terça-feira, 23 de agosto de 2016

Minidevocionais 3 - Efésios cap. 1 - O Salmo de Paulo


        O Salmo de Paulo.
(1)

        Costumo chamar o capítulo 1 da carta aos Efésios de salmo. Entendo que afina-se com esse gênero literário desde a introdução.

        Paulo, por meio de uma belíssima expressão, discorre uma palavra de exaltação a Deus, usando de um pleonasmo (redundância, repetição para reforço) que se constrói mais ou menos assim:

       "Bendito o Deus de bênçãos que nos abençoa com todas as bênçãos".

        É da natureza de Deus abençoar. E Paulo passa a enumerar os itens e natureza dessas bênçãos. A primeira (1) é que Deus, antecipadamente, predestinou o ser humano para ser alvo de Seu amor.

        Falar de Deus é falar de amor. Falar de amor é falar de Deus. Isso desde que João, por meio de seu aforismo, decidiu escrever "aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor".

        A primeira bênção é dizer que, em Sua solidão, desde a eternidade, Deus não tinha outra coisa com que se ocupar, senão com o amor, senão com amar e senão com o colocar o ser humano, homem e mulher, como alvo prioritário, por que não dizer único, desse amor.

         Esta é a primeira bênção. Talvez devamos dizer que é a bênção origem de todas as demais. A história de Deus é amor e a nossa história com Deus começa pelo e por amor, perdura e se plenifica em amor.

        Há várias definições bíblicas para o que significa ser crente. Uma delas está em Ef 5:1, ser "imitador de Deus". Pois que seja aprendendo e praticando, continuamente, o amor.


        O Salmo de Paulo.
(2)

        Na Sua escolha em amor, Paulo destaca que Deus (2) nos quer perante Si santos e irrepreensíveis. Aqui, de novo, um apóstolo nos socorre ajudando a entender o que isso significa.

        É Pedro que, em sua carta, 2 Pe 1:3-4, indica o modo como Deus nos quer tornar, nada mais, nada menos do que coparticipantes de Sua natureza. Só assim entendemos o que significa afirmar que Deus nos elegeu para sermos, diante dele, santos e irrepreensíveis.

         O que Deus intentou realizar no Gênesis, e de fato realizou, que foi criar o homem e a mulher a sua imagem e semelhança, Gn 1:27, Ele levou a efeito e realizou.

         Mas houve ruptura quando da queda: morte, na Bíblia, é mais e pior do que morte física, é ausência total de comunhão com Deus, perda total de identidade humana e a consequente deformidade do pecado, Dt 32:4-5.

         E a ação restauradora de Deus, em amor, para conosco não consiste num kit de benesses, como muitos avaliam, julgando que bênçãos são dispositivos de farta distribuição de itens que escolhemos.

         Mas, como João de novo afirma, em Jo 10:10, Deus deseja para nós vida plena em Cristo, este a quem Pedro denomina "autor da vida", At 3:15. Salvação é ser alcançado e lavado pelo sangue de Cristo, para viver em santidade diante dEle.
     
        Deus não deseja para nós somente uma vitrine de bênçãos ou shopping de opções de consumo, porém muito mais: vida plena em Jesus, como coparticipantes da natureza divina, santos e irrepreensíveis perante Ele.

        Uma vez que assim se entenda, bem, então, muito bem, sob a égide das genuínas bênçãos. Não compreendido dessa forma, pura idolatria, projeção contemporânea de um Deus criado a nossa própria imagem e semelhança.


    O Salmo de Paulo.
(3)

       "E nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo", Ef 1:5a. Em Cristo, tornamo-nos (3) autênticos filhos de Deus, pois desde o batismo do Espírito em Cristo, temos o DNA do sangue de Jesus e o antídoto contra o pecado
     
        João aborda essa mesma temática, 1 Jo 3:1-2 e, em relação a Paulo, avança ainda mais: (1) ser filho de Deus é uma concessão de amor; (2) mesmo como filhos de Deus, não se manifestou ainda o que seremos e, (3) quando Deus se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.

         De inimigos de Deus, Rm 5:10, somos chamados a ser amigos de Deus, Jo 15:15, no caso aqui mais do que simplesmente servos. Deus não tem limites quando seu objetivo é aproximar-se de nós: Ele estabelece comunhão, Jo 17:21.

        De inimigos no entendimento, por causa de obras malignas, Ef 2:3, passamos a servos, mais que isso, a amigos de Deus, filhos autênticos e, como afirma João, não se manifestou ainda o que haveremos de ser.

        Bendito o Deus de bênçãos, que não se contenta em nos tornar, de inimigos, servos; de servos, amigos; mais do que isso, somos filhos, sem que se tenha ainda se manifestado tudo, então: este é o sentido de ser igreja.
 

     O Salmo de Paulo.
(4)

         Assim denominamos Ef 1:3-14. Numeramos as bênçãos que o apóstolo passa a descrever. Esta (4) é a redenção pelo sangue de Jesus e a consequente remissão dos pecados, v.7.

        Redenção está associado a resgate. Como escravos do pecado, como ocorria na antiguidade, estávamos acorrentados em praça pública, expostos a venda, destituídos de liberdade.

