quinta-feira, 30 de maio de 2013

          Seja você também uma bênção

          Aqui ao meu lado está minha querida mãe, Dorcas Lima Araujo de Oliveira, amiga de Clovelina (Lilina) D'Ávila Limeira, que se conhecem há 80 anos. Ela lembra que realizaram juntas, na Igreja Evangélica Congregacional de Nilópolis, em 1933, ambas com 3 anos de idade, foram anjinhos na peça "As dez virgens". Com elas, participaram Tia Zilda, Celeste e Ivone, que eram irmãs, Aceli Cordeiro, Bili (Adelaide, mãe de Jaíra), Maria Cardoso, tia de Lilina, irmã da mãe dela, Alina, entre outras. Era uma quermesse para angariar recursos para colocar o piso da recém-construída Igreja.

          Eu me orgulho, sempre no bom sentido, no sentido bíblico, de pertencer a essa geração como filho. E também de ter, como amigos e irmãos, as filhas e o filho do casal Antonio Limeira Neto e sua esposa, Clovelina, que já está com Jesus, juntamente com meu pai, Cid, e tantos outros, na Igreja do Céu, no momento em que escrevo estas linhas.

          Um dia, pelos idos de 1990, Limeira esteve lá em casa, morava eu no Méier, RJ, ainda solteiro, e me convidou para ser pastor em Copacabana. Era uma igreja, a única Congregacional plantada num bairro da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Limeira havia começado com a família Spiller, com a Igreja Evangélica Congregacional de São João de Meriti e com a matriarca Eunice Spiller, também já na Igreja do Céu, esta que foi, com mais orgulho ainda, a minha diaconisa enquanto fui pastor ali naquele bairro. Num daqueles dias, cerca de 1 ano após o convite de Limeira, saí com 1 kg de ouro, uma barra em meu bolso, embrulhada numa sacola de supermercado, para comprarmos a kitnet onde nos reuníamos: fui de ônibus de Copacabana ao Centro do Rio para pagar a metade ao proprietário.

          Dr. Fernando Campelo, o outro diácono da Igreja, como era conhecido, atualmente membro dessa mesma Igreja do Céu, filho do pastor Campelo, aquele mesmo do Nordeste, evangelista da Igreja Evangélica Pernambucana, que batizou e encaminhou ao ministério Júlio Leitão de Melo, patriarca da família Leitão, segundo nos informa seu neto, de mesmo nome, ajudou-nos, juntamente com o pastor José Remígio Fernandes Braga, a completar os restantes 11 mil dólares, a outra metade equivalente que, juntamente com a barra de ouro, formariam a soma requerida para tal compra. Consumou-se. De Copacabana, só saí, com tristeza, mas certo que que era, da parte de Deus, um chamado, para outro lugar, outros trabalhos missionários abertos por Antonio Limeira Neto.

          Em 1983 ele desafiou o casal Nelson e Josilene Rosa a iniciar um trabalho em Porto Velho, capital de Rondônia mas, como não deu certo, o desafio ganhou 540 km adiante, até Rio Branco, no Acre, estrada de terra, terra, não, atoleiro de barro tabatinga, na época, 5 dias para se alcançar (hoje 5h30min, com o asfalto), capital onde estou com minha família desde janeiro de 1995. Fosse Copacabana, fosse Rio Branco no Acre, segui no encalço dos trabalhos que Limeira, o pastor Limeira, grande amigo de meu pai, Cid Gonçalves de Oliveira, resolveu abrir no Norte do Brasil, incluídos os campos missionários de Manaus, AM, e Boa Vista, RR, todos abertos na mesma época. E tem mais: pelo que eu saiba, existe um único Templo sobre rodas que eu conheça, uma igreja móvel montada sobre um caminhão de carroceria conversível, idealização e realização dele. E tem muito mais...

