terça-feira, 12 de março de 2019

Os discípulos - 5

     Mateus

     Significando "dádiva de Deus", com nome hebraico Levi era, com requinte, odiado pelos judeus. 

    Jesus chamá-lo para apóstolo não foi, humanamente falando, gratificante para seu IBOPE. Piorou quando o Mestre decidiu, aliás,  como era seu costume, almoçar com um grupo em casa dele. 

    A razão do ódio gratuito, o trabalho desse discípulo na coletoria romana, a Receita do Império. Poderiam explorar e ser, esses coletores de impostos,  corruptos à vontade, contanto que cumprissem a cota exigida pelos romanos.

     Judeus não entendiam conversão, mudança de vida, pelo poder, comunhão e vida em Jesus. Era aquela questão que Lucas mostra quando compara Zaqueu, mesma ocupação de Levi, ao jovem rico,  o anônimo que não trocou tudo por Jesus. Zaqueu e Mateus sim.

       Assim mesmo, dedica seu Evangelho aos patrícios. Não lhes guarda rancor. Mesmo porque sabia que era da parte de fariseus e saduceus que provinha a intriga contra ele, agora catalizada por sua adesão ao Mestre.

      Coleciona sermões em sua síntese sinótica da vida de Jesus. O célebre Sermão do Monte, em sua versão estendida, é detalhe esmiuçado por Mateus. O anotador de impostos intelectualizou-se e, selecionando profecias do Antigo Testamento cumpridas em Jesus, escreveu o mais judaico dos Evangelhos. 

      Demonstra a intenção de ser didático, tendo em vista a necessidade da comunidade a quem dedica o livro. Parte da síntese original de Marcos, seguindo seu plano de obra, mas agrega ainda outros quatro sermões. 

      O da segunda vinda de Jesus, da altercação com os fariseus, as parábolas do Reino e aquele da vocação dos apóstolos. Ficamos conhecendo mais detalhadamente Mateus a partir de seu texto focando, por sua ótica pessoal, o testemunho sobre Jesus. 

      E dos quatro evangelistas foi quem, mais pormenorizadamente enunciou, para a igreja, a chamada Grande Comissão: (1) ir por todo  o mundo; (2) fazer discípulos de Jesus; (3) batizá-los; (4) ensinando a guardar a palavra do Mestre, que prometeu "estar conosco todos os dias", assinala Mateus, "até a consumação dos séculos". 
       

      

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