        E o pecado que nos mantinha escravos não era um peso de alta tonelagem sobre nós, mas atitudes engendradas por nossa mente e coração doentios, com nossa assinatura e autoria.

       De dentro para fora, na origem do pecado que, como diz Jesus, procede "de dentro, do coração do homem", Mc 7:21, é que fomos redimidos. Deus foi na origem do problema, resolvê-lo, Ele mesmo se fazendo homem e, pelo Seu sangue, remindo-nos, batizando-nos em Cristo, pelo Espírito.

        Remissão dos pecados significa retirada, abolição da culpa e pagamento do preço da dívida. Jesus nos retirou da escravidão, conquistando-nos para Si, como diz Paulo a Tito, "educando-nos, para renegarmos as paixões mundanas", Tt 2:11-12.

        Como diz o autor de Hebreus 13:13, somos pecadores redimidos, carregando a vergonha de Cristo, sim, mas não nos envergonhando do evangelho, Rm 1:16.

       Deixemos de lado a vaidade pessoal e mostremos ao mundo que agora temos a marca do sangue, a marca da redenção, sim, mas ainda com as cicatrizes do pecado.

       E não deixemos o pecado se insinuar, novamente, em nossas vidas. Porque estamos livres do poder do pecado sobre nossas vidas, mas não da presença do pecado. E lutar contra e vencer se chama santificação.


         O Salmo de Paulo.
(5)

         A graça (5) de Deus, palavra grega que não tem tradução literal em português, refere-se a tudo o que Deus pode dispor, em Sua bondade, e conceder a cada um de nós.

        A matemática de Deus é diferente da nossa. A oferta e sacrifício de Jesus é a marca principal de Sua graça.

        Mas essa mesma graça não é repartida como dom infinito, numa conta de dividir que inclua a humanidade inteira: é concedida toda, por meio de Cristo, a cada um que crê.

        Por meio dela, obtivemos: (a) redenção e remissão de pecados; (b) a dádiva da própria graça, em toda a sabedoria e prudência; e (c) o mistério da revelação de Sua vontade.

          Pela graça somos salvos, mediante a fé, Ef 2:8, e também, por ela, temos acesso à justificação pela fé, Rm 5:1-2. E também nos é concedido o Espírito Santo, At 2:38, por meio de quem conhecemos os mistérios da vontade de Deus, 1 Co 2:9-10.

         Mistério, no Novo Testamento, significa o contrário do que no sentido corriqueiro: trata-se do conhecimento da vontade de Deus a nosso respeito. Como está escrito em Jo 6:40, a primeira vontade de Deus é a salvação de todo aquele que crer.

        E o principal mistério escondido, que anjos e profetas do Antigo Testamento desejavam, antecipadamente, conhecer, como indica Pedro 1:10-12, diz respeito à salvação e o modo como ela se revelou em Cristo Jesus.

        Somos resultado vivo da graça de Deus. Como igreja, cabe a nós mostrar ao mundo, a cada um, sua vital importância. E fazer entender o valor da mensagem do evangelho, que encerra em si tudo o que Deus tem a oferecer como dom precisoso, fruto de Sua graça.


      O Salmo de Paulo.
(6)

       Há bênçãos anotadas por Paulo que você ainda pode enumerar. Vamos parar nesta (6) que aponta Cristo como aquele que (1) reúne em Si todas as bênçãos e (2) por meio de quem Deus distribui todas as bênçãos.

       Não há dádiva e bênção maior do que Jesus. Por seu sangue, obtivemos redenção e tornou-se possível que o Espírito Santo habitasse em nós, santificando-nos até o dia do nosso resgate, propiedade de Cristo que agora somos, Ef 1:14.

        Também por meio de Cristo fomos criados à imagem e semelhança de Deus, Cl 1:14-16, e em Cristo somos batizados no Espírito Santo, para que sejamos igreja de Deus, Ef 2:20-22.

        Jesus é a bênção maior, para quem todas as demais convergem e a partir de quem todas as demais são concedidas. Neste versículo, Ef 1:10, Paulo deseja exatamente explicar isso.

         Deus concentra em Jesus todas as bênçãos. Quanto a nós, devemos educarmo-nos para compreender o que é essencial. Por exemplo, a oração que Jesus ensinou em Mt 6:9-13, o "Pai Nosso", pede o essencial.

         Quando João cita, em 14:13, que tudo o que pedirmos, obteremos, quer dizer que Deus concede o essencial para vivermos segundo Sua vontade e buscarmos, em primeiro lugar, Seu reino e Sua justiça, Mt 6:33-34.

        O Salmo de bênçãos de Paulo nos indica que todas são (1) concedidas em Cristo Jesus e por meio dEle, (2) que elas são formadoras da nossa identidade como igreja e (3) que devemos proclamá-las como privilégio da graça de Deus aos que creem.

         Cabe a nós educarmo-nos para entender que nos são concedidas como prioridade para o cumprimento de nosso ministério e crescimento no Reino de Deus.

     
                                    Cid Mauro Oliveira.

     

   

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

               Ferreira Gullar

sábado, 30 de julho de 2016

Minidevocionais 2 - Espírito Santo.


          Espírito Santo.