         Conheço pouco da vida de Limeira e Clovelina, além dos depoimentos de seu livro "Da seca à fonte - Trajetória de um pastor", da convivência desde a minha pequena infância com suas filhas e filho, da amizade com sua filha Nídia Regina, desde que fomos colegas na turma 1978-1981 do Seminário Teológico Congregacional do Rio de Janeiro. Nídia, Nádia, Núbia e Paulo conhecem muito mais de Limeira e Clovelina. Grande privilégio, meus queridos, grande dádiva. "Imitai o exemplo de homens (e mulheres) como esses, como essas".

         Aprendamos a honrar o bom exemplo que as gerações que nos antecederam deixaram e imitemos esse exemplo. Há um hino cantado por Steve Green, que diz, no inglês, "Oh! May all come behind us find us faithful/May the fire of our devotion light their way/May the footprints that we leave lead them to believe/And the lives we live inspire them to obey". Desculpem citar todo o coro e ainda citar no inglês: não é exibição, mas é para que outros traduzam mais fielmente. Mais ou menos assim:

        Oh! Tomara que todos que venham depois encontrem em nós fidelidade. Tomara a chama da nossa devoção incendeie o seu caminho. Tomara as pegadas que deixarmos conduza-os a crer e a vida que vivermos os inspire a obedecer. Como eu disse, talvez tenha falado mais sobre Limeira do que sobre Clovelina, minha querida Tia Lilina. Mas, o que foi Limeira sem Lilina? O que são Nídia, Nádia, Núbia e Paulo, e os respectivos genros e a nora e os respectivos netos sem esse casal? Então valeu a pena lembrá-los aqui.

        Também, como eu já disse, conheço deles muito menos do que eu deveria conhecer. Mas conheço o suficiente para me encher de alegria e realização por ter visto, conhecido e convivido com essa qualidade de gente que, como Deus recomendou a Abraão "sê tu uma bênção", bastou para eles ser bênção para tantos, por onde passaram. Muito grato a Deus por sua vida, muito grato a vocês, Limeira e Clovelina. Rio Branco, Acre, 30 de maio de 2013.
                          
                      Cid Mauro e Dorcas Lima Araujo de Oliveira.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O maldito da hora

   Este será um texto rapidíssimo. Mesmo porque é necessário pouco, mesmo porque a maestria do apóstolo Paulo e seu fôlego bastam para resolver esse problema. O problema de meu colega Marcos Feliciano, também chamado pastor, é uma falha flagrante na leitura que faz ou que, induzidamente, resolveu apoiar, com relação à história de Cam, filho de Noé.
 
   Numa outra oportunidade, quem sabe, até vamos até o Antigo Testamento dar uma olhadela naquela história. Mas, por hora, já dizemos, basta. Basta dar uma olhadela rapidíssima na "Carta de um só fôlego", na Carta aos Gálatas, na qual Paulo foi desafiado a resolver o urgente  problema da "carga adicional" que crentes denominados "judaizantes" queriam jogar sobre os ombros dos cristãos recém-convertidos daqueles dias.
 
   Os judaizantes queriam obrigar esses novos crentes a guardar a lei de Moísés, outro absurdo em si mesmo, porque nenhum homem, nem o próprio Moisés "guardou" ou observou, de modo absoluto e completo, a Lei de Moisés, assim denominada. Também não vamos a Romanos, outra carta magistral de Paulo, apóstolo, para comentar essa história de obrigação em guardar a lei dos judeus. Isso faremos noutra oportunidade (como diz o autor da carta aos Hebreus).
 
    O que desejamos destacar é o que está escrito em Gálatas 3:13-14 e, para isso, vamos escrever aqui literalmente: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido."
 
    Ou seja, Jesus Cristo é o maldito da hora. Literalmente esse texto aqui citado esclarece qualquer dúvida. Não há maldição sobre nenhum vivente, porque Jesus se fez maldição por todo e qualquer vivente. Ou, se preferirmos, todos os viventes, indistintamente, são malditos, mas, por outro lado, não são mais malditos, porque Jesus Cristo se fez, na cruz, maldição no lugar de todos e de quaisquer viventes.
 
