Esta pequena placa, na esquina entre a Ladeira do Vicente e a Praia dos Tamoios, conta histórias importantes sobre a ilha de Paquetá e a própria cidade do Rio de Janeiro — é só saber lê-la de acordo com as informações corretas. Corta do ano de 2026 para o longínquo 1555, quando uma expedição francesa adentrou a Baía de Guanabara e tomou posse, na maior cara dura, das terras portuguesas na região. Instalada na ilha de Serigipe — hoje, Villegaignon —, a França Antártica estendeu seus domínios e ocupou, também, Paquetá, localidade já conhecida pelos tupinambás, que habitavam a baía e seu entorno na pré-história brasileira. Aliás, o primeiro registro da ilha foi feita por um francês, o frade franciscano André Thevet. Cartógrafo, ele mencionou a localidade insular em sua obra "Les singularitez de la France Antarctique", publicada em Paris com importantes relatos sobre a natureza e os povos originários destas bandas.
Foi um custo expulsar os franceses daqui, o que só aconteceu a partir da fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1º de março de 1565. Nas várias escaramuças entre os portugueses e seus aliados temiminós contra a aliança franco-tupinambá, o capitão-general da cidade, Estácio de Sá, contou com o apoio de compatriotas como Ignácio de Bulhões e Fernão Valdez. Como era costume naqueles tempos bravios, outorgavam-se terras nas colônias a dignitários, como gratificação por serviços prestados à Coroa; assim, ambos receberam sesmarias em Paquetá. Bulhões ficou com a parte norte da ilha, e Valdez ocupou a metade meridional. As duas propriedades eram separadas exatamente neste ponto, como a placa registra.
Dali em diante, e ao longo das décadas seguintes, as duas metades da ilha assumiram características próprias. A parte norte foi transformada em uma extensa fazenda, chamada São Roque, com produção pecuária e de gêneros hortifrutigranjeiros que abasteciam a Corte — daí, ter sido chamada de Campo, denominação que persiste até hoje. Já a banda inferior de Paquetá, dada originalmente a Fernão Valdez, acabaria dividida em pequenas propriedades, várias delas dedicadas à pesca e à extração de cal, insumo importante para as construções da época. A região também abrigava o atracadouro da ilha — aliás, a estação das barcas ainda fica no mesmo local —, o que gerou o nome de Ponte, pela qual aquela parte ainda é conhecida. Viram só, como uma simples e pouco percebida placa pode conter muita história?



