          Costumo dizer que Jesus Cristo é o exegeta do Espírito Santo. Essa palavra complicada aí significa "expor", "levar para fora", ou seja, Jesus começou a explicar, a interpretar, revelar, descobrir aos nossos olhos a pessoa do Espírito Santo.
         Nas próximas devocionais vamos escrever sobre como, passo a passo, a Bíblia nos revela o ministério da terceira Pessoa da trindade. Para começar, lemos em João 16:7-11 a tríplice tarefa básica do Espírito Santo para conduzir homem e mulher a Jesus.
         Ninguém, verdadeiramente, crê em Jesus sem que, pelo Espírito Santo, tenha noção dessas três coisas: (1) do pecado, (2) da justiça e (3) do juízo. O texto é autoexplicativo. O Espírito indica que (1) pecado é não crer em Jesus, assim como, na ausência do Mestre, o Espírito demonstra que (2) justiça é crer em Jesus e que (3) juízo e condenação ocorrem por escolha própria de quem, enganado pelo Maligno, rejeitar crer em Jesus.
         Aguardem, na próxima devocional, qual é o papel do Espírito Santo na conversão a Jesus, por meio da fé.

      Espírito Santo na conversão.

      O apóstolo Paulo, na sua carta aos Coríntios, presenteia-nos com algumas aulas sobre Espírito Santo. Uma delas está em 1 Co 2:9-16 e outra, sobre a maneira correta de entender os dons, nos cap. 12-14. Neste trecho diz que até para se clamar, de modo sincero, "Senhor Jesus", é necessária a mediação do Espírito, ver 1 Co 12:3.
     Ainda mais ser convertido ao Senhor Jesus. Para tanto, na conversão, o Espírito Santo: (1) testifica no coração a autenticidade da palavra, oferecendo salvação, Jo 16:13; (2) batiza em Cristo e passa a habitar naquele que crê, 1 Co 12:13; (3) sela definitivamente até ao dia do nosso resgate, propriedade de Deus que agora somos, Ef 1:-13-14.
      Fomos batizados em Cristo quando cremos. Isso significa que o Espírito Santo, a partir desse momento, habita em nós. E que a trajetória de Cristo é a nossa: uma vez unidos a Cristo, Ef 2:5-6, somos, perante Deus, santos, inculpáveis e irrepreensíveis, Cl 1:21-23, santificados pela presença e atuação do Espírito Santo em nós, 2 Co 3:17-18.

            Espírito Santo e os dons.

        Em Atos 2:38, no primeiro sermão pregado após a ressurreição de Jesus, Pedro afirma que, no ato da conversão, o Espírito Santo nos é dado como dom. Primeira lição a aprender: ter o Espírito Santo como dom permanente é superior a ter qualquer dom do Espírito. Mesmo assim, aprenderemos, primeiro, a demonstrar o fruto, para somente então receber qualquer dom.
        Mas para quê, então, os dons? Em 1 Co 12:4-7 Paulo ensina: (1) para diversidade de serviços na igreja; (2) para efeito de comunhão, porque é Deus que opera tudo em todos; (3) sempre para uma finalidade proveitosa comum.
         Dom não é, como ocorreu na igreja de Corinto, no séc. I (e ocorre hoje em muitas outras) para a vaidade pessoal. Lá, por exemplo, usaram errado o dom menos expressivo, sempre último em relevância nas listas de Paulo, e inverteram para o primeiro lugar.
       Aprendamos, então: (1) dom não pertence a quem o recebe, porque pertence ao Espírito e é concedido para serviço; (2) quem apresenta o fruto do Espírito, esse, verdadeiramente, recebeu o dom: se não apresenta o fruto, imita, frauda ou falseia o dom; (3) a finalidade do dom nunca é a autopromoção: quem não serve pelo dom, não serve para ter o dom.

         O fruto do Espírito.

         Há três aspectos relacionados ao fruto do Espírito: (1) originalmente, é do Espírito, não existe em nenhuma outra fonte; (2) concedido ao que crê, confere-lhe identidade; (3) revela-se como resultado de ação conjunta entre nós e o Espírito.
         No texto mesmo de Gl 5:16-26 está escrito como nossa carne milita contra o Espírito (essa é a identidade dela) e como Ele também milita contra a manifestação dela em nós: o meu pecado tem a minha assinatura, o teu tem a tua e o de cada qual tem a sua, ou seja, do autor.
        Este é o único texto das Escrituras que indica contra o quê o Espírito se coloca. Se não pusermos freio à selvageria da nossa carne, não se engane, o fruto não vem por download. Amor se aprende amando quem você elegeu para inimigo.
        Domínio próprio é você lutando contra você para bloquear no nascedouro os sentimentos que escolheu cultivar para, por eles, torturar quem você escolheu para inimigo. E pode acreditar: esse círculo vicioso contamina você, a relação com Deus e com o próximo. Quando isso ocorre, vitória da carne. 
         Num bom começo, amor, num final feliz, domínio próprio: entre esses dois estremos, cultivam-se os outros 7 gomos desse fruto. Vamos ao exercício de parceria com o Espírito para bloqueio das obras da carne e construção do fruto do Espírito. Vivemos no Espírito, ou seja, somos mesmo crentes? Então andemos no Espírito, ou seja, mostremos o fruto.
       
         O Espírito Santo na trindade.

