terça-feira, 28 de janeiro de 2020

FLAMANAQUE

Nome: Cid Mauro Araujo de Oliveira

1. Torço pelo Flamengo, por causa do Alberto, colega de bairro em Cascadaura, ainda na década de 60. 

2. O pai dele, Milton, era flamenguista e estimulou o filho a também ser. Por causa de minha proximidade com o garoto e por influência deles, passei a ser Flamengo. O pai dele dizia que nós torcíamos pelo time da Favela da Praia do Pinto, que era a fronteira do campo da Gávea, naquela época. Meu pai, como americano, não colocou nenhum obstáculo. 

3. Bem, o Flamengo já colocou todos os cariocas na condição de fregueses. Houve um tempo, depois do 6 X 0 do Botafogo, em 1972, que eu queria vingança. 10 X 0 seria pouco. Mas o time de ouro da era Zico devolveu os 6 X 0 e ainda depois outro 6 X 1 que o Botafaísca nunca devolveu. 

4. Bem, os amigos chatos, botafoguenses, eram da década de 70 lá na congregacional de Cascadura. Aliás, assisti aos 6 X 0 do Botafogo e, ainda por cima, nas cadeiras do Maracanã, com dois deles: Jairo e Jalmir. A gente foi vender canetas da Campanha Nacional da Criança e, como brinde, éramos autorizados a assistir ao jogo da vez, exatamente essa goleada histórica. Mas não precisa mais vingança, como já disse. 

5. Aos botafoguenses muito enjoados da década de 70 em minha igreja, em Cascadaura: acho que tinha uns 6 ou 7, quer dizer, toda a torcida do Botafogo era de lá. E naquele tempo o Mengão ainda era freguês do foguinho...

6. Obina, de saudosa memória, deixaria qualquer coisa, para ver Fio Maravilha, Dadá Maravilha, Caio, Doval, Dionísio, o Bode Atômico. Aliás, mais dois botafoguenses antipáticos, Roberto e Luís Carlos Silva, irmãos de DNA e de fé, azucrinavam meu juízo, dizendo que eu não deveria levar meu radinho de pilha para a igreja, para acompanhar o jogo de Mengão. Começavam, naquela época, às 17h no Maraca. Eu saía a essa hora de casa, no Méier, e pegava o 667, Méier-Cascadura, para alcançar a União Juvenil, às 18h. Desligava o radinho, participava da reunião e, no intervalo para o culto, entre 18h45 e 19h eu ia para o portão da igreja, para ver o resultado. Foi num desses domingos de nervos à flor da pele, Vasco ganhando o tempo todo o Flamengo por 1 X 0 que, não sei se Yustrich, já no final do jogo, trocou sei lá quem por Zanata, que estava bichado no banco, e por Dionísio, o Bode Atômico, com uma testa do tamanho de um tobogã. Não é que o Mengão virou! Como? Um gol de falta de Zanata. Outro de testa do Bode Atômico. Ouvi no meu radinho de pilha, no portão da IEC de Cascadura. Sai fora, botafoguenses... hahahaha...

7. A paixão pelo Mengão é tão grande, que é difícil dizer. Eu agora lembrei da única final que assisti no Maracanã, o Fla-Flu de 1972. Era o mesmo lance da Campanha Nacional da Criança. Mas dessa vez, eu estava sozinho. E ainda coloquei uma blusa verde, mais para tricolor de um verde só, do que uma cor neutra ou, pelo menos, um vermelho. Entrei na camaradagem do cara da roleta porque, dessa vez, não rolou o lance livre para quem vendia caneta. Eu, desesperado, não podia perder aquele jogo. Fecharam-se os portões de entrada. Torcedores pulando o muro. Veio um ímpeto, mas faltou coragem. Mesmo porque eu não queria ficar na cela do Maraca, enquanto rolava esse jogão. Esse cara falou "Passa, passa, passa... Rápido! rápido!... Rente ao chão passamos, eu e um grupo. Mas era só o primeiro obstáculo. Nas entradas das arquibancadas, meus amigos, havia PMs fechando o acesso: deu mais de 100.000 torcedores, simplesmente não havia lugar. No túnel que consegui passar, na arquibancada não havia NENHUM lugar. Além de sentados apertadíssimos, lado a lado, havia os sentados ao comprido, formado um linha contínua de gente, entre as costas do torcedor de baixo, e as pernas do de cima, entendeu?  Eu me dependurei, literalmente, na guia de ferro que guarnecia, nas arquibancadas, as entradas, sentado no beiral dessas mesmas guias e foi dali que assisti ao milagre do chute de Doval, numa bola quase em cima da linha de fundo, num espaço que, até hoje, nenhuma lei da física  indica como pôde entrar naquele gol. O outro, de Caio Cambalhota. Acabou 2 X 0 o primeiro tempo. No segundo tempo, talvez nunca na história do Maraca a nossa torcida tenha ficado em silêncio, como num túmulo, porque o Flu fez um gol, aos 15 min, e o empate dava a taça a eles. E o Flu? Tinham Gerson, ele mesmo, da Seleção do Tri, também o goleiro Félix, Marco Antonio, Cafuringa, Denilson, Jair (que fez o gol). Tínhamos o Paulo Cézar Caju, o Romário dos anos 70, Rogério (ex-botafogo, ponta-direita), ora, ora, o Luxemburgo e uma lenda viva (naquela época), Liminha, o Carregador de Piano, o cara que era uma barreira protetora da defesa vasada: Chiquinho e Reyes. Acho que Liminha, na vida dele, deve ter feito 1 gols. Mas foi um dos mais amados jogadores do Flamengo. Nunca vi agonia tão grande. Nunca vibramos tanto, quando soou o apito final, depois da moedura do Fluminense. A essa altura, eu já estava ao comprido, tendo roubado o lugar de alguém que saiu no intervalo. E, para voltar ao Méier, depois de inúmeras tentativas nos ônibus superlotados, com torcedores entrando pela janela, no que consegui entrar espremido, a torcida queria me colocar para fora, por causa da camisa verde. Aí, eu disse, mas eu sou Flamengo. E um negão falou: "NESSA HORA, TUDO MUNDO É FLAMENGO ". Foi quando, num átimo, lembrei do meu chaveiro de casa, puxando-o para fora, mostrando o escudo imortal do preto-vermelho-preto bem ali, guarnecendo o CRF.
"TÁ BOM, TÁ BOM: PODE ENTRAR...". Eu já estava dentro. E  fomos para o Méier. Meeennngooooo....Meeennngoooo...pra-tum-pra-tum-pra-tum....

8. Cara, seria a maior frustação. Mas aí, a gente lembraria do nosso hino: "Vencer, vencer, vencer: uma vez Flamengo, Flamengo até morrer!".

9. NÃO. NUNCA. Mas, sendo realistas, e como já esteve mais perto, como os sobe e desce do futebol, principalmente pelos Cartolas que temos (não vê o Cruzeiro?), podemos até prevenir nosso netos que, se um dia, ocorrer, cantem o hino "Vencer, vencer, vencer: uma vez Flamengo, Flamengo até morrer".

10. TODAS AS RESPOSTAS SÃO VERDADEIRAS...hahahahahahha!!!!

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