     Se preferirem, malditos, no caso, são Sem, Cam e Jafé, indistintamente, os três filhos de Noé. A Bíblia é o único livro que afirma que todos, indistintamente, pecaram e são carentes da glória de Deus. Paulo discute isso exaustivamente na carta aos Romanos. Está lá no capítulo 3 este trecho aqui citado. Então, europeus brancos, asiáticos amarelos, indígenas amorenados, africanos negros e qualquer outra raça ou etnia, pelo que a Bíblia afirma, são pecadores carentes da glória de Deus. Ou como dizia uma antiga versão, são pecadores destituídos da glória de Deus.
 
    Por hora basta. Até poderemos voltar a este assunto posteriormente. Por hora, basta dizer que Jesus Cristo é o maldito da hora. Se fez maldição, voluntariamente, por todos e um por um, indistintamente, para que a bênção, aqui chamada "bênção de Abraão", que é sinônimo de "bênção da salvação" ou "bênção da fé" alcançasse a todos, mais uma vez, indistintamente. "Pois todos pecaram e carecem (ou estão destituídos) da glória de Deus"... continua o texto... "sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus...".
 
    Jesus: o maldito da hora.
 
                                                                          Cid Mauro Oliveira.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Passando correndo

O dia a dia é tão apressado. Há pouco tempo. Uma 'passada' pelo Salmo 1. São 150, ao todo. Talvez o livro mais procurado da Bíblia. A simplicidade do salmo primeiro é um convite:
a) a não escolher, gradual e progressivamente, o caminho ruim: não andar, não se deter, não sentar;
b) a trocar essa escolha pelo mergulho na Bíblia: meditar nela dia e noite, engolir o dia a dia pela troca em ler, reter e praticar;
c) ser como árvore que dá fruto fora de estação, na estação, a tempo e fora de tempo. Dá sombra, colhe das águas sua força e perenidade, dá de comer fruto, que tem gosto, cheiro e forma sedutores.
Águas, árvore, sombra e frutos: a sedução da forma, da cor, do gosto e do cheiro. Deus é o artista dessa beleza.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ELEIÇÕES 2010 - 2º TURNO - CARTA ABERTA

13 de Outubro de 2010.

Eleições 2010 - Segundo Turno

Carta aberta:

O Brasil, nos últimos anos, tem percorrido um caminho de democracia, no qual a escolha dos governantes é uma marca fundamental de consolidação.

É natural que nos momentos que antecedem a disputa eleitoral os ânimos dos eleitores estejam acirrados e, com relação a cada candidato, uma série de prós e contras sejam relacionados.

Mas também é necessário avaliar o grau e o nível de ataques pessoais à honra de candidatos, sejam eles quais forem e, muitas vezes, o grau de calúnias espalhadas, seja no boca a boca, seja pelos meios tradicionais da mídia e até via internet.

A tradição cristã, à qual pertencemos, é pautada por princípios fundamentais que, se forem pervertidos na sua fonte, negam a postura de verdadeiros seguidores do evangelho.

Portanto, a marca de acusador não está associada a Cristo. A Ele está associada a marca de arrependimento e perdão. Por isso é necessário entregar a Deus, em oração, os candidatos, sejam eles quais forem, e procurar sabedoria na escolha.

Mas também, de modo nenhum, atacar a honra e a vida pessoal de qualquer candidato, seja espalhando boatos ou mentiras, atribuindo virtudes a um e vícios a outro, como se houvesse um grau de perfeição maior em qualquer deles.

Por isso tem sido injusto atacar, de maneira anticristã e antiética, a candidata Dilma Rousseff, atribuindo a ela as mais intrigantes calúnias, acusando-a, inclusive, de assumir posições que, caso seja verificado com imparcialidade, na verdade são defendidas pelo outro candidato.

Defendemos a discussão sadia e equilibrada de qualquer assunto, com ampla liberdade, mesmo em período de campanha eleitoral. Portanto, assuntos como, por exemplo, aborto, homossexualidade e anistia podem e devem ser amplamente discutidos.

O que não pode e não deve acontecer é que esses temas sejam manipulados e usados como instrumento de desmoralização com relação a qualquer candidato.

