quarta-feira, 1 de abril de 2015

Vida

      Imprevisível. Impossível saber quando e como a morte sucede. Imaginar que um piloto vai despedaçar um voo inteiro contra montanhas de 2000 metros, por desejo de se matar, matando junto 149 pessoas. A internet mostrou os rostos, o que já se sabe, mãe segurando bebê ao colo, grupo de quatro, mãe e dois filhos que, ao fim, perderam pai e marido. Enfim, histórias outras de cada um daqueles centena e meia.

          Dezesseis alunos de uma mesma escola de uma cidade pequena. Fico imaginando as mães, particularmente elas, visto que são mais próximas e sensíveis aos filhos, quantas tenham orado e pedido proteção para a viagem. Tratava-se de um intercâmbio. Simples assim: os pais liberam para um intercâmbio Espanha X Alemanha e, no retorno a casa, o copiloto muda de rota e decide atirar o avião contra os Alpes.

         Escolhas do homem. Ele tem problemas em assumir que faz escolhas erradas, esdrúxulas mesmo, contra qualquer tino ou traço de razão. Costuma não assumir as escolhas erradas, equivocadas mesmo que ele ou seus semelhantes fazem. E atribui a culpa disso a Deus. Horas como essas, é a primeira pergunta que fazemos: onde está Deus?

              O homem reclama liberdade para cometer seus desatinos. Não suporta ter escrúpulos para evitá-los. Nem quer ingerência de Deus em sua vida para converter-se a outra modalidade de vida e consequente ou equivalente comportamento. Então, quando tal escolha dele resulta num desatino qualquer ou, falando de outro modo, quando essas escolhas se voltam contra si mesmo, Deus é o culpado.

              Deus não pode ser responsabilizado pelo que de ruim ocorre entre e como gênero humano. É necessário admitir que o homem possui autonomia, que é traço distintivo de sua 'imagem e semelhança de Deus', ou seja, autonomia absoluta e capacidade autônoma de fazer suas escolhas por si mesmo. E, frequentemente, há quem as faça de modo escandalosamente contrário ao padrão de Deus. A Bíblia diz que é possível ao homem fazer outras escolhas ou manter comunhão com Deus, de modo a reduzir, ao mínimo, as escolhas erradas. Porém, mesmo essa opção, de manter-se preventivamente em comunhão com Deus, está incluído entre as escolhas que podem ou não ser feitas.

            E é flagrante identificar e reconhecer quem não pauta a sua vida pela escolha de fazer a vontade de Deus. Fica espelhado na vida pessoal e no trato das relações pessoais. Quando, então, as consequências das escolhas erradas feitas por alguém assaltam até mesmo quem, à volta, próximo, de imediato, não deveria ser responsabilizado ou sofrer tais funestas consequências, aprendemos o modo como esses erros afetam a pessoa que os comete e quantos ao redor. Tais consequências se voltam contra quem as desencadeia e afetam quantos à volta. Pecado é sempre contra Deus, conta quem pratica e contra tantos à volta. E o salário do pecado é a morte.

            Escolha errada, escolha contra os padrões de Deus, qualquer homem ou mulher são capazes de fazer, e a Bíblia chama essas escolhas de pecado. A consequência é sempre negativa, pois se trata de violência contra Deus, contra quem comete e contra tantos à volta. Para pôr freio nessa sequência ou círculo vicioso de escolhas erradas, Deus pôs um fim à vida do homem/mulher: morte. A morte é um justo salário, nem para mais, nem para menos, do pecado.

             Não há como culpar Deus pelo pecado e suas consequências. A tendência do ser humano em argumentar que, se Deus fosse tão sensível ou amoroso ou cheio da sua graça como a Bíblia proclama, evitaria as desgraças consequentes das escolhas erradas do homem/mulher, é tentativa de responsabilizar a Pessoa errada, melhor dizendo, responsabilizar errado a Pessoa (certa) de Deus.

              O refinamento de crueldade dos quais, potencialmente, todos nós somos capazes, só tem freio quando permitimos que Deus entre em nossa vida com seu (dEle) amor, Sua bondade e misericórdia. Pessoas que não têm Deus em sua vida são, potencialmente, capazes de qualquer desamor, por Deus, por si mesmos e pelo próximo. E as consequências são imprevisíveis mas, certamente, sempre funestas.

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