quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Pastorais 1


   Um velho ateu

    "Um velho ateu,
    Um bêbado cantor,
    Poeta, na madrugada,
    Cantava essa canção,
    Seresta: 'Se eu fosse Deus,
    A vida bem que melhorava:
    Se eu fosse Deus,
    Daria aos que não têm nada'".
                                                Beth Carvalho

    Provavelmente, não. Muito simples o argumento. Levando em conta que Deus não exista, era para que, há muito, esse problema estivesse resolvido.

    Isso mesmo. O argumento mais rasteiro dos ateus é dizer que, os que têm fé, usam Deus como muleta para suas frustrações.

     Ora, era para, há muito, estarem resolvidas todas as frustações da humanidade. Isso mesmo, Deus não está nem aí para as frustações humanas, visto que somos os únicos responsáveis por elas.

     Uma delas essa aí, da má, não, da péssima distribuição de renda. Ora, era para que a bondade da humanidade, por si mesma, houvesse resolvido esse problema. E, para tanto, Deus é absolutamente desnecessário.
 
     Talvez, para problemas mais complicados, daquela natureza, por exemplo, miraculosa, para esses, ligue o 0800 do céu, o SAC Celestial, e faça sua reclamação.

     Sim, porque problemas à altura do ser humano, ora bolas, Deus não tem nada a ver com isso. Problema deles. Só que o problema mesmo tem outra natureza.
 
     O homem está, por si mesmo, travado para resolvê-lo. Para pequenas coisas ao seu alcance como, por exemplo, ser bom. Simples assim. O homem não consegue ser bom.
   
      Deveria provar, sim, que Deus não existe, mas sem blá-blá-blá. Bastava demonstrar que, para ser bom, apenas isso, nem precisa que Deus exista.
 
       O problema é que, de si, nem consegue ser bom, nem consegue provar ou prescindir da existência de Deus. Criando esse "Ser" todo bondade, engendrando essa mitologia do céu, nem assim, com toda a fantasia ou sem ela, conseguiu ser bom.

        Pobre homem. Não consegue ser, por si, bom, assim como não consegue reproduzir, com seu sentimento religioso, expressividade de uma bondade simulada.

     Dupla frustração.

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