ANISTIA é perdão e ficha limpa concedida por lei a todos os envolvidos com quaisquer tipos de ação reprovável no período da ditadura no Brasil, sejam os que atuaram mais à esquerda, sejam os que atuaram mais à direita.

ABORTO é assunto regulamentado por lei ordinária no Brasil e nós, como cristãos, devemos seguir o que já está explicitado na lei e combater, na fonte, a incoerência da chamada ‘gravidez indesejada’, que tem sido indicada como pretexto para tal prática antivida e anticristã.

HOMOSSEXUALIDADE é um tema que deve ser discutido de modo equilibrado e respeitoso, porque envolve a opção de foro íntimo de um grupo significativo de pessoas. Tanto os cristãos devem conviver com essa escolha e opção de tantos outros, como os que fizeram tal opção devem conviver com a postura contrária dos cristãos a essa escolha.

Como cristãos, devemos repudiar e rejeitar acusações infundadas bem como evitar, com a nossa boca, manchar qualquer candidato, até mesmo idolatrando um em prejuízo de outro, como se pudéssemos considerar qualquer deles ‘anjo’ ou ‘demônio’.

Como cristãos, devemos contribuir para um nível elevado de avaliação e discussão, sabendo, inclusive, que resolver os problemas principais da política brasileira é o que deve constar no programa e competência de cada candidato.

Dizemos NÃO a acusações sem fundamento e sem provas ou com falsas provas. Dizemos NÃO a boatos, mentiras, calúnias e ofensas pessoais. Dizemos NÃO ao endeusamento e idolatria de qualquer candidato em detrimento do outro.

Dizemos SIM ao amor de Deus, ao arrependimento, perdão e à esperança em Cristo. Dizemos SIM ao povo brasileiro, que tem a chance máxima de escolher, e não merece ser manipulado por boateiros, marqueteiros e falsos políticos. Dizemos SIM à consciência cristã e à capacidade de discernimento, sabedoria e avaliação, na escolha certa e no repúdio à maledicência.

Cid Mauro Araujo de Oliveira.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A flor (ou uma flor)

Perdendo logo todo o pudor, coloco mais estas mal-traçadas linhas. Aqui em casa há flores, aqui e acolá: já me deparei com flor de macacujá, flor de goiaba e, inusitado, flor de aboboreira. Como todas e cada qual tem seu charme, inútil desprezá-las. Por isso, vai aí, por pura falta do que fazer, mais uma:

A flor

Ora, a flor,
E daí? Quem
Já não falou sobre flor?
Daí. Por que
falar de flor?
Manjado.
Flor amarela
do pé de aboboreira.
Boboreira, bobeira?
Não, aboboreira.
Amarela.
Falar de flor,
só porque é flor.
Só por ser.
Por ser.
Ser flor.
Precisa mais?
E amarela.
Amarela.
Ser amarela.
Show de cores.
Show de cor.
Ninguém
Nem nada
Consegue ser
Ser, como flor
É.
E for.
Por ser.
Amarela.
Cor, como ninguém.
Ninguém ser
Nada ser
Tão amarelo
Como ser flor.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

RAÍZES DA SANTIDADE

O significado da palavra ‘raízes’ se torna, aqui, muito útil para entendermos em que sentido, no uso figurado desse termo, aplicamos à afirmação de que as raízes de nossa santidade estão em Jesus Cristo.

Basicamente por duas razões: (1) raiz dá sustentação e suprimento; (2) por meio dela, fluem os nutrientes de uma planta, ou seja, por meio da raiz há uma ligação entre o ser, propriamente, e a fonte de seu suprimento.

No caso de nossa relação com Jesus, a Bíblia afirma que estamos ligados a Ele, desde que o aceitamos como Salvador de nossas vidas. A Bíblia chama essa ligação de batismo. Não, propriamente, o ritual com água utilizado alhures, nas diversas igrejas locais, mas especificamente o batismo no (ou com) o Espírito Santo, realizado pelo próprio Jesus, no momento em que confirmamos nossa fé nEle.