         A trindade se empenha pela salvação. Assim como no Gênesis o "façamos o homem conforme a nossa imagem" pressupõe o envolvimento dela na criação do homem, em sua salvação ela também se empenha.
         Deus ama incondicionalmente. "Deus prova o seu amor para conosco", Rm 5:8, no fato da morte de Cristo. Deus onipotente, ou seja, detém consigo todo o poder, porém não nos poderia salvar sem que Jesus  morresse pelo nosso pecado e ressuscitasse por nossa justificação, Rm 4:25.
         Nenhum homem teria essa capacidade. Então Deus se fez homem em Jesus. Mas a salvação ainda não se completa nesse estágio. Falta ao homem crer na propiciação de Jesus a nosso favor. Entra o ministério do Espírito.
        É o Espírito Santo (1) que torna possível ao homem entender o que Deus se empenhou, em Cristo, realizar, 1 Co 5:19, para salvá-lo: 1Co 2:13-14; Ele (2) dá suporte ao pecador para que creia, Jo 14:26, visto que não ter o homem, por si só, condições de sustentar sua própria fé: 2 Co 3:3; e (3) é o Espírito que aperfeiçoa em nós a obra que, batizando-nos em Cristo, Rm 6:3-4, ele mesmo iniciou: Rm 8:11.
       Seja consciente, maduro e adulto na fé em sua relação com o Espírito Santo. Nada que não seja compreensível ou racional tem origem nEle. Não acredite ou deseje para si, como sintoma de espiritualidade, manifestações não racionais, porque delas o Espírito não se vale para por elas nos aperfeiçoar, confira com 1 Co 14.
          
      O Espírito Santo e as Escrituras

        O texto de 1 Co 14, indicado na devocional anterior, ajuda a entender que: (1) a ação do Espírito é sempre racional; (2) ler a Palavra de Deus e nela refletir é um modo claro de resolver problemas na igreja. Pois bem, as Escrituras, a Bíblia como se nos apresenta, são a cartilha do Espírito Santo, escrita para a nossa contínua instrução, 2 Tm 3:16-17.
       Jesus, o exegeta da Palavra, como mencionei antes, indica duas coisas principais sobre o Espírito Santo (1) guia a toda a verdade, Jo 16:13, e usa a Bíblia para isso; (2) glorifica Jesus, Jo 16:14, o personagem por excelência da Bíblia.           
        O Espírito Santo não se autoglorifica. Há gente errando duplamente, quando se autoglorifica ou, equivocadamente, exalta o Espírito acima de Jesus. Erro de princípio. Tudo isso a Bíblia esclarece.
        Se você não conhece a Bíblia, se não se exercita, como está no Salmo 1, "meditando dia e noite", ou como Deus falou a Josué, (1) meditando, (2) praticando e (3) proclamando, Js 1:8, não haverá mágica em sua vida: será impossível exercitar-se em santidade, será impossível a você ouvir a voz do Espírito.
       Dissemos ser o fruto do Espírito marca da identidade do crente. Somente numa guerra contra a carne, é possível ver florescer o fruto do Espírito. Pois vida com a Bíblia, em casa, assim como uma igreja que valoriza seu estudo, torna possivel: (1) exercício de comunhão com Deus; (2) com os irmãos; (3) vida sincera de oração, ferramentas constantes do crente piedoso, nessa luta individual de trincheira.
       Falha na disponibilidade desses recursos, implica perda na luta por uma vida de santidade e plenitude do Espírito.

           Cid Mauro Oliveira.


     

   

terça-feira, 5 de julho de 2016

Minidevocionais

       Devocional 1 - Profetas Menores
       Tarefa: ler o livro de Oseias.
 
       Uma das sequências inteligentes de livros na Bíblia foi a ideia de reunir em 12 livros os chamados Profetas Menores. Digo assim porque, no Antigo Testamento judaico são contados como um só volume.
       Vale a pena desenvolver uma série de pequenas devocionais sobre cada um dos profetas. Não é que vamos esgotar o assunto, mas servem se estímulo a que leiamos e conheçamos com mais detalhes esses livrinhos.
       Oséias tem um destaque que é o trecho do capítulo 6:3: "Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor." Dois aspectos se relacionam à forma de conhecer o Senhor, relacionados aos dois modos possíveis de conhecimento: intelectual e prático.
      O intelectual está mais relacionado ao modo grego, ou seja, filosófico, especulativo de conhecer. O prático está mais relacionado ao modo hebraico, experimental, empírico de conhecer.
    O crente deve conjugar esses dois modos. Não vai adiantar demonstrar que conhece Deus apenas teoricamente. Será requerido dele que demonstre, na prática, sua comunhão e intimidade com Deus, seu procedimento e seu amor ao próximo.
      Conhecer a Palavra de Deus torna possível, pela mediação do Espírito, conhecer o Senhor. E demonstrar, também no poder do Espírito, no convívio social, que o procedimento é cheio de amor, são indicações claras de maturidade e crescimento espiritual.
 

