quarta-feira, 28 de março de 2018

Mal traçadas linhas 77

      Monotonia.

      Quando penso no Salmo 139, reflito sobre a monotonia de Deus. Ele é o que sabe. Paulo Apóstolo afirma, com toda a certeza, que a palavra ainda não me chegou à boca e Deus já a conhece toda.

     Tu me sondas e me conheces, nesse Salmo, referindo-se ao Altíssimo revela-se, ó Pai, numa indicação dessa tremenda monotonia. Conhecer-me é deveras simples. Ainda mais para Deus.

     Sou repetitivo. Pouco inteligente. E muito deficiente em espiritualidade. De modo que, para Deus, ocupar-se comigo é experiência deveras cansativa. Sem mencionar, ainda, minha parva capacidade de aprender.

     Mais houvesse em mim lucidez, uma lógica que fosse rudimentar, ou que eu, através dos anos, compensasse essa falta com uma devoção, com uma piedade, pronto, pelo menos parecida com a de minha mãe, eu, cavaco que caiu longe do pau.

      Mas não. Portanto, para Deus é penoso. Sim, sabemos, ainda há a ajuda do Espírito que, como diz o Livro, socorre na fraqueza, que nem sabemos orar como convém. Esse Espírito que anseia que sejamos revestidos do que é definitivo.

     O mesmo Espírito que, como se expressa Tiago, nutre ciúmes por nos ver longe do pecado e mais próximos da santidade de Deus. Mas não sou robô, como pede o reCAPTCHA, do Google, que eu confirme. Então, o Espírito não nos robotiza.

     Aliás, se há quem não nos robotize é Deus. Se há quem nos reforce a identidade é o Altíssimo. Enquanto a mídia, assim como a chamada sociedade de consumo, e políticos, enfim, têm todo o interesse em nos ver manipulados, não assim o Senhor.

      Mas isso não resolve o problema da monotonia de Deus. Debruçado sobre minha vida, ouvindo minhas orações, privativo de minha lógica tortuosa. Ah, Deus. Quanta e que monotonia. Não para mim, mas para Ti. E a graça de Deus nos revela que nisso, para Deus, não há monotonia.

     Todo dádiva. Todo dom. Deus é todo amor e desejo de compartilhar conosco tudo e sempre: Sua palavra, a comunhão, Sua intimidade, amizade, enfim. Não. Nunca. Para Deus nunca é monótono dedicar-se ou aplicar-se a nós.

      Não é um Ser distante. O que conhece de nós é por experiência pessoal. Sondar-nos, para Deus, torna-se experiência gratificante. Em tudo semelhante a nós, quando se fez homem em Jesus.

      A maior experiência para Deus constituiu-se, em Seu amor por nós, fazer a Si mesmo homem. Como poderíamos imaginar que isso, para Deus, foi o máximo?! Foi tudo. Graça. Amor. Nada monótono.

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