Pelo menos por três razões afirmamos, com toda a certeza, que as raízes da santidade estão em Jesus Cristo: (1) somente Jesus é Santo, como o Pai e o Espírito, de modo igual, também são; (2) somente por meio e a partir de Jesus provém a santidade da qual nos tornamos participantes; (3) somente por meio da morte e, principalmente, da ressurreição de Jesus tal santidade pode ser, conosco, compartilhada. Vamos analisar ponto por ponto.

Deus é o único santo em essência. O significado do termo ‘santo’ é ‘separado do pecado’. Pecado e santidade são, definitivamente, coisas à parte, distintas, distantes, separadas uma da outra. A Bíblia apresenta definições e até mesmo palavras diferentes para definir o termo ‘pecado’. Vamos, aqui, apenas indicar que se trata da não conformidade com o padrão de Deus.

Jesus é santo porque, primeiro, teve uma origem diferente da nossa. Ele foi gerado por Deus no ventre de sua mãe, Maria e, por causa dessa origem distinta da nossa, não foi, como nós o somos, geneticamente, vamos dizer assim, contaminado pelo pecado. Por isso Jesus é chamado 'unigênito', ou seja, o 'filho único' de Deus. Porém, uma vez nascido, Jesus adquiriu, como qualquer homem nascido de mulher, os riscos de pecar, ou seja, afastar-se, recusar e rejeitar, conscientemente, os padrões de Deus.

A prova de que Jesus não agiu assim foi que, uma vez morto, assassinado num complô entre autoridades romanas e judaicas, na Palestina do século I, Deus o ressuscitou na madrugada de um daqueles domingos do primeiro século. Aqui, com relação à santidade, uma coisa comprova a outra, ou seja: se Jesus não fosse santo em sua essência, do mesmo modo que o Pai, este nunca o poderia ressuscitar de entre os mortos. A ressurreição de Jesus é prova cabal de Sua absoluta santidade.

Quanto ao fato de sermos santificados, isso passa a ocorrer a partir do momento de nossa união a Jesus, que ocorre no momento em que somos, por Ele, batizados no Espírito Santo, que o próprio Jesus concede aos que, verdadeiramente, creem nEle. O próprio Espírito Santo passa a ser o principal agente de nossa santificação. Não somente por que, no ato do batismo ─ que significa, ao mesmo tempo, a entrada do Espírito Santo em nossa vida e a nossa união a Jesus ─, esse mesmo Espírito nos (1) regenera, mas também porque (2) passa a reeducar as nossas preferências e escolhas e (3) passa a nos dar suporte para, quando optarmos pelo padrão de Deus, ter condições de pôr em prática esse padrão em nossas vidas.

É por isso que Jesus Cristo se constitui no principal veículo, para usar este termo, da santificação e o único, por meio do qual, podemos, objetivamente, ser participantes da santidade de Deus. As raízes de nossa santidade estão em Jesus Cristo. Sem fraude, sem falência.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

LEVÍTICO: UM MANUAL DE SANTIDADE

Por não saber, direito, se sou pastor professor ou professor pastor, na mistura dos dois ofícios (ou das duas vocações), magistério e ministério, termino por decidir colocar aqui um artigo que escrevi sobre o Levítico, o terceiro livro do Pentateuco, um dos menos lidos e, consequentemente, menos compreendidos da Bíblia. Aí vai alguma luz, inícío de uma pequena série de pequenos artigos:

LEVÍTICO: UM MANUAL DE SANTIDADE

Uma proposta de título. Se bem que, diriam alguns (ou vários, quem sabe), um título impróprio. Chamar de ‘manual’ pode, no mínimo, indicar para o processo em questão algo um tanto considerado artificial. E artificialidade não combina com santidade.

Porém o fato de ser Manual implica individualidade. Diz respeito a um elemento, uma unidade construída, muito provável e exclusivamente, pelo seu dono, um modelo pessoal, restrito e intransferível de conduta. Nesse caso, portanto, o termo se torna tolerável.