Devocional 2 - Profetas Menores
Tarefa: ler o profeta Joel
      "Convertei-vos a mim de todo o vosso coração [...] Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes." A conversão é o fato fundante de nossa experiência com Deus.
       Desde o Antigo Testanento os profetas sabiam e proclamavam essa verdade. Em Jr 4:4, por exemplo, o profeta chama de "circuncisão do coração", que Paulo em Rm 2:29 afirma que é feita pela mão de Deus.
      Aleluia! Somos salvos porque Deus, por Suas mãos, circuncidou-nos em Cristo. Batizados em Jesus, pelo Espírito, morreu o nosso velho homem. Ferido de morte, Senhor, dá-nos contínua força para nos despirmos continuamente dele e, dessa forma, fazer resplandecer no mundo a Tua luz.

    Devocional 3 - Profetas Menores
    Tarefa: ler o livro de Amós

     "Rugiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor, quem não profetizará?", Am 3:8. Quando o leão ruge na floresta, um silêncio respeitoso prevalece. Um certo temor invade a percepção da alimária.
     Malaquias também pergunta, em nome do Senhor: "O filho honra o pai, o servo ao seu senhor: se eu sou Pai, onde está a minha honra, se eu sou Senhor, onde está o meu temor?", Ml 1:6.
     Nós, como crentes, temos como permanente missão demonstrar por que a voz de Deus deve ser ouvida com temor, tremor e permanente respeito. Caso falhemos, por não procurar ouvi-la, desconhecendo-a, ou não pautarmos a nossa vida como cumprimento vivo dela, como diz Jesus, seremos sal insípido pisado nas ruas pelo passar dos homens, Mt 5:13.

Devocional 4 - Profetas Menores
Tarefa: ler o profeta Obadias

      "Mas tu não devias olhar com prazer para o dia de teu irmão, no dia do seu infortúnio; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia", v. 12.
      Obadias chama a atenção para um sentimento em nós que, tremendamente venenoso e prova total de desamor, frequentemente ocorre, que é sentir prazer quando acontece algo ruim a um desafeto nosso. Podemos comparar com o Salmo 40:15-16, quando Deus rejeita quem diz "bem feito, bem feito".
       Como diz esse versículo de Sl 40:16, devemos ser auxílio e refúgio, e nunca nos alegrarmos, como se fosse sabor de vingança, com o mal que sucede a outro, a qualquer um, julgando e definindo bom ou mal, merece ou não merece o castigo, "bem feito, bem feito".
       O refinamento do amor de Deus, sentimento puro só nEle, mas que em Sua graça Ele nos ensina e cultiva em nós deve acolher a qualquer um e ver com temor e lágrimas o que ocorre de ruim ao outro, sendo arrimo e socorro, como diz Gl 6:1-5.

 Devocional 5: Profetas Menores
 Tarefa: ler o profeta Jonas
   
        Jonas é o profeta que demonstra o quanto é difícil aprender amar. Não se iludam: amor não é sentimento (aliás, para a Bílbia amor é mandamento) para amigos: é para inimigos. Leiam Rm 5:8, que mostra como Deus nos amava qdo ainda éramos inimigos dEle.
       Portanto, amor não é compadrio, camaradagem ou compartilhar de afinidades: amor é amor e só com Deus se aprende. Jonas foi chamado a pregar arrependimento, perdão e salvação, mas seu ódio pelos assírios o impediu de amar.
      Veja em 1 Jo 4:7-21 que o amor: (1) é de Deus e somente quem nasceu de Deus pode amar; (2) quem não conhece a Deus, não ama; (3) o primeiro amor é crer em Jesus, que morreu por nós, como dádiva do amor de Deus; (4) devemos amar igual a Jesus e essa é a prova da comunhão com Deus; (5) é pelo Espírito que alguém pode amar e testificar que ama; (6) quem verdadeiramente ama, de nada tem medo; (7) o cristão não tem outra matriz de sentimento, senão o amor.
      Não existe mais ou menos amor, quase amor, um pouquinho de amor: quem não ama, odeia. E acaba o livro de Jonas e não sabemos se ele compreendeu a lição.

        Devocional 6: Profetas Menores
        Tarefa: ler o profeta Miquéias

       "Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede a ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus." Mq 6:8. É como se ele dissesse: "Ei, velho, se liga, porque vamos resumir: o que Deus quer de você é justiça, amor e humildade diante dele."
       O profeta Miquéias consegue, num só versículo, resumir os três aspectos fundamentais da fé: justiça, misericórdia e humildade.
       No Antigo Testamento há duas palavras para justiça: mispat, justiça como dom de Deus, e tsedaqah, justiça como conduta do homem. Somente em comunhão com Deus, justificado por fé, Rm 5:1-2, o homem pode praticar a justiça de Deus, em testemunho diante dos homens.
       Quanto aos outros dois aspectos, misericórdia no Antigo Testamento é amor e, como escreveu João em 1 Jo 4:8, amor é a síntese do caráter de Deus: "aquele que não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor."
       E quanto ao último, humildade é a síntese do caráter de Cristo. Veja em Fp 2:5: "haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo." Qual? Humildade. Cristo esvaziou-se de sua deidade e se fez pecado em nosso lugar.
      Em três palavras, Miqueias resume: (1) o resultado da comunhão, pela fé, do homem com Deus, é andar em justiça; (2) o traço do caráter de Deus repartido a nós é o Seu amor; (3) e o traço do caráter de Jesus repartido a nós, primeiro passo em bem-aventurança, é ser humilde de coração. Bom de resumo esse profeta: em três palavras resume o que é ser crente.


