca dessa perfeição?
Vida piedosa. Vida com Deus, vida com a Bíblia, vida em comunidade, vida de oração, situações de amor ao outro, principalmente: amor é o cumprimento do ministério ou o cumprimento do ministério é o exercício do amor.
Deus, no seu máximo, se fez homem. Perfeição é amar o Pai como Jesus amou e viver como Jesus viveu. O nome disso? Igreja.
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Salmos notáveis (1).
Salmo 1, anônimo, é considerado um salmo de sabedoria, muito provavelmente composto ou colocado porpositadamente como introdução a todo o saltério.
Isso porque nos lembra a necessidade vital de ler e nos alimentarmos da Palavra, dia e noite. Mostra o livramento que isso significa para o crente, livrando-o de uma progressão faltal: andar, deter-se e sentar em meio a ímpios, pecadores e escarnecedores.
A imagem central, das mais lindas da Bíblia, é comparar o justo a uma árvore bem plantada. Não se sabe se foi Jeremias o autor, em Jr 17:8, ou se este salmo é a fonte. Mas remete ao que Jesus diz em João 7:38 ou mesmo Ezequiel 47: rio de água viva ou torrente arrebatadora.
Combina também com o fruto do Espírito em Gålatas 5:22: "árvore plantada junto a ribeiros de água, dando fruto a cada estação, cuja folhagem não murcha". Aqui está a verdadeira prosperidade, segundo ensina a Bíblia.
domingo, 6 de novembro de 2016
Artigos soltos 13
Teologia de ocasião.
Domingo, na chácara da igreja, dia de nossa escola dominical com crianças. Também nos reunimos para estudo bíblico com os adultos.
O caseiro, Manoel, crente arguto e muito curioso da Bíblia, argumentou com um caso que ouviu, certa vez, em sua juventude. Travou conhecimento com uma moça que lhe contou sua história.
Voltava, com duas colegas, as três em torno de 15 anos, da Lagoa Azul, um recanto em Porto Velho onde, segundo contou, caso caia uma agulha ao fundo, é possível enxergá-la, tão límpida é a água.
Dois homens raptaram-na, pois as colegas alcançaram fugir e, por cerca de cinco horas abusaram dela. Na conversa posterior com esse nosso interlocutor justificava por que não acreditava em Deus: havia todo o tempo implorado livramento, sem que fosse atendida.
Eis aí um problema teológico de difícil solução. Principal e objetivamente para a vítima. Pois o que esperava, de imediato e obviamente era que Deus evitasse ter sido ela seviciada por dois homens durante cerca de 5 horas.
Portanto, não há o que especular, senão fazer algumas generalizações e, a partir delas, definir o futuro da teologia, a existência ou não de Deus e o que esperar de outras situações semelhantes.
Primeira generalização: era de se esperar que, nesse caso e com relação a nenhum outro caso de estupros, Deus assistisse a tudo incólume. Portanto, não deveriam existir casos de estupros.
Segunda generalização: ora, não deveria existir nenhuma maldade à qual Deus assistisse indiferente. Deus deveria pôr fim a todas e quaisquer maldades, por antecipação, visto que não combina, pelo menos, com nossa opinião a respeito dele, que permita ou ainda assista a tudo impassivelmente.
Terceira generalização: esta agora em tom de advertência. Por definição, devemos ter o cuidado de não atribuir a Deus maldade. Ele é essencialmente bom e possui bondade ativa, ou seja, disposto a reparti-la, porém sem obrigar a ninguém que seja aceita.
Quarta (e última) generalização (por economia da paciência do leitor): liberdade e livre arbítrio são dotes com os quais Deus constituiu a raça humana, responsável e livre para agir, mesmo que de forma absolutamente reprovável, de extrema covardia e violência, como nesses casos.
Não eram homens. E nem chamem de animais, porque esses não fazem isso. Porém, toda raça humana não pode ser avaliada por esse ato. Há muitos, por enquanto, penso eu, uma maioria de homens que repugna esses atos contra a mulher.
Não podemos também avaliar Deus pela inatividade ao clamor dessa jovem. O caseiro esclareceu que um colega que ouvia a narrativa da moça, expondo as razões de seu descrédito da existência de Deus, contra-argumentou que, apesar de tudo e graças a Deus, ela estava viva.