Trata-se, absolutamente, de manual individual e construído pelo próprio dono. É bem verdade que, em nossa infância, em termos biológicos ou em termos, digamos, espirituais, ainda não dispomos dos mecanismos indispensáveis à construção consciente e responsável desse dito recurso de conduta denominado ‘santidade’.

Ainda dependemos de outros, de instrução que vem de terceiros, muito embora, já ‘de fábrica’, tenhamos trazido os elementos que permitem, desde muito cedo em nossa existência, discernir ─ já usando este ‘termo técnico’ ─ o certo do errado. Nessa infância, seja a biológica ou seja a ‘infância da santidade’, portanto, vivemos um pouco a fase do ‘pode’ e ‘não pode’.

Com a maturidade, inexoravelmente, a caminho, mais uma vez esclarecendo, seja ela biológica, como componente natural de nosso desenvolvimento como pessoa, ou seja ela, de novo o termo, espiritual, impossível não dispor de um prático, simplificado e acessível manual.

Santidade apresenta, pelo menos, duas vertentes: (1) a primeira, advinda da prática, externa, por assim dizer, visível, ‘artificial’, digamos, para usar outro termo bem livre de burocracias e prático de entender; e (2) uma segunda vertente interna, natural, não artificial, invisível aos olhos. Pelo menos essas duas.

Vamos a exemplos práticos e, evidentemente, para citar uma autoridade no assunto, aliás, a única autoridade no assunto, vamos citar Jesus, ninguém mais, ninguém menos, (e vamos já perdoando a expressão ‘ninguém menos’, que não deve ser aplicada) do que Ele. Modelo último, único e acabado de santidade.

Pode até ser que se encontrem questionamentos a respeito do axioma Jesus, porém, para logo ser necessário admitir que vamos nos situar em contexto bíblico e genuinamente cristão. Na eterna busca pela autenticidade do que é cristão, será sempre necessário evocar a pessoa (desculpem-nos, Pessoa) de Jesus. Nele, santidade existe em sua modalidade-padrão.

Além de evocar a pessoa do Mestre dos mestres, seguimos adiante no primeiro exemplo, mencionando as polêmicas de Jesus com os fariseus. As fontes a respeito desses religiosos do tempo de Jesus nos advertem que eram extremamente rigorosos e, por que não dizer, procuravam ser coerentes e honestos com tudo o que se envolviam.

Portanto, tomar ‘fariseu’ como uma alcunha de hipocrisia, deve, no mínimo, requerer cuidado para não se cometer injustiças. Jesus quando os criticava, punha, para usar esta expressão, o dedo na ferida. Somente Jesus em sua percepção detectava a soberba deles e denunciava sua prepotência, seu poder de discriminar ou outros ‘pecadores’, achando-se superiores a eles, e como essa atitude servia de um péssimo mau exemplo para muitos.

Então ‘fariseu’ não deve ser usado como estigma de reprovação, de modelo negativo de conduta, como o termo, em si, já adquiriu como carga semântica. Mas deve nos servir de advertência, como frequentemente tem servido, de não agirmos do mesmo modo que eles, julgando ser mais (ou menos) santos do que outrem.

Voltando às vertentes, a duas citadas ali atrás, neste texto, esclarecendo melhor, santidade requer (1) um procedimento padrão, consciente e prático que implica rejeitar e dizer, de modo explícito, ‘sim’ e ‘não’ a variadas, diversas e diferentes situações do dia-a-dia, bem como (2) uma certeza e uma raiz de que tal atitude provém de fonte interna inquestionavelmente sincera, neutra e transparente, que termina por se revelar, no meio social, um mecanismo explícito de busca ─ para citar a própria Bíblia ─ do que é “verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama... virtude, louvor..” (Filipenses 4:8).

Anotemos o versículo completo: "Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento." E, mais adiante, o apóstolo Paulo acrescenta: "... isso praticai". Um dos mais lindos textos da Bíblia: belíssimo texto, belíssimo padrão. Santidade também é beleza em seu estado o mais puro.

Mais adiante vamos entender de que modo as ‘raízes da santidade’ estão em Jesus. Voltaremos ao assunto.