      Devocional 7: Profetas Menores
      Tarefa: ler o profeta Naum

    A profecia de Naum pode ser lida como um contraponto àquela de Jonas. Este, um profeta que precisava compreender o alcance do amor de Deus, e Naum, o que reconhecia a capacidade do perdão, da parte de Deus, mas sofria com a consciência de que o juízo de Deus também era inexorável e certo que ocorresse.
      A experiência de Naum lhe indicava a grandeza da misericórdia de Deus e capacidade para até mesmo inocentar o pecador, deparando a propiciação de sangue pelo pecado.  Mas até isso, mesmo para Deus, tem um limite.
      Essa mesma experiência teve Moisés no deserto, quando pediu para ver a glória de Deus, concluindo ser Deus misericórdia, perdão e salvação: "Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade [...] ainda que não inocenta o culpado", Ex 34:6-7 comparado a Naum 1:3.
        Em Deus há permanente esperança de salvação. Porém, uma vez rejeitadas (1) a revelação de Deus do pecado no homem, (2) o sacrifício que o próprio Deus propõe para resgatar o pecador e (3) a denúncia desse pecado e o chamado ao arrependimento, como diz o autor de Hebreus, "já não resta sacrifício pelo pecado." Este era o problema dos ninivitas na época da profecia de Naum e continua sendo o problema atual do homem.
 
      Devocional 8: Profetas Menores
      Tarefa: ler o profeta Habacuque

       Interessante esse profeta. Um cara de mídia. Se fosse hoje seria, como é mesmo o nome? Youtuber. Isso mesmo. Deus mandou ele escrever numa placa bem visível. Até quem passasse correndo leria: "o justo vive de sua fé".
       Algumas coisas a Bíblia diz sobre fé: (1) sem ela, é impossível começar com Deus qualquer coisa que seja. Se não for por fé, não tem começo com Deus, Hb 11:6. Inclusive, é em Rm 5:1-2 que lemos que, além de sermos justificados, diante de Deus, pela fé, é também por meio dela que temos acesso à graça de Deus.
      (2) fé não tem tamanho. Isso mesmo. Jesus falou comparando que se for do tamanho da menor das sementes de hortaliça, o grão de mostarda, já dá para remover uma montanha: é só pegar na enxada, Mt 17:20. Tem gente que pensa que fé é magia, é esperar "cair do céu". Enganaram você: fé é serviço, esforço, gastar a vida para o Senhor, como disse Paulo, 2 Co 12:15 (ou At 20:24).
      (3) e a própria definição de pecado diz que "tudo o que não provém de fé, é pecado", Rm 14:23. Às vezes pensamos que aqueles grandes escândalos e grandes pecados eleitos por nós é que são pecado: também são. Mas a definição é ainda mais, ao mesmo tempo, genérica e pormenorizada: tudo, qualquer coisa que não provém de fé.
       Como disse Davi, "não vou oferecer a Deus o que nada custou a mim", 1 Cr 21:24. Habacuque foi o primeiro youtuber da história. É melhor ler, entender e praticar o que Deus lhe mandou escrever.
   
        Devocional 9: Profetas Menores
        Tarefa: ler o profeta Sofonias
   
        "O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo", Sf 3:17.

         Até Deus tem prioridades. E a principal é a salvação de cada homem, de cada mulher. Neste versículo o profeta diz que Deus (1) é o único que tem poder para salvar; (2) deleita-se, alegra-se, tem todo o prazer na salvação individual, pessoa a pessoa; (3) é o único que nos renova em amor, renova em amor cada um a quem salva; (4) regozija-se, ou seja, renova a Sua alegria, rejubila-se no que Ele faz.
         Com tristeza, a tarefa de Sofonias era demonstrar, em seus dias, o desinteresse do povo de Judá pela salvação, ver 3:1-4: (1) não atendiam a ninguém, não aceitavam disciplina, não confiavam no Senhor, nem se aproximavam do seu Deus; (2) os principes, leões rugidores; os juízes, lobos: os dois, conjuntamente, dilapidam o povo; (3) os profetas são levianos: homens pérfidos; e os sacerdotes são profanadores do santuário: violadores da lei.
      Também lidamos, no mundo, com muitos desinteressados na ênfase da salvação, que não querem nada com Deus. Mas que não sejamos nós. Como igreja de Jesus, devemos ser como Deus, que tem salvação como prioridade, assim como deleitar-se, alegrar-se nela e renovar em amor a cada pessoa. Com isso Deus se ocupa, com isso devemos nos ocupar.
 

  Devocional 10: Profetas Menores
  Tarefa: ler o profeta Ageu.