Bom, é discutível que ela queira mudar sua oração, expressando-se grata, Deus, apesar de estuprada, estou viva. Avaliei fraquíssimo o argumento porque, bem sabe Deus, em outros casos houve estupros seguidos de morte. Não amenizou o problema da moça e nem resolve nossa dúvida a respeito da indiferença divina quanto à maldade humana.
Arrisco a quinta generalização: Romanos 5:15-21 explica como, por um gesto de um homem, Deus generaliza sua graça para todos os homens. Arrisco dizer que a resposta de Deus para todos os estupros é oferecer sua graça, tanto às vítimas, quanto aos agressores.
Escandaloso admitir isso? Pior será pôr em Deus a culpa por todos os estupros, pela indiferença e, genericamente, todos os demais atos de maldade do ser humano. É melhor supor que Ele ainda concede ao homem liberdade de escolha, esperando que sempre escolha o bem e escolha ser bom.
Difícil explicar isso à moça. Carregar a marca de um estupro deve, certamente, ser um dos maiores sofrimentos e cicatrizes da alma. O tempo se torna remédio, mas a memória cobra seu preço. Qual seria, então, o remédio para a maldade humana?
Tomara que Deus exista. Senão, não há remédio para a maldade humana. Será que a cura das cicatrizes de toda a maldade reside no perdão?
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Altares de Abraão.
Por que a Bíblia relata, destacando, altares que Abraão ia edificando, à medida que avançava em sua jornada na terra da promessa?
Era média que fazia, com Deus, "jogando pra galera", hipocritamente, em função do que o Altíssimo lhe havia prometido?
Era coisa demais: te engrandecerei o nome; abençoarei quem te abençoar e amaldiçoarei quem te amaldiçoar; em ti serão benditas todas as familias da terra, enfim.
Seria sincero a cada altar erguido ou tratava-se de pura formalidade? Para que se erguem altares? Que atitudes, hoje, equivalem a caminhar erguendo altares?
Altar erguido é estar certo de que a vida é culto vivo e permamente ao Senhor. Não se trata de lugar ou lugares de culto, mas ser culto ao Senhor.
Se assim não for, absoluta incoerência. Deus precisa nos aceitar primeiro, antes de aceitar qualquer manifestação de culto, como foi no caso de Abel. Deus rejeitou Caim e, consequentemente, sua oferta.
Não é que rejeitou, mas a Bíblia registra que houve proposta direta de Deus a ele que se convertesse ao Senhor, prontamente rejeitada. E quanto a Abraão, considerado o pai da fé, mesmo erguendo altares, mostra-se vacilante em algumas circunstâncias.
Vacilação, medo, mentira, carnalidade, covardia e até mesmo dúvida, vejam só, enfim, pecado fazia parte integrante da vida do Patriarca.
Por isso altares eram erguidos com pedras toscas, sobre as quais sangue escorria e fogo consumia o redenho da oferta. Pedras toscas simbolizavam a vida do ofertante, o sangue da vítima sem mácula, a necessidade de remissão dos pecados e a queima total, o holocausto de fogo era porque a vida toda se consome na oferta assim como na remissão.
Quem ergue sua vida em altar permanente ao Senhor carrega consigo, pelo menos, essa tríplice consciência: segue sendo tosco e falho, como foi Abraão, traz consigo também a marca do sangue da vítima derramado pelo pecado, garantindo a remissão da culpa e, assim como foi dada vida por vida, a vida de Cristo pela vida do pecador, a queima da vida no altar é total.
Trata-se de perda total, como bem entendeu Paulo em sua carta aos Filipenses: o que para mim, algum dia, foi ganho, isso considero como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, em nome de quem perdi todas as coisas e as considero como refugo, lixo, para ganhar Cristo, sem ter em mim mesmo justiça própria.
Somos pedras toscas, cujo amontoado se ergue em altar ambulante ao Senhor, na medida em que, lavadas pelo sangue de Jesus derramado na cruz se tornam edifício dedicado ao Senhor, para presença e habitação dEle, permanentes.
Somos altar ambulante, somos corpo de culto permanente, somos marca e presença de Deus por onde vamos, sempre, em nome de Deus falando reconciliem-se com Deus. Tempo da oportunidade, o agora da salvação, tempo sobremodo oportuno, tempo da salvação.
Deus quer caminhar nas tuas pegadas.
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