       Ageu e Zacarias juntos motivavam os exilados, em seu retorno a Jerusalém, a reconstruírem o templo. Para Ageu, não era luxo ou formalidade, pois ele acreditava na importância do culto como referencial, para que o povo, unido em comunhão, buscasse o Senhor.
        Podemos tomar para nós, hoje, as advertências do profeta como exortação a reconstruirmos a centralidade do templo e da igreja como lugar de culto e de ensino da Bíblia, em seu papel de reunião do povo de Deus em comunhão.
         As partes que constituem o culto devem ser subordinadas ao conteúdo da Bíblia e ter, como função única, expor a Palavra, tornando-a inteligível e estimulando os crentes a desejar aprender dela cada vez mais.
         Você sabia que houve Escola Dominical na época de Ageu? Cerca de 70 anos depois, quando Esdras, "escriba instruído (e piedoso) na lei do Senhor", Ed 7:6, trouxe a terceira leva de cativos, em cerca de 445 a. C., realizou uma escola dominical ao ar livre (Ne 8), que durou toda uma manhã de sábado, que era (e ainda é) o domingo dos judeus.
        Você enfatiza a igreja como lugar de culto ou é, apenas, teu clubinho de relacionamento? Você valoriza a Bíblia e seu estudo como essenciais a sua vida, para aprender a ser "imitador de Deus, como filho amado", Ef 5:1, e "andar em amor como Cristo andou", Ef 5:2, ou nem dá mais importância à escola da (ou escola de aprender o que é) igreja, a Escola Dominical? E nem está aí para a leitura contínua da Bíblia? Aprendamos com Ageu.

     Devocional 11: Profetas Menores
     Tarefa: ler o profeta Zacarias

       Vamos por partes: se você veio lendo, nesta série, cada profeta, vai descobrir neste o que é literatura apocalíptica.  Zacarias reúne o que é chamado gênero literário misto: visões, cap. 1-8, oráculos entremeados; e narrativas proféticas sobre o final dos tempos, cap. 9-14.
       Veja, comparando ao Apocalipse, a primeira visão dos cavaleiros em 1:7-17, assim como a da mulher sentada no meio do efa, 5:5-11, e segure a primeira dica sobre o livro: o juízo e salvação prescritos a Judá/Jerusalém são modelo para aquele prescrito às nações: veja em 2:10-12 o anúncio máximo dessa consumação.
      Agora garimpe no texto as profecias messiânicas, referentes a Jesus: "farei vir o meu servo, o Renovo [...] e tirarei a iniquidade desta terra num só dia", 3:8c9c; "trará a pedra angular sob aclamações. Graça, graça a ela", 4:7; "eis o homem cujo nome é Renovo; ele brotará do seu lugar, e edificará o templo do Senhor [...] levará a glória, assentar-se-á no trono, dominará, será sacerdote, haverá paz e unirá ambos os ofícios", 6:12-13.
        Não são só essas, mas garimpe outras pelo livro. Terminamos com mais duas dicas para se compreender a profecia de Zacarias: (1) um convite à conversão, tanto ao povo de Deus, quanto às nações, marca a nota inicial do livro: "Tornai-vos para mim e eu me tornarei para vós", 1:3; e (2) a certeza de que você, diante de um livro de gênero literário mais complexo como este deve ser, para os homens, "um escriba sábio que retira do tesouro", a Bíblia, coisas novas, úteis como profecia imediata, e velhas, necessárias como advertência permanente, ambas como sementes de vida a serem espalhadas pelo caminho, Mt 13:52. A tarefa é sua.
   
       Devocional 12: Profetas Menores
       Tarefa: ler o profeta Malaquias

        Deus se fez homem, em Jesus, para definitiva comunhão, em amor, conosco. Mas não podemos perder o temor e tremor, Fp 2:12, pela santidade dEle, pensando que Deus é "meu chapa", é um "mermão" ou um "ô, meu".
       Malaquias reage contra um povo que havia perdido o respeito próprio por Deus, tornando-se cínico. Favor lembrar também que cinismo contra o próximo, contra o outro, produz, em relação a Deus, o mesmo efeito.
       O estilo literário do profeta é listar e responder as perguntas cínicas: (1) ora, em que (?) Deus nos ama, 1:2; (2) em que (?) Te desprezamos, 1;6; (3) em que (?) Te profanamos o culto, 1:7; (4) em que (?) Te profanamos a aliança, 2:10; (5) por que (?) não nos aceita a oferta, 2:14; (6) em que (?) Te enfadamos, 2:17; (7) onde (?) está o Deus do juízo, 2:17; (8) que temos (?) falado contra Ti, 3:13; (9) de que adianta (?) guardar a palavra do Senhor, 3:14; (10) de que (?) adianta andar de luto diante do Senhor, 3:14.
        O sentido dessas perguntas é para que aprendamos uma coisa: o controle de qualidade sobre a fé é exercido por Deus e não por nós mesmos. No amor, que é sempre a pergunta número 1, o povo já estava reprovado. Qualquer outro item dos nove restantes estariam comprometidos na falta em relação ao primeiro.
         Malaquias visava, com sua palavra, atrair de novo para o Senhor os que entendiam, aceitavam e desejavam praticar esse amor. Como o profeta mesmo diz, são esses que fazem a diferença: "vereis de novo a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve", 3:18. O amor, definitivamente, é o traço distintivo da verdade e coerência na relação com Deus e com o próximo.
  

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Artigos soltos 11


     Salmo 123
     O próprio número desse cântico de romagem anônimo, shir hamahalot, no hebraico, significando cantar enquanto caminha, enquanto peregrina, indica começo de cartilha.
     E o salmo, em si, apresenta o tema talvez o mais sensível, na Bíblia, para indicar a personalidade da personagem principal dela, que é Jesus, e o que se requer de nós: serviço.
      O pequeno cântico, esse corinho do saltério destaca a sensibilidade que deveria ser, para leitores atentos da Bíblia aquilo que, na vida desses leitores deveria ser o destaque: pôr a si mesmos ao serviço do pastor Jesus.
      Olhos atentos, diz o salmo, homens e mulheres, na mão do Senhor: o que Ele quer, de que Ele precisa? É justo o inverso da ótica mais frequente e atual, pela qual Deus está lá, nas alturas, para nos prestar serviço.
      Trata-se do contrário, diz o autor anônimo desse shir, desse cântico: ponho os olhos nas mãos de meu Deus, que se compadece de nós. Deus se compadece de todos e coloca uns a serviço dos outros.
      Deus tem tarefas a realizar e nos empenha nesse serviço. Não é servidão, é serviço. Tudo o que fazemos e não somente assuntos diretamente relacionados a igreja, deve ser culto dedicado ao Senhor.
     Aparecem outras palavras no salmo, principalmente "desprezo", "escárnio" e "soberba". Por que desprezo? Será da parte de quem avalia que servir a Deus é perda?
    Por que escárnio? Será porque há quem deseja que seu trabalho não seja reconhecido como legítimo? Por que soberba? Diz Habacuque que o soberbo não tem reta a sua alma e que não vive por fé.
      Sem fé é impossível caminhar com Deus. Pôr os olhos nas mãos do Senhor e colocar-se a Sua inteira disposição, considerar e valorizar-se a partir desse serviço são passos de fé, assim como não se assentar à roda de escarnecedores: eles desejam ver o seu fracasso e não julgam prioridade neste século dar a Deus espaço de ação.
      Ponha seus olhos e fique atento ao que Deus deseja fazer. Ele precisa do teu serviço.

Artigos soltos 11


     Salmo 123
     O próprio número desse cântico de romagem anônimo, shir hamahalot, no hebraico, significando cantar enquanto caminha, enquanto peregrina, indica começo de cartilha.
     E o salmo, em si, apresenta o tema talvez o mais sensível, na Bíblia, para indicar a personalidade da personagem principal dela, que é Jesus, e o que se requer de nós: serviço.
      O pequeno cântico, esse corinho do saltério destaca a sensibilidade que deveria ser, para leitores atentos da Bíblia aquilo que, na vida desses leitores deveria ser o destaque: pôr a si mesmos ao serviço do pastor Jesus.
      Olhos atentos, diz o salmo, homens e mulheres, na mão do Senhor: o que Ele quer, de que Ele precisa? É justo o inverso da ótica mais frequente e atual, pela qual Deus está lá, nas alturas, para nos prestar serviço.
      Trata-se do contrário, diz o autor anônimo desse shir, desse cântico: ponho os olhos nas mãos de meu Deus, que se compadece de nós. Deus se compadece de todos e coloca uns a serviço dos outros.
      Deus tem tarefas a realizar e nos empenha nesse serviço. Não é servidão, é serviço. Tudo o que fazemos e não somente assuntos diretamente relacionados a igreja, deve ser culto dedicado ao Senhor.
     Aparecem outras palavras no salmo, principalmente "desprezo", "escárnio" e "soberba". Por que desprezo? Será da parte de quem avalia que servir a Deus é perda?
    Por que escárnio? Será porque há quem deseja que seu trabalho não seja reconhecido como legítimo? Por que soberba? Diz Habacuque que o soberbo não tem reta a sua alma e que não vive por fé.
      Sem fé é impossível caminhar com Deus. Pôr os olhos nas mãos do Senhor e colocar-se a Sua inteira disposição, considerar e valorizar-se a partir desse serviço são passos de fé, assim como não se assentar à roda de escarnecedores: eles desejam ver o seu fracasso e não julgam prioridade neste século dar a Deus espaço de ação.
      Ponha seus olhos e fique atento ao que Deus deseja fazer. Ele precisa do teu serviço.

domingo, 19 de junho de 2016

Artigos soltos 10


       Salmo 16.
       Em meio às possibiliddes variadas de abordagem, três destaques possíveis: (1) a primeira declaração, "Tu és o meu Senhor, outro bem não possuo"; (2) Ele é a porção da minha herança, sustenta a minha sorte, é de delícias e formoso o lugar de meus limites"; (3) Tenho posto diante de mim o Senhor que até de noite me ensina, jamais vacilarei."
       Sintetizando, o Senhor é o maior bem, cerca de zelo e cuidado minha vida e me sustenta e instrui. Considerar Deus o bem maior, implica opção consciente. Uma escolha dessas transparece na vida de quem a faz.
       Olhando à volta, na caminhada da própria vida, se foi feita essa escolha de prioridade, as demais escolhas têm a marca dessa principal opção. Certamente não haverá sobressaltos e o resultado, a olhos vistos, será belo.
      E todo o conjunto de opções e marcas desse cuidado pode ser reconhecido e descrito em palavras, encomendado como opção a outros. Nesse mundo atual tão secularizado, no qual o que se refere a Deus é definitivamente posto de lado, indicar tal escolha como prioridade constitui-se numa escolha corajosa.
       Deus, em sua comunhão conosco, revela-se a maior opção e o maior bem, em Sua providência revela-se como quem nos supre em todas as circunstâncias e necessidades, e também fonte inteligente de minha confissão e testemunho.